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Baixa competitividade faz Brasil perder US$ 7,4 bi em exporta??o para Am?rica do Sul em 3 anos
BRASÍLIA - Os poucos acordos de livre comércio dos quais é signatário e a baixa competitividade da indústria nacional fizeram com que o Brasil deixasse de ser um fornecedor interessante de manufaturados aos vizinhos sul-americanos. Um levantamento realizado pela área de inteligência comercial do governo mostra que, entre 2008 — ano em que estourou a crise financeira internacional — e 2011, a participação das exportações brasileiras no total importado na América do Sul caiu de 11% para 9,7% . O espaço perdido do Brasil nesse mercado foi de, no mínimo, US$ 7,4 bilhões. No mesmo período, a fatia conjunta dos Estados Unidos, da Índia, da China e da União Europeia na região aumentou de 46,4% para 50,4%. Para manter a participação de 11% no mercado, o Brasil precisaria ter exportado para os vizinhos, em 2011, US$ 63,6 bilhões, mas as exportações somaram US$ 55,9 bilhões, crescimento de 12% em relação a 2008, quando somaram US$ 49,9 bilhões. No mesmo período de comparação — entre 2008 e 2011 —, a taxa de crescimento do total comercializado na América do Sul foi de 26,8%, ou US$ 577,1 bilhões. Já as vendas dos EUA, da China, da Índia e da UE totalizaram para o continente somaram US$ 291,4 bilhões, montante 38,1% maior do que há quatro anos. As projeções indicam tendência de queda da participação brasileira, uma vez que, nos quatro primeiros meses de 2012, a fatia do Brasil havia caído ainda mais, para 8,4% do total comprado pelos vizinhos sul-americanos. Para o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, com o surgimento da Aliança do Pacífico, acordo de livre comércio entre México, Colômbia, Chile e Peru, que começou a vigorar no mês passado, a perda de mercado pelo Brasil vai se acelerar. Em população, os integrantes da Aliança somam mais de 210 milhões de habitantes, 36% da população total da América Latina e do Caribe. O Produto Interno Bruto (PIB) representa 35% do total da América Latina, com taxa de crescimento ascendente, média de 5% em 2012, acima do crescimento mundial, de 2,2%. — Enquanto esses países abrem seus mercados e dão preferências uns aos outros, o Mercosul adota uma política voltada para dentro. É como se o Mercosul fosse um bloco autista, que não sabe o que se passa no mundo. Nós ficamos aqui, ideologicamente, pensando em quem vamos trazer — disse Castro. Ele também citou duas negociações importantes em curso: o tratado de livre comércio entre americanos e europeus ocidentais; e a Parceria Transpacífica, grupo que será formado por EUA, Canadá, Japão, Austrália, Brunei, Chile, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Cingapura e Vietnã. Um dos objetivos desta parceria é o enfrentamento conjunto da concorrência chinesa. Na avaliação de Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington, a perda de mercado na América do Sul se deve a três fatores: a perda de competitividade do produto brasileiro, causada pelo aumento do custo de produção; a presença cada vez maior da China na região; e o protecionismo, sobretudo, da Argentina. — Além disso, Chile, Colômbia, México e Peru têm acordos de livre comércio com os EUA, que dão preferência a esses mercados e vice-versa — acrescentou Barbosa. Para se ter uma ideia da perda de espaço pelo Brasil, de 2008 a 2011, a participação dos EUA no total importado pelos sul-americanos subiu de 17,7% para 20,3%. A China passou de 11,6% para 13,4%. No período, enquanto as vendas brasileiras cresceram US$ 6 bilhões, esses mercados, junto com Índia e UE, tiveram um acréscimo de US$ 80 bilhões. Uruguai e Venezuela, sócios do Brasil no Mercosul, dão clara preferência a produtos chineses. As importações de bens brasileiros subiram, respectivamente, 32,2% e 24,4%. Ao mesmo tempo, os uruguaios aumentaram as aquisições da China em 97,7%; e os venezuelanos, em 117,6%. Venezuela e Argentina sem sapatos do Brasil Os argentinos expandiram em 54,8% as importações de produtos americanos. O Peru reduziu em 1% as aquisições do Brasil, mas aumentou em 55% as operações oriundas dos EUA e em 22% da China. — O cenário de perda de mercado nos afeta diretamente. Já não exportamos mais um único par de sapatos para Venezuela e Argentina — disse o diretor comercial da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), Astor Ranpft. O economista Marcos Lélis, coordenador da unidade de inteligência comercial e competitiva da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), explicou que a perda de mercado do Brasil na América do Sul ficou mais evidente após a crise que também afetou em cheio o comércio internacional em 2009. O processo simultâneo de desaquecimento da demanda externa e aquecimento da interna teve influência direta nesse quadro, observou. — Agora que a demanda interna está desaquecida, temos dificuldades para retomar estes mercados — analisa. Por outro lado, o presidente da AEB acredita que, com o compromisso assumido pelo brasileiro Roberto Azevêdo, eleito diretor geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), de ressuscitar a moribunda Rodada de Doha, paralisada há quase uma década, existe expectativa de volta do multilateralismo. Isso significa que um amplo acordo na OMC ganharia mais importância do que negociações de tratados bilaterais e extrarregionais. O próprio Azevêdo admitiu isso, na última sexta-feira: lembrou que qualquer decisão tomada na OMC é aplicada automaticamente aos 159 países associados. — Quando houver a sensação de que a OMC voltou a ser um fórum viável, não tenho a menor dúvida de que os membros vão voltar as atenções ao sistema multilateral de comércio — disse. (webremix.info) |
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BlackBerry abre seu sistema de mensagens a outros aparelhos e lan?a mais um celular
ORLANDO - A BlackBerry anunciou planos nesta terça-feira de oferecer seu popular sistema de mensagens instantâneas em aparelhos produzidos por rivais e apresentou um novo modelo intermediário de smartphone para crescer em países nos quais sua marca permanece forte. Buscando mercados nos quais ainda é popular fora da América do Norte, a BlackBerry disse que o novo smartphone Q5 estará disponível no começo de julho em mercados selecionados na Europa, América Latina, Ásia, Oriente Médio e África. O Q5 terá teclado físico no padrão QWERTY, recurso que ainda diferencia os dispositivos BlackBerry da maioria dos concorrentes. A companhia não divulgou faixa de preço do aparelho que virá em várias cores, mas ele é claramente direcionado a um público mais jovem e mais sensível a preços. "A BlackBerry está claramente tentando replicar o sucesso de seu BlackBerry Curve em mercados emergentes", disse Adam Leach, analista da Ovum, referindo-se ao modelo que foi popular na Índia e em outros países em desenvolvimento. A BlackBerry, antes conhecida como Research in Motion, praticamente inventou o conceito do email móvel que pode ser acessado por aparelhos com pequenos teclados operados com os polegares, mas nos últimos perdeu terreno para o iPhone da Apple e para a linha de aparelhos Galaxy da Samsung. A perda de participação obrigou a empresa a promover grandes cortes de custos e a promover uma profunda reformulação de seus produtos e prioridades. "Sabemos que não tem sido fácil e que ainda há muito trabalho a ser feito, mas, cara, atingimos terra firme nesta empresa", afirmou o presidente-executivo da BlackBerry, Thorsten Heins, durante conferência da companhia em Orlando, no Estado norte-americano da Flórida. As ações da BlackBerry exibiam queda de cerca de 4% no início da tarde desta terça-feira em meio a avaliações de analistas sobre qual será o preço do Q5. Eles manifestaram dúvidas sobre se a abertura do serviço de mensagens BBM para outros aparelhos será uma ação muito pequena e virá muito tarde para a recuperação da companhia. O antigo codiretor executivo da companhia Jim Basillie já havia proposto a oferta do BBM em iPhones e outros aparelhos rivais em uma ampla mudança na estratégia da empresa, antes de ser vencido no assunto. Ele cortou todos os laços com a BlackBerry no início do ano passado. " (O serviço) é muito bom para o mantermos apenas conosco. Chegou a hora de levar o BBM para uma audiência mais ampla", disse Heins, citando que o serviço transmite 10 bilhões de mensagens por dia. Antes uma maneira única de transmitir mensagens sem a necessidade de envio de SMSs pagos, o BBM agora compete com uma série de produtos de mensagens instantâneas de empresas como Facebook e Apple, entre outras. Heins afirmou que tem confiança que a BlackBerry poderá oferecer o BBM para mais aparelhos sem perder seus próprios clientes. Ele afirmou que a companhia vai lançar o Q10, um aparelho topo de linha com um teclado físico QWERTY nos Estados Unidos no início de junho. O Q10 já está sendo vendido em vários países, incluindo o Canadá. "Estamos vendo pouco da BlackBerry para inspirar confiança em sua recuperação numa indústria hipercompetitiva e que tem rivais formidáveis, incluindo Samsung, Apple, Google, Microsoft e Huawei entre outros, com muito mais recursos", disse Amitabh Passi, analista do UBS, em relatório a clientes. (webremix.info) |
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Resgatar o multilateralismo ? o principal desafio
RIO e GENEBRA, Suíça - À frente da Organização Mundial do Comércio (OMC), o brasileiro Roberto Azevêdo terá uma tarefa hercúlea: resgatar o multilateralismo no comércio num mundo em que os países recorrem cada vez mais a acordos bilaterais para maximizar suas trocas. Só assim Azevêdo poderá evitar que a organização que vai comandar caia na irrelevância. Com os sucessivos fracassos das negociações da Rodada Doha, que começou em 2001 e não foi concluída, e o estouro da crise internacional em 2008, muitos países adotaram atitudes protecionistas ou optaram por firmar acordos de preferência de comércio ou buscaram respaldo em blocos regionais. Existem hoje no mundo 213 acordos de livre comércio e 24 uniões aduaneiras, que funcionam como “cupim no porão” da OMC, afirma o diretor da Agroconsult, Marcos Jank. Ao reduzir tarifas para um ou mais países específicos, criam-se preferências, o que, para o multilateralismo, “é muito ruim”, defende Jank. A eleição de Azevêdo, o primeiro latino-americano a comandar o órgão, pode representar, no entanto, um sinal de mudanças na instituição, que tenta recuperar sua credibilidade. — É preciso reformar o processo de governança, o órgão de soluções de controvérsias, discutir como funcionam os acordos bilaterais, mas ele não fará isso sozinho — diz Jank. Veja também
O primeiro teste de Azevêdo acontecerá pouco tempo depois de assumir o cargo: no dia 3 de dezembro, ministros de comércio dos 159 países-membros da OMC se encontram em Bali para tentar desemperrar a Rodada de Doha. Com mais um fracasso, o golpe será duro. Para Ricardo Melendez Ortiz, ex-embaixador colombiano que dirige o International Center for Trade and Sustainable Development ou Ictsd, um centro que acompanha de perto a OMC, destaca que o desafio de Azevêdo será lidar de “forma construtiva” com uma tendência de regionalização no comércio mundial. — Nos últimos anos, foram lançados entre 450 e 500 acordos preferenciais de comércio. A OMC criou as regras mínimas de comércio, com as quais todos os países concordaram. Já estes acordos preferenciais foram negociados a partir destas regras mínimas. Na América Latina, há uma proliferação de acordos bilaterais e plurilaterais. Só o México negociou mais de 42 — explicou Melendez. Ao tentar resgatar o multilateralismo na OMC, Azevêdo terá que lidar com os interesses conflitantes dos grandes atores do comércio global. Os EUA, por exemplo, têm forte viés protecionista na área agrícola. Recentemente, avançaram em iniciativas de livre comércio com dez países banhados pelo Pacífico e com a União Europeia (UE), e o comércio exterior ganhou prioridade na pauta do governo americano. Mas a política voltada para a agricultura continua sendo um tema sensível, lembra Rodrigo Branco, economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). — A postura dos EUA em relação à OMC é de descrédito. Eles negociam por fora. Um ato simbólico foi que, quando Obama anunciou que o acordo com a UE estava em negociação, sequer citou a OMC — diz o economista. Agenda própria dos Brics Também a UE ainda não dá indícios de que concordará em reduzir os subsídios que oferece ao campo. Com os problemas internos que enfrenta, as negociações multilaterais se tornaram ainda mais difíceis. Seu principal interesse na OMC é liberalizar serviços. Países emergentes, por sua vez, tradicionalmente lutam pela liberalização do setor agrícola e agem com cautela com serviços. Mas, com o aumento da complexidade do comércio mundial, novos temas entraram em pauta e aumentaram as diferenças entre os países. — Cada um dos Brics (bloco de países formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) hoje tem sua agenda própria — exemplifica Bruno Garschagen, especialista do Instituto Millenium. A Índia se mostra bastante protecionista, sobretudo quanto a produtos agrícolas, na contramão do comportamento de seus pares emergentes. Já a China representa uma incógnita, pela falta de transparência em suas políticas domésticas, defende Leane Naidin, professora de Relações Internacionais da PUC-Rio e coordenadora de Comércio e Desenvolvimento no Brics Policy Center. E mostra uma postura de observação dentro do órgão. O Brasil, por sua vez, tem indústria diversificada, diferentemente de países como Rússia e África do Sul. Para o professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Alcides Costa Vaz, o “estancamento” da Rodada de Doha e a tendência de acordos de livre comércio entre blocos fizeram da OMC uma instituição “combalida”. (webremix.info) |
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Brasil e Uruguai na sintonia fina de César Troncoso, novo ?darling? do cinema nacional
Graças a uma separação que o levou a se afastar dos locais frequentados por sua ex-mulher, em Montevidéu, o uruguaio César Troncoso virou ator. Um ator projetado mundialmente quando o filme “O banheiro do Papa” foi exibido pelo Festival de Cannes, em 2007, e que, há um mês e meio, bate ponto na TV brasileira. De segunda a sábado, ele é prestigiado pelo público da novela das seis da Rede Globo, “Flor do Caribe”, no papel de Dom Rafael, mafioso que tem dilemas afetivos — assim como Troncoso tinha quando começou a estudar arte dramática. Em 1988, ao lavrar o divórcio, ele tentou curar as mágoas aproximando-se do único lugar onde não esbarraria com sua ex: uma escola de teatro recém-inaugurada em seu bairro. Tinha 25 anos, metade da idade que tem agora. Hoje, já curado dos males de amor do passado, ele cultiva um casamento com a psicóloga Adriana, mãe de sua única filha, Ana Clara, de 14. As duas esperam por ele no Uruguai. — No meu país, nós temos um ditado que traduz bem o que aconteceu com a minha vida: “No hay mal que por bien no venga”. Quando jovem, eu já me interessava pelas artes cênicas, pois meu pai tinha um bar perto de um teatro. Assistia a peças semanalmente e frequentava a Cinemateca Uruguaia. Dos 15 aos 20 anos, vi um filme por dia. Quando me matriculei no curso de teatro, descobri que, fazendo arte, eu poderia ser querido, sem me banalizar para isso — diz Troncoso, elogiado pela crítica brasileira por sua atuação no drama “Hoje”, de Tata Amaral, em cartaz há uma semana. Ganhador do troféu Candango de melhor filme no Festival de Brasília de 2011, “Hoje” traz Troncoso como o ex-companheiro de luta armada de Vera (Denise Fraga), uma mulher com contas a acertar com suas memórias. O longa-metragem de Tata encabeça uma fornada de lançamentos com Troncoso no elenco. Daqui até 2014, ele será visto em mais quatro títulos: “Faroeste caboclo”, de René Sampaio; “O tempo e o vento”, de Jayme Monjardim; “Muitos homens num só”, de Mini Kerti; e “A oeste do fim do mundo”, de Paulo Nascimento. — César tem um minimalismo que já me fascinava antes. Mas só descobri seu poder de interiorização ao dirigi-lo, no papel um homem preso em sua militância — diz Tata. — Num olhar do César você entende um mundo. Na época em que se separou da primeira mulher, Troncoso não parecia entender o mundo tão bem. Ele tinha abandonado o curso de Medicina e queria ser desenhista. E até hoje desenha, rabiscando figuras nos momentos de ócio. Mas foi levado a uma carreira emergencial no ramo contábil. — Queria desenhar quadrinhos, mas tenho dificuldades para esboçar um mesmo rosto duas vezes. E me falta perseverança. Sou ator porque pessoas me convidam a atuar. Se eu tivesse que correr atrás de convites, a insegurança iria me atrapalhar — admite Troncoso, que, no fim dos anos 1980, passou a trabalhar como auxiliar em um escritório de contabilidade, atuando nas horas livres. — No Uruguai, hoje, eu sou um dos atores que mais fazem cinema, porque não fico esperando o papel ideal chegar. Existem poucos papéis para um homem de 50 anos. Essa consciência me deu a humildade de valorizar todos os convites, em especial os de diretores em início de carreira. O carinho que eu dedico a eles faz com que me convidem de novo quando partem para o segundo longa. “Máscara natural” Como auxiliar de contador, Troncoso sustentou seu lar até o fim da década passada, quando explodiu com “O banheiro do Papa”. Seu diretor foi um xará e conterrâneo do ator, César Charlone, indicado ao Oscar de melhor direção de fotografia por “Cidade de Deus”, em 2004. — Na época em que filmamos, César abria brechas em seu trabalho como contador para ensaiar — lembra Charlone. — Nas filmagens, nós misturamos atores não profissionais com intérpretes mais experientes, como ele. César teve a generosidade de trabalhar de igual para igual com carinhas que nunca tinham feito nada em matéria de interpretação. Com contrato assinado com a Globo até setembro, Troncoso diz que a conquista do troféu Kikito de melhor ator no Festival de Gramado de 2007 garantiu-lhe o assédio do cinema brasileiro, no qual foi empossado em 2009, quando fez “Em teu nome”, de Paulo Nascimento, e “Cabeça a prêmio”, do também ator Marco Ricca. — César vinha ganhando todos os prêmios possíveis por “O banheiro do Papa” na época em que nos encontramos pela primeira vez, no sul da Argentina, num aeroporto, ao fim de um festival — lembra Ricca. — Falei pra ele: “Tenho um papel pra você no meu primeiro filme como diretor. É pequenininho, coisa de uma diária só”. Ele topou. E deu tudo de si. Um daqueles atores raros que não precisam fazer muito esforço para falar um texto com profundidade, César tem uma máscara natural capaz de comunicar tudo o que um enredo de cinema tem a dizer. Apesar do sotaque espanhol indisfarçável, a língua não prejudicou Troncoso em seu diálogo com o público do circuito exibidor. Nem com os telespectadores, como garante o galã de “Flor do Caribe” Henri Castelli, cujo personagem, Cassiano, foi hostilizado por Dom Rafael. — César transpôs a barreira do idioma com o talento. Preocupado em escutar os colegas, ele se impõe pela sinceridade — diz Castelli. Panorama do continente De 2009 para cá, os convites só aumentaram. Ele fez uma coprodução Brasil-Argentina aplaudida na Quinzena dos Realizadores de Cannes no ano passado: “Infância clandestina”, de Benjamín Ávila. O cineasta escalou Troncoso ao lado de atores dos dois países, como a paraibana Mayana Neiva. Segundo ela, o uruguaio vem eternizando na tela um panorama histórico do continente, ao escolher filmes sintonizados com eventos marcantes da América Latina. — César promove um abraço cultural entre países. Ele é um ícone de um movimento de integração latina — diz Mayana. Muitos dos projetos brasileiros que Troncoso aceitou de 2009 para cá só ficaram prontos este ano, como “Faroeste caboclo”, baseado na canção de Renato Russo (1960-1996), que estreia em 30 de maio. Ele faz o traficante Pablo, primo de João de Santo Cristo (Fabrício Boliveira) no filme cujo trailer é febre na internet. — Apesar da sua experiência, César chega no set zerado, tentando descobrir uma verdade na hora, pela observação — diz Boliveira. Para 2014, Troncoso tem pela frente o filme “A superfície da sombra”, de Paulo Nascimento, no papel de um coveiro cantor. — Na primeira leitura de um roteiro, o César já vem com uma proposta de atuação que é melhor do que tudo que um diretor pode prever para ele — elogia Nascimento. Ao mergulhar no Brasil pelas telas, Troncoso achou mais que trabalho: descobriu um espelho das contradições entre dois países. — No Brasil, uma comédia com um astro de TV bate a barreira do milhão em número de ingressos vendidos. No Uruguai, chegará, no máximo, a 50 mil pessoas — diz o ator. — O maior sucesso recente de lá, o filme “En la puta vida” (dirigido por Beatriz Flores Silva e lançado em 2001), somou 140 mil espectadores. Não se pode pensar em indústria assim. O Brasil, pelo tamanho, pode. Um filme nordestino é de um jeito, um filme gaúcho é de outro. E todos têm seu público. (webremix.info) |
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Lançamento de ?Sambabook? e ?Discobiografia? de Martinho da Vila reveem carreira do sambista
RIO - “Quem quiser saber meu nome/ Não precisa perguntar/ Sou Martinho lá da Vila/ Partideiro devagar.” A sintética autodefinição de Martinho reafirma: em sua voz e seus versos, tudo sempre é mais profundo e parece mais simples. Chegando agora às lojas, o “Sambabook” (Musickeria) dedicado ao compositor — o segundo da série, que estreou homenageando João Nogueira — dá oportunidade de comprovar isso. E, mais importante, de vislumbrar o tamanho do artista que cabe num “partideiro devagar”.
