Artes africanas e do Cararibe
Notícia : Artes africanas e do Cararibe
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Festa na favela
Recentemente, revendo meu filme “Quilombo”, de 1984, Renata, minha mulher, provocou-me chamando-o de “uma fábula comunista louca para ser vista como musical da Metro”. O lado “musical da Metro” vinha certamente de meu desejo de filmar a alegria dos justos. E tinha, como apoio a essa ideia, exemplos históricos e antropológicos a que de fato recorri. Posso até conceder que talvez tenha recorrido a eles de um modo meio ingênuo, mas nunca malicioso ou artificial. Mesmo sendo uma ingenuidade, era generoso e criativo tentar transformar, naquele momento, valores da cultura brasileira em manifestação pop. Por piedosa tradição judaico-cristã, temos sempre tendência a vitimizar a vítima, como João Cabral falava de “perfumar a flor” e “poetizar o poema”, uma forma de exercer sobre ela (a vítima) o poder de nossa generosidade. Não se trata de compaixão no sentido bíblico do termo, uma solidariedade na trajetória do outro, a comunhão com a dor alheia. Mas sim uma exibição hipócrita de nossa superioridade sobre o outro. A constatação da injusta fragilidade da vítima de nada serve à reversão de seu estado, tal piedade não passa do exercício de uma virtude conservadora que serve apenas ao sujeito dela. Estranhamos ou tomamos por “folclórico” (num sentido pejorativo) quando as vítimas nos aparecem belas e fortes, potentes e eventualmente vitoriosas, capazes de sorrir e dançar, de viver com gosto o pouco que lhes foi dado viver, mesmo que num ambiente de extrema injustiça. Diante de nossas favelas, é quase insuportável, para a boa consciência, ver sua imagem solar da luta contra a miséria, um certificado cívico de tanto sofrimento transformado em elogio a uma arte de viver. A lamentação é quase sempre impotente, enquanto todo projeto utópico é sempre uma celebração. Sei bem que não é possível simplificar o continente africano reduzindo-o a uma coisa só. Ele é formado por múltiplas e distintas etnias que já existiam muito antes de suas modernas nações serem fundadas, produzindo comportamentos que nem sempre se assemelham e conflitos que se desdobram até hoje. Mas é evidente que o que nos chegou de lá, para formar nossa nação afro-latina-tupiniquim, foi uma cultura do ornamento e do excesso, do gosto pela dança e pelo corpo, cultivando êxtase e elevação como valores fundamentais para seu padrão de comportamento. As festivas comemorações da primeira posse de Barack Obama não foram em nada parecidas com as de qualquer presidente americano precedente. A de Jacob Zuma, na África do Sul, foi celebrada com canto e dança de multidões coloridas, como nos comícios que sucederam à libertação de Nelson Mandela e sua ascenção ao poder. O mundo inteiro viu pela televisão que, num campo de futebol, Mandela cantava e dançava durante a manifestação política para um público de dezenas de milhares de negros sul-africanos que cantavam e dançavam com ele, ao som de tambores e cornetas. Ainda no continente africano, quando o papa Bento XVI visitou Camarões, em 2009, todos os jornais do mundo publicaram a foto da primeira-dama do país, Chantal Biya, ao lado de seu marido, o presidente Paul Biya, recebendo Sua Santidade com um vestido colorido e um vasto chapéu temáticos, onde se reproduziam símbolos do Vaticano e do catolicismo, a começar por expressivas cruzes gamadas no alto de sua cabeça. Guardo essa foto comigo, como testemunha da liberdade de imaginação e de generosa noção de elegância, que não esconde emoções e desejos em nome de covarde discrição. Em vez disso, a senhora do presidente de Camarões expunha, com exuberância e sem disfarces, aquilo que pretendia afirmar naquele momento. Oswald de Andrade dizia, no Manifesto Pau Brasil, que “o carnaval carioca é o acontecimento religioso da raça”. Só mesmo o entranhado cultivo cristão-ocidental da culpa pode achar a festa irresponsável. Como no candomblé, uma religião que usa o corpo numa liturgia de danças dramáticas, balés narrativos cujos personagens estão sempre contando uma história em que se busca a felicidade. Um animismo humanista que ajudou a suavizar com dengo a aspereza da contrarreforma ibérica de nosso catolicismo. Tanto no passado, quanto em nossa época de tanta violência religiosa, não se tem notícia de nenhuma guerra deflagrada em nome de algum orixá. É esse prazer e essa celebração que os jovens de classe média têm procurado nas favelas cariocas, desde a instalação das UPPs nessas comunidades. É isso que vão consumir em noites de festas e de shows, de albergues e restaurantes, de lajes e salões, de uma população que, desde sempre condenada ao subconsumo capitalista, faz sua revolução pacífica incorporando-se ao mundo da produção. Não tenho nada contra João Saldanha, jornalista honesto e corajoso que merece todo o nosso respeito. Mas vamos fazer justiça. O novo nome do Engenhão não pode deixar de ser Nilton Santos. Nilton jogou sua carreira toda no Botafogo e foi bicampeão mundial com a seleção brasileira, sempre chamado de “a enciclopédia de futebol”. Ele deu mais ao futebol e ao Brasil do que o Brasil e o futebol deram a ele. Se quem decide o novo nome do Engenhão gosta de craque com caráter, tem que escolher o de Estádio Nilton Santos, a Enciclopédia. Cacá Diegues é cineasta (webremix.info) |
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Participa??o de artistas brasileiros se intensifica nos principais festivais de teatro europeus
RIO - Entre maio e setembro, a primavera e o verão europeus concentram os mais importantes festivais de artes cênicas do mundo, como o Kunsten Festival des Arts, que acontece em maio, na Bélgica, o Festival de Avignon, em julho, na França e o de Edimburgo, na Escócia, em agosto. Se a participação brasileira sempre se restringiu a convites episódicos e espaçados, 2013 parece ser o ano da virada. Não só porque “todo mundo está de olho” no Brasil devido aos grandes eventos que chegam ao país em 2014 (Copa do Mundo) e em 2016 (Olimpíadas), mas porque há um estreitamento nas relações entre artistas, produtores e programadores daqui e destes festivais. Será a primeira vez, por exemplo, que o Brasil terá uma mostra dentro da programação aberta de Edimburgo. Idealizada pelo produtor Sérgio Saboya, a série vai exibir, entre 3 e 25 de agosto, seis peças de grupos como Armazém Cia. de Teatro, Amok, Gilberto Gawronski, Cia. Balagan, Cia. Caixa de Elefante e Teatro Máquina. — É uma oportunidade de chamar a atenção e negociar com os principais programadores do mundo. É um investimento — diz Saboya. O produtor se refere aos custos de estadia e o aluguel do espaço de apresentações, que serão divididos pelos grupos, enquanto ele arcará com as despesas aéreas. — Foi o jeito de viabilizarmos essa mostra, que ocorreria também em Avignon, mas passamos para 2014 — diz. — Hoje, tudo o que se refere ao Brasil gera interesse, mas ainda não temos políticas públicas que visem ao intercâmbio entre o teatro brasileiro e os maiores eventos do mundo. Países como a Nova Zelândia ou a África do Sul têm mostras anuais incentivadas pelo governo. É quase didático entender a importância disso. E Paulo de Moraes, da Armazém, corrobora: — Apostamos na visibilidade. É a maior vitrine entre os festivais europeus. Uma mostra brasileira chama a atenção e pode abrir mercados. No entanto, o entourage brasileiro não se restringe a Edimburgo e nem a Portugal, que receberá, entre maio e junho, 39 espetáculos verde-amarelos por conta do Ano do Brasil em Portugal, organizado pela Funarte. Entre os artistas que aproveitam a ponte portuguesa e seguem na Europa está a diretora Christiane Jatahy. Até junho, a peça “Júlia” irá circular por festivais como o belga Kunsten e o austríaco Wiener Festwochen, e em outubro continua em marcha por festivais na França, Suíça, Holanda e Espanha. — A dimensão do que está acontecendo é incomparável. Foram muitos convites — afirma Christiane. — Sinto que isso é o reconhecimento de uma pesquisa artística que os curadores vêm acompanhando já há um tempo. É importante que as investigações teatrais daqui reverberem lá fora. E cada participação nesses festivais aumenta a chance de novos convites. Curadores atentos Companhias como a Hiato, o Club Noir e o Foguetes Maravilha, além de nomes da dança como Bruno Beltrão, também têm agenda na Europa. Diretor artístico do Kunsten Festival, que já recebeu espetáculos de dança e de teatro de Lia Rodrigues, João Saldanha e Enrique Diaz, Christophe Slagmuylder diz que a intenção do evento é estreitar este vínculo. Em 2013, o Kunsten apresenta, além de “Julia”, a estreia mundial de “Crackz”, de Bruno Beltrão, e “De repente fica tudo preto de gente”, de Marcelo Evelin. — Nossa relação começou com a dança contemporânea brasileira, que considero uma das mais vibrantes do mundo. Tínhamos pouca informação sobre o teatro, mas depois encontramos o mesmo senso de liberdade e flexibilidade nas criações de Enrique Diaz e na nova geração, como o Foguetes Maravilha e a Cia. Hiato. Eles têm muito potencial e serão acompanhados de perto. Curador do Wiener Festwochen, Matthias Pees também observa um fortalecimento da cena teatral brasileira. — Assim como a dança, ela se diversificou, e acho que teremos uma presença brasileira cada vez mais intensa — diz. (webremix.info) |
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Colchas e toalhas se transformam em vestidos e batas para vestir Grazi Massafera em ?Flor do Caribe?
RIO - Figurinista de “Flor do Caribe”, Severo Luzardo fazia seu trabalho de pesquisa pelo Rio Grande do Norte — onde a novela se passa — quando, numa estrada qualquer, se deparou com um casebre que chamou a sua atenção. Penduradas no varal, toalhas de mesa de renda de bilro, típicas da região, feitas por uma senhora de 82 anos. A paixão foi à primeira vista. E, sem pestanejar, Severo comprou tudo o que estava a seu alcance: almofadas, colchas, trilhos de mesa, toalhas ... Diretamente do Nordeste, as peças foram parar no Projac. E, atualmente, podem ser vistas e apreciadas na forma de vestidos e batas no corpo de Grazi Massafera na trama das 18h. — O figurino dela é estruturado nos crochês, rendas e tricôs, todos com a cara do nosso país. São verdadeiras obras de arte, e Grazi representa a mulher brasileira — diz ele, que lançou mão de rendas como o richelieu, filé, bilro e renascença. O processo de transformação, ele explica, não é simples. Para transformar toalhas de renda de bilro quadradas em vestidos de festa rodados, ou almofadas de crochê em batas como a da foto ao lado, Luzardo e sua equipe estudam cada detalhe do material. Com a ajuda de uma contramestre de costura e de dois aderecistas, calculam, meticulosamente, onde entram as costuras e os decotes. Com o molde da roupa desenhado de acordo com as medidas de Grazi — 1, 73cm e 57kg — tingem a peça original, geralmente branca, até alcançar o tom desejado. Então, finalizam a modelagem acrescentando o forro por baixo. O importante é não haver desperdício, destaca. — Uma toalha demora quatro meses para ficar pronta, é um trabalho primoroso. Não dá para jogar fora nem um pedaço — frisa. — Quem vê no corpo, não imagina que chegou, quadrada, sem ponto... Um dos grandes desafios da equipe foi logo no início da trama: cortar uma toalha de quatro metros em dois vestidos iguais para uma cena de ação. Para chegar a uma definição sobre o figurino de Ester, que vive no fictício vilarejo de Vila dos Ventos em meio a pescadores, Luzardo conversou com estilistas locais, comerciantes, e circulou por festas da sociedade. De sua observação, ele tirou essa pegada mais artesanal, com cores que remetem às várias tonalidades do sol — a única vez que a personagem usou preto foi durante o luto pela “morte” de Cassiano (Henri Castelli). — As cores dela são as do Nordeste, da natureza. Depois do casamento, Ester ficou mais séria, mas, mesmo assim, não perdeu essa característica do feito à mão na roupa. É como se comprasse suas peças por onde mora — comenta. Filha de mãe costureira, Grazi conta que é fã do trabalho manual. Durante as gravações em Natal, ela lembra, comprou uma saída de praia que transformou em vestido, “de tão lindo que era”. E os tons alaranjados, que não costumavam entrar no seu guarda-roupa, atualmente a encantam. — Sempre achei que não combinavam comigo, eu prefiro cores neutras, gosto mais dos verdes e dos azuis. Mas Luzardo me convenceu e hoje me pego indo trabalhar com roupas neste tom — revela. Luzardo conta, também, com uma equipe de 15 bordadeiras à sua disposição no município de Caicó, a 256 quilômetros de Natal. O trabalho das profissionais começou seis meses antes de a novela estrear — dia 11 de março — e ainda vigora, já que um vestido demora cerca de três meses para ser finalizado. Assim, o valor do feito à mão ganha, ainda, conceito de exclusividade. — Nenhum fica igual ao outro porque é moldado nas formas do corpo de um único jeito — ele explica. Segundo o figurista, a decisão de reaproveitar rendas já existentes se baseou na falta de opções do mercado. Além de valorizar a cultura da região. — O que tem é de qualidade duvidosa no que diz respeito à estética — explica, sem saber mensurar quantos quilos de material trouxe de lá. E apesar das batas curtinhas, Luzardo avisa: a barriga quase nunca aparece. Para quem quiser copiar, ele recomenda o uso das peças com shortinhos coloridos e, por baixo, biquínis ou camisetes não necessariamente da mesma cor “para criar um contraste”. Apesar de não usar batas no dia a dia (“Usei muito na gravidez”), Grazi complementa. — Elas também ficam bonitas com um sutiã cor da pele — conta ela, aprovando a combinação. — O figurino dela é jovial. Se usa algo mais justo, contrapõe com uma peça mais larguinha. Sempre. E para não ofuscar a riqueza dos bordados, as joias são sutis — o brinco de cavalo marinho usado de um lado só da orelha está entre os mais pedidos na Central Globo de Atendimento (CAT) e foi ideia da própria Grazi que comprou o adorno em Natal, junto com pulseiras e tiaras em materiais orgânicos como a palha e o cipó. — Do Havaí trouxe uma bracelete de um aço rústico que tem tudo a ver com essa fase rica dela, mas sem perder a essência. (webremix.info) |
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Brasil e Uruguai na sintonia fina de César Troncoso, novo ?darling? do cinema nacional
Graças a uma separação que o levou a se afastar dos locais frequentados por sua ex-mulher, em Montevidéu, o uruguaio César Troncoso virou ator. Um ator projetado mundialmente quando o filme “O banheiro do Papa” foi exibido pelo Festival de Cannes, em 2007, e que, há um mês e meio, bate ponto na TV brasileira. De segunda a sábado, ele é prestigiado pelo público da novela das seis da Rede Globo, “Flor do Caribe”, no papel de Dom Rafael, mafioso que tem dilemas afetivos — assim como Troncoso tinha quando começou a estudar arte dramática. Em 1988, ao lavrar o divórcio, ele tentou curar as mágoas aproximando-se do único lugar onde não esbarraria com sua ex: uma escola de teatro recém-inaugurada em seu bairro. Tinha 25 anos, metade da idade que tem agora. Hoje, já curado dos males de amor do passado, ele cultiva um casamento com a psicóloga Adriana, mãe de sua única filha, Ana Clara, de 14. As duas esperam por ele no Uruguai. — No meu país, nós temos um ditado que traduz bem o que aconteceu com a minha vida: “No hay mal que por bien no venga”. Quando jovem, eu já me interessava pelas artes cênicas, pois meu pai tinha um bar perto de um teatro. Assistia a peças semanalmente e frequentava a Cinemateca Uruguaia. Dos 15 aos 20 anos, vi um filme por dia. Quando me matriculei no curso de teatro, descobri que, fazendo arte, eu poderia ser querido, sem me banalizar para isso — diz Troncoso, elogiado pela crítica brasileira por sua atuação no drama “Hoje”, de Tata Amaral, em cartaz há uma semana. Ganhador do troféu Candango de melhor filme no Festival de Brasília de 2011, “Hoje” traz Troncoso como o ex-companheiro de luta armada de Vera (Denise Fraga), uma mulher com contas a acertar com suas memórias. O longa-metragem de Tata encabeça uma fornada de lançamentos com Troncoso no elenco. Daqui até 2014, ele será visto em mais quatro títulos: “Faroeste caboclo”, de René Sampaio; “O tempo e o vento”, de Jayme Monjardim; “Muitos homens num só”, de Mini Kerti; e “A oeste do fim do mundo”, de Paulo Nascimento. — César tem um minimalismo que já me fascinava antes. Mas só descobri seu poder de interiorização ao dirigi-lo, no papel um homem preso em sua militância — diz Tata. — Num olhar do César você entende um mundo. Na época em que se separou da primeira mulher, Troncoso não parecia entender o mundo tão bem. Ele tinha abandonado o curso de Medicina e queria ser desenhista. E até hoje desenha, rabiscando figuras nos momentos de ócio. Mas foi levado a uma carreira emergencial no ramo contábil. — Queria desenhar quadrinhos, mas tenho dificuldades para esboçar um mesmo rosto duas vezes. E me falta perseverança. Sou ator porque pessoas me convidam a atuar. Se eu tivesse que correr atrás de convites, a insegurança iria me atrapalhar — admite Troncoso, que, no fim dos anos 1980, passou a trabalhar como auxiliar em um escritório de contabilidade, atuando nas horas livres. — No Uruguai, hoje, eu sou um dos atores que mais fazem cinema, porque não fico esperando o papel ideal chegar. Existem poucos papéis para um homem de 50 anos. Essa consciência me deu a humildade de valorizar todos os convites, em especial os de diretores em início de carreira. O carinho que eu dedico a eles faz com que me convidem de novo quando partem para o segundo longa. “Máscara natural” Como auxiliar de contador, Troncoso sustentou seu lar até o fim da década passada, quando explodiu com “O banheiro do Papa”. Seu diretor foi um xará e conterrâneo do ator, César Charlone, indicado ao Oscar de melhor direção de fotografia por “Cidade de Deus”, em 2004. — Na época em que filmamos, César abria brechas em seu trabalho como contador para ensaiar — lembra Charlone. — Nas filmagens, nós misturamos atores não profissionais com intérpretes mais experientes, como ele. César teve a generosidade de trabalhar de igual para igual com carinhas que nunca tinham feito nada em matéria de interpretação. Com contrato assinado com a Globo até setembro, Troncoso diz que a conquista do troféu Kikito de melhor ator no Festival de Gramado de 2007 garantiu-lhe o assédio do cinema brasileiro, no qual foi empossado em 2009, quando fez “Em teu