Cinema africano e do Caribe

Notícia : Cinema africano e do Caribe

Olhar de Cinema abre programação discutindo identidades nacionais


Teve início na noite dequarta-feira, 6, a 7 edição do Olhar de Cinema, festival curitibano dos mais interessantes do país e de programação variada e instigante. Na abertura, exibição de "Djon África, primeiro longa de ficção da dupla de realizadores portugueses Filipa Reis e João Miller Guerra, presentes no evento. O filme investiga um processo muito particular de busca de identidade a partir de uma viagem. [Leia mais...] (webremix.info)


Não são pássaros, são imigrantes numa cerca (webremix.info)


'Pantera Negra', a grande aposta da Marvel na diversidade

Filme consegue subverter o prisma com o qual cinema se acostumou a representar a África (webremix.info)


Mostra traz a pluralidade do cinema africano independente ao Rio de Janeiro

Celebrando a rica cultura cinematográfica da África, a Caixa Cultural do Rio de Janeiro preparou ... (webremix.info)


Alforria para o audiovisual

Numa feliz ironia, candidatando a deputada Renata Abreu ao prêmio “Trabalho Escravo de 2017”, que quer isenção de direitos para músicas tocadas em rádios, igrejas, motéis, hotéis, academias, o cineasta Cacá Diegues, em sua coluna no GLOBO, comunga com todos os artistas ao condenar mais uma tentativa de burlar os sagrados direitos autorais do criador.

Por extensão, também roteirista e diretor, faço minha sua revolta clamando pela igual alforria para realizadores do audiovisual (cinema, televisão, animação), hoje reféns de uma Lei de Direito Autoral, nascida na proto-história do digital em 1988, a exigir urgente atualização.

Excetuando músicos e intérpretes, nossos inestimáveis parceiros que já garantem seu numerário pela comunicação e reutilização públicas de suas criações, para diretores e roteiristas a LDA é manquitola, quando não ambígua, portanto, ineficaz.

Nesses tempos do impune tsunami da internet e seus infindáveis repiques, somos todos órfãos de pagamento pela gratuita veiculação do nosso estro em plataformas e suportes, digital e não digital.

Diante desse infortúnio institucional e pecuniário estamos em descompasso com o processo civilizatório que vige na América Latina/Caribe, Canadá, Europa/Leste, África, Oriente Médio e Ásia/Pacífico que, ao dignificar a profissão de roteiristas e diretores, consagra o mantra da mais absoluta contemporaneidade: direito autoral é o salário do criador.

Não é de admirar que direito de autor conste da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da ONU (1948) e assim deveria ser encarado por todos os signatários da Convenção de Berna (Suíça, 1886), como o Brasil, na qual há mais de cem anos, mundo afora, é defendida e garantida essa prevalência.

Na mesma batida é hoje o ordenamento jurídico da Comunidade Europeia, que subscreve a necessidade da intransferível e irrenunciável remuneração a diretores e roteiristas tal qual músicos, dramaturgos e intérpretes que, por todos os méritos, de há muito navegam nessa inelutável conquista, capilarizando a economia criativa do país, pois direito autoral é mercado!

A escandalosa supressão de pagamento a roteiristas e diretores pela fruição pública de suas obras vem chamando a atenção de gestores públicos e privados, advogados de direitos autorais e propriedade intelectual, inclusive sensibilizando Legislativo e Executivo de inúmeros países, como Chile, onde a presidente Michelle Bachelet acaba de assinar a Ley Ricardo Larraín (premiado diretor daquele país).

“Criadores sem direitos autorais é o mesmo que cidadãos sem direitos políticos” — completa o advogado chileno, Santiago Schuster, diretor para América Latina e Caribe da poderosa Confédération Internacionale des Sociétés d’Auteurs et Compositeurs (Cisac). A Colômbia está prestes a aprovar sua lei própria.

A modernidade está cobrando seu preço com o Brasil assumindo a responsabilidade de se alinhar imediatamente a esse processo de total pertinência moral, financeira e humanitária.

Sylvio Back é cineasta

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Cabeleireiro de Ipanema é responsável pelo visual de atores de diversas produções de TV

Aos 14 anos, ele entrou em um salão de cabeleireiro e disse que não entendia nada do assunto. Ainda assim, como o dono do espaço, namorado de um amigo dele, precisava de auxiliar, prontificou-se a ajudar. Quarenta e três anos depois, Eduardo Meckelburg, ou simplesmente Dudu, comanda um espaço na Rua Barão de Jaguaripe, em Ipanema, onde está há 16 anos.

Especial Ipanema

— Aprendi a fazer cabelo com um alemão, que veio foragido da África do Sul. Em contrapartida, eu ensinava português. Muitas vezes mandei ele comprar sanduíche de estrume — lembra, rindo.

Com curso de caracterização para cinema feito em Nova York, onde teve um salão durante dois anos, no final da década de 1980, ele é responsável pelo visual de atores de diversas produções de TV. Atualmente, trabalha na supersérie “Os dias eram assim”, cuja história começa anos 1970 e vai até 1984.

— Crio os looks junto com a produção. Sugiro os cortes, que precisam ser adaptados ao cabelo do ator — conta Dudu, que trabalhou ainda em novelas como “Vamp” (1991) e “Laços de família” (2000).

Eclético, o cabeleireiro também desenha joias, que vende no salão, e coleciona quadros desde os anos 1980. Nas paredes, há trabalhos de Oscar Niemeyer, Abraham Palatnik, Iole de Freitas e Adriana Varejão.

— Tenho 360 obras, entre pinturas e objetos — diz.

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‘Stefan Zweig’ mostra exílio de autor austríaco no Brasil

SÃO PAULO — Antes de ingerir uma dose fatal de tranquilizantes, em 22 de fevereiro de 1942, o escritor austríaco Stefan Zweig deixou uma declaração na qual agradecia ao Brasil por acolhê-lo tão bem. “Dia após dia, aprendi a amá-lo mais. Eu não gostaria de construir uma vida nova em nenhum outro lugar agora que o mundo que fala minha língua desapareceu para mim e que minha terra espiritual, a Europa, está se destruindo”, escreveu o autor. Dirigido pela atriz alemã Maria Schrader, “Stefan Zweig — Adeus, Europa”, em cartaz nos cinemas, narra os últimos anos de vida de Zweig (Josef Hader), passados entre Brasil, Argentina e Estados Unidos, ao lado de sua segunda mulher, Lotte (Aenne Schwarz). Uma das fontes de pesquisa da cineasta, que assina o roteiro em parceria com Jan Schomburg, foi “Morte no Paraíso — a Tragédia de Stefan Zweig”, do jornalista brasileiro Alberto Dines.

Leia a crítica e veja os horários do filme

— Eu queria muito fazer alguma coisa sobre exílio. Depois que li mais sobre Zweig, entendi que havia muitas questões envolvendo a saída dele de uma Europa dividida e extremamente radicalizada. Ele fugiu da guerra, mas vivia assombrado por ela. Com (o escritor) Thomas Mann, era considerado um dos mais importantes autores de língua alemã de sua época. E não podia publicar mais em seu idioma materno. Tudo isso era muito duro para ele — diz Maria, em entrevista ao GLOBO, por Skype, de sua casa em Berlim.

Dividido em seis partes, com um prólogo, um epílogo e quatro capítulos intermediários, “Stefan Zweig — Adeus, Europa” retrata episódios da vida do escritor entre 1936 e 1942, com especial atenção para o seu exílio sul-americano, entre Rio, Buenos Aires, Salvador e, seu destino final, Petrópolis. O filme mostra um momento que define o estado de espírito de Zweig nos primeiros anos longe de sua pátria, quando foi homenageado em um congresso de escritores na Argentina, mas se recusou a condenar publicamente a Alemanha e seu líder em ascensão, Adolf Hitler. “Não falaria publicamente contra um país, e não farei exceção”, diz ele a um jornalista.

Ele era um pacifista radical e um defensor ferrenho de uma Europa unida, não acreditava em fronteiras— Ele era um pacifista radical e um defensor ferrenho de uma Europa unida, que não acreditava na ideia de fronteiras. Defendia, talvez por gostar muito de viajar, que todas as pessoas deveriam ser cidadãs do mundo. Era um entusiasta do poder do intercâmbio cultural e da diversidade, numa época em que as discussões abertas já não eram mais possíveis e que tudo era preto ou branco. Há muitas coisas e temas combinados nesses últimos anos de vida que são importantíssimos — diz a diretora do filme.

