Guerra e conflitos

Notícia : Guerra e conflitos

Portugal em Roterdão sob o signo da intimidade (webremix.info)


A estância termal falhada que acolheu refugiados bóeres, prisioneiros alemães e agora será um hotel

Foram construídos para transformar as Caldas numa estância termal moderna e receber as elites de finais do século XIX. Mas estes edifícios imponentes acabaram a albergar refugiados da guerra dos bóeres da África do Sul e detidos alemães da I Guerra Mundial. Mais tarde serviram de quartel, de esquadra de polícia, de escola secundária, de sede de associações... Sem obras de manutenção, um século depois transformaram-se numa quase ruína. Um projecto para hotel de cinco estrelas está aí ao virar da esquina para lhes dar nova vida. São os Pavilhões do Parque das Caldas da Rainha. (webremix.info)


“É claro que é um grande romance, fui eu que o escrevi!”

Sentiu “a mão muito feliz” ao escrever o romance, mergulho profundo em memórias para indagar sobre o amor, a morte, a vida. É a relação entre um pai e um filho, a guerra de África em fundo. Eis António Lobo Antunes, agora, a não encontrar o rapaz que foi. (webremix.info)


Tribunal instrui a Nigéria a pagar 248 milhões de euros a vítimas da guerra civil

Tribunal de Justiça da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental instruiu o Governo nigeriano a pagar cerca de 248 milhões de euros em indemnizações às famílias das vítimas da guerra civil de 1967 e em reparações. (webremix.info)


A fome na Venezuela é real

Venezuelana que trabalhou com ajuda humanitária em países da África e da Ásia após desastres e guerra agora usa sua experiência em um contexto que nunca esperou ter de usar (webremix.info)


Conhecida por ‘Game of thrones’, Oona Chaplin volta à TV em ‘Taboo’

RIO — O que não falta a Oona Chaplin são credenciais. Bisneta do dramaturgo e vencedor do Nobel Eugene O’Neill, neta de Charles Chaplin, filha da atriz Geraldine Chaplin e do diretor de fotografia chileno Patricio Castilla, a atriz de 30 anos nasceu em Madri e cresceu entre Espanha, Escócia, Suíça e Cuba. links tv 29.4

Na TV, ficou conhecida por interpretar Talisa, mulher de Robb Stark em “Game of thrones”, uma das muitas vítimas do Casamento Vermelho. Agora, está de volta ao ar em “Taboo”, que o Fox Premium estreia hoje, às 22h.

Na elogiada série inglesa — com produção de Ridley Scott e assinada por Steven Knight (“Peaky blinders”) —, ao lado do protagonista, Tom Hardy, e do pai dele, Chips Hardy, Oona vive Zilpha, uma mulher do século XIX que se divide entre o amor por seu marido e pelo meio-irmão (por isso o “tabu” do título), interpretado por Tom. Aqui, o astro de “O regresso” encarna James Delaney, um homem que volta a Londres depois de passar dez anos desaparecido na África e ser dado como morto.

— O que me atraiu para esse projeto foi Tom. Fiz o teste com ele, e a fera que carrega em seu interior me impressionou. Eu disse: “com esse homem eu sigo até o fim do mundo” — conta.

Oona, que protagonizou muitas cenas de sexo em “Game of thrones”, agora vive uma complicada história de incesto.

— Zilpha é uma mulher feroz e horrendamente reprimida num mundo em que o corset lhe aperta até a garganta. Ali, os homens não têm a mínima consideração pela vida dela ou de qualquer mulher. E o conflito que nasce na personagem é interessante. O incesto é um dos poucos tabus restantes na televisão, é algo visto como imoral, sujo e nojento. Mas Zilpha e James se amam, não é um relacionamento abusivo. Isso só complica mais as coisas.

Já de sua família real, em vez de conflitos, Oona só guarda boas referências. Ela, que se define como um “coquetel de culturas”, em nenhum momento nega as origens.

— Deles herdei a curiosidade e a falta de preconceitos. Sou muito orgulhosa de fazer parte dessa família. Espero que no dia em que eu morrer eu possa olhar para trás e dizer: “honrei aquilo que herdei”.

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Liberdade de imprensa nunca esteve tão ameaçada, alerta Repórteres sem Fronteiras (webremix.info)


O difícil recomeço de refugiados do Congo

NITERÓI — A guerra civil do Congo, que já dura mais de 20 anos, segue separando famílias. Enquanto parte da população luta, outra foge do conflito, buscando refúgio em diversos países. Alguns o encontraram no Jardim Catarina, em São Gonçalo. Um processo contínuo iniciado há quatro anos e que já trouxe 12 famílias para a cidade. Hoje há 54 pessoas, sendo que duas nascidas no município. A vida do lado de cá do Oceano Atlântico é dura. Pessoas qualificadas seguem desempregadas. É o caso da farmacêutica Mireille Minga Kiala, de 30 anos.

— Faz um ano que cheguei. Precisamos da liberação dos documentos definitivos. Assim, sem trabalho, está muito difícil. Estou procurando faxina — conta a mulher, que abriu a casa onde vive com o marido e quatro filhas para mais duas refugiadas. — Fidelli, grávida na época, estava na rua chorando. Se for para passar fome, passamos juntas.

As necessidades são amenizadas por doações da Pastoral Familiar da Paróquia de Santa Catarina Labouré.

— Trazemos legumes a cada 15 dias. Fidelli chegou grávida, e sua criança nasceu há dois meses. Estamos buscando ajuda para a alimentação de todos — explica Sérgio Pereira, que cuida da pastoral ao lado da mulher, Ademilda.

Apesar do apoio, as dificuldades ainda rondam o grupo. Há uma semana, Fidelli começou a ter crises de choro.

— Deixei meu marido e minhas filhas lá. Não sei deles. Por isso choro — lamenta.

Ela, como a maioria, embarcou num navio sem saber o destino. Gastou as economias numa passagem clandestina. Ao chegar, muitos são acolhidos pela Cáritas, um braço da Igreja Católica, que paga um benefício temporário. Mas sem chances de emprego, o grupo ainda precisa de ajuda para suprir necessidades básicas.

Francine Kinzeka, de 28 anos, teve um pouco mais de sorte. Veio para o Brasil com o marido, Dominique, de 37, que trabalha como pedreiro. A família cresceu, há dois meses, com o nascimento da segunda menina. Francine mantém contato com a família, na África, pelo WhatsApp.

— Fico triste, porque a situação para eles piorou. Há poucos dias, teve conflito na vila — diz a mulher, que deixou a carreira de comerciante, e, hoje, procura emprego como faxineira.

A Secretaria municipal de Desenvolvimento Social de São Gonçalo realizou um encontro com os refugiados.

— Entre eles há profissionais de saúde, outros com nível superior, motoristas... — enumera o secretário Marlos Costa. — A maior necessidade, no momento, é encontrar trabalho.

Costa explica que os congoleses têm vistos, estão com a documentação regular e a maioria fala português. Como são refugiados, podem ser inseridos no Bolsa Família. Eles serão cadastrados no Serviço Nacional do Emprego. Acompanhamento de saúde e psicológico também estão sendo disponibilizados.

Quem quiser doar alimentos pode procurar a Pastoral Familiar da igreja na Rua Madeira de Freitas esquina com Avenida Paulo Sexto, no Jardim Catarina.

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‘Stefan Zweig’ mostra exílio de autor austríaco no Brasil

SÃO PAULO — Antes de ingerir uma dose fatal de tranquilizantes, em 22 de fevereiro de 1942, o escritor austríaco Stefan Zweig deixou uma declaração na qual agradecia ao Brasil por acolhê-lo tão bem. “Dia após dia, aprendi a amá-lo mais. Eu não gostaria de construir uma vida nova em nenhum outro lugar agora que o mundo que fala minha língua desapareceu para mim e que minha terra espiritual, a Europa, está se destruindo”, escreveu o autor. Dirigido pela atriz alemã Maria Schrader, “Stefan Zweig — Adeus, Europa”, em cartaz nos cinemas, narra os últimos anos de vida de Zweig (Josef Hader), passados entre Brasil, Argentina e Estados Unidos, ao lado de sua segunda mulher, Lotte (Aenne Schwarz). Uma das fontes de pesquisa da cineasta, que assina o roteiro em parceria com Jan Schomburg, foi “Morte no Paraíso — a Tragédia de Stefan Zweig”, do jornalista brasileiro Alberto Dines.

