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Com renda maior, emergentes v?o adquirir curiosos h?bitos de consumo at? 2016

RIO - Assim como observado no Brasil, cada país em uma escala diferente, outros emergentes estão dando prioridade à compra de produtos mais sofisticados. Olhando para as despesas das famílias e as tendências na China, Índia, México, África do Sul e Turquia, em contraste com os mercados desenvolvidos dos Estados Unidos e Reino Unido, pesquisa inédita da consultoria britânica Mintel tenta mostrar como a melhoria de renda e a facilidade em adquirir novos produtos vai alterar os gostos dos consumidores destas regiões nos próximos três anos.

Na África do Sul, a tendência entre 2013 e 2016 será comprar pela internet. Vale de tudo, mas o boom no segmento on-line será a venda de vestuário. Já na Turquia, explodirá o comércio de produtos de beleza. Os indianos vão alavancar o consumo de produtos para o lar, em especial, lava-louças. Por sua vez, chineses e mexicanos vão continuar comprando cada vez mais comida e bebida, enquanto nos Estados Unidos e Reino Unido, onde a crise econômica trouxe efeitos mais graves para o consumo da população, a ordem é economizar nos alimentos.

— Os homens da África do Sul, ao contrário do Brasil, não gostam de fazer compras. Eles são os principais reponsáveis pelo crescimento do comércio on-line — afirma Peter.

Regulação, fatores culturais — como a religião — as atitudes em relação à saúde e à beleza e os esforços de marketing das empresas estão afetando a forma como as famílias gastam dinheiro. Um movimento interessante será o comércio eletrônico.

— Mas as diferenças entre estes mercados continuarão gritantes — afirma ao GLOBO Peter Ayton, analista global de consumo na Mintel.

Devido ao tamanho do mercado, a China vai liderar este aumento, mas também será visível na Índia e África do Sul, locais onde fazer compras por meio da internet passa a atingir grupos anteriormente inacessíveis.

— Esta é uma tendência nos países emergentes como um todo. Índia e China têm tido um crescimento maior do consumo doméstico mas em quantidade, o mercado é maior — analisa Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do Banco Central e economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC). — Na China, a demanda é por alimentos, assim como na Índia, mas aqui já nos diferenciamos. Crescem ainda mais os serviços, já que as famílias estão procurando investir mais, por exemplo, em educação.

Homens turcos, os novos metrossexuais

Vêm da Turquia e Índia os responsáveis pelo maior crescimento do setor de beleza e cuidados pessoais. A China não disponibilizou estas informações para a consuloria. Em busca de mais cuidados com o corpo e com o a saúde, os turcos estão gastando milhares de dólares em produtos de beleza.

— Eles (turcos) estão ficando mais brasileiros — brinca o analista global da Mintel. — Eles são os mais novos metrossexuais do planeta. Diria que eles vivem hoje uma tendência já vista no Brasil já há dez anos. Apesar das pressões da moda, a fidelidade à marca também é forte.

Os gastos dos turcos chegarão, em média, a US$ 60 por pessoa chegando perto dos amigos africanos. Ainda é baixo diante dos quase US$ 200 gastos por pessoa no Reino Unido.

Todo mundo quer comida

Como é típico nos mercados ricos e mais maduros, americanos e britânicos dedicam menos dos seus gastos à alimentação em casa do que fazem os consumidores na maioria dos mercados emergentes. Também é cada vez mais considerável na China, onde os gastos das empresas em serviços ligados a restaurantes e alimentação só aumentam.

— A comida preparada ganha espaço nos lares mexicanos, já cereais na Índia e os molhos na China — aponta o analista. — Mesmo com a crise, que diminuiu a aquisição de certas categorias de alimentos nos dois países, o mercado conhecido como food service é enorme nos EUA e Inglaterra e ainda consegue respirar — ressalta.

Segundo o analista, produtos para uso doméstico, tais como sabão em pó e itens de limpeza, tendem a ser um dos segmentos mais fortes ao longo do período de previsão. Este crescimento será liderado pela Índia (alta de 21% ao ano entre 2013 e 2016), onde a propagação de máquinas de lavar roupa e outros aparelhos, bem como o rápido crescimento da população, está levando ao aumento da demanda. Turquia e China (ambos acima de 15% ao ano) será mercados fortes também.

— É difícil determinar quanto tempo este processo pode durar, pois, considerando China e Índia, por exemplo, que ainda passam pelo processo de urbanização e êxodo rural, a necessidade de bens “sofisticados” deve demorar ainda algumas décadas — analisa Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating.

A mesa dos latinos

Assim como observado nos cinco países pesquisados pela Mintel. o Brasil e os países da América Latina também observam um crescimento no consumo de bebidas e alimentos mais elaborados, principalmente aqueles que tragam mais benefícios.

