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Convocação de Felipão faz curva de 'estrangeiros' voltar a cair
RIO - Se a seleção brasileira é, talvez, o símbolo mais representativo do país, as mudanças em sua constituição são imagem fiel de um Brasil em transformação. Retrato de uma economia mais pujante, de uma moeda mais forte e de um futebol onde circula mais dinheiro, enquanto a Europa vive sua crise, o time que vai à Copa das Confederações faz a curva de jogadores brasileiros de alto nível que atuam no exterior cair após décadas de crescimento vertiginoso. O torneio será disputado por uma equipe que tem 52,2% de seus atletas jogando em clubes brasileiros. Nas duas últimas Copas do Mundo eram 86,9%. Veja também
A Copa de 1978, na Argentina, marca o último Mundial disputado por uma seleção genuinamente nacional. Dos 22 convocados por Cláudio Coutinho, nenhum atuava no exterior, numa época em que as barreiras para a transferência de jogadores eram rompidas de forma esporádica. INFOGRÁFICO: 'Estrangeiros' na seleção brasileira O crescimento do êxodo começa a ser sentido a partir das Copas de 1982, na Espanha, e 1986, no México. Ainda que os “estrangeiros” continuassem sendo exceções. Na primeira, Telê Santana levou Falcão, então jogador do Roma, da Itália, e Dirceu, que atuava no Atlético de Madri, da Espanha. Eram os únicos em ação no exterior, representando 9% do grupo convocado. O número se repetiu no México. Daquela vez, Edinho, do Udinese, e Júnior, do Torino, eram os dois selecionados “importados”. Na época, a Itália era o grande eldorado dos brasileiros. A Copa de 1990 representa o grande salto. Sebastião Lazaroni levou para a Itália 12 jogadores que atuavam fora do Brasil (54,5%). Eles já se distribuíam por cinco países europeus: Portugal, Itália, França, Alemanha e Holanda. Quase toda a Europa já enxergava o talento brasileiro como sonho de consumo a preço baixo. A matéria-prima vinha de um país em crise econômica. O tetracampeonato nos EUA veio com uma ligeira queda no número de estrangeiros: eram 11, ou seja, metade do grupo. Entre eles, os astros do time, Romário e Bebeto, que jogavam na Espanha. No entanto, o índice voltaria a crescer em 1998. No vice-campeonato na França, 63,6% do elenco — ou seja, 14 jogadores — atuavam no exterior. A novidade é que, além de Itália, Espanha, Alemanha e Portugal, dois selecionados vinham do Japão: Dunga e César Sampaio. Felipão levaria para o Mundial de 2002, no Japão e na Coreia, 43,4% de “estrangeiros”. Optou por observar, na última hora, jogadores domésticos como Gilberto Silva, do Atlético-MG, Kléberson, do Atlético-PR, e Anderson Polga, do Grêmio. O número de estrangeiros caiu para dez. No entanto, atingiria o recorde em 2006 e 2010. Eram nada menos do que 20 jogadores em ação no exterior em cada um dos torneios. Na Copa da Alemanha, seis países e 11 clubes diferentes da Europa cederam jogadores. Só Rogério Ceni, Mineiro e Ricardinho, todos coadjuvantes, jogavam no Brasil. Na África do Sul, surgiu a seleção mais multifacetada da história. Os 20 “estrangeiros” atuavam em oito países europeus diferentes e 14 clubes distintos. Hoje, capaz de manter jogadores como Neymar e rapatriar estrelas, o Brasil será representado por um time quase 50% nacional. (webremix.info) |
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Nobel da Paz rompe com regime sul-africano
JOHANNESBURGO — O arcebispo emérito da Cidade do Cabo e Prêmio Nobel da Paz Desmond Tutu, amigo de toda a vida do ex-presidente Nelson Mandela e considerado por muitos a voz da consciência da África do Sul, anunciou que não pretende mais votar no Congresso Nacional Africano (CNA), partido emergido da luta antiapartheid que comanda o país desde o governo Mandela (1994-1999). Tutu escreveu em um editorial publicado na última quinta-feira no “Globe and Mail” que, “embora não seja um mebro de carteirinha de nenhum partido político”, ele não voltaria a votar no CNA “depois da maneira pela qual as coisas aconteceram”. “É uma dor profunda, para velhos como eu, ver nosso país se deteriorando e escorregando do patamar moral que achávamos que pertencia a nós”, escreveu. Essas não são as primeiras críticas de Tutu ao CNA. Antes das eleições de 2009, que levaram ao poder o atual presidente sul-africano, Jacob Zuma, ele havia dito que “um dia começaremos a rezar pela derrota do CNA, assim como rezamos pelo fim do apartheid”. Na ocasião, o partido governista condenou os comentários, qualificando-os de “sacrilégio”. No editorial desta semana, Tutu descreveu o CNA como “uma boa unidade de luta pela liberdade”, mas expressou seu desejo de que a população sul-africana parasse de votar com o coração e passasse a escolher o governo com base nas suas políticas, em vez do legado do movimento de libertação. O Prêmio Nobel da Paz afirmou que o governo do CNA está disseminando uma cultura de corrupção e impunidade no país e qualificou de “desgraça” e “traição total” o histórico de votações da África do Sul na Organização das Nações Unidas, culpando os políticos sul-africanos pela deterioração da democracia e da economia do vizinho Zimbábue. O CNA se recusou a comentar o editorial. No texto, Tutu instou os sul-africanos a se prepararem para a inevitável morte de Mandela: “Ele tem 94 anos, passou por dificuldades de saúde, e Deus tem sido muito, muito bom em mantê-lo conosco por todos esses anos. Mas o trauma por seu falecimento será muito maior se não começarmos a nos preparar. A maior homenagem a Nelson Mandela seria uma democracia que estivesse realmente funcionando.” O próprio Tutu, de 81 anos, esteve internado por cinco dias há duas semanas para tratar de uma infecção persistente. (webremix.info) |
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Número de pedidos de refúgio aumenta 254% no Brasil em três anos
BRASÍLIA — O Brasil é um país que recebe cada vez mais pedidos de refúgio, mas a maioria continua sendo indeferida pelo governo brasileiro. O número de solicitações cresceu 254% entre 2010 e 2012, e 76,4% entre 2011 e 2012. Pela legislação nacional, pode pedir refúgio quem sofre perseguição motivada por raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas, ou quem vive em países onde há grave e generalizada violação de direitos humanos, caso de uma guerra. Isso exclui, por exemplo, os haitianos, que vêm ao Brasil por motivos econômicos.
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Em 2012, houve 2.008 solicitações de refúgio, das quais 823 foram apreciadas pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare). Dos pedidos apreciados, 596 foram indeferidos, 199 foram aceitos, e 28 — que não atendem o critério para o reconhecimento de refúgio, mas que necessitam de proteção humanitária — encaminhados para o Conselho Nacional de Imigração (CNIg). Em 2010, foram 566 solicitações, das quais 299 foram analisadas pelo Conare. Dessas, 167 foram indeferidas, 118 aceitas e 14 encaminhadas para o CNIg. Em 2011, das 1.138 solicitações, 426 foram analisadas, mas apenas 89 foram aprovadas. Para 2013, o Conare estima que haverá 2.580 novas solicitações. Atualmente vivem no país 4.262 pessoas com status de refugiado, em geral provenientes da América Latina e da África. Os principais grupos são os angolanos (1.060), colombianos (738), congoleses (570), iraquianos (214), liberianos (211) e sírios (138). Esses números devem mudar porque, além dos novos pedidos de refúgio ainda sendo analisados, os angolanos e liberianos serão excluídos da lista. Seus países de origem não sofrem mais com conflitos e não dão motivos para a concessão de refúgio. Mas, como em geral vivem há muitos anos no Brasil, eles estão sendo notificados e poderão, se quiserem, receber um visto de residência permanente. A partir do ano passado, os sírios passaram a se destacar, em função da guerra civil pela qual o país passa. O representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) no Brasil, Andrés Ramirez, diz que o Brasil tem duas características históricas que o tornam mais propício a receber estrangeiros. Uma delas é o grande número de imigrantes que vieram para o país. A segunda é experiência da ditadura militar, que levou brasileiros a outros países, ajudando a fazê-los entender a situação de pessoas que têm que deixar sua terra. Quanto ao crescimento recente do número de pedidos de refúgio, ele disse: — Claramente tem que considerar o crescimento que o país tem tido nos últimos anos e a boa imagem do país no cenário internacional. Isso ajuda a entender porque está aumentando de um jeito expressivo o número de solicitantes. Mas em comparação com outras regiões do mundo, ainda são números modestos. O secretário nacional de Justiça e presidente do Conare, Paulo Abrão, afirmou que a economia ajuda a explicar os números, mas não diz tudo. — O fenômeno econômico não consegue explicar tudo. Existem outros países em crescimento econômico, mas não atraem imigrantes. Temos que agregar na análise, para além das questões econômicas, o fato de termos hoje maior integração regional, o fato de termos hoje um número recorde de investimento direto estrangeiro. Temos que agregar um elemento cultural: o fato de sermos tradicionalmente um país receptivo, aberto, democrático, plural, que rejeita a xenofobia. E há os aspectos de ordem política, com uma maior inserção do Brasil nos foros internacionais e a vinda de grandes eventos, que fazem as pessoas enxergarem o Brasil como uma terra de oportunidade. Entre os solicitantes de refúgio, predominam os homens (82%). Também são majoritariamente adultos (92%). Por região, eles buscam refúgio principalmente no Sudeste (66% do total), seguido de Centro-Oeste (16%), Norte (11%), Sul (6%) e Nordeste (1%). A maioria dos casos está em São Paulo (45%), seguido de Rio de Janeiro (20%) e Distrito Federal (14%). Abrão explica que a negação do pedido de refúgio não significa necessariamente a expulsão do estrangeiro do Brasil. Nesses casos, eles podem buscar outros órgãos governamentais para conseguir algum outro tipo de visto. O Brasil, por exemplo, é um dos poucos países que deixam o solicitante do refúgio trabalhar, antes mesmo de seu pedido ser apreciado. E o emprego é um dos critérios que levam à concessão de visto por outras formas. — As pessoas que têm seu pedido de refúgio indeferido são notificadas a deixar o país em oito dias. Mas pode ser que elas se enquadrem em outras hipóteses de concessão de visto: se já têm trabalho, mais de quatro anos de residência. Acontece muito isso, eles se enquadram em outras hipóteses que extrapolam o Conare — disse Abrão. Houve também um aumento também no número de refugiados reassentados, ou seja, pessoas que antes de chegar ao Brasil já tinham recebido refúgio em outros países. Foram 28 em 2010, 25 em 2011, e 39 no ano passado. Segundo o presidente do Conare da Argentina, Federico Augusti, apenas 30 países fazem o reassentamento, entre eles o Brasil e a Argentina. (webremix.info) |
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Na América Latina, mais crescimento com juros menores
RIO – A comparação internacional com base em fatores como crescimento econômico e inflação mostra o Brasil em situação desfavorável em relação a seus pares na América Latina e entre os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Mesmo com realidades distintas, países como Colômbia, Peru e México devem crescer mais, com taxas de 4,1%, 6,3% e 3,4%, respectivamente. Além disso, devem fechar o ano com níveis de inflação mais baixos, que variam entre 1,9%, no caso da Colômbia, e 4,3%, no México. O traço comum entre estes países é a adoção do sistema de metas de inflação, com metas mais baixas que as do Brasil. México e Chile têm meta de 3% com tolerância de um ponto percentual para cima ou para baixo. A meta do Peru é de 2%, também com margem de um ponto. No Brasil, a inflação superou, em março, o teto da meta em 12 meses, com alta de 6,59%. Especialistas apontam a inflação disseminada, a falta de produtividade e a baixa capacidade de atrair capital estrangeiro como fatores que explicam o baixo crescimento nos últimos dois anos. — Não temos uma taxa de juros tão atrativa diante do risco de inflação e de regulação. Países como México, Colômbia e Peru têm condições mais favoráveis para receber investimentos — afirma o economista Jason Vieira, da consultoria Moneyou. Especialista vê ‘excesso de intervenção’ A comparação com os Brics mostra um retrato ainda mais desfavorável. Enquanto o FMI estima crescimento de 3% para o Brasil, o fundo prevê alta de 8% para a China, com inflação de 2,1%, e uma expansão do PIB (Produto Interno Bruto) de 3,4% para a Rússia, com inflação de 7%. Para Lia Valls, economista do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, o ambiente de negócios piorou no Brasil, com a falta de soluções para áreas como infraestrutura e transporte. Já o chefe de Pesquisa Econômica para Emergentes do Goldman Sachs, Alberto Ramos, avalia que a meta de inflação elevada — de 4,5% com margem de dois pontos — é por si só um componente que dá combustível à inflação alta. Para ele, as comparações desfavoráveis ao Brasil se devem ao excesso de intervenção no câmbio e à tolerância com a inflação: — Tentou se proteger o crescimento esquecendo a inflação, mas hoje a inflação se tornou um dos maiores impedimentos para uma retomada maior da atividade. (webremix.info) |
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IEA: emergentes produzem 53% da energia renovável do mundo
GENEBRA – O mundo praticamente parou de investir em energia limpa, isto é, em biocombustíveis, energias eólica e solar. Mas três gigantes emergentes apostaram pesado nesta fontes energéticas e agora começam a colher os frutos: Brasil, China e Índia lideram o grupo de países em desenvolvimento que é hoje responsável por 53% da produção de eletricidade renovável mundo, contra 45% em 2000. É o que diz um relatório da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), divulgado nesta quarta-feira. — O esforço para limpar o sistema de energia do mundo está parado — disse Maria van der Hoeven, diretora executiva da IEA, ao divulgar o relatório, em Londres. Segundo ela, apesar do discurso dos líderes mundiais à favor de energia limpa, “a unidade média de energia produzida hoje é basicamente tão suja como há 20 anos”. Por conta disso, está ficando cada vez mais difícil países cumprirem a promessa feita à ONU de limitar o aumento da tempertura do Planeta neste século a menos 2 graus centígrados, diz a IEA. Um outro relatório, da Bloomberg New Energy Finance, confirma isso, ao revelar que que o investimento global de energia limpa no primeiro trimestre caiu para seu nível mais baixo em quatro anos, sobretudo por conta de cortes de incentivos fiscais nos países em crise ou sob políticas de austeridade. A grande exceção são os países emergentes. O relatório destaca, específicamente, Brasil, China e Índia como os que podem dar um “salto” mundial em termos energéticos, para uma economia de baixo carbono competitivo. — Brasil, China e Índia já estão liderando no desenvolvimento, fabricação, distribuição e exportação (inclusive para países da OCDE) tecnologias de energia limpa, como painéis solares, turbinas eólicas e tecnologias de biocombustíveis — diz o relatório. A produção de biocombustíveis no mundo cresceu de 16 bilhões de litros em 2000 para uma estimativa de 110 bilhões de litros em 2012. Os biocombustíveis, segundo o relatório, representam cerca de 2,3% da demanda total combustível para o transporte em 2011 e o Brasil, os Estados Unidos e a União Europeia é onde a demanda é mais elevada: 20,1%, 4,4% e 4,2%, respectivamente, em 2010. Em 2008, ainda de acordo com a IEA, Brasil, China, Índia, México, Rússia e África do Sul podem ter financiado mais pesquisa, desenvolvimento e demonstração energética do que os governos dos países da IEA (na sua maioria, ricos). Mas apesar de os emergentes estarem investindo mais, são os países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (os ricos da OCDE) que detém a maioria das patentes em todas as categorias de tecnologia de energia limpa, liderada pelo Japão, Estados Unidos e Alemanha, Coréia, Grã-Bretanha e França. China e Brasil, por exemplo, são os que maiiores responsáveis pelo crescimento da energia hidroelétrica no mundo, que aumentou de 2700 twh (terawatt por hora) em 2000 para 3640 twh em 2011. A AIE disse que a geração de energia a carvão – altamente poluente – cresceu 45% entre 2000 e 2010, superando em muito o crescimento de 25% na geraçãode combustíveis não-fósseis (mais limpos) no mesmo período. A boa nova vem dos consumidores: em 2012, as vendas de carros elétricos ultrapassaram um milhão. E sistemas de energia solar estão sendo instalados “em velocidade recorde”, segundo a IEA. (webremix.info) |
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Copom aumenta a taxa Selic para 7,5% ao ano
BRASÍLIA, SÃO PAULO e RIO – Para resgatar a credibilidade, o Banco Central elevou ontem a taxa básica de juros pela primeira vez desde julho de 2011. Numa decisão sem unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) subiu a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual. Com isso, os juros passaram para 7,5% ao ano. A decisão teve o apoio da presidente Dilma Rousseff, mas dividiu a cúpula do BC. Seis diretores foram favoráveis à alta dos juros e dois votaram contra. E justamente o responsável pela política monetária, Aldo Mendes, ficou entre os dissidentes. Para tomar a decisão, o Copom avaliou que a alta de preços é generalizada, mas ponderou que, diante das incertezas, a política de combate à inflação tem de ser feita com “cautela”. “O Comitê avalia que o nível elevado da inflação e a dispersão de aumentos de preços, entre outros fatores, contribuem para que a inflação mostre resistência e ensejam uma resposta da política monetária. Por outro lado, o Copom pondera que incertezas internas e, principalmente, externas cercam o cenário prospectivo para a inflação e recomendam que a política monetária seja administrada com cautela”, afirmou o Comitê, em comunicado. Veja também