As cenas brasileiras de “Stefan Zweig” foram filmadas em São Tomé e Príncipe, na África. No país, uma ex-colônia portuguesa, Maria encontrou cenário historicamente preservado e uma população muito parecida com a que precisava.

— É muito caro filmar no Brasil, não tínhamos orçamento para isso. Petrópolis está muito transformada, seria impossível reconstituir a época. Além do mais, em São Tomé estávamos no mesmo fuso horário da Alemanha, o que facilitou muito — explica ela.

O filme mostra o périplo de Zweig e Lotte antes de decidirem se instalar definitivamente no Brasil. Eles viajaram pelo Nordeste do país e tentaram viver nos Estados Unidos, mas acabaram voltando. Ele era fascinado não só pela beleza e pelo exotismo, mas pela ideia de um país marcado pela diversidade e pelo desenvolvimento social.

— Ainda que saibamos que isso não era verdade, aquilo parecia o paraíso para ele. Tudo parecia muito mais bonito. Ele ainda não tinha olhado a história da escravidão. Não tinha visto o contexto da época, com (Getúlio) Vargas no poder — diz Maria.

Em 1941, Zweig publicou “O mundo que eu vi”, uma espécie de testamento. O livro é rejeitado pelos críticos, em especial por Costa Rego, redator-chefe do “Correio da Manhã”, que escreveu vários textos desancando a obra.

— Com esse livro ele ficou marcado, tanto pelos imigrantes e as pessoas próximas deles, quanto pelos partidários da esquerda. Temos de lembrar que o Estado Novo estava no seu quarto ano, Vargas colaborava com o governo alemão. Mesmo assim, ele não desistiu do Brasil— diz a cineasta.

Maria, que é mais conhecida no circuito dos festivais e de cinema de autor como atriz, principalmente pelo filme “Aimée & Jaquar” (1999), diz que, se Zweig estivesse vivo hoje, talvez se surpreendesse com a realização de seu sonho de uma Europa unida. E com a perspectiva de que a região se tornou um ponto de chegada para refugiados, e não de partida. Como em sua época.

— Nossa geração teve a chance de viver o sonho de Zweig. Eu acho que ele diria para não desistirmos do sonho de manter a Europa unida — completa.

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Março não acabou: confira a programação cultural na Zona Norte no mês das mulheres

Todos os dias, todos os meses e todos os anos são das mulheres, mas março é especial para elas. Por isso, daqui até o dia 31, as homenagens continuam pipocando na região. Personagens do sexo feminino são o tema ou as protagonistas desses eventos culturais. É o caso do festival Rider #DÁPRAFAZER, que reúne neste sábado (25), das 10h às 23h, atrações de música, gastronomia, cinema, workshops e exposições, em três endereços da Rua Carvalho de Souza, em Madureira. Um deles é sob o Viaduto de Madureira, e os outros nos números 182 (Void) e 237 (+ Du/To, 6º andar). Todos têm entrada fraca. Durante a ação, questões de gênero, sociais, de empoderamento feminino e racismo serão discutidas por artistas e coletivos que estão atuando em diferentes frentes da cena carioca.

matérias leves ZN

O evento terá seis espaços: “Palcão” e “Chinelaço”, nomes dados ao palcos principais; “Papo de fazedor”, onde haverá palestras e bate-papos; “Cinemão”, com exibição de longas e curtas; “Garagem #DÁPRAFAZER”, evento com oficinas; “Bananobike”, atração com festas já famosas na cidade; e o “Circo indie”, de exposições.

Entre as atrações nos palcos principais estão Jesuton, Afrofunk e jam session com Rfa Tudesco, Dughettu, BK, Djonga, Ramonzin e Shock O Qxo, além de Lei Di Dai e Diomedes Chinaski. Já a programação no “Papo de fazedor" começa às 10h e terá Eliane Dias (Boogie Naipe), Jeanne Yépez e Ana Paula Paulino, entre outros nomes.

No espaço “Garagem #DÁPRAFAZER” poderão ser conferidas as oficinas “Matrizes sonoras e novos rumos da música", por Dughettu e Rfa Tudesco. O “Bananobike” contará com batalha do passinho e performances de grafite. No “Cinemão”, haverá bate-papo com Claudia Alves e Conexão África a respeito da força da mulher africana, além da exibição de filmes. Entre eles, “Plano aberto", “Incômodos”, “Feli(Z)cidade”, “Tião” e “Chico”.

O evento faz parte do projeto “Fazedores”, iniciativa da Rider que incentiva ações positivas usando, inclusive, a força da mulher.

— O projeto, assim como o festival, tem como foco dar espaço e reconhecer a força da rua e dessa turma que está à frente dos movimentos mais autênticos da cidade. Nesse processo, reconhecer as diversas mulheres comandando negócios do gênero e do entretenimento é fundamental, pois somos pelo menos metade da população. A mulher sempre foi multi, sempre transitou com facilidade. Essa é uma grande característica dos fazedores que buscamos — afirma Lara Azevedo, sócia-fundadora da empresa Noix, parceira de Rider no projeto e idealizadora do festival.

TALENTOS FEMININOS NO IMPERATOR

Dando continuidade às comemorações, o Imperator (Rua Dias da Cruz 170, Méier) apresenta dois shows tendo mulheres como protagonistas.

Neste sábado, às 17h, com entrada franca (sujeito a lotação), o público poderá assistir ao show do Forró Lánalaje com Marimelo. Estrela feminina do forró pé de serra, a cantora e compositora lançou-se em carreira solo em 2008 e logo conquistou dois prêmios: melhor intérprete no Festival de Forró Ilha Grande- RJ, no mesmo ano, e do Festival de Forró Itaúnas-ES (Fenfit), em 2009, considerado o maior e mais importante festival do gênero pé de serra no mundo.

Posteriormente, Marimelo passou pelos grupos Rio Maracatu e Os Valetes e uma Dama, além de estar desde dezembro de 2014 na Lapa com o show “Música ao redor”, que teve influência no Tributo a Marinês (1935-2007), projeto de resgate e manutenção do legado da famosa forrozeira pernambucana.

Na próxima quinta (30), às 20h, é dia de samba com o Grupo Arruda, que sobe ao palco do Imperator ao lado das convidadas Cassiana Belfort, Flavia Saoli e Aninha Portal. O primeiro lote do ingresso custa R$ 20; e o segundo, R$ 30.

Com pouco mais de dez anos de estrada, o Arruda foi fundado em Vila Isabel e iniciou a carreira com apresentações no Morro da Mangueira. O conjunto tem como vocalistas principais Maria Menezes e Nego Josy.

Na Lona Cultural João Bosco, em Vista Alegre (Avenida São Félix 601), o músico Almir Chiaratti apresenta neste sábado, a partir das 18h, uma mistura de MPB, psicodelia e música regional. E terá como convidada especial a cantora Thársila di Britto e seu repertório que mistura pop, folk e MPB. A entrada é franca.

— Estou animado com este show. A Thársila tem uma voz muito delicada e está sendo ótimo trabalhar com ela — diz Chiaratti.

ESPETÁCULO INFANTIL EM MARECHAL HERMES

Com roteiro e direção de Quenia Machado e com um elenco formado apenas por mulheres, o espetáculo infantil “A viagem de Carol", do grupo teatral Atrás da Máscara, será apresentado neste sábado e domingo, às 16h, no Teatro Armando Gonzaga (Avenida General Osvaldo Cordeiro de Farias 511), em Marechal Hermes. O ingresso custa R$ 20.

Na trama, Carol é uma menina que não gosta de estudar. Mas, durante um sonho, ela vai parar em um lugar chamado O Bosque da Imaginação, onde descobre, através de um livro, que estudar pode ser divertido.

No elenco estão as atrizes Thaiane Estauber (boneca narradora), Laura Keller (Fada Amada), Thaís Aquino (Carol), Jacque Sperandio (mãe), Carla Moura (leoa Lia Leon) e Beatriz Moreno (como atriz substituta).

Fechando o mês de março, o Sebrae apresenta no Shopping Jardim Guadalupe a palestra “A mulher e a autoestima”, na quarta-feira (29), às 19h, no segundo piso, ao lado da loja Hering. O evento é gratuito.