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No CD/DVD/Blu-ray do “Sambabook”, está lá o compositor do samba-enredo revolucionário (“Sonho de um sonho”), do partido alto modelo (“Casa de bamba”), da crônica social refinada (“O pequeno burguês”), da experimentação formal (“Odilê, odilá”), da sensibilidade de se olhar o amor sob ótica original (“Ex-amor”). Mais: com intérpretes que vão de Paulinho da Viola a Pitty, de Ney Matogrosso a Casuarina, o projeto aponta para o alcance da obra de Martinho, 75 anos. E no livro “Discobiografia” (Casa da Palavra) — parte do “Sambabook”, que inclui ainda um fichário com 60 partituras e um aplicativo para celulares e tablets —, percebe-se que mais que um “sambista”, “autor sofisticado” ou “partideiro devagar”, há um artista que o tempo todo reflete sobre sua obra e sobre onde quer chegar. — Martinho é o artista da música brasileira que melhor se encaixa na “Discobiografia” (que acompanha a trajetória do artista pela análise de sua discografia) — diz Hugo Sukman, autor do volume sobre o compositor da Vila. — Quase todos os seus discos são conceituais, têm ideias muito firmes por trás deles. Martinho confirma: — Tirando o primeiro (“Martinho da Vila”, de 1969, que gravou para apresentar à gravadora RCA Victor seu trabalho como compositor), nunca trabalhei num disco só juntando músicas. Penso sempre numa ideia central, que às vezes é um tema, outras uma forma. Isso acontece desde o segundo disco (“Meu laiaraiá”, 1970), que vem da vontade de fazer um disco de samba bem produzido, com orquestra, sair do esquema que existia na época. O terceiro, “Memórias de um sargento de milícias” nasceu quando estava dando baixa do Exército (ou seja, escolhendo em definitivo a carreira de artista), trabalhei pensando nisso. E assim é até hoje. O exercício de pinçar aleatoriamente álbuns em sua discografia reforça o que Sukman e Martinho dizem. “Rosa do povo”, de 1976, parte do universo poético de Carlos Drummond de Andrade (sem usar um verso do poeta); “Tendinha”, de 1978, transporta para o disco o espírito do encontro das rodas de samba, antecipando algo que a geração Cacique de Ramos consagraria; “Samba enredo”, de 1980, é um estudo sobre o gênero, salientando seu caráter de arte negra; “Ao Rio de Janeiro”, de 1994, olha para a cidade sob variados prismas; “Brasilatinidade”, de 2005, é sua viagem pela música da América Latina. — Vejo o disco quase como um livro, um espetáculo roteirizado — define Martinho. — Como um enredo de um desfile, enfim. Acho que o que me levou a pensar dessa maneira foi minha proximidade com a escola de samba. Da Vila, Martinho já se declarou pertencente a diversos universos, espalhando-se nos títulos de seus discos: “Martinho da vida”, “Martinho da Vila, da roça e da cidade”. Algo que dá pistas sobre o lugar único que ocupa na música brasileira. Tem todas as características de um “sambista autêntico” (a formação na favela, a escola de samba, o domínio das formas do gênero), mas explora temas inusuais e não se aferra ao ritmo. Por outro lado, sua trajetória não o alinha diretamente aos colegas de geração que definiram os fundamentos da chamada MPB, elaborada, universitária. E, como poucos, dialoga com rádios e gravadoras, afirmando sua arte sem negar os interesses deles. — Sempre procurei entender do meu ofício. Procurei saber o que é um artista, ter noção da importância do que faço. Sempre fui de pensar — afirma o compositor, que tem também um livro infanto-juvenil a ser publicado em breve, “O nascimento do samba”, sobre as origens do gênero. Uma das epígrafes do livro é de Tunico Ferreira, filho de Martinho: “Se você quer ser amigo íntimo do meu pai basta escutar seus discos, desde o primeiro até o último. Todos os problemas, alegrias, momentos marcantes estão nas músicas”. É assim com todos os temas que ocupam o pensamento do homem que sempre foi de pensar: — Ele faz discos sobre partido alto, sobre o samba-enredo... Traduz seus projetos em discos. E, assim, leva a cultura que representa a um patamar que antes ela não ocupava — diz Sukman. — Sem Martinho, sem a popularização do gênero promovida por ele, o samba estaria num outro lugar hoje. Ele existe como música comercial em grande parte porque Martinho existe. Zeca Pagodinho, por exemplo, é filho do Martinho. Tanto que o ressurgimento de Zeca nos anos 1990 foi com Rildo Hora (fundamental na construção da sonoridade dos discos de Martinho). No “Sambabook”, esse som de Martinho é representado já na escalação da banda. Ela estará completa, e terá a presença dos convidados, nos shows de lançamento do projeto — no Imperator (Centro Cultural João Nogueira), nos dias 22 e 23 de maio, e no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, em 31 de maio, 1º e 2 de junho. — São músicos que tocaram com Martinho em diferentes momentos, como Zeca da Cuíca e Claudio Jorge, e um coro que tem filhos de Martinho (Analimar, Juju Ferreira e Martinho Filho) e sua neta Dandara — explica Flavio Pinheiro, diretor de Marketing da Musickeria. — Para os intérpretes convidamos pessoas identificadas com ele, como Paulinho da Viola, Leci Brandão, João Donato e Mart’Nália. Mas também procuramos artistas das novas gerações, seja do samba, como Moyseis Marques, ou de fora dele, como Pitty. Martinho lembra que, quando começou, tudo era mais setorizado: — Pitty cantou maravilhosamente bem meu samba (“Roda ciranda”). E Chorão era meu grande fã. Me falou uma vez que se inspirou muito em mim, veja só. Apesar da surpresa de Martinho, não é difícil entender o fascínio que exerce o artista que estabeleceu de forma pioneira pontes entre a periferia e a indústria, entre o campo e a cidade, entre o Brasil e a África — sempre com os pés fincados em ambos os lados. Pontes construídas ao longo de uma vida que parece ficção. — Ele foi retirante, vindo do interior do Rio (Duas Barras), e favelado (da Serra dos Pretos Forros, na Boca do Mato). Conseguiu se educar, sustentar a família, ficar rico, ter prestígio perene, tudo isso vindo do estrato mais baixo da sociedade. Ele compra a fazenda onde seu pai trabalhava e faz um samba-enredo lindo (o da Vila Isabel, campeã deste ano) que fala do homem do campo, e no qual o filho é um dos parceiros. Trajetória perfeita para um biógrafo — elogia Sukman. (webremix.info) |
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Em Doha, museus e grandes novidades
DOHA - No ano passado, a família real do Catar ganhou as manchetes dos jornais ao arrematar em um leilão, por US$ 250 milhões, o quadro “Os jogadores de cartas”, de Paul Cézanne, até hoje a pintura mais cara da História. Na semana passada, novamente o apetite dos árabes por obras de arte famosas foi notícia, com a compra de “O menino com a pomba”, uma das obras da fase azul de Pablo Picasso. As duas peças são as estrelas de um rico acervo em formação, para ser exibido em instituições como o Mathaf, Museu Árabe de Arte Moderna, que nasce com o propósito de consolidar o país da Península Arábica, que conquistou o direito de sediar a Copa do Mundo de 2022, como uma referência mundial em cultura e entretenimento.
Veja também Doha é hoje um destino que desponta no mapa do turismo com uma coleção de edifícios ultramodernos que compõe um dos conjuntos arquitetônicos mais impressionantes do planeta, nos quais muitas vezes funcionam hotéis de alto luxo, com um time de restaurantes de primeira linha e cardápios assinados por chefs como Alain Ducasse, Gordon Ramsay e Jean-Georges — o próximo da lista é o japonês Nobu Matsuhisa. Comida árabe, um movimentado mercado e passeios no deserto representam a cultura local. Esses dois universos em sintonia fazem de Doha mais que uma parada a caminho da Ásia. Torres iluminadas, grifes e... gôndolas O avião se aproxima da pista de pouso, e a escuridão do mar (ou seria do deserto?) dá lugar a umas poucas luzes. De repente, surgem prédios futuristas impressionantes, torres altas iluminadas com luzes coloridas em formatos improváveis. Em poucos anos, Doha se verticalizou em sua área central, formando um fascinante conjunto arquitetônico de prédios modernos, e o ritmo de construções acelerado mostra que o cenário vai continuar mudando. Tapumes e guindastes escondendo obras são parte constante da paisagem. Mesmo com o movimentado Souq Waqif, o lindíssimo Museu de Arte Islâmica e a impecável cozinha árabe, a face mais atraente da capital do Catar, hoje com pouco mais de um milhão de habitantes, é a da modernidade. Existe um quê de Las Vegas em Doha, e este lado é bem representado pelo shopping Villagio Mall, um imenso complexo de lojas cortado por canais repletos de gôndolas como em Veneza, imagem que acabou se tornando um cartão-postal do país. O passeio de barquinho veneziano no Catar pode parecer exótico como de fato é ( muito mais barato do que o original, e custa o equivalente a R$ 5 por pessoa), bem como deslizar pelo imenso rinque de patinação no gelo (também com preços camaradas: R$ 15 por 1h45m; ou R$ 50 por um dia inteiro), mas o time de grifes encontradas é de primeira linha, e as mais famosas estão concentradas na Via Domo: Cartier, Fendi, Ermenegildo Zegna, Christian Louboutin, D&G, Bottega Veneta, Bulgari, Prada, Gucci... Pense em uma marca de luxo que ela estará ali. Para os que viajam em família, a Palm Tree Island, no meio da Baía de Doha, tem uma jeitão de paraíso tropical, com praias de águas claras, calmas e de temperatura amena, muitas palmeiras, restaurantes especializados em pescados e bares, além de uma série de atividades aquáticas. A ilha está a apenas dez minutos de barco da Corniche, o famoso calçadão costeiro onde moradores e turistas caminham, correm e passeiam. A agradável travessia da baía é feita em embarcações típicas. Palm Tree tem áreas gramadas que convidam a um piquenique, uma ótima ideia, ainda mais para aqueles que puderem se abastecer antes na loja Dean & Deluca que funciona no Villagio Mall. Neste universo em construção, há novidades prestes a abrir as portas que vão reforçar ainda mais a condição de Doha como destino emergente, principalmente em relação ao turismo de alto luxo. Uma das atrações mais aguardadas, pelos aspectos gastronômicos e arquitetônicos, é o restautante do chef japonês Nobuyuki Matsuhisa, que será inaugurado ainda este ano no hotel Four Seasons, junto à marina e com vista privilegiada da Baía de Doha. A construção, um projeto do Rockwell Group, de Nova York, promete virar um dos prédios mais fotografados do Catar. Uma estrutura redonda, como que suspensa no ar, praticamente debruçada sobre o mar, com paredes envidraçadas para valorizar o visual. Serão dois andares, mais um terraço panorâmico que, é fácil imaginar, vai se tornar um dos lugares mais disputados da capital do Catar. No cardápio, estarão os pratos que fizeram a fama do cozinheiro, uma versão moderna, com influências estrangeiras, da gastronomia tradicional do Japão. Outro provável marco arquitetônico com abertura também prevista para este ano, apesar dos sucessivos atrasos, é o novo aeroporto internacional de Doha. A estrutura monumental vai acabar com um dos inconvenientes para os turistas que visitam o país: o “velho” aeroporto, inaugurado em 1998, não tem fingers de acesso aos aviões, e o embarque é feito em ônibus — os voos de São Paulo ainda vão demorar um pouco para migrar para os novos terminais. Cavalaria, falcoaria e arte islâmica Para quem já visitou bazares em outros países árabes, o Souq Waqif não parece real: é organizado e com aparência de novo, como um shopping center. Mas os produtos à venda, como peças em ouro, panos e todo tipo de tecido, incluindo belíssimas pashminas, além de antiguidades, especiarias, perfumes, pérolas e roupas tradicionais árabes, tornam a visita interessante, e uma boa oportunidade de compras. A guarda montada a cavalo, com uniformes impecáveis, belíssimos, rende boas fotos. Outra razão para ir ao souq é a boa oferta de restaurantes, incluindo casas malaias, indianas e marroquinas. A bebida oficial é chá ou café, acompanhados de um narguilé. Uma particularidade do mercado são os hotéis, como o Al Mirqab, que tem decoração preciosa, com móveis de design em estilo árabe. Como é proibido consumir álcool em bares e restaurantes nas ruas, os hotéis do souq se convertem em bons lugares para um drinque entre uma compra e outra. O mercado é imenso, e dá para passar uma tarde inteira ali. Um dos lugares mais curiosos é o Mercado dos Falcões, onde a arte da falcoaria resiste ao tempo: além das aves treinadas, estão à venda acessórios para praticar essa paixão nacional do Catar. Bem perto fica o imperdível Museu de Arte Islâmica, uma construção lembrando uma pirâmide, ainda mais bela à noite, quando ganha iluminação que realça as suas linhas. O acervo transita por todo o universo islâmico, do Norte da áfrica à Ásia, cobrindo um período de 1.400 anos. São várias coleções, de cerâmicas e moedas a tecidos e artefatos em metal. Vale a pena programar ao menos uma refeição ali porque, além do café simpático, o museu abriga um restaurante de Alain Ducasse, o Idam Doha. O cardápio tem ingredientes franceses tratados com forte acento islâmico, e pratos como terrine de foie gras com gergelim e frutas cítricas, ou uma especialidade local, carne de camelo, servida com o fígado gordo, trufas e batatinhas suflê. O menu degustação, com opções escolhidas pelos clientes entre as disponíveis no menu regular, custa R$ 365. O lugar é lindo, com vista para a baía, tendo os prédios modernos ao fundo, e decoração assinada por Philippe Starck. Os pratos têm ótima execução e apresentação. Só fica faltando o sommelier... Nos hotéis, drinque, brunch ou spa O mercado hoteleiro de Doha acompanha o mesmo ritmo frenético da construção de edifícios modernos na cidade, e algumas redes escolheram se instalar nesses prédios, como o W Doha, enquanto outros são resorts, que atraem mais famílias, como o The Ritz-Carlton Sharq Village and Spa e o Four Seasons. Mais do que oferecer hospedagem, os hotéis estão no centro da indústria de entretenimento do Catar, abrigando grande parte dos melhores restaurantes, os bares mais badalados e os spas que carregam as principais marcas deste segmento em todo o mundo, como Remède, no St. Regis, e o Six Senses, no Ritz-Carlton Sharq Village. Para os viajantes não muçulmanos, os hotéis são referência de lazer também porque apenas nesses lugares as bebidas alcoólicas podem ser consumidas livremente. Quem imagina que agito noturno não rima com Doha precisa conhecer o hotel W, epicentro da badalação, com um time de bares de primeira linha, como o Crystal, o Wahm Lounge e o Living Room. Com iluminação baixa, luzes roxas e um concorrido balcão, o Crystal reúne turistas que querem ouvir música, com DJ tocando ao vivo, comendo e bebendo bem. Há um bar de champanhes e uma ótima lista de drinques. Se tem um lugar para ver e ser visto em Doha, é este. O W oferece ainda dois brunches originais. Em um deles, ao som de jazz, no restaurante Market, os pratos são assinados pelo chef francês Jean-Georges (custa R$ 170, com bebidas). Já o Spice Market tem um dos brunches mais atraentes para os apreciadores da cozinha asiática: o destaque é a comida de rua de vários países do continente (também por R$ 170). Os brunches são uma tradição catari ligada à indústria hoteleira. Mas, ao em vez de acontecerem aos domingos, como reza a tradição ocidental, essa mistura de café da manhã com almoço é a refeição das sextas-feiras, o dia sagrado para o islamismo. Quase todos os hotéis realizam o seu brunch de sexta, seguindo vários estilos culinários diferentes. Um dos mais autênticos é o brunch tailandês que acontece no restaurante Isaan, no Grand Hyatt (R$ 125, ou R$ 200, com bebidas). Para os que viajam em família, o almoço das sextas-feiras no restaurante Seasons, no hotel Mövenpick, dá especial atenção às crianças, incluindo a presença de piratas e personagens da Disney. Além do brunch jazzístico no W Hotel , Doha conta com uma filial do mítico Jazz at Lincoln Center, de Nova York, no St. Regis, com intensa programação de shows, com músicos residentes e apresentações de artistas convidados. Com duas unidades em Doha, uma mais voltada ao público executivo e um resort de praia, a rede Ritz-Carlton, além de opção de hospedagem, é um local para relaxar. O spa Six Senses, no Sharq Village, com praia particular de frente para o paredão de prédios modernos da cidade, é espetacular. A decoração recria uma antiga residência árabe, usando sistemas rudimentares de refrigeração. Há muitos tratamentos voltados para casais, com direito a saunas e piscinas privativas. O spa do Sharq Village é procurado por moradores e viajantes hospedados em outros hotéis da cidade. Assim como os seus vários bares e restaurantes, incluindo um salão de chá à moda árabe, o Afternoon Tea in Al Jalsa, e uma área dedicada aos charutos, o elegante Cigar Lounge, com poltronas de couro próprias para se saborear um bom cubano escoltado por um copo de conhaque. Ícone local, o complexo The Pearl-Qatar é um dos principais empreendimentos imobiliários, no melhor “estilo Dubai”: um conjunto de ilhas artificiais com construções de inspiração mediterrânea (um calçadão à beira-mar foi batizado de La Croisette), árabe ou asiática, dependendo do lugar. O projeto tem hotéis (como o Nikki Beach, com inauguração prevista para o próximo ano), edifícios residenciais e de escritórios, marina, restaurantes, cafés e lojas. Quase um mundo paralelo. SERVIÇO PASSEIOS Museus: A Qatar Museums Authority concentra a administração dos mais importantes museus do país. No site qma.com.qa é possível encontrar informações sobre horários de funcionamento, endereços etc. Safári no deserto: Várias empresas organizam passeios de jipe pelo deserto. Uma das maiores é a Qatar Adventure. Há vários tipos de programa, com ou sem refeição no final. O passeio que dura o dia inteiro custa QAR 350 (R$ 175) ou QAR 450 (R$ 225), com jantar típico, um churrasco à moda árabe. qataradventure.com VISTO Brasileiros precisam de visto para entrar no Catar. Ele pode ser tirado diretamente com os hotéis. Custa cerca de R$ 70, mas o preço varia de acordo com cada rede. MOEDA A moeda oficial no Catar é o qatari rial (QAR). Pelo câmbio atual, 1 QAR vale R$ 0,55. O dólar e o euro são bem aceitos nas lojas, inclusive no Souq Waqif, mas o troco geralmente é dado em moeda local. Cartões de crédito internacionais são amplamente aceitos. Bruno Agostini viajou a convite do Ritz-Carlton e da Catar (webremix.info) |
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Copom aumenta a taxa Selic para 7,5% ao ano