Desde novembro do ano passado, a autoridade monetária estava sob fortes críticas por manter os juros estáveis enquanto os preços avançavam. Em março, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 6,59%, estourando o teto da meta do governo, de 4,5% com margem de dois pontos percentuais. Na avaliação de economistas, o BC teria se rendido à vontade política do Palácio do Planalto. E mesmo com a decisão de voltar a subir os juros, reconquistar a credibilidade pode não ser tão rápido. — Pode parecer que o Banco Central só aumentou os juros porque a presidente deixou — afirmou o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, que critica a intervenção no trabalho do BC. — A presidente não consegue se conter e fala de juro todos os dias e como se fosse uma realização do governo dela e não uma decisão técnica. O ministro da Fazenda diz que vai calar a boca e não cala. Na viagem à Africa do Sul, Dilma disse não concordar com políticas de combate à inflação que olhem a questão da redução do crescimento econômico. Na terça-feira, primeiro dia da reunião do Copom, Dilma afirmou que o país “jamais” voltaria a ter juros tão altos e que o controle de inflação pode ser feito com uma dose menor de juros. O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, aumentou o mal-estar ao afirmar que não seria necessário um tiro de canhão para conter a inflação, poderia ser apenas de metralhadora. Segundo um interlocutor, Dilma considera que a discussão sobre a alta dos preços está superdimensionada e que especuladores estão se aproveitando desse cenário de altas pontuais para ganhar no mercado futuro. Portanto, este seria a oportunidade de a autoridade monetária falar grosso. — Criaram um ambiente muito complicado e o BC está se sentindo compelido a agir, mostrar que é operacionalmente independente e não é tolerante com a inflação. Essa tem sido a principal tarefa de Tombini — disse uma fonte da área econômica. Selic teria que ir a 11% para conter inflação, diz economista Na avaliação do governo, é preciso minar as expectativas sobre a inflação para que a economia não volte a ser indexada novamente, como era até o anúncio do Plano Real, em 1994. Economistas de peso, como Luiz Gonzaga Belluzzo e Delfim Netto chegaram a aconselhar Dilma a defender, junto ao BC, a elevação da Selic, para minar eventuais movimentos especulativos. Para Sérgio Vale, economista da MB Associados, a inflação tende a exercer maior pressão no ano que vem, quando a economia vai crescer mais rapidamente, com Copa do Mundo, eleições presidenciais. Segundo ele, a Selic teria que chegar a 11% ao ano, pelo menos, para conter o avanço dos preços. — A credibilidade do Banco Central, a essa altura, já foi embora. Nada mais natural fazer o que sempre acreditaram, que é deixar a inflação subir um pouco para lubrificar o crescimento. Uma bobagem sem fim. Agora é administrar os cacos e torcer. O que vai acontecer é que, em 2015, vão aumentar o teto da meta ou a meta — afirma. De outro lado, votaram pela manutenção, além de Aldo Mendes, o diretor de Assuntos Internacionais, Luiz Pereira Awazu. Ele também avalia que a melhor política no momento seria não fazer nada. O economista-chefe da corretora Gradual, André Perfeito, lista uma série de fatores que justificariam a manutenção da taxa básica de juros. Segundo ele, a Selic chegou ao pico e cairá daqui para a frente com a supersafra de alimentos, o mercado de trabalho menos aquecido e a menor pressão de alta dos salários. Para ele, todos estes fatores tendem a frear o consumo. — Já estamos passando por um processo de desaceleração econômica. Tecnicamente, não faz sentido aumentar os juros. CNI e Fiesp criticam ação do BC Mesmo com o aumento de 0,25 ponto percentual da taxa básica de juro (Selic), o Brasil se manteve na quinta colocação do ranking dos maiores juros reais do mundo, com taxa de 1,7%. Segundo Jason Vieira, economista responsável pelo levantamento, a estagnação na listagem somada aos altos custos das taxas de investimentos em renda fixa e o cenário externo complicado, consolidam a baixa atratividade dos títulos de renda fixa do País. Por outro lado, a tradicional caderneta de poupança começará a trazer melhores ganhos para quem começou depois de maio do ano passado, quando as regras da remuneração da aplicação mudaram. — A taxa de juro real serve para avaliar o desempenho dos investimentos em renda fixa. E, nesse sentido, o Brasil se mostra cada vez menos atrativo. Como a taxação desses investimentos é muito alta e o juro já não está mais tão elevado, os estrangeiros preferem aplicar seus recursos em títulos de outros países, como EUA e Japão — explicou Vieira. A decisão de aumentar o juro foi lamentada pelas entidades industriais. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reconheceu “a importância do controle da inflação”, mas ponderou que “o aumento do juro é extremamente prejudicial à indústria” e trará “maiores danos à atividade produtiva”. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) foi mais enfática na crítica e classificou a decisão de “equivocada”. “Devemos superar a política econômica do uso exclusivo da taxa de juros” comentou Paulo Skaf, presidente da Fiesp. (webremix.info) |
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Economia ‘à la Dilma’ gera preocupação
BRASÍLIA — Ao falar constantemente de assuntos delicados no terreno econômico, a presidente Dilma Rousseff tem deixado cada vez mais claro que o principal formulador de sua política econômica é ela própria. Dilma dá recados ao mercado, interfere diretamente na preparação de medidas e discute detalhes com técnicos do Ministério da Fazenda e de outras pastas, muitas vezes, sem falar com os titulares. Esse estilo tem gerado preocupação e constrangimento entre integrantes da equipe econômica. Isso porque, ao se dirigir diretamente ao mercado, Dilma interfere na comunicação do governo com os agentes financeiros e enfraquece a imagem dos chefes de sua equipe: o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Essa conduta é considerada perigosa em momentos como agora, quando há alta liquidez e instabilidade na economia mundial. Num episódio recente, a presidente disse, durante reunião dos países dos Brics na África do Sul, que não concorda com medidas de combate à inflação que comprometam o crescimento da economia. A declaração, dada ao lado de Tombini e Mantega, foi feita na frente de uma plateia de jornalistas. Imediatamente o mercado interpretou a frase como uma pressão para que o BC segurasse os juros num momento delicado, em que a inflação está alta. O IPCA acumulado em 12 meses fechados em março atingiu 6,59%, superando o teto da meta fixada para o ano, que é de 6,5%. Logo depois da repercussão negativa de seu comentário sobre inflação, Dilma mandou Tombini tentar consertar a situação usando a imprensa e chegou a dizer que suas palavras foram manipuladas. — A presidente não deveria falar tão frequentemente sobre questões conjunturais da economia. Muito menos bater boca com pessoas ligadas ao mercado financeiro, como aconteceu recentemente na África do Sul. Este comportamento traz desgastes desnecessários e passa a impressão de que seus ministros não têm autonomia para conduzir o dia a dia de suas áreas. No caso de assuntos relativos ao Banco Central esse desconforto é ainda maior, pois existe o tal pressuposto da independência operacional de nossa autoridade monetária — afirmou o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-presidente do BNDES e sócio-fundador da Quest Investimentos. Já o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, ressaltou que uma sinalização errada ao mercado pode causar estragos na economia num momento em que há muita volatilidade e onde uma fuga de capitais pode ocorrer facilmente. — Não há problema no fato de a presidente falar de economia. Isso é comum. Mas é preciso ter cuidado na comunicação com o mercado. Vivemos tempos muito líquidos. Isso acarreta um peso muito grande à coordenação das expectativas dos agentes — afirma Perfeito. — O que me incomoda um pouco é um viés ideologizado que ela adota e que vê no mercado um antagonista. ‘Mais clareza e sem dubiedades’ Para Mendonça de Barros, o país está perdendo a batalha da comunicação com os investidores em mercados de ações e de títulos brasileiros, os chamados investidores em portfólio. — Não por outra razão o mercado de ações brasileiro é um dos que mais vem sofrendo na comunidade dos países emergentes. Este grupo de investidores é muito sensível à postura do governo em relação à liberdade dos mercados e dos compromissos macroeconômicos de ordem geral. O governo precisa passar aos investidores com mais clareza e sem dubiedades os principais objetivos de sua política econômica — disse. Nos bastidores, os técnicos do governo garantem que o BC tem autonomia de fato e que a presidente dá total liberdade para que a autoridade monetária avalie a necessidade ou não de subir os juros. No entanto, não é isso que ela passa quando fala publicamente. A impressão de que a presidente interfere diretamente nas ações do Comitê de Política Monetária (Copom) se tornou tão forte que há quem diga que o BC subirá os juros já na próxima semana só para mostrar que é independente e não age de forma leniente com a inflação. Outro problema apontado pelos técnicos do próprio governo na postura de Dilma é que, por entender de economia e ter o chamado estilo “gerentona”, a presidente acaba acelerando o anúncio de medidas que ainda não estavam completamente fechadas ou atrasando o andamento de projetos que precisam sair do papel. Um exemplo disso foi a desoneração da cesta básica, que deveria ser anunciada em maio. Preocupada com a alta da inflação, a presidente decidiu na última hora anunciar a redução dos impostos no Dia Internacional da Mulher (8 de março) para tentar segurar os preços dos alimentos. Como sempre, a Receita Federal fez simulações como uma enorme lista de produtos que poderiam ser incluídos ou não no benefício. Assim, o valor da renúncia poderia variar de R$ 3 bilhões a R$ 7 bilhões. O maior valor acabou sendo o escolhido. No entanto, até o último minuto, os técnicos do Fisco e do Tesouro não sabiam com qual número deveriam trabalhar. (webremix.info) |
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Investigador não acredita que deflagre uma guerra entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul
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A mistura inflamável de inflação com reeleição
Aprevisão de que 2013 seria um ano em que o Banco Central precisaria ter sangue frio se confirma, e é até mais ampla: o próprio país precisa manter os nervos sob controle, pois, como esperado, a inflação deverá superar o teto da meta de 6,5%, e o BC faz o possível para retardar ao máximo o aumento da taxa básica de juros, hoje em 7,25%. O presidente do BC, Alexandre Tombini, esteve ontem no Senado e repetiu o discurso clássico de que o compromisso da instituição é com a meta de 4,5%. Não poderia ser diferente. E que o “instrumento de política monetária”, os juros, será usado para fazer a taxa de inflação convergir para a meta, assim que o BC considerar necessário. Por suposto. À medida que o tempo passa, porém, e depois que governo e PT anteciparam a campanha eleitoral de 2014, análises de cenários econômicos precisam levar em consideração as urnas. E parece evidente que o governo Dilma, a esta altura, não se lançará num combate à inflação com o vigor necessário. É revelador, neste sentido, que o presidente do BC, quando Dilma, na África do Sul, depois de defender a prioridade do crescimento sobre o controle da inflação, tentou consertar a derrapagem, tenha previsto que também em 2014 a inflação estará acima dos 5%. Nos quatro anos de governo, Dilma terá mantido os preços rodando bem acima da meta, que é de 4,5%, com dois pontos de margem de tolerância, acima e abaixo. Reforçam-se os temores de que, na prática, o governo reviu a meta, criando uma nova, na faixa dos 5,5%, taxa muito elevada em escala mundial, mais ainda para uma economia com conhecidos mecanismos de indexação (contratos de aluguel, etc). O irônico é que os "desenvolvimentistas" sempre justificaram a inflação como contrapartida de um crescimento vigoroso. Mas este não existe. O governo Dilma vive o grande dilema político-eleitoral: agir logo para cortar o fôlego da inflação e correr o risco de aumentar o arsenal da oposição, ou deixar como está e esperar o primeiro ano de um segundo mandato para fazer um ajuste com firmeza, como o executado por Lula/Palocci em 2003. É grande a tentação de manter o mercado de trabalho aquecido, o desemprego pouco acima de 5%, considerado a principal explicação para os altos índices de popularidade da presidente. Mesmo que a pressão sobre o custo dos empregadores ajude a inflação e reduza a produtividade da indústria, já em queda. Se não é simples o cenário econômico-eleitoral à frente do Planalto, também preocupa o de 2015. Defensores do governo acusam os críticos da leniência com a inflação de quererem condenar o pobre que passou a tomar banho com sabonete de marca a voltar ao sabão em barra. Mas isso também acontecerá pela perda de poder aquisitivo que a inflação já impõe às famílias de renda mais baixa. (webremix.info) |
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Presidente acerta ao esclarecer que combaterá inflação
Não existe de fato uma unanimidade sobre o que precisa ser feito para a inflação recuar ao menos até o centro da meta (4,5%). As opiniões se dividem entre os que não acreditam na eficácia de uma elevação nas taxas básicas de juros neste momento e os que propõem um ajuste o mais breve possível para evitar que as pressões sobre os preços se acumulem, e os índices de inflação continuem perigosamente em patamar bem próximo ao teto da meta (6,5%). O governo teme adotar uma política que afete o seu principal trunfo da área econômica, que é o desemprego baixo, cujos dividendos podem ser bem observados nas pesquisas de opinião que avaliam a presidente Dilma e sua administração. Segundo essas pesquisas, os percentuais de aprovação de Dilma superam as alcançadas por seus antecessores (Fernando Henrique e Lula) ao meio de mandato. É um quadro em que decisões que deveriam ser eminentemente técnicas acabam contaminadas pelos processos políticos, partidários e eleitorais. Não por acaso, os mercados financeiros se comportam de maneira confusa sobre em qual momento o governo decidirá agir com mais vigor contra a ameaça da inflação. Não é de hoje que se trava no país uma discussão sobre se, por causa das características da economia brasileira, é possível conviver com pouco mais de inflação para não sacrificar o crescimento. A tese mais complacente com a inflação certamente perdeu força, depois do pesadelo que o Brasil viveu por décadas, com uma inflação que parecia indomável. Para assegurar um ciclo de crescimento sustentado, a economia brasileira necessita de investimentos, especialmente em infraestrutura, de longa maturação. Uma inflação alta e que ameace fugir do controle não permite que se planeje tais investimentos, ao menos no caso do setor privado. A adoção do regime de metas de inflação foi importante para alargar os horizontes dos investidores no Brasil, porque pressupõe um compromisso do governo pró-estabilidade monetária. Daí a reação negativa dos mercados quando as autoridades se mostram vacilantes perante esse compromisso. Na África do Sul, a presidente Dilma chegou a fazer declarações que deram margem para essa interpretação, o que a obrigou a se dirigir mais tarde aos jornalistas para enfatizar que o combate à inflação é importante em si. Melhor que a própria presidente tenha procurado esclarecer o que havia dito, mesmo com a interpretação rebuscada de que suas primeiras declarações teriam sido “manipuladas” por obscuros “agentes de mercado.” A inflação no Brasil ainda está sob controle e se mantém na faixa de tolerância da meta, abaixo de 6,5%, embora bem acima do ponto central, que precisa ser atingido. Porém, quanto mais o governo fraquejar em relação a esse regime, mais difícil será a tarefa do Banco Central de sintonizar a política monetária para que os índices de preços convirjam para os desejados 4,5%. (webremix.info) |
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BRICS terá ajuda de conselho formado por empresários
A presidente Dilma Rousseff anunciou nesta quarta-feira em Durban a criação do chamado Conselho Empresarial dos BRICS, que será formado por empresários dos cinco países do grupo (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). O conselho vai dar sugestões sobre como melhorar a integração comercial e econômica dos BRICS.Segundo Brasília, os representantes brasileiros serão Murilo Ferreira, da Vale, José Rubens de la Rosa, da Marcopolo, Jorge Gerdau, da Gerdau, Aldemir Guendini, do Banco do Brasil e Harry Schmeizer, da Weg."O Brasil saúda com grande satisfação o lançamento do conselho empresarial dos BRICS, que complementa os nossos esforços de governos para empreender a discussão sobre os principais temas globais", disse Dilma."O Conselho é sem dúvida um mecanismo inovador que vai contribuir para a consolidação da comunidade de negócios entre nossos países. Essas relações já vem sendo criadas de forma expontânea, mas o conselho vai permitir que extrapolem esse padrão inicial."Dilma ressaltou algumas mudanças que, segundo ela tornariam os países BRICS fundamentais para o futuro da economia mundial."Pela primeira vez em 2012 os países em desenvolvimento atraíram mais investimentos externos diretos do que os países desenvolvidos. Sómente os países BRICS receberam US$ 263 bilhões em ivnestimentos, o equivalente a 20% dos investimetnos externos diretos (no mundo)", afirmou."Somos detentores de consideráveis reservas internacionais, na faixa dos US$ 4,5 trilhões. E resistimos à crise global que afeta os mercados países desenvolvidos com políticas que reforçam nossa capacidade e habilidade econômica."Segundo a presidente, a crescente importância dos países dos BRICS como destino de investimentos mostraria "a importância de conselho como forma de ampliar e acelerar a integração estratégica dos países" dos BRICS.Ela mencionou que o Brasil pretende investir US$250 bilhões em obras de infra-estrutura e quer atrair parceiros para tocar esses projetos e citou o caso da sul-africana Airport Company South Africa que estaria atuando na modernização do aeroporto de São Paulo.Agenda em Durban Dilma chegou a Durban ontem e se encontrou, depois do almoço, com primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh.Ela também tinha marcado uma reunião com o anfitrião da cúpula, o presidente sul-africano Jacob Zuma, mas depois de esperar cerca de uma hora para que Zuma terminasse uma conversa com o russo Vladimir Putin, parece ter adiado ou desistido do encontro.Na manhã desta terça-feira, o discurso da presidente brasileira foi feito durante um café da manhã com os outros quatro líderes dos BRICS.Dilma defendeu que os países dos BRICS se distinguiriam por "aplicar modelos de desenvolvimento econômico com inclusão social." Ela lembrou os avanços do Brasil no combate à pobreza extrema e disse que o país teria "no horizonte próximo a superação da miséria", prometendo que isso seria "só o começo".Dilma disse ainda que o combate à pobreza seria não só uma questão étiica, mas também econômica, por ajudar a ampliar os mercados dos países dos BRICS.Os líderes do BRICS devem fazer uma declaração conjunta nesta tarde. Espera-se que anunciem a criação do que vem sendo chamado de Banco dos BRICS e a criação de um fundo de reserva de US$ 100 bilhões para socorrer países com problemas de liquidez... (webremix.info) |