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Poeta caribenho e vencedor do Nobel, Derek Walcott morre aos 87 anos

RIO - O poeta caribenho Derek Walcott, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1992, morreu nesta sexta-feira em casa, na ilha de Santa Lúcia, aos 87 anos. A morte foi anunciada pela sua família.

O mais famoso cidadão do pequeno país, Walcott manteve como os três pilares da sua poesia o Caribe, onde nasceu e viveu, a língua inglesa e sua origem africana. Sua obra, que atravessou seis décadas do século XX, o tornou um dos principais autores da segunda metade do século XX.

No Brasil, a Companhia das Letras publicou, em 2011, o livro "Omeros", com tradução de Paulo Vizioli. Na obra, um misto de poesia, romance e roteiro de cinema, Walcott vai dos heróis gregos a uma pequena aldeia no Caribe para refletir sobre a destruição da natureza, a identidade das minorias e o desenraizamento individual e coletivo.

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Em novo 'King Kong', ator de 'Thor' mergulha nas selvas do Vietnã

LOS ANGELES - Em “Kong: a ilha da caveira”, em cartaz nos cinemas brasileiros desde ontem, Tom Hiddleston vive o cínico capitão da reserva e especialista em sobrevivência na selva James Conrad. O batismo do personagem é referência direta a Joseph Conrad, autor de “Coração das trevas”, o livro de 1899 transportado para as selvas do Vietnã em “Apocalypse Now” (1979), de Francis Ford Coppola. No retorno de King Kong às suas origens tal qual imaginado pelo pouco conhecido diretor Jordan Vogt-Roberts, há até uma cena emulando os famosos helicópteros de Coppola, agora com a adição de um monstro de proporções gigantescas.

Espécie de reboot ma non troppo do primeiro “King Kong”, criado por Merian C. Cooper (1893-1973) em 1933, o filme busca iniciar uma nova franquia reapresentando ao público o gorila, com a ação transportada para a primeira metade dos anos 1970. Ainda em 1933, por conta do sucesso do primeiro filme, Hollywood lançou “O filho de Kong”. Uma dezena de filmes e outros três remakes foram realizados desde então, incluindo o de Peter Jackson, em 2005.

Conhecido do grande público pelo Loki de “Thor” e pelo fugaz romance com Taylor Swift, que fez a alegria dos tabloides americanos no ano passado, Hiddleston, 36, foi pinçado pelos produtores para ser algo como uma resposta-ambulante à inevitável pergunta: afinal de contas, por que mais um King Kong na telona? O filme é a primeira experiência do inglês de olhos de ardósia no comando de um thriller de aventura, um teste para se medir o poder de fogo do protagonista da premiada série televisiva “The night manager”, pela qual venceu o Globo de Ouro de melhor ator neste ano. Abaixo, o ator comenta o novo filme e o seu protagonismo.

Por que King Kong uma vez mais?

Foi uma das primeiras perguntas que fiz a mim mesmo, até porque eu gostei muito do filme do Peter (Jackson). Mas vi que o pessoal da Legendary queria fazer algo de fato diferente, com um novo olhar sobre o mito, sobre o universo particular dessas criaturas.

Não há sinal de Manhattan...

Pois este é um ponto central do motivo pelo qual mergulhei de cabeça no filme. A ideia era ir ao habitat de Kong, não o oposto. A Ilha da Caveira é um paraíso intocado, e por isso o filme se passa nos anos 70. Hoje em dia, já não há mais lógica na possibilidade de se encontrar local ermo não explorado pelo mundo globalizado. E o filme tem um que do Werner Herzog de “Fitzcarraldo” (1982), da ideia de se contrapor a humanidade a situações e geografias desafiadoras. Beleza natural, terror e um teste de nossos valores civilizatórios sempre terão ressonância com o público.

Como foram as filmagens no Vietnã?

Contamos com a ajuda de um ex-militar americano que não havia voltado ao país desde a época da guerra. Trabalhar com os vietnamitas, para ele, foi especialmente comovente. Lá estávamos nós, o circo de Hollywood, uma produção imensa, sendo feita no Vietnã, gerando empregos, o primeiro-ministro jantando conosco, e os dois lados de igual para igual, quatro décadas depois do fim da guerra — essas coisas me deram alguma esperança em relação ao nosso futuro e aos conflitos armados que ainda nos afligem.

Dez curiosidades sobre 'Kong: a ilha da caveira'

Você está justamente produzindo um filme sobre os conflitos armados no Sudão do Sul, o mais novo país do planeta...

É um documentário de 1h30m que vai do processo de independência do Sudão, em 2011, até o começo da guerra, em 2013. Estima-se que cerca de 17 mil crianças tenham sido forçadas a lutar na disputa, um crime de guerra. Minha esperança é a de que os líderes dos dois lados consigam encontrar um dia um ponto de consenso.

Os sudaneses o reconhecem na rua?

Em geral não, mas algumas pessoas viram “Os vingadores” e gritam “Loki! Loki!”. Na África, especialmente, me parece que os super-heróis são os jogadores de futebol. Nunca fui ao Brasil, mas imagino que seja algo parecido. No Sudão, Neymar, Messi e Cristiano Ronaldo representam melhor as lutas do bem contra o mal do que nós, super-heróis do cinema.

Você acabou de filmar “Thor: Ragnarok”, que estreia em novembro, em torno do apocalipse em Asgaard, o Olimpo da mitologia nórdica. Depois de quatro anos sem encarnar Loki foi fácil voltar ao personagem?

Filmamos na Austrália por quatro meses, e no primeiro dia em que coloquei a maquiagem, a peruca, e me vi no espelho, melodiei, repetindo letra e música de Simon & Garfunkel, “Hello darkness/my old friend”, de “The sounds of silence”. Por outro lado, o Loki imaginado pelo (diretor neo-zelandês) Taika Waititi vai mais fundo nas questões familiares e na mitologia adaptada para os quadrinhos. A Hela, deusa da morte vivida por Cate Blanchett, é absolutamente sensacional. E Thor e Hulk (vividos por Chris Hemsworth e Mark Ruffalo) agora são uma espécie de Butch Cassidy e Sundance Kid cósmicos. É bem diferente dos outros filmes, estou curioso para ver o que os fãs vão achar das mudanças.

* Eduardo Graça viajou a convite da Warner Bros

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Artigo: Os verdadeiros inimigos, por Ricardo Rangel

O Brasil segue se digladiando em uma guerra ideológica sem ideias, brigando pelos motivos errados e combatendo falsos inimigos. É um enorme desperdício de tempo e de energia. Se conseguissem deixar o ódio de lado, direita e esquerda veriam que seus objetivos não são opostos, mas complementares, e que suas divergências não são irreconciliáveis.

A diferenciação tradicional entre esquerda e direita era que a primeira defendia o proletariado, por meio da estatização dos meios de produção, enquanto a segunda defendia os detentores privados dos meios de produção, isto é, a burguesia, e seus privilégios. Isso deixou de fazer sentido por completo. A sociedade se sofisticou, não conta mais com duas classes apenas, mas dezenas, centenas, com interesses os mais diversos. E a estatização dos meios de produção fracassou miseravelmente.

O socialismo foi tentado na URSS, na Europa Oriental, na China, na Mongólia, na Coreia do Norte, no Sudeste Asiático, em Cuba, em meia dúzia de países da África, e de várias maneiras diferentes. Não deu certo em lugar algum, e, em todos os casos, sem exceção, levou os países a ditaduras brutais e à catástrofe econômica. É surreal que alguém ainda o leve a sério.

A esquerda sabe que só existe liberdade na democracia liberal, e que só a iniciativa privada gera riqueza, mas, como não gosta desse fato, recusa-se a reconhecer sua existência. Também sabe que o partido-símbolo da esquerda no Brasil criou o maior esquema de corrupção de todos os tempos e levou o país à bancarrota, mas tampouco reconhece esse fato.

O Brasil é um dos países mais injustos do mundo, e o mercado não é perfeito, não é capaz de incluir a todos. A direita sabe que a principal bandeira da esquerda, o combate à injustiça social, é legítima, mas, como não gosta desse fato, recusa-se a reconhecê-lo.