BRASÍLIA, SÃO PAULO e RIO – Para resgatar a credibilidade, o Banco Central elevou ontem a taxa básica de juros pela primeira vez desde julho de 2011. Numa decisão sem unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) subiu a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual. Com isso, os juros passaram para 7,5% ao ano. A decisão teve o apoio da presidente Dilma Rousseff, mas dividiu a cúpula do BC. Seis diretores foram favoráveis à alta dos juros e dois votaram contra. E justamente o responsável pela política monetária, Aldo Mendes, ficou entre os dissidentes. Para tomar a decisão, o Copom avaliou que a alta de preços é generalizada, mas ponderou que, diante das incertezas, a política de combate à inflação tem de ser feita com “cautela”. “O Comitê avalia que o nível elevado da inflação e a dispersão de aumentos de preços, entre outros fatores, contribuem para que a inflação mostre resistência e ensejam uma resposta da política monetária. Por outro lado, o Copom pondera que incertezas internas e, principalmente, externas cercam o cenário prospectivo para a inflação e recomendam que a política monetária seja administrada com cautela”, afirmou o Comitê, em comunicado. Veja também
Desde novembro do ano passado, a autoridade monetária estava sob fortes críticas por manter os juros estáveis enquanto os preços avançavam. Em março, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 6,59%, estourando o teto da meta do governo, de 4,5% com margem de dois pontos percentuais. Na avaliação de economistas, o BC teria se rendido à vontade política do Palácio do Planalto. E mesmo com a decisão de voltar a subir os juros, reconquistar a credibilidade pode não ser tão rápido. — Pode parecer que o Banco Central só aumentou os juros porque a presidente deixou — afirmou o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, que critica a intervenção no trabalho do BC. — A presidente não consegue se conter e fala de juro todos os dias e como se fosse uma realização do governo dela e não uma decisão técnica. O ministro da Fazenda diz que vai calar a boca e não cala. Na viagem à Africa do Sul, Dilma disse não concordar com políticas de combate à inflação que olhem a questão da redução do crescimento econômico. Na terça-feira, primeiro dia da reunião do Copom, Dilma afirmou que o país “jamais” voltaria a ter juros tão altos e que o controle de inflação pode ser feito com uma dose menor de juros. O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, aumentou o mal-estar ao afirmar que não seria necessário um tiro de canhão para conter a inflação, poderia ser apenas de metralhadora. Segundo um interlocutor, Dilma considera que a discussão sobre a alta dos preços está superdimensionada e que especuladores estão se aproveitando desse cenário de altas pontuais para ganhar no mercado futuro. Portanto, este seria a oportunidade de a autoridade monetária falar grosso. — Criaram um ambiente muito complicado e o BC está se sentindo compelido a agir, mostrar que é operacionalmente independente e não é tolerante com a inflação. Essa tem sido a principal tarefa de Tombini — disse uma fonte da área econômica. Selic teria que ir a 11% para conter inflação, diz economista Na avaliação do governo, é preciso minar as expectativas sobre a inflação para que a economia não volte a ser indexada novamente, como era até o anúncio do Plano Real, em 1994. Economistas de peso, como Luiz Gonzaga Belluzzo e Delfim Netto chegaram a aconselhar Dilma a defender, junto ao BC, a elevação da Selic, para minar eventuais movimentos especulativos. Para Sérgio Vale, economista da MB Associados, a inflação tende a exercer maior pressão no ano que vem, quando a economia vai crescer mais rapidamente, com Copa do Mundo, eleições presidenciais. Segundo ele, a Selic teria que chegar a 11% ao ano, pelo menos, para conter o avanço dos preços. — A credibilidade do Banco Central, a essa altura, já foi embora. Nada mais natural fazer o que sempre acreditaram, que é deixar a inflação subir um pouco para lubrificar o crescimento. Uma bobagem sem fim. Agora é administrar os cacos e torcer. O que vai acontecer é que, em 2015, vão aumentar o teto da meta ou a meta — afirma. De outro lado, votaram pela manutenção, além de Aldo Mendes, o diretor de Assuntos Internacionais, Luiz Pereira Awazu. Ele também avalia que a melhor política no momento seria não fazer nada. O economista-chefe da corretora Gradual, André Perfeito, lista uma série de fatores que justificariam a manutenção da taxa básica de juros. Segundo ele, a Selic chegou ao pico e cairá daqui para a frente com a supersafra de alimentos, o mercado de trabalho menos aquecido e a menor pressão de alta dos salários. Para ele, todos estes fatores tendem a frear o consumo. — Já estamos passando por um processo de desaceleração econômica. Tecnicamente, não faz sentido aumentar os juros. CNI e Fiesp criticam ação do BC Mesmo com o aumento de 0,25 ponto percentual da taxa básica de juro (Selic), o Brasil se manteve na quinta colocação do ranking dos maiores juros reais do mundo, com taxa de 1,7%. Segundo Jason Vieira, economista responsável pelo levantamento, a estagnação na listagem somada aos altos custos das taxas de investimentos em renda fixa e o cenário externo complicado, consolidam a baixa atratividade dos títulos de renda fixa do País. Por outro lado, a tradicional caderneta de poupança começará a trazer melhores ganhos para quem começou depois de maio do ano passado, quando as regras da remuneração da aplicação mudaram. — A taxa de juro real serve para avaliar o desempenho dos investimentos em renda fixa. E, nesse sentido, o Brasil se mostra cada vez menos atrativo. Como a taxação desses investimentos é muito alta e o juro já não está mais tão elevado, os estrangeiros preferem aplicar seus recursos em títulos de outros países, como EUA e Japão — explicou Vieira. A decisão de aumentar o juro foi lamentada pelas entidades industriais. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reconheceu “a importância do controle da inflação”, mas ponderou que “o aumento do juro é extremamente prejudicial à indústria” e trará “maiores danos à atividade produtiva”. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) foi mais enfática na crítica e classificou a decisão de “equivocada”. “Devemos superar a política econômica do uso exclusivo da taxa de juros” comentou Paulo Skaf, presidente da Fiesp. (webremix.info) |
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Secex prorroga investiga??o de dumping com laminados
A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) decidiu prorrogar por até seis meses, a partir de 3 de maio, o prazo para conclusão da investigação de prática de dumping nas exportações de laminados planos de baixo carbono e baixa liga feitas para o Brasil por África do Sul, Coreia, China e Ucrânia. (webremix.info) |
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Fuligem atmosf?rica afeta crescimento de corais do Caribe
Um novo estudo descobriu que a poluição de partículas finas no ar - principalmente o resultado da queima de carvão ou de erupções vulcânicas - pode deixar corais com menos luz solar e esfriar a água ao redor, resultando em taxas de crescimento reduzidas. Embora os recifes de coral cresçam no fundo do mar, parece que eles foram respondendo às mudanças na concentração de poluição particulada na atmosfera, de acordo com um artigo publicado esta semana na revista “Nature Geoscience”, por uma equipe de cientistas do clima e ecologistas de coral do Reino Unido, Austrália e Panamá. Os corais são colônias de células animais mais simples, mas dependem de algas fotossintéticas para sua energia e nutrientes. Um dos autores, Lester Kwiatkowski, da Universidade de Exeter, disse: - Os recifes de coral são o mais diversificado de todos os ecossistemas do oceano, com até 25% das espécies marítimas dependendo deles para alimento e abrigo. Acredita-se serem vulneráveis ??às alterações climáticas e à acidificação dos oceanos, mas o nosso é o primeiro estudo a mostrar uma ligação clara entre o crescimento do coral e a concentração de poluição particulada na atmosfera. Paul Halloran, do Met Office Hadley Centre - o equivalenete ao Instituto Nacional de Meteorologia do Brasil no Reino Unido -, explicou: - A poluição de partículas, ou aerossóis, refletem a luz solar recebida e faz as nuvens mais brilhantes. Isso pode reduzir a luz disponível para a fotossíntese coral, assim como a temperatura das águas do entorno. A análise mostra que as taxas de crescimento de corais no Caribe foram afetadas pelas emissões de aerossóis vulcânicos no início do século 20 e pelas emissões de aerossóis causados ??por seres humanos no final do mesmo século. Os pesquisadores esperam que esse trabalho levará a uma melhor compreensão de como o crescimento dos corais pode mudar no futuro, levando em conta não apenas futuros níveis de dióxido de carbono, mas também fontes de aerossóis, tais como a indústria ou agricultura. Peter Mumby, da Universidade de Queensland, coloca o estudo no contexto das mudanças ambientais globais: - Nosso estudo sugere que os ecossistemas de corais são sensíveis, não só para o futuro da concentração atmosférica de dióxido de carbono global, mas também para as emissões de aerossóis regionais associadas à industrialização. (webremix.info) |
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A mistura inflam?vel de infla??o com reelei??o
Aprevisão de que 2013 seria um ano em que o Banco Central precisaria ter sangue frio se confirma, e é até mais ampla: o próprio país precisa manter os nervos sob controle, pois, como esperado, a inflação deverá superar o teto da meta de 6,5%, e o BC faz o possível para retardar ao máximo o aumento da taxa básica de juros, hoje em 7,25%. O presidente do BC, Alexandre Tombini, esteve ontem no Senado e repetiu o discurso clássico de que o compromisso da instituição é com a meta de 4,5%. Não poderia ser diferente. E que o “instrumento de política monetária”, os juros, será usado para fazer a taxa de inflação convergir para a meta, assim que o BC considerar necessário. Por suposto. À medida que o tempo passa, porém, e depois que governo e PT anteciparam a campanha eleitoral de 2014, análises de cenários econômicos precisam levar em consideração as urnas. E parece evidente que o governo Dilma, a esta altura, não se lançará num combate à inflação com o vigor necessário. É revelador, neste sentido, que o presidente do BC, quando Dilma, na África do Sul, depois de defender a prioridade do crescimento sobre o controle da inflação, tentou consertar a derrapagem, tenha previsto que também em 2014 a inflação estará acima dos 5%. Nos quatro anos de governo, Dilma terá mantido os preços rodando bem acima da meta, que é de 4,5%, com dois pontos de margem de tolerância, acima e abaixo. Reforçam-se os temores de que, na prática, o governo reviu a meta, criando uma nova, na faixa dos 5,5%, taxa muito elevada em escala mundial, mais ainda para uma economia com conhecidos mecanismos de indexação (contratos de aluguel, etc). O irônico é que os "desenvolvimentistas" sempre justificaram a inflação como contrapartida de um crescimento vigoroso. Mas este não existe. O governo Dilma vive o grande dilema político-eleitoral: agir logo para cortar o fôlego da inflação e correr o risco de aumentar o arsenal da oposição, ou deixar como está e esperar o primeiro ano de um segundo mandato para fazer um ajuste com firmeza, como o executado por Lula/Palocci em 2003. É grande a tentação de manter o mercado de trabalho aquecido, o desemprego pouco acima de 5%, considerado a principal explicação para os altos índices de popularidade da presidente. Mesmo que a pressão sobre o custo dos empregadores ajude a inflação e reduza a produtividade da indústria, já em queda. Se não é simples o cenário econômico-eleitoral à frente do Planalto, também preocupa o de 2015. Defensores do governo acusam os críticos da leniência com a inflação de quererem condenar o pobre que passou a tomar banho com sabonete de marca a voltar ao sabão em barra. Mas isso também acontecerá pela perda de poder aquisitivo que a inflação já impõe às famílias de renda mais baixa. (webremix.info) |
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Alerta vermelho para garantir o futuro azul
Ela é chefe do Council of Canadians (ou Conselho dos Canadenses), a maior organização de militância pública do país da América do Norte, e fundadora do Blue Planet Project, ONG que trabalha internacionalmente a favor do direito humano à água. Maude Barlow é uma ativista fervorosa e, aparentemente, incansável. No momento, escreve o livro “Blue future, protecting water for people and the planet forever” (“Futuro azul, sempre protegendo a água para as pessoas e para o planeta”, em tradução livre). Já publicou outros 16. Ainda encontra tempo para ter longas conversas com jornalista, como a que segue abaixo. Em 2008, a senhora disse que boa parte dos Estados Unidos iria passar por sérios problemas de água nos próximos cinco ou dez anos. Como está a situação agora? Em muitas partes dos Estados Unidos, é terrível. Hoje, o país é, realmente, a cesta de pão do mundo. Possui um terço dos grãos do mundo comercializados globalmente, mas tem mantido os cultivos em áreas sem água. O aquífero de Ogallala está em declínio severo. Muitos rios estão profundamente estressados ou secando, inclusive o Colorado, o Mississippi, o Platte e o Ocoee. A perda de água sob o Vale Central na Califórnia é de mais de 40% da capacidade de armazenamento de todos os reservatórios construídos no estado. Buracos na Flórida e no Texas atestam o enorme bombeamento de águas subterrâneas que está ameaçando as reservas de diversos estados. Os Grandes Lagos passam hoje por sérios problemas como resultado do aquecimento global pela extração, poluição, chegada de espécies invasoras e fracking (fraturamento hidráulico das rochas subterrâneas para obtenção de gás natural). Ainda acha que os políticos de todo o mundo estão “em algum tipo de negação inexplicável”? Sim. Acho que parte disso é porque aprendemos na escola que há uma interminável quantidade de água em todo o ciclo hidrológico e não podemos destruí-lo. De certa maneira, é verdade. Mas temos tirado a água de onde é necessária na natureza de onde podemos acessá-la. A crise de água é bem real. Também acho que muitos políticos assumem que uma tecnologia mágica irá solucionar a crise. Estão totalmente errados. O que a senhora sabe sobre o Brasil e a forma como lidamos com a água? Todas estas questões estão presentes nos países do Mercosul. Mesmo que sejam abençoados com duas grandes fontes de água: o sistema do Rio da Prata e o Aquífero Guarani. Em parte por estarem inseridas em um mundo cada vez mais sedento, eu argumentaria que a região está ganhando rapidamente um interesse geopolítico forte para o restante do planeta. É o momento de vocês assumirem a condição de tutela dessas águas. Os brasileiros, assim como os canadenses, cresceram com o que chamo de "mito da abundância". Nós achamos que temos tanta água que ela nunca irá acabar. Isso é simplesmente falso. É o que pensavam do Mar de Aral na antiga União Soviética, então o quarto maior lago do mundo, e o Lago Chade, na África, que já foi o sexto maior. Ambos estão quase no fim devido ao excesso de extração. A demanda por água está crescendo. A capacidade diminuindo. Não será surpresa os conflitos continuarem a crescer. Qual o maior desses conflitos? Talvez o mais difícil seja entre os que têm acesso a toda a água que desejam e aqueles que não, de maneira alguma. Uma criança que nasce no Hemisfério Norte vai usar 40 a 70 vezes mais o elemento em sua vida do que a nascida no Hemisfério Sul. Hoje, abaixo da Linha do Equador, a cada três segundos e meio uma criança irá morrer de alguma doença transmitida pela água. A falta de acesso ao elemento puro é, de longe, o maior assassino dos pequenos e isso é algo completamente evitável. Como a economia do Brasil afeta a água? O crescimento da produção de biocombustíveis de cana-de-açúcar no Brasil tem crescido intensamente e, hoje, o Brasil é o maior exportador. Só que essa indústria pode explodir. Hoje, o país produz 28 bilhões de litros de etanol (20% para exportação), mas irá produzir 64 bilhões em 2018. É preciso uma grande quantidade de água para produzir biocombustíveis. Para cada litro de etanol de cana-de-açúcar produzido no Brasil, pelo menos 1 mil litros são usados, se levarmos em conta o que é usado para crescer a planta, assim como processo em si. Atualmente, sete trilhões de litros de água são extraídos todos os anos para a produção de etanol no país, um dreno enorme no abastecimento de água na região e que aposto não será consignado quando o governo fizer seus planos econômicos. Toda esta água estará perdida. Quem são os maiores usuários de água? Como esse problema pode ser resolvido? O maior usuário de água é a agricultura industrial por um mercado global de alimentos. A água é extraída de aquíferos e rios para crescer culturas em desertos e então é enviada na forma de "exportações virtuais" para todo o mundo. Brasil, Canadá, os Estados Unidos e a Austrália são todos exportadores maciços de água virtual. A produção de comida também consome o elemento. Quer dizer, não a devolve à bacia hidrográfica. A resposta para esta forma de abuso da água é local, através da produção de comida orgânica e sustentável. Algo bem diferente do que os governos promovem. O que é o termo “apartheid de água”? Pode explicar isso? O apartheid da água se refere ao fato de que em um mundo de crescente desigualdade e controle corporativo do elemento, aqueles que possuem dinheiro podem o comprar quando quiserem, como para piscinas de natação ou campos de golfe. Aqueles sem os meios para comprar água ficam sem e veem suas crianças crescerem doentes. Por que diz não gostar de água engarrafada? Garrafas de água demandam muita energia, criam gases de emissão de efeito estufa e deixam para trás centenas de bilhões de recipientes plásticos. É uma forma moderna de insanidade coletiva e um impedimento para a criação de um futuro justo em relação à água. Como a senhora vê os acordos internacionais de comércio de água do mundo? São uma séria ameaça. Já que as utilidades da água foram privatizadas, os acordos tiram a opção de um retorno ao sistema público caso uma cidade queria fazer isso. O comércio global e bilateral, além dos negócios para investimentos, dão a empresas internacionais o direito de entrar na Justiça por compensação financeira caso um governo queria impor novas regras de saúde, segurança ou ambientais para limitar o acesso a fontes de água regionais. Que iniciativas positivas estão a caminho? Muitas pessoas, grupos, universidades, instituições e líderes políticos estão começando a levar a sério a crise hídrica. A grande tarefa agora é declarar, por meio de leis, a água como herança comum, além de garantir a proteção de bacias hidrográficas pelo mundo afora. Há muitos avanços neste sentido enquanto trabalhamos para convencer as pessoas a deixarem de ver a água como um recurso apenas para o nosso prazer e lucro, mas também como elemento essencial. Em que momento, em sua vida, a senhora decidiu que seu objetivo era estudar a questão da água? Eu me envolvi e fiquei obcecada com a questão da água quando percebi, pela primeira vez, que ela vinha sendo incluída como bem negociável em acordos de comércio. Foi aí que comecei, então, a pensar sobre quem decide, quando e como o negócio é feito. Eescrevi o primeiro estudo sobre o assunto nos anos 1990 e isso me levou a uma jornada incrível para construir um movimento que pudesse lutar pela justiça da água em todo o planeta. (webremix.info) |