nome”, de Paulo Nascimento, e “Cabeça a prêmio”, do também ator Marco Ricca. — César vinha ganhando todos os prêmios possíveis por “O banheiro do Papa” na época em que nos encontramos pela primeira vez, no sul da Argentina, num aeroporto, ao fim de um festival — lembra Ricca. — Falei pra ele: “Tenho um papel pra você no meu primeiro filme como diretor. É pequenininho, coisa de uma diária só”. Ele topou. E deu tudo de si. Um daqueles atores raros que não precisam fazer muito esforço para falar um texto com profundidade, César tem uma máscara natural capaz de comunicar tudo o que um enredo de cinema tem a dizer. Apesar do sotaque espanhol indisfarçável, a língua não prejudicou Troncoso em seu diálogo com o público do circuito exibidor. Nem com os telespectadores, como garante o galã de “Flor do Caribe” Henri Castelli, cujo personagem, Cassiano, foi hostilizado por Dom Rafael. — César transpôs a barreira do idioma com o talento. Preocupado em escutar os colegas, ele se impõe pela sinceridade — diz Castelli. Panorama do continente De 2009 para cá, os convites só aumentaram. Ele fez uma coprodução Brasil-Argentina aplaudida na Quinzena dos Realizadores de Cannes no ano passado: “Infância clandestina”, de Benjamín Ávila. O cineasta escalou Troncoso ao lado de atores dos dois países, como a paraibana Mayana Neiva. Segundo ela, o uruguaio vem eternizando na tela um panorama histórico do continente, ao escolher filmes sintonizados com eventos marcantes da América Latina. — César promove um abraço cultural entre países. Ele é um ícone de um movimento de integração latina — diz Mayana. Muitos dos projetos brasileiros que Troncoso aceitou de 2009 para cá só ficaram prontos este ano, como “Faroeste caboclo”, baseado na canção de Renato Russo (1960-1996), que estreia em 30 de maio. Ele faz o traficante Pablo, primo de João de Santo Cristo (Fabrício Boliveira) no filme cujo trailer é febre na internet. — Apesar da sua experiência, César chega no set zerado, tentando descobrir uma verdade na hora, pela observação — diz Boliveira. Para 2014, Troncoso tem pela frente o filme “A superfície da sombra”, de Paulo Nascimento, no papel de um coveiro cantor. — Na primeira leitura de um roteiro, o César já vem com uma proposta de atuação que é melhor do que tudo que um diretor pode prever para ele — elogia Nascimento. Ao mergulhar no Brasil pelas telas, Troncoso achou mais que trabalho: descobriu um espelho das contradições entre dois países. — No Brasil, uma comédia com um astro de TV bate a barreira do milhão em número de ingressos vendidos. No Uruguai, chegará, no máximo, a 50 mil pessoas — diz o ator. — O maior sucesso recente de lá, o filme “En la puta vida” (dirigido por Beatriz Flores Silva e lançado em 2001), somou 140 mil espectadores. Não se pode pensar em indústria assim. O Brasil, pelo tamanho, pode. Um filme nordestino é de um jeito, um filme gaúcho é de outro. E todos têm seu público. (webremix.info) |
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Exposi??o na Alemanha tra?a paralelo entre apartheid e hist?ria da fotografia na ?frica do Sul
Maquiadas, de salto alto e vestidos formais, senhoras permanecem eretas e plácidas, lado a lado. Estáticas, elas seguram cartazes de caligrafia impecável: "Protestamos contra a deprivação de direitos humanos básicos“. "Legal agora mas imoral para sempre“. Seus cabelos são bem penteados, algumas usam chapéus. Todas vestem uma faixa negra cruzando o tronco. Todas têm a pele branca.
Veja também As senhoras de elite que nos anos 1950 fundaram o movimento "Black Sash“ ("Faixa Negra“) para protestar contra o apartheid na África do Sul são um entre dezenas de grupos que, a partir de 1948, deram diferentes formas à resistência contra a institucionalização da segregação racial, desde a desobediência civil até os conflitos armados. Junto com eles, uma geração de fotógrafos sul-africanos desenvolveu um olhar sobre o próprio país que antes fora atribuição de holandeses e britânicos, os colonizadores. A história dessa luta e a história da fotografia sul-africana são inseparáveis, é o que mostra a exposição "Rise and fall of apartheid“ ("Ascenção e queda do apartheid“), em cartaz até 26 de maio na Casa de Arte, em Munique. Em dois mil metros quadrados, mais de 600 fotos, filmes e slides – a maior parte de criadores sul-africanos – percorrem o início da política de Estado do apartheid em 1948, com a eleição do Partido Nacional, até o fim, com a libertação de Nelson Mandela em 1990, quase 28 anos após sua prisão, e sua vitória nas eleições de 1994. – Temos uma premissa: o que conhecemos hoje como fotografia sul-africana foi inventado em 1948. Antes desse período havia uma representação antropológica dos sul-africanos, dos chamados estudos nativos. A fotografia depois do apartheid teve que inventar o cidadão – diz o historiador de arte Okwui Enwezor, diretor do museu e curador da mostra junto com Rory Bester. Para inventar o cidadão, fotógrafos sul-africanos retrataram não apenas os movimentos de resistência e protesto, mas também buscaram as rotinas instituídas por leis que usurparam a cidadania dos negros no país. Nos primeiros anos do apartheid, proibiram-se os casamentos interraciais, e a separação de brancos, negros e coulored ("de cor“, mestiços) nas cidades atribuiu à palavra seu significado literal em holandês: separado (apart) e bairro (heid). Se a discriminação racial já existia na estrutura colonial, sua institucionalização como sistema político-jurídico criou um espaço de resistência e tensão social que impulsionou o desenvolvimento de uma nova fotografia no país. Um dos mais proeminentes fotógrafos do período, Ernest Cole, precisou reinventar a própria identidade para poder se locomover em locais onde os negros precisavam de um passe para entrar. Ele conseguiu ser classificado como "de cor“ e registrou espaços a que não teria acesso. Cole captou o que Enwezor denomina petit apartheid, as normas de segregação inscritas nos signos urbanos, que regulavam a vida em seus aspectos mais banais, determinando quem podia sentar-se num banco, usar o banheiro ou o transporte público. Outro importante fotógrafo da rotina de segregação é Peter Magubane. É dele a foto da menina branca sentada num banco com a inscrição "Só para europeus“, enquanto sua babá negra a acaricia, porém do outro lado, reservado aos negros. São fotos que lembram o período das leis Jim Crow em estados do Sul dos Estados Unidos, do fim do século XIX aos anos 1960. Com o subtítulo de "Fotografia e a burocracia da vida cotidiana", a exposição quer mostrar o lado rotineiro do apartheid, pouco noticiado pela mídia, que se concentrou nos protestos e conflitos violentos, sobretudo a partir dos anos 1970. – A mudança do político para o normativo precisa ser discreta, mas a mídia sempre quer algo que seja equivalente ao evento, e no caso a violência era o meio mais impactante para contar as histórias. Isso ofuscou os elementos do apartheid com mais nuances. Na exposição mostramos como algo essencialmente político se tornou normalizado. Apesar de sempre ter havido resistência, foi necessário um grau de normalização social para que o apartheid pudesse funcionar – afirma o curador. Imagens dos diferentes movimentos de resistência também são um importante núcleo da exposição, como as manifestações cujo símbolo eram polegares levantados. O sinal discreto foi substituído por punhos erguidos à medida que os protestos se tornaram mais agressivos, após o assassinato de 69 pessoas no Massacre de Sharpeville, em 1960, durante um protesto contra a obrigatoriedade do passe para os negros; e sobretudo desde 1976, quando quatro estudantes foram mortos numa manifestação em Soweto. Outros grupos de resistência continuaram com a mesma estratégia do início até o fim do apartheid. Foi o caso da "Faixa Negra“ – que se apropriou da linguagem do sistema, usando a mesma tipografia modernia dos signos urbanos de segregação. – Aquelas senhoras tinham uma consciência do valor da propaganda, de que sua representação tinha que funcionar para se contrapor à função comunicativa do apartheid. Tinham uma atuação coreografada, num gesto de não violência e confronto passivo – diz Enwezor, curador da documenta de Kassel de 2002 e ex-curador adjunto do Centro Internacional de Fotografia, por onde a mostra já passou. Em seu texto no catálogo, Enwezor faz uma divisão de abordagens dos fotógrafos sul-africanos da época: havia os que usavam a fotografia como instrumento de transformação política e os que percebiam a imagem como meio de análise social. O próprio curador reconhece, porém, que a crítica do sistema é um elemento central em fotógrafos emblemáticos como David Goldblatt, cujas imagens quase abstratas simbolizam segregação e abandono. A mostra traz ainda obras de artistas que também usaram fotos relacionadas ao apartheid, seja de forma sutil, como o sul-africano William Kentridge, ou irônica, como o alemão Hans Haacke, que se apropriou de propagandas de empresas com negócios na África do Sul. Apesar de se concentrar na luta antiapartheid, a exposição reúne alguns retratos da elite da sociedade sul-africana, como as fotos da americana Margaret Bourke-White, e dos movimentos nacionalistas brancos que se intensificaram nos últimos anos de aparhteid. Porém, segundo Enwezor, a maior parte das imagens do universo pró-apartheid não se destaca pela qualidade fotográfica, e sim pela informação histórica: – Era a imagem da civilidade, do liberalismo em face de políticas não liberais. Grande parte dessas imagens faz parte do Arquivo Nacional da África do Sul, que pertencia ao antigo Ministério da Informação. Em oito anos de pesquisa, Okwui Enwezor e Rory Bester vasculharam ainda os arquivos da revista "Drum“, do coletivo de fotógrafos Afropix, do Museu da África e da Galeria de Arte de Johanesburgo e do Mayibuyi, arquivo da Universidade do Cabo Ocidental, com mais de meio milhão de imagens sobre o período. Para além dos registros históricos, o curador quis ainda deixar uma espécie de epílogo sobre a recepção desse legado histórico e fotográfico pelas novas gerações, com imagens de 2010, 2011 e 2012. – Fotógrafos como Thabiso Sekgala e Sabelo Mlangeni têm um estilo e formato influenciado por David Goldblatt, com uma certa distância crítica e interesse por cidades pequenas despovoadas – afirma. Por fim, um banner sintetiza a extensa luta de resistência, reprimida e reativada, como se vê no longo percurso da exposição. Refeito pelo Centro de Reencenações Históricas, em Johanesburgo, a partir de uma fotografia de um protesto em 1985, que teve 25 mortos, ele diz: "They will never kill us all“ ("Eles nunca matarão todos nós“). (webremix.info) |
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vc rep?rter: Treme Terra leva dan?a e m?sica de terreiro ao Masp
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Lançamento de ?Sambabook? e ?Discobiografia? de Martinho da Vila reveem carreira do sambista
RIO - “Quem quiser saber meu nome/ Não precisa perguntar/ Sou Martinho lá da Vila/ Partideiro devagar.” A sintética autodefinição de Martinho reafirma: em sua voz e seus versos, tudo sempre é mais profundo e parece mais simples. Chegando agora às lojas, o “Sambabook” (Musickeria) dedicado ao compositor — o segundo da série, que estreou homenageando João Nogueira — dá oportunidade de comprovar isso. E, mais importante, de vislumbrar o tamanho do artista que cabe num “partideiro devagar”.
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No CD/DVD/Blu-ray do “Sambabook”, está lá o compositor do samba-enredo revolucionário (“Sonho de um sonho”), do partido alto modelo (“Casa de bamba”), da crônica social refinada (“O pequeno burguês”), da experimentação formal (“Odilê, odilá”), da sensibilidade de se olhar o amor sob ótica original (“Ex-amor”). Mais: com intérpretes que vão de Paulinho da Viola a Pitty, de Ney Matogrosso a Casuarina, o projeto aponta para o alcance da obra de Martinho, 75 anos. E no livro “Discobiografia” (Casa da Palavra) — parte do “Sambabook”, que inclui ainda um fichário com 60 partituras e um aplicativo para celulares e tablets —, percebe-se que mais que um “sambista”, “autor sofisticado” ou “partideiro devagar”, há um artista que o tempo todo reflete sobre sua obra e sobre onde quer chegar. — Martinho é o artista da música brasileira que melhor se encaixa na “Discobiografia” (que acompanha a trajetória do artista pela análise de sua discografia) — diz Hugo Sukman, autor do volume sobre o compositor da Vila. — Quase todos os seus discos são conceituais, têm ideias muito firmes por trás deles. Martinho confirma: — Tirando o primeiro (“Martinho da Vila”, de 1969, que gravou para apresentar à gravadora RCA Victor seu trabalho como compositor), nunca trabalhei num disco só juntando músicas. Penso sempre numa ideia central, que às vezes é um tema, outras uma forma. Isso acontece desde o segundo disco (“Meu laiaraiá”, 1970), que vem da vontade de fazer um disco de samba bem produzido, com orquestra, sair do esquema que existia na época. O terceiro, “Memórias de um sargento de milícias” nasceu quando estava dando baixa do Exército (ou seja, escolhendo em definitivo a carreira de artista), trabalhei pensando nisso. E assim é até hoje. O exercício de pinçar aleatoriamente álbuns em sua discografia reforça o que Sukman e Martinho dizem. “Rosa do povo”, de 1976, parte do universo poético de Carlos Drummond de Andrade (sem usar um verso do poeta); “Tendinha”, de 1978, transporta para o disco o espírito do encontro das rodas de samba, antecipando algo que a geração Cacique de Ramos consagraria; “Samba enredo”, de 1980, é um estudo sobre o gênero, salientando seu caráter de arte negra; “Ao Rio de Janeiro”, de 1994, olha para a cidade sob variados prismas; “Brasilatinidade”, de 2005, é sua viagem pela música da América Latina. — Vejo o disco quase como um livro, um espetáculo roteirizado — define Martinho. — Como um enredo de um desfile, enfim. Acho que o que me levou a pensar dessa maneira foi minha proximidade com a escola de samba. Da Vila, Martinho já se declarou pertencente a diversos universos, espalhando-se nos títulos de seus discos: “Martinho da vida”, “Martinho da Vila, da roça e da cidade”. Algo que dá pistas sobre o lugar único que ocupa na música brasileira. Tem todas as características de um “sambista autêntico” (a formação na favela, a escola de samba, o domínio das formas do gênero), mas explora temas inusuais e não se aferra ao ritmo. Por outro lado, sua trajetória não o alinha diretamente aos colegas de geração que definiram os fundamentos da chamada MPB, elaborada, universitária. E, como poucos, dialoga com rádios e gravadoras, afirmando sua arte sem negar os interesses deles. — Sempre procurei entender do meu ofício. Procurei saber o que é um artista, ter noção da importância do que faço. Sempre fui de pensar — afirma o compositor, que tem também um livro infanto-juvenil a ser publicado em breve, “O nascimento do samba”, sobre as origens do gênero. Uma das epígrafes do livro é de Tunico Ferreira, filho de Martinho: “Se você quer ser amigo íntimo do meu pai basta escutar seus discos, desde o primeiro até o último. Todos os problemas, alegrias, momentos marcantes estão nas músicas”. É assim com todos os temas que ocupam o pensamento do homem que sempre foi de pensar: — Ele faz discos sobre partido alto, sobre o samba-enredo... Traduz seus projetos em discos. E, assim, leva a cultura que representa a um patamar que antes ela não ocupava — diz Sukman. — Sem Martinho, sem a popularização do gênero promovida por ele, o samba estaria num outro lugar hoje. Ele existe como música comercial em grande parte porque Martinho existe. Zeca Pagodinho, por exemplo, é filho do Martinho. Tanto que o ressurgimento de Zeca nos anos 1990 foi com Rildo Hora (fundamental na construção da sonoridade dos discos de Martinho). No “Sambabook”, esse som de Martinho é representado já na escalação da banda. Ela estará completa, e terá a presença dos convidados, nos shows de lançamento do projeto — no Imperator (Centro Cultural João Nogueira), nos dias 22 e 23 de maio, e no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, em 31 de maio, 1º e 2 de junho. — São músicos que tocaram com Martinho em diferentes momentos, como Zeca da Cuíca e Claudio Jorge, e um coro que tem filhos de Martinho (Analimar, Juju Ferreira e Martinho Filho) e sua neta Dandara — explica Flavio Pinheiro, diretor de Marketing da Musickeria. — Para os intérpretes convidamos pessoas identificadas com ele, como Paulinho da Viola, Leci Brandão, João Donato e Mart’Nália. Mas também procuramos artistas das novas gerações, seja do samba, como Moyseis Marques, ou de fora dele, como Pitty. Martinho lembra que, quando começou, tudo era mais setorizado: — Pitty cantou maravilhosamente bem meu samba (“Roda ciranda”). E Chorão era meu grande fã. Me falou uma vez que se inspirou muito em mim, veja só. Apesar da surpresa de Martinho, não é difícil entender o fascínio que exerce o artista que estabeleceu de forma pioneira pontes entre a periferia e a indústria, entre o campo e a cidade, entre o Brasil e a África — sempre com os pés fincados em ambos os lados. Pontes construídas ao longo de uma vida que parece ficção. — Ele foi retirante, vindo do interior do Rio (Duas Barras), e favelado (da Serra dos Pretos Forros, na Boca do Mato). Conseguiu se educar, sustentar a família, ficar rico, ter prestígio perene, tudo isso vindo do estrato mais baixo da sociedade. Ele compra a fazenda onde seu pai trabalhava e faz um samba-enredo lindo (o da Vila Isabel, campeã deste ano) que fala do homem do campo, e no qual o filho é um dos parceiros. Trajetória perfeita para um biógrafo — elogia Sukman. (webremix.info) |
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Em Doha, museus e grandes novidades
DOHA - No ano passado, a família real do Catar ganhou as manchetes dos jornais ao arrematar em um leilão, por US$ 250 milhões, o quadro “Os jogadores de cartas”, de Paul Cézanne, até hoje a pintura mais cara da História. Na semana passada, novamente o apetite dos árabes por obras de arte famosas foi notícia, com a compra de “O menino com a pomba”, uma das obras da fase azul de Pablo Picasso. As duas peças são as estrelas de um rico acervo em formação, para ser exibido em instituições como o Mathaf, Museu Árabe de Arte Moderna, que nasce com o propósito de consolidar o país da Península Arábica, que conquistou o direito de sediar a Copa do Mundo de 2022, como uma referência mundial em cultura e entretenimento.