Igualdade exige mais Estado, mas Estado grande demais implica pouco crescimento (e talvez até injustiça social, por conta dos maus serviços). Liberdade econômica exige menos Estado, mas Estado pequeno demais implica injustiça social (e talvez até pouco crescimento, por conta da baixa concorrência). Com boa vontade, não deveria ser difícil chegar a um acordo: um pouco mais para a direita, seríamos como os EUA; um pouco mais para a esquerda, seríamos como a França. Não chega a ser uma escolha de Sofia.

Em vez de brigarmos pelos motivos errados, deveríamos ser capazes de deixar nossas diferenças, que são pequenas, de lado e juntarmo-nos para combater o adversário comum: a real oposição não é entre direita e esquerda, mas entre avanço — democracia, livre mercado, apoio social — e atraso.

E o atraso está na direita obscurantista (machistas, misóginos, homofóbicos, racistas, defensores de intervenção militar, da ditadura e da tortura) como Bolsonaro, Crivella, Feliciano; a esquerda rasa e tosca que imagina que todos os ricos são igualmente calhordas (PCO, PSTU, PCdoB e boa parte do PT e do PSOL); Lula e sua curriola de cleptocratas sindicais; o Brasil feudal, encarnado por Renan, Sarney, Jader, Collor et caterva. São eles os verdadeiros inimigos.

* Ricardo Rangel é produtor de cinema e TV

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Como vivem as brasileiras pelo mundo (webremix.info)


Filha de Didi, Lívian Aragão completa 18 anos nesta quinta

RIO — Lívian Aragão, atriz filha de Renato Aragão e Lílian Taranto, completou 18 anos nesta quinta-feira e prestou homenagem aos seus pais em seu Instagram.

"Há alguns anos atrás, eu bebia água a cada 10 minutos e tinha uma garrafinha de suco na mão reserva. Hoje em dia, continua a mesma coisa. Tem coisas que não mudam, mas outras sim. Agora, sou responsável por carregar minha aguínea... Pai, mãe, obrigada por me darem todo o suporte até eu poder caminhar com as minhas próprias pernas. Esse dia chegou. Eu amo vocês mais que tudo. Feliz 18tão pra mim!", escreveu a jovem.

Instagram_Livian

Seu primeiro trabalho com atriz foi aos 8 meses de idade, no longa-metragem "O Trapalhão e a Luz Azul", ao lado de Renato. Desde então, atou com o pai em diversos outros filmes, como "Cupido Trapalhão", "Didi quer ser Criança", "Didi, o Caçador de Tesouros", "O Cavaleiro Didi e a Princesa Lili" e "O Guerreiro e a Ninja Lili". Em 2013, a jovem estreou sua primeira novela na Globo, "Flor do Caribe".

Recentemente, pai e filha atuaram juntos na adaptação para o cinema do musical "Os Saltimbancos Trapalhões". O filme, intitulado "Os Saltimbancos Trapalhões 2 - Rumo a Hollywood", conta com elenco formado por Marcos Frota, Alinne Moraes, Leticia Colin, Emílio Dantas, Rafael Vitti, Marcos Veras, Maria Clara Gueiros e Nelson Freitas.

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Turbulências políticas e sociais ecoam no Festival de Berlim

Links matéria Festival de Berlim

RIO - Termômetro audiovisual das ansiedades do mundo, o Festival de Berlim promete ecoar, a partir de quinta-feira, o sentimento de desilusão da sociedade diante das recentes transformações sociais e políticas que têm levado medo e insegurança aos quatro cantos do planeta. O temor gerado por essas turbulências é o sentimento que contamina a programação da 67ª maratona alemã, conhecida como Berlinale, que será aberta com “Django”, do francês Etienne Comar, cinebiografia do guitarrista de jazz Django Reinhardt, perseguido pelos nazistas na Paris da Segunda Guerra por causa de sua origem cigana.

— Neste ano, a Berlinale representa o tempo de reflexão — resume Dieter Kosslick, diretor artístico do evento, ao GLOBO. — Parece que muitos diretores se anteciparam às incertezas e aos recentes desdobramentos políticos que aconteceram nos últimos anos. As grandes utopias de uma globalização cultural e de justiça para todos falharam, como veremos em “The young Karl Marx”, de Raoul Peck, que será exibido na Berlinale Special. Mas também há esperança e confiança, como poderemos ver em “The other side of hope”, de Aki Kaurismaki, em competição. E, apesar de tudo, muitos realizadores não perderam seu senso de humor.

Kosslick observa que, como no filme de Peck ou mesmo no de Comar, muitos títulos das diferentes seções da programação, que se estende até o dia 19, recorrem a fatos ou personagens históricos para tentar entender o momento atual. É o caso do brasileiro “Joaquim”, de Marcelo Gomes, um dos 18 longas que concorrem ao Urso de Ouro, ao lado de produções como “The party”, de Sally Potter, e “The dinner”, de Oren Moverman. O filme do pernambucano é centrado na figura de Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792), o soldado do Império que viria a liderar a Inconfidência Mineira.

Fruto de uma coprodução com Portugal e Espanha, “Joaquim” retorna aos tempos do Brasil Colonial para investigar as circunstâncias que alimentaram a construção da consciência política do jovem alferes, antes, portanto, de se tornar o mito Tiradentes. Protagonizado por Julio Machado, o novo filme do diretor de “Cinema, aspirinas e urubus” (2005) tenta repetir o feito de “Central do Brasil”, de Walter Salles, e “Tropa de elite”, de José Padilha, vencedores do prêmio máximo da Berlinale em 1998 e 2008, respectivamente. O júri deste ano é presidido pelo holandês Paul Verhoeven.

— O filme de Marcelo explora o passado (brasileiro) para explicar o presente e assim tentar entender as complicações de nossa realidade atual. O colonialismo (e suas consequências) é algo que nunca foi totalmente superado — afirma Kosslick, que cita outros exemplos de revisão histórica na extensa programação do festival.

“APOGEU” BRASILEIRO, COM 12 PRODUÇÕES

“Joaquim” é uma das 12 produções brasileiras, entre curtas e longas, que estarão em Berlim, nas diferentes seções da programação. Só na Panorama, a mais importante mostra paralela do evento, estão o curta de animação “Vênus — Filó, fadinha lésbica”, de Sávio Leite, e os longas “Como nossos pais”, de Laís Bodanzky, “Vazante”, de Daniela Thomas, “Pendular”, de Julia Murat, e o documentário “No intenso agora”, de João Moreira Salles. Na Generation, dedicada a títulos infantojuvenis, estão “As duas Irenes”, de Fabio Meira, e o curta “Em busca da terra sem males”, de Anna Azevedo; “Mulher do pai”, de Cristiane Oliveira, e “Não devore meu coração!”, de Felipe Bragança, estão na subseção Generation 14plus. Já o curta “Estás vendo coisas”, de Barbara Wagner e Benjamin de Burca, concorre ao Urso de Ouro da categoria. E o longa “Rifle”, de Davi Pretto, foi selecionado para o Fórum.

Os filmes brasileiros que estarão no Festival de Berlim 2017

É a maior representação brasileira da história da Berlinale, detalhe que não passou despercebido por Kosslick. O diretor artístico que, junto aos membros das comissões de seleção, costuma receber anualmente inúmeras produções para avaliação, diz que os comitês do festival são testemunhas “de uma espécie de apogeu da produção brasileira”. E arrisca dizer que esse fenômeno é “resultado do sistema de fomento do audiovisual brasileiro, que nos últimos anos incentivou centenas de produções com fundos públicos”.

— Isso se aplica a quase todos os filmes brasileiros que selecionamos neste ano — analisa ele, à frente da direção artística da Berlinale desde 2001. — E, como todos esses filmes vieram de diferentes cantos desse imenso país que é o Brasil, pudemos ter uma perspectiva de sua natureza multifacetada. Os filmes mostram a diversidade da vida e da sociedade brasileiras, o que é muito inspirador.

João Moreira Salles concorda:

— O número de filmes brasileiros selecionados é sem dúvida expressivo. Mas o que talvez seja mais importante notar é o fato de que os filmes apresentados têm sabores muito diferentes. Há dramas históricos, filmes de amor, histórias do Brasil indígena e rural, documentários, filmes-ensaio, animação e aquilo que os franceses chamam de drama psicológico. Isso é sinal de vitalidade cinematográfica — entende Salles, que não lança um novo filme desde “Santiago” (2007). — Nosso repertório vem se ampliando, tem ousadia e não se limita a contar o que as metrópoles ricas esperam ver e ouvir dos centros mais periféricos do mundo.