Leia a crítica e veja os horários do filme

— Eu queria muito fazer alguma coisa sobre exílio. Depois que li mais sobre Zweig, entendi que havia muitas questões envolvendo a saída dele de uma Europa dividida e extremamente radicalizada. Ele fugiu da guerra, mas vivia assombrado por ela. Com (o escritor) Thomas Mann, era considerado um dos mais importantes autores de língua alemã de sua época. E não podia publicar mais em seu idioma materno. Tudo isso era muito duro para ele — diz Maria, em entrevista ao GLOBO, por Skype, de sua casa em Berlim.

Dividido em seis partes, com um prólogo, um epílogo e quatro capítulos intermediários, “Stefan Zweig — Adeus, Europa” retrata episódios da vida do escritor entre 1936 e 1942, com especial atenção para o seu exílio sul-americano, entre Rio, Buenos Aires, Salvador e, seu destino final, Petrópolis. O filme mostra um momento que define o estado de espírito de Zweig nos primeiros anos longe de sua pátria, quando foi homenageado em um congresso de escritores na Argentina, mas se recusou a condenar publicamente a Alemanha e seu líder em ascensão, Adolf Hitler. “Não falaria publicamente contra um país, e não farei exceção”, diz ele a um jornalista.

Ele era um pacifista radical e um defensor ferrenho de uma Europa unida, não acreditava em fronteiras— Ele era um pacifista radical e um defensor ferrenho de uma Europa unida, que não acreditava na ideia de fronteiras. Defendia, talvez por gostar muito de viajar, que todas as pessoas deveriam ser cidadãs do mundo. Era um entusiasta do poder do intercâmbio cultural e da diversidade, numa época em que as discussões abertas já não eram mais possíveis e que tudo era preto ou branco. Há muitas coisas e temas combinados nesses últimos anos de vida que são importantíssimos — diz a diretora do filme.

As cenas brasileiras de “Stefan Zweig” foram filmadas em São Tomé e Príncipe, na África. No país, uma ex-colônia portuguesa, Maria encontrou cenário historicamente preservado e uma população muito parecida com a que precisava.

— É muito caro filmar no Brasil, não tínhamos orçamento para isso. Petrópolis está muito transformada, seria impossível reconstituir a época. Além do mais, em São Tomé estávamos no mesmo fuso horário da Alemanha, o que facilitou muito — explica ela.

O filme mostra o périplo de Zweig e Lotte antes de decidirem se instalar definitivamente no Brasil. Eles viajaram pelo Nordeste do país e tentaram viver nos Estados Unidos, mas acabaram voltando. Ele era fascinado não só pela beleza e pelo exotismo, mas pela ideia de um país marcado pela diversidade e pelo desenvolvimento social.

— Ainda que saibamos que isso não era verdade, aquilo parecia o paraíso para ele. Tudo parecia muito mais bonito. Ele ainda não tinha olhado a história da escravidão. Não tinha visto o contexto da época, com (Getúlio) Vargas no poder — diz Maria.

Em 1941, Zweig publicou “O mundo que eu vi”, uma espécie de testamento. O livro é rejeitado pelos críticos, em especial por Costa Rego, redator-chefe do “Correio da Manhã”, que escreveu vários textos desancando a obra.

— Com esse livro ele ficou marcado, tanto pelos imigrantes e as pessoas próximas deles, quanto pelos partidários da esquerda. Temos de lembrar que o Estado Novo estava no seu quarto ano, Vargas colaborava com o governo alemão. Mesmo assim, ele não desistiu do Brasil— diz a cineasta.

Maria, que é mais conhecida no circuito dos festivais e de cinema de autor como atriz, principalmente pelo filme “Aimée & Jaquar” (1999), diz que, se Zweig estivesse vivo hoje, talvez se surpreendesse com a realização de seu sonho de uma Europa unida. E com a perspectiva de que a região se tornou um ponto de chegada para refugiados, e não de partida. Como em sua época.

— Nossa geração teve a chance de viver o sonho de Zweig. Eu acho que ele diria para não desistirmos do sonho de manter a Europa unida — completa.

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ONU alerta para aumento do risco de morte por fome na África (webremix.info)


Alemanha testa detecção de fala para saber origem de refugiados (webremix.info)


Unicef: 2016 foi o ano mais mortal para as crianças sírias

BEIRUTE — O ano de 2016 foi o mais mortal para as crianças na Síria desde o início da guerra, alertou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) nesta segunda-feira. De acordo com a agência da ONU, 652 menores foram mortos neste período em razão dos combates, um salto de 20% na comparação com 2015 e um número superior a qualquer outro ano do conflito. Síria

Os dados constam em um relatório do Unicef publicado dois dias antes do 6º aniversário da revolta popular contra o ditador Bashar al-Assad, que acabou virando uma sangrenta guerra civil com mais de 470 mil mortos.

As crianças estão entre as primeiras vítimas da repressão brutal do regime e também de ações dos combatentes da oposição e de grupos extremistas. Não houve diminuição de ataques a escolas, hospitais, parques e casas no ano passado, enquanto o governo sírio, seus aliados e adversários mostraram um desprezo pelas leis da guerra.

Segundo o Unicef, pelo menos 255 crianças foram assassinadas dentro ou perto de uma escola em 2016, e 1,7 milhão está sem estudos. Uma em cada três escolas na Síria se encontra inutilizável — algumas devido à ocupação de grupos armados.

— A profundidade do sofrimento é sem precedentes — advertiu Geert Cappelaere, diretor regional do Unicef para o Oriente Médio e Norte da África, falando de Homs, na Síria. — Milhões de crianças na Síria são atacadas diariamente, suas vidas estão de cabeça para baixo.

O uso de crianças-soldado também aumentou no país. Pelo menos 851 crianças foram recrutadas por grupos armados no ano passado, mais que o dobro em relação a 2015.

Os recrutados se encontram cada vez mais na linha de frente ou, em casos extremos, são usados como suicidas ou guardas prisionais.

Em 15 de março de 2011, começavam os primeiros protestos contra o governo de Assad, que levaram a uma violenta repressão e depois à guerra civil. Desde então, o número de crianças vítimas da guerra vem só crescendo.

— Toda criança está marcada por uma vida com horríveis consequências sobre sua saúde, bem-estar e futuro — acrescentou Cappelaere.

Outro problema é a questão das minas. Crianças de todo o país estão em risco de sofrer lesões graves por brincarem perto de minas terrestres e fragmentos de munições. A remoção desses artefatos em áreas mantidas pela oposição tem sido severamente prejudicada pela falta de acesso de especialistas aos locais.

O futuro das crianças sírias fora do país também é preocupante: 2,3 milhões de crianças sírias são refugiadas em outras partes do Oriente Médio.

Na semana passada, a ONG Save The Children advertiu em um relatório que a guerra civil está provocando uma grave crise na saúde mental das crianças. Em meio a traumas, depressão e medo, a organização revelou que grande parte dos menores está sofrendo de estresse tóxico, estresse pós-traumático e situações extremas. Algumas delas chegam a condições extremas, como autoflagelação, tentativas de suicídio e até perda da fala.

Info - criancas sirias

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Artigo: Os verdadeiros inimigos, por Ricardo Rangel

O Brasil segue se digladiando em uma guerra ideológica sem ideias, brigando pelos motivos errados e combatendo falsos inimigos. É um enorme desperdício de tempo e de energia. Se conseguissem deixar o ódio de lado, direita e esquerda veriam que seus objetivos não são opostos, mas complementares, e que suas divergências não são irreconciliáveis.

A diferenciação tradicional entre esquerda e direita era que a primeira defendia o proletariado, por meio da estatização dos meios de produção, enquanto a segunda defendia os detentores privados dos meios de produção, isto é, a burguesia, e seus privilégios. Isso deixou de fazer sentido por completo. A sociedade se sofisticou, não conta mais com duas classes apenas, mas dezenas, centenas, com interesses os mais diversos. E a estatização dos meios de produção fracassou miseravelmente.

O socialismo foi tentado na URSS, na Europa Oriental, na China, na Mongólia, na Coreia do Norte, no Sudeste Asiático, em Cuba, em meia dúzia de países da África, e de várias maneiras diferentes. Não deu certo em lugar algum, e, em todos os casos, sem exceção, levou os países a ditaduras brutais e à catástrofe econômica. É surreal que alguém ainda o leve a sério.

A esquerda sabe que só existe liberdade na democracia liberal, e que só a iniciativa privada gera riqueza, mas, como não gosta desse fato, recusa-se a reconhecer sua existência. Também sabe que o partido-símbolo da esquerda no Brasil criou o maior esquema de corrupção de todos os tempos e levou o país à bancarrota, mas tampouco reconhece esse fato.