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Governo investiga dumping em exporta??o de polipropileno
A Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), abriu nesta terça-feira investigação para averiguar a existência de dumping nas exportações de resina de polipropileno da África do Sul, Índia e República da Coreia para o Brasil. (webremix.info) |
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Toyota se reinventa para manter majestade
TÓQUIO - O príncipe. Era assim que a imprensa japonesa chamava Akio Toyoda quando ele assumiu, em 2009, a presidência da Toyota, maior montadora do mundo, fundada por seu avô. Mas uma série de crises foi dissipando a aura de realeza que envolvia o herdeiro de uma das famílias mais poderosas do Japão. Depois de quatro anos de batalhas, Toyoda decidiu mostrar que não está disposto a perder a majestade, mesmo que tenha que quebrar tabus numa companhia vista como sinônimo do conservadorismo corporativo japonês. O comandante do império anunciou este mês uma das maiores reformas que a Toyota já viu em 76 anos de história. Pela primeira vez desde sua fundação, a empresa terá três diretores — num conselho composto por 16 membros — que não fizeram carreira na montadora, entre eles, um estrangeiro, o americano Mark Hogan, executivo saído dos quadros da maior concorrente da empresa, a General Motors (GM). A reorganização pode parecer corriqueira no mundo dos negócios, mas é um passo ousado para uma marca japonesa, tradicionalmente presa a regras que beneficiam os que têm muito tempo de casa. Além disso, presidentes executivos não japoneses chefiarão a Toyota nos Estados Unidos, na África, na América Latina e na Europa. Toyoda deixou claro que o objetivo é tornar a montadora menos hierarquizada e mais ágil, pronta para crescer em mercados emergentes. — Meu objetivo é construir um grupo em que cada um esteja ciente de que tem o comando — disse o presidente. ‘Metodologias mais globais’ A lentidão para agir em situações de emergência foi uma das maiores críticas feitas à Toyota nos últimos anos. E crises não faltaram. A hecatombe financeira de 2008 levou a empresa a registrar o primeiro prejuízo de sua trajetória: um buraco de US$ 4,5 bilhões em 2009. No ano seguinte, Toyoda foi obrigado a dar explicações no Congresso americano sobre o recall que afetou 8,5 milhões de veículos defeituosos, que colocavam em risco a segurança dos passageiros. Em 2011, vieram a tsunami e as enchentes na Tailândia, dois desastres dramáticos para as fábricas da montadora. Iene supervalorizado e boicote aos carros japoneses na China, por causa de uma briga territorial entre os dois países, completaram o inferno astral da empresa. Há dois anos, a gigante perdeu o título de maior do planeta para a GM, mas voltou a conquistá-lo no ano passado, contabilizando 9,7 milhões de veículos vendidos. A recuperação foi impulsionada pelas vendas nos EUA, que cresceram quase 30% em 2012, e pela redução de custos obtida com o aumento da fabricação fora do Japão. As mudanças administrativas anunciadas recentemente — e que deverão ser confirmadas pelos acionistas em junho — foram interpretadas como uma tentativa de consolidar o caminho da renovação, dando à Toyota, que emprega 320 mil pessoas, uma cara mais internacional. — O mercado de automóveis está se expandindo e a demanda, se diversificando. Metodologias mais globais e flexíveis são essenciais. Nomear três gerentes que vieram de fora é um passo muito importante para a Toyota rever e reconstruir seus negócios com um olhar diferente — avalia Masatoshi Nishimoto, analista da consultora IHS Automotive, em Tóquio. O escândalo dos recalls múltiplos abalou não só a reputação da companhia como a confiança no consagrado padrão de qualidade e eficiência japonês. A montadora demorou para identificar os problemas em diferentes frentes, entre eles aceleradores em pane. A comunicação ao público também foi desastrosa. Correr riscos e inovar Toyoda, de 56 anos, o homem mais importante da indústria automotiva, pediu desculpas, mas na época não convenceu. Observadores têm afirmado, porém, que ele parece ter aprendido a lição, mostrando-se mais disposto a correr riscos e inovar. Terminou 2012 aceitando pagar US$ 1,1 bilhão em indenizações para proprietários de carros com problemas de aceleração involuntária. Por outro lado, começou 2013 apresentando o novo modelo do Crown e posou para as câmeras ao lado de um carro cor-de-rosa, sob o slogan “Renascido”. O “príncipe” sobreviveu. — Na crise dos recalls, a Toyota demonstrou não compreender como os consumidores americanos e europeus e os órgãos reguladores estavam interpretando as atitudes da empresa. No mundo moderno, percepção é realidade. Akio Toyoda mostrou que entendeu isso. Os novos diretores, com experiência global, credibilidade e conhecimento, podem ajudar nesse processo — diz James Post, professor de Administração da Universidade de Boston. Segundo a revista “Fortune”, a Toyota está avaliada em US$ 164 bilhões, o dobro de GM e Ford. (webremix.info) |
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No Azerbaij?o, petr?leo vira cura para todos os males
NAFTALAN, AZERBAIJÃO - Uma cidadezinha de oito mil habitantes do centro da ex-república soviética do Azerbaijão está atraindo novos ricos dispostos a gastar algumas centenas de dólares para se tratar em spas de petróleo. Em Naftalan, pacientes vindos de várias partes do mundo confiam no poder terapêutico do ouro negro e literalmente mergulham o corpo em banheiras repletas de petróleo, acreditando que conseguirão curar artrites, reumatismos e deixar a pele mais bonita. A cidade de Naftalan, a 320km da capital Baku, já foi um balneário de férias na época soviética e chegou a receber 80 mil turistas por ano. Mas o fim da União Soviética e do financiamento de viagens (típicos do governo comunista), juntamente com os conflitos étnicos na região de Nagorno-Karabakh, levaram ao declínio da atividade turística na região. Mas o recente boom econômico do Azerbaijão, impulsionado pela indústria do petróleo, voltou a popularizar o uso do hidrocarboneto para fins medicinais. - Já vim três vezes e não preciso ir a nenhum hospital. Eu me hospedo duas semanas aqui todos os anos e, além de descansar, saio sem dores nas articulações - explica Svetlana Tushina, uma russa que passou as férias de Ano Novo com toda a família no resort de petróleo Chinar, o mais novo empreendimento da cidade. - É mais barato do que ir para o Caribe ou para a Tailândia. Ceticismo dos especialistas O quarto com pensão completa para um casal no resort custa cerca de R$ 4 mil por duas semanas, incluindo o tratamento com petróleo. - Quando contamos lá em Moscou que vamos ao Azerbaijão de férias, as pessoas acham que somos loucas. É uma ex-república soviética, mas aqui há muitas coisas interessantes também. Baku tem muitas lojas de moda e parece uma cidade europeia - conta Yana Bolkachova, amiga de Svetlana. O mítico explorador italiano Marco Polo já havia falado sobre os benefícios do petróleo no século 13, classificando-o como “não comestível, mas bom no tratamento de homens e animais com sarna, e camelos com urticária e úlceras". A maioria dos especialistas ocidentais, porém, ainda se mostra cética a respeito do poder medicinal do petróleo. Segundo o regulamento da União Europeia, mais de dez minutos de imersão poderiam aumentar significativamente as chances de câncer. Por prevenção, os spas azeris limitam o método terapêutico aos dez minutos diários. O tratamento mais popular na cidade é a imersão em uma banheira com petróleo a 40 graus Celsius. O óleo utilizado contém aproximadamente 50% de naftaleno, o principal componente da naftalina, que segundo os médicos azeris alivia diversos tipos de dores. O petróleo encontrado na cidade é muito pesado para fins industriais e por isso só é utilizado clinicamente. - Eu vim aqui há 40 anos para me tratar de dores musculares e fiquei ótima. Não senti nada este tempo todo, mas agora os ombros e os pés estão voltando a doer um pouco e resolvi voltar. Em pouco tempo de tratamento, já sinto a diferença. Quero vir aqui com mais frequência - conta Liudmila Plavnika, outra russa que também se rendeu aos poderes medicinais do petróleo. Segundo o médico Chingiz Hadjiyev, responsável pelo spa Chinar, o mais caro da região, não há o que temer. - Aqui você pode curar prostatites crônicas, artrites, eczemas, disfunções dos ovários, varizes e até alguns tipos de infertilidade. O petróleo aqui de Naftalan ajuda no tratamento de inúmeras doenças do sistema músculo-esquelético, além de problemas ginecológicos, urológicos e vasculares - assegura Hadjiyev, que ressalva, porém, que nem todos podem se beneficiar do tratamento. Segundo ele, há pelo menos 30 contraindicações para os banhos de óleo, e o paciente deve fazer uma série de testes antes de começar o tratamento. Mulheres grávidas, pessoas com sérios problemas de pele, epilepsia, problemas renais ou alguma doença sexualmente transmissível são desaconselhadas a utilizar este método terapêutico. Opção mais barata A cidade de Naftalan alberga também spas para aqueles que têm orçamentos mais modestos. Por menos de R$ 1 mil, um casal pode passar 15 dias recebendo o excêntrico tratamento. As instalações são mais modestas, o serviço tem requintes soviéticos e o atendimento é exclusivamente no idioma local - azeri - ou em russo. - Aqui não recebemos muitos turistas da Europa ou de países emergentes, mas os próprios vizinhos visitam nossos centros de saúde. Todos sabem que é algo que realmente ajuda a curar problemas nas juntas e articulações. Outros spas oferecem serviços de hotéis de luxo, mas nós focamos no tratamento, no uso do petróleo - explica o gerente de um pequeno spa. A economia do Azerbaijão, que chegou a crescer 34,6% em 2006, registrará um crescimento de 3,9% em 2013, segundo os dados do FMI (Fundo Monetário Internacional). Pelo que tudo indica, o país continuará literalmente nadando em petróleo. (webremix.info) |
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Ind?stria reduz participa??o nas exporta??es, perdendo US$ 14 bi
BRASÍLIA — O ano de 2013 será crucial para o posicionamento dos países no xadrez do comércio mundial. Os emergentes devem tomar a liderança nas vendas, enquanto a crise assola as nações desenvolvidas. Nessa arrancada, o Brasil pode estar fadado a continuar um grande vendedor de commodities (produtos básicos com cotação global, como soja, minério de ferro e petróleo), já que a apatia da indústria faz o país perder cada vez mais espaço em destinos prioritários. Desde o início das turbulências, em 2008, até 2011, a falta de agressividade do setor custou US$ 14 bilhões ao país, segundo levantamento feito pelo GLOBO. O montante equivale à fatia do mercado de exportações perdida nesse período nos principais destinos. O dado não leva em conta 2012, porque as estatísticas dos outros países ainda não foram fechadas. Por aqui, o total das vendas externas caiu, bem como as exportações do setor industrial. E o cenário tende a piorar neste momento decisivo já que, apesar de ser a sétima maior economia do mundo, o Brasil está em 112º lugar no ranking de investimentos feito pela Agência de Inteligência Americana (CIA). É o pior colocado dos Brics — sigla para o grupo de emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Já entre os sul-americanos, só está à frente do Paraguai. O Brasil investe 18,9% do Produto Interno Bruto. Com falta de investimentos e, consequentemente, queda de competitividade, o Brasil tem diminuído sua participação no comércio mundial. Nos anos de 1950, chegou a absorver 2,2% dos gastos globais. Hoje, tem cerca de 1% na projeção dos especialistas para 2012. A participação da indústria despenca na pauta de exportações. Antes da crise, os produtos do setor representavam 71% do que o país vendia para fora. Agora está em 61%. O peso da indústria de transformação nos dez principais mercados passou de 54%, em 2008, para 52,5% no ano passado. Perdas para China e Peru Somente para os Estados Unidos, o grande parceiro comercial, o Brasil abriu mão de vendas que chegariam a US$ 3,6 bilhões. Esse seria o faturamento, se o país tivesse mantido a sua participação nesse mercado. Já na Argentina, que compra basicamente produto industrializado, a perda equivale a US$ 1,3 bilhão. Com a indústria paralisada, as exportações do setor caíram 3,6% só no ano passado. A China vem ocupando o espaço brasileiro. Na América Latina, as vendas brasileiras têm perdido terreno para produtos peruanos e colombianos. O Peru investe 25,4% do PIB e a Colômbia, 24,1% do PIB. Além de investir aquém do necessário para impulsionar as exportações, o Brasil vê o empresariado se voltar para o mercado interno. O país já teve 30 mil empresas exportadoras, e esse número caiu para 18 mil. Resultado: o embaraçoso 24º lugar na lista de economias que mais exportam. Enquanto isso, no mundo inteiro, o comércio internacional de bens mostrou mais vigor ao em 2012: cresceu 2,1% nos três primeiros trimestres, segundo dados compilados pelo Banco Central. É um ritmo menor que a média de 6% dos últimos anos, mas é o início de uma retomada após a crise. — Esse era o momento de recuperar o mercado perdido, mas falta agressividade — concluiu o diretor do departamento de comércio exterior da Fiesp, Roberto Gianetti da Fonseca. — Estamos pagando o preço de anos de negligência com a nossa competitividade. Acordo entre EUA e UE ameaça Em alguns mercados, o Brasil aumentou sua participação. É o caso de Canadá, China, Cingapura e Holanda. Juntos, esses avanços somam ganhos de US$ 2,8 bilhões. No balanço geral das exportações, incluindo as commodities, como o país diversificou os destinos, os analistas preveem estabilidade na participação verde-amarela no comércio mundial, em torno de 1%. Para suprir lacunas importantes da competitividade, como impostos excessivos, falta de infraestrutura para o escoamento da produção e burocracia que encarece o produto, a indústria espera um dólar bem mais valorizado em relação ao patamar atual. Uma cotação de R$ 2,30 agradaria 80% do setor. Já R$ 2,40 seria a alegria geral. — O dólar poderia ser o que fosse, se a gente fosse competitivo nas outras áreas e não tivesse todo esse custo Brasil — afirmou o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o risco de ficar para trás num momento como esse tem um agravante: o acordo que é negociado entre Estados Unidos e União Europeia. Esses são os dois maiores mercados dos produtos industrializados do Brasil. Se os gigantes econômicos chegarem a um entendimento nos próximos dois anos, ditarão o futuro de pelo menos um terço do comércio mundial. — É uma ameaça (à indústria brasileira), e se esse acordo vingar vai ficar muito mais difícil exportar — previu a gerente-executiva de negociações internacionais da CNI, Soraya Rosar: — O Mercosul já não é mais solução para o problema da exportação brasileira. (webremix.info) |
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Governo quer autonomia b?lica brasileira
BRASÍLIA — O governo decidiu adotar como estratégia para fortalecer o sistema de defesa nacional a cooperação e a formação de polos produtores com os vizinhos sul-americanos e com os países da África ocidental. O ministro da Defesa, Celso Amorim, disse ao GLOBO que esse tipo de integração faz parte do processo de revitalização da indústria brasileira. Um dos objetivos é tornar o Brasil menos dependente de equipamentos e da tecnologia estrangeira. Em uma missão inédita, Amorim, que foi ministro das Relações Exteriores no governo Lula, embarca hoje para Angola e Namíbia, acompanhado de executivos de 12 empresas brasileiras interessadas em fazer negócios, joint-ventures e outros tipos de cooperação no continente africano. Amorim lembrou que, com aprovação da Lei 12.598, o governo está regulamentando as Empresas Estratégicas de Defesa (EED), que deverão ser líderes nacionais e regionais, com incentivos tributários e concorrenciais, para fortalecer a autonomia bélica do país, e, de quebra, estimular a indústria e a balança comercial. — Essas medidas legislativas são importantes, não só porque a defesa é um estímulo importante para a indústria em qualquer país do mundo, mas também porque é preciso ter um grau razoável de autonomia tecnológica e industrial para garantirmos a defesa. Interessa ao governo promover os dois lados — disse o ministro. No roteiro, a América do Sul Amorim destacou que o governo quer elevar o percentual histórico de investimentos do setor público em defesa, de 1,5% do PIB para cerca de 2%, em um horizonte de dez anos. A meta consiste em um estímulo suficiente para que empresas de pequeno, médio e grande portes ingressem no mercado armamentista e invistam também no mercado externo. Na viagem para Namíbia e Angola, Amorim levará Embraer, Condor, Schmid Telecom, Avibras, Agrale, Andrade Gutierrez, Taurus, Odebrecht, Emgepron, CBC, VBR e H2Life. A missão é o primeiro passo de uma prospecção no continente e a ideia do ministro é repetir o sucesso que o Brasil vem obtendo nas relações com os países da América do Sul. Segundo o ministro, o Brasil já consolidou parcerias estratégicas em toda a América do Sul, tendo como fórum de referência o Conselho Sul-Americano de Defesa. Há, por exemplo, a participação da indústria argentina na composição do avião de carga KC-390, da Embraer; a compra de quatro lanchas fluviais da Colômbia; o projeto de criação de um navio patrulha fluvial por brasileiros, colombianos e peruanos; além de articulações para a contratação conjunta de veículos aéreos não tripulados (vants). — Queremos criar uma indústria de defesa sul-americana, até porque ninguém quer ser simplesmente um mercado. Na Europa, isso já acontece e aqui cooperamos de igual para igual — disse. — Queremos agora algo semelhante com a África, porque há um interesse comum em manter o Atlântico Sul livre de conflitos, diante das riquezas que ele possui. Além da óbvia defesa do pré-sal, segundo Amorim, o Brasil também tem preocupação com recursos geológicos no fundo do Atlântico, onde já existem pesquisas avançadas. Há, ainda, grande preocupação com a pirataria, uma vez que boa parte do comércio exterior brasileiro, incluindo importações de petróleo, passam por essas águas. Todos os três navios de patrulha oceânica comprados pelo Brasil da BAE Systems, do Reino Unido, por exemplo, passaram por portos africanos antes de chegar. Segundo Amorim, Angola, que já tem parcerias com o Brasil, quer que as empresas brasileiras façam lá joint-ventures. — Mas as empresas é que vão ter a última palavra. ‘Tecnologia não se dá’ Com o chamado Brics (sigla para o bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), há parcerias em formato bilateral. Por exemplo, o Brasil acaba de formalizar a aquisição de equipamentos de artilharia antiaérea da Rússia, tem parceria para a construção de mísseis ar-ar com a África do Sul e o próprio ministro visitou recentemente a Índia. No caso da China, a parceria no campo espacial acaba tangenciando o setor militar. Segundo Amorim, “nossa cooperação não se esgota nas vendas”. Ele, porém, é cético em relação às promessas de transferência de tecnologia dos países desenvolvidos. — Tecnologia não se dá. Amorim contou que, quando trabalhava no Ministério de Ciência e Tecnologia, perguntou a um colega qual a diferença entre dar e transferir. — A resposta foi: “Se eles te derem, é ciência; se te venderem, é tecnologia”. (webremix.info) |