Daniela Thomas volta a Berlim, onde esteve pela última vez com “O primeiro dia” (1998), codirigido por Walter Salles, com o seu primeiro filme solo. “Vazante” é um drama histórico, ambientando na sociedade escravocrata brasileira do início do século XIX. O filme abrirá a mostra Panorama nesta sexta-feira, como integrante de um pacote temático de produções sobre a história dos negros nas Américas e na África.

— A Berlinale é um festival muito bacana, engajado, vibrante. E sua relação com o cinema brasileiro, especialmente dos anos 1990 pra cá, tem sido muito impactante para a nossa própria percepção da qualidade dos filmes de autor do Brasil — atesta a realizadora. — Eu me sinto multiplamente feliz: com a seleção do “Vazante” para o festival, de estar vivendo esse momento tão incrível do cinema brasileiro lá, por estar numa seção especial dedicada à história da diáspora negra e, finalmente, por abrir a Panorama deste ano.

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Mostra Internacional de Teatro tem peças de 6 países (webremix.info)


Filha de Obama participa de protesto contra oleoduto em Dakota do Norte

WASHINGTON — A filha mais velha do ex-presidente Barack Obama, Malia, foi vista em um protesto contra a construção de um oleoduto em Dakota do Norte, durante o Festival de Cinema de Sundance. A polêmica obra, que atravessará um território indígena, foi aprovada na semana passada pelo presidente Donald Trump. Malia

A jovem de 18 anos participou na última segunda-feira do evento Standing Rock Solidarity, em Park City, no estado de Utah, onde acontece o festival. Ela teria deixado sua família, que está de férias no Caribe, para assistir ao maior festival de cinema independente dos Estados Unidos.

Manifestantes e a atriz Shailene Woodley celebraram a presença de Malia, dizendo que era surpreendente vê-la na mobilização.

— Ela reconhece, independentemente de seu sobrenome, que se ela não participar da democracia, não haverá mundo para seus futuros filhos — afirmou Shailene ao site Democracy Now!

A construção do oleoduto tinha sido bloqueada pelo governo de Barack Obama ante a forte pressão de grupos ambientalistas. Através da assinatura de dois decretos, Trump voltou a trazer à tona o extenso oleoduto Keystone XL, que transportará petróleo do Canadá até as refinarias nos Estados Unidos, e outro que atravessará um território indígena em Dakota do Norte.

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Com formato de ficção científica, Assassin's Creed não se compara aos livros (webremix.info)


Filme brasileiro sobre Tiradentes está na competição principal do Festival de Berlim (webremix.info)


'A Odisseia do Cinema Brasileiro' traz outro olhar sobre produções nacionais (webremix.info)


Festival de Berlim anuncia 11 filmes da mostra Panorama, com dois brasileiros

RIO — O Festival de Berlim anunciou nesta terça-feira os primeiros 11 filmes de sua mostra Panorama para 2017. Entre eles, há duas produções brasileiras: “Vazante”, de Daniela Thomas, sobre as relações raciais e de gênero no interior de Minas Gerais no início do século XIX; e “Pendular”, de Julia Murat, sobre a relação entre um escultor e uma dançarina.

— É emocionante que o meu primeiro filme solo, "Vazante", seja selecionado para a mostra Panorama do Festival de Berlim. A Berlinale é talvez o festival que mais impacto tenha tido no cinema brasileiro das últimas décadas, premiando "Central do Brasil", Fernanda Montenegro, "Tropa de Elite" e "Que Horas Ela Volta" — diz Daniela Thomas — É uma honra e um privilégio voltar aos grandes festivais de cinema que me deram tanta felicidade, como o de Cannes, em 2008, quando recebi a Palma de Ouro para Sandra Corvelloni, por sua linda Cleuza de ‘Linha de Passe’. Fico muito orgulhosa de ter Sandra mais uma vez brilhando em um filme meu. Meu coração está acelerado.

Para Julia Murat, “Pendular” também proporcionará um retorno. Ela esteve há poucos anos na Berlinale, não para mostrar um de seus filmes, mas para frequentar oficinas e palestras, como uma de cerca de 200 convidados da seção Talent Campus.

— Fui avisada em outubro que “Pendular” foi escolhido para a Panorama, mas não podia dizer nada até o anúncio oficial. Estava histérica, querendo gritar por aí. O Festival de Berlim será muito importante para a carreira internacional do filme. Vai abrir portas para novos mercados e para outros festivais. O meu último filme, “Histórias que só existem quando lembradas” só foi vendido para os Estados Unidos, por exemplo, porque teve boa recepção no Festival de Toronto — conta Julia por telefone, de Paris, onde está mixando “Pendular” (ainda sem data de estreia no Brasil, mas com previsão para o fim de 2017). — É um filme sobre uma relação cíclica, com dificuldade de sair do lugar. Quero que passe por festivais para chegar com visibilidade ao Brasil.

Segundo a organização, os filmes selecionados se dividem em dois temas: “uma nova abordagem da história dos negros na América do Norte, América do Sul e África (’I Am Not Your Negro’, ‘Vazante’, ‘The Wound’)” e “Europa Europa”, filmes que exploram como as forças progressistas podem se defender da atual tendência europeia de volta ao passado (”Política, manual de instrucciones” e “Combat au bout de la nuit”). O programa total deverá contar com cerca de 50 produções.

Veja a lista de filmes anunciados:

“Vazante” (Brazil / Portugal), de Daniela Thomas

“I Am Not Your Negro” (França / EUA / Bélgica / Suíça), de Raoul Peck

“The Wound” (África do Sul / Alemanha / Holanda / França), de John Trengove

“Política, manual de instrucciones (Politics, Instructions Manual)” (Espanha), de Fernando León de Aranoa

“Combat au bout de la nuit (Fighting Through the Night)” (Canadá), de Sylvain L’Espérance

“Casting JonBenet” (EUA), de Kitty Green

“Honeygiver Among the Dogs” (Butão), de Dechen Roder

“Centaur” (Quirguistão / França / Alemanha / Holanda), de Aktan Arym Kubat

“Pendular” (Brasil / Argentina / França), de Julia Murat

“Ri Chang Dui Hua (Small Talk)” (Taiwan), de Hui-chen Huang

“Untitled” (Áustria / Alemanha), de Michael Glawogger, Monika Willi

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Festival de cinema de Dubai (webremix.info)


'Todos me copiam', diz a cantora e modelo jamaicana Grace Jones (webremix.info)


Festival do Rio: Denis Villeneuve faz sua estreia na ficção científica em ‘A chegada’ (webremix.info)


Jô Soares dedica programa a Domingos Montagner nesta terça

RIO - Domingos Montagner será homenageado no "Programa do Jô" desta terça-feira, dia 20. O ator, morto na última quinta-feira, dia 15, será citado pelo apresentador logo na abertura do programa. “Eu sou a vida incessante que corre nas águas do rio”. Com esse verso, Jô Soares acrescenta às palavras de Mary Elizabeth Frye, no poema “Não chore à beira do meu túmulo”, a sua homenagem ao ator que interpretou o Santo de "Velho Chico". Links Montagner sexta 1

Pela primeira vez na atração, a atriz Selma Egrei, colega de elenco de ‘Velho Chico’, comenta como está o clima após a fatalidade. “É muito difícil de entender e de aceitar. Foi muito repentino e absurdo”, lamenta.

O apresentador também destaca que estava à procura de uma brecha na agenda de Domingos para convidá-lo a participar do talk show. “Esse trabalho me chamou muito a atenção. Quando vi uma cena dele na novela, ele me lembrou muito o Juca de Oliveira mais novo”, conta Jô.

Além de abordar a morte repentina de Domingos, a conversa com Selma também passa por sua personagem em ‘Velho Chico’, Dona Encarnação, que completou 100 anos na trama. Selma revela curiosidades da caracterização, como o truque da aplicação de látex na pele, para delimitar e criar novas rugas. A atriz também relembra a carreira, que inclui diversos trabalhos no cinema e, principalmente, no teatro. Entre os grandes amigos e inspirações, o diretor Antônio Abujamra é responsável pelo retorno de Selma às artes cênicas após 10 anos afastada para estudar terapia ocupacional: “Abu foi meu mestre no teatro. Tive o privilégio de conviver com ele e disse que só voltaria a atuar quando ele voltasse a dirigir no teatro”.