O Brasil é um dos países mais injustos do mundo, e o mercado não é perfeito, não é capaz de incluir a todos. A direita sabe que a principal bandeira da esquerda, o combate à injustiça social, é legítima, mas, como não gosta desse fato, recusa-se a reconhecê-lo.

Igualdade exige mais Estado, mas Estado grande demais implica pouco crescimento (e talvez até injustiça social, por conta dos maus serviços). Liberdade econômica exige menos Estado, mas Estado pequeno demais implica injustiça social (e talvez até pouco crescimento, por conta da baixa concorrência). Com boa vontade, não deveria ser difícil chegar a um acordo: um pouco mais para a direita, seríamos como os EUA; um pouco mais para a esquerda, seríamos como a França. Não chega a ser uma escolha de Sofia.

Em vez de brigarmos pelos motivos errados, deveríamos ser capazes de deixar nossas diferenças, que são pequenas, de lado e juntarmo-nos para combater o adversário comum: a real oposição não é entre direita e esquerda, mas entre avanço — democracia, livre mercado, apoio social — e atraso.

E o atraso está na direita obscurantista (machistas, misóginos, homofóbicos, racistas, defensores de intervenção militar, da ditadura e da tortura) como Bolsonaro, Crivella, Feliciano; a esquerda rasa e tosca que imagina que todos os ricos são igualmente calhordas (PCO, PSTU, PCdoB e boa parte do PT e do PSOL); Lula e sua curriola de cleptocratas sindicais; o Brasil feudal, encarnado por Renan, Sarney, Jader, Collor et caterva. São eles os verdadeiros inimigos.

* Ricardo Rangel é produtor de cinema e TV

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Número de 65 milhões de refugiados no mundo é superestimado, diz estudo (webremix.info)


Canadá recebe em 2017 mais requerentes de asilo vindos dos EUA

OTTAWA - O número de imigrantes que solicitaram status de refugiado no Canadá depois de cruzar a fronteira dos Estados Unidos aumentou desde o início de 2017, informou nesta quinta-feira a polícia fronteiriça. "O Canadá tem registrado um aumento no número de pedidos de asilo desde janeiro deste ano em relação ao mesmo período do ano passado", anunciou a Agência de Serviços Fronteiriços do Canadá. De 1º de janeiro a 21 de fevereiro, um total de 4.000 pessoas solicitaram asilo, em comparação com os 2.500 que o fizeram no mesmo período em 2016. trudeau

O número inclui aqueles que cruzaram ilegalmente a fronteira e aqueles que chegaram através de postos dos Estados Unidos.

As autoridades canadenses evitam apresentar uma tendência com base em dados preliminares.

"Alguns candidatos passaram relativamente pouco tempo nos Estados Unidos" antes de vir para o Canadá, indicou um funcionário.

A maioria dos imigrantes vieram principalmente do Leste da África e de países devastados pela guerra, como a Síria.

A polícia e funcionários da imigração indicaram que alguns pareciam tentar desde o início vir para o Canadá depois de voar para os Estados Unidos com um visto de turista.

Outros tomaram a decisão depois de terem o pedido de asilo negado ou por temerem a deportação, em meio as severas políticas migratórias adotadas recentemente pelo novo governo de Donald Trump.

O total de solicitações no Canadá diminuiu de 44.000 em 2001 para 24.000 no ano passado. Calcula-se que cerca de 60% obteve asilo.

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Países mais pobres acolhem maior parte dos refugiados em 2016

GENEBRA — Países de renda média ou baixa abrigam a maior parte dos 3,2 milhões de refugiados que deixaram seus países no primeiro semestre de 2016, como aponta o novo relatório do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur). Segundo o documento, mais da metade das pessoas deslocadas por conflitos durante o período foi vítima da guerra na Síria — a maioria deslocada para países próximos como Jordânia, Líbano e Egito. De todos os países, a Turquia foi o que acolheu o maior número de refugiados, num total de 2,8 milhões de migrantes. A Alemanha foi o único europeu na lista das dez nações mais acolhedoras do mundo. Ela fica em nono, atrás de Turquia, Líbano, Irã, Etiópia, Jordânia, Quênia e Uganda, e a frente de Chade, no Centro-Norte africano. refugiados

Ainda que o número de deslocados na primeira metade de 2016 seja menor que os 5 milhões registrados no primeiro semestre de 2015, o alto comissário da ONU para os refugiados, Filippo Grandi, alertou que é preciso ver além das cifras para resolver a situação.

— A crise que enfrentamos hoje não é apenas de números, mas de cooperação e solidariedade. Principalmente porque a maior parte dos refugiados permanece em países vizinhos aos seus, devastados pela guerra — explica Grandi.

O relatório do Acnur compara o número de refugiados ao tamanho da população ou da economia dos países de acolhida, uma forma de mensurar a contribuição que tem sido dada por cada nação. Segundo o levantamento, o Líbano e a Jordânia abrigam o maior número de refugiados em relação ao tamanho de suas populações, enquanto a maior pressão em termos econômicos está sob o Chade e o Sudão do Sul, que não está na lista dos que mais acolhem. Levando em conta esta variante, oito dos dez países que acolhem o maior número de refugiados estão na África, enquanto os outros dois estão no Oriente Médio. Entre esses dez países, o Líbano e a Jordânia encaixam-se entre os “dez mais” de todas as categorias – números absolutos, contribuição econômica e comparação entre refugiados e população nacional.

Info - Paises Refugiados

Nem todos os refugiados cruzam fronteiras internacionais em busca de asilo. Segundo o relatório, 1,7 milhão de pessoas se deslocaram dentro de seus próprios países — número um pouco maior do que em relação aqueles que pediram abrigo a outras nações: 1,5 milhão.

O relatório do Acnur aponta ainda um aumento nos pedidos de reassentamento, dentro ou fora dos países de origem. No primeiro semestre de 2016, mais de 81,1 mil pessoas foram submetidas a programas deste tipo em 34 nações — número que ultrapassou a marca de 160 mil ao final do ano passado, o maior dos últimos 20 anos.

Além da Síria, o Sudão do Sul também chama atenção pelo crescente número de pessoas deixando o país por conta da guerra civil. A migração afeta países vizinhos, que acolhem os deslocados, como Sudão, Uganda, Quênia e Congo. Na metade de 2016, havia 854,2 mil refugiados do Sudão do Sul – um número oito vezes maior que há três anos.

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‘Sem a UE, seremos a Europa dos países nanicos’, diz historiador (webremix.info)


Papa Francisco diz que estuda possibilidade de viajar ao Sudão do Sul (webremix.info)


Papa Francisco diz que estuda possibilidade de viajar ao Sudão do Sul

O Papa Francisco disse neste domingo que está estudando a possibilidade de viajar ao Sudão do Sul, nação do leste da África que enfrenta fome e guerra civil. Francisco disse, em visita a uma igreja anglicana em Roma neste domingo, que bispos anglicanos, presbiterianos e católicos pediram a ele que visite o país "mesmo que seja só por um dia". [Leia mais...] (webremix.info)


Unidos de Vila Maria aposta em desfile sem nudez para levar o título

SÃO PAULO - Nem a miss bumbum 2017 Erika Canela teve licença para exibir seu principal atributo no Anhembi, na primeira noite de desfiles das escolas de samba do grupo especial. Passista da Unidos de Vila Maria, que emocionou a avenida com o samba enredo sobre os 300 anos da descoberta da imagem de Nossa Senhora Aparecida, Erika foi à passarela do samba de calça. Para se adequar aos preceitos religiosos, a Vila Maria evitou a nudez e aboliu erotismos. Também dispensou a tradicional figura da "rainha de bateria". Para a escola, rainha só a própria Nossa Senhora.

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Logo na abertura do desfile, a ala das baianas enchia os olhos dos foliões, com mulheres cobertas com o manto azul e a coroa dourada da santa. A estratégica paradinha da bateria fez ecoar pela passarela o refrão "ó senhora, ó senhora". Era como se todo o Anhembi estivesse em oração. Como exemplo dos milagres da padroeira do Brasil, a escola trouxe uma passista com perna mecânica para sambar. Ao final da participação, integrantes entregavam rosas ao público. A Vila Maria recebeu a benção da Igreja Católica, historicamente refratária à utilização de seus símbolos pelos carnavalescos e terminou seu desfile, luxuoso e sem falhas, como uma das favoritas a faturar o título de campeã.