Veja também Doha é hoje um destino que desponta no mapa do turismo com uma coleção de edifícios ultramodernos que compõe um dos conjuntos arquitetônicos mais impressionantes do planeta, nos quais muitas vezes funcionam hotéis de alto luxo, com um time de restaurantes de primeira linha e cardápios assinados por chefs como Alain Ducasse, Gordon Ramsay e Jean-Georges — o próximo da lista é o japonês Nobu Matsuhisa. Comida árabe, um movimentado mercado e passeios no deserto representam a cultura local. Esses dois universos em sintonia fazem de Doha mais que uma parada a caminho da Ásia. Torres iluminadas, grifes e... gôndolas O avião se aproxima da pista de pouso, e a escuridão do mar (ou seria do deserto?) dá lugar a umas poucas luzes. De repente, surgem prédios futuristas impressionantes, torres altas iluminadas com luzes coloridas em formatos improváveis. Em poucos anos, Doha se verticalizou em sua área central, formando um fascinante conjunto arquitetônico de prédios modernos, e o ritmo de construções acelerado mostra que o cenário vai continuar mudando. Tapumes e guindastes escondendo obras são parte constante da paisagem. Mesmo com o movimentado Souq Waqif, o lindíssimo Museu de Arte Islâmica e a impecável cozinha árabe, a face mais atraente da capital do Catar, hoje com pouco mais de um milhão de habitantes, é a da modernidade. Existe um quê de Las Vegas em Doha, e este lado é bem representado pelo shopping Villagio Mall, um imenso complexo de lojas cortado por canais repletos de gôndolas como em Veneza, imagem que acabou se tornando um cartão-postal do país. O passeio de barquinho veneziano no Catar pode parecer exótico como de fato é ( muito mais barato do que o original, e custa o equivalente a R$ 5 por pessoa), bem como deslizar pelo imenso rinque de patinação no gelo (também com preços camaradas: R$ 15 por 1h45m; ou R$ 50 por um dia inteiro), mas o time de grifes encontradas é de primeira linha, e as mais famosas estão concentradas na Via Domo: Cartier, Fendi, Ermenegildo Zegna, Christian Louboutin, D&G, Bottega Veneta, Bulgari, Prada, Gucci... Pense em uma marca de luxo que ela estará ali. Para os que viajam em família, a Palm Tree Island, no meio da Baía de Doha, tem uma jeitão de paraíso tropical, com praias de águas claras, calmas e de temperatura amena, muitas palmeiras, restaurantes especializados em pescados e bares, além de uma série de atividades aquáticas. A ilha está a apenas dez minutos de barco da Corniche, o famoso calçadão costeiro onde moradores e turistas caminham, correm e passeiam. A agradável travessia da baía é feita em embarcações típicas. Palm Tree tem áreas gramadas que convidam a um piquenique, uma ótima ideia, ainda mais para aqueles que puderem se abastecer antes na loja Dean & Deluca que funciona no Villagio Mall. Neste universo em construção, há novidades prestes a abrir as portas que vão reforçar ainda mais a condição de Doha como destino emergente, principalmente em relação ao turismo de alto luxo. Uma das atrações mais aguardadas, pelos aspectos gastronômicos e arquitetônicos, é o restautante do chef japonês Nobuyuki Matsuhisa, que será inaugurado ainda este ano no hotel Four Seasons, junto à marina e com vista privilegiada da Baía de Doha. A construção, um projeto do Rockwell Group, de Nova York, promete virar um dos prédios mais fotografados do Catar. Uma estrutura redonda, como que suspensa no ar, praticamente debruçada sobre o mar, com paredes envidraçadas para valorizar o visual. Serão dois andares, mais um terraço panorâmico que, é fácil imaginar, vai se tornar um dos lugares mais disputados da capital do Catar. No cardápio, estarão os pratos que fizeram a fama do cozinheiro, uma versão moderna, com influências estrangeiras, da gastronomia tradicional do Japão. Outro provável marco arquitetônico com abertura também prevista para este ano, apesar dos sucessivos atrasos, é o novo aeroporto internacional de Doha. A estrutura monumental vai acabar com um dos inconvenientes para os turistas que visitam o país: o “velho” aeroporto, inaugurado em 1998, não tem fingers de acesso aos aviões, e o embarque é feito em ônibus — os voos de São Paulo ainda vão demorar um pouco para migrar para os novos terminais. Cavalaria, falcoaria e arte islâmica Para quem já visitou bazares em outros países árabes, o Souq Waqif não parece real: é organizado e com aparência de novo, como um shopping center. Mas os produtos à venda, como peças em ouro, panos e todo tipo de tecido, incluindo belíssimas pashminas, além de antiguidades, especiarias, perfumes, pérolas e roupas tradicionais árabes, tornam a visita interessante, e uma boa oportunidade de compras. A guarda montada a cavalo, com uniformes impecáveis, belíssimos, rende boas fotos. Outra razão para ir ao souq é a boa oferta de restaurantes, incluindo casas malaias, indianas e marroquinas. A bebida oficial é chá ou café, acompanhados de um narguilé. Uma particularidade do mercado são os hotéis, como o Al Mirqab, que tem decoração preciosa, com móveis de design em estilo árabe. Como é proibido consumir álcool em bares e restaurantes nas ruas, os hotéis do souq se convertem em bons lugares para um drinque entre uma compra e outra. O mercado é imenso, e dá para passar uma tarde inteira ali. Um dos lugares mais curiosos é o Mercado dos Falcões, onde a arte da falcoaria resiste ao tempo: além das aves treinadas, estão à venda acessórios para praticar essa paixão nacional do Catar. Bem perto fica o imperdível Museu de Arte Islâmica, uma construção lembrando uma pirâmide, ainda mais bela à noite, quando ganha iluminação que realça as suas linhas. O acervo transita por todo o universo islâmico, do Norte da áfrica à Ásia, cobrindo um período de 1.400 anos. São várias coleções, de cerâmicas e moedas a tecidos e artefatos em metal. Vale a pena programar ao menos uma refeição ali porque, além do café simpático, o museu abriga um restaurante de Alain Ducasse, o Idam Doha. O cardápio tem ingredientes franceses tratados com forte acento islâmico, e pratos como terrine de foie gras com gergelim e frutas cítricas, ou uma especialidade local, carne de camelo, servida com o fígado gordo, trufas e batatinhas suflê. O menu degustação, com opções escolhidas pelos clientes entre as disponíveis no menu regular, custa R$ 365. O lugar é lindo, com vista para a baía, tendo os prédios modernos ao fundo, e decoração assinada por Philippe Starck. Os pratos têm ótima execução e apresentação. Só fica faltando o sommelier... Nos hotéis, drinque, brunch ou spa O mercado hoteleiro de Doha acompanha o mesmo ritmo frenético da construção de edifícios modernos na cidade, e algumas redes escolheram se instalar nesses prédios, como o W Doha, enquanto outros são resorts, que atraem mais famílias, como o The Ritz-Carlton Sharq Village and Spa e o Four Seasons. Mais do que oferecer hospedagem, os hotéis estão no centro da indústria de entretenimento do Catar, abrigando grande parte dos melhores restaurantes, os bares mais badalados e os spas que carregam as principais marcas deste segmento em todo o mundo, como Remède, no St. Regis, e o Six Senses, no Ritz-Carlton Sharq Village. Para os viajantes não muçulmanos, os hotéis são referência de lazer também porque apenas nesses lugares as bebidas alcoólicas podem ser consumidas livremente. Quem imagina que agito noturno não rima com Doha precisa conhecer o hotel W, epicentro da badalação, com um time de bares de primeira linha, como o Crystal, o Wahm Lounge e o Living Room. Com iluminação baixa, luzes roxas e um concorrido balcão, o Crystal reúne turistas que querem ouvir música, com DJ tocando ao vivo, comendo e bebendo bem. Há um bar de champanhes e uma ótima lista de drinques. Se tem um lugar para ver e ser visto em Doha, é este. O W oferece ainda dois brunches originais. Em um deles, ao som de jazz, no restaurante Market, os pratos são assinados pelo chef francês Jean-Georges (custa R$ 170, com bebidas). Já o Spice Market tem um dos brunches mais atraentes para os apreciadores da cozinha asiática: o destaque é a comida de rua de vários países do continente (também por R$ 170). Os brunches são uma tradição catari ligada à indústria hoteleira. Mas, ao em vez de acontecerem aos domingos, como reza a tradição ocidental, essa mistura de café da manhã com almoço é a refeição das sextas-feiras, o dia sagrado para o islamismo. Quase todos os hotéis realizam o seu brunch de sexta, seguindo vários estilos culinários diferentes. Um dos mais autênticos é o brunch tailandês que acontece no restaurante Isaan, no Grand Hyatt (R$ 125, ou R$ 200, com bebidas). Para os que viajam em família, o almoço das sextas-feiras no restaurante Seasons, no hotel Mövenpick, dá especial atenção às crianças, incluindo a presença de piratas e personagens da Disney. Além do brunch jazzístico no W Hotel , Doha conta com uma filial do mítico Jazz at Lincoln Center, de Nova York, no St. Regis, com intensa programação de shows, com músicos residentes e apresentações de artistas convidados. Com duas unidades em Doha, uma mais voltada ao público executivo e um resort de praia, a rede Ritz-Carlton, além de opção de hospedagem, é um local para relaxar. O spa Six Senses, no Sharq Village, com praia particular de frente para o paredão de prédios modernos da cidade, é espetacular. A decoração recria uma antiga residência árabe, usando sistemas rudimentares de refrigeração. Há muitos tratamentos voltados para casais, com direito a saunas e piscinas privativas. O spa do Sharq Village é procurado por moradores e viajantes hospedados em outros hotéis da cidade. Assim como os seus vários bares e restaurantes, incluindo um salão de chá à moda árabe, o Afternoon Tea in Al Jalsa, e uma área dedicada aos charutos, o elegante Cigar Lounge, com poltronas de couro próprias para se saborear um bom cubano escoltado por um copo de conhaque. Ícone local, o complexo The Pearl-Qatar é um dos principais empreendimentos imobiliários, no melhor “estilo Dubai”: um conjunto de ilhas artificiais com construções de inspiração mediterrânea (um calçadão à beira-mar foi batizado de La Croisette), árabe ou asiática, dependendo do lugar. O projeto tem hotéis (como o Nikki Beach, com inauguração prevista para o próximo ano), edifícios residenciais e de escritórios, marina, restaurantes, cafés e lojas. Quase um mundo paralelo. SERVIÇO PASSEIOS Museus: A Qatar Museums Authority concentra a administração dos mais importantes museus do país. No site qma.com.qa é possível encontrar informações sobre horários de funcionamento, endereços etc. Safári no deserto: Várias empresas organizam passeios de jipe pelo deserto. Uma das maiores é a Qatar Adventure. Há vários tipos de programa, com ou sem refeição no final. O passeio que dura o dia inteiro custa QAR 350 (R$ 175) ou QAR 450 (R$ 225), com jantar típico, um churrasco à moda árabe. qataradventure.com VISTO Brasileiros precisam de visto para entrar no Catar. Ele pode ser tirado diretamente com os hotéis. Custa cerca de R$ 70, mas o preço varia de acordo com cada rede. MOEDA A moeda oficial no Catar é o qatari rial (QAR). Pelo câmbio atual, 1 QAR vale R$ 0,55. O dólar e o euro são bem aceitos nas lojas, inclusive no Souq Waqif, mas o troco geralmente é dado em moeda local. Cartões de crédito internacionais são amplamente aceitos. Bruno Agostini viajou a convite do Ritz-Carlton e da Catar (webremix.info) |
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Praia e sossego ? beira do Pac?fico mexicano
PUERTO VALLARTA - Um trecho do território mexicano banhado pelo Pacífico, de geografia recortada, rodeado de muito verde. Por seu formato — literalmente, uma ponta — abriga praias calmas de um lado, praias top para surfistas do outro e mar agitado no meio. Localizada a 50 minutos de carro do aeroporto de Puerto Vallarta, Punta Mita é a nova sensação mexicana. Veja também
Se o balneário de Puerto Vallarta é um dos destinos de praia mais visitados no México (em 2011 foram 3,5 milhões de turistas), Punta Mita segue outra linha: com rígido controle ambiental e de exploração imobiliária, tem somente hotéis de primeira linha. Tornou-se o must go da nata da sociedade mexicana e de celebridades do mundo que escapam para lá em busca de sossego e muito conforto em hotéis luxuosos como o Four Seasons e o St. Regis, ou instalando-se entre villas e propriedades de segunda residência de altíssimo padrão. Mais que isso, o lugar vem se revelando também um charmoso destino de lua de mel. A história de Punta Mita (originalmente Punta de Mita) é curiosa: foi “descoberta” por surfistas fanáticos nos anos 1960. Totalmente selvagem naquela época, acabou vendo alguns desses surfistas se instalarem no povoado vizinho, Sayulita, enquanto Puerto Vallarta virava uma cidade cada vez maior e mais estruturada, hoje com 255 mil habitantes. Localizada na bela costa do Pacífico batizada de Riviera Nayarit, Punta Mita forma a extremidade norte da Bahía de Banderas, a segunda maior baía da América do Norte, com mais de 50 quilômetros de praias, sendo várias delas com jeitão deserto. Rodeada de dunas e vegetação tropical densa, a região de Punta Mita constitui um lar mais que perfeito para pássaros de distintas espécies. E guarda também reminiscências arqueológicas importantes (como o sítio Careyeros) e praias com um quê havaiano — talvez não por acaso, já que Punta Mita está na mesma latitude que o arquipélago americano — de areia clarinha, palmeiras em sequência e largas faixas rochosas, com cavernas esculpidas pela força das águas. Na região também se destaca a produção artesanal em ferro e cerâmica com pinturas decorativas. As águas tomadas por recifes de coral ficaram famosas entre mergulhadores e praticantes de snorkel porque, além da beleza multicolorida de seus corais, não é raro ali nadar ao lado de tartarugas e arraias gigantes. Os golfinhos nariz de garrafa são tão abundantes nas redondezas de Punta Mita que são vistos frequentemente até da areia. Turistas que desejam uma experiência ainda mais próxima com esses animais têm a opção de nadar com alguns deles no Dolphin Adventure Center, mas num esquema mais ao estilo dos parques temáticos americanos. Dependendo da época do ano (mais frequentemente de dezembro a abril), é possível ver da costa baleias jubarte saltando em sua tão peculiar coreografia. Banhistas frequentemente se esbaldam nas águas e areias da prainha de Litibu Bay e também fazem o passeio de barco que vai várias vezes ao dia às Islas Marietta, de jeitinho paradisíaco e água muito transparente — a duração do trajeto é de aproximadamente 20 minutos. O principal point para surfe é a praia de El Faro, que atrai também os não praticantes do esporte interessados apenas em ver o show de manobras dos surfistas em ondas imensas. Mas, apesar da forte herança surfista, nem só desse esporte vive Punta Mita. O lugar virou ainda queridinho de adeptos da pesca esportiva: na praia em frente aos hotéis é fácil ver iniciantes da modalidade felizes da vida com seus carregamentos de atuns, peixes-espada ou o tão