Nota-se claramente este comportamento ao se observar, segundo a Kantar Worldpanel Brasil, os itens mais comprados em cada nação: bolos industrializados no Brasil; chá gelado, sobremesas frias e chocolate em barra no México; sorvetes, água mineral e congelados na Argentina e cereais, água saborizada e creme de leite no Chile.

— Meu consumo aumentou qualitativamente, em grande parte porque o emprego melhorou. Isso fez com que tenhamos conquistado um nível de vida melhor — relata a psicóloga chilena e professora universitária Narda Isidora. — Compro mais produtos congelados. É mais rápido, é mais simples, só tenho que colocar no micro-ondas e fica tudo pronto.

(webremix.info)


Governo aposta agora em emplacar Vanucci na OEA

BRASÍLIA – Após ganhar a diretoria-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o governo brasileiro agora se volta para outros dois desafios no multilateralismo de nações: a eleição do brasileiro Paulo Vanucci para a Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) e a conquista de uma vaga permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, este último o grande objeto de desejo da diplomacia brasileira.

A batalha para conseguir emplacar um brasileiro na OMC é antiga. Em 2005, o Brasil perdeu a eleição, ao lançar a candidatura do embaixador Luiz Felipe de Seixas Corrêa. Venceu a disputa o francês Pascal Lamy. Para analistas, não houve tanto empenho das autoridades brasileiras por Seixas Corrêa, que na época representava o Brasil na OMC, como agora com Roberto Azevêdo.

Outra experiência ruim para o Brasil em disputa pela direção de organismos internacionais ocorreu em junho de 2009. O governo Lula foi duramente criticado pelo fato de não ter dado qualquer tipo de apoio ao candidato brasileiro Márcio Barbosa na eleição para o cargo de diretor geral da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

Barbosa, que à época era secretário-adjunto da Unesco, desistiu de sua candidatura, porque o preferido da diplomacia brasileira era o egípcio Farouk Hosny, polêmico por suas declarações antissemitas. Venceu a diplomata búlgara Irina Bokova.

Uma vitória importante para o Brasil, que teve o empenho pessoal da presidente Dilma Rousseff, foi a eleição, em 2011, do agrônomo brasileiro José Graziano como diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). Graziano foi ministro de Segurança Alimentar de Lula e, quando se tornou candidato ao posto na FAO, já era representante do organismo na América Latina e no Caribe.

(webremix.info)


M?xico aposta em combate discreto ao tr?fico

RIO - Estampado com frequência em manchetes sobre violência nos últimos anos, o México quer sair das páginas policiais para as de economia, sociedade ou cultura. A guerra ao crime organizado declarada pelo ex-presidente Felipe Calderón em 2006 — que segundo organizações civis deixou quase 100 mil mortos nos enfrentamentos entre forças de segurança e cartéis do narcotráfico — começa a dar lugar a uma nova estratégia de segurança liderada pelo atual mandatário, Enrique Peña Nieto.

A aposta inclui a retirada gradual do Exército das regiões mais afetadas pela violência e maior investimento em projetos de prevenção e programas sociais em áreas de risco. Mas a mudança mais visível até agora está na comunicação da violência. Sem alarde sobre capturas, tiroteios e mortes, o governo espera tirar a insegurança do centro de debate da população e dos meios de comunicação. E monta uma agenda diferente baseada na tentativa de que a percepção de paz ajude a mudar a realidade.

— Já não há apresentação de detidos nem de massacres para a imprensa, toda a questão midiática que houve com Calderón. O governo quer fazer que as pessoas deixem de pensar em violência todos os dias. Ele ordenou aos estados que não façam alarde, que a prioridade seja o ataque à pobreza sobre a guerra. E há certa razão nisso — afirmou ao GLOBO o analista José Reveles, especialista em segurança.

Não que a violência tenha deixado o território mexicano. No mês passado, o próprio governo divulgou os números de homicídios ligados ao crime organizado no país desde dezembro, quando Peña Nieto tomou posse: foram 4.249 até março, uma queda modesta de 14% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Foco na economia na relação com eua

Os militares deslocados a regiões de risco ainda são os mesmos, mas as denúncias de violações de direitos humanos cometidas por eles caíram. A impressão, segundo analistas, é de que Peña Nieto foi beneficiado com um voto de confiança da população já pela troca de governo em si, que rompeu com o círculo vicioso do mandato anterior e gerou uma onda de esperança.

Mas as ações sociais, mais que anúncios de capturas de chefões do narcotráfico, também têm feito diferença. Mês passado, Peña Nieto lançou a Cruzada Nacional contra a Fome para atender a população pobre, quase metade dos 112 milhões de mexicanos. Em paralelo, impulsiona uma agenda de reformas em áreas problemáticas no país, como educação e sistema judiciário. E pediu um ano de “trégua” à população para que a mudança de enfoque se reflita nas estatísticas.