Se a Vila Maria se esquivou de polêmicas e da nudez, a Unidos do Tucuruvi instalou o debate na passarela. Com o samba-enredo "Eu sou a arte: meu palco é a rua", a escola homenageou grafiteiros e pichadores da capital paulista. Corpos de mulheres nuas viraram telas para pichações, que também estavam presentes nos carros alegóricos. O tema tornou-se explosivo depois que, recém-empossado, o prefeito João Doria mandou apagar grafites dos muros da cidade e declarou guerra à pixação. O assunto foi escolhido como mote pela escola ainda em 2016, antes que entrasse na agenda política de São Paulo.

- Os grafiteiros eu aplaudo, os pichadores, não! - afirmou Doria, que foi embora do Anhembi antes que a Tucuruvi desfilasse. O prefeito deixou de ver a mistura de samba com arte de rua apresentado pela agremiação. Monociclo, trapezistas, bailarina pendurada pelos cabelos, motociclistas no Globo da Morte eram algumas das atrações da Tucuruvi.

A Tom Maior, vice-campeã do grupo de acesso no ano passado, conseguiu roubar do tradicional bloco Galo da Madrugada, no Recife, a cantora Elba Ramalho. Elba desfilou carregada em um andor enquanto a escola toda sambava em sua homenagem.

- Recife eu tenho há muitos e ainda terei por muitos outros, mas isso é algo único, eu tinha que vir. Estou muito emocionada - disse, ainda na concentração, com dificuldade para conter as lágrimas.

Embora os integrantes da escolas tivessem o samba bem decorado, a apresentação da escola teve ao menos uma falha grave. A cabeça de uma escultura de cavalo, acoplado a um dos carros alegóricos, desmontou e atravessou o Anhembi pendente. A agremiação também pode perder pontos na evolução, já que o segundo carro enguiçou no momento de entrar.

A Mocidade Alegre fez uma homenagem a si mesma, pelos 50 anos da agremiação. O samba enredo, no entanto, não empolgou o público. Os carros Alegóricos e fantasias, porém, tinham acabamento impecável.

Quarta escola a se apresentar, a Acadêmicos do Tatuapé, vice-campeã do ano passado, levantou o público com suas longas paradinhas da bateria. O samba enredo "Mãe África" foi rapidamente assimilado pelas arquibancadas. A fina garoa que começou no fim da passagem da Tatuapé não ofuscou o brilho da escola.

A Gaviões da Fiel pintou de preto e branco as arquibancadas. Antes da entrada da escola, um integrante distribuiu bandeiras à plateia. A Gaviões trouxe carros grandiosos ao desfile, com muitos efeitos especiais, para contar a história dos migrantes que ganharam a vida em São Paulo. No abre-alas, o gavião símbolo da escola abria as asas sobre o Anhembi. A agremiação, no entanto, apresentou uma série de problemas com suas fantasias. Uma passista destaque de solo chegou a arrumar o enfeite de penas das costas em frente aos jurados desse quesito e outra destaque de carro alegórico teve problemas nos calçados e passou parte do desfile sentada no chão da alegoria.

A chuva ameaçou atrapalhar o espetáculo, mas parou uma hora antes da entrada da primeira escola. As arquibancadas demoraram a encher, mas pouco depois da meia-noite já estavam bastante ocupadas. Havia previsão de mais chuva no fim da madrugada, mas amanheceu com sol entre nuvens para iluminar a última escola da noite: a Águia de Ouro.

Ao completar 40 anos, a Águia decidiu homenagear os animais de estimação, reais ou animados. Uma ala inteira vestida de cachorro passou pela avenida rolando. As baianas vieram de Cruella, a vilã de 101 dálmatas. São Francisco foi lembrado como o santo protetor dos pets. O desfile das escolas terminou sem incidentes.

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ONU: Taurus enviou ilegalmente 8 mil armas a filho de traficante iemenita (webremix.info)


Cruz Vermelha: 74 imigrantes morrem por afogamento na costa líbia (webremix.info)


Venda de armas pesadas no mundo atinge maior nível desde a Guerra Fria

O volume de armas pesadas vendidas tem crescido e, segundo dados do Instituto para a Pesquisa da Paz Internacional (Sipri, na sigla em inglês), atingiu entre 2012 e 2016 o maior patamar para qualquer quinquênio desde o fim da Guerra Fria. Houve aumento no fluxo de armas para Ásia e Oceania e para o Oriente Médio, na comparação com 2007-2011, enquanto houve recuo na Europa, nas Américas e na África. [Leia mais...] (webremix.info)


Refugiados viram professores em curso de idiomas no Rio

RIO - Um jovem sírio escreve no quadro 28 letras incompreensíveis para um ocidental leigo. Explica que em árabe não existe som de "p", e que aquela escrita, feita da direita para a esquerda, é muito antiga. Na sala ao lado, um venezuelano ensina quando usar "usted" (senhor) ou "tú" (tu) para se dirigir a alguém em espanhol. E sugere aulas de arte pré-colombina ou salsa para imergir na cultura latina. São muitas línguas num mesmo ambiente: Hadi Bakkour e Gustavo Martínez são professores num curso de idiomas que cresce no Rio e em São Paulo com aulas dadas exclusivamente por refugiados ou solicitantes de refúgio no Brasil.

As vidas do sírio Hadi e do venezuelano Gustavo, antes separados por 11 mil quilômetros, se cruzaram na ONG Abraço Cultural no Rio. Além deles, há colegas haitianos, congoleses... A aposta é que, além de idioma, haja também troca de experiências culturais. Hadi, de 22 anos, gosta de levar música e referências de teatro - ele estuda Direção Teatral na UFRJ. Gustavo, de 28, comenta sobre comida, literatura latino-americana. Em comum, todos aprenderam a chamar o Brasil de casa.

- Não saí do meu país em busca de riqueza. Vim porque queria trabalhar e ter algo de liberdade - conta Gustavo, há cerca de dois anos no Rio. - O pior foi quando me dei conta de como a política se apropriava da sociedade venezuelana. Inclusive no meu trabalho. Eu dava aulas em escolas e queriam que eu usasse textos que falavam do governo.

Acolher, palavra poliglota: Refugiados viram professores em curso de idiomas no RioGustavo chegou ao Rio com um amigo. Para sair da Venezuela alegou que faria turismo no Brasil, mas não voltou mais a seu país. No Brasil, entrou com um pedido de refúgio. Para trás ficaram mãe, irmãs, amigos.

- Tento sempre me comunicar com eles, e tenho medo do que possa acontecer com a minha família. Existe racionamento de comida, e o governo tem o controle de tudo. Cada vez a porta se fecha mais. Quando cheguei não havia tantos venezuelanos vindo pro Brasil. Hoje são muitos. Por que será? É claro que algo de errado acontece no meu país - diz Gustavo.

Hadi saiu de Aleppo há três anos. Diz que a intensificação da guerra civil, no início afastada da sua cidade, alarmou sua família. Veio com o irmão para o Rio, onde já tinha uma meia irmã, fruto do primeiro casamento do pai.

- Meu irmão e eu estávamos em idade para prestar o serviço militar. A família ficou com medo. Já não dava para frequentar a faculdade, as ruas estavam perigosas - conta. - Meu pai e minha mãe tentaram morar aqui também, mas não se adaptaram. A vida da mulher é mais restrita na Síria. Para minha mãe tudo que ela tem é sua casa, suas memórias. Ela não quis deixar isso.

No Rio, Hadi e Gustavo aprendem, ensinam e se divertem com as diferenças.

- Uma das palavras que mais gosto em português é "cara". E "caraca". A primeira vez que ouvi a gíria falei: 'Mas é a capital do meu país!'. E falo muito 'cara'. Dizem que já sou quase um carioca - brinca Gustavo.

Hadi aprendeu português com amigos, e treina mais no curso de Direção Teatral, uma paixão que descobriu no Brasil.

- Os brasileiros gostam de ensinar e corrigir as palavras, sem serem rudes. A palavra que eu mais gosto em português é 'amor'. Mas não pelo jeito que se fala, e sim pelo que representa. Aprendi a amar mais aqui - explica Hadi.

Os dois pensam em voltar para seus países, mas não fazem planos a curto prazo. Sonhos eles têm.

- Muitos dos problemas da Síria poderiam ver solução no Brasil, que é mais aberto. E muitos problemas do Brasil poderiam ser resolvidos com inspiração na Síria, que é mais fechada. Um dia ainda vou fazer uma peça que una as duas culturas. Acho que ainda vou viajar por muitos países com isso - diz Hadi.

- Quero voltar um dia para a Venezuela, mas na situação atual não vejo como. Se volto de repente iria até pra cadeia, ou não conseguiria desempenhar meu trabalho de professor. O governo sabe que quem sai do país conta as verdades sobre o que acontece lá - diz Gustavo. Mas a História da humanidade mostra que nada é para sempre. Isso um dia vai mudar. Tenho esperança. Existe sempre uma luz no fim do túnel. Falam assim também em português, não é?