típico mahi mahi — frequentemente visto nos cardápios locais. Sayulita e arredores. Histórias de pescadores, surfistas e artistas Dos muitos passeios de um dia que se pode fazer a partir de Punta Mita, talvez o mais gostoso e autêntico seja chegar, de carro ou de barco, ao charmoso e algo hippie vilarejo de pescadores de Sayulita. Até o começo dos anos 1990, Sayulita ainda era uma pacata vila de pescadores adotada por alguns surfistas estrangeiros (sobretudo americanos) que ali chegaram e se estabeleceram desde os anos 1960 e 1970, mais ou menos como aconteceu em outros tempos na brasileira Praia da Pipa. Apesar de hoje estar repleta de lojinhas, cafés, restaurantes, casas de veraneio e bed&breakfasts, Sayulita, a 25 minutos de carro de Punta Mita, ainda conserva um quê de cidadezinha parada no tempo com sua população base de quatro mil habitantes. São três ruas principais, todas próximas à praia, enfileirando lojinhas, restaurantes de comidas étnicas (de japonês a marroquino) e cafés — cheios de bossa e personalidade, deve-se dizer, já que grandes redes ainda não se instalaram por lá. Playa Centro reúne a maioria dos surfistas atrás de grandes e melhores ondas. Los Muertos é procurada por famílias com crianças, atraídas pelas águas mais calmas. Mais meia hora de carro, seguindo para o norte, outra opção é o povoado de San Pancho (também conhecido por alguns como San Francisco), de ruelas estreitas de pedra que levam todas à colorida Plaza Central, sempre movimentada, mas sem perder o jeito de pueblito interiorano. Na faixa de areia da praia, cafés esparramam suas mesinhas e cadeiras sem a menor cerimônia, montando cenários perfeitos para assistir ao pôr do sol. Do outro lado de Punta Mita, mas em sentido sul seguindo pela Bahía de Banderas, a vizinha Puerto Vallarta guarda seu charme colonial nos edifícios hoje tomados por muitas galerias de arte e é um passeio imperdível na região. Fãs de feirinhas de rua e amantes da vida noturna vão encontrar ali muito mais opções que na pequena Punta Mita — e fica pertinho. Quem escapa até Puerto Vallarta para o passeio de um dia tem como programação caminhar pelo Malecón e atravessar até a ilhota de Cuale para dar um volta pelas boutiques e escolher um dos restaurantes que se enfileiram ali — o restaurante Café des Artistes (cafedesartistes. com), do chef Thierry Blouet, parte do grupo Maîtres Cuisiniers de France, é uma visita indispensável. Cinéfilos costumam esticar a visita à região até Mismaloya, que ficou conhecida depois de servir de cenário — junto com Puerto Vallarta — para o filme “A noite do iguana”, estrelado por Richard Burton e Elizabeth Taylor. Ali se instalaram cafés e barraquinhas que vendem frutos do mar fresquinhos e guias que oferecem tours pelas locações usadas em muitas cenas do filme de 1964. Se ousar se afastar um pouco do mar azul de Punta Mita para o interior, a cidadezinha de San Sebastián (a uma hora e dez minutos de Punta Mita), encravada na montanha, originada no período da mineração de prata e ouro no século XVII, continua sendo um vilarejo tranquilo, repleto de edifícios coloniais, daqueles bons para passar uma tarde visitando sem pressa. Mas bom mesmo é voltar a Punta Mita a tempo de prestigiar o espetáculo diário do pôr do sol: de frente para essa pontinha do território mexicano, o sol é tragado pelo mar durante longos minutos, enquanto o céu seduz fotógrafos, moradores e turistas com cores impressionantes, passando do alaranjado do final da tarde ao rosa antes do cair da noite. Inesquecível. (webremix.info) |
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Investiga??o de para?sos fiscais revela suborno a altos funcion?rios na Venezuela
MADRI — Quinze meses de árduas investigações feitas pelo Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo (ICIJ, na sigla em inglês) expõem as grandes fortunas escondidas em paraísos fiscais, com 12 mil movimentos de empresas e cerca de 13 mil pessoas envolvidas. O ICIJ teve acesso a cerca de 2,5 milhões de arquivos digitais, principalmente das Ilhas Virgens Britânicas, Cook e Cayman. O tamanho total dos arquivos é 160 vezes maior que divulgação feita pelo WikiLeaks em 2010, segundo a própria organização. E o ICIJ aponta em seu mapa de exposição das milhares de contas em paraísos fiscais três pontos no continente americano que escondiam fortunas: Canadá, Estados Unidos e Venezuela. Veja também Um deles é Francisco Illarramendi, venezuelano de nascimento e responsável por uma empresa de investimentos no estado americano de Connecticut, que criou um esquema de bilhões de dólares junto ao financiador venezuelano Moris Beracha - próximo a Hugo Chávez - segundo os documentos. Diversas ações em tribunais federais dos Estados Unidos argumentam que os dois homens desviaram dinheiro de investidores para um labirinto de empresas em paraísos fiscais que se estende desde as Ilhas Cayman até a Suíça e o Panamá, onde subornaram funcionários do regime bolivariano. A gigantesca fraude entrou em colapso em 2011, causando prejuízos a centenas de milhões de investidores, incluindo um membro de uma das famílias mais ricas latino-americanas do Cone Sul. De acordo com relatório do ICIJ, com base em documentos judiciais, o esquema também devorou parte do fundo de pensões da petrolífera estatal PDVSA, a joia da coroa de Chávez, e de onde vieram muitos dos recursos que alimentaram a revolução do comandante. Illarramendi foi declarado culpado em 2011 em acusações contra ele nos EUA, mas Bechara, que não foi responsabilizado pela justiça americana, insiste que, longe de participar da fraude de seu parceiro, foi apenas mais uma vítima. Outro envolvido nos negócios de Illarramendi é Juan Montes, o Black, diretor sênior de investimentos da PDVSA que teria embolsado mais de U$ 30 milhões, frutos de propinas em troca de transações de títulos complexos entre o fundo de pensão da petrolífera e os fundos de investimentos de Illarramendi. Estados Unidos e Canadá No Canadá, Tony Merchant, advogado renomado e marido da senadora Pana Merchant, escondia cerca de U$ 2 milhões em um paraíso fiscal das Ilhas Cook, em 1998, enquanto estava preso em uma batalha fiscal com o ministério da Fazenda. Conhecido como o “Rei das Demandas Coletivas”, devido suas vitórias lucrativas em tribunais, Merchant transferia o dinheiro para o Pacífico e, em seguida, canalizava para uma conta no Caribe que teria sua esposa e três filhos como beneficiários. A investigação de 15 meses de ICIJ teve a parceria exclusiva da rede de televisão CBC, do Canadá, e expôs cerca de 450 canadenses envolvidos em sonegação de impostos. “Manter a correspondência ao mínimo”, diz a nota anexada à conta das Ilhas Cook de Merchante, que exigia comunicação com o advogado somente por meio de correio regular. “Nunca enviar um fax para o cliente ou terá um ataque cardíaco”, advertia. Os documentos analisados pelos meios de comunicação de 35 países mostram como “o sigilo financeiro offshore se expandiu agressivamente em todo o mundo, permitindo que os ricos e os mais conectados pudessem sonegar impostos e, assim, alimentar a corrupção e os problemas econômicos nos países ricos e pobres, sem diferença”, assegura o informe. No caso dos EUA, o jornal Washigton Post - contrapartida do ICIJ no projeto nos EUA - ainda não tornou públicas suas conclusões, mas já antecipou que mais de 30 americanos estão envolvidos em fraude, lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros. Para analisar todas as informações disponibilizadas, o ICIJ conta com 86 jornalistas de 46 países e com a colaboração de meios como The Guardian e a BBC, o diário francês Le Monde e o americano The Washington Post. Quanto à Espanha, no decorrer da pesquisa aparece a baronesa Thyssen, “que usa uma empresa nas Ilhas Cook para comprar obras de arte em casas de leilões como Sotheby e Christie”. Também foram mencionados Jean-Jacques Augier, que foi tesoureiro da campanha eleitoral do atual presidente francês, François Hollande, o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, e multimilionários indonésios com vínculos com o falecdo ditador Suharto. Figuram também na lista pessoas e empresas ligadas ao caso Magnitsky, escândalo de fraude fiscal que levou a uma proibição de adoção de crianças russas por famílias americanas e as relações tensas entre os dois países. Os detalhes da investigação serão publicados gradualmente até o próximo dia 15. (webremix.info) |
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Lista p?e 3 exposi??es no Brasil entre as mais vistas do mundo em 2012
O Brasil teve três exposiçõe entre as mais vistas em todo o mundo no ano passado, segundo um ranking publicado pela revista especializada The Art Newspaper.De acordo com a publicação, a segunda mostra mais vista em 2012 em foi Amazônia: Ciclos de Modernidade, exibida no Centro Cultural Banco do Brasil, do Rio de Janeiro, entre maio e junho, que recebeu uma média de 7.928 visitantes diários.A mostra brasileira ficou atrás apenas de Antigos Mestres Holandeses, a exposição mais popular do ano, que percorrerá diversos países, mas que foi inaugurada no Museu de Arte Metropolitana de Tóquio, com uma média de público diária de 10.573 pessoas.O Brasil contou com outras duas exposições entre as 20 mais vistas do ano, segundo a lista. Antony Gormley: Corpos Presentes, na sétima posição, também exibida no CCBB carioca, entre agosto e setembro de 2012, foi vista por uma média de 6.909 visitantes/dia.A 17ª mostra mais visitada também foi brasileira e, assim como as outras duas na lista, exibida no Centro Cultural Banco do Brasil, desta vez no de São Paulo: Impressionismo: Paris e a Modernidade, exibida entre agosto e outubro do ano passado, foi presitigiada por cerca de 5.660 pessoas por dia."O apetite dos brasileiros pelas exposições é extraordinário", diz reportagem da The Art Newspaper.Brics e LouvreOs demais países que compõem com o Brasil o bloco Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul) também ocuparam algumas das primeiras posições na lista do The Art Newspaper.A terceira exposição mais vista foi apresentada no Hermitage, de São Petersburgo, na Rússia. A China contou com duas exposições entre as 20 mais visitadas, na 14ª e na 16ª posições.Curiosamente, as exibições que lideram o ranking não constam dos museus mundiais mais visitados em 2012. O museu internacional que mais recebeu visitantes em 2012 foi o parisiense Louvre, com um total de público de mais de 9,7 milhões de pessoas.Desde que a Art Newspaper começou a divulgar a lista, em 2007, o Louvre comanda o ranking de museus mais visitados. O número de visitantes do museu teria sido impulsionado, recentemente, pela sua nova ala de arte islâmica.Em segundo, ficou o Metropolitan, de Nova York, com mais de 6,1 milhões de visitantes, seguido do British Museum, em Londres, que teve um público superior a 5,7 milhões.'Ordem mundial'Segundo o editor de arte da BBC, Will Gompertz, há alguns anos o ranking de mostras mais visitadas era inteiramente dominado por exposições sediadas em instituições da Europa e dos Estados Unidos.A novidade, afirma ele, ''é um reflexo das mudaças na ordem mundial, com o Brasil e a China aparecendo na relação das 20 mais visitadas''.''Em breve, o Louvre e o Guggenheim abrirão filiais em Abu Dhabi; o México tem planos ambiciosos e a Índia vem se tornando uma potência emergente na cena de museus. Nos próximos anos, a relação de potências globais do circuito de exposições deverá mudar ainda mais'', comenta Gompertz.Essa mudança, afirma ele, poderá se dar por meio de ''países que resolvam construir e/ou modernizar seus museus ou, cada vez mais, por corporações com um talento tanto para farejar arte como para promover suas próprias marcas''.Esse, comenta, ''é o caso do CCBB, que está por trás de recentes exibições de sucesso na América do Sul, e empresa Samsung, que construiu um impressionante complexo de museus em Seul (Coreia do... (webremix.info) |
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Artista usa Kinect e areia para criar mundo virtual interativo na File Games 2013 (webremix.info) |
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Quadro ?Chinese girl? é leiloado por cerca de US$ 1,5 milhão em Londres
RIO - O famoso quadro “Chinese girl” ou, traduzindo, “Garota chinesa”, do pintor russo Vladimir Tretchikoff, foi arrematado, nesta quarta-feira, por aproximadamente £ 1 milhão, valor correspondente a cerca de US$ 1,5 milhão. Quem o comprou foi a joalheria britânica Laurence Graff. É o que informa o jornal “The Guardian”. A expectativa era que a pintura fosse vendida pela metade do preço. Este é um recorde do artista. A peça estava exposta para leilão na casa Bonhams, em Londres, na Inglaterra. Em inglês, o quadro também é chamado de “The green lady” (“A dama verde”, em português), devido à peculiar coloração da pele da mulher. O retrato já recebeu duras críticas, sendo considerado até cafona por especialistas em pintura, segundo o “Guardian”. No entanto, a opinião do público não é a mesma. A irreverência da imagem impressiona as pessoas e é uma das mais reproduzidas e reconhecidas no mundo. O crítico de arte William Feaver, em um documentário de 1974, da rede BBC, referiu-se ao trabalho como “o mais desagradável” a ser publicado no século XX. “Você tem forma plana, cabelo que absolutamente não é cabelo, mas simplesmente uma camada opaca de maçante e pintura insípida. Você tem ombros sem substância. Você um trabalho de linha confusa”, depreciou Feaver. Tretchikoff faleceu em 26 de agosto de 2006, na Cidade do Cabo, na África do Sul, país para onde “Chinese girl” será destinado agora. O quadro se juntará à coleção de arte da joalheria, na propriedade de luxo Delaire Graff. (webremix.info) |
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(RJ)"Ch? Preto": samba e outros estilos quinta no Renascen?a (webremix.info) |
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Vilão em ?Flor do Caribe?, Igor Rickli diz que, ao contrário de Alberto, não faria de tudo por amor