— Calderón não errou ao decidir combater o narcotráfico. Era preciso. E os militares aprenderam a fazer inteligência, operativos. Mas foi uma estratégia parcial, focada na polícia federal e no Exército. A nova estratégia de atacar em várias frentes pode ser, em teoria, melhor, mas não é fácil fazê-la andar. Deve haver também um combate à corrupção. Os cartéis penetram nas esferas de governo — ressalta Raúl Benítez Manaut, do Centro de Pesquisas sobre América do Norte da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam).

A diversificação da agenda também deve cruzar a fronteira e influenciar a relação com os Estados Unidos. Esta semana, num encontro entre Peña Nieto e o presidente americano, Barack Obama, na Cidade do México, a economia se sobrepôs a temas como segurança e imigração.

— A relação bilateral deve ser multitemática — defendeu Peña Nieto.

Ele anunciou a formação de um grupo com membros dos dois governos para aumentar a integração econômica. A segurança nas fronteiras foi citada como “uma das prioridades”, não a única.

— Continuaremos cooperando da forma que pudermos contra o crime — prometeu Obama, sem detalhes.

Dificilmente, porém, a segurança sairá da pauta, principalmente pela preocupação americana em manter a fronteira segura e limitar a ação dos cartéis em seu território. Obama teve uma cooperação estreita com Calderón, que por sua vez investiu pesado em material militar. Mas, numa demonstração das novas diretrizes, o atual governo mexicano fechou uma base da agência antidrogas americana — a DEA, na sigla em inglês — em Monterrey, numa tentativa de conter a ingerência da Inteligência estrangeira em seu território. Além disso, dissolveu a Secretaria de Segurança Pública e centralizou todo o comando contra o crime na Secretaria de Governança.

Se por um lado as mudanças geram otimismo, por outro também trazem dúvidas. A aparente calma desperta velhos temores em relação ao governista Partido Revolucionário Institucional (PRI), cujo histórico inclui acusações de pactos com o crime organizado para criar uma sensação de diminuição da violência. Paira ainda a ameaça da corrupção — outro velho fantasma da política mexicana — sobre os fundos destinados aos projetos sociais.

Desaparecidos em fossas clandestinas

A lista de desafios abrange ainda mais de 26 mil mexicanos desaparecidos, embora nem todos relacionados à violência. A guerra das estatísticas também preocupa: não raramente, governo, imprensa e organizações civis apresentam contagens próprias e diferentes, o que dificulta o alcance da real dimensão do problema.

— Há cemitérios clandestinos espalhados no território com corpos de mexicanos e imigrantes, numa crise humanitária que o governo ainda não sabe enfrentar — conta Arturo Alvarado, diretor do Centro de Estudos Sociológicos do Colégio de México. — Há casos em que a imprensa e a população relatam enfrentamentos com dezenas de mortos e, depois, menos de dez são registrados nos relatórios oficiais. O que acontece com esses corpos?

Há muitas perguntas ainda sem respostas. Ao mesmo tempo, o governo se prepara para a criação de uma gendarmeria, uma polícia militarizada que atuará nas comunidades de maior risco. O plano faz parte do Programa Nacional de Prevenção do Delito, outra promessa de Peña Nieto para combater os crimes que mais afetam a população, como roubos e sequestros.

— Falar em prevenção não seria possível há quatro anos. As reformas e a debilitação de cartéis iniciadas na administração anterior abriram caminho para um enfoque novo e positivo. É mais simples colocar as Forças Armadas nas ruas do que trabalhar a segurança com ênfase social — diz Antonio Mazzitelli, representante regional do Escritório da ONU sobre Drogas e Crime (UNODC) para o México, América Central e o Caribe. — Agora é preciso vontade política e paciência para colher resultados. Temos que ver a estratégia em ação.

(webremix.info)


Estado do Rio ter? 280 guardi?es da natureza at? julho

RIO - De olho em experiências bem-sucedidas de países como Estados Unidos, África do Sul e Argentina, o Estado do Rio começa a tirar do papel uma força-tarefa em defesa de suas áreas verdes. Entre engenheiros, biólogos, geógrafos e jovens que ainda não venceram a graduação, um exército de 110 pessoas já está em campo — e com formação específica — para fortalecer a proteção da biodiversidade. A jornada semanal dessa turma, de 40 horas, rende a cada um R$ 1.500 ao fim do mês. A área de atuação do novo serviço estadual de guardas-parques é vasta em todos os sentidos: até julho, todos os 280 fiscais, 220 concursados pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e 60 cedidos pelo Corpo de Bombeiros, estarão treinados para atuar em 204 mil hectares, em ações de combate a incêndios e desmatamentos, ordenamento urbano, educação ambiental e apoio às pesquisas científicas.

Do extremo sul ao extremo norte do estado, cada uma das 12 unidades de proteção integral, aquelas que não permitem edificações, terão ao menos seis fiscais. Entre elas, os parques da Pedra Branca (Rio), dos Três Picos (Região Serrana) e da Serra da Tiririca (Niterói). Também foram destinados R$ 8 milhões para a compra de veículos, uniformes e equipamentos. De acordo com o Inea, foram adquiridos, em média, um veículo para cada dez guardas-parques. O financiamento veio de compensação ambiental do Porto Açu, do empresário Eike Batista.