Assim, um dia, Selma conta que recebeu uma ligação do amigo e o convite de retornar aos palcos. “Não sou de projetos, aguardo o que a vida vai trazer”, compartilha.

O segundo entrevistado da noite é o médico otorrinolaringologista Rodrigo Oliveira Santos. Especialista em cirurgia de cabeça e pescoço, o professor da Escola Paulista de Medicina realizou em abril uma viagem ao Benin, na África, para realizar operações em adultos e crianças que moram no país, e conta como foi a experiência. Acompanhado de uma equipe de 20 profissionais, o grupo custeou a viagem e o material cirúrgico com a venda de rifas. Uma das dificuldades para o médico foi, além da infraestrutura precária no local, a comunicação com os pacientes. Por isso, tradutores auxiliaram os profissionais durante os procedimentos cirúrgicos.

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Passado e presente, mito ancestral e tecnologia conectados pelo artista inglês Isaac Julien

RIO— Em fevereiro de 2004, uma tragédia vitimou 23 imigrantes chineses que trabalhavam clandestinamente na Grã-Bretanha. Eles catavam mariscos sobre um banco de areia na baía de Morecambe quando foram surpreendidos por uma mudança da maré, morrendo afogados no local. O episódio impressionou o artista inglês Isaac Julien, um dos nomes mais importantes da cena contemporânea quando se trata do atravessamento entre artes visuais e cinema. Julien viajou para a China e se empenhou numa pesquisa profunda, ao longo de quatro anos (de 2004 a 2008), para produzir “Ten thousand waves”, videoinstalação em cartaz desde sábado no Museu de Arte Contemporânea de Niterói.

“Ten thousand waves” é composta de nove telas penduradas no teto, com a projeção visível dos dois lados. O visitante tem a liberdade de se mover entre elas, usufruindo de uma percepção particular da obra. A narrativa visual e sonora reúne registros reais — como o dramático pedido de socorro ao serviço de emergência — a cenas ficcionais, como a de um afogamento. Em Niterói para a montagem da obra, o artista contou por que se sentiu tão atraído por essa história particular, em meio a tantas tragédias relacionadas a imigrantes e exploração de trabalho:

— Eles vieram de uma distância muito grande para realizar o desejo de ter uma vida melhor. Essa luta foi a luta dos meus pais, que saíram do Caribe para a Inglaterra buscando o mesmo. Isso me tocou. Outra questão que me moveu foi tentar entender a tragédia não do meu ponto de vista, mas do ponto de vista de Mazu (deusa chinesa protetora dos mares e dos pescadores), e da região de onde esses catadores de mariscos partiram, na China. A coisa mais poderosa que a arte pode fazer é provocar empatia.

Para criar a obra, Julien foi a Xangai e contou com a parceria de mais de cem artistas e colaboradores. O poeta Wang Ping escreveu dois poemas que são ouvidos em partes da narrativa. A atriz Maggie Cheung (do cultuado filme “À flor da pele”), encarna Mazu, cujo mito se originou na província de Fujian, mesmo local de onde partiram os catadores de mariscos. Maggie paira sobre paisagens rurais do país, e, em outro momento, tem seu voo desvendado numa cena gravada em estúdio, uma espécie making of.

— Gosto da ideia de relacionar presente e passado, deuses ancestrais e modernidade — diz Julien.

Essa conexão também está presente em outra cena, quando ele recria, com a jovem atriz Zhao Tao, trechos de um filme chinês clássico dos anos 1930, “A deusa”.

“Ten thousand waves” chega ao MAC depois de ter sido apresentada em mais de 30 países como EUA (MoMA, em NY), Espanha (museu Reina Sofía, Madri) e França (Fundação Louis Vuitton, Paris). Também foi exibida em duas instituições chinesas e ainda no Brasil, onde integrou uma mostra do artista, no Sesc Pompeia (SP), em 2013. Aqui, ele observa que a circularidade do prédio projetado por Oscar Niemeyer deve influenciar positivamente a experiência do visitante:

— Essa fluidez pode se refletir no modo como as pessoas entram e saem do espaço e se movem entre as telas, e também na percepção da montagem não linear do meu filme.

A obra de Julien compõe a programação de 20 anos do MAC, com curadoria de Luiz Guilherme Vergara. Junto a ela, há as mostras “Baía de Guanabara: águas e vidas escondidas”, e “Ephemera: diálogos entre-vistas — Coleção João Sattamini/MAC”.

“Ten thousand waves”

Onde: MAC — Mirante da Boa Viagem s/nº, Niterói. (262-2481). Quando: Ter. a dom., das 10h às 18h. Até 23/10. Quanto: R$ 12. classificação: Livre.

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Mostra de filmes reflete sobre impactos e legados de megaeventos

RIO — Um dia após o encerramento da Olimpíada, que mobilizou investimentos públicos e privados de R$ 39 bilhões, o projeto “Placar final: cidade x legado” reúne a partir de hoje uma série de filmes, seguidos de debates, para tentar compreender e mensurar o saldo da aventura olímpica. Também faz parte da programação uma exposição do Coletivo Trama. O evento idealizado por Dodô Azevedo, com curadoria de Luiza Paiva, Luiza Andrade e Larissa Ribas, tomará até quarta-feira o foyer e as salas do cinema Estação NET, em Botafogo. A abertura hoje, às 21h, será com a exibição do longa-metragem “Olympia” (2016), de Rodrigo MacNiven, seguida de debate com a presença do diretor.

“Olympia” se aproxima de reflexões sobre a realização dos Jogos, mas amplia sua investigação para os megaeventos em geral, e busca evidenciar seus impactos e legados, quem se beneficia e quem se prejudica com eles. Apesar de trazer imagens do Rio, a produção mistura documentário e ficção e não se refere nominalmente à cidade e nem a governantes, políticos e empresários. A Olympia onde se passa o filme poderia ser o Rio, mas é mais um símbolo de toda grande cidade subjugada a conluios políticos que agem para atender interesses próprios.

— O filme olha para o que vem antes da Olimpíada — conta Dodô. — É a história de uma cidade que vai ser atravessada por um evento gigantesco. Ele revela bastidores, interesses políticos e financeiros que guiam a preparação dos Jogos.

Após a abertura, a mostra se divide em dois blocos: “O impacto das Olimpíadas nas comunidades” e “Legado global dos megaeventos esportivos”, que contrapõem privilégios individuais e benefícios públicos, o estado-empresa que pode tudo — derrubar casas e desalojar moradores — e o cidadão que apenas cumpre os (des)mandos de quem detém o poder. De olho nos impactos locais, os filmes de amanhã mergulham no microcosmo das comunidades e seus moradores. Serão exibidos dois episódios da série “Contagem regressiva”, de Luis Carlos de Alencar, o longa “The fighter”, de Dara Kell & Christopher Nizza (Brasil, África do Sul e Suíça), e o curta “Eu fico”, de Jorge Sequera e Michael Janoschka (Espanha). Já na quarta a mostra se encerra com curtas da série “O legado somos nós”, de Priscila Neri; com o média “A marcha dos elefantes brancos”, de Craig Tanner (África do Sul e Brasil), e com um debate com o geógrafo Christopher Gaffney e o arquiteto Lucas Faulhaber.

— Falhamos ou não? E em quê? — pergunta Dodô. — Ninguém ter ficado doente na Baía de Guanabara é dar certo? Isso era um grande risco, uma falha. Nesse momento de euforia, em que as pessoas ainda não parecem dispostas a questionar os Jogos, apostamos na importância de abrir um espaço de reflexão.

SERVIÇO

Placar final: cidade x legado

Onde: Estação NET Rio — Rua Voluntários da Pátria 35, Botafogo (2226-1986).

Quando: Seg., ter. e qua., às 21h.

Quanto: R$ 10.

Classificação: 14 anos.