Novas turmas em março

As aulas de idiomas com refugiados começaram em São Paulo no meio de 2015, encabeçadas pela ONG Atados, e depois assumido por seu braço nessa empreitada, a ONG Abraço Cultural. A ideia chegou ao Rio em março do ano passado. Começaram com duas salas e oito turmas, com oito professores. Todos os horários encheram.

- Eles carregam a cultura dos países de onde vêm. Então por que não aproveitar a ideia e juntar cultura e língua, em um ambiente de integração para refugiados e alunos? Eles recebem salários, se destacam como professores. E mostram como são seus países, que normalmente não têm tanto destaque em cursos tradicionais - explica Tatiana Rodrigues, coordenadora da Abraço Cultural no Rio.

Hoje são 14 professores. E a previsão é que haja ao menos 25 turmas para o início do novo semestre de aulas, agora em março. O material didático, incluído no valor do curso, ressalta a variedade de culturas. No de francês, por exemplo, a África é destaque.

- A experiência tem sido excelente, tanto dos professores como dos alunos, que avançam nos módulos do curso, e indicam para amigos, parentes. Sem contar que são aulas acessíveis e diferentes - diz Tatiana. - Alguns alunos chegam sem saber o que significa ser um refugiado. A sociedade tem que conhecer que eles vieram fugidos de guerras, de perseguições. Não tiveram opção.

Ficou curioso? Mais informações em http://abracocultural.com.br

(webremix.info)


Brasil de volta ao clube dos grandes produtores de diamante

RIO - Após a descoberta na cidade de Nordestina, no interior da Bahia, de uma reserva de diamante capaz de multiplicar a produção nacional da pedra preciosa numa escala superior a dez vezes, o país voltou a ficar na mira de investidores. Ao menos três empresas estão prospectando a pedra preciosa no país — na Bahia, em Goiás e em Minas Gerais — num movimento que deve colocar o Brasil de volta no mapa mundial dos diamantes. Um mercado seleto, com apenas 21 nações produtoras e que em 2015 movimentou US$ 13 bilhões.

O Brasil já liderou a produção global de diamante no século XVIII e, hoje, representa ínfimo 0,02% desse mercado, ocupando a 19ª posição do ranking, capitaneado pelos russos. Considerando o pico de produção na mina de Nordestina, em 2020, estimado em 400 mil quilates, o Brasil será alçado ao 11º lugar, mantida estável a produção dos demais países. Em 2015, foram produzidos 127,4 milhões de quilates de diamantes no mundo.

Info - diamante 1

Paralelamente à chegada de novos investidores, está em fase final de revisão um levantamento do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), órgão do governo federal, com áreas potenciais para exploração de diamantes.

O projeto Diamante Brasil identificou 1.344 dos chamados corpos kimberlíticos e rochas associadas, reunidos em 23 campos. É nessas áreas de nome esquisito que se encontra o diamante primário, incrustado em rochas e cuja produtividade é bem maior que a do diamante secundário, geralmente encontrado nos rios.

É sobre esse mapa da mina que as empresas estão se debruçando atrás de novas jazidas. Uma atividade cara e de risco. Estima-se que apenas 1% dos corpos kimberlíticos tenha diamantes economicamente viáveis. No mundo, pouco mais de 20 jazidas de kimberlíticos estão em produção. Até ano passado, o Brasil estava fora dessa estatística. Produzia somente diamantes secundários, muito explorados por cooperativas de garimpeiros.

diamantes 1902

A descoberta de Nordestina mudou o cenário. Em meados de 2016, deu-se início a primeira produção comercial de diamante primário no Brasil. Liderada pela belga Lipari, a produção deve alcançar este ano 220 mil quilates — em 2015, último dado fechado, a produção nacional havia sido de 31 mil quilates.

Segundo o canadense Ken Johnson, presidente da empresa, as terras onde a Lipari prospecta diamantes foram adquiridas da sul-africana De Beers, em 2005. Desde então, foram investidos R$ 214 milhões. A produção será exportada.

— O trabalho na mina é de 24 horas por dia. Temos 270 funcionários e devemos chegar a 290 empregados no fim do ano. E isso é só o começo. Estamos olhando outras áreas em Rondônia e Minas Gerais — diz Johnson.

DESCOMPASSO ENTRE OFERTA E DEMANDA

O diamante é feito de carbono e é formado na base da crosta terrestre, a pelo menos 150 quilômetros de profundidade. Para que se forme, é necessário que esteja em ambiente estável, com elevadíssimas temperaturas e determinadas condições de pressão. Com a movimentação no interior da Terra, há liberação de energia. O magma, então, busca uma válvula de escape e aproveita falhas geológicas para chegar à superfície. O diamante “pega carona” no magma.

— Quando esse percurso é feito em poucas horas ou poucos dias, o que é bastante raro, o diamante é preservado. Caso contrário, desestabiliza-se e vira grafite — explica a geóloga Lys Cunha, uma das chefes do projeto Diamante Brasil.

Ao chegar à superfície, o magma se solidifica e forma as chamadas rochas kimberlíticas. O diamante primário fica incrustado nessas rochas. Com o passar do tempo, as rochas sofrem processo de erosão e o diamante acaba sendo carregado para outras áreas, alojando-se ao longo de rios. Nesse caso, passa a ser chamado de diamante secundário. Segundo empresários e especialistas, não há diferença de qualidade entre eles. O que muda são os meios de extração empregados e a sua produtividade.

— O diamante secundário tem uma produção errática, pois fica mais espalhado. Além disso, não se costuma cavar mais de 15 metros a 20 metros de profundidade para encontrá-lo. Já o diamante primário fica mais concentrado. No processo de extração, pode-se perfurar de 200 metros a 300 metros de profundidade, o que exige uma produção bastante mecanizada e investimento bem maior. O volume de produção também é muito superior — explicou Francisco Ribeiro, sócio da Gar Mineração. — Por isso, temos a oportunidade de voltar a ocupar posição de destaque no ranking global.

O país tem chance de voltar a figurar entre os líderes da produção global

A empresa, de capital nacional, atua há 60 anos no Brasil e hoje produz cerca de 3.600 quilates a 4.800 quilates por ano de diamante secundário no Triângulo Mineiro. Agora se prepara para estrear na produção de primário. Segundo Ribeiro, a companhia está em fase de qualificação das reservas, também em Minas Gerais. E a estimativa para iniciar a produção é de um a dois anos.

A história do diamante no Brasil remonta ao século XVIII. Não se sabe ao certo quando houve a primeira descoberta, mas historiadores apontam o ano de 1729 como o que o então governador da capitania de Minas Gerais, Dom Lourenço de Almeida, oficializou a existência das minas à metrópole. Até então, as descobertas da pedra preciosa corriam à boca pequena e enriqueciam quem se aventurava na clandestinidade.

Com a Coroa ciente, a produção no então Arraial do Tijuco (atual Diamantina, Minas Gerais) ganhou novo impulso e o Brasil assumiu a liderança mundial do diamante, desbancando a Índia. Durante quase 150 anos, manteve a dianteira. Em 1867, a descoberta de um diamante nos arredores de Kimberley, na África do Sul, levou a uma corrida pela pedra preciosa no país. O Brasil, então, perdeu a hegemonia e está hoje na lanterna da produção global, à frente apenas de Costa do Marfim e Camarões.

NOS EUA, PEÇA ESSENCIAL DO NOIVADO

Desde 2010, a produção mundial está estacionada na faixa dos 130 milhões de quilates. Recente relatório da consultoria Bain&Company, porém, estima que a demanda vai crescer a um ritmo de 2% a 5% ao ano até 2030, embalada pelo consumo da classe média americana e chinesa. Cobiçado por casais apaixonados, o diamante brilha com frequência em joias que os maridos americanos dão a suas esposas. Pesquisa mostra que 71% dos americanos nascidos entre os anos 1980 e 2000 consideram o diamante um elemento essencial do anel de noivado.

A oferta de diamantes, no entanto, não deve acompanhar a retomada do consumo. A consultoria projeta queda de 1% a 2% por ano na produção da pedra até 2030, devido ao esgotamento das minas. É nesse desequilíbrio que está a oportunidade para o Brasil voltar ao clube.

— O Brasil, de alguma forma, foi ignorado pelos maiores produtores e a oportunidade de identificar e desenvolver novas minas é única. Em uma recente viagem a Antuérpia, houve empolgação quanto à qualidade dos diamantes brasileiros. O país tem chance de voltar a figurar entre os líderes da produção global de novo — diz Joe Burke, diretor de Marketing da Five Star Diamond.