RIO - O primeiro capítulo de “Flor do Caribe”, exibido nesta segunda, não deixou dúvidas: Alberto, vivido por Igor Rickli, não medirá esforços para conquistar Ester, papel de Grazi Massafera, por quem é apaixonado. Embora mantenha uma amizade dissimulada com Cassiano (Henri Castelli), ainda nesta semana ele vai colocar em prática o plano para se livrar de vez do piloto, ao mesmo tempo que investirá pesado na moça. Mesmo ciente do caráter do personagem, Igor, de 29 anos, não hesita em defendê-lo: — Não quero caracterizá-lo como um mau-caráter porque gosto de defender meus personagens, sou assim. Prefiro dizer que ele é inconsequente. Ele tem obsessão pela Ester, é um cara determinado, articulador, sedutor e mimado também, né? Criado por um avô praticamente nazista, sem afeto dos pais... — justifica. Estreante na TV, o paranaense de Ponta Grossa foi descoberto por Jayme Monjardim — diretor de núcleo de “Flor do Caribe” — no teatro, em cena no musical “Judy Garland — O fim do arco-íris” em São Paulo. Dali, foi convocado para fazer um teste para o filme “O tempo e o vento”, também do diretor. Aprovado, não demorou para receber o convite para a trama das 18h, algo que sempre almejou. — Já estou guardando o Igor há um tempo, ele é um grande ator. É muito dedicado e entregue e acho que, hoje em dia, a gente não tem mais espaço para atores que não se envolvem de maneira extraordinária no que estão fazendo. Se você quer fazer um grande papel, a entrega é tudo. Agora, quem escolhe mesmo é o público — opina Jayme. Assim que ganhou, de fato, o papel, Igor começou uma preparação alentada. Além de buscar referências como o filme “O sol por testemunha”, estrelado por Alain Delon, ele começou a fazer corridas periódicas no Alto da Boa Vista, onde mora, para “captar a energia” do personagem. No Ipod, músicas clássicas e italianas. — Eu acho que o ator é um canal, sabe? Você abre uma parabólica para entrar um fluxo de energia. Sou meio maluco neste aspecto, então quis abrir essa antena para ver o que vai chegando até mim. Mas, principalmente, quis humanizar o Alberto. Quem é esse cara? Será que a gente não seria capaz de tudo por uma paixão? — filosofa o ator, afirmando que não, ele não seria capaz de tudo. — Eu tenho uma dose grande de compaixão, sempre procuro olhar pelo lado do outro. Com o conceito de Alberto na cabeça, Igor foi orientado pela coach Rossella Terranova para não fazer feio na frente das câmeras. Leu o livro “A arte cavalheiresca do Arqueiro Zen”, de Eugen Herrigel e, diz, procurou eliminar todo o nervosismo que sempre o cercou. — Lutei tanto por esse momento que não vou perder tempo agora, sabe? Que fazer bem feito. Não importa nada que esteja acontecendo ao redor. Vou viver esse personagem e as cenas dele, um passo de cada vez. Eu sempre soube que chegaria aqui, nunca tive dúvida, sou muito determinado — afirma ele, que tem como ídolo o americano Sean Penn. Como o desejo da carreira em mente, Igor saiu da cidade natal aos 17 anos, quando foi para São Paulo trabalhar como modelo. Os planos não deram certo e o rapaz voltou ao Paraná. Em 2005, decidiu tentar novamente. Desta vez, se mudou para o Rio de Janeiro com um único foco: trabalhar na Globo. — Cheguei querendo saber onde era a Globo. Mandei currículo, tentei fazer a oficina duas vezes, mas não consegui. Fiz muitos testes, mas sempre batia na trave. São milhões de atores e a gente é massacrado, leva muita rasteira até conseguir um trabalho — relembra ele, que estudou na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL) e fez cursos na New York Film Academy. Há sete anos na cidade e casado com a cantora Aline Wirley, do grupo Rouge, há dois, o ator garante estar vivendo uma fase de maturidade. O jeito “afobado e inseguro” deu lugar à confiança. — Passei o retorno de Saturno e estou mais centrado e confiante. A gente vem do interior do Paraná para o Rio e encontra toda a malandragem. Eu era inocente. Sei que faço bem o meu trabalho, que posso fazer isso. É o que quero pra vida. Tudo vem no momento certo, é impressionante. Não adianta ir contra a correnteza — analisa, confessando que está esperando pelo assédio. — Fama é parte do trabalho, é sempre bom receber o carinho de quem gosta de você. (webremix.info) |
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O Arpoador ? como a luz no cora??o dos cariocas
RIO — Há controvérsias sobre quem inventou o aplauso para o pôr do sol, quem se arriscou primeiro a ficar em pé sobre uma prancha de pegar jacaré ou ainda sobre como era o biquíni da menina que ousou desfilar a bordo de um no Rio. Um detalhe, porém, é inquestionável: tudo isso fez sua estreia no mesmo lugar, tornando a pequena faixa de areia uma plataforma de lançamento de modas e invenções tão típicas do carioca. Embora seja parte do famoso contorno da Praia de Ipanema, o Arpoador virou quase uma república independente, polo produtor de inesgotáveis novidades. Veja também Essa chama, que se mantém acesa há pelo menos 70 anos, ajuda a explicar por que esse cantinho de areia e pedras e com um pôr do sol arrebatador enche o coração dos cariocas de alegria. Elaborada pela agência Quê Comunicação e pela Casa 7 Núcleo de Pesquisa com exclusividade para O GLOBO, a pesquisa “O carioca e a felicidade” perguntou aos entrevistados os lugares que mais inspiram felicidade no Rio. Praias (em geral) aparecem em primeiro, seguidas pelo Cristo Redentor. O Arpoador vem logo atrás, com 22%, na frente do Pão de Açúcar. Nos anos 40, o Arpoador não tinha metade do público de hoje, mas já era um pedaço cosmopolita, muito frequentado por estrangeiros e “moderninhos” da época. Foi lá que nasceu parte da cultura praiana do Rio. Galã do Cinema Novo e lenda do Arpoador, Arduino Colasanti foi um dos pioneiros no surfe ao ficar em pé numa prancha de madeira. — Meu primeiro contato com o Arpoador foi logo depois de chegar ao Rio (vindo da Itália), em 48. Era uma praia frequentada por muitos grupos de estrangeiros e meu pai me levou e me deixou lá. Eu era bem garoto, e ele deu dinheiro para o salva vidas ficar de olho em mim, e fiquei lá. Comecei logo a pegar jacaré na época e a mergulhar lá atrás das pedras nos dias de mar manso. Arranjei uma namorada lá, a Ira (Etz), e eu fui o primeiro a fazer uma prancha tipo havaiana, grande e longa, com fibra de vidro em cima. Eu pegava onda em pé nela — recorda Arduíno. O ritual de aplaudir o pôr do sol surgiu de forma natural, lembra Arduino: — Foi no início dos anos 60. Eu estava na primeira turma. Foi um dia esplendoroso, acho que era verão, porque o sol se pôs perto das Ilhas Tijuca. Aplaudimos espontaneamente. No Arpoador, a democracia das areias não é utopia: são 500 metros de extensão com todo mundo junto e misturado. Banhistas que chegam de metrô ou ônibus, vizinhos que descem o Morro do Cantagalo, surfistas e adeptos do stand up paddle, intelectuais que se cansaram do Posto 9, frequentadores da época de Arduino e nomes milionários: todos se encontram, seja no mar, nas pedras, na areia, no calçadão, na Praia do Diabo, no Parque Garota de Ipanema, nas mesas do Azul Marinho. — Na década de 50, as mulheres quando queriam usar biquíni iam para o Arpoador. Em outros lugares não era socialmente aceito. Para o Arpoador iam as meninas avançadas. O Arpoador sempre teve esse espírito e muitos estrangeiros — explica a jornalista Márcia Disitzer, autora do recém-lançado livro “Um mergulho no Rio — 100 anos de moda e comportamento na praia carioca”. A artista plástica Ira Etz, musa do Arpoador nos anos 50 e 60 e que continua fiel à praia, conta que lá é o eterno lugar para ir descalça, encontrar os amigos e saber da programação. Muita coisa mudou naquele pedaço da orla que, antes de os banhistas chegarem, era ponto de arpoar baleias — por isso o nome. Mas o clima vanguarda e familiar permanece, conta a produtora Daniela Tolstoï. — Lá realmente fica a felicidade. A gente encontra amigos e sabe o que vai acontecer mais tarde. Às vezes, a festa acontece na praia. Já saí da praia meia-noite, uma da manhã. Ela migrou para o Arpoador com a turma do artista plástico Ernesto Neto à procura de uma certa espontaneidade perdida com a badalação do Posto 9. Essa galera festeira já tornou célebre o réveillon naquele canto. Neto é só poesia — concreta, com poucas vírgulas — sobre o seu “namoro” com o Arpex: “Churrasco pra esquentá. Música pra dançar arte surfe jacaré maré baixa maré onde pretos brancos pardos amarelos vermelhos azuis e alaranjados, rico e pé rapado, mistura miscigenada, é rebuliço festa, cultura e escultura”. Onde Cazuza vagou na lua deserta, e o Circo Voador pousou pela primeira vez, há uma mística que encanta os poetas: — O Arpoador é onde afogo minhas mágoas, vivo minhas alegrias e comemoro minhas vitórias — declara o músico Rogê, autor de “Arpex”, música que escreveu aos 15 anos. O Arpex não dorme nunca. Com a iluminação de refletores, à noite tem surfe, stand up, pesca, mergulho e gente bonita. Belas garotas sempre foram atraídas para o Arpoador. Miriam Etz fez história ao usar pela primeira vez no Rio um duas-peças que deixava o umbigo à mostra. O ano que ficou para a história é o de 1948. Ira Etz seguiu os passos da mãe: — O Arpoador é a minha praia. Conheço cada pedra. Dava volta no Pontão, jogava frescobol, pegava jacaré — diz a musa, que hoje flerta com o stand up e gosta de tomar água de coco na praia. Professor de surfe e referência no Arpex, Jean Carlos diz que nenhum dia é igual: — Hoje o Caribe é aqui — afirmava Jean, do seu “escritório”, na semana passada, diante de um mar transparente. (webremix.info) |
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Unesco envia especialista em gest?o de risco cultural ao Rio
RIO - No próximo dia 12, desembarca no Rio uma das maiores especialistas em gestão de risco ao patrimônio cultural da Unesco. A italiana Cristina Menegazzi, que há 20 anos acompanha a devastação cultural deixada por catástrofes naturais e guerras, participará do seminário “Preservação e Segurança em Museus”, no Museu Nacional de Belas Artes. Na pauta, formas para tornar o Brasil culturalmente mais seguro. Que patrimônios culturais correm risco hoje em dia? Muitos. Todos aqueles que estão nas zonas de conflito armado do Oriente Médio e da África, nas zonas que registram terremotos, com especial destaque para a Europa, e todos que estão em áreas comumente inundadas, como é o caso da Ásia e da América Latina. Vale lembrar ainda que o aquecimento global só aumenta a intensidade e a frequência das catástrofes naturais. O que pode ser feito para proteger esse patrimônio? Eu sempre digo o seguinte: se você não sabe o que tem, não sabe quanto pode perder. Então fazer um bom inventário dos bens culturais de um país é o primeiro passo. Depois, o ideal é que cada item desse patrimônio receba uma nota (relacionada a seu grau de importância, valor ou interesse). Isso tem que ser feito por uma equipe multidisciplinar. Assim, em caso de catástrofe, fica mais fácil saber o que resgatar primeiro. Depois, deve-se criar e treinar uma equipe responsável por salvar esse patrimônio e, com ela, definir opções de armazenamento. Qual é o tamanho da devastação cultural na última década? É impossível medir. Não só pela enormidade do número, mas também porque, infelizmente, as estatísticas relativas às catástrofes, sejam elas naturais ou provocadas pelo homem, quase nunca consideram a devastação do patrimônio cultural. Ficamos sem saber. Mas alguns casos poderiam ter sido evitados, certo? Sem dúvida. Hoje há nos países afetados pela tsunami do Oceano Índico alertas que avisam sobre terremotos e possíveis ondas gigantes. O sistema permite que as pessoas evacuem as áreas de risco e que também salvem o patrimônio cultural móvel, ou seja, coleções de museu, bibliotecas, arquivos públicos... Foi um avanço importante. Quais foram os casos de devastação mais graves dos últimos dez anos? Na última década, os meios de comunicação passaram a se interessar mais por esse assunto e a acompanhar de perto a perda de patrimônio. Então, ganharam destaque a destruição dos budas de Bamiyan (implodidos pelos talibãs, no Afeganistão, em março de 2001), os terremotos do Haiti, em janeiro de 2010, e do Japão, no ano seguinte, e a destruição de Timbuktu, no Mali (por rebeldes islâmicos, em janeiro deste ano). Como você classifica o cuidado que o Brasil tem com seu patrimônio? Estive em Petrópolis em novembro do ano passado e visitei o Museu Imperial. A impressão que tenho é que o Brasil aprecia muito seu patrimônio e lhe dá muita importância. Vocês têm um dos cursos universitários de museologia mais antigos do mundo. Vão sediar o Conselho Internacional de Museus (ICOM, na sigla em inglês) em junho. É o único país que conheço que dispõe de uma estratégia escrita para gestão de riscos em museus (do Instituto Brasileiro de Museus, Ibram) e, no dia 12, oferecerá um curso de capacitação sobre o assunto. Isso mostra que a preocupação do Brasil com o assunto é muito satisfatória frente à de outros países. Ainda assim, há muito a ser feito. Qual é a instituição ou país mais bem preparado? A referência? Eu não poderia responder. Mas os maiores esforços para a proteção de patrimônio cultural estão sendo feitos hoje em dia na Holanda, França, Coreia do Sul, Austrália, nos Estados Unidos e no Chile. E o que você pretende ensinar no seminário do dia 12, no Rio? Entre outros pontos, que há métodos tradicionais de preservação, normalmente mais baratos e ecológicos, que podem ser aplicados em museus e arquivos. Quais, por exemplo? No Camboja, usam tabaco umedecido para evitar pragas em objetos feitos de madeira. Na Índia, para evitar que ratos ataquem material orgânico que precisa ser preservado, usam sementes de papaia. No Sri Lanka, borrifam óleo de canela no ar para livrar livros e manuscritos de fungos e pragas. Tenho certeza de que há muitos caminhos como esses no Brasil. A proposta é redescobrir esses métodos e materiais. E por que um governo deve investir nessa área? Porque a cultura é uma necessidade básica do ser humano. Porque o patrimônio cultural é a referência de valores de cada sociedade. Porque isso ajuda a restaurar o sentido de normalidade diante de uma catástrofe. É o que permite que as pessoas sigam em frente. O patrimônio é, enfim, fundamental na reconstrução da identidade, da dignidade e da esperança. (webremix.info) |
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José Loreto fala sobre contracenar com uma cabra em ?Flor do Caribe?, a próxima trama das 18h