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Brics se reúnem em clima mais complicado para emergentes
Os países do grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) começam nesta terça-feira, na cidade sul-africana de Durban, sua quinta reunião de cúpula em um momento econômico relativamente mais complicado para esse clube de emergentes do que os quatro encontros anteriores, que foram marcados por uma grande euforia e otimismo."Se até a última cúpula muitos ainda acreditavam que esses países sairiam da crise econômica global ilesos, ou como seus grandes vencedores, agora, com a economia chinesa desacelerando e o Brasil crescendo menos que os Estados Unidos, essa certeza parece ter acabado", ressaltou, em entrevista à BBC Brasil, Oliver Stuenkel, especialista em Brics da Fundação Getúlio Vargas que participou de uma série de debates acadêmicos que precederam o encontro em Durban.Isso não quer dizer, porém, que o clima da reunião será de fim de festa. Segundo analistas, tal desilusão na realidade aumenta a pressão para que os líderes desses países consigam fazer avanços concretos em um duplo desafio estabelecido pelo grupo desde sua primeira cúpula, em 2009. De um lado, eles precisam consolidar o Brics como uma entidade política. Do outro, aumentar a cooperação econômica e oportunidades de negócios entre seus integrantes."Se conseguirem adotar medidas significativas para avançar na coordenação política e econômica, esses países estarão mostrando que têm um projeto conjunto no longo prazo, independentemente dos dados do PIB de cada um deles", diz Stuenkel."Até agora, apesar de toda a retórica, esses países não chegaram a nada de concreto em termos de articulação política, mas o encontro de Durban pode mesmo ser decisivo nesse sentido", concorda Jim O'Neill, que em 2001 criou o termo Bric (o S da Africa do Sul foi adicionado depois) para designar as nações emergentes que por volta de 2040 teriam o mesmo peso econômico dos países desenvolvidos."Se esses líderes conseguirem fazer o Banco dos Brics deslanchar, por exemplo, terão dado um grande passo para mostrar que estão mesmo dispostos a ampliar sua voz no sistema de governança econômica global", completa o economista. "Esse pode ser o Banco Mundial dos emergentes", diz.TemasA proposta para o Banco dos Brics foi feita no encontro passado, em Nova Déli. Seu objetivo é estabelecer um banco multilateral que possa financiar projetos conjuntos na área de desenvolvimento, criação de infraestrutura e trocas comerciais.Em 2012, ministros de economia e finanças dos cinco países foram encarregados de estudar a viabilidade e possíveis configurações da nova instituição financeira. Agora, o desafio é fazê-la sair do papel, chegando a um acordo sobre sua estrutura, recursos e práticas.Diplomatas estimam que cada país poderia contribuir com US$ 10 bilhões para esse banco, o que lhe garantiria um total de US$ 50 bilhões de capital inicial. Ainda não está claro, porém, de que forma o dinheiro seria distribuído, nem qual seria a sede da nova organização.Além do Banco dos Brics, outro tema que deve estar sobre a mesa no encontro de Durban segundo informações de especialistas e diplomatas brasileiros, é a criação de um fundo de reservas conjunto.Se o Banco dos Brics poderia ser uma espécie de Banco Mundial dos emergentes, como definiu O'Neill, a princípio a ideia é que esse fundo funcione como um FMI do grupo - socorrendo países em apuros financeiros.Mecanismos de facilitação de comércio e cooperação econômica, como a possibilidade do uso de moedas locais em investimentos e trocas comerciais entre países do Brics, também devem ser debatidos, tendo em vista a crescente interdependência desses países - em especial com a China, que é hoje o principal parceiro comercial do Brasil, da Índia e da Rússia e mantém um estoque de US$ 20 a US$ 40 bilhões em investimentos externos diretos na África.Segundo o sul-africano Standard Bank, por exemplo, nos últimos dez anos o comércio intra-Brics cresceu mais de dez vezes, de US$ 28 bilhões, em 2002, para US$ 310 bilhões, no ano passado.Por fim, por este se tratar do primeiro encontro dos Brics no continente africano, a relação dos emergentes com a África também foi definida como um tema prioritário - embora esta seja uma área em que os cinco países muitas vezes competem.Os Brics também pretendem lançar durante essa cúpula um fórum permanente de diálogo empresarial e um think tank para discutir problemas conjuntos e estratégias de cooperação.HistóriaO termo Bric foi criado por O'Neill em 2001 como um instrumento de análise financeira. O "S" de África do Sul (em inglês) não foi incluído no acrônimo inicialmente e até hoje o próprio O'Neill diz não ver argumentos econômicos que justifiquem tal inclusão.A população sul-africana representa um quarto da brasileira, ou o equivalente à população de uma Província chinesa, e o país ocupa apenas a 26ª posição no ranking das maiores economias do mundo, enquanto a China ocupa a 2ª , o Brasil a 6ª ou 7ª (de acordo com diferentes cálculos), a Rússia a 9ª e a Índia a 10ª."Percebi que esses quatro Bric eram países com grandes populações, governos dispostos a integrá-los no mercado global e um nível de crescimento substancial, então me pareceu claro que no futuro ganhariam mais peso na economia mundial", conta O'Neil, explicando o que lhe inspirou para criar o acrônimo.O termo não demorou para se popularizar. Bancos de investimentos criaram carteiras para os Bric e departamentos para analisar seu crescimento e universidades em todo o globo abriram centros de estudos para comparar os quatro países e acompanhar sua trajetória.Foi por volta de 2007, porém, que autoridades e líderes dos Bric perceberam a possibilidade de explorar politicamente o fenômeno - reunindo-se pela primeira vez durante um encontro internacional em Nova York. A primeira reunião de cúpula dos Bric ocorreu em 2009 na Rússia e deixou claro qual seria a bandeira do grupo: a luta pela reforma e democratização do sistema político e econômico internacional.Países emergentes reclamam da falta de representatividade em instituições como o FMI, o Banco Mundial e o Conselho de segurança da ONU (no caso de Brasil, Índia e África do Sul). Eles argumentam que essas entidades e todo o sistema de governança internacional criado no pós-2ª Guerra estão ultrapassados e devem ser alterados para refletir a nova realidade, em que há mais centros de poder político e econômico globais.DivergênciasO problema é que se a reivindicação de reformas no sistema internacional é comum, o mesmo não pode ser dito sobre a forma como cada país acredita que essa reforma deva ser implementada.Os Brics são divididos por diferentes agendas, interesses, valores e realidades nacionais, o que, na prática, dificulta sua articulação política e fortalecimento como um bloco alternativo ao dos países desenvolvidos.China e Rússia, por exemplo, já são membros do Conselho de Segurança da ONU e nunca manifestaram apoio a uma ampliação do órgão. Afinal, é mais vantajoso fazer parte de um seleto clube com cinco membros do que de um com oito ou nove integrantes.Os Brics também nunca conseguiram chegar a um consenso sobre a indicação de representantes comuns para a chefia de organizações como OMC, Banco Mundial e FMI. Para completar, não há consenso nas negociações sobre comércio - com alguns países adotando posturas mais protecionistas que outros em temas específicos."Ninguém espera que de repente os Brics comecem a falar com uma única voz, mas as mudanças que estão por trás da formação do grupo são sólidas e devem de fato mudar a ordem mundial nos próximos anos", acredita Marcos Troyjo, diretor do centro de estudos sobre os Bric da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos."Apesar das divergências, a tendência é que os Brics consigam avançar aos poucos na coordenação política em alguns temas e que ampliem a cooperação para a superação de desafios comuns na área de saúde, segurança e energia, por exemplo",... (webremix.info) |
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Brics competem para ganhar terreno na África
Para os habitantes da cidade de Durban - onde nesta terça e quarta-feira ocorre a quinta reunião de cúpula entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, os Brics - um empreendimento vem à mente quando o assunto é o aumento da presença dos países emergentes na África do Sul: o "Shopping Center China".Com 40 mil metros quadrados e mais de 400 lojas, esse megacentro comercial inaugurado há sete anos (e expandido três vezes) fica aberto sete dias por semana para vender os mais variados tipos de produtos com apenas dois aspectos em comum - preços acessíveis e a etiqueta que informa: "Made in China".O Shopping Center China - com filial em Johanesburgo - é a face mais visível do fenômeno que ganha força e tornou-se um dos principais temas da cúpula dos Brics: a corrida da China e dos outros países do clube de emergentes para "fincar o pé" na África, ocupando espaços que tradicionalmente pertenciam a potências coloniais europeias.Se no passado os europeus brigavam pelo direito de explorar terras e jazidas minerais do continente, agora, cada vez mais, são os Brics que disputam os recursos naturais e os mercados africanos."É natural haver um acirramento na disputa por alguns filões de negócios entre os países emergentes, conforme os investimentos na África cresçam", disse à BBC Brasil Wayne Morris, diretor da consultoria africana GSEC e membro do conselho da Brand South Africa, entidade que cuida da imagem e promoção de negócios da Africa do Sul."Os indianos e os chineses são os que têm presença mais forte na África do Sul, por exemplo - e entre eles já há disputa. O Brasil e a Rússia também estão ampliando sua presença em outros lugares. Mas a competição entre esses países têm tudo para ser saudável - para eles e, principalmente, para a África que terá mais opções de investimentos", acredita.Harry Shmelzer, presidente da WEG - empresa brasileira líder do mercado de motores elétricos que há três anos tem uma fábrica com 600 funcionários na África do Sul (embora faça negócios com o país há mais de três décadas)- , disse à BBC Brasil que a concorrência com os chineses em sua área já é acirrada."Os chineses oferecem uma concorrência agressiva aqui e em outros lugares - mas já sabemos que precisamos estar preparados para isso", diz ele.Presença dos BricsSegundo um estudo do sul-africano Standard Bank (banco no qual hoje os chineses têm uma participação de 20%), na última década o volume de trocas comerciais dos Brics com a África aumentou dez vezes, chegando a US$ 340 bilhões - mais que o comércio entre os demais países do grupo (de US$ 310 bilhões)A China é sem dúvida o país dos Brics cujos negócios mais avançaram no continente africano nos últimos anos, principalmente em função do interesse chinês por recursos naturais. Só o comércio com a África aumentou 20 vezes de 2002 a 2012, passando dos US$ 200 bilhões - o que em parte explica o sucesso do Shopping Center China e outros empreendimentos similares. Segundo estimativas do governo chinês, o país teria um estoque de investimento na África de US$ 20 a US$ 40 bilhões.A Índia também teve um aumento substancial dos investimentos na região nos últimos anos, apostando em áreas como agricultura, telecomunicações e o setor automobilístico, principalmente no sul e no sudeste sul-africanos. A Rússia tem investimentos na Tunísia, Nigéria, Uganda e África do Sul. Já o Brasil, tem uma presença cada vez mais forte na África lusófona - Moçambique e Angola - embora empresas como a Marcopolo, a Weg e a Camargo Correa também estejam presentes na África do Sul.Moçambique abriga empreendimentos da Vale e da Odebrecht, uma das maiores empregadoras locais, e Angola é o maior receptor dos investimentos brasileiros no continente (seriam R$ 7 bilhões, segundo estimativas de 2011 da Associação de Empresários e Executivos Brasileiros em Angola). Empresas como Petrobras e as construtoras Odebrecht e Andrade Gutierrez têm operações sólidas no país há muitos anos.Além disso, Angola é também a principal receptora de investimentos da China na África - então já é natural que brasileiros e chineses tenham de competir para ganhar a licitação de projetos de infra-estrutura e exploração de recursos naturais."Nossos investimentos ainda estão muitos concentrados nesses dois países. Comparando com os indianos e chineses, acho que os brasileiros estão perdendo oportunidades no continente africano em função de um certo receio dos empresários em explorar o continente", acredita Roberto Paranhos do Riobranco, presidente da Câmara de Comércio Brasil-Índia que está na África do Sul para participar do encontro de empresários que acompanha a cúpula dos Brics.'Representação'Não foi à toa que os investimentos dos Brics na África se tornaram um dos principais temas do encontro do clube dos emergentes em Durban, como explicou à BBC Brasil Oliver Stuenkel, professor da Fundação Getúlio Vargas que está na África do Sul participando de uma série de debates acadêmicos paralelos ao encontro.A África do Sul foi incluída nos Brics em 2010 - antes disso o grupo era chamado de Bric. Stuenkel diz que o país obteve sucesso em sua candidatura ao clube dos emergentes, apesar do tamanho de sua economia ser equivalente a de uma Província chinesa, ao se apresentar como um "representante" ou um "interlocutor" para a África frente aos outros quatro países."A verdade é que se a África (continente) fosse um país, certamente seria um Brics. O tamanho de sua classe média é comparável a indiana e está se expandindo. Além disso, muitas partes do continente têm crescido em um ritmo acelerado", diz Stuenkel. "Mas é difícil pensar que a África do Sul possa falar por todos os países da região."Três fatores tornam a África atrativa para investimentos dos Brics. Primeiro, a presença de grandes jazidas de minérios, petróleo e outros recursos naturais valiosos no continente. Segundo, o grande crescimento da classe média africana - e aumento do consumo provocado por tal enriquecimento. Por fim, a previsão de gastos bilionários no setor de infraestrutura em países que recém adquiriram estabilidade política e econômica, mas nos quais faltam estradas, portos, aeroportos, etc.Segundo o FMI, sete dos dez países que mais crescem no mundo estão na África. E ainda que isso ocorra porque tais países partem de uma base muito baixa de desenvolvimento econômico, para muitos empresários dos Brics tal crescimento significa bons negócios e margens de lucro satisfatórias para compensar os riscos africanos.Novo colonialismo?Durante a cúpula em Durban, o presidente sul-africano Jacob Zuma irá mediar uma série de encontros entre países do Brics e outros líderes africanos. Nas preparações para o encontro, porém, o que chamou mais a atenção em seu discurso sobre os investimentos do Brics foi uma aparente expectativa de que eles sejam "cooperativos", diferente dos investimentos europeus - que segundo o líder sul-africano seriam "colonialistas".Uma semana antes do encontro, durante uma conferência sobre temas educacionais, Zuma prometeu: "Os Brics vão contribuir imensamente para satisfazer as necessidades dos jovens da África do Sul de encontrarem trabalho."A promessa foi feita dias depois de o presidente sul-africano ter dado uma entrevista ao jornal britânico Financial Times na qual exortou as empresas europeias a mudarem seu "velho estilo colonialista na África", lembrando que agora o continente tem a "alternativa" dos Brics."Os Brics pretendem apoiar os esforços da África para acelerar a diversificação e modernização de suas economias através do desenvolvimento de infraestrutura, troca de conhecimento, acesso a tecnologias, construção de novas capacidades e investimento em capital humano", diz um documento oficial do encontro, divulgado pelo governo sul-africano.Para alguns analistas, porém, as expectativas de Zuma podem não ser atendidas. Marcos Troyjo, do laboratório sobre Brics da Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos, por exemplo, lembra que os chineses são conhecidos por um estilo "agressivo" de fazer investimentos - importando matéria prima e até trabalhadores da China para levantar obras de infraestrutura em países africanos.Além disso, seu interesse maior seria a extração de recursos naturais da África e a venda de produtos chineses para o continente, atividades que não são conhecidas por sua ampla geração de empregos qualificados (apesar de o Shopping Center China dizer que emprega um total de 1.600 pessoas).'Moderar otimismo'Jim O'Neill, economista conhecido por criar o termo Bric em 2001, concorda que é preciso moderar o otimismo com os investimentos dos Brics: "Não há como garantir que multinacionais desse ou daquele país vão se comportar de forma diferente. Empresas globais enfrentam os mesmos desafios para se adaptar às regras locais e ao final têm o mesmo objetivo, que é conseguir retorno para seus investimentos", diz.No caso dos investimentos brasileiros, analistas e empresários costumam enfatizar as diferenças de "estilo" em relação aos chineses. As empresas do país seriam mais flexíveis e mais dispostas a se adaptar à cultura e realidade local, contratando trabalhadores africanos, por exemplo. Mas em Durban alguns empresários e executivos brasileiros que não quiseram se identificar também expuseram para a BBC Brasil o receio de que o governo sul-africano esteja esperando demais das empresas."Não dá para querer que as companhias estrangeiras façam todo o trabalho para desenvolver a África", disse um deles. "Os africanos também precisam fazer suas obrigações e investir mais na formação de trabalhadores e racionalização da burocracia de seus países para compensar os riscos e contratempos de se investir no continente - que ainda existem e são muitos."Para explica o consultor Wayne Morris, da Brand South Africa, "não há como negar que existe um debate sobre os 'elementos colonialistas' dos investimentos dos Brics, e em especial dos chineses.""A África do Sul e os outros países do continente estão plenamente cientes desses riscos", diz. Ele lembra, porém, que por muito tempo países africanos atraíram o interesse apenas de países desenvolvidos e que a aprovação de empréstimos para projetos de infraestrutura por entidades como FMI e Banco Mundial era condicionada à adoção de reformas neoliberais."A grande novidade é que agora temos mais opções e ao menos podemos discutir as condições dos investimentos e empréstimos com empresas e países de 'igual para igual' - o que nos dá uma margem de manobra que não tínhamos no passado para evitar esses riscos",... (webremix.info) |