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Mineradoras reavaliam planos na ?frica
Alguns países, incluindo Mali, Guiné e especialmente África do Sul, que tem a maior indústria de mineração do continente, tornaram-se recentemente o foco de preocupação do setor. A África do Sul está considerando elevar impostos para a mineração. (webremix.info) |
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M?es leoninas e atropelamentos dominam o Festival de Berlim
BERLIM - O amor de mãe surgiu com toda força, em bloco temático, na competição do 63º Festival de Berlim. O programa da segunda-feira na disputa pelo Urso de Ouro foi aberto com a produção romena “Child’s pose”, de Calin Peter Netzer, sobre uma arquiteta da classe alta que move mundos e fundos para livrar o filho, um sujeito apático, da condenação pelo atropelamento e morte de um adolescente de origem humilde. Controladora e manipuladora, Cornelia (Luminita Gheorghiu) usará todos os artifícios para atingir seu propósito, inclusive subornar a testemunha do acidente e a família do morto. Abusando de câmeras soltas, um dos piores clichês dos filmes independentes modernosos, o diretor se concentra na construção da protagonista, refletida no difícil relacionamento com o filho problemático (Bogdan Dumitrache). O grande destaque da produção é a perfomance de Luminita, que fornece carne e alma ao retrato de Cornelia, uma mulher de meia-idade, imersa em suas aspirações burguesas e consumida pelo amor próprio. — Esse tipo de amor incondicional, às vezes, pode acabar se voltando contra você mesma — observou Luminita, ladeada pela equipe do filme, em entrevista coletiva. Veja também — Cornelia é um exemplo de um tipo de amor patológico, o de uma mãe capaz de fazer qualquer coisa para proteger a sua cria. Era sobre esse tipo de amor que eu queria falar no filme — explicou Netzer. A figura da mãe leonina voltou a aparecer em “Layla Fourie”, da diretora estreante Pia Marais, um thriller policial com aspirações a drama de fundo social. A personagem-título é uma batalhadora mãe solteira de Johannesburgo (África do Sul) que consegue emprego fixo em uma empresa de segurança e, a caminho de sua primeira tarefa, acidentalmente atropela e mata um homem branco na estrada. Temendo pelo futuro do filho pequeno, Layla tenta encobrir a tragédia, mas acaba se envolvendo com o filho e a mulher da vítima. Aqui, mais uma vez, o artificialismo da trama é salvo pelo desempenho de sua protagonista, a jovem e bela Rayna Campbell. Crítica favorável Enquanto isso, fora da competição, a “Variety”, bíblia da indústria cinematográfica, publicou em seu diário do festival uma crítica elogiosa a “Você nunca disse eu te amo”, do brasileiro Bruno Barreto, exibido ontem para a imprensa estrangeira. “Ostentando performances inteligentes de Miranda Otto e Gloria Pires como amantes diferentes como a água do vinho, o atraentemente armado filme pode agradar as plateias mais maduras e sofisticadas, e também pode funcionar junto ao público do circuito de festivais LGBT”, escreveu o crítio Guy Lodge. (webremix.info) |
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Camisinha ? reiventada, mas sem perder a efic?cia
Elas já são coloridas, com sabores artificiais, distribuídas de graça, como faz o governo federal, que nos dias de folia disponibilizará cerca de 70 milhões de camisinhas aos estados brasileiros. Mas a resistência pelo uso ainda existe, a preocupação com doenças sexualmente transmissíveis e com a gravidez indesejada passa longe da cabeça de boa parte. Por isso é que pesquisadores e empresas de vários países se debruçam sobre novos materiais, mais resistentes; e novas formas, mais anatômicas, para colombina, pierrot, Christian Grey, dançarina de cabaré ou pirata nenhum botar defeito. Elas não chegam ao mercado para este carnaval, mas já dá para ir imaginando o que vem por aí. — As companhias de preservativos começaram a focar na sensação de prazer. A maioria das relações sexuais ocorre porque é prazerosa. Portanto, dada a importância da camisinha, é preciso que aqueles que as produzem entendam o que os consumidores gostam e como elas contribuem para o sexo — explicou Michael Reece, diretor adjunto de pesquisa e pós-graduação da Escola de Saúde Pública da Universidade de Indiana (EUA), responsável por um dos maiores estudos em comportamento sexual. É o que também defende o designer de produtos Daniel Resnic, dono da americana Strata, responsável pela Origami Condoms: “funcionalidade e prazer devem andar juntos, sem negligenciar um ou outro”. Em 1994, descobriu ser HIV positivo, o provável resultado de uma camisinha rasgada, o que o fez se envolver na causa. A primeira mudança que implementou foi no material: um adeus ao látex, usado há quase um século, para dar lugar ao silicone. Segundo ele, é mais flexível, tem menos fricção e bloqueia vírus com mais segurança. No design, uma espécie de acordeon promete transformar o sexo com camisinha melhor do que sem ela. Preservativo para sexo anal é uma das apostas A grande novidade, na verdade, é o estudo para a criação de um preservativo especial para o sexo anal, uma das principais formas de transmissão do vírus HIV. Ele levaria em consideração a diferente anatomia, e o parceiro ativo não a vestiria, seria parecido com o diafragma, que já é usado informalmente por alguns no sexo anal. — O preservativo anal teria um consumidor esperado de homossexuais masculinos, no entanto, o maior mercado para este dispositivo é de heterossexuais, simplesmente devido às proporções populacionais, de 10% de gays contra 90% de héteros — afirmou Resnic, por email. Com patrocínio do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, as pesquisas estão no estágio de testes clínicos. De acordo com Resnic, está prevista uma avaliação da Food and Drugs Administration (FDA), a agência regulatória do país, em outubro de 2014. Em seguida, na União Europeia e no Brasil. Se aprovado, seria uma enorme mudança comparada com o início do uso de preservativos. A primeira referência na literatura médica é do século XVI, quando o anatomista Gabriele Falloppio inventou uma espécie de linho feito de pele de animais, intestino e bexiga, para ser usado contra a sífilis. Diz a lenda que o galanteador Casanova chegou a testá-lo nos carnavais de Veneza, mas não curtiu. Depois de outras experiências malsucedidas, o látex chegou por volta da década de 1920, e pouco mudou nos anos subsequentes. Um novo protótipo de diafragma, o SILC, também vem sendo testado pelo Programa de Pesquisa Contraceptiva (Conrad). Uma barreira de silicone se diferenciaria de outros dispositivos por ser de tamanho único, capaz de se adequar a qualquer corpo feminino. Além disso, diafragmas em geral impedem a gravidez e o contágio de algumas doenças sexualmente transmissíveis, mas não são eficazes contra a Aids. — A Conrad irá testar o SILC junto com o gel tenofovir, o primeiro produto que mostrou reduzir infecções, como o HIV. Ele já vem sendo testado em nove países no sul da África — defendeu a pesquisadora Annette Larkin. Gel contra Aids é testado de diferentes formas Além da Conrad, outros centros põem o gel microbicida no front das pesquisas. Na própria Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o setor de estudos genéticos criou, a partir de algas, um gel capaz de prevenir a Aids. O objetivo, neste caso, seriam países, como alguns africanos, em que até 60% das mulheres foram contaminadas, e onde a opinião prevalente é a do homem, que tem maior resistência quanto ao uso do preservativo. A Universidade Laval, de Quebec, no Canadá, vem trabalhando num estudo parecido. Um aplicador introduziria o gel da “camisinha invisível”. — Homens sempre tiveram o controle sobre a camisinha. Mulheres não têm voz. Nosso objetivo seria ajudar as mulheres — disse a professora Rabeea Omar, à revista “New Scientist”. Na Universidade de Washington, um tipo de fibra, chamada electrospun, seria aplicada na vagina e dissolveria o germicida, eficiente para a contracepção e ainda preveniria contra o HIV. — Nós já temos as drogas para fazer isto. O que precisamos é de uma tecnologia para aplicá-la de forma que as torne mais potentes e façam com que a mulher queira utilizá-la — defendeu Kim Woodrow, autora do estudo publicado na “PLos One” e premiado pela Fundação Bill e Melinda Gates. O pesquisador Michael Reece ainda pondera sobre esta tecnologia de germicidas: — Mais pesquisas ainda são necessárias. Alguns previnem contra gravidez e HIV, mas não contra infecções de pele, como herpes e verrugas genitais. E também precisamos entender melhor como eles seriam utilizados — disse ele, que ainda garante que já houve mudanças significativas nos últimos cinco anos. — Hoje elas vêm em diferentes formas, texturas e materiais, com lubrificantes que trazem mais prazer. A indústria de preservativos tem seguido as preferências dos consumidores. Mitos provocam resistência a uso O mercado global de preservativos deve atingir a marca de 27 bilhões de unidades vendidas e de US$ 6 bilhões arrecadados no ano de 2015. Mas números da ONU mostram que 34 milhões de pessoas estão vivendo com o vírus da Aids. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, são 608.230 casos registrados de Aids. Anualmente, no país, a doença ainda mata 12 mil pessoas. O pesquisador Michael Reece, diretor adjunto de pesquisa e pós-graduação da Escola de Saúde Pública da Universidade de Indiana, publicou recentemente um estudo sobre o uso de preservativos e diz que a resistência ao uso ocorre por causa de certos mitos: — Não é verdade que as camisinhas diminuem o prazer. Hoje estamos aprendendo que tanto homens quanto mulheres afirmam que acham o sexo agradável com ou sem camisinha. Outro mito comum é que elas não são eficientes como os métodos anticoncepcionais. Isto não é verdade. Cada preservativo é testado individualmente antes de ser distribuído, e eles são o único método contraceptivo que ainda garante proteção contra infecções sexualmente transmissíveis — afirma. A pesquisa ainda mostrou que as pessoas acham o preservativo uma importante parte do prazer da experiência sexual, porque acreditam em sua eficiência (que é de quase 100%) e não se preocupam com as consequências do ato sexual, se sentindo mais relaxados durante o momento. Além da Aids, o preservativo protege contra uma série de outras doenças. No Brasil, são registrados por ano 937 mil casos de sífilis; 1.541.800 de gonorreia; 1.967.200, de clamídia; 640.900, de herpes genital; e 685.400, de HPV. Outras doenças cujas estatísticas são hepatites B e C, candidíase e outras infecções. (webremix.info) |
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?A medicina do futuro terá como base os transgênicos?
Na unidade de Recursos Genéticos e Biotecnologia da Embrapa, Elibio Rech coordena mais do que pesquisas de produtos transgênicos para a agricultura, e até a prevenção da Aids está na pauta. Árduo defensor dos transgênicos, Rech acredita que a medicina pode se beneficiar muito da biogenética, por reduzir os custos e tempo de fabricação de remédios. Ele diz que este é um caminho sem volta. A Embrapa tem uma pesquisa de prevenção da Aids a partir de transgênicos. Em que estágio está? Está muito avançada. Em alguns tipos de algas foram descobertas moléculas que inibem a replicação do HIV. Hoje temos essas proteínas sendo produzidas no nosso laboratório, na soja; na Europa, em arroz e milho; nos Estados Unidos, em tabaco. Elas seriam usadas por mulheres como um gel microbicida antes do ato sexual. São muito importantes para a África, onde há países com mais de 60% das mulheres com HIV. Ele não tem efeito no homem? Não. O objetivo principal deste estudo foi para as mulheres, porque muitas africanas não têm opção da utilização de preservativos pelos parceiros. Então, com isto, elas decidiriam. Qual é a viabilidade da pesquisa? Durante o processo de avanço tecnológico, existem dois grandes desafios: o principal é saber fazer a engenharia; e depois, é tornar isto economicamente viável. Agora estamos neste ponto. É uma iniciativa de um consórcio entre países, que conta com o apoio dos governos brasileiro, americano e inglês. Faltam recursos para produção em larga escala? O Brasil tem investido em Ciência e Tecnologia. São alguns bilhões, uma percentagem de 1 a 1,7 do PIB. Não é um valor pequeno, inclusive comparado a países desenvolvidos. A nossa diferença é que o investimento do setor privado é insipiente. E não existe possibilidade de, com o custo das pesquisas atualmente, chegarmos ao desenvolvimento de produtos se não houver uma participação maior do setor privado. Por que o senhor acha que o setor privado não se mobiliza, já que os produtos poderiam trazer ganho para a própria indústria? Não existe uma cultura de investimento em ciência nas empresas. A Embrapa está sob o Ministério da Agricultura, e em geral, o foco do órgão é esse. A linha farmacêutica seria um novo viés? Continuamos na área de alimentos. Esta pesquisa é uma expansão natural da utilização de plantas, até então limitadas ao consumo humano e animal, a outros setores de produção. A Embrapa não estará envolvida no desenvolvimento de produtos farmacêuticos. Nós temos uma semente de soja produzindo uma molécula contra HIV, já fizemos uma parte. Os testes de HIV são feitos na UFRJ e nos EUA. A pesquisa de fronteira hoje demanda um relacionamento interinstitucional. Como a biogenética poderá beneficiar a saúde? Poderá reduzir o custo de produção. Esperamos ser capazes de produzir moléculas, inclusive que já estão no mercado, como o hormônio de crescimento humano, até 40% mais baratas. Isto possibilita acesso de uma maior camada da população. Na farmácia, ele custa R$ 4 mil por mês. A base da medicina do futuro terá como fundamento o uso de moléculas transgênicas. Reduzir o custo destas moléculas será um objetivo das indústrias. A Lei de Biossegurança, que trata dos transgênicos no Brasil, é de 1995. Ela atende aos avanços atuais? Nossa legislação é boa. Foi muito bem equacionada e atende perfeitamente à segurança alimentar e ambiental dos produtos desenvolvidos. Com início de pesquisas na década de 1960, os transgênicos hoje ainda são polêmicos em setores da sociedade. Como o senhor lida com isto? Não há polêmica. Existem segmentos que insistem em levantar e continuar discutindo este ponto, que deve obviamente ser discutido. Mas estes produtos são consumidos há 15 anos, e não existe evidência de qualquer malefício à saúde humana, ambiental ou animal. Existem reivindicações de segmentos, mas não evidência. Uma das preocupações é que se trata de um método relativamente novo e que não há um longo prazo para avaliar seus prejuízos ou benefícios. Não vamos ter nunca. Nada que façamos vai estar totalmente imune. Mas como a ciência então pode garantir a segurança de transgênicos? Isto se garante por ensaios e avaliações. Mas o que significa segurança num cenário em que nenhum alimento que você comeu hoje no almoço é natural? Absolutamente todos eles são produtos da tecnologia. O arroz, o feijão, a carne, todos os vegetais. Não vai existir nunca a possibilidade de garantir efeito zero, de nada. Mas nós podemos reduzi-los. Em que ponto chegamos com o desenvolvimento de transgênicos? A um bom ponto. Nos anos 60, acreditávamos que queríamos ir até onde estamos hoje. Temos o domínio da biologia sintética, o que vai acelerar o desenvolvimento de numerosos produtos com benefícios para a sociedade. E um ponto importante é que os transgênicos têm a premissa de que todo e qualquer produto desenvolvido a partir de hoje tenha embutida a redução de emissões de CO2 na atmosfera. Como o senhor vê para os próximos anos o potencial da biogenética? É uma tecnologia que chegou para solucionar vários problemas sérios. Estive num congresso internacional onde foi apresentada uma célula sintética. Para se ter ideia, se aparecer hoje um vírus mortal da gripe, nós precisamos de 35 dias para produzir uma vacina. Com a célula sintética, dá para produzir em sete, e o objetivo é chegar a um. Você acha que isto tem volta? Se aparecer uma epidemia que pode matar milhões de pessoas, vamos esperar 35 dias, tendo uma técnica mais rápida? Isso é uma ilusão. (webremix.info) |
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Brasil passa despercebido em Davos
DAVOS - No momento em que surgem dúvidas sobre a capacidade de o país retomar um ritmo acelerado de crescimento, o Brasil passou praticamente despercebido em Davos este ano. Com uma delegação de pouca projeção internacional, coube ao presidente do Banco Central, Alexandre Tombini — a autoridade econômica de maior visibilidade — fazer sozinho a defesa do país. Tombini assegurou que o país poderá surpreender com um crescimento acima de 3% este ano.