A cena é repetida cinco vezes. E não tem jeito: Ariana parece não estar concentrada nas gravações de “Flor do Caribe”, realizadas no vilarejo de Sibaúma, no Rio Grande do Norte. É preciso ter paciência até que a cabra chegue à exata posição idealizada pelo diretor-geral Leonardo Nogueira. O desassossego do animal respinga diretamente em José Loreto, seu parceiro de cena na próxima trama das 18h, que estreia no próximo dia 11. Cada vez que Ariana foge da câmera — em um movimento seguido por um balido —, o ator precisa refazer toda a sua parte. Ele, no entanto, garante que já está mais do que adaptado à situação. — Temos que ser tolerantes. A gravação acontece quando ela quer (risos). É animal, então faz xixi, cocô e quer comer o tempo todo. Às vezes, vamos no improviso mesmo. Ela tem que fazer o “bééé” no fim da minha frase, mas faz no meio. E aí deixamos rolar — explica Loreto, revelando que ficou “instigado” ao saber que contracenaria com uma cabra. E muito antes de Ariana — batizada como uma homenagem ao escritor e dramaturgo Ariano Suassuna — figurar como estrela nos bastidores da trama, um grande trabalho de pesquisa foi realizado para a escolha da cabra perfeita para o papel. O animal, na verdade, é representado por seis cabras. Todas idênticas, da espécie Saanen, originária da Suíça. Elas se caracterizam pelas orelhas pequenas e pela pelagem branca. — Compramos dois filhotes que cresceram sendo adestradas e temos mais quatro adultas — diz a produtora de arte Lara Tausz. Lara conta que Ariana precisava ter “cara de anjinho”, um “jeito dócil” e uma sintonia “bonita e lúdica” com seu parceiro de cena. Cada uma das “atrizes” pesa, em média, 40 quilos: — Tem cabra que é mais selvagem, e não combinaria com essa relação que Candinho (personagem de Loreto) e Ariana têm. As dessa raça são leiteiras, dóceis e lindas. Foi difícil, mas encontramos um criador e todas elas são primas e idênticas. Após a escolha, houve, ainda, encontros para que Loreto e suas colegas de cena se familiarizassem. O ator conta que já ordenhou cada uma delas. E que, como cachorros e gatos, cabras também gostam de carinho. — Acho que já rola uma compaixão (risos). Elas me reconhecem, sabem que eu sou o cara que dá a ração — gaba-se Loreto, que as chama por apelidos como Algodão Doce e Santinha de Vitral. Na história de Walther Negrão, Loreto é o ingênuo Candinho, “pastor de uma cabra só”, como ele próprio define. Neto de Veridiana (Laura Cardoso), ele vive da venda do leite caprino, tirado diante do freguês. Lunático, conversa com animais e bebês, acredita em duendes e extraterrestres, e adora contar histórias para crianças. Um tipo que lembra outros como Tonho da Lua, vivido por Marcos Frota em “Mulheres de areia”, ou Chicó, personagem de Selton Mello no filme “O auto da compadecida”. — Jayme falou que Candinho é aquele típico personagem que seria muito bem feito por atores como Matheus Nachtergaele. Então, tomei como um elogio. Acho que ele vai agradar muito — empolga-se Loreto, cujo último papel foi o galanteador Darkson de “Avenida Brasil”. — Esse de agora é o oposto. Um cara nada sexy, Candinho nem pensa nisso. Mas, mais para a frente, vai se envolver com uma mulher — adianta. E, como na trama de João Emanuel Carneiro, Loreto divide a cena com a namorada, Débora Nascimento. Além da troca de figurinhas sobre a profissão, a dupla bate seus textos juntos: — Ela até me atrapalha porque gosta de lê-los em voz alta (risos). Mas esse é o lado bom de namorar gente com a mesma profissão que você. Embora desta vez eles não vivam um par romântico em cena, o ator garante que não há espaço para ciúmes: — Eu não tenho. E só se Débora tiver da cabra (risos). *A repórter viajou a convite da TV Globo. (webremix.info) |
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Festival de Berlim ratifica seu estilo
BERLIM - Foi a romena Ada Salomon, produtora do filme “Child’s pose”, de Calin Peter Netzer, grande vencedor do Urso de Ouro do 63º Festival de Berlim, encerrado na noite de sábado, a autora do discurso mais contundente e abrangente da maratona, ao subir ao palco do Berlinale Palast. Ainda emocionada com a vitória em um festival que se orgulha de sua posição como plataforma de denúncias políticas e sociais, expressa em candidatos como o iraniano “Pardé”, de Jafar Panahi e Kamboziya Partovi, e o bósnio “An episode in the life of a iron picker”, de Danis Tanovic, também laureados, a produtora alertou para um outro tipo de repressão. — Falamos muito sobre censura política ao longo do festival. Mas esquecemos de outro tipo de censura também muito perigosa: a comercial. Por isso, gostaria de agradecer aos organizadores da Berlinale e aos distribuidores e exibidores que apoiam o cinema de arte, porque são eles que permitem que belos filmes como “Child’s pose” sejam feitos — disse Ada, aplaudida pela plateia de engalanados, lembrando o bom momento para o cinema romeno. — Os políticos romenos deveriam prestar mais atenção ao tipo de embaixador que o cinema romeno pode ser para o país ao redor do mundo. Drama sobre uma arquiteta de classe média alta (Luminita Gheorghiu) que usa sua posição social para livrar o filho ingrato da cadeia, por ter atropelado e matado o filho de uma família pobre, “Child’s pose” foi um dos muitos títulos da competição que enfatizaram a presença da mulher como protagonista de histórias com pano de fundo social. O filme de Calin Peter Netzer venceu outras produções com o mesmo perfil, também favoritas ao prêmio maior, como o chileno “Gloria”, de Sebastián Lelio, sobre uma divorciada de meia-idade, da geração que cresceu durante a ditadura Pinochet, que busca uma nova chance no amor. O filme ficou com o Urso de Prata de melhor interpretação feminina, para Paulina García. Autor de ‘Terra de ninguém’ é laureado O júri oficial, presidido pelo realizador chinês Wong Kar-Wai, distribuiu os prêmios entre outras produções que tangenciam problemas do mundo contemporâneo. O Grande Prêmio do Júri, que equivale a um segundo lugar, acabou nas mãos de “An episode on the life of an iron picker”, de Danis Tanovic, o representante da Bósnia e Herzegovina. O novo longa-metragem do autor de “Terra de ninguém”, vencedor do Oscar de melhor produção de língua não-inglesa de 2001, acompanha o périplo de um catador de sucata de origem cigana para conseguir uma cirurgia de emergência para a mulher, que sofreu um aborto espontâneo. Dois anos atrás, Tanovic soube do drama de um casal do vilarejo de Polijice que tivera auxílio médico recusado por não ter dinheiro para pagar a operação. Indignado com a situação, o diretor não só decidiu transformar a história em um filme como também convidou a heroica família, que só conseguiu resolver o problema burlando as leis do serviço médico bósnio, para representar o caso para suas câmeras. Nazif Mujic, que reproduz no filme as humilhações que passou em clínicas e hospitais da região, acabou levando o Urso de Prata de melhor interpretação masculina. — Coisas boas podem nascer do ódio, da revolta — disse Tanovic em Berlim. — Nunca me considerei um político. Vivo em um pequeno país, com quatro milhões de pessoas, que também é um dos mais pobres da Europa, e no qual nós podemos observar táticas de sobrevivência diária. Espero que, fazendo filmes como “An episode in the life of an iron picker” consigamos mudar alguma coisa. O Urso de Prata de roteiro ficou com outra manifestação contra a repressão política, o iraniano “Pardé”, cujo codiretor Jafar Panahi cumpre pena de prisão domiciliar em seu país, além de ter sido proibido de filmar por 20 anos, acusado de fazer propaganda contra o governo. O novo filme clandestino de Panahi, que fala sobre um escritor e uma jovem, ambos perseguidos pela polícia, que buscam refúgio numa casa de praia, foi representado em Berlim por seu codiretor, Kambozia Partovi, que também atua como ator no longa. — Fico feliz com o prêmio de roteiro, porque o texto é a fundação do pensamento e das ideias — discursou Partovi, que lembrou a situação do amigo. — É impossível impedir um pensador ou um poeta de produzir. Basta lembrar de diretores como (Fritz) Lang e (Luis) Buñuel, que continuaram trabalhando mesmo no exílio político. Tradição e cultura ficam, os políticos vem e vão. O júri, no entanto, também cometeu algumas decisões exdrúxulas. Criou menções especiais ao americano “Promised land”, de Gus Van Sant, e “Layla Fourie”, representante da África do Sul, de Pia Marais, “pela integridade e a convicção de que o cinema pode fazer diferença”. Também deu o prêmio Alfred Bauer, para filmes que oferecem novas perspectivas, para a bizarra produção canadense “Vic + Flo on vu un ours”, de Denis Cotê, sobre uma ex-detenta de meia-idade que tenta se readaptar à liberdade condicional e ao passado da amante. Mas a grande surpresa da noite foi o Urso de Prata de direção ter ido para o americano David Gordon Green, pela comédia dramática indie “Prince Avalanche”, deixando para “Harmony lessons”, de Emir Baigazin, um dos favoritos aos principais prêmios, apenas o troféu de contribuição artística, pelo trabalho de câmera de Aziz Zhambakiyev. Fora da mostra competitiva, o drama “Flores raras”, de Bruno Barreto, foi o segundo filme de ficção mais votado pelo público da mostra Panorama, a seção paralela mais importante de Berlim. O filme, que recria a história de amor entre a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares e a poetisa americana Elizabeth Bishop, só perdeu a preferência para “The broken circle breakdown”, coprodução entre a Bélgica e a Holanda dirigida por Felix Van Groeningen. A categoria documentário foi vencida por “The act of killing”, de Joshua Oppenheimer. (webremix.info) |
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Uma das favoritas da S?rie A, Imp?rio da Tijuca promete for?a e emo??o na Avenida
RIO — O Império da Tijuca promete não medir esforços na tentativa de conquistar uma vaga no Grupo Especial. Com os carros alegóricos e tripés praticamente prontos, além de quase todas as fantasias já entregues, a escola de samba atravessa madrugadas para acertar a parte técnica e deixar tudo azeitado para não ter problemas durante o desfile na Sapucaí. De acordo com o diretor de carnaval Thiago Monteiro, o maior desafio das agremiações este ano tem sido adaptar os desfiles para o novo formato exigido na Série A (união dos antigos grupos de Acesso A e B): — Temos 55 minutos para mostrar ao que viemos e vamos tentar primar pela técnica, sem perder a força e a emoção que nosso samba-enredo deve levar para Avenida — destacou. O carnavalesco Júnior Pernambucano recebeu a missão de desenvolver o enredo do Império da Tijuca: “Negra, Pérola, Mulher”, que dá destaque ao papel da mulher negra na história, desde a África até os dias de hoje. Figuras como Anastácia, a escrava que virou santa, Dandara, mulher de Zumbi dos Palmares, e Chica da Silva, escrava alforriada, fazem parte de alas importantes da agremiação. — Queremos mostrar a importância da mulher negra desde os primórdios até os dias de hoje. Vamos destacar sua influência nas artes, na religião, na música, na literatura, na fotografia, na pintura... — detalhou Pernambucano. A intenção de mostrar a força das mulheres negras deverá ficar clara ao final da apresentação. Segundo o carnavalesco, a última ala será composta por 120 mulheres negras do Morro da Formiga, comunidade do Império. Além disso, os rostos das moças da comunidade estarão em destaque em um dos carros alegóricos. Carnavalesco estreia no carnaval do Rio Para Pernambucano, a chance de participar da organização do carnaval de uma agremiação como o Império da Tijuca é a realização de um sonho. Esta é a primeira vez que ele trabalha com uma escola do Rio, tendo sido campeão do carnaval de Três Rios seis vezes anteriormente. No entanto, o carnavalesco pretende ir mais longe. — Quero tentar levar o Império para o Especial, para competir com os carnavalescos das outras escolas de samba, que sempre admirei — contou. (webremix.info) |
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Escravos da Mau? vai mostrar os tesouros da Zona Portu?ria
RIO — Um dos primeiros grupos a pensar na revitalização da Zona Portuária, o bloco Escravos da Mauá, criado há 21 anos por funcionários do Instituto Nacional de Tecnologia, vai mostrar este ano os tesouros da região. Domingo, o grupo vai exaltar o lugar onde nasceu, com uma série de nove surpresas ao longo do desfile, que começa às 12h. — Sempre buscamos destacar o que há de interessante por ali e, com tantas mudanças acontecendo, optamos por fazer um discurso afirmativo e convidamos aqueles que têm bons projetos. É a metáfora de uma busca ao “Tesouro da Mauá”, que é o nosso enredo, e por isso faremos escavações no passado, no futuro e no imaginário — esclarece o diretor do bloco, Ricardo Sarmento. Veja também
Porta de entrada para escravos no século XIX, a Zona Portuária do Rio de Janeiro tornou-se uma referência da cultura negra por reunir ali tanto aqueles que vinham da África quanto os oriundos da Bahia que trabalhavam como estivadores, sendo responsáveis pela colocação e retirada de cargas nos navios. Já nos anos 20, era por lá que aconteciam as rodas de samba com João da Baiana, Donga e Pixinguinha. A área, entretanto, sofreu as consequências do desenvolvimento de outras formas de transporte e do aumento da violência na década de 70. Durante anos permaneceu à margem da cidade mas, a partir da cultura, o espaço ressurge e chega até a TV como cenário da novela em "Lado a lado". Ricardo Sarmento vários grupos da região para também participar do desfile e apostou na surpresa, não assumindo o controle absoluto sobre o que será feito por eles. — É um bloco, por isso optamos por deixá-los livres. Na Pedra do Sal, será realizada uma exaltação à cultura negra no encontro com o Afoxé Filhos de Gandhi, que vai receber um estandarte do Escravos. Adiante, na esquina com a Rua Barão de Tefé, outros artistas em pernas de pau usarão trajes para representar o fictício encontro entre a corte portuguesa e reis africanos. O figurino foi produzido por alunos da Escola de Arte e Tecnologia Spectaculu, no Santo Cristo, que pretendem fazer uma performance. Seguindo adiante, o grupo ganha a companhia dos blocos que atualmente fazem a alegria da região. — Temos buscado participar junto com esses grupos e apresentar o trabalho deles. Alguns são muito antigos, como o Coração de menina, que foi extinto e agora remontado. Todos têm o nosso apoio — diz Sarmento. Na Praça da Harmonia, uma viagem no túnel do tempo traz ao presente 20 ranchos e cordões que nos anos 30 e 40 foram protagonistas da folia na Zona Portuária mas deixaram de existir, além daqueles que nasceram anos atrás e ainda movimentam a folia, como o Independentes do Morro do Pinto, Fala meu Louro e a Vizinha Faladeira. E uma aula de história vai acontecer em frente ao Sindicato dos Estivadores, na Rua Antônio Lage. O prédio vai funcionar como palco para uma homenagem a João Cândido. Conhecido como Almirante Negro, ele foi o líder da Revolta da Chibata, que buscava o fim dos castigos corporais na Marinha. Os 100 ritmistas, fantasiados de marinheiros, vão tocar a canção "O mestre dos mares", composta por João Bosco e Aldir Blanc no ano de 1975 para homenageá-lo. A passagem em frente ao Instituto Nacional de Tecnologia, onde o bloco começou, vai ser marcada por balões e papéis picados. Na chegada à Praça Mauá, que abrigava a sede da Rádio Nacional, serão destacados os antigos cantores, representados por artistas nas pernas de pau. O grupo vai percorrer a costa do Morro da Conceição e encerrar o desfile no mesmo local onde foi iniciado. Sarmento acredita que com o novo trajeto, que inclui agora o entorno dos morros do Livramento e Providência, além do Santo Cristo, os moradores estarão mais presentes no desfile deste ano. Ele ainda comemora a visibilidade que será dada aos artistas da Zona Portuária e destaca que apesar de não ter sido uma iniciativa daqueles que vivem por lá, o bloco concretizou a relação com os mesmos, que também se sentem um pouco "donos". — Vai ser um desfile emocionante e muito simbólico, porque passaremos pelo interior da região e vamos envolver as pessoas com a história da cidade por meio da arte. Será um momento sublime — afirma ele. Os foliões receberão folhetos com a letra do samba onde também poderão acompanhar o que representa cada interação. (webremix.info) |
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Bruno Gissoni volta à TV em ?Flor do Caribe? e joga capoeira na peça ?Romeu na roda?