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Brics se reúnem em clima mais complicado para emergentes
Os países do grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) começam nesta terça-feira, na cidade sul-africana de Durban, sua quinta reunião de cúpula em um momento econômico relativamente mais complicado para esse clube de emergentes do que os quatro encontros anteriores, que foram marcados por uma grande euforia e otimismo. "Se até a última cúpula muitos ainda acreditavam que esses países sairiam da crise econômica global ilesos, ou como seus grandes vencedores, agora, com a economia chinesa desacelerando e o Brasil crescendo menos que os Estados Unidos, essa certeza parece ter acabado", ressaltou, em entrevista à BBC Brasil, Oliver Stuenkel, especialista em Brics da Fundação Getúlio Vargas que participou de uma série de debates acadêmicos que precederam o encontro em Durban. Isso não quer dizer, porém, que o clima da reunião será de fim de festa. Segundo analistas, tal desilusão na realidade aumenta a pressão para que os líderes desses países consigam fazer avanços concretos em um duplo desafio estabelecido pelo grupo desde sua primeira cúpula, em 2009. De um lado, eles precisam consolidar o Brics como uma entidade política. Do outro, aumentar a cooperação econômica e oportunidades de negócios entre seus integrantes. Leia mais (26/03/2013 - 07h30) (webremix.info) |
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Países emergentes terão fundo de US$ 100 bi contra turbulências
DURBAN (ÁFRICA DO SUL) – Num momento em que os mercados financeiros do mundo inteiro estão de olho na crise do Chipre, os Brics — bloco dos grandes países emergentes formado por Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul — vão criar um fundo de reservas destinado a socorrer o grupo em caso de crises de liquidez. O chamado Contingent Reserve Arrangement (CRA), ou acordo de reserva de contingência, deve começar com um patrimônio de US$ 100 bilhões. Em outra frente, o Brasil fecha nesta terça-feira com a China um acordo para a criação de uma linha de crédito em moeda local (ou de swap) no valor de US$ 30 bilhões. A medida, que visa a fomentar o comércio entre os dois países, será assinada durante a V Cúpula dos Brics, que começa nesta terça-feira em Durban, na África do Sul. Com os países da cúpula, o governo brasileiro espera avançar também na criação de um banco de desenvolvimento e, em outra instância, de um fundo de reservas destinado a socorrer o grupo em caso de crises de liquidez. Embora discutidas desde o ano passado, todas essas medidas saem do papel em um momento em que a Europa vive uma nova onda de turbulência. Analistas temem uma contaminação de outros países na região e nem mesmo o pacote de socorro já aprovado para a economia cipriota conseguiu levar algum alento ao mercado. Anteontem, o Banco Mundial alertou para o risco de contágio da crise em Chipre para outros mercados emergentes. Veja também
Com a china, acordo de US$ 30 bilhões Diante deste quadro, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta segunda-feira que os Brics têm de buscar soluções sozinhos. — Vamos dar continuidade no estreitamento dos nossos laços econômicos, porque hoje os países avançados não estão crescendo, estão crescendo pouco. Então os Brics dependem mais de si mesmos. Somos os países que vamos continuar crescendo, temos um dinamismo maior, temos de aproveitar melhor os nossos mercados e o nosso comércio — disse o ministro, logo depois de chegar a Durban. O acordo de swap com o governo chinês chegou a ser anunciado por Mantega em junho do ano passado, durante a reunião da Rio+20, mas só está sendo efetivado agora, com o novo presidente do país, Xi Jinping. Na ocasião, Mantega afirmou que a medida ocorria num momento em que a economia mundial estava “estressada”. Agora, a crise ameaça recrudescer com o congelamento de depósitos de um dos principais bancos do Chipre. Será constituída uma reserva de U$ 30 bilhões para ser usada entre os bancos centrais de Brasil e China em caso de emergência, nos mesmos moldes do acordo que o governo brasileiro fez com o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) depois da crise de 2008. Os recursos são reservados nas moedas correntes dos dois países. A presidente Dilma Rousseff, que chega hoje à África do Sul, deverá ter amanhã uma reunião privada com Xi Jinping. É o primeiro encontro de Dilma com o novo presidente chinês, que assumiu o cargo este mês. A China é a principal parceira comercial do Brasil, mas, nas últimas semanas, cancelou importações de minérios da Vale e de soja do Brasil, devido aos gargalos do sistema portuário, que impediu o escoamento dos produtos brasileiros. Além disso, antes de chegar a Durban, o novo presidente chinês visitou a Tanzânia, dando mostras de que quer estreitar laços econômicos com a África, uma região cobiçada também pelos brasileiros. Na cúpula anterior dos Brics, em Nova Délhi (Índia), os países emergentes encomendaram também estudos de viabilidade em seus países para a criação de um banco de desenvolvimento e de um fundo de reservas. Agora, em Durban, esperam chegar a um acordo definitivo, mas esses dois mecanismos só devem ser concluídos depois de 2014. A criação do banco de desenvolvimento dos Brics, com um aporte estimado de US$ 10 bilhões de cada país, ainda encontra resistência da Rússia. Os russos apontam que um montante de US$ 50 bilhões não seria suficiente para atender a demanda do grupo. — Dos países dos Brics, a Rússia talvez seja a que menos vá recorrer a esses recursos — afirmou uma alta fonte do governo brasileiro, para quem “a África é bastante grande e não precisa haver uma concorrência (entre os dois países)”. Fundo seria aprovado rapidamente Já o fundo de reservas CRA terá recursos de US$ 100 bilhões e, segundo a avaliação do governo brasileiro, pode ser aprovado e colocado em prática mais rapidamente, uma vez que o dinheiro será apenas empenhado em caso de socorro aos países. Anfitrião da cúpula, o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, lembrou que, no caso do novo banco, desde Nova Délhi os governos têm desenhado o formato da instituição: — Agora, estamos prontos para lançá-lo — afirmou Zuma A V Cúpula acaba amanhã, quando os presidentes do bloco se encontram com líderes dos países africanos. Os Brics vão liberar linhas de crédito para a África. (webremix.info) |
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Compra-se terra em busca de água
RIO - Pense no Vaticano, menor país do mundo que concentrou olhares durante o conclave que elegeu o novo papa argentino. Agora imagine a micronação multiplicada por 100 mil. O resultado se aproximará da área total do território brasileiro que, longe dos holofotes, já está hoje documentada em nome de outros governos ou corporações estrangeiras — 4,5 milhões de hectares, segundo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Na maioria dos casos, são áreas ricas em água e que garantem alta produtividade. Em outras palavras, importantes reservas para um futuro onde o recurso se torna cada vez mais escasso. O dado em si já suscita um estranhamento. Faltam informações atualizadas, já que esses números datam de 2011, e são os últimos disponíveis. Mas o problema, que vem gerando polêmica nos últimos anos, pode ser ainda maior. É o que sugere um estudo lançado no início deste ano na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States (PNAS). De acordo com a pesquisa, o Brasil está entre os 24 principais países cujas terras têm sido alvo de um fenômeno chamado de “land grabbing”. O significado da expressão vem sendo discutido no mundo todo, mas foi adotado pelos autores do estudo como transferências de terra de comunidades locais para investidores estrangeiros, em contratos de venda ou arrendamento envolvendo mais de 200 hectares. Trata-se de áreas vendidas ou arrendadas para estrangeiros, sem as devidas consultas públicas às populações que tradicionalmente ocupavam os espaços. Segundo o estudo, intitulado “Global land and water grabbing” (Terra e água arrendadas globalmente, em tradução livre), 2,25 milhões de hectares fazem parte de acordos de compra e venda de terra no Brasil, quase a metade da área total na mão de outros governos ou corporações de outras nacionalidades mapeada pelo Incra. À primeira vista, pode parecer que o assunto principal são as terras em si. Mas, para os pesquisadores, o mais sério sequer é dito ou contabilizado nas transações. Trata-se da concessão para uso de um bem que ganha cada vez mais valor, tanto social, quanto econômico — a água. Fato que tem passado ao largo das discussões nos países afetados, segundo a coordenadora da pesquisa, a italiana Maria Cristina Rulli: — A corrida por terras agricultáveis está associada com a apropriação de água doce. A produção agrícola é completamente dependente desse recurso. Mas os países precisam se dar conta do fenômeno, porque ele está relacionado com segurança alimentar. A desnutrição pode se agravar em nações alvo do “land grabbing”, se a água estiver comprometida com a agricultura. O Brasil é um desses países, pois possui áreas agricultáveis com boas reservas de água — disse, sem esquecer que o país também faz o movimento inverso, expandindo domínio no continente africano. NeocolonialismoA estimativa da pesquisadora é mais radical do que a maioria, que costumam contabilizar cerca de 70% do uso da água doce voltado para a produção agrícola no mundo. Para ela, esse percentual pode chegar a 85%, contra 5% de uso doméstico e 10% em indústrias. E, desse total, aproximadamente 500 bilhões de metros cúbicos de água estariam comprometidos em acordos de “land grabbing” pelo mundo todo, segundo o estudo. O fenômeno foi classificado pela International Land Coalition (Coalização Internacional de Terras, em tradução livre) como uma nova forma de violação dos direitos humanos, já que muitas vezes trata-se de casos em que posseiros habitantes dos locais há décadas, ou séculos, são retirados para dar lugar aos estrangeiros. Os autores da pesquisa vão além, e chamam a situação de “uma forma de neocolonialismo”. O Incra não respondeu sobre os dados de “land grabbing” referentes ao Brasil apontados no documento. No entanto, há pesquisadores de olho nas consequências do aumento de compra de terras brasileiras por estrangeiros. Segundo um cálculo inédito do economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) José Aroudo Mota, só na Floresta Amazônica há US$ 1,93 quatrilhão de água em reservas — para se ter uma ideia, o Produto Interno Bruto (PIB) do país fechou, em 2012, num total de US$ 2,5 trilhões. O estado que ocupa primeiro lugar da abundância em água é o Amazonas, de acordo com os cálculos de Mota, com US$ 1,3 quatrilhão. Em segundo, está o Mato Grosso, com US$ 625 trilhões, e em terceiro o Pará, US$482 bilhões. Mota ressalta que as reservas podem ser reduzidas por vários fatores. O principal deles é o desmatamento, que diminui a quantidade de florestas — guardiães de boa quantidade de água doce, nas árvores e embaixo delas — e também das chuvas, responsáveis por essa retroalimentação: — A água presta uma série de serviços na floresta. É um recurso estratégico e será equivalente à garantia de armas em um futuro próximo. É preciso acompanhar de perto a aquisição de terras por estrangeiros, porque plantios de monocultura — especialmente para irrigação dos cultivos — e pecuária usam uma quantidade imensa de água. De olho no futuroA Amazônia aparece na lista de venda e arrendamento de propriedades rurais para estrangeiros feita pelo Incra, mas os estados da região não aparecem entre os primeiros. O fato é facilmente explicado: o foco das corporações internacionais e de outros governos está em áreas ricas em água, onde a agricultura já possui impulso. Não é à toa que o Mato Grosso aparece com a maior fatia na listagem do Incra, com total de 895.291,41 hectares. Em segundo lugar, está o Estado de São Paulo — cujo cultivo de cana-de-açúcar é histórico — com 537.160,01. O ranking segue com Minas Gerais (509.737,35). No entanto, Mato Grosso do Sul já aparece logo atrás, com 487.322,58. O Amazonas, campeão da riqueza de água, também é nova fronteira — já são 228.572,96 hectares. Desde 2005, multiplicam-se acordos transnacionais, com aquisições de terras baratas e produtivas em países em desenvolvimento. A quantidade de água envolvida em acordos de “land grabbing” per capita, em todo o mundo, excede a quantidade necessária para uma dieta humana balanceada. Com aumento dos preços dos barris de petróleo, houve mudanças na política econômica dos Estados Unidos e da União Europeia, que passaram a investir mais na produção de biocombustíveis, a partir do cultivo de cana-de-açúcar, milho, soja, entre outros. Para isso, foi necessário adquirir terras, muitas delas nas nações em desenvolvimento, cujos custos são mais baixos. O número de acordos de terra entre países teve seu pico em 2009. Em 2010, o Banco Mundial (Bird) estimou que 45 milhões de hectares já haviam sido comprados em dois anos. E a maioria das aquisições foram feitas em áreas com tamanho entre dez mil e 200 mil hectares. Agências das Nações Unidas, entre elas a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, sigla em inglês), têm apontado problemas nos acordos, como a falta de consulta às populações locais, que vêm gerando conflitos. Muitos empreendimentos desalojam populações e frustram expectativas, já que também não geram quantidade significativa de empregos. A leitura de especialistas é que governos e corporações estão comprando terras agricultáveis como uma estratégia de longo prazo para produção de comida e geração de energia. A maioria dos contratos é feita exatamente para longos períodos, o que pode ser uma armadilha, segundo avaliação do Instituto Internacional do Meio Ambiente e Desenvolvimento (IIED, sigla em inglês). Pesquisador do IIED, o escocês Jamie Skinner afirmou que há contratos de concessão de terras com prazos de 50 ou 100 anos. Os governos locais crescem os olhos sobre a chegada de investimento estrangeiro, e apostam no desenvolvimento das economias locais. Perdem, porém, a autonomia sobre os recursos. — A água é um bem essencial, que precisará ser realocado, por conta das mudanças climáticas ou por mudança em necessidades sociais urgentes. Quando se perde a possibilidade estratégica de manobra do recurso no território, o desafio aumenta — disse Skinner. Segundo ele, o “water grab” — apropriação de água a partir da compra e arrendamento de terras em outras nações — é caracterizado onde a água é, ou pode vir a ser num futuro próximo, um recurso escasso. Falando sobre o Brasil, ele exemplificou: — No caso da Amazônia, por enquanto há muita chuva, então a água nos rios não é tão significativa para fazendeiros. Mas, no caso do Mato Grosso, a água durante a estação seca é um recurso valioso para a irrigação. Sendo assim, pode haver competição entre os fazendeiros para pegá-la, antes que outras pessoas (as populações locais, por exemplo) possam ter acesso a ela. É o que já acontece na África, continente que é foco das pesquisas de Skinner. O continente é alvo de 47% do “land grabbing” registrado no mundo todo, segundo a pesquisa publicada na revista científica PNAS. As pesquisas recém divulgadas ampliaram o debate sobre o assunto no mundo. O consultor de assuntos ambientais da revista científica New Scientist Fred Pearce abordou o tema em um artigo publicado no início do mês. Ele enfatizou a disputa por água além mar, e narrou casos que tem encontrado em anos de pesquisa. Ele ressaltou ainda que zonas úmidas em locais pobres, onde pessoas dependem delas, estão sobre pressão, especialmente nos países africanos. Pearce entrevistou quenianos irritados com um empreendimento gigantesco dos Estados Unidos às margens do Lago Vitória, cercando pastos úmidos para uma fazenda de arroz. O mesmo foi relatado na Etiópia, onde o agronegócio de empresários indianos e árabes estão tomando florestas e capturando água nas nascentes do rio Nilo. Conflito armado Muitas vezes, segundo Pearce, os limites das áreas concedidas pelos governos locais são expandidos para além dos determinados nos contratos. Segundo dados levantados por Pearce, no delta do Rio Niger, zona úmida na borda do Saara, a situação é tão grave que dois milhões de pescadores, agricultores e pecuaristas ficaram esperançosos com a invasão de tropas francesas contra jihadistas no Mali. Era uma possibilidade de frear investimentos estrangeiros em projetos de irrigação na região que sugam toda a água do rio, acabando com o principal meio de subsistência deles. Os rumores da guerra já haviam feito com que a gigante Associated British Foods (ABF) abandonasse um projeto massivo de cana-de-açúcar. A ONG americana Rights and Resources Iniciative (Iniciativa para Direitos e Recursos, em tradução livre) também acompanha o assunto de perto e cita o caso da África como crítico. Assim como o consultor da New Scientist, a instituição aponta o caso do Delta do Niger como uma das prioridades no mundo. Eles citam que, hoje, 2,5 milhões de hectares foram disponibilizados por governos locais para “para o desenvolvimento”. A estimativa da ONG é que as concessões reduzam em 70% a disponibilidade de água para as populações, que utilizam os recursos no dia a dia e em atividades produtivas, como, por exemplo, a agricultura familiar. Cerca de 20% do Delta secaria, de acordo com previsões da entidade, o que reduziria, inclusive, a quantidade de peixes. Para cada pessoa beneficiada pelos empreendimentos, pelo menos quatro delas seriam afetadas pela escassez absoluta de água. Depois de 142 anos, parece que a previsão do economista britânico William Stanley Jevons, publicada em 1871 no livro “A Teoria da Economia Política”, começa a fazer sentido: “Não podemos viver sem água, no entanto não atribuímos a ela nenhum valor em circunstâncias normais. Por que é assim? Geralmente temos tanta água que seu grau de utilidade está reduzido praticamente à zero. Desfrutamos todos os dias da utilidade quase infinita da água. Digamos que o suprimento se torne escasso devido à seca começaremos a sentir os graus mais altos de utilidade, nos quais poucos pensaram em outros tempos”. (webremix.info) |