Bianca Masi, de 27 anos, percorre, a pé ou dirigindo uma possante caminhonete, os trechos do Parque Estadual da Costa do Sol. Ela e outros 30 colegas são responsáveis por dar conta de uma área que corta seis cidades da Região dos Lagos — de Saquarema a Búzios — e soma quase três Florestas da Tijuca. Graduada em geografia e especializada em técnicas de segurança do trabalho, a jovem conta que decidiu fazer o concurso para proteger o “quintal de casa”: o bairro do Peró, em Cabo Frio.

— Foi para tentar ajudar a melhorar as coisas que decidi ser guarda-parque. Pretendo voltar a dar aulas de geografia, mas nos últimos meses estive focada no trabalho de guarda — afirma Bianca, contratada por três anos, com possibilidade de renovação por mais dois.

O guarda Daniel Lopes, de 32 anos, também fiscal do parque, neste sábado dedicava-se à pesquisa de capacidade de carga da Praia das Conchas, em Cabo Frio. O trabalho tem como objetivo mapear a área e cruzar informações, como quantitativo e renda média dos visitantes. A praia faz parte do Parque da Costa do Sol. Com base nesses dados, será possível padronizar o funcionamento dos 18 quiosques do local. A equipe também promete constranger a atividade dos flanelinhas, que chegam a cobrar R$ 15 por carro estacionado na vegetação de restinga.

— Estou aqui por ideologia — diz Lopes. — Já vinha de um ativismo ambiental de 16 anos. Pensei que era hora de parar de reclamar e passar para o outro lado do balcão.

A seleção dos guardas-parques incluiu provas teóricas e práticas, além de uma fase classificatória que levou em conta a formação anterior dos candidatos em itens como primeiros socorros e informações sobre animais peçonhentos, além do conhecimento de línguas estrangeiras. Entusiasta do projeto, o diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Inea, André Ilha, aposta no diálogo dos guardas com a sociedade para desenvolver uma cultura de desenvolvimento sustentável.

— Diversos países têm uma longa tradição com os seus serviços de guardas-parques, como Estados Unidos, Canadá, Quênia, Chile e Argentina. Mas, no Brasil, não tínhamos iniciativas desse tipo. Um estudo do Banco Mundial mostrou que o fator individual mais importante para a adequada gestão de uma área protegida é a presença de pessoal no campo, uniformizado e treinado. Para estimular o ingresso de moradores da região, fizemos nosso concurso por unidade de conservação, o que provou ser uma decisão acertada — comenta Ilha, prevendo uma revolução na gestão de parques e reservas estaduais.

De acordo com o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, a atuação desses profissionais será fundamental para que o estado atinja a meta de quadruplicar o número de visitantes dos parques estaduais nos próximos quatro anos:

— Não basta criar parque no papel. Precisamos ter equipamentos, segurança e orientação aos visitantes. A meta é passar de 250 mil para um milhão de visitantes em quatro anos. O guarda-parque não anda armado. A principal função dele é garantir o bom uso do parque.

Para driblar eventuais retrocessos do projeto, em função do baixo salário, o Inea aposta em gratificações por metas. Se as metas forem cumpridas, cada guarda-parque levará para casa R$ 4 mil a mais por ano.

(webremix.info)


Escocesa que inspirou Isadora Faber fala sobre ativismo e internet

RIO - “Crianças alimentadas aprendem mais.” Parece óbvio, mas não é. A estudante escocesa Martha Payne, de apenas 10 anos, precisou postar na internet fotos das refeições servidas na escola onde estuda para que o cardápio fosse melhorado. Afinal, como ela diz, às vezes, os adultos precisam ser lembrados sobre suas obrigações.

O blog NeverSeconds, onde ela começou a publicar as imagens em abril do ano passado, já soma mais de nove milhões de acessos. Tanto sucesso fez com que Martha ganhasse prêmios e tivesse seu trabalho reconhecido por personalidades, como o renomado chef e apresentador de TV britânico Jamie Oliver. A menina também acaba de ganhar um livro sobre a sua história.

Além de conseguir que frituras e pizzas dessem lugar a saladas e frutas na escola, Martha ampliou o alcance de sua iniciativa por meio de uma campanha internacional para arrecadar dinheiro para crianças que não têm o que comer. Ela já reuniu 130 mil libras (R$ 399 mil) em doações e parte dessa verba foi doada ao Malauí, por meio de uma instituição de caridade chamada Mary’s Meals. A própria Martha também visitou o país da África Oriental, onde participou de trabalhos voluntários ligados à educação.

A atitude da garota também ecoou pelo mundo inteiro, inspirando crianças e jovens. É o caso da brasileira Isadora Faber, de 13 anos, que criou o “Diário de classe”, no Facebook, onde mostra os problemas de sua escola em Florianópolis.