RIO - Enteado do capoeirista Beto Simas, conhecido como Mestre Boneco, Bruno Gissoni sempre praticou o esporte, apesar de se identificar mais com o futebol — atividade do mulherengo Iran, seu personagem em “Avenida Brasil”. Agora, com a peça “Romeu na roda”, em cartaz no Teatro das Artes, no Rio, ele contracena e joga capoeira com Beto e Felipe Simas, caçula da família. — A capoeira está no nosso sangue — acredita o ator, que interpreta Romeu. Partiu de Bruno a ideia de misturar Shakespeare com capoeira. No espetáculo, marcado pela disputa entre duas facções de capoeiristas no final do século XIX, o protagonista vive uma história de amor proibida com Julieta, papel de Daniela Carvalho. — O Iran foi muito importante para mim, mas agora já ficou para trás. Sou novo ainda e tenho que mostrar serviço — diz o ator, de 26 anos, que já tem sua volta às novelas marcada para março. Na próxima das 18h da Globo, “Flor do Caribe”, ele será o pescador Juliano. Jovem de boa índole, o personagem se envolve com uma mulher mais velha do que ele, interpretada por Daniela Escobar. (webremix.info) |
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Michael Stipe, ex-R.E.M., fala sobre arte e sexualidade
NOVA YORK — John Michael Stipe completou 53 anos no último dia 4, sendo 31 deles dedicados a composições, álbuns e turnês do R.E.M., catapultado no espaço de três décadas ao status de uma das maiores bandas do planeta. A dissolução do grupo em 21 de setembro de 2011 ofereceu ao celebrado letrista, vocalista e bandleader a almejada liberdade para mergulhar em outros universos artísticos nos quais já se expressava paralelamente a sua vida de palco e de estúdio, como o cinema, a fotografia e a escultura. No dia 12 do mês passado, ele surpreendeu ao reaparecer em cena para interpretar um de seus maiores hits, “Losing my religion”, no concerto promovido no Madison Square Garden, em Nova York, em benefício das vítimas do furacão Sandy nos Estados Unidos. Seus incondicionais fãs se exaltaram diante do que poderia ser o sinal de um eventual retorno ao mundo da música, mas ele próprio fez questão de desmentir essa esperança — pelo menos por enquanto. À parte sua relação umbilical com o R.E.M., Michael Stipe se impôs como um nome e um artista independente, e também um ativista político e um cidadão preocupado com os destinos do homem e das sociedades. Nesta conversa exclusiva, ele recebeu a Revista O GLOBO em seu apartamento nova-iorquino no Soho. A residência, um loft duplex com ampla vista para o rio Houston, foi depois colocada à venda, na busca de um novo endereço com espaço adequado para acolher um estúdio para o seu trabalho em escultura. Acomodado numa pequenina sala do imenso apartamento, Michael Stipe falou de sua indissociabilidade com a criação e sua concepção de arte; de sua condição de popstar; de seu otimismo e sua obscuridade; de sua relação com a sexualidade, e também de suas impressões sobre o Brasil. Com o fim do R.E.M., o autor de “It's the end of the world as we know it (And I feel fine)”, diz ter percebido que era feliz “criando”, por meio da música ou de outras formas artísticas: — Acordo pela manhã com ideias, problemas, e às vezes com soluções para esses problemas. É difícil representar uma ideia que sai de mim para o mundo por meio de uma fotografia, escultura, canção ou performance. Mas tenho necessidade de colocar algo para fora de mim, para o mundo, ser um criador de coisas. Fotografia e melodia são mais fáceis para você do que letras e ideias. Escrever é doloroso? É doloroso. Não é algo que surge naturalmente para mim. Uma coisa é falar para o seu melhor amigo, outra coisa é saber que isso vai ser exposto ao mundo, que as pessoas vão se sentir entediadas ou inspiradas. Ou vão achar que eu sou um idiota. Posso imaginar o que quero dizer, mas não posso realmente dizer da forma que quero, não tenho o vocabulário. Há algum tempo, alguém disse para mim que artistas encontram meios pelos quais expressar o que não conseguem dizer. Isso me parece o mais honesto e puro, porque é uma batalha. É recompensador quando acontece, e você sabe se é bom ou ótimo. E você não quer ser um estúpido ou um cara chato, como disse Bono. O pior para um popstar é ser tedioso. Há prazer quando você sabe que fez algo que comunica, que tem uma pureza. E essa pureza surge em várias formas. Pode ser Britney Spears e Lady Gaga. Pode ser a coisa mais pop, mais sem sentido. Não é particularmente high art. O trabalho feito na arte é um dos que levo muito a sério. É pessoalmente especial para mim, porque eu sou fã de artistas. Mas é apenas um trabalho, que ora não paga muito bem, ora bem demais. Você disse ter sentimentos apocalípticos desde criança, mas também se define como “loucamente otimista”. Como é isso? Sou assim. Há um lado obscuro, que provavelmente é bastante óbvio. Mas tenho essas duas coisas, e é parte da natureza contraditória de John Michael Stipe. E daí? É impressionante quando é algo que sai de mim e que as pessoas podem entender, na forma de uma canção ou de alguma outra coisa, que fala sobre o que é ser humano. Se ocorre da forma como eu queria, empurra levemente este momento para a frente. Sempre levemente. Poderia oferecer alguma redenção para as coisas más, alguma coragem para o que está por vir, alguma alternativa, cenários que poderiam transpirar do presente no futuro. Se de fato isso acontecer, então como artista posso ter atingido o nível mais alto ao meu alcance. Esse é o grande apelo, reinterpretar o mundo e fazê-lo avançar progressivamente, ou talvez de forma gigantesca, monumental. Já se disse que você criou uma alma de mistério em torno de si mesmo. Você se considera misterioso? Há tempos com a banda — estou falando de 20, 30 anos atrás —, sentia que o mistério era um componente importante para manter as pessoas interessadas no que você estava fazendo, criar um interesse no que você é. Fiz isso quando jovem, provocando um sentido de distância e mistério. Eu olho hoje para aquele jovem e vejo alguém tão inseguro e incrivelmente tímido... Era a natureza contraditória de querer ser muito famoso, mas não querendo abordar isso, querendo controlar o que era revelado sobre mim. Eu me dei conta rapidamente de que isso estava ficando cansativo para mim, e também que estava me tornando um chato. Eu me sentia estúpido. Comecei a tentar mudar e sair da minha timidez que era imensa — e ainda é, não sou uma pessoa extrovertida. Hoje me vejo nessa posição invejável de ser um artista que é respeitado pela maioria das pessoas — ou do qual pelo menos elas têm uma opinião a respeito, boa ou má. E eu revelei muito mais de mim mesmo do que eu jamais poderia imaginar. E agora de alguma forma eu tenho que defender isso. Acho eu. Você já mencionou algumas vezes que sua sexualidade foi importante para a escolha de trabalhar com criação, para se sentir como um outsider. Como se sente hoje? Eu ainda sou um outsider, sinto um grande prazer de estar nessa posição, não acho que gostaria de ser um insider. Mas isso vai bem além da sexualidade, claro. Achava que não precisava responder a pessoas que estavam sendo invasivas com perguntas muito pessoais. Eu entendo agora que os anos 1980 foram muito difíceis para a comunidade gay, queer e os bissexuais, como ainda é hoje. Foi um tempo muito difícil para todo mundo por causa da Aids e do governo com sua inabilidade e recusa em aceitar essa pandemia que estava começando a crescer. Entendo as frustrações das pessoas comigo, olho para trás e vejo que elas ficaram chateadas. Mas se fosse completamente honesto sobre como me rotular, elas não iriam gostar do que eu tinha para dizer. Há momentos em que me arrependo por não ter me manifestado mais cedo sobre minha sexualidade, pois isso impactaria pessoas de forma positiva. Mas também sinto que nunca fui desonesto comigo mesmo, com as pessoas ao meu redor ou com a imprensa, dizendo algo que eu não era. Eu simplesmente não falava disso. Grande parte disso foi porque eu nunca me senti realmente apaixonado por alguém, e sempre buscava uma oportunidade de pular de uma relação para outra e para outra e para outra. E isso era uma das partes divertidas de ser um popstar. E então me apaixonei pelo Thomas (Dozol, seu companheiro), e nessa situação tem sido muito interessante para mim olhar o que o século XXI oferece. Sempre fui desprezado e criticado pela minha opinião de que a sexualidade é algo muito fluido e de que há diferentes gradações, mas os jovens hoje parecem ser muito mais abertos, ou até com algo “pós-gênero”. É o que eu vejo por todo lugar em Nova York. E então de repente algo pelo qual eu era criticado e castigado, agora parece estar vindo à tona, quando as pessoas reconhecem que, sim, há extremos, mas também há gradações, e as pessoas precisam ser mais tolerantes. O desejo é algo muito estranho, e é um grande tema. É incrível quando você trabalha nesse campo específico tentando descrever por meio de uma pintura ou escrevendo uma música o que é o desejo ou como ele nos afeta. Precisamos entender que chegou o momento de falar de sexualidade numa maneira que não seja binária, preto e branco, encerrada no espectro de reações a ideais vitorianos. Não deve nem mesmo ser uma reação à norma, nem temos de ser o oposto, podemos ser a nossa própria realidade. E aí se torna algo político, pessoal, e é quando se torna também incrivelmente inflamável. Você vê alguma perspectiva de mudança de comportamento? Eu me sinto confiante. A tecnologia é algo fascinante. Vi o vídeo que se tornou uma febre na internet, feito por um garoto de 14 anos, que basicamente dizia: “Tenho medo de voltar para a escola, porque tenho sofrido bullying por ser gay, e não sei o que fazer, estou realmente com muito medo.” Ele estava acuado, chorava, era algo realmente difícil de assistir, muito doloroso. E olhando, era apenas uma criança. Eu me lembro de, quando era adolescente, sentir o mesmo que ele. Algo assim, há 15 anos, teria sido visto por umas dez pessoas. Hoje, roda o mundo em menos de 24 horas e é visto por centenas de milhões de pessoas, que por sua vez fazem seus próprios vídeos dizendo: “Eu sofri a mesma experiência, precisamos nos manter unidos e mudar as coisas para que isso não ocorra mais; necessitamos de leis de proteção contra o bullying.” É algo muito poderoso. Sinto que isso pode nos levar a uma era muito mais progressista em relação ao que somos capazes de ser. Somos capazes de ser monstros, como o século XX mostrou. Deixemos agir o nosso lado iluminado em vez do lado sombrio. Você já esteve no Brasil. Qual a sua percepção do país e dos brasileiros? Sou apaixonado por etnias. O Brasil é uma impressionante mistura, miscigenação, pessoas originadas da África, de Portugal, de diferentes lugares, e todos juntos criando estes diferentes matizes e tipos de pessoas. Para mim, o Brasil é fascinante nesta perspectiva. E sou obcecado pelo modernismo, por ideias utopistas, pelo brutalismo, pelo caos urbano, e me ver sozinho em São Paulo é uma experiência que só pode ser comparada a Istambul e Tóquio. Nenhum dos outros lugares em que estive me deu essa impressão tão peculiar de: “Minha nossa, essa é a minha ideia de cidade.” É incrível. (webremix.info) |
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Rio encabeça lista de destinos turísticos mais atraentes do mundo do ?New York Times?
RIO — Há quem duvide dos benefícios que a Copa do Mundo pode proporcionar ao Brasil, mas foi sobretudo por causa dela que o “New York Times” escolheu o Rio como o mais atraente destino turístico do planeta este ano. A cidade que sediará a final da próxima Copa encabeça a lista de 46 lugares selecionados pelo jornal “porque o mundo todo estará lá em 2014”, mas também porque a programação de grandes eventos nos próximos anos já coloca o Rio na rota internacional da arte e do consumo. “Cinquenta e três anos depois de a capital federal ter se transferido para Brasília e décadas depois de São Paulo ter assumido o posto de capital econômica, o Rio empreende uma volta por cima. Impulsionada pela Copa do Mundo de 2014 e pelas Olimpíadas de 2016 (além de um boom petrolífero), a cidade tropical, talvez mais famosa por seu hedonismo carnavalesco, caminha para se tornar um centro cultural mais sofisticado”, escreveu o jornal. O texto — assinado por Seth Kugal, jornalista que contribui para o “Times” dividindo sua vida entre São Paulo e Nova York — cita a recente inauguração da Cidade das Artes e a expectativa pela chegada da Casa Daros, em Botafogo, e dos museus de Arte do Rio e do Amanhã, na Zona Portuária. Além disso, lembra Kugal, a cidade que tem o hábito das compras como “uma obsessão” inaugurará em breve a primeira loja oficial da Apple na América do Sul e sua primeira Gucci — e isso pouco depois de ter aberto o shopping de luxo Village Mall, na Barra da Tijuca. O Rio desbancou destinos tradicionais, como Amsterdã (que ficou na 6ª posição) e Paris (46ª), mas a lista foge da obviedade. O jornal escolheu, por exemplo, outros três lugares na América Latina: Nicarágua, no 3º lugar, por causa da ecologia e da culinária; Yucatán (36ª colocação), no México, espécie de capital da cultura Maia; e as Ilhas Malvinas (43ª), que soube progredir apesar da tensão entre Grã-Bretanha e Argentina sobre o domínio do arquipélago. A Europa é a região com maior número de lugares eleitos, 16, seguida por Ásia (13), EUA (7), África (4) e Canadá (2). É a primeira vez que um destino brasileiro encabeça a lista do “Times”. Em 2012, ano em que o Panamá liderou, nenhum lugar brasileiro foi selecionado. Em 2011, vencido por Santiago, Paraty apareceu na 22ª posição por “colocar a Costa Verde no mapa cultural”. Em 2010, a Bahia foi o 18º principal destino, mas quem venceu foi o Sri Lanka. Florianópolis figurou na 24º colocação em 2009, ano vencido por Beirute, no Líbano. Antes disso, em 2008, a Bahia volta a ser selecionada por causa de Itacaré, na 41º lugar, enquanto Laos encabeçou o ranking. Veja abaixo a listagem completa de 2013: 1º - Rio de Janeiro 2º - Marselha, França 3º - Nicarágua 4º - Acra, Gana 5º - Butão 6º - Amsterdã, Holanda 7º - Houston, EUA 8º - Rossland, Canadá 9º - Nova Délhi, Índia 10º - Istambul, Turquia 11º - Cingapura 12º - Montenegro 13º - White Salmon River, EUA 14º - Hvar, Croácia 15º - Mongólia 16º - Big Island, Havaí, EUA 17º - Filipinas 18º - Vernazza, Itália 19º - The Kimberley, Austrália 20º - Ningxia, China 21º - Adirondack, EUA 22º - Oslo, Noruega 23º - Constantia, África do Sul 24º - Lituânia 25º - Burgos, Espanha 26º - Lens, França 27º - Changbaishan, China 28º - Porto, Portugal 29º - Porto Rico 30º - Koh Phangan, Tailândia 31º - Kalpitiya, Sri Lanka 32º - Jackson Hole, EUA 33º - Bangkok 34º - Jesenik, República Tcheca 35º - Waiheke, Nova Zelândia 36º - Yucatán, México 37º - Charlevoix, Canadá 38º - Pécs, Hungria 39º - República do Congo 40º - Irlanda 41º - Getaria, Espanha 42º - Arquipélago de Mergui, Myanmar 43º - Ilhas Malvinas 44º - Washington, D.C., EUA 45º - Casablanca, Marrocos 46º - Paris Fonte: “New York Times” (webremix.info) |
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Primeira tela que retrata Kate ? revelada no Reino Unido
A primeira tela oficial que retrata Kate, duquesa de Cambridge e esposa do príncipe William, do Reino Unido, foi revelada nesta sexta-feira.O retrato da duquesa foi feito pelo artista britânico Paul Emsley, com uma técnica de finas camadas de óleo e verniz sobre a tela.Para pintar a obra, Emsley encontrou-se com Kate duas vezes, além de usar como referência fotografias que ele próprio fez da duquesa.O retrato deve ser exposto ao público pela primeira vez na tarde desta sexta-feira na National Portrait Gallery de Londres, museu do qual Kate é atualmente patronesse.Emsley foi escolhido para o trabalho pela diretora da galeria, Sandy Nairne. Kate, que estudou História da Arte na Universidade de St Andrews, também se envolveu no processo de seleção.A duquesa, de 31 anos, cuja gravidez foi anunciada pela família real no mês passado, sentou-se diante do artista em maio de 2012 em seu estúdio, e de novo em junho, no Palácio de Kensington, em Londres.Luz e sombraEmsley disse que ela pediu para ser retratada em seu estilo natural, em vez do oficial.O artista descreveu sua obra como "simples"."Não tive de pintar muitas coisas no fundo da tela. Eu gosto de rostos largos, eu os considero fortes e contemporâneos", disse Emsley."Eu me interesso pelas linhas faciais, a maneira como a luz e a sombra recaem sobre as formas. Isso é, de fato, o objeto da minha matéria. Qualquer coisa além disso para mim é somente uma interferência."Entre outras personalidades retratadas por Emsley destacam-se o ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, e o escritor V S Naipaul.Em 2007, o britânico ganhou o BP Portrait Award, prêmio dedicado a retratos em tela, por pintura do artista Michael Simpson.Para Emsley, é mais fácil trabalhar com base em fotografias."Eu sempre me preocupo com os perfilados - se eles estão com frio, com calor, se eles estão confortáveis (ao posar)", explicou. "A fotografia hoje em dia é tão precisa e tão boa que realmente é muito mais fácil registrar imagens e trabalhar com base nelas."SorrisoOriginalmente, Emsley planejava produzir um retrato de Kate séria. Mas, durante o encontro com a duquesa, o artista mudou de ideia."Eu acho que a escolha certa no fim das contas era pintá-la sorrindo. Na prática, ela é justamente dessa forma, eu acho", disse.O pintor também quis dar destaque ao cabelo de Kate."Acredito que todo o mundo a reconheça, em parte, por seu lindo cabelo", afirmou."Eu alterei levemente a cor dos olhos para que eles correspondessem à cor de sua blusa e o azul do fundo", explicou.O quadro levou três meses e meio para ser concluído e foi apresentado ao conselho da galeria em novembro passado. Será exposto como parte das coleções contemporâneas da National Portrait... (webremix.info) |
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Turistas visitam a Escadaria Selar?n nesta sexta-feira (webremix.info) |
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Charles Gavin mergulha no rio da m?sica do Par?