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Alerta vermelho para garantir o futuro azul
Ela é chefe do Council of Canadians (ou Conselho dos Canadenses), a maior organização de militância pública do país da América do Norte, e fundadora do Blue Planet Project, ONG que trabalha internacionalmente a favor do direito humano à água. Maude Barlow é uma ativista fervorosa e, aparentemente, incansável. No momento, escreve o livro “Blue future, protecting water for people and the planet forever” (“Futuro azul, sempre protegendo a água para as pessoas e para o planeta”, em tradução livre). Já publicou outros 16. Ainda encontra tempo para ter longas conversas com jornalista, como a que segue abaixo. Em 2008, a senhora disse que boa parte dos Estados Unidos iria passar por sérios problemas de água nos próximos cinco ou dez anos. Como está a situação agora? Em muitas partes dos Estados Unidos, é terrível. Hoje, o país é, realmente, a cesta de pão do mundo. Possui um terço dos grãos do mundo comercializados globalmente, mas tem mantido os cultivos em áreas sem água. O aquífero de Ogallala está em declínio severo. Muitos rios estão profundamente estressados ou secando, inclusive o Colorado, o Mississippi, o Platte e o Ocoee. A perda de água sob o Vale Central na Califórnia é de mais de 40% da capacidade de armazenamento de todos os reservatórios construídos no estado. Buracos na Flórida e no Texas atestam o enorme bombeamento de águas subterrâneas que está ameaçando as reservas de diversos estados. Os Grandes Lagos passam hoje por sérios problemas como resultado do aquecimento global pela extração, poluição, chegada de espécies invasoras e fracking (fraturamento hidráulico das rochas subterrâneas para obtenção de gás natural). Ainda acha que os políticos de todo o mundo estão “em algum tipo de negação inexplicável”? Sim. Acho que parte disso é porque aprendemos na escola que há uma interminável quantidade de água em todo o ciclo hidrológico e não podemos destruí-lo. De certa maneira, é verdade. Mas temos tirado a água de onde é necessária na natureza de onde podemos acessá-la. A crise de água é bem real. Também acho que muitos políticos assumem que uma tecnologia mágica irá solucionar a crise. Estão totalmente errados. O que a senhora sabe sobre o Brasil e a forma como lidamos com a água? Todas estas questões estão presentes nos países do Mercosul. Mesmo que sejam abençoados com duas grandes fontes de água: o sistema do Rio da Prata e o Aquífero Guarani. Em parte por estarem inseridas em um mundo cada vez mais sedento, eu argumentaria que a região está ganhando rapidamente um interesse geopolítico forte para o restante do planeta. É o momento de vocês assumirem a condição de tutela dessas águas. Os brasileiros, assim como os canadenses, cresceram com o que chamo de "mito da abundância". Nós achamos que temos tanta água que ela nunca irá acabar. Isso é simplesmente falso. É o que pensavam do Mar de Aral na antiga União Soviética, então o quarto maior lago do mundo, e o Lago Chade, na África, que já foi o sexto maior. Ambos estão quase no fim devido ao excesso de extração. A demanda por água está crescendo. A capacidade diminuindo. Não será surpresa os conflitos continuarem a crescer. Qual o maior desses conflitos? Talvez o mais difícil seja entre os que têm acesso a toda a água que desejam e aqueles que não, de maneira alguma. Uma criança que nasce no Hemisfério Norte vai usar 40 a 70 vezes mais o elemento em sua vida do que a nascida no Hemisfério Sul. Hoje, abaixo da Linha do Equador, a cada três segundos e meio uma criança irá morrer de alguma doença transmitida pela água. A falta de acesso ao elemento puro é, de longe, o maior assassino dos pequenos e isso é algo completamente evitável. Como a economia do Brasil afeta a água? O crescimento da produção de biocombustíveis de cana-de-açúcar no Brasil tem crescido intensamente e, hoje, o Brasil é o maior exportador. Só que essa indústria pode explodir. Hoje, o país produz 28 bilhões de litros de etanol (20% para exportação), mas irá produzir 64 bilhões em 2018. É preciso uma grande quantidade de água para produzir biocombustíveis. Para cada litro de etanol de cana-de-açúcar produzido no Brasil, pelo menos 1 mil litros são usados, se levarmos em conta o que é usado para crescer a planta, assim como processo em si. Atualmente, sete trilhões de litros de água são extraídos todos os anos para a produção de etanol no país, um dreno enorme no abastecimento de água na região e que aposto não será consignado quando o governo fizer seus planos econômicos. Toda esta água estará perdida. Quem são os maiores usuários de água? Como esse problema pode ser resolvido? O maior usuário de água é a agricultura industrial por um mercado global de alimentos. A água é extraída de aquíferos e rios para crescer culturas em desertos e então é enviada na forma de "exportações virtuais" para todo o mundo. Brasil, Canadá, os Estados Unidos e a Austrália são todos exportadores maciços de água virtual. A produção de comida também consome o elemento. Quer dizer, não a devolve à bacia hidrográfica. A resposta para esta forma de abuso da água é local, através da produção de comida orgânica e sustentável. Algo bem diferente do que os governos promovem. O que é o termo “apartheid de água”? Pode explicar isso? O apartheid da água se refere ao fato de que em um mundo de crescente desigualdade e controle corporativo do elemento, aqueles que possuem dinheiro podem o comprar quando quiserem, como para piscinas de natação ou campos de golfe. Aqueles sem os meios para comprar água ficam sem e veem suas crianças crescerem doentes. Por que diz não gostar de água engarrafada? Garrafas de água demandam muita energia, criam gases de emissão de efeito estufa e deixam para trás centenas de bilhões de recipientes plásticos. É uma forma moderna de insanidade coletiva e um impedimento para a criação de um futuro justo em relação à água. Como a senhora vê os acordos internacionais de comércio de água do mundo? São uma séria ameaça. Já que as utilidades da água foram privatizadas, os acordos tiram a opção de um retorno ao sistema público caso uma cidade queria fazer isso. O comércio global e bilateral, além dos negócios para investimentos, dão a empresas internacionais o direito de entrar na Justiça por compensação financeira caso um governo queria impor novas regras de saúde, segurança ou ambientais para limitar o acesso a fontes de água regionais. Que iniciativas positivas estão a caminho? Muitas pessoas, grupos, universidades, instituições e líderes políticos estão começando a levar a sério a crise hídrica. A grande tarefa agora é declarar, por meio de leis, a água como herança comum, além de garantir a proteção de bacias hidrográficas pelo mundo afora. Há muitos avanços neste sentido enquanto trabalhamos para convencer as pessoas a deixarem de ver a água como um recurso apenas para o nosso prazer e lucro, mas também como elemento essencial. Em que momento, em sua vida, a senhora decidiu que seu objetivo era estudar a questão da água? Eu me envolvi e fiquei obcecada com a questão da água quando percebi, pela primeira vez, que ela vinha sendo incluída como bem negociável em acordos de comércio. Foi aí que comecei, então, a pensar sobre quem decide, quando e como o negócio é feito. Eescrevi o primeiro estudo sobre o assunto nos anos 1990 e isso me levou a uma jornada incrível para construir um movimento que pudesse lutar pela justiça da água em todo o planeta. (webremix.info) |
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Para Lula, candidatura de Eduardo Campos é reversível
SÃO PAULO — Os sinais dados pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, de que disputará a sucessão presidencial em 2014 ainda não convenceram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para quem o lançamento da candidatura do dirigente do PSB ainda pode ser revertido. Em conversas recentes, com petistas e aliados, o líder do PT avaliou que, no cenário atual, seria muito arriscado para o socialista entrar numa disputa eleitoral, uma vez que, segundo ele, não há espaço no campo da esquerda para mais uma candidatura presidencial. Caso o socialista queira se viabilizar como candidato, Lula avalia que Campos terá de se aproximar da direita e, assim, abrir mão de bandeiras eleitorais do atual governo federal, como o combate à miséria e a ascensão da população à classe média. O líder do PT ainda considera cedo debater a sucessão ao Planalto com o dirigente do PSB, o que deve ser feito apenas no segundo semestre, quando pretende chamar o socialista para uma conversa em São Paulo, na qual irá alegar que o lançamento da candidatura do PSB poderá dividir e enfraquecer a esquerda.
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Em encontro, no final do mês passado, Eduardo Campos informou à presidente Dilma Rousseff que o PSB decidirá pela candidatura própria apenas em 2014 e que, até lá, continuará na base aliada do governo federal. Nas últimas semanas, contudo, o dirigente do PSB tem mantido diálogos com PPS, PDT e PTB e se aproximado de setores do empresariado. Na quinta-feira, o socialista compareceu a jantar na residência do empresário Flávio Rocha, dono da rede de lojas Riachuelo, e, ontem, participou de almoço promovido pelo Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), em um hotel de São Paulo. No evento, o socialista afirmou que a presidente sabe que não é hora de o PSB decidir sobre 2014 e ressaltou que, no encontro que tiveram, Dilma deixou claro que o interesse do governo federal é manter uma relação de respeito com o partido neste ano. Segundo ele, quando houver uma decisão, informará à presidente ou ao dirigente nacional do PT, Rui Falcão. — Ela sabe que não é a hora do PSB decidir. O PSB vai decidir no seu tempo. Ela deixou muito claro que o interesse é seguir com uma relação de respeito com o PSB durante todo o ano de 2013 e deixar 2014 para 2014. Para mim, vale a conversa que tive com ela. Se tiver alguma coisa para dizer ao PT, vou falar com quem efetivamente devo falar: com a presidente ou com o presidente nacional do PT — afirmou. O dirigente do PSB disse que ainda não foi marcada uma conversa com Lula, mas que estará à disposição do petista e irá ao seu encontro caso ele queira discutir. Na quarta-feira, o ex-presidente iniciou viagem pela África e só retornará ao Brasil no final da semana quem vem. — Eu fui ministro e sou amigo do ex-presidente, tenho um grande respeito por ele. Todas as vezes que ele precisar falar comigo, estarei à disposição e vou ao encontro dele — disse. No almoço de ontem, segundo empresários presentes, o dirigente do PSB defendeu que o país precisa definir uma política de comércio exterior mais clara e que o governo federal deve priorizar alguns setores da economia para os quais tem maior vocação. Em sua exposição, ele elogiou o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e apresentou conquistas da sua gestão nas áreas social, educacional e de saúde, as quais, se for candidato, devem lhe servir como bandeiras eleitorais. (webremix.info) |
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Pnud: ‘Nova classe média’ é fenômeno mundial
RIO – Se o Brasil está se transformando em um país de classe média — como afirmou a presidente Dilma Rousseff recentemente no Rio —, ele não está sozinho. Dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) divulgados nesta quinta-feira mostram que, neste quesito, estamos ao lado de China, Índia, África do Sul, Turquia, Bangladesh, Chile, Gana, Ilhas Maurício, Ruanda, Tunísia, entre outros. Segundo o Pnud, entre 1990 e 2010, a classe média que vive nos chamados países do Sul (a forma como o Pnud se refere às nações emergentes) passou de 26% a 58% do total desse grupo no mundo. Até 2030, 80% desse segmento social deverão viver nesses países e responder por 70% do consumo do mundo. O professor Jessé José Freire de Souza, diretor do Centro de Pesquisa sobre Desigualdade da Universidade Federal de Juiz de Fora, diz que é “irresponsável” chamar de classe média esses novos consumidores. Ele, porém, concorda que esse ganho de poder aquisitivo é, sim, um fenômeno que vem ocorrendo em vários países emergentes: — O que tem surgido é uma nova classe trabalhadora precarizada, que vai ser utilizada nas áreas de serviço, comércio e pequenas indústrias do Brasil e dos países emergentes do mundo inteiro. Por que neles? Porque você não convence um francês ou um alemão que trabalha sete horas por dia de que ele terá que trabalhar 14 horas, como está ocorrendo com essas pessoas que não tinham nada e estão se incluindo no consumo, com dois, três empregos e bicos. Mas isso não tem nada a ver com ser classe média. Veja também
Celia Lessa Kerstenetzky, diretora do Centro de Estudos sobre Desigualdade e Desenvolvimento da Universidade Federal Fluminense, identifica um movimento de inclusão por meio do consumo, relacionado ao crescimento econômico mais rápido em vários desses países: — O que se observa com clareza é uma evolução dos rendimentos dos estratos inferiores de renda; um maior acesso a bens de consumo — diz Celia. — Mas em muitos casos o mercado de trabalho é precário, a proteção social é incipiente e o acesso a serviços sociais essenciais é muito limitado. Acho equivocado falarmos em classe média no sentido sociológico do termo. Além disso, tem havido um aumento das desigualdades em muitos desses países. Falta formação cultural e social Segundo Celia, a situação é melhor em países onde o padrão de crescimento é redistributivo, como no Brasil, onde a renda das parcelas mais pobres da população cresceu mais rapidamente do que a das camadas com ganhos mais elevados: — Mas, de novo, falar em classe média é um exagero. Pesquisa que fiz revela padrões de consumo muito deficientes entre as famílias consideradas da classe média brasileira: moradias inadequadas, baixa escolaridade dos chefes de família, perspectivas desalentadoras para as crianças e jovens. Mobilidade social e redução das desigualdades não se fazem apenas com ganhos de renda — alerta a pesquisadora. Para Jessé Souza, no Brasil, além do crescimento, houve impacto positivo do programa Bolsa Família, que acabou criando um ciclo virtuoso, ao injetar dinheiro numa faixa muito pobre da população, e um efeito cascata positivo, a seu ver, inesperado até para os criadores do programa: — Mas, além do capital econômico, é necessária uma formação de capital cultural e social. Então, é uma mentira de fio a pavio dizer que essas pessoas (beneficiadas por programas sociais ou incluídas pelo consumo) são de classe média no Brasil. É mentira do Banco Mundial, do FMI (Fundo Monetário Internacional). E por que essa mentira precisa ser contada? Isso tem a ver com oportunismos políticos: pode trazer vantagens como ocorreu no Brasil nos últimos dez anos. Especialista em economia internacional, Luiz Carlos Prado, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, chama a atenção para o peso que países como China e Índia têm na classe média dos países do Sul: — É preciso estar atento, porque um crescimento na classe média da China, que tem 1,4 bilhão de habitantes, já provoca um aumento enorme na fatia desse grupo, já que o país tem 20% da população do planeta. O Brasil tem um peso, mas é bem menor — afirma. O Pnud mostra que até 2030, a região da Ásia-Pacífico acolherá cerca de dois terços da classe média mundial; as Américas Central e do Sul, cerca de 10%; e a África Subsariana, 2%. (webremix.info) |
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A sustentabilidade nas empresas: do discurso à prática