O GLOBO: Seu blog é um grande sucesso, desde a criação, em abril do ano passado. Como anda audiência atualmente?

MARTHA PAYNE: Sempre escrevo no blog porque gosto disso. Não tenho me mantido a par do volume de leitores, porque os números são tão grandes que me deixam nervosa.

O que a motivou a ter o blog?

Tive que escrever como jornalista para um trabalho da escola e perguntei ao meu pai se poderia escrever todos os dias. Ele sugeriu que fizesse um blog e escolhi falar sobre as refeições de minha escola, porque não estava muito feliz com o que vinha sendo servido.

Desde que você começou as postagens, o que mudou na sua escola e na sua vida?

As refeições da minha escola melhoraram e passamos a ter mais saladas, como queríamos, além de frutas e sobremesas. Meus amigos continuam os mesmos, ainda que eu tenha passado a dedicar mais tempo a ajudar outras pessoas. Também estou muito empolgada com o livro.

Qual a sua maior conquista desde o início do blog?

Ter ajudado tantas crianças, através da Mary’s Meals, com as 130 mil libras que já levantamos. Também recebi alguns prêmios que são brilhantes, especialmente o Prêmio de Direitos Humanos, apresentado pelo ator Rowan Atkinson, o Mr. Bean.

E quais foram as maiores dificuldades?

Houve um pouco de bullying na escola, e meu blog chegou a ser banido, o que achei injusto, mas sou grata pela ajuda de todos que se engajaram pela volta da página.

Quando você começou, imaginava que teria esse sucesso?

Pensava que só meus avós e tios iriam ler o blog. Na minha cabeça, ainda escrevo para eles, mesmo que muita gente leia.

Como você começou a ter interesse em ajudar outras pessoas por meio da caridade?

Meu avô é voluntário da Mary’s Meals, e eu já havia levantado dinheiro para a entidade vendendo sabonetes junto com meus amigos. Quando alguém comentou no meu blog que eu era uma garota de sorte por ter o que comer, decidi escrever sobre a Mary’s Meals.

Você conhece o caso da brasileira Isadora Faber, que denuncia problemas na escola dela inspirada no seu caso? O que você acha do trabalho dela?

Nós trocamos mensagens em vídeo. Estou feliz por ela estar escrevendo. Nossos professores nos ensinam a partilhar nossos pensamentos em sala de aula e, depois, se surpreendem quando fazemos isso fora da classe também.

Você pretende continuar lutando por uma educação melhor no futuro?

Com certeza! Acho que os adultos, às vezes, se esquecem do que é certo e dos direitos das pessoas. Precisamos continuar a lembrá-los sobre isto. As fotos de minhas refeições não poderiam ser ignoradas. Talvez, compartilhar fotos seja um caminho.

Por que a educação é tão importante para você?

Nada pode mudar se você não compreende o mundo. Andei quilômetros até o Malauí porque percebi que as crianças estavam muito ansiosas por aprender.

E por que a comida é tão importante também?

Você precisa de energia para aprender e crescer. Muitas crianças não têm comida ou educação suficientes. Crianças bem alimentadas aprendem mais.

O que você recomenda a outros jovens que queiram fazer algo pela educação, como você?

Seja honesto e não tenha medo de contar suas histórias. Se estiver nervoso, imagine que está escrevendo apenas para a sua família.

Quais são seus planos para o futuro? Já sabe qual profissão gostaria de ter?

Acho que gostaria de ser jornalista quando crescer ou talvez uma corredora ou até mesmo os dois!

(webremix.info)


Microsoft: Brasil ? mercado-chave para ind?stria de TI

RIO - A Microsoft enxerga o Brasil como um dos mais importantes mercados estratégicos no mundo em tecnologia da informação e, além dos R$ 200 milhões que já investiu este ano num centro de pesquisa e desenvolvimento e num de seus Laboratórios de Tecnologia Avançada no Rio, já empenhou aproximadamente R$ 170 milhões nos últimos anos em projetos de educação e fomento a start-ups no país — que vão continuar a acontecer. É o que afirma o presidente da empresa no Brasil, Michel Levy, em entrevista ao GLOBO.

— O Brasil é com certeza um dos dez mercados-chave no mundo para a Microsoft. — afirma Levy. — E, entre os Brics, se Índia e China contam com mercados maiores até por conta do tamanho de suas populações maiores, o Brasil compensa isso com a vitalidade de seu mercado, e por isso lidera.

Para o executivo, há na verdade dois Brasis a considerar: o maduro e o emergente. O Brasil maduro se traduziria nos indicadores do World Economic Forum quanto à pujança do mercado financeiro e à sofisticação dos grandes ambientes de negócios. Mas, diz Levy, ainda há uma miríade de pequenas e médias empresas em regiões emergentes que se encontram numa fase anterior de desenvolvimento.