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Os pessimistas históricos de Davos montaram guarda. O maior deles, o economista americano Nouriel Roubini, quase não mencionou o Brasil. Quando falou de emergente, o assunto era a China. Na única vez que mencionou o Brasil, numa mensagem de twitter e no blog, foi para dizer que o excesso de intervencionismo nos Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, China e África do Sul) é que prejudica o crescimento. Mas em Davos, o time dos otimistas em relação ao Brasil também tem peso. Joseph Stiglitz, prêmio Nobel, disse ao Globo que o Brasil foi um dos países mais bem-sucedidos do mundo na redução da desigualdade — que é elemento crítico para o crescimento. Para ele, não há dúvida de que o Brasil tem a faca e o queijo nas mãos para assegurar um crescimento acelerado: os fundamentos da economia estão fortes, disse. Angel Gurría, secretário-geral da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), já apagou da memória o crescimento de 1% do Brasil em 2012. — O ano passado já passou. Acabou, ok? Em 2013, nosso cálculo é de um crescimento em torno de 4%. É um progresso. E vai acontecer num contexto no qual o crescimento da Europa continuará anêmico e dos Estados Unidos, medíocre — disse. Para Gurría, o esforço que o Brasil terá que fazer este ano para crescer será maior, já que não há um contexto favorável no plano internacional. Mas o crescimento chinês e a recuperação da Índia, segundo ele, vão ajudar também o Brasil. Em Davos, este ano, a ausência do Brasil foi ocupada por países da região que mais estão crescendo na América Latina, como México, Peru, Chile, Colômbia e até Panamá. O primeiro-ministro do Peru, Juan Jiménez Mayor, celebrava em Davos o fato de seu país estar “na moda”, com taxas de crescimento de mais de 6% desde 2005 (com exceção de 2009, auge da crise financeira mundial). O país também deverá fechar 2013 com mais de 6%. Mas ele também reconheceu a diferença com o Brasil: — Bom… O Brasil é um país muito grande, tem uma indústria forte demais e é um sonho em tudo o que tem, como a indústria aeronáutica. O Brasil está conectado em outro nível: a competição do Brasil está no nível industrial. Ainda não temos esta capacidade — afirmou. O primeiro-ministro disse que seu país quer lutar por um tratado de livre comércio com o Brasil. E que não entende porque isso ainda não aconteceu. Para ele, as crises da Europa e dos Estados Unidos abriram oportunidades para a América Latina. Mas o continente, segundo ele, quer que europeus e americanos se reergam — o que possibilitaria um crescimento ainda maior dos latinos. Para o presidente do Banco do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Luis Moreno, Brasil e México seguem sendo as duas referências na América Latina. Para ele, convém ao Brasil o baixo crescimento para fazer reformas estruturais. — Mas como todo brasileiro, o Brasil (o crescimento do Brasil) vai passar no último minuto do segundo tempo, na boca do gol — brinca. Moreno argumenta que não dá para comparar um país como o Brasil com economias pequenas que estão crescimento, como Peru, Colômbia e Chile: esses últimos precisam estar com suas economias abertas e exportar muito. Isso explica também a diferença de visões de modelo de desenvolvimento no continente. — Essa diferença de visões tem a ver com o tamanho dos países e também com ambições políticas diferentes. O Brasil fez muitíssimo para a inclusão social e podemos ver hoje como milhões de brasileiros saíram da pobreza e ingressaram na classe média. Por conta da situação de crise internacional, ele prevê que a América Latina vai deixar de ganhar 1% de crescimento nos próximos 5 anos. O continente, insistiu, tem de seguir fazendo as reformas estruturais, sobretudo para resolver problemas de produtividade, reduzindo o mercado informal, onde trabalham 40% da população ativa do continente. (webremix.info) |
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Morre na ?frica do Sul pol?mico criador do Museu do Apartheid
O magnata Abe Krok, controvertido criador, ao lado de seu irmão gêmeo Solly, do Museu do Apartheid, em Johanesburgo, e da célebre máquina depiladora Epilady, morreu nesta semana na África do Sul, aos 83 anos de idade, informou neste domingo o jornal Sunday Times . Krok, que era um químico de formação, sofria do mal de Parkinson e demência senil. Ele ficou rico ao lado de seu irmão ao montar uma indústria farmacêutica. (webremix.info) |
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Conven??o das Na??es Unidas deve estabelecer metas de redu??o de merc?rio at? o fim do ano
GENEBRA - É difícil na Amazônia dissociar garimpo do uso de mercúrio. Tradicionalmente, é o metal que separa o ouro da terra e de outras pedras. É ele também o responsável por uma dupla contaminação, de rios e do ar, durante o processo de mineração. O problema se repete em outros setores da economia, não só no Brasil, como em países em desenvolvimento. O primeiro alarme foi dado pelas Nações Unidas há cerca de dez anos. Agora, a situação é gritante. Segundo um novo relatório do órgão, há entre 13 a 15 milhões de pessoas na América do Sul, África e Ásia contaminadas pelo metal. Para costurar uma convenção intergovernamental pela redução do mercúrio, nações integrantes da ONU, entre elas o Brasil, reuniram-se em Genebra na semana passada. Enquanto isso, pesquisadores brasileiros preparam um protocolo para mapear focos de intoxicação no país. De acordo com o levantamento da ONU, que foi apresentado em Genebra, as emissões de mercúrio na mineração artesanal dobraram desde 2005. Elas são responsáveis por 35% de todo o metal emitido para a atmosfera. Em termos regionais, a Ásia é a principal responsável pela poluição, especialmente devido à contribuição da China. O Ministério do Meio Ambiente (MMA) brasileiro enviou uma equipe de técnicos a Genebra, para participar da elaboração do texto da convenção internacional. Segundo o órgão, o documento deverá ser finalizado e aberto para assinaturas em outubro deste ano. Logo que o Brasil se tornar signatário, o caminho natural é que um projeto de lei seja encaminhado ao Congresso Nacional, para que o país se adeque. Desde 2000, a lei 9.976 proíbe o uso de mercúrio para produção de cloro em novas fábricas, e há resoluções do Conselho Nacional do Ambiente (Conama) sobre o metal. O que se propõe agora, no entanto, é uma política nacional que regulamente o uso em todos os setores da economia. Um dos problemas no país é a subnotificação de casos de intoxicação por mercúrio. Para mudar o cenário, uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) está construindo o Protocolo Clínico para Diagnóstico e Vigilância da População Exposta ao Mercúrio, a pedido do Ministério da Saúde. A partir dele, os casos passarão a ser especificados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Exposição alta na Amazônia Atualmente, a falta de padronização dificulta os diagnósticos. Sem dados, faltam provas que responsabilizem setores econômicos pelo aumento das intoxicações. Isso pode mudar com o novo protocolo, segundo a médica da UFRJ e uma das responsáveis pela formulação do documento, Heloísa Pacheco. — São milhares de brasileiros intoxicados por ano por mercúrio, seja pela mineração, em indústrias de lâmpadas ou no setor de saúde. Esses são os principais causadores do problema. E o processo de intoxicação vai piorando com o tempo. Há pacientes que foram expostos na década de 70 e agora manifestam sintomas — disse Heloísa, que tem mestrado e doutorado no estudo do mercúrio. A pesquisadora participa também de um projeto de análise de casos de intoxicação de populações ribeirinhas, na localidade de Humaitá, no Amazonas. Um estudo recente concluiu que moradores da região tem elevado nível de exposição ao metal, seja pelo ar ou pela alimentação baseada em peixes. Após usar o mercúrio para separar partículas de ouro dispersas no solo, garimpeiros aquecem o metal, que evapora. Quando chove, ele contamina também os rios. O fenômeno faz com que a mineração seja uma das principais responsáveis pelos danos à saúde de brasileiros, especialmente na região amazônica. Além de afetar o sistema nervoso, ele causa problemas de coordenação motora, na visão e na fala. Segundo o responsável pela Divisão Química do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), David Piper, que participou das discussões em Genebra na semana passada, o maior risco de contaminação de populações por mercúrio é exatamente por meio de peixes. Eles crescem em rios poluídos por atividades humanas que emitem o metal e, como ele sofre bioacumulação, a concentração aumenta ao longo da cadeia alimentar. — As consequências da exposição ao mercúrio para a saúde são muito graves. Os custos sociais e financeiros que as contaminações podem causar são altíssimos. Estimamos o aumento de danos econômicos por deficiência mental e física , decorrentes do mercúrio. Aumentam também consideravelmente as chances de assistirmos a outros casos como o da Baía de Minamata — respondeu Piper, referindo-se ao derramamento de mercúrio por uma indústria na cidade japonesa em 1930, que teve como consequência intoxicações e mortes registradas a partir de 1956. Poucos avanços O representante da ONU ressaltou ainda que, além da atividade de mineração, o metal é emitido para a atmosfera pela queima de carvão para geração de eletricidade, na indústria de calcário (fabricação de cimento), em produtos usados por dentistas e em hospitais (como termômetros), na indústria de cloro-álcali, e no descarte do metal em aterros sanitários não controlados, entre outros. No setor de mineração, especialmente no que diz respeito ao garimpo ilegal, os avanços foram poucos nos últimos anos. É o que apontam estudos da ONG WWF na região amazônica do Brasil, no Suriname e Guianas, segundo Claudio Maretti, líder da Iniciativa Amazônia Viva da Rede WWF. — Pelo menos em áreas de conservação e em áreas indígenas, o garimpo deveria ser combatido. Não adianta reduzir o desmatamento e deixar solos e água da floresta serem envenenados. Sem falar nos impactos sociais da atividade, que estão sendo debatidos a partir das técnicas ambientais predatórias. No setor de saúde, o movimento Saúde Sem Dano (noharm.org), coalização internacional de hospitais e sistemas de saúde do qual algumas instituições brasileiras participam — entre elas o grupo de Toxicologia da UFRJ —, tem como objetivo divulgar alternativas a equipamentos feitos com mercúrio. O objetivo é eliminar o uso do metal no setor até 2020. (webremix.info) |
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Brasil e restante do mundo sentem reflexos da escassez de ?gua
RIO - Em pouco mais de duas décadas, o mundo terá nove bilhões de pessoas, um acréscimo de dois bilhões à população. Se um terço deste total engrossar as fileiras de consumidores da classe média, a pressão sobre os recursos naturais do planeta se tornará insustentável. Só o consumo de água aumentará 30%. Haverá necessidade de produzir 50% a mais de alimentos, e a oferta de energia terá de crescer 45%. “As economias estão oscilando. A desigualdade está crescendo. E as temperaturas globais continuam subindo. Estamos testando a capacidade do planeta de nos sustentar”, resumiram os 22 integrantes do Painel de Alto Nível da Secretaria-geral das Nações Unidas numa análise da sustentabilidade global entregue há exato um ano à cúpula da ONU. Se nada for feito para mudar o padrão de consumo, dois terços da população global poderão sofrer com escassez de água doce até 2025. A previsão é da própria ONU, que declarou 2013 o Ano Internacional da Cooperação pela Água. Também aqui há risco de escassez. Um estudo da Agência Nacional de Águas (ANA) mostra que, dos 29 maiores aglomerados urbanos do país, 16 precisam achar novos mananciais para garantir o abastecimento até 2015. São 472 municípios em busca de novas fontes de água, 56 deles ficam em três Regiões Metropolitanas do estado de São Paulo (Campinas, Baixada Santista e a própria capital). — Tivemos forte urbanização onde não havia água — resume Dante Ragazzini, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental. A água doce está em rios, lagos, geleiras e aquíferos, mas representa apenas 2,5% do total de água da Terra. Nem toda ela é acessível ao consumo humano e, pior, a distribuição é desigual entre os países. Mesmo no Brasil, que ostenta a maior reserva de águas doces superficiais do planeta (12% do total), as condições de acesso não são equânimes. A região hidrográfica Amazônica — que abrange Amazonas, Amapá, Acre, Rondônia, Roraima e grande parcela do Pará e do Mato Grosso — equivale a 45% do território nacional e detém 81% da disponibilidade hídrica. As regiões litorâneas, que respondem por apenas 3% da oferta nacional, abrigam 45% da população do país. Ou seja, os brasileiros se concentram cada vez mais em áreas onde a oferta de água é desfavorável. O problema também é social. Calcula-se que 12,1 milhões de brasileiros não têm acesso adequado ao abastecimento de água. As moradias “sem torneira” somam 4,2 milhões. O consumo é bastante desigual. Enquanto um cidadão do Rio de Janeiro usa 236 litros de água por dia, o consumo per capita em Alagoas é de 91 litros. Em São Paulo, 185 litros. Para a ONU, a quantidade de água do planeta é suficiente para atender a população mundial, mas não há mais espaço para o desperdício. No Canadá, o consumo per capita chega a 600 litros por dia. Enquanto isso, cerca de 783 milhões de pessoas no mundo não têm acesso à água potável. O consumo de água dos paulistanos é 4,3 vezes maior do que a água que há disponível. Só na Região Metropolitana de São Paulo são 19,9 milhões de consumidores, 10,4% da população do país. Principal fornecedora do estado, a Sabesp vem buscando água limpa a 80 km de distância, na represa Cachoeira do França, no Rio Juquiá, para atender um universo de 1,3 milhão de pessoas na Zona Oeste da capital e em municípios vizinhos. O novo sistema teve que ser inserido no maior remanescente de Mata Atlântica no estado, o Vale do Ribeira. A escassez de água não é o único dilema. O consumo humano exige que ela seja limpa e tratada, mas o crescimento das cidades engole mananciais. As águas superficiais ficam poluídas com o lançamento de esgoto, efluentes industriais e até mesmo venenos usados em larga escala na agricultura. Bacias, como as de Alto Iguaçu (PR), Rio Mogi Guaçu (SP), Rio Ivinhema (MS) e a do Rio Pará (MG), apresentaram queda no índice de qualidade de água no último levantamento publicado. Segundo dados da ANA, os motivos prováveis são o aumento da carga de esgotos domésticos e a falta de investimentos em saneamento. No meio rural, a poluição difusa e o uso do solo sem manejo causam assoreamento, piorando a qualidade das águas. No Brasil, 73% dos municípios são abastecidos com águas superficiais, sujeitas a todo tipo de poluentes. É importante lembrar que, quando os jesuítas fundaram São Paulo, havia abundância nos rios Tietê, Pinheiros, Anhangabaú e Tamanduateí. Hoje, o Tietê é pura lama no trecho que corta a cidade. A ausência de planejamento no passado colocou em risco mananciais e represas do entorno, como Billings e Guarapiranga, que foram invadidos, desmatados e poluídos. — Cuidamos mal da pouca água que temos. Poluímos 24 horas por dia. Mais de R$ 3 bilhões já foram gastos na despoluição do Rio Tietê e não se vê a diferença. Se não estancar o esgoto, a natureza sozinha não consegue reparar o dano. Os reservatórios também estão sendo poluídos e a água tem de ser tratada para voltar a ser potável — diz Édison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil. Nem mesmo as águas profundas estão a salvo da degradação e da exploração em excesso. Nos últimos anos, ocorreu um aumento significativo no consumo de água subterrânea no país. O estado de São Paulo é o maior usuário. São mais de mil poços, com três milhões de pessoas beneficiadas. Em alguns deles, a água sai quente e precisa ser resfriada. Em capitais do Nordeste, como Recife, Natal e Maceió, a falta de saneamento adequado fez com que o esgoto alcançasse poços. O excessivo bombeamento de águas profundas na região costeira e até mesmo métodos de produção de camarões, que aumentam a intrusão do mar, também geram problemas de salinização de aquíferos. Já foram identificados indícios do problema nas regiões oceânicas de Niterói e Rio das Ostras, no Rio de Janeiro, assim como no sistema aquífero Barreiras, no Rio Grande do Norte, e nas cidades de São Luís e Maceió. — Na medida em que a população se concentra nas áreas urbanas, a garantia de oferta de água se torna mais complexa. A população tende a degradar as águas mais próximas e o esgoto compromete mananciais. No semiárido, há o problema da escassez. Além disso, na imensa maioria dos municípios brasileiros, com menos de 50 mil habitantes, os sistemas de abastecimento são precários — afirma Sérgio Ayrimoraes, coordenador do Atlas Brasil de Abastecimento Urbano de Água, elaborado pela ANA. Segurança alimentar A água que mata a sede humana é a mesma usada na agricultura e na indústria. O campo é, de longe, o maior usuário desse recurso, e responde por 70% do consumo mundial. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), para produzir alimentos para uma única pessoa são necessários um total de 2,5 mil litros de água. Num documento lançado em julho passado na Itália, a FAO alertou para a crescente escassez decorrente das mudanças climáticas, colocando em risco a segurança alimentar. Lembrou que as chuvas aumentarão nos trópicos e diminuirão ainda mais nos semiáridos ao redor do mundo, que tendem a ficar mais secos e quentes. Com menos umidade, a produtividade agrícola também diminui. Aos governos, a FAO recomendou a criação de sistemas para gerenciar fontes, transferências e o uso da água, além de mecanismos de preservação das florestas. — A questão é de gerenciamento da água. Nesta seca, o abastecimento municípios atendidos pela Barragem de Mirorós, na Bahia, ficou à beira do colapso porque a água para irrigação de culturas só foi suspensa quando a seca piorou muito. Em Serra Talhada, Pernambuco, a 100 quilômetros do Rio São Francisco, a água estava quase chegando por adutora, mas a obra parou depois que começou a transposição. Agora, nem uma coisa, nem outra — diz Roberto Malvezzi, da Comissão Pastoral da Terra do São Francisco. O uso da água de Mirorós exemplifica a discórdia sobre o melhor aproveitamento do recurso. Para Ayrimoraes, da ANA, a barragem é exemplo de uma gestão bem sucedida da oferta compartilhada entre consumo humano e irrigação. Atualmente, 40% da população mundial vivem em países em situação de estresse hídrico. Cinco das dez bacias hidrográficas mais densamente povoadas do planeta, como as dos rios Yang-Tsé, na China, e Ganges, na Índia, já são exploradas acima dos níveis considerados sustentáveis. A África, que tem a maior taxa de prevalência da fome, é também o segundo continente habitado mais seco do mundo, atrás da Oceania. Nos últimos 30 anos, 57 milhões de pessoas foram afetadas pela seca na Etiópia. Na Índia, mais de 70% das chuvas ocorrem em apenas três meses do ano, o que faz com que haja escassez de água durante boa parte do ano na agricultura não irrigada. Em Tamil Nadu, um dos estados da Índia, a extração excessiva baixou o nível de água dos poços entre 25 e 30 metros em apenas uma década. A perfuração de poços profundos para irrigação agravou a seca também em alguns pontos do semiárido brasileiro. Foi o caso de Mamonas, no Norte de Minas. No ano passado, o município teve de ser abastecido com água tirada do Parque Estadual Caminhos dos Gerais, depois que a barragem mais próxima secou. — Em algumas regiões, as águas profundas foram comprometidas em quantidade e qualidade no passado. Poços se tornaram salobros, a água deixou de ser potável. A chuva também mudou. Agora vem mais intensa, em período mais curto, e o solo não consegue absorver. A água lava a camada superficial da terra. O ciclo natural da água foi alterado, porque quase todo rio tem barragem. Uma coisa leva a outra. Fazemos tudo o que está dentro da capacidade, mas estamos sendo traídos pela intensidade da reação da natureza — resume o sociólogo Marcos Affonso Ortiz Gomes, diretor do Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais. Outra demanda latente é a da produção de energia, que deve aumentar o consumo de água em 11,2% até 2050. A Agência Internacional de Energia (AIE) estima que pelo menos 5% do transporte mundial será movido por biocombustíveis em 2030. Em média, cada litro de etanol a partir da cana-de-açúcar utiliza 18,4 litros de água e 1,52 m² de terra, o que significa que a demanda pode ser devastadora em áreas onde a água é escassa, como a África. Para Ayrimoraes, da ANA, a tendência é aumentar o potencial de conflitos de interesses, seja entre regiões ou consumidores. A saída é economizar e melhorar a gestão. O estresse hídrico, no entanto, é maior nas regiões que concentram maior população, não necessariamente nas mais secas. Daí a preocupação. Hoje, as áreas urbanas consomem 60% da água doce do mundo e as projeções da ONU indicam que, até 2050, 70% da população mundial estarão concentradas em grandes cidades. No Brasil, a concentração urbana tem sido sinônimo de degradação ambiental. Boa parte do problema é justamente a falta de tratamento do esgoto. Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS 2010) mostram que apenas 53,5% da população urbana brasileira têm acesso à coleta e 37,9% ao tratamento de esgotos. O Instituto Trata Brasil chama a atenção para a “enorme ineficiência” dos sistemas de abastecimento de água no Brasil. A cada cem litros produzidos, 36 são perdidos, seja do ponto de vista físico, com desvios da água tratada, seja do ponto de vista de faturamento. Segundo o Instituto, em alguns municípios, como Porto Velho, Cuiabá, Rio Branco e Duque de Caxias, as perdas superam 60%. Na maior empresa do país, a Sabesp, foram de 25,6% em 2011. A meta, até 2019, é reduzir a 13%. No melhor sistema do mundo, o do Japão, a perda é de somente 5%. O Plano Nacional de Saneamento (Plansab), submetido a consulta pública pelo Ministério das Cidades, revelou que, em 2007, 30,3 milhões de brasileiros receberam em suas residências água que não atendia aos padrões de potabilidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde. A análise dos especialistas reprovou pelo menos um dos itens mínimos quando se analisa a qualidade: turbidez, cloro, coliformes totais e termotolerantes e bactérias heterotróficas. Calvário que dura sete meses Um boi está morto nas margens da BR-232 (Recife-Parnamirim), entre as cidades de Custódia e Serra Talhada, em Pernambuco. Sobre o animal, o sol brilha sem parar. Até demais. Não chove há sete meses no Sertão do Pajeú. Sofrem os animais. Sofrem os moradores. A falta de água tem danificado setores econômicos como a agricultura e a pecuária. Ainda mais grave que as perdas econômicas, a escassez absoluta de água tem prejudicado a qualidade de vida de milhares de pessoas. Na cidade de São José do Egito, a 404 km de Recife e com mais de 30 mil habitantes, não há água. Os dois açudes que abastecem a cidade secaram faz tempo. Quem tem uma posição privilegiada consegue uma maneira de abastecer as residências. A maioria da população, porém, depende de caminhões pipa contratados pelo governo estadual. São 20 veículos que, através de duas viagens diárias, levam o produto ao município. Parece muito, mas a cena de filas de moradores ávidos por solucionar a falta de água crônica chama a atenção em pleno século XXI. Coordenadora regional da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) de São José do Egito, Rúbia de Freitas é direta quando questionada sobre a cena que está castigando a cidade: — É uma situação de colapso. A água precisa ser buscada em municípios vizinhos que ainda possuem o recurso, como é o caso de Afogados da Ingazeira, a 55 quilômetros de distância, e Iguaraci, a 70. Períodos de seca não são incomuns nesta região. O abastecimento dependia dos dois únicos açudes. Antes de ser consumida, a ´água era levada para uma estação de tratamento. A última grande seca na cidade foi há 20 anos, em 1993. — A situação é precária. Não há previsão de chuva forte o suficiente para abastecer os reservatórios —lamenta Rúbia. A esperança está em duas adutoras que se encontram em fase final de construção. A mais emergencial é a que buscará água da barragem do Rosário, em Iguaraci. A previsão é que esteja pronta no início de fevereiro, em um investimento de R$ 10 milhões. A barragem citada, no entanto, é útil para quatro cidades. São José seria a quinta e ainda há a previsão de "colapso" em breve em outros municípios vizinhos. Há dúvidas quanto à capacidade e potencial da instalação para aliviar o problema de tanta gente e tanto terreno. A maior torcida é pela Adutora do Pajeú, que terá cerca de 600 quilômetros e contemplará 32 cidades. Entre elas, São José do Egito. A previsão é que a obra fique pronta em maio. Os investimentos totais são de R$ 500 milhões, com recursos são oriundos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). (webremix.info) |