Sócia da consultoria Brunswick, dedicada a melhorar a comunicação e a relação das empresas com a sociedade, Lucy Parker fala dos desafios de unir os discursos da sustentabilidade ambiental e a econômica em uma época que, demonstrar estar atentas a estas demandas, é um imperativo para a sua imagem. Segundo ela, algumas grandes corporações estão liderando um processo de renovação de suas práticas e trazendo consigo sua cadeia de suprimentos, abrindo caminho para que todos, do fornecedor ao consumidor, sejam mais sustentáveis. Muitas empresas afirmam que são sustentáveis e este se tornou um dos jargões do mundo corporativo. Como a senhora vê este uso indiscriminado do termo? Creio que todos nós, como indivíduos, sabemos o que significa sustentabilidade. A grande dificuldade é que há tantas facetas em ser de fato sustentável, que seu significado depende de quem está falando. As pessoas começam a discutir sobre o assunto: uma quer dizer que ser sustentável é ser mais comedido no uso de recursos naturais, enquanto para outra é saber se é economicamente viável usar menos recursos. Assim, a discussão se complica, mas a maior parte dos líderes empresariais sabe o que significa. A verdadeira questão é como resolver isso, isto é, como agir de maneira sustentável. Não é possível, portanto, ser sustentável em todos os aspectos? É por isso que muitos líderes empresariais dizem não saber o que é ser de fato sustentável. Eles conseguem facilmente ver que determinadas linhas de ação não são mais sustentáveis, mas não conseguem responder à questão do que fazer com relação a isso. Para não haver mal-entendidos, é preciso entender como está o debate sobre sustentabilidade no mundo empresarial. Num primeiro momento, o debate se focou no uso de recursos naturais e nas emissões de carbono. As empresas começaram a entender que é uma ameaça para o mundo e para suas próprias operações não gerenciar os recursos com cuidado. E como o mundo está tão preocupado e as empresas são tão poderosas, muitas vezes a pressão por ação recaiu sobre elas, com demandas para que se comportassem de uma maneira na qual elas não conseguiriam mais operar: não emita mais carbono, não retire mais nada das minas, não use água. Então as empresas reagiram. Elas começaram a dizer que, como um negócio, só poderiam ser mais sustentáveis ambientalmente se continuassem a ser sustentáveis economicamente. Então as empresas começaram a mudar o debate de forma a incluir a sustentabilidade econômica nas discussões sobre a sustentabilidade ambiental. Depois, entramos em uma segunda rodada de conversações, que é na qual ainda estamos, de como as facetas da sustentabilidade afetam umas as outras. Desta forma, o debate ambiental sobre emissões de carbono e uso dos recursos naturais está se abrindo para mais questões. E de repente estamos discutindo sobre água e segurança alimentar, por exemplo, e como gerenciamos tudo isso junto. E do lado social também houve uma mudança. A discussão não é mais só sobre como as empresas precisam ser mais sustentáveis economicamente, mas como uma comunidade, um país, uma economia, todos os outros agentes da sociedade podem ser mais sustentáveis. Então as empresas. para serem sustentáveis, devem usar todos os recursos de forma racional? Sim, o mundo não pode parar. Temos duas grandes vertentes se apresentando. Uma é o que chamo da lista do que as empresas têm que fazer. O que vemos é que, nos últimos cinco anos, muitas corporações passaram a levar o assunto mais a sério. Suas ações ainda são pensadas com uma mente empresarial pura e simples, focadas apenas no que é melhor para seu negócio. Isso também está começando a mudar. Os líderes empresariais estão abrindo suas mentes para o que eles podem fazer de relevante. Um exemplo disso é a discussão entre as grandes corporações e ONGs sobre o uso da água. Antes, todos já achavam que a água era um problema bastante sério, mas a posição do mundo corporativo era fazer apenas o mínimo possível para reduzir o risco que isso representa para seus negócios. A sustentabilidade então passou a ser um imperativo do próprio negócio? Sim, tanto que hoje os próprios investidores querem saber da direção das empresas o que ela está fazendo com relação ao uso racional dos recursos naturais. Se, por exemplo, já conversou com sua cadeia de suprimentos sobre como ela gerencia a extração de óleo, de madeira, de minérios ou pesca. Antes, os líderes empresariais pensavam “bem, isso é tudo o que eu posso fazer. Agora o mundo que se vire com o resto”. Hoje, todas as pessoas com quem converso, sejam representantes de ONGs ou de empresas, de governos nacionais ou de organizações multilaterais, acham que a saída é a colaboração. Isso significa que todos têm algo a fazer para tornar o mundo mais sustentável, desde as grandes corporações até o pequeno agricultor familiar, seja você um morador de uma cidade brasileira, de uma pequena vila na Europa, de uma aldeia na África ou de uma megalópole americana? Há uma consciência geral de que todos nós podemos fazer algo para sermos mais sustentáveis. Depois da Rio+20, as empresas saíram com planos de ação, enquanto os governos não tinham nenhuma meta planejada. Isso mostra que, depois de alguma hesitação inicial em aceitar as exigências de que fossem mais sustentáveis, as empresas passaram a liderar o processo. Elas notaram que, num cenário mais amplo e de longo prazo, ser mais sustentáveis era do seu interesse e partiram para a ação, enquanto os governos permaneceram parados na burocracia da diplomacia. E como estas empresas líderes estão agindo? Existem três maneiras pelas quais as empresas estão se tornando mais sustentáveis. A primeira é trabalhar em seus produtos e serviços. A segunda é sobre seus processos e práticas, tonando-os mais sustentáveis em grande escala. E isto vai bem além de reuso e reciclagem. Estas empresas estão reconfigurando seus meios e métodos de produção, procurando, por exemplo, novos materiais para trabalhar, novos processos para usar estes materiais, tecnologias para exploração de recursos com menos poluição e desperdício. E em terceiro, as grandes líderes estão impondo esta mudança de mentalidade para sua cadeia de suprimentos. O Walmart, por exemplo, que compra uma enorme quantidade de peixes para abastecer sua rede, disse para seus fornecedores: “se vocês querem nos vender o produto, terão que provar que eles vêm de uma fonte de pescado sustentável”. E em geral estes novos materiais, produtos, processos e práticas também acabam revertendo em maior competitividade e lucratividade para estas empresas. Então, por que não vemos mais empresas investindo nisso? Isso nos remete ao início da nossa conversa. Todos sabemos o que é ser sustentável e temos consciência de que determinadas formas de agir não são sustentáveis a longo prazo. Só que as empresas vão continuar insistindo que só se tornarão ambientalmente sustentáveis se forem economicamente viáveis, isto é, se tiverem um lucro que permita que reconfigurem seus processos. Isso faz parte da linguagem corporativa quando se fala em sustentabilidade. Por outro lado, vemos que, muitas vezes, este esforço em prol da sustentabilidade compensa de uma forma que os executivos não imaginavam no início, tornando suas empresas mais eficientes e em melhor situação do que estavam antes. Por isso, muitos dos mais imaginativos líderes empresariais também buscam inspirar estas inovações nas suas áreas de atuação. Todos ganham com isso e é uma forma muito interessante de fazer uso da imaginação e inovação características dos empreendedores de sucesso. Mas às vezes os fornecedores de grandes corporações são empresas muito menores do que elas, o que não lhes dá margem para investir em maior eficiência. Assim, cabe às grandes ajudar, criando programas para que suas pequenas fornecedoras tenham acesso a meios de se tornarem mais eficientes. E ainda há a faceta da filantropia empresarial, muito comum no Primeiro Mundo. Desta forma, uma empresa que tenha melhorado o gerenciamento de água pode contribuir para ser mais sustentável, além de poder também canalizar seus projetos filantrópicos para essa área, o que, no fim das contas, pode trazer grandes benefícios. (webremix.info) |
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Mais investimento angolano pode tornar país em plataforma para Europa, África e América Latina
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O autismo da política de comércio exterior
Consta que a política externa de viés terceiro-mundista seguida pelo governo Lula teria sido uma contrapartida à militância petista pela acertada adoção de uma terapia clássica, monetária e fiscal, para manter a estabilização da economia. No campo comercial, o terceiro-mundismo se materializou na rejeição radical à proposta americana da Alca (Aliança de Livre Comércio das Américas) e aposta cega na Rodada de Doha, de liberalização do comércio mundial. O Brasil perdeu a aposta — com a contribuição dos “aliados estratégicos” Argentina, China e Índia —, e precisaria compensar o tempo perdido, pelo fato de o mundo ter acelerado a assinatura de acordos comerciais bilaterais. Mas tampouco fez isso. Ficou paralisado pelo vírus do terceiro-mundismo, refém da crise política e institucional da Argentina, cada vez mais protecionista contra as exportações brasileiras, e deixou-se levar pela onda de chavinização do Mercosul. Tudo conspira a favor da paralisia da diplomacia comercial, engessada pelo viés ideológico anacrônico do “diálogo Sul-Sul”, algo que, no início do governo Dilma, parecia ser exorcizado. Ilusão, pois esta política externa se mostra tão forte quanto nos primeiros tempos de Lula. É emblemático que a presidente Dilma tenha voado para Malabo, capital da Guiné Equatorial, típica ditadura africana, onde transcorreu a 3ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da América do Sul-África (ASA). Se Lula conviveu sem problemas com o “irmão” Kadafi e Mobuto, literalmente dono do Zaire, Dilma aparece ao lado de Teodoro Obiang, cujo filho, Teodorin, abandonou às pressas o carnaval baiano, depois de ter a prisão decretada pela Justiça francesa, devido à lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos de outros países. Enquanto isso, Estados Unidos e União Europeia (UE), responsáveis por um terço das trocas comerciais no planeta, decidem acelerar as negociações para a assinatura de um acordo transatlântico. A produção somada das duas partes representa 47% do PIB mundial. Dilma, na viagem, ressaltou que o comércio entre a América do Sul e a África, em 2011, de US$ 39 bilhões, representou um crescimento de 447% em dez anos. Mas por que não explorar também os maiores mercados do mundo, como o americano? Se o acordo dos EUA com a UE for assinado, será um razoável baque para o Brasil, que tem uma pauta de exportação agropecuária concorrente da americana. Fechado o acordo, o Brasil perderá muito espaço na UE. E nenhum dólar africano compensará o prejuízo. Ao lado disso, outro bloco recém-formado no continente, a Aliança do Pacífico (Chile, México, Peru, Colômbia) tende a se fortalecer por ter uma postura nada ideológica, flexível. Sendo que o México já faz parte do Nafta, com os americanos e canadenses. Impressiona a passividade da diplomacia comercial brasileira. Deve enxergar uma realidade própria, só vista por ela. (webremix.info) |
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Na Nigéria, Dilma negocia parcerias na área de energia
ABUJA, NIGÉRIA - Na segunda etapa de sua viagem à África, a presidente Dilma Rousseff se reuniu na manhã deste sábado com o presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, e tratou de futuras parcerias entre os dois países na área de energia. Segundo Dilma, o Brasil deverá repassar a experiência na produção e distribuição de hidroenergia para a Nigéria, que tem problemas nessa área. Na capital, são comuns os cortes no fornecimento de energia.
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A presidente destacou a importância da cooperação entre os países em desenvolvimento, neste momento de crise mundial, que atinge especialmente as economias da Europa e dos Estados Unidos. — Temos um papel a cumprir no século 21. Enquanto a crise econômica atinge os países desenvolvidos e diminui o comércio nessa direção, nós devemos estreitar nossas relações, nosso comércio e acelerar nosso investimentos. Sem dúvida, a Nigéria é parte relevante na história do Brasil e será parte do nosso futuro — disse a presidente, que também esteve na Guiné Equatorial, para a reunião de líderes de países da América do Sul e da África (ASA). A Nigéria, de onde partiu boa parte dos escravos brasileiros, é a terceira maior economia da África, atrás somente do Egito e da África do Sul, e o principal parceiro comercial do Brasil neste continente. As transações entre os dois países, no ano passado, bateram em US$ 9 bilhões, na áreas de petróleo, combustíveis, açúcar e cereais. O Brasil tem déficit comercial, por causa das importações de petróleo. A Petrobras atua no país há 14 anos e, segundo Dilma, deverá ampliar sua presença na Nigéria. O Brasil deverá oferecer ao país africano parcerias para desenvolver a agricultura, por meio da Embrapa, que já desenvolve métodos de cultivo no cerrado que poderão ser usados no país, além da comercialização de máquinas e equipamentos agrícolas e formação de técnicos e agrônomos. Cooperação também na produção de antirretrovirais e remédios genéricos. — Vamos apoiar os esforços do governo nigeriano na saúde pública — disse a presidente. Dilma disse que a viagem à África foi estratégica e demonstrou o interesse geral na presença do Brasil naquele continente. Além da reunião da ASA e da visita de Estado à Nigéria, ela se reuniu com os colegas africanos do Benin, Thomas Yayi Boni; do Senegal, Macky Sall; da Costa do Marfim, Alassani Outtara; de São Tomé e Príncipe; Manuel Pinho da Costa; e do Burundi, Pierre Mkurumziza. — A cooperação Sul-Sul significa que temos de respeitar a outra parte. Não temos de impor nenhuma outra condicionalidade, depois que se faz a parceria. O Brasil é olhado de forma amigável. Não somos vistos como um país que impõe, dono da verdade, de nariz em pé. Queremos parcerias em condições de igualdade — afirmou. A presidente estava particularmente descontraída ao lado do presidente nigeriano e até falou de futebol, provocada pelo colega africano. Dilma disse que foi muito bem recebida pelos nigerianos e que os brasileiros retribuirão a gentileza em junho, ao receber a seleção da Nigéria, campeão africana, para a Copa das Confederações. — O futebol é uma coisa que nos aproxima — afirmou Jonathan, que elogiou a presidente, dizendo que Dilma é alguém em quem se pode confiar. Dilma se admirou com o poder feminino no governo nigeriano, especialmente com uma mulher no Ministério das Finanças. Outras três ocupam as pastas de Petróleo, Educação e Aviação. Após a declaração à imprensa ao lado de Jonathan, a presidente quebrou o protocolo para falar rapidamente com a imprensa, mas evitou responder a perguntas sobre a economia brasileira. — Acalmem-se, meninas — disse a presidente, enquanto pipocavam perguntas sobre inflação e medidas econômicas. E seguiu para o almoço oferecido pelo presidente nigeriano. (webremix.info) |
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Indústria reduz participação nas exportações, perdendo US$ 14 bi
BRASÍLIA — O ano de 2013 será crucial para o posicionamento dos países no xadrez do comércio mundial. Os emergentes devem tomar a liderança nas vendas, enquanto a crise assola as nações desenvolvidas. Nessa arrancada, o Brasil pode estar fadado a continuar um grande vendedor de commodities (produtos básicos com cotação global, como soja, minério de ferro e petróleo), já que a apatia da indústria faz o país perder cada vez mais espaço em destinos prioritários. Desde o início das turbulências, em 2008, até 2011, a falta de agressividade do setor custou US$ 14 bilhões ao país, segundo levantamento feito pelo GLOBO. O montante equivale à fatia do mercado de exportações perdida nesse período nos principais destinos. O dado não leva em conta 2012, porque as estatísticas dos outros países ainda não foram fechadas. Por aqui, o total das vendas externas caiu, bem como as exportações do setor industrial. E o cenário tende a piorar neste momento decisivo já que, apesar de ser a sétima maior economia do mundo, o Brasil está em 112º lugar no ranking de investimentos feito pela Agência de Inteligência Americana (CIA). É o pior colocado dos Brics — sigla para o grupo de emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Já entre os sul-americanos, só está à frente do Paraguai. O Brasil investe 18,9% do Produto Interno Bruto. Com falta de investimentos e, consequentemente, queda de competitividade, o Brasil tem diminuído sua participação no comércio mundial. Nos anos de 1950, chegou a absorver 2,2% dos gastos globais. Hoje, tem cerca de 1% na projeção dos especialistas para 2012. A participação da indústria despenca na pauta de exportações. Antes da crise, os produtos do setor representavam 71% do que o país vendia para fora. Agora está em 61%. O peso da indústria de transformação nos dez principais mercados passou de 54%, em 2008, para 52,5% no ano passado. Perdas para China e Peru Somente para os Estados Unidos, o grande parceiro comercial, o Brasil abriu mão de vendas que chegariam a US$ 3,6 bilhões. Esse seria o faturamento, se o país tivesse mantido a sua participação nesse mercado. Já na Argentina, que compra basicamente produto industrializado, a perda equivale a US$ 1,3 bilhão. Com a indústria paralisada, as exportações do setor caíram 3,6% só no ano passado. A China vem ocupando o espaço brasileiro. Na América Latina, as vendas brasileiras têm perdido terreno para produtos peruanos e colombianos. O Peru investe 25,4% do PIB e a Colômbia, 24,1% do PIB. Além de investir aquém do necessário para impulsionar as exportações, o Brasil vê o empresariado se voltar para o mercado interno. O país já teve 30 mil empresas exportadoras, e esse número caiu para 18 mil. Resultado: o embaraçoso 24º lugar na lista de economias que mais exportam. Enquanto isso, no mundo inteiro, o comércio internacional de bens mostrou mais vigor ao em 2012: cresceu 2,1% nos três primeiros trimestres, segundo dados compilados pelo Banco Central. É um ritmo menor que a média de 6% dos últimos anos, mas é o início de uma retomada após a crise. — Esse era o momento de recuperar o mercado perdido, mas falta agressividade — concluiu o diretor do departamento de comércio exterior da Fiesp, Roberto Gianetti da Fonseca. — Estamos pagando o preço de anos de negligência com a nossa competitividade. Acordo entre EUA e UE ameaça Em alguns mercados, o Brasil aumentou sua participação. É o caso de Canadá, China, Cingapura e Holanda. Juntos, esses avanços somam ganhos de US$ 2,8 bilhões. No balanço geral das exportações, incluindo as commodities, como o país diversificou os destinos, os analistas preveem estabilidade na participação verde-amarela no comércio mundial, em torno de 1%. Para suprir lacunas importantes da competitividade, como impostos excessivos, falta de infraestrutura para o escoamento da produção e burocracia que encarece o produto, a indústria espera um dólar bem mais valorizado em relação ao patamar atual. Uma cotação de R$ 2,30 agradaria 80% do setor. Já R$ 2,40 seria a alegria geral. — O dólar poderia ser o que fosse, se a gente fosse competitivo nas outras áreas e não tivesse todo esse custo Brasil — afirmou o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o risco de ficar para trás num momento como esse tem um agravante: o acordo que é negociado entre Estados Unidos e União Europeia. Esses são os dois maiores mercados dos produtos industrializados do Brasil. Se os gigantes econômicos chegarem a um entendimento nos próximos dois anos, ditarão o futuro de pelo menos um terço do comércio mundial. — É uma ameaça (à indústria brasileira), e se esse acordo vingar vai ficar muito mais difícil exportar — previu a gerente-executiva de negociações internacionais da CNI, Soraya Rosar: — O Mercosul já não é mais solução para o problema da exportação brasileira. (webremix.info) |