— A utilização da tecnologia no país avança cada vez mais, e não por acaso estamos com um grupo desenvolvendo mais profundamente aqui os recursos de nossas ferramentas de busca Bing, bem como nossos sistemas de relacionamento com o cliente (CRM) e gestão corporativa (ERP), que compõem a plataforma Microsoft Dynamics — diz.

Levy não revela quanto a Microsoft vem crescendo no país, mas diz que é acima da média do mercado, a uma taxa anual de dois dígitos. Reconhece que o gargalo principal para as empresas é o custo de operar no Brasil, com mão de obra cara e outros fatores.

— Mas o governo vem tomando medidas para tornar o país mais competitivo. Não por acaso estamos presentes em 13 cidades brasileiras.

O executivo — que estará no Rio na semana que vem para o Fórum de Líderes Governamentais, o qual discutirá no âmbito da América Latina e Caribe temas que vão desde inovação até inclusão das mulheres no mercado de trabalho — reconhece que a Microsoft passou por uma profunda reformulação com o advento da internet móvel e da nuvem web, que se alastra mundo afora.

— Nossas plataformas agora são planejadas para funcionar da mesma forma numa ampla gama de dispositivos, de computadores a tablets e smartphones — diz.

Embora a Microsoft tenha tomado um caminho próprio ao fabricar ela mesma o tablet Surface, Levy afirma que suas relações com gigantes de hardware como Intel e afins não foi abalada e continua como antes. Aliás, por falar em Surface, o tablet continua sem data para chegar ao país.

— Mais que uma mudança tecnológica, a mobilidade representa uma grande mudança de hábitos em nossas vidas — admite ele. — É algo inexorável.

A Microsoft está reformando o antigo prédio da CEG onde funcionará seu laboratório e centro de pesquisa. Uma parte do projeto, dedicada à seleção de start-ups para incentivo, já está funcionando, enquanto o laboratório deve ser ativado no segundo semestre, após a conclusão da reforma.

— Nosso investimento no país é contínuo, com programas permanentes de estímulos a start-ups que contam 3 mil empresas, e o Partners in Learning, projeto de capacitação tecnológica de professores e alunos em escolas públicas. Mais de meio milhão de estudantes no país já participaram dessa iniciativa.

Recentemente, a empresa inscreveu em seu programa de fomento educativo e tecnológico Innovative Schools World Tour o Colégio Estadual José Leite Lopes/NAVE (Núcleo Avançado em Educação), na Tijuca, projeto da Oi e do Oi Futuro em parceria com o governo do estado e outras entidades como a PUC-Rio e o C.E.S.A.R. (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife). Mundialmente, a empresa de software desembolsa US$ 9,5 bilhões por ano em pesquisa em desenvolvimento.

(webremix.info)


O funk carioca revisita suas ra?zes

RIO - Expoente de um gênero musical criado no Rio a partir de vertentes do hip-hop americano dos anos 1980 (mais notadamente, o chamado Miami bass, da Flórida), o cantor Buchecha se viu recentemente diante de uma oportunidade imperdível para fechar um círculo: convidado pelo bombado rapper Flo Rida a criar uma canção que pudessem gravar juntos, para lançar no mercado brasileiro, ele veio com “Baile em Miami” (“Night em Miami/ baile na favela/ na favela/ doida, eu vou pegar você”). Uma espécie de ajuste de contas do funk com seu passado americano, num momento em que o diálogo doestilo carioca com o hip-hop e a dance music da matriz nunca foi tão fervilhante.

Grande estrela a surgir do funk nos últimos anos (e responsável por uma nova invasão do gênero, mesmo que em uma versão mais pop, nas rádios Brasil afora), o cantor Naldo tem, entre os seus estouros, a música “Se joga”, gravada ano passado em Miami com o rapper americano Fat Joe. Mais novo amigo do astro do cinema e do hip-hop Will Smith (que encontrou no Rio, durante o carnaval), há algumas semanas o carioca voltou aos EUA para gravar faixas com o produtor Timbaland (de Justin Timberlake, Madonna, Beyoncé, entre outros) e agora se prepara para registrar em videoclipe, na Flórida, com Fat Joe, uma nova versão do seu onipresente hit “Amor de chocolate”.

— Tenho essa meta de ir a outros lugares, mas à vera mesmo. Entrar em Miami, mas também Los Angeles, Nova York. Essa é a minha correria — diz o cantor, por telefone.

A onda de Naldo é seguida por outro nome de grande sucesso recente do funk carioca, o MC Koringa, que emplacou músicas nas novelas “Fina estampa” e “Avenida Brasil”, e que agora tem “Dança sensual” em “Salve Jorge”. Nos próximos dias, ele grava uma participação na faixa “Brazilian funk”, do angolano Paul G., rapper que vem ganhando destaque no mercado internacional com “Bang it all”, dividida com um astro mundial do hip-hop, o senegalês Akon.