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Desenhista que criou família Donald ganha antologia

RIO - Em um jogo de perguntas e respostas, uma questão sobre quem criou o Pato Donald seria considerada fácil. Walt Disney, certo? Tranquilo e favorável. Agora, quem concebeu o restante da família Pato, o Tio Patinhas, os irmãos Metralha, o professor Pardal, a Maga Patalógika e até a cidade na qual todos eles vivem, Patópolis? Uma dica: não foi Disney. Muito mais difícil, não? A resposta certa é Carl Barks (1901-2000), ilustrador e roteirista americano que trabalhou nos estúdios Disney como animador de 1935 até o fim de 1942, quando passou criar e desenhar os quadrinhos da família Pato para a Western Publishing. Até junho de 1966, quando se aposentou, Barks produziu mais de 500 histórias ou 6 mil pranchas de texto e arte. “Perdidos nos Andes” é o primeiro volume da “Coleção Barks”, que vai reunir todo esse material e que a editora Abril lança durante a Bienal do Livro de São Paulo, entre 26 de agosto e 4 de setembro.

Não é a primeira vez que o trabalho de Barks ganha uma antologia abrangente. A mesma Abril publicou, entre 2004 e 2008, a coleção “O melhor da Disney — As obras completas de Carl Barks”, que totalizou 41 volumes, organizados por personagens, temática e tipo de história. Mas a nova versão, compilada pela americana Fantagraphics, começou a ser publicada nos Estados Unidos em 2013, com algumas particularidades que a tornam especial. Os volumes, que somarão cerca de 20 ao final da publicação, são organizados por ordem cronológica, misturando aventuras longas, quadrinhos de dez páginas e historietas de uma página. Além disso, as histórias trarão as cores próximas das paleta original da época em que foram publicadas, chapadas e sem efeitos dos programas de edição. Até o letreiramento teve um tratamento especial, com a criação de uma fonte que reproduz o trabalho do autor e de sua terceira mulher, Garé Williams (1917-1993).

— É como se um clássico perdido do cinema fosse restaurado e lançado numa edição especial em blu-ray — compara Sergio Figueiredo, diretor da Redação Disney-Abril.

Para fazer essa “restauração”, a Fantagraphics resgatou fotocópias de artes originais de Barks que, acreditava-se, estavam perdidas.

— Agora, esse material volta à baila como foi criado há 50, 60 anos. E, até onde eu sei, sem censura — explica o jornalista Marcelo Alencar, colecionador e tradutor das histórias e dos textos de especialistas que compõem esse primeiro volume e os que virão em seguida.

SEM CENSURA

Alencar refere-se, por exemplo, a Be-Bop, um jazzista com quem Donald conversa logo no início da história “Donald na África”. Na versão publicada em “O melhor da Disney”, que sofreu edição, ele é branco e tem os lábios finos. Neste primeiro volume da coleção, o personagem volta ao formato como foi concebido por Barks, negro e com os lábios grossos, o que era comum nos estereótipos da época.

“Perdidos nos Andes”, história que dá título ao primeiro volume da coleção, é muito significativa da produção de Barks. Publicada originalmente em 1949, mostra a expedição de Donald e os sobrinhos a uma cidade inca pré-colombiana, Quadradópolis, onde encontram uma civilização bitolada — ou “quadrada”, como se dizia na gíria da época. “É uma sátira poderosa ao conformismo”, escreve o autor italiano Stefano Priarone, que assina um ensaio sobre o quadrinho.

— Sem Barks, talvez não tivéssemos Donald, nem o Tio Patinhas, personagens que refletiram em alguns momentos sua própria vida. O talento para desenhar, criar e redefinir traços de personagens da Disney, tornou-se referência para vários profissionais da área — diz o colecionador Fernando Donizete Claro.

E não só para os ilustradores. Em “As cidades do ouro” (1954), uma das caças ao tesouro protagonizadas e financiadas por Tio Patinhas, George Lucas e Steven Spielberg encontraram inspiração para a sequência de abertura de “Os caçadores da arca perdida” (1981), na qual Indiana Jones é perseguido por uma gigantesca bola de pedra. Uma influência e tanto.

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Ensino de idiomas proporciona troca cultural e chances de trabalho a refugiados na região

Com a proposta de promover o ensino de línguas, trocas culturais e geração de renda a refugiados no Brasil, a ONG Abraço Cultural iniciou suas atividades no Rio. A entidade oferece cursos de inglês, francês, espanhol e árabe que custam a partir de R$ 550 e o programa inclui debates e palestras sobre a cultura dos países de origem dos professores, que são remunerados pelo trabalho em sala.

Sucesso em São Paulo desde 2015, quando foi criado por outra ONG, a Atados, o Abraço Cultural tem como objetivo a inclusão de refugiados na realidade brasileira, oferendo oportunidades concretas de trabalho, algo que nem todos os que chegam ao Brasil conseguem.

No Rio há quase um ano e meio, o congolês Audrey Mandala, de 27 anos, é um dos beneficiados pelo trabalho. Ele conta que foi bem recebido no país e que conseguiu regularizar sua situação facilmente, mas diz que o mesmo não aconteceu com muitos amigos e conhecidos.

— Nem todos conseguem achar um emprego com respeito e dignidade. Há injustiça e preconceito pelo fato de sermos estrangeiros e refugiados, sobretudo nas empresas — conta.

Vindo da República Democrática do Congo, onde já trabalhou como professor, ele diz que chegou a ser preso por causa dos conflitos no país, o maior da África subsaariana, que está mergulhado em uma das crises humanitárias mais graves de que se tem notícia, com quase cinco milhões de mortos desde o início do conflito, em 1997, e mais meio milhão de refugiados espalhados pelo mundo, segundo a ONU. Mandala dá aulas de francês no Abraço Cultural e também é escritor. Terminou recentemente um livro de poesias que fala sobre a cultura africana, e que está sendo traduzido para o português.

No programa dos cursos de línguas estão previstas aulas dedicadas à troca de experiências culturais entre professores e alunos. Nelas, são propostos temas relacionados a culinária, dança, música, literatura, cinema, curiosidades, política e história.

— Mais do que trabalhar para ganhar dinheiro, a parte mais interessante é a integração e troca de experiências. Pode-se aprender muitas coisas e tenho muito orgulho em passar o que tenho. A África tem uma historia, uma cultura e um monte de coisas boas que podem ser apresentadas ao mundo — conta.

A coordenadora do Abraço Cultural no Rio, Tatiana Rodrigues, foi uma das pessoas que ajudaram a implantar o projeto na cidade e explica que a equipe conta com administradores, comunicadores, pedagogos e outros voluntários que dão apoio ao treinamento e capacitação dos professores, que são encontrados através de uma parceria feita com a Cáritas, entidade de atuação social e defesa dos direitos humanos ligada à Igreja Católica, vinculada à ONU. Ela destaca a importância de oferecer oportunidades remuneradas aos refugiados:

— Ajuda a acabar com o estereótipo e estigma de que eles são “pobres coitados”. Os professores são jovens, frequentam festas e têm muito a compartilhar e a enriquecer nossa vida — conta.

No Rio, as aulas são ministradas na Casa de Cultura Habonim Dror e na sede da rede Meu Rio, ambas em Botafogo. A segunda leva de cursos começou segunda e teve as inscrições esgotadas rapidamente. Quem quiser participar deve ficar atento no site www.abracocultural.com.br para fazer as inscrições das novas turmas com início em 29 de agosto, cujas inscrições devem abrir a partir do dia 1º. O curso tem material didático e método de ensino próprios, aulas regulares duas vezes por semana, com duração de uma hora e meia cada, além de uma aula cultural por mês.

No primeiro ano de funcionamento do Abraço Cultural na capital paulistana, 350 alunos tiveram aulas com 25 professores. Agora já são 480 alunos inscritos, 40 refugiados capacitados como professores de países como Venezuela, Síria, Haiti, Nigéria e Cuba e 53 turmas em São Paulo e no Rio.

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Longa vencedor do Goya de roteiro aborda o trabalho voluntário em zona de conflito

SÃO PAULO — O cadáver de um homem dentro de um poço artesiano impede a população de uma cidade, em zona de conflito armado na região dos Bálcãs, de beber água. Esse corpo é o motor de “Um dia perfeito”, filme do espanhol Fernando León de Aranoa em cartaz. Os protagonistas da história, no entanto, são os trabalhadores humanitários de várias nacionalidades que se mobilizam em torno de uma solução para o impasse, já que as Forças de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU) impedem a interferência de voluntários em situações desse tipo.