Info - diamante 2

A empresa foi fundada por um geólogo australiano, que se associou a investidores estrangeiros e a um advogado brasileiro. Juntos, compraram áreas em diferentes regiões no Brasil para prospectar diamante. Segundo Burke, em 15 dos cerca de cem corpos kimberlíticos que a companhia tem no portfólio há grande chance de ocorrência de diamante. A Five Star já levantou US$ 7 milhões com investidores e se prepara para listar a empresa no mercado de capitais canadense. A produção no Brasil deve começar em Goiás, onde o projeto está mais avançado, no fim do ano.

BUROCRACIA E FALTA DE SEGURANÇA

A ausência de guerras civis e religiosas no Brasil é apontada por fontes do setor como um atrativo. A exploração da pedra preciosa sempre levantou polêmica porque costumava ser usada para financiar conflitos civis na África. Com o filme “Diamante de sangue”, estrelado por Leonardo DiCaprio em 2006, a crueldade das guerras e a associação à produção do diamante se tornaram mundialmente conhecidos.

diamantes 1902 2

O diamante produzido legalmente no Brasil e em outros países, no entanto, segue o processo de certificação Kimberley, espécie de atestado de origem criado justamente para inibir o comércio ilegal. A burocracia no país para emitir os certificados, no entanto, é uma trava na expansão do mercado, alertam empresários. Antes de ser exportado, o diamante precisa ser pesado, medido e analisado. Isso é feito por um funcionário do Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM) em uma unidade regional do órgão.

Como o certificado precisa da assinatura do diretor-geral do DNPM e o sistema não é informatizado, ele é enviado por Sedex até Brasília, sede da instituição, e retorna ao produtor igualmente pelo correio. O processo leva de dez a 15 dias, segundo João da Gomeia Silva, da coordenação de ordenamento e extração mineral do DNPM.

Durante esse período, os diamantes ficam em cofres das próprias empresas produtoras ou de seguradoras, trazendo risco à segurança das companhias e dos funcionários. Mês passado, a Lipari foi invadida e teve parte de sua produção roubada. Se depender da agilidade do poder público, as mineradoras continuarão vulneráveis.

— O DNPM está na era digital. Até 2018, a ideia é eliminar o papel — diz Silva.

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(webremix.info)


Brasil pode chegar ao 11º lugar em produção de diamantes

RIO - Após a descoberta na cidade de Nordestina, no interior da Bahia, de uma reserva de diamante capaz de multiplicar a produção nacional da pedra preciosa numa escala superior a dez vezes, o país voltou a ficar na mira de investidores. Ao menos três empresas estão prospectando a pedra preciosa no país — na Bahia, em Goiás e em Minas Gerais — num movimento que deve colocar o Brasil de volta no mapa mundial dos diamantes. Um mercado seleto, com apenas 21 nações produtoras e que em 2015 movimentou US$ 13 bilhões.

O Brasil já liderou a produção global de diamante no século XVIII e, hoje, representa ínfimo 0,02% desse mercado, ocupando a 19ª posição do ranking, capitaneado pelos russos. Considerando o pico de produção na mina de Nordestina, em 2020, estimado em 400 mil quilates, o Brasil será alçado ao 11º lugar, mantida estável a produção dos demais países. Em 2015, foram produzidos 127,4 milhões de quilates de diamantes no mundo.

Info - diamante 1

Paralelamente à chegada de novos investidores, está em fase final de revisão um levantamento do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), órgão do governo federal, com áreas potenciais para exploração de diamantes.

O projeto Diamante Brasil identificou 1.344 dos chamados corpos kimberlíticos e rochas associadas, reunidos em 23 campos. É nessas áreas de nome esquisito que se encontra o diamante primário, incrustado em rochas e cuja produtividade é bem maior que a do diamante secundário, geralmente encontrado nos rios.

É sobre esse mapa da mina que as empresas estão se debruçando atrás de novas jazidas. Uma atividade cara e de risco. Estima-se que apenas 1% dos corpos kimberlíticos tenha diamantes economicamente viáveis. No mundo, pouco mais de 20 jazidas de kimberlíticos estão em produção. Até ano passado, o Brasil estava fora dessa estatística. Produzia somente diamantes secundários, muito explorados por cooperativas de garimpeiros.

diamantes 1902

A descoberta de Nordestina mudou o cenário. Em meados de 2016, deu-se início a primeira produção comercial de diamante primário no Brasil. Liderada pela belga Lipari, a produção deve alcançar este ano 220 mil quilates — em 2015, último dado fechado, a produção nacional havia sido de 31 mil quilates.

Segundo o canadense Ken Johnson, presidente da empresa, as terras onde a Lipari prospecta diamantes foram adquiridas da sul-africana De Beers, em 2005. Desde então, foram investidos R$ 214 milhões. A produção será exportada.

— O trabalho na mina é de 24 horas por dia. Temos 270 funcionários e devemos chegar a 290 empregados no fim do ano. E isso é só o começo. Estamos olhando outras áreas em Rondônia e Minas Gerais — diz Johnson.

DESCOMPASSO ENTRE OFERTA E DEMANDA

O diamante é feito de carbono e é formado na base da crosta terrestre, a pelo menos 150 quilômetros de profundidade. Para que se forme, é necessário que esteja em ambiente estável, com elevadíssimas temperaturas e determinadas condições de pressão. Com a movimentação no interior da Terra, há liberação de energia. O magma, então, busca uma válvula de escape e aproveita falhas geológicas para chegar à superfície. O diamante “pega carona” no magma.

— Quando esse percurso é feito em poucas horas ou poucos dias, o que é bastante raro, o diamante é preservado. Caso contrário, desestabiliza-se e vira grafite — explica a geóloga Lys Cunha, uma das chefes do projeto Diamante Brasil.

Ao chegar à superfície, o magma se solidifica e forma as chamadas rochas kimberlíticas. O diamante primário fica incrustado nessas rochas. Com o passar do tempo, as rochas sofrem processo de erosão e o diamante acaba sendo carregado para outras áreas, alojando-se ao longo de rios. Nesse caso, passa a ser chamado de diamante secundário. Segundo empresários e especialistas, não há diferença de qualidade entre eles. O que muda são os meios de extração empregados e a sua produtividade.

— O diamante secundário tem uma produção errática, pois fica mais espalhado. Além disso, não se costuma cavar mais de 15 metros a 20 metros de profundidade para encontrá-lo. Já o diamante primário fica mais concentrado. No processo de extração, pode-se perfurar de 200 metros a 300 metros de profundidade, o que exige uma produção bastante mecanizada e investimento bem maior. O volume de produção também é muito superior — explicou Francisco Ribeiro, sócio da Gar Mineração. — Por isso, temos a oportunidade de voltar a ocupar posição de destaque no ranking global.

O país tem chance de voltar a figurar entre os líderes da produção global

A empresa, de capital nacional, atua há 60 anos no Brasil e hoje produz cerca de 3.600 quilates a 4.800 quilates por ano de diamante secundário no Triângulo Mineiro. Agora se prepara para estrear na produção de primário. Segundo Ribeiro, a companhia está em fase de qualificação das reservas, também em Minas Gerais. E a estimativa para iniciar a produção é de um a dois anos.

A história do diamante no Brasil remonta ao século XVIII. Não se sabe ao certo quando houve a primeira descoberta, mas historiadores apontam o ano de 1729 como o que o então governador da capitania de Minas Gerais, Dom Lourenço de Almeida, oficializou a existência das minas à metrópole. Até então, as descobertas da pedra preciosa corriam à boca pequena e enriqueciam quem se aventurava na clandestinidade.

Com a Coroa ciente, a produção no então Arraial do Tijuco (atual Diamantina, Minas Gerais) ganhou novo impulso e o Brasil assumiu a liderança mundial do diamante, desbancando a Índia. Durante quase 150 anos, manteve a dianteira. Em 1867, a descoberta de um diamante nos arredores de Kimberley, na África do Sul, levou a uma corrida pela pedra preciosa no país. O Brasil, então, perdeu a hegemonia e está hoje na lanterna da produção global, à frente apenas de Costa do Marfim e Camarões.

NOS EUA, PEÇA ESSENCIAL DO NOIVADO

Desde 2010, a produção mundial está estacionada na faixa dos 130 milhões de quilates. Recente relatório da consultoria Bain&Company, porém, estima que a demanda vai crescer a um ritmo de 2% a 5% ao ano até 2030, embalada pelo consumo da classe média americana e chinesa. Cobiçado por casais apaixonados, o diamante brilha com frequência em joias que os maridos americanos dão a suas esposas. Pesquisa mostra que 71% dos americanos nascidos entre os anos 1980 e 2000 consideram o diamante um elemento essencial do anel de noivado.