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Portugal vai construir 75 mil casas na Argélia
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Suspensão põe em xeque expansão de igrejas evangélicas em Angola
A reação do governo de Angola à morte de 16 pessoas em um culto da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) na capital Luanda, em 31 de dezembro, põe em xeque a expansão de igrejas evangélicas brasileiras em um dos países africanos em que elas têm maior influência.Após uma comissão de inquérito concluir, no domingo, que a superlotação no estádio da Cidadela, onde as pessoas morreram pisoteadas ou asfixiadas, foi causada por "publicidade enganosa", o Executivo angolano ordenou que a IURD suspenda suas atividades por 60 dias.Segundo a comissão, 152 mil pessoas se dirigiram para um estádio com capacidade para 30 mil atraídas pelo slogan "O Dia do Fim: venha dar um fim a todos os problemas que estão na sua vida: doença, miséria, desemprego, feitiçaria, inveja, problemas na família, separação, dívidas etc".O governo incumbiu a Procuradoria Geral da República de investigar o incidente, que deixou outras 120 pessoas feridas. Em resposta, a igreja informou que tomará as medidas cabíveis para restabelecer suas operações e lamentou a "detenção de pastores da IURD em diversas localidades de Angola, bem como a presença de viaturas policiais em nossos templos".A suspensão se estendeu a outras seis igrejas evangélicas - ao menos três das quais brasileiras, como a Igreja Mundial do Poder de Deus, do pastor Valdemiro Santiago - por, segundo o governo, recorrerem "às mesmas práticas que as da IURD" e operarem sem licença no país.Embora a suspensão seja temporária e não se saiba quais serão os resultados da investigação, a decisão tem sido interpretada como uma possível mudança na relação do governo angolano com a Universal e outras igrejas neopentecostais.Segundo observadores, a nova postura, além de responder à cobrança popular pela responsabilização dos culpados, reflete a percepção de que essas igrejas cresceram de forma descontrolada nos últimos anos. A posição sinalizaria também a intenção do governo de se aproximar da Igreja Católica, uma das maiores críticas da gestão do presidente José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979.HistóriaEx-colônia portuguesa e uma das maiores economias africanas, Angola entrou na órbita da Universal em 1992. Desde então, outras denominações neopentecostais brasileiras cruzaram o Atlântico para se instalar no país e em outras nações africanas. A Universal, a maior delas em número de fiéis, hoje está presente em 35 dos 48 países da África Subsaariana.Em Angola, um dos seus maiores palcos no continente, ao lado da África do Sul, ela diz contar com 500 mil seguidores, o equivalente a 2,7% da população. Desde a suspensão, moradores de Luanda relataram à BBC Brasil que alguns fiéis têm se dirigido ao principal templo da igreja na cidade, no bairro do Alvalade. Ao encontrar as portas fechadas, eles se ajoelham e oram do lado de fora do imponente edifício neoclássico, acompanhados por auxiliares da igreja.A influência da Universal em Angola, porém, vai muito além de seu número de seguidores: a Record, canal controlado pela igreja, é uma das sete emissoras veiculadas pela TV angolana. Como no Brasil, parte da programação da emissora é ocupada por cultos da IURD.A igreja também distribui em Angola seu diário Folha Universal e tem uma rádio no país.A IURD conta ainda com uma agência de caridade, a Associação Beneficente Cristã Angola, e está representada na política local. O governador da província de Luanda, Bento Francisco Bento, é tido como um dos principais porta-vozes da igreja no MPLA, o partido governista.Seus 230 templos estão presentes em todas as províncias e, em 2012, a igreja abriu em Luanda sua primeira unidade voltada às dezenas de milhares de operários chineses que vivem no país. Em setembro, a igreja celebrou seu primeiro matrimônio de um casal chinês em Angola.Santa MariaMuitos dos que apostavam que as relações da Universal com o governo angolano eram inabaláveis se surpreenderam com a suspensão da igreja e das outras denominações.Blogueiros e sites independentes angolanos sugeriram possíveis razões para a decisão: a pressão nas redes sociais pela responsabilização dos culpados, turbinada pela grande repercussão em Angola da tragédia de Santa Maria; a insatisfação com o crescente poder de igrejas estrangeiras; o desempenho ruim do partido governista na eleição de 2012 em algumas áreas onde essas denominações têm grande número de fiéis; e o desconforto com a remessa de valores arrecadados por algumas igrejas para seus países-sede.Acredita-se, ainda, que o governo aproveitou o episódio para exercer maior controle sobre a criação de novas igrejas no país. Em 2011, a ministra angolana da Cultura disse que cerca de 1,2 mil igrejas aguardavam por legalização no país. Já têm licença para operar em torno de 80 igrejas, entre as quais a Universal.Uma das últimas denominações a expandir sua atuação para Angola foi a Missão Evangélica Shammah, que tem o jogador de futebol brasileiro Rivaldo como patrono. Em 2012, enquanto atuava por um time angolano - o Kabuscorp - ele financiou a construção de um templo da igreja, inaugurado em outubro.Outros analistas, porém, se dizem céticos quanto à reação do Executivo à tragédia. Em entrevista à rede alemã Deutsche Welle, o jurista David Mendes classificou a suspensão da IURD como uma "ação de charme" do governo, que não terá efeitos maiores.Sotaque brasileiroAinda que a Universal esteja em Angola há 20 anos, muitos angolanos continuam a associá-la ao Brasil. Isso se deve, em parte, ao sotaque brasileiro empregado por seus pastores (inclusive angolanos), motivo de piadas entre humoristas locais.Em outros círculos, como em universidades e na imprensa privada, a igreja enfrenta maior resistência. Como no Brasil, entre antropólogos e estudiosos de religiões, é comum a crítica de que a Universal e outras igrejas neopentecostais estigmatizam crenças africanas.Essas crenças mantêm grande influência em Angola, embora o cristianismo seja considerada como a principal fé do país. Segundo estudiosos, muitas igrejas neopentecostais contribuem para que essas crenças sejam tão discriminadas que ser chamado de "feiticeiro" ou "macumbeiro" é considerado muito ofensivo para boa parte dos angolanos.Já a igreja diz que busca desmistificar apenas crenças nocivas, como as que estigmatizam albinos, e exalta suas atividades beneficentes no país, como campanhas de combate à Aids.Outra crítica comum à Universal diz respeito a seus métodos para arrecadar recursos, por meio de dízimos.Alguns acadêmicos, porém, condenaram a decisão do governo de suspender a igreja. Em entrevista à Rádio França Internacional, o cientista social Nelson Pestana disse que a atitude do governo violou a liberdade de religião e de culto resguardada pela Constituição do país.A IURD não respondeu a um pedido da BBC Brasil para comentar queixas sobre sua atuação no país. Em nota sobre a suspensão, a igreja diz que tem colaborado com autoridades locais para esclarecer as causas da tragédia e que "prestou o apoio possível aos feridos e aos familiares das vítimas".A igreja afirma ainda que não foi comunicada oficialmente pelo governo angolano sobre a suspensão e que respeita as leis nos mais de 180 países onde atua. As outras igrejas suspensas não comentaram a decisão.O Itamaraty disse à BBC Brasil que não foi procurado pelas igrejas e que não tem notícias sobre brasileiros afetados pela medida. Porém, se o clima entre as denominações e o Executivo angolano piorar ainda mais - o que muitos consideram improvável - espera-se que o ministério seja acionado para esfriar os ânimos e evitar que o conflito contamine outros campos da relação Brasil-Angola, considerada estratégica por Brasília.* O repórter João Fellet morou em Angola entre 2008 e 2009, quando trabalhou na implantação do Jornal de Economia & Finanças, e é autor do livro Candongueiro, em que descreve sua experiência no país e em outras nove nações africanas. ... (webremix.info) |
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Brasil passa despercebido em Davos
DAVOS - No momento em que surgem dúvidas sobre a capacidade de o país retomar um ritmo acelerado de crescimento, o Brasil passou praticamente despercebido em Davos este ano. Com uma delegação de pouca projeção internacional, coube ao presidente do Banco Central, Alexandre Tombini — a autoridade econômica de maior visibilidade — fazer sozinho a defesa do país. Tombini assegurou que o país poderá surpreender com um crescimento acima de 3% este ano.
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Os pessimistas históricos de Davos montaram guarda. O maior deles, o economista americano Nouriel Roubini, quase não mencionou o Brasil. Quando falou de emergente, o assunto era a China. Na única vez que mencionou o Brasil, numa mensagem de twitter e no blog, foi para dizer que o excesso de intervencionismo nos Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, China e África do Sul) é que prejudica o crescimento. Mas em Davos, o time dos otimistas em relação ao Brasil também tem peso. Joseph Stiglitz, prêmio Nobel, disse ao Globo que o Brasil foi um dos países mais bem-sucedidos do mundo na redução da desigualdade — que é elemento crítico para o crescimento. Para ele, não há dúvida de que o Brasil tem a faca e o queijo nas mãos para assegurar um crescimento acelerado: os fundamentos da economia estão fortes, disse. Angel Gurría, secretário-geral da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), já apagou da memória o crescimento de 1% do Brasil em 2012. — O ano passado já passou. Acabou, ok? Em 2013, nosso cálculo é de um crescimento em torno de 4%. É um progresso. E vai acontecer num contexto no qual o crescimento da Europa continuará anêmico e dos Estados Unidos, medíocre — disse. Para Gurría, o esforço que o Brasil terá que fazer este ano para crescer será maior, já que não há um contexto favorável no plano internacional. Mas o crescimento chinês e a recuperação da Índia, segundo ele, vão ajudar também o Brasil. Em Davos, este ano, a ausência do Brasil foi ocupada por países da região que mais estão crescendo na América Latina, como México, Peru, Chile, Colômbia e até Panamá. O primeiro-ministro do Peru, Juan Jiménez Mayor, celebrava em Davos o fato de seu país estar “na moda”, com taxas de crescimento de mais de 6% desde 2005 (com exceção de 2009, auge da crise financeira mundial). O país também deverá fechar 2013 com mais de 6%. Mas ele também reconheceu a diferença com o Brasil: — Bom… O Brasil é um país muito grande, tem uma indústria forte demais e é um sonho em tudo o que tem, como a indústria aeronáutica. O Brasil está conectado em outro nível: a competição do Brasil está no nível industrial. Ainda não temos esta capacidade — afirmou. O primeiro-ministro disse que seu país quer lutar por um tratado de livre comércio com o Brasil. E que não entende porque isso ainda não aconteceu. Para ele, as crises da Europa e dos Estados Unidos abriram oportunidades para a América Latina. Mas o continente, segundo ele, quer que europeus e americanos se reergam — o que possibilitaria um crescimento ainda maior dos latinos. Para o presidente do Banco do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Luis Moreno, Brasil e México seguem sendo as duas referências na América Latina. Para ele, convém ao Brasil o baixo crescimento para fazer reformas estruturais. — Mas como todo brasileiro, o Brasil (o crescimento do Brasil) vai passar no último minuto do segundo tempo, na boca do gol — brinca. Moreno argumenta que não dá para comparar um país como o Brasil com economias pequenas que estão crescimento, como Peru, Colômbia e Chile: esses últimos precisam estar com suas economias abertas e exportar muito. Isso explica também a diferença de visões de modelo de desenvolvimento no continente. — Essa diferença de visões tem a ver com o tamanho dos países e também com ambições políticas diferentes. O Brasil fez muitíssimo para a inclusão social e podemos ver hoje como milhões de brasileiros saíram da pobreza e ingressaram na classe média. Por conta da situação de crise internacional, ele prevê que a América Latina vai deixar de ganhar 1% de crescimento nos próximos 5 anos. O continente, insistiu, tem de seguir fazendo as reformas estruturais, sobretudo para resolver problemas de produtividade, reduzindo o mercado informal, onde trabalham 40% da população ativa do continente. (webremix.info) |
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A cronologia da revolução egípcia
RIO - O ano de 2011 foi marcado pelo nascer de inúmeras manifestações pela democracia no norte da África e no Oriente Médio. Depois de passar pela Tunísia e atingir o ditador Ben Ali, a Primavera Árabe chegou ao Egito, e enfrentou a dura repressão das forças de segurança de Hosni Mubarak. O líder acabou renunciando após 18 dias de intensos confrontos nas ruas. Confira a cronologia da revolução egípcia: Veja também 25 de janeiro As primeiras manifestações contra o regime de Hosni Mubarak no Egito deixaram três mortos e milhares de presos. O governo bloqueia o Twitter. 28 de janeiro Cerca de 70 pessoas morreram nesta sexta-feira nas manifestações em Cairo. O governo decreta toque de recolher e corta a conexão da internet. 29 de janeiro Mubarak renova seu governo mas os protestos continuam. Começam os saques. Os cidadãos se organizam para vigiar suas casas e proteger o Museu Egípcio. 30 de janeiro Egito proíbe transmissão da Al Jazeera e fecha os escritórios da TV árabe em todo o país. O governo dos Estados Unidos afirma que apoia uma transição ordenada no Egito. Os mortos já superam 100 pessoas. 31 de janeiro Exército garante que não vai reprimir as manifestações. 1 de fevereiro Um milhão de manifestantes pede a demissão de Mubarak na praça Tahrir. O presidente anuncia que não vai se candidatar às eleições de setembro, mas que também não vai se demitir: “Vou morrer na terra do Egito”. 3 de fevereiro Cinco pessoas morrem em enfrentamentos entre opositores e defensores do regime. Jornalistas e ativistas internacionais sofrem agressões e detenções. Os chefes de Estado Merkel, Zapatero, Cameron, Sarkozy e Berlusconi pedem uma transição imediata. 4 de fevereiro A oposição anuncia o Dia da Despedida de Mubarak. O vice-presidente Omar Suleimán promete diálogo político e reformas constitucionais. 5 de fevereiro Mubarak se reúne com responsáveis econômicos do país para reaquecer a economia. A cúpula governante Partido Nacional Democrático pede demissão. 6 de fevereiro Governo e oposição negociam em reformar a Constituição. Abrem bancos e serviços públicos. 7 de fevereiro Mubarak se reúne pela primeira vez com seu novo Governo. Reduz as horas do toque de recolher: começa às 20h e vai até as 6h. 8 de fevereiro Milhares de pessoas voltam às ruas para manifestar no Cairo e na Alexandria. O ativista e executivo da Google Wael Ghonim, liberado após 12 dias de sequestro, se torna o novo símbolo dos protestos. Suleimán ameaça um golpe de estado. 10 de fevereiro Egito se prepara para a Sexta-feira dos Mártires, uma homenagem aos aproximadamente 300 mortos na revolta. A demissão parece iminente, mas Mubarak cede alguns poderes a Suleimán e reafirma: “Não vou, serei enterrado aqui”. 11 de fevereiro Suleimán anuncia que Hosni Mubarak vai demitir e cede seus poderes ao Exército. Milhares de pessoas vão à praça da Libertação celebrar o fim do regime após 18 dias de protestos. 12 de fevereiro Os militares dissolvem o governo do presidente e o parlamento. As forças armadas prometem levantar o estado de exceção vigente desde 1981. (webremix.info) |
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Martinelli: ‘O Brasil está olhando para dentro, em vez de para fora’