RIO - A série de programas “Brasil adentro — Música do Pará” (que estreia nesta quinta, às 20h, no Canal Brasil) nasceu devagar, como um rio. Seu diretor, curador e apresentador Charles Gavin começou a se dar conta da música paraense no fim dos anos 1990, com os toques que Hermano Vianna dava em seus textos e programas de TV como “Brasil legal” e “Central da periferia”. Depois, ao ler um artigo de Nelson Motta sobre os músicos da região, a ideia ganhou força. Com as conversas com o produtor Geraldinho Magalhães, que o apresentou a discos de artistas como La Pupuña e Mestres da Guitarrada, o projeto foi formatado e agora desemboca, caudaloso, amazônico, em cinco episódios que mapeiam essa cena, em sua diversidade. — Demorou um tempo pela dificuldade que a música do Pará tem para vencer essa barreira, esse paredão que existe em torno do eixo Rio-São Paulo — avalia Gavin. — A música daqui se impõe de tal forma que dificulta a chegada de outras coisas. E as outras coisas são muitas. Em sua investigação no Pará (tocada em parceria com a diretora Paola Vieira), Gavin encontrou uma diversidade sobre a qual aplicou cinco recortes, um para cada programa. A estreia, hoje, trata do carimbó, matriz maior da música paraense. Na sequência, vêm “A guitarrada”, “A MPB que vem do Pará”, “O brega e o tecnobrega” e “A música do Pará hoje”. — No primeiro programa, conseguimos explicar um pouco a formação cultural paraense, sobretudo com a ajuda do Arraial do Pavulagem (grupo que trabalha na pesquisa e manutenção das tradições paraenses) e de Manoel Cordeiro (produtor de artistas como Beto Barbosa nos anos 1980) — explica Gavin. — Porque eles têm tudo que o resto do Brasil tem: bossa nova, choro, Jovem Guarda, MPB. Mas têm a particularidade de estarem virados para o Caribe. Você pega um táxi em Belém e o motorista está ouvindo zouk numa rádio caribenha. Isso dá um mistura completamente original. O programa tem o patrocínio da Secretaria de Estado de Comunicação do Pará — uma das responsáveis pelo processo de valorização nos últimos anos da música paraense, com iniciativas como o “Terruá Pará”, shows coletivos que apresentam um panorama da produção local. Há cenas, aliás, dos artistas no palco do “Terruá Pará” — música para ilustrar o que está sendo falado nas entrevistas, feitas num cenário que mistura a estética crua e exuberante dos cartazes das ruas de Belém e caixas de som das aparelhagens (a direção de arte é de Raul Mourão). Falando e tocando, passam pelo programa artistas de diferentes gerações, como Alípio Martins, Dona Onete, Lia Sophia, Trio Manari, Felipe Cordeiro, Félix Robatto, Mestre Solano, Fafá de Belém, Mestre Vieira, Pinduca, Paulo André Barata, Pio Lobato, Gang do Eletro e Gaby Amarantos. ‘O Pará é um caldeirão poderoso’ — Convenci o Canal Brasil de que os programas teriam que ter 50 minutos, e não 25. Há muito conteúdo ali, conta Gavin. — Você tem o Manari, três doutores em percussão. E Fernando Belém, um sujeito engraçadíssimo, com uma visão artistica muito interessante. Vão da música mais popular à mais erudita. Waldo Squash, da Gang do Eletro, acabou de fazer um remix para o Pet Shop Boys. Pinduca eletrificou o carimbó na década de 1970. Mestre Vieira traz Jovem Guarda, choro, surf music. O Pará é um caldeirão poderoso, um liquidificador atômico que na mão de cada um gera uma música única. (webremix.info) |
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Ap?s 14 convoca??es pela Espanha, Rafael escolhe o Brasil
RIO - Símbolo do fim de um jogo, a troca de camisa com o adversário representa o começo de um novo ciclo e um ato de tolerância com as cores do rival. Para Rafael Alcântara foi um pouco mais, porque carimbou o passaporte para a viagem sem volta às raízes da pátria amada. Rafael teve seu DNA de atacante forjado na famosa La Masia, sede das categorias de base do Barcelona, de onde veio ninguém menos que o argentino Messi. Mas também carrega no sangue, e em sua certidão de nascimento, o sobrenome herdado do pai, Iomar, mais conhecido como Mazinho, tetracampeão na Copa do Mundo de 1994, nos EUA. A dupla cidadania permitiu que ele jogasse nas divisões de base da Espanha e do Brasil. Até agora. Às vésperas de disputar o Sul-Americano Sub-20, na Argentina, Rafael se olhou no espelho e disse “sou brasileiro”. E trocou, definitivamente, o vermelho da Fúria pelo amarelo pentacampeão. O voo de Rafael com a seleção canarinho será solo. Pela primeira vez, sua escolha representará um continente de distância do irmão Thiago Alcântara. Este, também formado em La Masia, joga no meio-campo e preferiu continuar na escola que mais ensina a arte do futebol ao mundo atualmente. A Fifa permite que um jogador com dupla nacionalidade atue em duas seleções apenas nas categorias de base. Como já estreou pela seleção principal da Espanha, ao lado dos craques Xavi e Iniesta, Thiago, que também tem cidadania italiana por ter nascido em San Pietro Vernotico, não poderá mais trocar de camisa. A não ser no dia em que enfrentar o irmão na seleção. — Meu irmão não se arrependeu da escolha que precisou fazer. Mas eu sempre me senti mais brasileiro que espanhol, e a minha vontade sempre foi vestir a camisa da seleção. Para o Thiago, não dá mais. Eu fiz a minha escolha, ele fez a dele e, agora, vou fazer de tudo para ser convocado para a seleção principal. Estou correndo um risco ao escolher o meu país, porque posso nem ser convocado no futuro. Mas é a escolha certa, que fez o meu pai feliz — disse Rafael, que foi convocado 14 vezes para as seleções de base da Espanha, desde 2009, e atualmente joga no Barcelona B.
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Na verdade, Rafael sempre preferiu o feijão com arroz à paella. Ao contrário do irmão “espanhol”, que tornou pública a preferência pela Fúria e foi o pivô de uma indigesta polêmica à época de sua estreia com a Espanha, em 2011, contra a Itália. Mazinho chegou a afirmar que a CBF jamais o procurou, ou ao seu filho, para tratar de uma convocação, apesar de o tetracampeão ter deixado subentendido que trabalhou nos bastidores para o filho ser convocado. Até mesmo Rafael desconfiou de que seria possível ser convocado tendo vestido acamisa da Espanha tantas vezes, até receber o chamado de Ney Franco, em 2011. — Quando fui convocado a primeira vez para a sub-20, fiquei surpreso. Mas, antes mesmo de o Ney Franco me chamar, eu já havia dito que não queria a Espanha. Sou brasileiro, estou bem com esta camisa, mesmo sendo a de treino — declarou Rafael. Debaixo de um temporal que fechou a estrada Rio-Teresópolis para o trânsito na última quinta-feira, mas abriu um sorriso nos rostos dos garotos que treinavam e se jogavam nas poças d’água em um campo da Granja Comary, Rafael ouvia as sirenes de alerta do transbordamento de um rio próximo com estranheza, mas sem receio. Protegido, dentro dos muros da CBF, ele teve a certeza de que o passado nas categorias de base da Espanha poderá ser esquecido se uma enxurrada de bons resultados aparecer a partir da próxima quinta-feira, quando o Brasil enfrentará o Equador na estreia no Sul-Americano em San Juan, para onde o grupo viajará amanhã. Campeão em 2011, o Brasil tentará o sexto título da competição continental. — Quero iniciar uma nova história. É bom pela frente uma competição importante — disse. Rafael pode até não querer a Espanha, mas não troca a magia do Barcelona. Pelo menos por enquanto. Nascido em São Paulo em 1993, o jogador de 19 anos viveu no Brasil até os três anos de idade, quando foi com a família para a Europa. Voltou doze meses depois e morou dos quatro aos nove anos em solo nacional, até sair definitivamente para viver esses últimos dez anos na Espanha, dos quais passou metade em La Masia, com o irmão. Ele já estreou no time principal do Barcelona (com o qual tem contrato até o fim de 2014) e sobreviveu às brincadeiras e ao deslumbre de jogar ao lado de Messi e companhia. — Eu olhava para o lado e lá estava o melhor jogador do mundo, o Messi, que é muito simples, humilde mesmo. Ele fica me chamando de Espanhol... Os caras jogam muito, são os melhores, mas brincam o tempo todo e, por isto, fazem o futebol parecer muito fácil, apesar de encará-lo com extrema seriedade — afirmou Rafael. Sonho de jogar no Flamengo A fórmula mágica, para o jogador, vem mesmo das categorias de base, onde o ambiente cosmopolita (com garotos de todo o mundo) e o ensinamento de que é possível competir com lealdade até na derrota formaram a espinha dorsal de um dos maiores times de todos os tempos e de uma seleção campeã do mundo pela primeira vez na Copa do Mundo da África do Sul, em 2010. — Neste ponto, eu tenho que concordar que não há nada parecido com La Masia no Brasil ou no mundo. O trabalho é o melhor que já vi, porque forma homens, não só atletas — disse. Do Rio de Janeiro, Rafael guarda lembranças da Barra da Tijuca, onde morou por pouco tempo, mas o suficiente para criar grandes amizades e a paixão pelo Flamengo. Pelo rubro-negro, Rafinha, como é chamado na Espanha, trocaria de camisa novamente: — Meu sonho é jogar no Flamengo e um dia vou jogar, se Deus quiser. (webremix.info) |
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As autoras Duca Rachid e Thelma Guedes falam de sua próxima novela, ?O pequeno Buda?
RIO - Depois de levar príncipes e princesas para o sertão, em “Cordel encantado”, as autoras Thelma Guedes e Duca Rachid mudaram radicalmente de cenário. A dupla acaba de voltar de uma viagem de 17 dias por Nepal e Butão, na Ásia, onde buscou “inspiração e elementos para o trabalho de criação” de “O pequeno Buda”. A novela será a sucessora de “Flor do Caribe”, que, por sua vez, ocupará o espaço deixado por “Lado a lado” no horário das 18h da Globo, em março. A viagem, dizem elas, foi fundamental para a nova empreitada. Depois de passar uma noite em Doha, no Catar, no Oriente Médio, a equipe de novela visitou Kathmandu e Pokaha, no Nepal. As cidades de Paro e Timpu, no Butão, também fizeram parte do roteiro. Além de um guia local, o grupo teve a ajuda do guia brasileiro Rafael Russi. As autoras viajaram acompanhadas dos diretores Ricardo Waddington e Amora Mautner, do cenógrafo João Irênio, da produtora de arte Ana Maria Magalhães e das produtoras Simone Lamosa e Andreia Carvana. Durante as visitas, as duas postaram inúmeras imagens em suas contas na rede social de fotos Instagram (algumas delas ilustram estas páginas). A equipe aproveitou a estada para realizar pesquisas e fazer levantamento de locações. O início das gravações de “O pequeno Buda” está previsto para abril. — Teremos pelo menos 12 capítulos com cenas gravadas no Nepal — adianta Thelma. DUCA RACHID: “Gentileza é a palavra que melhor define o caráter do povo nepalês. Eles nos receberam com extrema atenção e delicadeza e generosamente dividiram com a gente um pouco da riquíssima cultura do país! Foi maravilhoso visitar lugares tão importantes para o budismo tibetano, como a estupa Boudnaht e conversar com o Lama Tsonamgel, que nos deu preciosos esclarecimentos sobre o budismo; e com o Lama Thubten Kunkyen, que nos guiou por uma visita emocionate ao Monastério Kopan! Fiquei extremamente agradecida a eles e aos nossos guias nepaleses Prabin Lakne e Mausham Shakya. Além de Karma Dhendup, que nos acompanhou no Butão, onde o ponto alto da visita foi o impressionante Monastério do Ninho do Tigre, à beira de um abismo escarpado. Tivemos ainda o apoio de Rafael Russi, nosso guia brasileiro. Mais do que um guia, foi um grande amigo e companheiro de viagem.” THELMA GUEDES: “É muito difícil descrever o que senti durante esta viagem que fizemos ao Nepal e ao Butão. Fomos à procura de belas imagens, inspiração e elementos para o trabalho de criação da nossa próxima novela, ‘O pequeno Buda’. Mas encontramos bem mais que isso. Foi uma experiência profunda que marcou a minha vida. No Nepal, em meio ao aparente caos material, encontramos um povo e uma cultura muito surpreendentes. Um lugar onde o respeito ao outro é algo natural, e a compaixão é uma lei que inclui tudo e todos. O Butão é um lugar mágico. A subida a pé até o Monastério do Ninho do Tigre (são duas horas de caminhada por uma trilha para se conhecer o monastério do século XVII construído na beira de um precipício de mais de 3 mil metros em Paro, distrito do Butão) é uma aventura, mas, ao mesmo tempo, é uma forma de meditação.” (webremix.info) |
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Porto Rico de volta ? era de ouro
SAN JUAN, Porto Rico - Para chegar ao resort mais novo e opulento da rede Ritz-Carlton, você dirige por uma floresta de coqueiros, pântanos e arbustos em flor até que a estrada acabe numa cortina d’água. Por trás dessa espécie de fonte está o Dorado Beach, um hotel de US$ 342 milhões à beira da areia do Caribe. No centro do resort, inaugurado semana passada, hóspedes encontrarão uma piscina de borda infinita, com uma “cama de bolhas” no meio, uma villa de quatro quartos que custa US$ 30 mil por noite e um spa com 22 cômodos que inclui plataformas de tratamento em copas de árvores.
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Poderiam esses mimos ultraluxuosos ter uma chance em Porto Rico? Essa é a esperança. Resorts atendem a ricaços salpicados pelo Caribe. Então o Ritz-Carlton, usando o Dorado Beach para introduzir sua nova bandeira Reserve à América do Norte, sabia que precisava de algo bem exuberante para chamar a atenção. Dorado Beach, apesar do luxo e da história ligada a Laurance S. Rockefeller, à pioneira da aviação Amelia Earhart e antigas estrelas de Hollywood, precisa superar o fato de que fica num canto do Caribe por décadas mais associado à coragem que ao glamour. É verdade que a “Ilha do Encantamento” tem melhorado sua reputação nos últimos anos, ajudada pela decisão da Marinha dos EUA de encerrar os exercícios militares em Vieques e pela chegada de um resort St. Regis ao leste de San Juan em 2010. Mas entre os hóspedes endinheirados que Dorado Beach espera atrair, Porto Rico ainda não é dos destinos mais desejados. Para fazer do hotel um sucesso, o Ritz-Carlton se apoia no histórico de área de lazer para ricos e famosos, desde os anos 1920, quando era uma fazenda. Sua proprietária, Clara Livingston, era conhecida por viver sozinha, carregar uma pistola e andar acompanhada por seus cães dinamarqueses. Comandava a fazenda desde Su Casa, um casarão colonial com vista para o mar. A paixão por aviões a colocou em contato com Amelia Earhart, que se tornou sua amiga e se hospedou em Su Casa dias antes de desaparecer no Pacífico, em 1937. O Caribbean Property Group, dono de Dorado Beach, gastou US$ 2 milhões para renovar Su Casa, agora como a villa que é alugada por US$ 30 mil a noite. A casa é decorada com alguns dos pertences da dona original . Em 1958, Clara vendeu sua fazenda para Laurance S. Rockefeller, que construiu um hotel modernista, chamado Dorado Beach. Quando o fluxo turístico de Cuba se voltou a Porto Rico, no começo dos anos 1960, Dorado Beach atraiu estrelas como Joan Crawford, Elizabeth Taylor e Ava Gardner. Outros hóspedes notáveis incluem os ex-presidentes John F. Kennedy e Dwight Eisenhower. Hotéis costumam se amarrar a lorotas sobre História para convencer o hóspede de que está em um lugar especial, mas o Ritz-Carlton não exagera ao colocar Dorado Beach como um antigo recanto da alta sociedade. Mesmo sendo plebeu, fiquei meio acanhado ao contar às pessoas aonde estava indo, no final de outubro. “Para o Caribe”, eu dizia. “St. Barts? Turks e Caicos?”, perguntavam. “Não, não tão chique”, era a minha resposta. Após passar dois dias no ainda incompleto resort, que tem quatro campos de golfe, um parque aquático infantil e uma trilha natural para caminhadas de 18 km, experimentei um tipo diferente de embaraço: julguei muito rápido Porto Rico como destino de luxo. Mesmo em obras, Dorado Beach era de cair o queixo. Pelas paredes envidraçadas do restaurante Mi Casa, com menu elaborado pelo chef espanhol Jose Andres (do Bazaar em Los Angeles), é possível ver as ondas batendo dramaticamente contra a barreira rochosa afastada da praia. Num reflexo do interesse de Rockefeller pelo meio ambiente, a parte central do novo hotel faz um desvio em volta de uma dúzia de velhas árvores; pontes ligam vários prédios e se destacam as “camas suspensas” ao ar livre — balanços largos e retos se tornam locais perfeitos para cochilar ou ler. Admiráveis obras de arte contemporânea, como uma monumental fotografia de Quintin Rivera Toro, decoram as paredes. Dorado Beach tem 100 quartos e 14 suítes em 11 prédios de dois andares. Apesar de a nova legislação exigir uma certa distância da água, as autoridades porto-riquenhas permitiram que o novo hotel fosse construído no exato local do antigo, no qual todos os quartos davam para a praia. Cada quarto térreo tem sua própria piscina de borda infinita, enquanto os de segundo andar têm piscina na cobertura. Todos têm chuveiros externos. Além da vista para o mar, o principal destaque de Dorado Beach talvez seja seu bar, que tem um teto em V e chão de areia. Os hóspedes podem mostrar suas sandálias Prada e mocassins Gucci em pequenos cubículos. Pode ser difícil de se acostumar com o espaço, mas seu objetivo é justamente empurrar o Ritz-Carlton para fora de sua zona de conforto. (webremix.info) |
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Violinistas de Castelo Branco na Orquestra Mundial
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Links : Artes africanas e do Cararibe
Carla Peairo
Pinturas da Artista Plastica angolana Carla Peairo residente na Su??a.
Aquarelas, acrilicos, tecnica mista, mais de 50 obras expostas que traduzem o amor da vida, a solidariedade humana, a coes?o.
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