— O pessoal de fora está vendo que o funk não é só mais montagem e palavrão, hoje em dia ele tem letra e melodia — diz o empresário e mentor de Koringa, o DJ Alex Bolinha. — Não estamos lutando para o Koringa ser mais um nos Estados Unidos. A ideia é começar a ganhar expressão na África, na Ásia e na Europa, para aí, sim, chegar com força ao mercado americano.

— O Rio não é mais uma novidade para os artistas do hip-hop americano — informa Sany Pitbull, um dos DJs mais ativos do funk carioca, no Brasil e no exterior, lembrando que artistas do Miami bass e do freestyle, como Trinere, MC A.D.E. e Stevie B, se apresentaram nos bailes funk da cidade nos anos 1990. — Mas agora que o Brasil está na moda, eles querem dialogar.

DJ compara Anitta a Beyoncé

Foi Sany, por sinal, quem fez a ponte para que o midas do rap americano Kanye West encontrasse, no carnaval, em seu estúdio no Méier, o DJ Batutinha, ou Renato Azevedo, profissional com 18 anos de experiência no funk, produtor de grandes sucessos de Naldo e de outros MCs, e que agora está cuidando de MC Anitta, que ele define como “a Beyoncé, caso ela tivesse nascido aqui no Rio de Janeiro”.

— O Kanye West quis ouvir a essência do que está acontecendo hoje, o que faz mexer o cara da comunidade. Passei para ele muito material bruto do funk, mostrei como se montavam as músicas — diz Batutinha, que, desde então, vem trocando e-mails com Kanye e seus produtores. — Os americanos ainda vão olhar o funk com atenção. Ele tem uma resposta muito rápida dos ouvintes e dançarinos, é isso que eles querem.

— Quando o Miami bass chegou aqui ao Rio, ele era uma batida única. Nós colocamos nele o jeitinho brasileiro, falando da menina bonita da comunidade — conta Buchecha, MC que, ao lado do falecido parceiro Claudinho, ajudou a fazer, ainda nos anos 1990, com que o funk fosse aceito nas emissoras de música pop e cruzasse as fronteiras do país. — Agora é legal ver a sua aceitação nas novelas e nos filmes e a volta à sua origem, que é Miami. Faz parte da evolução.

— Foi legal quando o Mr. Catra se juntou ao Lil Jon (em 2010, o funkeiro carioca e o rapper de Atlanta gravaram juntos, no Rio, a música “Machuka”), o problema é que não houve uma sequência — avalia Naldo, que acha o caminho até as paradas gringas longo, mas viável.

— Ainda não dá para competir de igual para igual porque temos poucos produtores qualificados, a educação musical em nosso país é falha — opina Batutinha, que, mesmo assim, não esmorece, e põe todas as fichas em Naldo. — Eu falei para ele: Alguém tem que me dar um Grammy, e esse alguém é você!

(webremix.info)


Aumenta d?ficit de financiamento em educa??o para pa?ses de baixa renda, segundo Unesco

BRASÍLIA – Com a queda da ajuda externa, os países de baixa renda aumentaram o déficit de financiamento em educação nos últimos três anos. Dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), revelam que é necessária ajuda externa de US$ 26 bilhões anuais para que esses países universalizem a educação fundamental, até o ano de 2015. O valor aumentou. Em 2010, os cálculos apontavam que ainda que os governo priorizassem a educação, faltariam US$ 16 bilhões anuais para que toda criança tivesse pelo menos seis anos de formação inicial.

Os números constam no relatório Tornar a Educação Acessível até 2015 e no Período Posterior (Making Education for All Affordable by 2015 and Beyond). A meta de universalização até 2015 é um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, firmados na Cúpula do Milênio, em 2000 e assinados por 189 países, entre eles o Brasil.

Segundo a Unesco, são necessários ao todo US$ 53 bilhões anuais para o ensino fundamental, mas apenas a metade disso é investida no setor. Incluindo-se o ensino médio, o financiamento necessário aumenta para US$ 77 bilhões anuais, o que aumenta o déficit de financiamento para US$ 38 bilhões anuais.

A menos de mil dias do prazo final da meta, a coordenadora de Educação da Unesco no Brasil, Rebeca Otero, disse que a meta não conseguirá ser finalizada, mas que nesse período, muitas lições foram aprendidas:

— Ainda temos muitas crianças fora das escolas, muitos jovens e adultos analfabetos, ambientes escolares inadequados, etc. Mas, aprendemos que a formação dos professores é central para o aprendizado e que o nível de conhecimento desses profissionais é fundamental para a qualidade do ensino.

No último relatório de acompanhamento das metas, de 2012, consta que 112 países teriam que formar mais 5,4 milhões de docentes para o ensino primário, destes, 2 milhões seriam postos adicionais e 3,4 milhões para substituir os professores aposentados ou que deixam a profissão. Mais de 2 milhões de vagas deficitárias se concentram nos países da África Subsariana.