Inspirado no livro “Dejarse llover”, da médica e cineasta espanhola Paula Farias, o filme acompanha o grupo formado por Mambrú (Benicio del Toro), B (Tim Robbins), Sophie (Mélanie Thierry), Katya (Olga Kurylenko) e Damir (Fedja Stukan) em busca de uma corda para puxar o defunto do poço e evitar que a água fique contaminada. Apesar de serem orientados pelos militares a não agir, eles percorrem a região em dois carros e vivem situações tragicômicas, que parecem desafiar a lógica.

— Faz mais de dez anos que trabalho nesse projeto. A inspiração veio da própria Paula, que trabalhava na organização Médicos sem Fronteiras. Foi por insistência dela que acabamos indo para a África, onde conheci figuras que inspiraram Mambrú e os outros voluntários — disse ao GLOBO León de Aranoa, que esteve no Brasil em novembro passado para apresentar o longa na 39ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

Muitas das situações vividas no filme, como a sequência em que B e Sophie topam com a carcaça de um boi na estrada e têm que decidir por onde passar, para evitar armadilhas com minas, foram colhidas pelo diretor em entrevistas com trabalhadores locais, enquanto fazia documentários em zonas de guerra na África e no Leste Europeu.

— Meu objetivo era mostrar não apenas os absurdos que colocavam as vidas das pessoas em risco, mas uma rotina completamente ilógica e irracional. Como a própria proibição dos capacetes azuis (Forças de Paz da ONU) de tirar o corpo do poço — disse ele, conhecido do público brasileiro por filmes como “Segundas ao sol” (2002), com um Javier Bardén irreconhecível, e “Princesas”(2005).

León de Aranoa contou que os primeiros atores procurados foram Del Toro e Robbins:

— Del Toro respondeu prontamente, e Robbins se desvencilhou de outros compromissos para poder trabalhar no filme.

“Um dia perfeito” teve sua pré-estreia mundial no ano passado, na Quinzena dos Realizadores, no Festival de Cannes. Na Espanha, recebeu sete indicações ao Prêmio Goya, e levou apenas o prêmio de melhor roteiro. Depois disso, León de Aranoa se dedicou ao documentário “Política, manual de instruções”, sobre o partido político de esquerda Podemos, da Espanha, lançado por lá no mês passado.

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Diretor de ‘Harry Potter’ reapresenta Tarzan ‘civilizado’ à selva do Congo

LOS ANGELES — Herói branco, continente negro. Desde as duas primeiras das mais de 50 adaptações para o cinema do personagem criado pelo escritor americano Edgar Rice Burroughs (1875-1950), ambas lançadas em um intervalo de oito meses, seis anos depois da publicação de “Tarzan, o filho das selvas”, em 1918, a história do órfão de aristocratas do Império Britânico criado por gorilas na selva africana fascina e perturba público e crítica. O personagem é, ao mesmo tempo, sinônimo de músculos à mostra, nobreza de intenções, idealização do selvagem, eurocentrismo descarado, coadjuvantes inusitados como a chimpanzé Chita, cipós sempre à mão, a indefectível frase “mim, Tarzan, você, Jane”, e um certo grito entoado a plenos pulmões.

Em “A lenda de Tarzan”, a partir de hoje nos cinemas brasileiros, o papel-título é do sueco Alexander Skarsgård. Aos 39 anos e depois do sucesso global da série “True blood” (na pele do vampiro Eric), ele, que está desde domingo no Brasil promovendo o filme, é a aposta da Warner como galã do momento. E faz questão de responder de bate-pronto à inevitável questão: por que voltar ao Tarzan a esta altura do cinema americano? A produção mais recente de Hollywood centrada no herói das selvas foi em 1998, com Casper Van Dien. Em 2003, o ex-modelo australiano Travis Fimmel encarnou o personagem na TV.

— Em maior ou menor medida, tudo o que as pessoas relacionam ao personagem aparece novamente em “A lenda de Tarzan”. Só que agora invertemos a lógica: se os outros filmes giram em torno da domesticação do selvagem, aqui a necessidade é a de liberar as emoções que existem por debaixo de um verniz de civilização. Estamos à procura de Tarzan — diz o sueco.

PROTAGONISTA VIROU LORDE

Em seu primeiro filme após dirigir quatro tomos da bilionária franquia “Harry Potter”, o inglês David Yates começa seu “Tarzan” em Londres. O protagonista “civilizou-se”. Deixou as paisagens tropicais há dez anos, atende agora pelo nome de Lord Greystoke, é casado com Jane (vivida pela australiana Margot Robbie), veste-se com pompa, é culto e sofisticado. Um espectador mais distraído pode achar que entrou no cinema para ver uma versão da série televisiva “Downton abbey”.

Mas logo o idealista americano George Washington Williams (Samuel L. Jackson) convencerá o mocinho a se reencontrar com suas raízes e ajudar os congoleses a enfrentar uma ameaça tenebrosa: a entrega da região aos cuidados do sanguinário Leopoldo II da Bélgica (1835-1909). O personagem de Jackson é vagamente baseado em um americano de carne e osso e serve para incluir na trama os ideais de liberdade da Revolução Americana. Mas ninguém precisa correr para os livros de História antes de ir para as salas de cinema:

— Esse é um filme descaradamente “pipoca”, com uma selva ainda imaginada pelos sonhos europeus, e o romance com Jane, mais amadurecido, segue sendo parte fundamental. Mas os tempos são outros. Esse é, também, o mais político “Tarzan” que você já viu em Hollywood. Yates mirou sua câmera para o dilema da África: o que fazer com a herança do colonialismo europeu no continente? — diz Djimon Hounsou, que vive o chefe tribal Mbonga. Ele vê sua terra ser dividida arbitrariamente e decide condenar o saque da África pelos europeus.

Se Greystoke é percebido inicialmente como alguém que traiu os africanos e se aliou aos exploradores, personificados no personagem de Christoph Waltz (leia mais em texto nesta página), sua transformação em Tarzan reequilibrará o tabuleiro de forças em jogo no roteiro de Adam Cozad e Craig Brewer.

Hounsou, que nasceu no Benim, não deixa de perceber a ironia no fato de “A lenda de Tarzan”, com toda sua preocupação com o politicamente correto, não ter sido filmada na África. A “África” do filme foi toda criada em computadores na Inglaterra, e o ator indicado duas vezes ao Oscar (“Terra de sonhos” e “Diamante de sangue”) credita a decisão estratégica aos altíssimos custos com a segurança ao sul do Equador.

Em “A lenda de Tarzan”, os instintos de Greystoke o levam a deixar as roupas em segundo plano. O loiro de 1,94m oferece às lentes de Yates tanto seu corpo trabalhado em longas sessões de academia de ginástica — “quando terminei as filmagens, me internei na casa de meu pai (o ator sueco Stellan Skarsgård) e fizemos, juntos, uma orgia gastronômica, só com carboidratos e doces” — quanto uma melancolia não vista em encarnações anteriores do personagem no cinema (de Johnny Weissmuller a Travis Fimmel, passando por Christopher Lambert), mas igualmente presente em “True blood”. Afinal, são os jogos de opostos — civilização x natureza, paixão x melancolia, progresso x preservação — que dão o tom ao filme de Yates.

— Greystoke não quer voltar para a selva, tem medo de lidar novamente com sua natureza selvagem, mas a sordidez do genocídio patrocinado por Leopoldo II, na metade final dos anos 1880, com milhares de vítimas, o faz rever os valores da civilização. Eu, claro, fiquei pensando no que tenho de bom cidadão e nos meus instintos mais animalescos, inclusive os de luta pela justiça e o que é eticamente certo. E até onde eu iria para defender isso — diz Skarsgård. — Ter meu corpo de novo no centro de um personagem não foi uma questão para mim. Não iria dizer não porque teria de ficar sem camisa e algo mais em boa parte das cenas.

*Eduardo Graça viajou a convite da Warner Bros.

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A maior tela do cinema africano é na Cova da Moura

A I Mostra Internacional de Cinema na Cova – África e suas Diásporas é dedicada ao cinema africano contemporâneo e acontece entre 19 e 23 de Julho, em Lisboa. (webremix.info)


Links : Cinema africano e do Caribe

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