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Ag?ncia argelina diz que sequestro acabou com morte de 7 ref?ns
ARGEL - Apesar da morte de reféns, o presidente da França, François Hollande, apoiou a intervenção do Exército da Argélia em um campo de gás em In Amenas, no deserto do país - onde sete sequestrados e 11 rebeldes morreram neste sábado, segundo a agência estatal APS. As circunstâncias da ação ainda são incertas. Fontes da agência Reuters afirmam que os radicais executaram as vítimas, e depois foram mortos por forças do Exército. De acordo com a Radio France, eles estavam trancados com o restante dos reféns em um setor de maquinários, armados com explosivos e lançadores de foguetes. Pouco após o anúncio da estatal, o primeiro-ministro britânico, David Cameron conversou com o premier argelino, Abdelmalek Sellal, que confirmou que a operação havia terminado. Pelo menos 23 estrangeiros e 32 rebeldes morreram no sequestro, que durou quatro dias. De acordo com o último informe oficial do Ministério do Interior, 685 argelinos e 107 estrangeiros foram libertados. Veja também Logo após o término da operação no campo de gás natural, Hollande afirmou que a abordagem da Argélia em relação à crise de reféns pareceu ser a mais adequada “porque não é possível manter negociações com o tipo de pessoas envolvidas no ataque”. - Nós ainda não temos todos os detalhes, mas quando há um número tão grande de pessoas sequestradas por terroristas com determinação tão fria e prestes a matar aqueles reféns, como eles fizeram, a Argélia teve uma atitude que, para mim, pelo que vejo, é a mais apropriada porque não poderia haver nenhuma negociação - afirmou. Em uma conferência de imprensa conjunta, em Londres, o ministro da Defesa britânico, Philip Hammond, classificou as perdas como “espantosas e inaceitáveis”. EUA e o Reino Unido confirmaram que o sequestro terminou com mais mortes, mas não deram detalhes sobre o fim da operação. Os dois países culparam os rebeldes que tomaram o complexo de gás natural no Saara pelas perdas, e não o governo da Argélia por sua operação de resgate. - Está acabado agora. A operação acabou, e o Exército ainda está dentro da indústria para retirar todos os explosivos instalados - disse uma fonte à Reuters. Mais cedo, a APS havia anunciado que os extremistas estavam cercados e que o Exército contava com o apoio de helicópteros. Ainda neste sábado, militares argelinos encontraram cerca de 15 corpos queimados dentro de uma instalação do campo, mas nenhum deles ainda foi identificado e não está claro como morreram. Em meio a diversas informações desencontradas, a Reuters afirmou ainda que 16 reféns haviam sido resgatados mais cedo pelo comando da operação, entre eles dois americanos, dois alemães e um português. A empresa britânica BP afirmou que 14 de seus 18 funcionários na planta de gás em In Amenas estão seguros, incluindo Mark Cobb, o gerente americano da companhia. O presidente-executivo Bob Dudley afirmou que o destino dos quatro empregados ainda é desconhecido. Dois dos 14 funcionários salvos sofreram ferimentos mas não correm risco de morte, afirmou Dudley. Citando o ministro de Energia da Argélia, ele confirmou que a operação militar já acabou e que os militares estariam limpando os explosivos do local. - Sentimos uma profunda e crescente inquietude... Tememos que, ao longo dos próximos dias, venhamos a receber más notícias - disse o presidente da Statoil, Helge Lund. O embaixador do Reino Unido para a Argélia chegou ao campo em In Amenas neste sábado, acompanhado de um time de diplomatas. Há temores de que ao menos 10 britânicos estejam entre os sequestrados mortos na investida de extremistas. Os detalhes da tomada do campo de exploração de gás na Argélia por radicais islâmicos começam a surgir. O ataque vinha sendo orquestrado nos últimos dois meses, disse um membro da Brigada Mascarada a um site de notícias da Mauritânia. O grupo inclui militantes da Argélia, Mali, Egito, Níger, Mauritânia e Canadá, e tinha como objetivo promover uma retaliação à investida francesa no Mali e ao apoio do governo argelino à ação europeia. O grupo, ligado à al-Qaeda, é liderado pelo extremista Mokhtar Belmokhtar, e composto por radicais de diversos países. Os terroristas condicionaram o fim do sequestro ao término da intervenção militar francesa no Mali contra islamistas que assumiram o controle do Norte do país. Conselho de Segurança condena ação de radicais Além do custo político do ataque para a Argélia, a estatal Sonatrach disse enfrentar perdas de US$ 11 milhões/dia com a suspensão das operações no complexo, embora as exportações de gás não tenham sido afetadas. O ataque ao campo de gás testou as relações da Argélia com o mundo, expôs a vulnerabilidade das operações de petróleo no Saara - atividade que reúne trabalhadores de diversas nacionalidades - e colocou em primeiro plano o avanço do radicalismo islâmico no Norte da África. A resposta da Argélia à crise foi típica de seu histórico de confronto a terroristas, favorecendo a ação militar no lugar da negociação, o que ocasionou críticas de outros países, preocupados com seus cidadãos. As forças militares argelinas atacaram as áreas onde os reféns eram mantidos duas vezes, na quinta-feira e neste sábado. Neste sábado, o Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou “em seus mais duros termos” o ataque de radicais ao campo de produção de gás na Argélia, seguido do sequestro de centenas de funcionários e da morte de alguns após uma investida de forças do governo. Em nota divulgada neste sábado, o órgão da ONU descreveu a investida dos terroristas como um ato “hediondo” e pediu que todos os países envolvidos realizem uma caça conjunta contra os terroristas e patrocinadores da ação. “Os membros do conselho expressam seu profundo pesar e sinceros pêsames às vítimas desse ato hediondo, às suas famílias, ao governo da Argélia e sua nação, e a todos os países cujos cidadãos foram afetados”, diz o comunicado lido por Masood Khan, representante permanente do Paquistão na ONU. “O conselho sublinha a necessidade de trazer os autores, organizadores, financiadores e patrocinadores desses atos de terrorismo à justiça, e exortamos todos os Estados envolvidos a cooperarem ativamente com as autoridades argelinas a este respeito." (webremix.info) |
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Viol?ncia amea?a a produ??o de g?s e petr?leo na Arg?lia
LONDRES - O assassinato de trabalhadores estrangeiros no deserto argelino ameaça a produção da maior indústria de petróleo e gás do Norte africano, principal fonte de receita de um país que evitou manifestações no período em que a Primavera Árabe varreu os regimes políticos de toda a região. A ação sangrenta que ocorreu na quinta-feira para resgatar reféns num campo de gás natural da britânica BP, responsável por 12% da produção da Argélia, deixará exploradores estrangeiros mais cautelosos sobre o trabalho no país, afirmou Ahmed Amdimi, professor de Ciência Política da Universidade de Argel (capital da Argélia). A Companhia Espanhola de Petróleo (Cepsa), a Statoil e a BP foram as primeiras empresas a retirar seus trabalhadores do local. Veja também
- As instalações de petróleo e gás eram até mais seguras do que o quartel do Exército. Tratava-se de oásis num país inseguro - garantiu James Le Sueur, professor de História da Universidade de Nebraska, em Lincoln, nos Estados Unidos, e autor do livro “Argélia desde 1989: entre o terrorismo e a democracia”. - O fato de eles terem chegado a estas unidades indica uma ameça muito substancial. Terceiro maior fornecedor da Europa A Argélia é o terceiro maior fornecedor de gás das 27 nações da União Europeia, que o distribui por tubulações que chegam ao continente passando sob o Mar Mediterrâneo. A energia representa em torno de 70% das receitas fiscais e 98% das exportações, de acordo com o Banco de Desenvolvimento Africano. A redução da segurança no deserto do Saara pode retardar perfurações por produtores incluindo a francesa Total, a italiana ENI e a norueguesa Statoil. - A Argélia vive de petróleo e gás. Atingir este setor é como abater o país como um todo. Se outras operações ocorrerem, isto terá um efeito muito perigoso para a economia argelina - alertou Amdimi. A BP afirmou num comunicado à imprensa que planeja retirar funcionários que não sejam essenciais do país. A Statoil, parceira da BP em In Amenas (cidade argelina próxima à fronteira com a Líbia), também disse ontem que nove de seus 17 funcionários da fábrica já estão seguros. A companhia mandará ao todo 40 empregados de volta para casa. A Cepsa também retirou os funcionários estrangeiros de dois locais a até 250 quilômetros de In Amenas. - Estamos nos coordenando urgentemente com empresas britânicas e ocidentais na região, e medidas adicionais de segurança serão adotadas quando necessário - disse o premier britânico, David Cameron. Preço do gás já aumentou O preço do gás já registrou aumento na quinta-feira na Itália, país que recebe 33% de seu abastecimento da Argélia, capaz de produzir cerca de 1,2 milhão de barris de petróleo por dia. - Devido à importância da exportação da produção argelina para a Europa, particularmente para a Itália, os grandes produtores estão vigilantes - afirmou Nicolo Sartori, analista de energia e defesa do Instituto de Relações Exteriores de Roma. - Se um conflito interno ocorrer na Argélia, estaríamos olhando para um cenário diferente que poderia representar um sério risco de abastecimento de gás. Enquanto a Argélia - uma república democrática onde o Exército mantém uma forte força política - evitou os protestos iniciados há dois anos na Tunísia (culminando com a queda de regimes no Egito, Tunísia e Líbia), os ataques desta semana podem ser um sinal de que o país está se envolvendo num conflito regional com rebeldes islâmicos aliados da al-Qaeda. O fechamento do campo de In Amenas, onde as companhias Sonatrach e Statoil também operam, se somará a um declínio pelo sétimo ano consecutivo nas exportações de gás argelino, motivadas pelo aumento do consumo interno de energia, aponta Thierry Bros, analista do mercado de gás da Societé Generale. Só o campo gera receitas aproximadas de US$ 4 bilhões por ano. “A Europa teria de recorrer a outras fontes”, alertou o analista numa nota, acrescentando que a Gazprom russa poderia aproveitar a oportunidade para aumentar suas exportações para a região. (webremix.info) |
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Obras de mobilidade do PAC exigir?o produtos nacionais
BRASÍLIA – Em meio a entraves para fazer os projetos de mobilidade urbana para a Copa do Mundo deslanchar, o governo quer fortalecer a indústria de veículos de transporte de massa no país e afastar a concorrência dos países asiáticos, como China e Coreia do Sul. Ontem, foi publicado um decreto determinando que as obras de mobilidade do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) deverão dar preferência para fornecedores nacionais. Pelo menos 80% do valor total gasto nessas obras com produtos manufaturados (materiais rodantes e sistemas embarcados, sistemas funcionais e de infraestrutura de vias e sistemas auxiliares de plataformas, estações e oficinas) devem ser pagos a empresas brasileiras, e todo o valor gasto com serviços (engenharia, arquitetura, planejamento urbano e paisagismo) também deverá ficar no país. Entre os veículos sobre trilhos, o presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), Vicente Abate, disse que o Decreto nº 7.888, publicado ontem, deverá estender a regra que já havia sido adotada para 160 veículos do PAC Equipamentos para outros 1 mil veículos que integram o PAC Mobilidade Urbana Grandes Cidades. No PAC Equipamentos, foram adquiridos 60 veículos rodantes para o metrô do Rio Grande do Sul, 40 para o de Minas Gerais e 60 Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs) para Natal e João Pessoa. Entre os 1 mil veículos sobre trilhos que deverão ser adquiridos estão projetos de transportes no município do Rio, em Nova Iguaçu, Curitiba, Goiânia, Porto Alegre, entre outras cidades. — Hoje, as empresas que produzem aqui (entre elas Alstom e Bombardier) já exportam veículos para cidades como Nova York, Santiago e Buenos Aires e estão em negociações com países da África — disse Abate, que avaliou o Decreto com muito satisfatório para o setor. No setor de ônibus, o Brasil também é um dos países com indústria exportadora e com até mais componentes nacionais em sua fabricação do que os veículos sobre trilhos. — O Brasil já tem a maior fábrica de ônibus do mundo e isso (o Decreto) vai incentivar uma competição ainda maior — disse André Dantas, diretor-técnico da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). Segundo estudo da associação de empresas de transporte urbano dos EUA (APTA), cada US$ 1 bilhão investido em veículos, equipamentos e infraestrutura no setor resulta, naquele país, em 23,8 mil empregos, US$ 3 bilhões em negócios e US$ 350 milhões em impostos. Regulamentação dos produtos será feita por portaria O decreto também determina que os editais das licitações dessas obras deverão apontar essa obrigatoriedade de aquisição de produtos manufaturados e serviços nacionais. Ainda deverá ser regulado, por portaria, os produtos manufaturados e serviços que se enquadrarão nessa regra. Outro decreto publicado nesta quarta-feira criou Comissão Interministerial de Aquisições do Programa de Aceleração do Crescimento (CIA-PAC), que irá disciplinar e coordenar a implementação da exigência de conteúdo mínimo nacional nas obras do PAC. A CIA-PAC será integrada pelos ministros do Planejamento; do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; da Fazenda; da Ciência, Tecnologia e Inovação; e das Relações Exteriores. Estão previstas reuniões ordinárias semestrais do grupo, que deverá também analisar e julgar exceções à exigência de conteúdo nacional. “A CIA-PAC deverá convidar os Ministérios setoriais sempre que deliberar sobre assuntos de suas respectivas competências, e poderá convidar especialistas e representantes de outros órgãos e entidades para apoiar a execução dos trabalhos e subsidiar as deliberações”,define o decreto. (webremix.info) |
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Aposta na tecnologia para encontrar solu??es para a vida urbana
BARCELONA — As estimativas são da Organização das Nações Unidas (ONU). Todos os dias, cerca de 200 mil pessoas passam a morar em áreas urbanas em todo mundo. Até 2050, as cidades deverão concentrar 70% da população do planeta, índice já superado pelos países da América Latina e Caribe, regiões com maiores percentuais (80%). Tantas pessoas num mesmo lugar trazem enormes desafios, muitos deles comuns para brasileiros, mexicanos, colombianos: uma grande pressão por consumo de recursos naturais, que são finitos, e um aumento diário da demanda por serviços. A imagem acima representa bem as consequências desse cenário. Criada pelo artista catalão Francesc Palomas, a aquarela de uma cidade superpovoada retrata um lugar com muita poluição, excesso de veículos, congestionamentos, poucas áreas verdes, produção abundante de lixo. Uma região urbana que incorporasse os preceitos de uma cidade sustentável deveria ser também mais verde e menos poluída. É um lugar mais agradável para se viver, como mostra a ilustração da próxima página, do mesmo artista. Mas como transformar essa cidade imaginada em realidade? Apesar da crise econômica mundial que se arrasta há anos, uma série de instituições públicas e privadas, além de organizações não governamentais, têm apostado na tecnologia para encontrar soluções inovadoras no caminho do consumo racional de energia e água, gestão do trânsito, redução de CO², coleta de detritos e uso de transporte sustentável. São as chamadas cidades inteligentes. Embora a tecnologia da informação seja uma das principais características na gestão das cidades inteligentes, especialistas, prefeitos e cientistas sociais têm defendido a necessidade de o uso dessas ferramentas promoverem ambientes colaborativos. Aparentemente simples, a proposta tem um efeito bastante significativo. Muitas soluções para os problemas locais dependem das informações que os próprios moradores têm acesso — ou podem gerar para as prefeituras — através, por exemplo, dos seus celulares. — Cidades inteligentes não são apenas municípios dotados de infraestrutura tecnológica, mas aquelas que buscam ações coordenadas que facilitem o acesso dos cidadãos aos serviços e ao conhecimento. Sem essa preocupação, investir apenas em tecnologia pode resultar num grande gasto em equipamento, mas em pouco ou quase nenhum retorno social e econômico para a população — observa Tim Campbell, autor do livro “Além das Cidades Inteligentes” e presidente do Urban Age Institute, ONG com sede em Berkeley, nos Estados Unidos. Com a medida que envolve a participação, Amsterdã faturou o prêmio principal do II Congresso Mundial de Cidades Inteligentes, realizado em Barcelona, em novembro. Todo o sistema de trânsito da cidade holandesa foi aberto para pedestres e motoristas, que agora podem acompanhar por seus smartphones qual é a melhor opção para se locomover no município, em especial com o uso das bicicletas. Iniciativa semelhante já existe em Barcelona, na Espanha. Lá, a população pode visualizar num mapa digital a localização exata do trem, táxi, metrô ou ônibus que deseja utilizar. Tudo por um aplicativo instalado nos celulares. Em Águeda, Portugal, a prefeitura criou uma série de serviços pela internet e iniciou um projeto de incentivo ao uso compartilhado de bicicletas elétricas. A ideia surgiu por uma questão topográfica. O prefeito da cidade, Gil Nadais, conta que as ruas do município português são muito íngremes, o que dificulta o uso da bicicletas tradicionais: — Com a abertura dos dados nos aproximamos da população e incentivamos o envolvimento dos moradores com os demais projetos. Além de permitir o acesso ao sistema de trânsito, a administração de Seul tem apostado agora na troca de informações por meio digital com os moradores. O objetivo é identificar o mais rapidamente possível as demandas da população. — O nosso modelo consiste em ter capacidade de predizer os acontecimentos que afetam a vida das pessoas; saber o que está acontecendo no exato momento; e dar respostas precisas às demandas — explica Jong Sung Hwang, assistente do governo metropolitano de Seul. Sensores no celular Exemplos de incentivos à colaboração acontecem também nos Estados Unidos, no México e em Israel. Em Boston, a administração local convidou a população a usar um aplicativo nos seus celulares que é capaz de monitorar o estado de conservação das ruas. O equipamento permite que as trepidações sofridas pelos carros durante o percurso gerem informações online para a prefeitura. Tudo é apresentado num mapa na internet e, depois, é disponibilizado aos moradores. — Com essas informações sabemos rapidamente onde há problemas nos quais precisamos atuar — explica Nigel Jacob, gerente do escritório de novas tecnologias urbanas da prefeitura de Boston, nos Estados Unidos. A administração de Haifa, em Israel, tomou uma decisão