A oferta de diamantes, no entanto, não deve acompanhar a retomada do consumo. A consultoria projeta queda de 1% a 2% por ano na produção da pedra até 2030, devido ao esgotamento das minas. É nesse desequilíbrio que está a oportunidade para o Brasil voltar ao clube.

— O Brasil, de alguma forma, foi ignorado pelos maiores produtores e a oportunidade de identificar e desenvolver novas minas é única. Em uma recente viagem a Antuérpia, houve empolgação quanto à qualidade dos diamantes brasileiros. O país tem chance de voltar a figurar entre os líderes da produção global de novo — diz Joe Burke, diretor de Marketing da Five Star Diamond.

Info - diamante 2

A empresa foi fundada por um geólogo australiano, que se associou a investidores estrangeiros e a um advogado brasileiro. Juntos, compraram áreas em diferentes regiões no Brasil para prospectar diamante. Segundo Burke, em 15 dos cerca de cem corpos kimberlíticos que a companhia tem no portfólio há grande chance de ocorrência de diamante. A Five Star já levantou US$ 7 milhões com investidores e se prepara para listar a empresa no mercado de capitais canadense. A produção no Brasil deve começar em Goiás, onde o projeto está mais avançado, no fim do ano.

BUROCRACIA E FALTA DE SEGURANÇA

A ausência de guerras civis e religiosas no Brasil é apontada por fontes do setor como um atrativo. A exploração da pedra preciosa sempre levantou polêmica porque costumava ser usada para financiar conflitos civis na África. Com o filme “Diamante de sangue”, estrelado por Leonardo DiCaprio em 2006, a crueldade das guerras e a associação à produção do diamante se tornaram mundialmente conhecidos.

diamantes 1902 2

O diamante produzido legalmente no Brasil e em outros países, no entanto, segue o processo de certificação Kimberley, espécie de atestado de origem criado justamente para inibir o comércio ilegal. A burocracia no país para emitir os certificados, no entanto, é uma trava na expansão do mercado, alertam empresários. Antes de ser exportado, o diamante precisa ser pesado, medido e analisado. Isso é feito por um funcionário do Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM) em uma unidade regional do órgão.

Como o certificado precisa da assinatura do diretor-geral do DNPM e o sistema não é informatizado, ele é enviado por Sedex até Brasília, sede da instituição, e retorna ao produtor igualmente pelo correio. O processo leva de dez a 15 dias, segundo João da Gomeia Silva, da coordenação de ordenamento e extração mineral do DNPM.

Durante esse período, os diamantes ficam em cofres das próprias empresas produtoras ou de seguradoras, trazendo risco à segurança das companhias e dos funcionários. Mês passado, a Lipari foi invadida e teve parte de sua produção roubada. Se depender da agilidade do poder público, as mineradoras continuarão vulneráveis.

— O DNPM está na era digital. Até 2018, a ideia é eliminar o papel — diz Silva.

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Trilogia de Lira Neto desmonta mitos sobre os primórdios do samba (webremix.info)


Mateus Aleluia traz ao Rio seu concerto afro-barroco

RIO - "O tempo é o que o próprio tempo determina", explica Mateus Aleluia, uma figura para lá de rara no Rio de Janeiro. Pois nesta quarta-feira, o cantor baiano, que fez parte do grupo Os Tincoãs, se apresenta no Sesc Copacabana, em uma ocasião igualmente rara: a de lançamento de mais um álbum solo, "Fogueira doce".

Aos 73 anos, Mateus lançou apenas quatro LPs com Os Tincoãs, conjunto vocal que representou como poucos a música afro-baiana do cambomblé, e que teve uma de suas músicas, "Cordeiro de Nanã", gravada por João Gilberto no disco "Brasil". "Fogueira doce" é, tão somente, o segundo CD solo do cantor. Sua faixa-título nasceu de um desses momentos especiais, de quando ele vivia em Luanda e viu o sol nascer com inigualável beleza.

— Aquele era um tempo de guerra fratricida em Angola, você nunca pensaria em contemplação. Mas aquele sol não tinha nada a ver com aquilo, era uma fogueira que queimava e só fazia aquecer. E que despertava algo bom, que parecia estar esquecido e precisava ser exercitado. Era algo muito significativo — relata.

Mateus Aleluia e Dadinho (seu parceiro nos Tincoãs, falecido em 2003) saíram do Brasil em 1983, com Martinho da Vila e Luiz Carlos da Vila, numa missão cultural para Angola. O cantor seguiria morando no país pelos 19 anos seguintes.

— Para mim, esse tempo lá significou muito. Os Tincoãs sempre se basearam no lado ritualístico da ancestralidade religiosa africana e procuravam saber a origem daqueles cânticos, vindos das várias nações da África e que aqui se amalgamaram — conta ele. — Para nós, Luanda lá foi uma Xangrilá. Os povos do Congo e de Angola foram os primeiros a vir para o Brasil. Lá convivemos com músicos que nos pareciam inatingíveis.

De volta ao Brasil, Mateus participou do filme "O milagre do Candeal" (documnetário do espanhol Fernando Trueba sobre o sincretismo religioso na Bahia) e seguiu com seu trabalho musical. Em 2010, lançou o primeiro disco solo. Agora, ele volta com "Fogueira doce", no qual teve o auxílio do produtor Alê Siqueira, que já trabalhou com Marisa Monte, Elza Soares, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown. O disco foi gravado com vários músicos, entre eles os filhos do cantor Mateus (trompete) e Fabiana (voz e piano):

— Foi um trabalho mais rebuscado em nível técnico, e o Alê teve sensibilidade de contribuir com uma visão de estúdio moderna, mas sem tirar nossas características — diz ele, que vem ao Rio acompanhado pelo filho e por Alexandre Vieira (voz, baixos acústico e elétrico), Alex Mesquita (guitarra e violão) e Luisinho do Jejê (percussão).

Em músicas como "Fogueira doce", "Eu vi Obatalá", "Bahia..bate o tambor" (só de Mateus), "Obatotô" e "Filha! Diga o que vê?" (parceria com Dadinho) e “Convênio no Orum" (com Carlinhos Brown), o cantor dá continuidade a suas misturas das heranças do candomblé e da música barroca católica:

— Por mais afro que sejamos, temos muito da cultura barroca. Nos navios negreiros, viemos embalados tanto pelos nossos cânticos quanto pelos dos jesuitas. Influenciamos e fomos influenciados.

Por falar nisso, Mateus tem acompanhado com atenção as discussões sobre apropriação cultural que vieram tomando as redes sociais nas últimas semanas. E tem o seu recado:

— O brasileiro é uma mistura, é possível que tudo isso seja mais uma questão política do que outra coisa. Mas acredito que é uma questão válida, é preciso estar fora da zona de conforto para que, da discussão, venha uma evolução.

A alegria de Mateus, hoje, é ver o reconhecimento ao seu trabalho (foi convidado para ser o mestre de cerimônias da mais recente edição do PercPan, que aconteceu em janeiro em Salvador) e acompanhar toda a nova geração influenciada pelo que fez nos anos 1970 com Os Tincoãs.

— Éramos como lobos solitários, trazendo a cultura do rito. Hoje, é muito gratificante quando vemos músicos do Rio, de São Paulo e da Bahia fazendo releituras dos cânticos e procurando um caminho dentro desse viés afro — conta. — É a certeza de que o que fizemos valeu a pena. A luta continua e a vitória é certa.

Mateus Aleluia lança o CD "Fogueira doce"

Quando: Quarta-feira, às 20h30m.

Onde: Arena do Sesc Copacabana — Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana (2547-0156).

Quanto: R$ 6 (associado do Sesc), R$ 12 (meia) e R$ 25.

Classificação: Livre.

(webremix.info)


Análise: Com Brasil longe do radar de Trump, apenas vice fala com Temer (webremix.info)


Lógica da prepotência

O dia a dia do governo Trump só aumenta o espanto frente às surpresas do programa e à falta de coerência do que se propõe na Casa Branca. Não temos precedentes de uma tal incongruência de iniciativas deixadas, por inteiro, ao alvedrio da hora e do humor do presidente. Somam-se, nessa perplexidade, velhos ressentimentos do comandante em conflitos de campanha, inclusive, contra o ideário do próprio partido vencedor. E até onde irá a quebra das mais elementares propostas com que os republicanos confrontariam a oposição dos democratas?