DAVOS – Ele é magnata de rede de supermercados. Comprou muitos produtos brasileiros e, como muitos empresários envolvidos em negócios com o Brasil, conta que teve experiência traumática nos aeroportos do país. Mas é hoje com a autoridade de líder da economia que mais cresce na América Latina (12%) que o presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, um descendente de italiano de 62 anos que fez fortuna no setor da grande distribuição, diz ao GLOBO: o Brasil se vende mal. “Vocês fracassariam vendendo Cola-cola no deserto”, provoca. O grande erro brasileiro que explica o baixo crescimento, segundo ele: o país está se voltando para dentro quando deveria estar olhando para fora. Num debate nesta quarta-feira sobre América Latina, ele disse que não contrataria nenhum dos líderes do continente “nem para comandar uma usina de refrigerantes”. O Panama é o país que mais cresce na América Latina. Qual o segredo de 12% ao ano? MARTINELLI – O Panama é um país muito aberto. Aproveitamos ao máximo nossa posição geográfica. É por isso que temos o maior aeroporto na América Latina, com voos para oito cidades no Brasil. Em bases competitivas, é o sexto melhor conectado do mundo. Estamos em 4º lugar no mundo no setor de portos. Isso permite convergência de pessoas e nos permite atrair muitas multinacionais. Os impostos são baixos, legalizamos todos os imigrantes ilegais, reduzimos todas as tarifas de comércio e simplificamos a burocracia. Quanto tempo demora para abrir uma empresa no Panamá? Vinte e quatro horas. Pode abrir por internet. Temos ainda um país com pleno emprego, baixa inflação e baixos índices de criminalidade. O governo está investindo pesado em infra-estrutura: aeroportos, metrô, estradas, linhas de ônibus. Além disso, temos o título de grau de investimento (dados pelas agências de avaliação de risco para os países com baixo risco de inadimplência) e baixo déficit do orçamento. Os brasileiros, quando chegam no aeroporto do Panamá, compram tudo! Comparado com o Brasil, tudo é tão mais barato. Mas a fórmula para um país de 3,5 milhões de pessoas como o seu serve para um país de 190 milhões de pessoas que é a sexta maior economia do mundo como o Brasil? Claro! Os problemas que os governos têm são os mesmos. Se você tem uma economia aberta, sem impostos, obstáculos, sem muita burocracia e sem xenofobia em relação a investimentos estrangeiro, e ao mesmo tempo um governo pro-ativo, que não está fiscalizando o que as pessoas fazem, sem intervenção. O melhor governo é o que lidera. É um conselho para a presidente Dilma Rousseff? Meu conselho é: mais homens de negócio na política. Para tentar mudar a política de dentro, como eu. Dilma não é empresária. Está no lugar errado? Não disse isso... não me cause problemas (risos). O que quero dizer é que empresários se queixam muito. São eles que pagam impostos e vêem para encontros como este (Davos) para promover um país. Ao mesmo tempo não querem se envolver com o governo. Meu conselho é que se envolvam, assumindo o comando ou aceitem convite para participar do governo. Precisamos das melhores pessoas para comandar um governo. E quem vai comandar as empresas, se os melhores empresários pularem para a política? Eu tenho meus filhos, que são muito qualificados. Mas pode-se sempre pagar um bom executivo-chefe. O senhor é parte do conselho de administração de várias empresas no Panamá. Não é um choque de interesses? Eu abri mão de todas estas posições. E coloquei minhas ações num "trust", para não tenha mais nada a ver com elas. Não vendo um centavo para o governo e tento me envolver em negócios que têm a ver com o governo. Por que o Brasil está crescendo tão pouco? As empresas brasileiros não estou olhando para fora. Só estão olhando para dentro. Eu comprava muitos produtos do Brasil para a minha rede de supermercados: muita comida, brinquedos, ferragens. E ia muito ao Brasil para feiras de comércio. As empresas brasileiras estão muito mais interessadas em vender para o mercado local do que no estrangeiro. Continuamos comprando produtos brasileiros. Mas um país nunca vai se desenvolver, se você não olhar para fora. Mesmo tendo um mercado de 200 milhões de pessoas, como o Brasil? Vocês têm um mercado de 200 milhões de pessoas. Fora são 7 bilhões. Diga-me o que prefere: 200 bilhões ou 7 bilhões ? O Brasil é um poço de energia, mas suas empresas não estão fora. Quantos hotéis brasileiros você conhece no exterior? Onde está o Itaú no exterior? E o Bradesco? O Brasil precisa ir para fora. Tem todas as vantagens para isso. Por exemplo: as ex-colônias da África que falam português, ou América do Sul. Vocês têm um mundo para conquistar. Mas o problema é que brasileiros não querem olhar para fora de suas fronteiras. É por isso que quando veem ao Panamá, compram tudo. No aeroporto do Panamá, se você não falar "portunhol" (mistura de português com espanhol) ou português, você está morto ! Que tipo de produtos os brasileiros compram? Tudo! Todo tipo. Porque tudo é tão caro no Brasil. Abram! Vocês estão olhando para dentro, em vez de olhar para fora. O senhor acha que o Brasil vai retormar altas taxas de crescimento? Se vocês não olharem para fora, não vão crescer o quanto deveriam. Enquanto persistirem em olhar só para o mercado externo, vão crescer menos, menos e menos. Porque há um limite para o número de produtos que você pode vender localmente. Por exemplo: o avião do governo do Panamá (presidencial) é um Embraer. A Copa Airlines (empresa panamenha) tem uns 12. É um ótimo avião, mas não muita gente está comprando. Os brasileiros não se vendem! Vocês são ótimos promotores do carnaval no Rio de Janeiro. Mas não são bons promotores dos produtos brasileiros no exterior. Eu vim a Davos num avião da Embraer. Excelente avião. Eu adoro. E sabe por que? Porque eu conheço e uso. Mas ninguém aqui conhece. Ninguém viu. Ninguém usou. Mas no aeroporto aqui, olha para o lado e não vê Embraer. Por que? Porque vocês não se vendem! Vocês são tão bons. Mas são os piores vendedores. Brasileiros fracassariam vendendo Coca-cola no deserto! Planejam comprar mais aviões da Embraer? Claro! Têm bom preço e são ótimos aviões. Vocês investiram muito em infraestrutura. O Brasil terá dois grandes eventos – Copa do Mundo e Olimpíadas. Há tempo para construir infraestrutura? Acho que estão fazendo, mas entendo que tem um problema num dos estados com população indígena. Mas o Brasil tem a capacidade, os recursos e uma grande equipe, no futebol e em outras áreas. O que está faltando é uma boa infraestrutura nos aeroportos. Como vocês planejam trazer tanta gente? Passar por Guarulhos, em São Paulo, é uma experiência horrível! Eu conheço o seu país de uma ponta à outra. Brasil precisa se abrir e construir aeroportos. Vocês têm o maior potencial: muitos minerais, um governo sólido, recursos externos. Mas enquanto continuarem olhando para dentro... O senhor disse que não contrataria nenhum líder latinoamericano de hoje para comandar um país. Por que? O que quis dizer é que mais empresários precisam entrar no governo. Para trazer mais o sabor de negócios na política. O sucessor de Dilma Rousseff deveria ser empresário? Isso depende do eleitorado brasileiro. A revista britânica The Economist disse o que fere o investimento no Panamá é a corrupção. Como lidar como isso? Isso foi exagerado. Eu sempre digo a quem acha que tem corrupção: apresentem uma queixa formal. Quando você tem um país crescendo ao ritmo de 12%, com muita contratação de trabalhos públicos, há sempre erros. Mas chamar isso de corrupção ou de elevar demasiadamente os preços, é outra coisa. (webremix.info) |
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'Incerteza' faz FMI reduzir previsão de crescimento do Brasil
Alinhando um pouco mais a sua projeção com a do resto do mercado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projetou um crescimento de 3,5% para a economia brasileira neste ano, acelerando para 4% no ano que vem.Para este ano, a previsão sofreu uma redução de 0,4 ponto percentual em relação ao ritmo previsto em outubro, a maior queda entre os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).As estatísticas constam de uma atualização do relatório Panorama Econômico Mundial (World Economic Outlook), divulgado nesta quarta-feira.Segundo o FMI, as economias emergentes estão "a caminho" de crescer 5,5% neste ano, refletindo a melhora no ambiente econômico mundial. Entretanto, a expansão será menos robusta que a verificada em 2010 e 2011.Grande parte do crescimento recente dos emergentes se explica graças a políticas de estímulo, observa o órgão. Essas políticas respondem a uma demanda fraca nas economias avançadas e às dificuldades criadas com a obtenção de receitas menores com a exportação de commodities.Em outubro, durante sua reunião de outono, no Japão, o Fundo já alertava o governo brasileiro de que as medidas para destravar a economia - à época, o pacote de concessão de rodovias e ferrovias -, assim como outras medidas de estímulo, não eram suficientes para compensar a falta de uma taxa de investimento interno mais alta.Na sua mais nova avaliação, o FMI volta a citar os "gargalos de oferta e as incertezas políticas" que reduzem as perspectivas de crescimento em países como o Brasil e a Índia."O desafio em geral é reconstruir o espaço para as políticas macroeconômicas", recomendou o Fundo. "O ritmo mais apropriado de reconstrução deve equilibrar os riscos externos e os crescentes riscos domésticos."Retomada gradualPara a economia global como todo, o Fundo prevê uma retomada "gradual" do crescimento nos próximos dois anos. Mais gradual inclusive do que se previa três meses atrás."O otimismo está no ar, e há razão para justificar um certo otimismo, com cautela", disse a jornalistas em Washington o diretor de Pesquisas do FMI, Olivier Blanchard.Blanchard disse que a economia mundial está em uma situação melhor neste início de 2013, comparado com o mesmo período do ano passado.Os Estados Unidos negociaram o adiamento de uma aguda consolidação fiscal - o chamado "abismo fiscal" - e as negociações para uma união bancária europeia "convenceram os investidores de que a Europa está comprometida com o euro"."Mas não devemos nos iludir", disse Blanchard. "Ainda há desafios e a recuperação será lenta, muito lenta.""Para falar de maneira poética, evitamos os abismos, mas ainda temos montanhas para vencer."O FMI prevê que o crescimento global será de 3,5% em 2013, ligeiramente acima dos 3,2% do ano passado.Mais riscosSegundo o relatório, em 2012 o crescimento global foi ajudado por uma expansão acima do esperado nos Estados Unidos no último trimestre. Mas o efeito foi limitado.Depois de crescer 2,3% no ano passado , prevê o FMI, os EUA devem se expandir 2% neste ano e 3% no próximo.O maior risco para a economia americana - e potencialmente, mundial - é uma crise fiscal a partir do momento em que o governo americano atinja o teto da sua dívida, o que poderia acontecer em fevereiro ou março.Isso implicaria o default automático em certos pagamentos, minando a confiança nos títulos soberanos americanos e na economia em geral.Entretanto, o Congresso tem poder de adiar esse gatilho e legislar em temas fiscais, e já deu mostras de que coperará com a Casa Branca para evitar instabilidades.Outro risco para a economia global, segundo o FMI, está na zona do euro, onde "o retorno ao crescimento, depois de uma longa contração, está sendo adiado".Por outro lado, o Fundo elogiou o "progresso" nos ajustes das contas nacionais europeias e na formulação de uma política comum para responder à crise da dívida soberana.As últimas previsão do FMI são de que os países que utilizam o euro se retraíram 0,4% no ano passado e continuarão se retraindo neste ano (-0,2%). Para 2014, a previsão é de um crescimento de 1%.Já no Japão, que voltou para a recessão, o Fundo espera que medidas elevem o crescimento no curto prazo."Se os riscos de uma crise não se materializarem e as condições financeiras continuarem a melhorar, o crescimento global pode ser maior do que o projetado", diz o... (webremix.info) |
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Convenção das Nações Unidas deve estabelecer metas de redução de mercúrio até o fim do ano
GENEBRA - É difícil na Amazônia dissociar garimpo do uso de mercúrio. Tradicionalmente, é o metal que separa o ouro da terra e de outras pedras. É ele também o responsável por uma dupla contaminação, de rios e do ar, durante o processo de mineração. O problema se repete em outros setores da economia, não só no Brasil, como em países em desenvolvimento. O primeiro alarme foi dado pelas Nações Unidas há cerca de dez anos. Agora, a situação é gritante. Segundo um novo relatório do órgão, há entre 13 a 15 milhões de pessoas na América do Sul, África e Ásia contaminadas pelo metal. Para costurar uma convenção intergovernamental pela redução do mercúrio, nações integrantes da ONU, entre elas o Brasil, reuniram-se em Genebra na semana passada. Enquanto isso, pesquisadores brasileiros preparam um protocolo para mapear focos de intoxicação no país. De acordo com o levantamento da ONU, que foi apresentado em Genebra, as emissões de mercúrio na mineração artesanal dobraram desde 2005. Elas são responsáveis por 35% de todo o metal emitido para a atmosfera. Em termos regionais, a Ásia é a principal responsável pela poluição, especialmente devido à contribuição da China. O Ministério do Meio Ambiente (MMA) brasileiro enviou uma equipe de técnicos a Genebra, para participar da elaboração do texto da convenção internacional. Segundo o órgão, o documento deverá ser finalizado e aberto para assinaturas em outubro deste ano. Logo que o Brasil se tornar signatário, o caminho natural é que um projeto de lei seja encaminhado ao Congresso Nacional, para que o país se adeque. Desde 2000, a lei 9.976 proíbe o uso de mercúrio para produção de cloro em novas fábricas, e há resoluções do Conselho Nacional do Ambiente (Conama) sobre o metal. O que se propõe agora, no entanto, é uma política nacional que regulamente o uso em todos os setores da economia. Um dos problemas no país é a subnotificação de casos de intoxicação por mercúrio. Para mudar o cenário, uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) está construindo o Protocolo Clínico para Diagnóstico e Vigilância da População Exposta ao Mercúrio, a pedido do Ministério da Saúde. A partir dele, os casos passarão a ser especificados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Exposição alta na Amazônia Atualmente, a falta de padronização dificulta os diagnósticos. Sem dados, faltam provas que responsabilizem setores econômicos pelo aumento das intoxicações. Isso pode mudar com o novo protocolo, segundo a médica da UFRJ e uma das responsáveis pela formulação do documento, Heloísa Pacheco. — São milhares de brasileiros intoxicados por ano por mercúrio, seja pela mineração, em indústrias de lâmpadas ou no setor de saúde. Esses são os principais causadores do problema. E o processo de intoxicação vai piorando com o tempo. Há pacientes que foram expostos na década de 70 e agora manifestam sintomas — disse Heloísa, que tem mestrado e doutorado no estudo do mercúrio. A pesquisadora participa também de um projeto de análise de casos de intoxicação de populações ribeirinhas, na localidade de Humaitá, no Amazonas. Um estudo recente concluiu que moradores da região tem elevado nível de exposição ao metal, seja pelo ar ou pela alimentação baseada em peixes. Após usar o mercúrio para separar partículas de ouro dispersas no solo, garimpeiros aquecem o metal, que evapora. Quando chove, ele contamina também os rios. O fenômeno faz com que a mineração seja uma das principais responsáveis pelos danos à saúde de brasileiros, especialmente na região amazônica. Além de afetar o sistema nervoso, ele causa problemas de coordenação motora, na visão e na fala. Segundo o responsável pela Divisão Química do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), David Piper, que participou das discussões em Genebra na semana passada, o maior risco de contaminação de populações por mercúrio é exatamente por meio de peixes. Eles crescem em rios poluídos por atividades humanas que emitem o metal e, como ele sofre bioacumulação, a concentração aumenta ao longo da cadeia alimentar. — As consequências da exposição ao mercúrio para a saúde são muito graves. Os custos sociais e financeiros que as contaminações podem causar são altíssimos. Estimamos o aumento de danos econômicos por deficiência mental e física , decorrentes do mercúrio. Aumentam também consideravelmente as chances de assistirmos a outros casos como o da Baía de Minamata — respondeu Piper, referindo-se ao derramamento de mercúrio por uma indústria na cidade japonesa em 1930, que teve como consequência intoxicações e mortes registradas a partir de 1956. Poucos avanços O representante da ONU ressaltou ainda que, além da atividade de mineração, o metal é emitido para a atmosfera pela queima de carvão para geração de eletricidade, na indústria de calcário (fabricação de cimento), em produtos usados por dentistas e em hospitais (como termômetros), na indústria de cloro-álcali, e no descarte do metal em aterros sanitários não controlados, entre outros. No setor de mineração, especialmente no que diz respeito ao garimpo ilegal, os avanços foram poucos nos últimos anos. É o que apontam estudos da ONG WWF na região amazônica do Brasil, no Suriname e Guianas, segundo Claudio Maretti, líder da Iniciativa Amazônia Viva da Rede WWF. — Pelo menos em áreas de conservação e em áreas indígenas, o garimpo deveria ser combatido. Não adianta reduzir o desmatamento e deixar solos e água da floresta serem envenenados. Sem falar nos impactos sociais da atividade, que estão sendo debatidos a partir das técnicas ambientais predatórias. No setor de saúde, o movimento Saúde Sem Dano (noharm.org), coalização internacional de hospitais e sistemas de saúde do qual algumas instituições brasileiras participam — entre elas o grupo de Toxicologia da UFRJ —, tem como objetivo divulgar alternativas a equipamentos feitos com mercúrio. O objetivo é eliminar o uso do metal no setor até 2020. (webremix.info) |