radical: zerar o uso de papéis nos processos de licença urbanística. Tudo foi digitalizado e está disponível ao cidadão. A medida foi tomada em 2008 depois que a prefeitura notou um declínio nas licenças para novas construções. O principal problema detectado era a burocracia para obter os documentos. Caso parecido ocorreu na cidade mexicana de Zapapon. A prefeitura reuniu 600 moradores e, após três meses de muito trabalho, elaborou um mapa em 3D da cartografia da cidade. Todo mundo sabe onde estão e quais são as construções irregulares, e onde é preciso haver intervenção. Se existe ainda distância considerável entre a realidade dos grandes centros urbanos e a ideia de uma cidade de fato sustentável, iniciativas urbanísticas, associada ao uso de tecnologia, têm mostrado que é possível mudar o modo de vida em alguns lugares. Na Espanha, foi construída, em Zaragoza, uma EcoCidade, que procura seguir os princípios estabelecidos pelo Protocolo de Kioto, isto é, baixa emissão de gases poluentes e uso racional de recursos naturais. O bairro de Valdespartera começou a ser erguido em 2002 e foi concluído seis anos depois, num antigo terreno militar. O projeto foi possível graças a uma parceria público-privada que investiu cerca de R$ 3 bilhões. Com 243 hectares e 9.687 apartamentos, a EcoCidade espanhola é toda administrada por sistemas de informação online. O Wonderware permite ao centro de controle tomar uma série de decisões como regar as áreas verdes de acordo com as condições de temperatura e a umidade relativa do ar. O sistema de informação, que custou cerca de 0,26% do investimento total do empreendimento, permite também controlar à distância o consumo de energia e gás das residências. Desde que foi criado, o bairro de Valdespartera mantém um consumo de energia entorno de 0,06 kw/h por m², quase metade do registrado na Espanha (0,11 kw/h por m²). Além do monitoramento do uso da energia, a EcoCidade faz coleta seletiva de resíduos, que são levados diretamente para a reciclagem. — Entendemos que a sustentabilidade urbana é baseada no conhecimento e na possibilidade de verificação dos dados em tempo real. Assim podemos tomar medidas com maior poder de precisão — explica o administrado da EcoCidade, Miguel Portero. Embora a experiência em Valdespartera tenha chamado a atenção de urbanistas e instituições preocupadas com o futuro das cidades, Portero defende que modelos como esses sobrevivem exclusivamente se tiverem o apoio da população local: — A ideia de cidade inteligente não deve, é claro, ser limitada à análise de dados para a tomada de decisões estratégicas. É preciso estar atento também às demandas da população para que ela sinta e perceba que há feedback do administrador. Portanto, o cidadão é o centro entorno do qual a cidade inteligente deve ser organizar. O foco nas cidades sustentáveis pode ajudar municípios que não têm apresentado bons desempenhos no “Índice de Prosperidade das Cidades”, produzido pela agência Habitat da ONU. O indicador, que vai de 0 a 1 (quanto mais próximo de 1, melhor), sintetiza a relação entre cinco fatores considerados importantes para o desenvolvimento dos centros urbanos: infraestrutura, produtividade econômica, qualidade de vida, inclusão social e sustentabilidade ambiental. Viena, na Áustria, atingiu o maior índice (0,925), bem distante, por exemplo, de Bamako (0,491), em Mali, ou de São Paulo (0,757), única cidade do Brasil na lista da ONU. Construções sustentáveis Com 0,890, o quinto melhor índice do indicador, Estocolmo, na Suécia, é uma das cidades que integram o programa do governo, em parceria com a iniciativa privada. Seu nome: SymbioCity. O projeto incentiva o desenvolvimento sustentável do município a partir de uma ideia simples: fazer mais por menos. Atualmente estão em construção cerca de 11 mil apartamentos próximo ao centro de Estocolmo, todos projetados para serem sustentáveis. Os novos imóveis vão ajudar a reduzir em 25% o consumo de água e em 40% o impacto ambiental na região. Para isso, vão receber placas solares, que produzem a energia que os moradores utilizarão. A água da chuva será captada e usada nos banheiros. O lixo será coletado por sistema de tubos e levado, depois de recolhido, diretamente para a reciclagem ou produção de combustível. Atualmente, 75% dos detritos da cidade já recebem esse tratamento. Em Estocolmo, outros números ajudam a explicar a boa posição da cidade no indicador da ONU. Cerca 65% dos moradores utilizam o sistema de transporte ferroviário, considerado de baixa emissão de poluentes porque opera com energia renovável. No centro da cidade, todos os ônibus utilizam como combustível o etanol ou biogás. Segundo Jennifer Ekstrom, representante do projeto SymbioCity, a crise do petróleo nos anos 70, levou os suecos a discutirem alternativas de crescimento a partir de energia menos poluente. — Entre 1996 e 2008, conseguimos reduzir em 18% a emissão de gases poluentes e, ao mesmo tempo, manter o crescimento do PIB que subiu 45% no período — afirma Jennifer. Também pressionados pelo crescimento das suas cidades, países da América Latina e do Caribe, incluindo o México, deverão encarar o desafio de tornar seus centros urbanos mais sustentáveis num futuro próximo. Em seis décadas, a região ganhou oito megacidades, como São Paulo, Rio de Janeiro, Cidade do México e Lima. E os problemas, como trânsito, poluição, geração de detritos e altos índices de pobreza se acumulam. A produção diária de lixo na região, por exemplo, chegou a 436 mil toneladas por dia, este ano, o que significa um aumento de 60% em relação a 1995. Naquele ano, a ONU-Habitat registrou 275 mil toneladas diárias. Por outro lado, 180 milhões de pessoas vivem em condições de pobreza (33%). Destes, 13% ainda são indigentes. Para Tim Campbell, Phd em planejamento urbano pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) e diretor do Urban Age Institute, as políticas de combate à pobreza e geração de emprego devem caminhar juntas com a adoção de medidas que possam mitigar os problemas das grandes cidades dos países em desenvolvimento: — A meu ver, as cidades brasileiras, assim com as da Índia e da China, iniciaram esse longo processo para se tornarem cidades inteligentes com, por exemplo, a adoção de medidas para conservar seus recursos naturais, bem como a criação de novos sistemas de trânsito. Mas nenhuma cidade pode ser considerada inteligente sem pensar na criação de empregos e na redução da pobreza. Resolver essas questões permitirá que os moradores possam usufruir das melhores tecnologias em trânsito, habitação e infraestrutura. Usuários passivos Diretor do Observatório da Sociedade, Governo e Tecnologias da Informação, da Universidade de Externado, na Colombia, Marco Antonio Peres Useche participa de um projeto com mais sete universidades nos Estados Unidos, Ásia e Europa com objetivo de definir o que seria uma cidade inteligente, segundo a realidade de cada região. Para ele, a América Latina e Caribe não podem ser “usuários passivos de tecnologia”: — Acho que a discussão sobre cidades inteligentes não deve ser como é na Europa e em outros países desenvolvidos. Só tecnologia não basta. Penso que ela é menos relevante porque as cidades são espaços de seres humanos, que envolvem questões e os conflitos humanos e suas dificuldades sociais. Na América Latina e Caribe temos questões importantes para serem resolvidas, como a pobreza e a preservação dos recursos naturais. Apesar da crítica, Useche acredita que há iniciativas importantes no Rio de Janeiro, Medellín e Bogotá que utilizam tecnologia, mas buscam associá-las às demandas locais. Para ele, o Centro de Comando e Controle (COR) inaugurado no Rio, em 2010, tem uma proposta interessante porque reúne todos os órgãos do município para a tomada de decisão. Em Medellín, o governo trabalha desde 2002 num projeto de renovação urbanística, que inclui a preservação de áreas verdes e a recuperação de áreas pobres do município, e que é apontado como uma alternativa de fazer uma cidade inteligente. Segundo o arquiteto Jorge Pérez Jaramillo, diretor do Instituto de Estudos Metropolitanos e Regionais da Faculdade de Arquitetura da Universidade Bolivariana, com sede Medellín, as mudanças na cidade começaram após uma profunda crise vivida nos anos 90: altos índices de criminalidade, estagnação econômica, desigualdade social entre outros problemas. O saldo foi a mobilização do governo e da sociedade que passaram a discutir medidas para retomar o desenvolvimento. Nesses dez anos, foram construídos, por exemplo, oito parques, novas escolas, 450 edifícios residenciais, novas vias, centros de educação infantil e áreas de convivência. — Nossa crise gerou uma cidade renovada, com uma cidadania ativa, com esperança no futuro e com novas formas inteligentes de intervenção — explica Jaramillo. Em Bogotá, o governo iniciou o projeto “Bogotá Humano”, que consiste em medidas para incentivar a indústria criativa e a participação. Serão inauguradas áreas tecnológicas, que consistem em ambientes prontos para a instalação das novas empresas. O projeto, estimado em US$ 650 milhões, prevê a criação de Wi-Fi público em parques, praças e corredores culturais. Dez pontos já estão em funcionamento. Cerca de 450 escolas vão ganhar conexão à internet em alta velocidade. — A educação digital é um direito. Esse direito é uma oportunidade de melhorarmos a gestão da cidade e criarmos oportunidades para os moradores — diz Mauricio Trujillo, diretor do Conselho Distrital de Bogotá. (webremix.info) |
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A ?maldição? do petróleo e o futuro das guerras
LOS ANGELES - Nos últimos 60 anos, pelo menos 40% dos conflitos armados registrados no mundo tiveram entre os fatores envolvidos a disputa pelo controle de recursos naturais. Mas, diferentemente do que era visto até a Segunda Guerra Mundial, estas disputas se deram majoritariamente dentro das fronteiras de um único país, com o acesso a água, terras férteis ou reservas minerais sendo usados como arma ou fonte de financiamento nas lutas pelo poder entre facções rivais. Neste contexto, muitos países ricos em recursos naturais, principalmente na África e Sul da Ásia, acabaram condenados a um ciclo de guerras civis e governos ditatoriais, diz Michael Ross, professor de Ciências Políticas da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e autor do livro “The oil curse: How petroleum wealth shapes the development of nations” (“A maldição do óleo: como a riqueza do petróleo molda o desenvolvimento de nações”, em tradução livre), lançado nos EUA pela editora da Universidade de Princeton e ainda sem previsão de publicação no Brasil. Não é novidade que os humanos lutam entre si por recursos naturais há muito tempo, desde a pré-história, mas o que mudou nos últimos anos? Historicamente, os recursos naturais foram a causa de muitos conflitos internacionais. A busca por recursos foi muitas vezes a força por trás dos empreendimentos coloniais e mesmo recentemente, até a Segunda Guerra Mundial, uma importante motivação para os conflitos entre nações. O que mudou é que agora os recursos são motivo de disputa dentro dos países e apenas raramente entre países. O exemplo mais extremo que temos hoje é o da República Democrática do Congo, que há mais de uma década está sendo estraçalhada por um conflito em que o acesso a recursos naturais tem um papel importante. Não vemos mais conflitos entre nações por causa de recursos?Este tipo de conflito praticamente desapareceu. A exceção mais clara é o caso do Iraque. A guerra com o Irã nos anos 80, a invasão do Kuwait nos anos 90 e a luta dos EUA para derrubar Saddam Hussein nos anos 2000 tiveram como pano de fundo o controle de poços de petróleo naquela região. Mesmo assim, outros fatores alimentaram estes conflitos do Iraque, como desavenças políticas e acusações de apoio a terroristas. Fora isso, hoje é extremamente raro ver países entrando em guerra pelo controle de recursos naturais. Por que o senhor classifica o petróleo como uma maldição?Nos países que vivem sob um regime totalitário, quando também têm riqueza de recursos naturais como o petróleo, as ditaduras costumam durar muito mais e são menores a chances de se tornarem uma democracia. Na minha análise, países sem grandes riquezas de recursos têm três vezes mais chances de serem democráticos ou se tornarem democracias do que os com grandes reservas naturais. E embora a América Latina seja uma importante exceção, a valorização do petróleo nos últimos anos levou a uma erosão das instituições democráticas na Venezuela sob o comando de Hugo Chávez. Ele transformou a PDVSA (a estatal petrolífera venezuelana), que era uma empresa transparente, em uma caixa-preta. Algo similar também aconteceu na Rússia sob o governo de Vladimir Putin. Enfim, o petróleo pode ser uma maldição para alguns países em que sua exploração acaba virando uma fonte de dinheiro para o ditador investir em seu aparato militar, forças de segurança e na distribuição de favores, perpetuando-se no poder. Mas essa maldição também vale para outras riquezas naturais além do petróleo?Em alguns casos, sim. Petróleo e diamantes são os recursos mais problemáticos globalmente. Países com outras riquezas minerais geralmente conseguem distribuir melhor os benefícios de sua exploração, pois a mineração é uma indústria que demanda trabalho intensivo. Isso faz com que mais pessoas sejam empregadas na exploração, diluindo a renda gerada entre seu povo e evita sua concentração nas mãos de uma empresa, de um ditador e alguns poucos aliados. Uma exceção é o Congo. Claro que os recursos naturais não são a única causa do conflito, mas o controle da mineração do coltan (mistura de dois mineiras — columbita e tantalita — de onde se extraem nióbio e tântalo, metais essenciais para fabricação de aparelhos eletrônicos portáteis, como celulares, e do qual o Congo tem pelo menos 64% das reservas mundiais) está por trás do banho de sangue lá. E quanto ao futuro? À medida que a população da Terra aumenta e as mudanças climáticas cobram seu preço, poderemos ver um retorno das disputas internacionais tendo como alvo acesso à água ou a terras férteis, por exemplo?Antes de tudo, deixo claro que sou muito cético quanto à nossa capacidade de prever como o mundo será mesmo em um horizonte curto de cinco a dez anos. Dito isso, acho pouco provável que vejamos, mesmo com as mudanças climáticas, conflitos deflagrados pela disputa por terras e água. Creio que as maiores ameaças serão os refugiados e o colapso econômico, com as cidades e regiões produtivas se tornando inabitáveis ou de outra forma afetadas pelo clima, principalmente nos países mais pobres. Estes movimentos populacionais podem gerar atritos internos e externos, com as pessoas migrando para países mais ricos ou melhor protegidos. Mas não haveria uma pressão maior de lutar se for uma questão de sobrevivência?Acredito que sempre existirão conflitos de interesse entre países quanto ao controle de recursos naturais, especialmente os que atravessam fronteiras, como rios e zonas de pesca, ou mesmo quanto à poluição que vai de um para outro. Estes casos serão sempre uma fonte de desentendimentos, mas a questão é se serão resolvidos pela força. As soluções violentas continuarão a ser pouco prováveis. A realidade é que estas disputas internacionais quase nunca escalam ao ponto de termos bombardeios ou invasões, uma guerra aberta. Elas tendem a ser resolvidas por meio da diplomacia e tratados internacionais. Não importa o quão raivosos os diplomatas fiquem e gritem uns com os outros, no fim chegam a um acordo para evitar os prejuízos que uma guerra traria para todos os lados envolvidos. Nada indica que as disputas ambientais e por recursos naturais serão mais difíceis de resolver ou tratadas de uma forma diferente de outras questões, que serão uma exceção e sairão de um padrão mais amplo de resolução pacífica. Haverá muita discussão, mas no final os países encontrarão alguma maneira de conviver pacificamente, já que uma guerra só drenaria ainda mais seus parcos recursos. É muito difícil tirar vantagens de riquezas obtidas por meio da violência, é muito fácil estragar as fontes de recursos naturais. Na História recente, todas as vezes que um país tentou capturar recursos naturais por meio da guerra acabaram em desastre para a nação agressora, como para o Iraque, e não creio que outros países seguiriam essa estratégia. (webremix.info) |
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Cubanos confiam na recupera??o de Ch?vez mas temem sua aus?ncia
HAVANA — “Se Chávez se der mal, todos nós estaremos mal”. A frase de Manuel Pérez, cubano e fervoroso admirador do presidente venezuelano, indica que, como ele, muitos cubanos temem que a ausência do mandatário - hospitalizado há um mês em um dos maiores hospitais da ilha - coloque o país em uma profunda crise econômica. Para Peréz, Cuba não “anda sem a Venezuela”, se referindo aos 100 mil barris de petróleo diários que a ilha recebe com facilidades de pagamento e que representam metade do consumo nacional. Veja também
- Não podemos nem falar disso, porque o impacto seria ainda pior do que o golpe que nos deram os russos - disse o idoso, empregado da estatal Petróleos de Cuba, à agência AFP. Chávez enviou somente a Cuba US$ 3,6 bilhões em petróleo em 2011, através do programa Petrocaribe, que atende a 70 milhões de pessoas na América Central e no Caribe. Cuba não conseguiu fazer descobertas em sua primeira perfuração offshore desde 2004, e empresas como a Repsol SA, a Petroliam Nasional Bhd e a Petróleos de Venezuela SA declararam que os poços estavam secos. - Todo mundo aqui adora o Chávez - disse Salvador Rivas, diretor de energia não convencional do Ministério da Indústria e Comércio da República Dominicana. - Estamos tentando comprar mais e mais petróleo venezuelano porque os termos são muito bons. O presidente, de 58 anos, passou pela quarta cirurgia no tratamento contra um câncer na região pélvica, no último dia 11. Na capital cubana, onde jornalistas têm pouco acesso às informações sobre o estado de saúde de Chávez, ele está internado no Centro de Investigações Médico Cirúrgicas (Cimeq), considerado o mais avançado do país e que ocupa um extenso prédio à oeste de Havana - perto das casas de Raul e Fidel Castro. Assim como os venezuelanos, que recebem informes pouco esclarecedores sobre a saúde do presidente, os cubanos não têm muitas notícias sobre o estado de saúde de Chávez. Mas seguem acreditando na pronta recuperação do mandatário. Na última quinta-feira, uma cerimônia religiosa celebrada na capital reuniu pais de santo cubanos, venezuelanos e dominicanos, que pediram a melhora do líder. Na sexta-feira, o vice venezuelano, Nicolás Maduro, viajou para a capital cubana para se reunir com a presidente argentina, Cristina Kirchner, e seu homólogo peruano, Ollanta Humala. - Na América Latina, somos todos Chávez - disse Díaz-Canel, membro do seleto Bureau Político do Partido Comunista de Cuba. - Os governos não permitirão tentativas de desestabilização na região, e principalmente na Venezuela. (webremix.info) |
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Minist?rio da Agricultura v? fim de embargos ? carne at? o 2? tri
SÃO PAULO – O Ministério da Agricultura projeta reverter os embargos à carne bovina brasileira até o segundo trimestre de 2013, disse nesta quinta-feira uma autoridade da pasta. — Nossa decisão é de ter um esforço para visitar todos os países que estejam com embargo total ou parcial nesses três primeiros meses do ano, para ver se começamos o segundo trimestre sem embargo — disse o secretário de Relações Internacionais Célio Porto. O Brasil enfrenta alguns embargos à sua carne bovina depois de registrar um caso “atípico” de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), também conhecida como mal da vaca louca. — O pior já passou — disse Porto, otimista com a reversão dos embargos.
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Nesta quinta-feira a Arábia Saudita, o mais relevante entre os países que interromperam as compras, comunicou ao ministério que irá retomar os embarques de animais vivos – embora ainda mantenha a restrição às compras de carne, que são mais volumosas. Apesar de representar um volume pequeno, a liberação parcial por parte do país árabe é vista pelas autoridades brasileiras como um sinal positivo. — Fizeram um primeiro gesto — disse o secretário. A Arábia Saudita ocupa a nona posição no ranking dos principais destinos da carne bovina brasileira. De janeiro a novembro, os embarques para lá somaram quase US$ 158 milhões. O Ministério da Agricultura pretende enviar uma delegação à Arábia Saudita nos primeiros quinze dias de janeiro, para convencer as autoridades daquele país a reabrirem o mercado. — Ao invés de ficar esperando eles, vamos lá o mais rápido possível — disse Porto. Oito países já impõem restrições Também nesta quinta-feira, o Ministério recebeu a comunicação de que o Peru vai interromper por 90 dias a compra de carne bovina brasileira, enquanto analisam informações enviadas pelo Brasil sobre a saúde do rebanho. — Nossa ideia é que não dure nem 90 dias — afirmou o secretário, confiante na avaliação positiva dos dados. Os embarques para o Peru somaram quase US$ 16 milhões nos primeiros onze meses de 2012, ou 0,1% do total exportado, segundo dados oficiais. Nesta quinta-feira o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) esclareceu que o Chile suspendeu preventivamente as importações de farinha de carne bovina e de osso do Brasil, mas mantém as compras de carne bovina. A informação mais recente do Ministério da Agricultura, pasta responsável por monitorar as questões sanitárias, é de que oito países atualmente impõem restrições à compra de carne bovina brasileira: Arábia Saudita, China, Jordânia, Japão, África do Sul, Coreia do Sul, Taiwan, e agora o Peru. O embargo da Jordânia é apenas à carne originada no Paraná, estado onde foi registrado o caso atípico de EEB. Taiwan, apesar de ter anunciado embargo, não realiza atualmente compra de carne bovina brasileira, segundo o Ministério da Agricultura. (webremix.info) |