O abate começa no desmonte das relações internacionais, ao arrepio do ideário de ambos os partidos. Deparamos a denúncia do Tratado do Pacífico, a garantir a presença da superpotência frente à Índia e à China, numa troca planetária de influências e contrapartidas. À quebra do macrotratado, seguem-se as incertezas quanto ao Nafta e o abalo da presença americana na União Europeia. Desestabilizam-se, ao mesmo tempo, as delicadíssimas relações com Israel, na afronta à convivência com o Estado palestino, no intuito de levar a Jerusalém a embaixada dos Estados Unidos.

Avança, de maneira devastadora, o isolacionismo da Casa Branca, já com impactos decisivos sobre o direito fundamental de ir e vir, consoante a Declaração das Nações Unidas. O que se vê na exasperação imediata dos libelos de Trump é o proclamar que herdou um governo “de muita conversa e pouca ação” e que haveria um passivo de protagonismo do mais poderoso país do mundo. Só têm se multiplicado, nestes dias, os protestos saídos à rua, a se somarem à condenação formal de governadores como o da Califórnia, suspendendo a proibição à entrada no país de viajantes de sete países da África e Oriente Médio, levando a abarrotar aeroportos americanos de passageiros, imobilizados. Aí estão, também, as decisões dos tribunais, arguindo a inconstitucionalidade das iniciativas do atual governo.

Dispara a oposição a Trump no seio do partido, concentrando o apoio a ele a uma minoria radical e cada vez mais minguante. Desaparece qualquer calendário de expectativas, no que é o resultado de uma ruminação individual do presidente, à margem de qualquer resquício de um colegiado. O intrínseco democratismo americano reage diante do escândalo, na Casa Branca, tanto pelo pedido de impeachment, quanto pela sucessão das marchas que não saíram do asfalto, a partir da posse. Desde então, configurou-se o atentado do presente governo ao estado de direito. E a oposição sabe, e de logo, que não tem a enfrentar o ímpeto de qualquer ideologia, por mais que radical, mas um megalômano que diz nunca ter lido um livro e nos deixa esse suspense sobre o que será a aberração do dia seguinte.

Candido Mendes é membro do Conselho das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações

(webremix.info)


Turbulências políticas e sociais ecoam no Festival de Berlim

Links matéria Festival de Berlim

RIO - Termômetro audiovisual das ansiedades do mundo, o Festival de Berlim promete ecoar, a partir de quinta-feira, o sentimento de desilusão da sociedade diante das recentes transformações sociais e políticas que têm levado medo e insegurança aos quatro cantos do planeta. O temor gerado por essas turbulências é o sentimento que contamina a programação da 67ª maratona alemã, conhecida como Berlinale, que será aberta com “Django”, do francês Etienne Comar, cinebiografia do guitarrista de jazz Django Reinhardt, perseguido pelos nazistas na Paris da Segunda Guerra por causa de sua origem cigana.

— Neste ano, a Berlinale representa o tempo de reflexão — resume Dieter Kosslick, diretor artístico do evento, ao GLOBO. — Parece que muitos diretores se anteciparam às incertezas e aos recentes desdobramentos políticos que aconteceram nos últimos anos. As grandes utopias de uma globalização cultural e de justiça para todos falharam, como veremos em “The young Karl Marx”, de Raoul Peck, que será exibido na Berlinale Special. Mas também há esperança e confiança, como poderemos ver em “The other side of hope”, de Aki Kaurismaki, em competição. E, apesar de tudo, muitos realizadores não perderam seu senso de humor.

Kosslick observa que, como no filme de Peck ou mesmo no de Comar, muitos títulos das diferentes seções da programação, que se estende até o dia 19, recorrem a fatos ou personagens históricos para tentar entender o momento atual. É o caso do brasileiro “Joaquim”, de Marcelo Gomes, um dos 18 longas que concorrem ao Urso de Ouro, ao lado de produções como “The party”, de Sally Potter, e “The dinner”, de Oren Moverman. O filme do pernambucano é centrado na figura de Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792), o soldado do Império que viria a liderar a Inconfidência Mineira.

Fruto de uma coprodução com Portugal e Espanha, “Joaquim” retorna aos tempos do Brasil Colonial para investigar as circunstâncias que alimentaram a construção da consciência política do jovem alferes, antes, portanto, de se tornar o mito Tiradentes. Protagonizado por Julio Machado, o novo filme do diretor de “Cinema, aspirinas e urubus” (2005) tenta repetir o feito de “Central do Brasil”, de Walter Salles, e “Tropa de elite”, de José Padilha, vencedores do prêmio máximo da Berlinale em 1998 e 2008, respectivamente. O júri deste ano é presidido pelo holandês Paul Verhoeven.

— O filme de Marcelo explora o passado (brasileiro) para explicar o presente e assim tentar entender as complicações de nossa realidade atual. O colonialismo (e suas consequências) é algo que nunca foi totalmente superado — afirma Kosslick, que cita outros exemplos de revisão histórica na extensa programação do festival.

“APOGEU” BRASILEIRO, COM 12 PRODUÇÕES

“Joaquim” é uma das 12 produções brasileiras, entre curtas e longas, que estarão em Berlim, nas diferentes seções da programação. Só na Panorama, a mais importante mostra paralela do evento, estão o curta de animação “Vênus — Filó, fadinha lésbica”, de Sávio Leite, e os longas “Como nossos pais”, de Laís Bodanzky, “Vazante”, de Daniela Thomas, “Pendular”, de Julia Murat, e o documentário “No intenso agora”, de João Moreira Salles. Na Generation, dedicada a títulos infantojuvenis, estão “As duas Irenes”, de Fabio Meira, e o curta “Em busca da terra sem males”, de Anna Azevedo; “Mulher do pai”, de Cristiane Oliveira, e “Não devore meu coração!”, de Felipe Bragança, estão na subseção Generation 14plus. Já o curta “Estás vendo coisas”, de Barbara Wagner e Benjamin de Burca, concorre ao Urso de Ouro da categoria. E o longa “Rifle”, de Davi Pretto, foi selecionado para o Fórum.

Os filmes brasileiros que estarão no Festival de Berlim 2017

É a maior representação brasileira da história da Berlinale, detalhe que não passou despercebido por Kosslick. O diretor artístico que, junto aos membros das comissões de seleção, costuma receber anualmente inúmeras produções para avaliação, diz que os comitês do festival são testemunhas “de uma espécie de apogeu da produção brasileira”. E arrisca dizer que esse fenômeno é “resultado do sistema de fomento do audiovisual brasileiro, que nos últimos anos incentivou centenas de produções com fundos públicos”.

— Isso se aplica a quase todos os filmes brasileiros que selecionamos neste ano — analisa ele, à frente da direção artística da Berlinale desde 2001. — E, como todos esses filmes vieram de diferentes cantos desse imenso país que é o Brasil, pudemos ter uma perspectiva de sua natureza multifacetada. Os filmes mostram a diversidade da vida e da sociedade brasileiras, o que é muito inspirador.

João Moreira Salles concorda:

— O número de filmes brasileiros selecionados é sem dúvida expressivo. Mas o que talvez seja mais importante notar é o fato de que os filmes apresentados têm sabores muito diferentes. Há dramas históricos, filmes de amor, histórias do Brasil indígena e rural, documentários, filmes-ensaio, animação e aquilo que os franceses chamam de drama psicológico. Isso é sinal de vitalidade cinematográfica — entende Salles, que não lança um novo filme desde “Santiago” (2007). — Nosso repertório vem se ampliando, tem ousadia e não se limita a contar o que as metrópoles ricas esperam ver e ouvir dos centros mais periféricos do mundo.

Daniela Thomas volta a Berlim, onde esteve pela última vez com “O primeiro dia” (1998), codirigido por Walter Salles, com o seu primeiro filme solo. “Vazante” é um drama histórico, ambientando na sociedade escravocrata brasileira do início do século XIX. O filme abrirá a mostra Panorama nesta sexta-feira, como integrante de um pacote temático de produções sobre a história dos negros nas Américas e na África.

— A Berlinale é um festival muito bacana, engajado, vibrante. E sua relação com o cinema brasileiro, especialmente dos anos 1990 pra cá, tem sido muito impactante para a nossa própria percepção da qualidade dos filmes de autor do Brasil — atesta a realizadora. — Eu me sinto multiplamente feliz: com a seleção do “Vazante” para o festival, de estar vivendo esse momento tão incrível do cinema brasileiro lá, por estar numa seção especial dedicada à história da diáspora negra e, finalmente, por abrir a Panorama deste ano.

(webremix.info)