O Brasil aparece nos relatórios como um país que apresenta avanços no setor educacional, embora ainda enfrente dificuldades no setor. A Unesco propõe, inclusive, que o país aumente as contribuições externas e estipule objetivos mais ambiciosos de investimento nas economias de baixa renda para depois de 2015. O Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) investem atualmente US$ 163 milhões anuais na educação básica de países com dificuldade de financiamento do setor.

A Unesco propõe também que 5% do imposto sobre as transações financeiras internacionais da União Europeia (UE) sejam destinados à educação. A medida agregaria ao setor US$ 2,4 bilhões. Além disso, o documento sugere que o setor privado poderia aumentar o repasse, uma vez que “a contribuição ao ensino fundamental em países em desenvolvimento continua sendo mínima”.

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SP e EUA criam grupo para desenvolver projetos

O governo de São Paulo fechou uma parceria para criar um Grupo de Trabalho (GT) bilateral São Paulo-Estados Unidos, com o objetivo de desenvolver projetos e programas de cooperação nas áreas de Educação; Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação; Segurança e Justiça; Comércio e Investimento e Cooperação bilateral com a África. (webremix.info)


V?deos do TEDxUFF est?o dispon?veis on-line

RIO – Educadores e interessados podem a partir dessa sexta-feira acessar o acervo completo dos vídeos do evento TEDxUFF.

— Qualquer pessoa pode ter acesso total aos 12 vídeos do TEDxUFF para revê-los, quer como suporte em suas aulas, quer para provocar debates e reflexão. Convidamos todos a usar esta ferramenta e disseminá-la — diz Ana Luiza Monteiro Alves, integrante da equipe TEDxUFF.

Os vídeos do TEDxUFF podem ser assistidos por meio dos seguintes links:

http://tedxtalks.ted.com/search/?search=tedxuff

http://www.tedxuff.uff.br/videos.html

O evento, realizado no dia 3 de agosto de 2012 no Auditório da Ampla, em Niterói (RJ), teve como objetivo discutir desafios e novos caminhos para a Educação no Brasil, problematizando-a sobre as diversas perspectivas de interesses sociais. Nesse sentido, o primeiro TEDxUFF foi uma reunião de mestres, acadêmicos, artistas e cientistas em que os participantes puderam mostrar soluções criativas para velhos problemas, abordando a diversidade, em todos os aspectos da palavra relativos ao tema.

— Educação hoje é o grande desafio do Brasil. E uma vez mais se confirma a total falta de coragem dos governantes e da própria composição política do país. Todo mundo usa educação como retórica. Mas na hora da virada, como Japão, Coreia e África do Sul fizeram, falta coragem — explicou no evento Júlio Cesar de Tavares, fundador do Laboratório de Etnografia e Estudos em Comunicação, Cultura e Cognição (LEECCC) da UFF e organizador do TEDxUFF. — É necessário nos transpormos à educação regular e colocarmos na ordem do dia estes temas que estão presentes em toda a estrutura social mundial. A Universidade Federal Fluminense se coloca à frente desta discussão trazendo a sociedade civil e as instituições públicas e privadas para construir uma nova educação.

O modelo TED (Technology, Entertainment and Design) surgiu na Califórnia em 1984, e prevê palestras de 18 minutos que ficam disponíveis gratuitamente no site oficial , já tendo contado com palestrantes de peso como Bill Gates, Al Gore, Isabel Allende e Gordon Brown entre muitos outros. O modelo prevê eventos independentes no mesmo formato, os TEDx. O da UFF será um desses. O primeiro no Brasil foi o TEDxSãoPaulo, em 2009. Depois dele, quase 100 aconteceram aqui no país.

Tavares, com o apoio de nove pessoas do LEECCC, conseguiu montar o evento inteiro com todos participando como voluntários.

— Os recursos da Ampla, patrocinador do TEDxUFF, foram direto para os fornecedores do evento — contou Tavares, que produziu o evento com apoio da Fundação Roberto Marinho, da FEC (Fundação Euclides da Cunha), do Programa de Pós-graduação da UFF, da Agência de Inovação/PROPPI-UFF, da WebTV/UFF e da Fundação Getúlio Vargas.

O organizador explicou que, além da importância do evento, ele também já está servindo para disseminar a ferramenta. Segundo ele, a grande maioria dos acadêmicos antes desconhecia o modelo TEDxUFF e vários professores já estão se organizando para reproduzir a fórmula em suas próprias universidades pelo Brasil afora.

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Pnud: ?Nova classe média? é fenômeno mundial

RIO – Se o Brasil está se transformando em um país de classe média — como afirmou a presidente Dilma Rousseff recentemente no Rio —, ele não está sozinho. Dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) divulgados nesta quinta-feira mostram que, neste quesito, estamos ao lado de China, Índia, África do Sul, Turquia, Bangladesh, Chile, Gana, Ilhas Maurício, Ruanda, Tunísia, entre outros. Segundo o Pnud, entre 1990 e 2010, a classe média que vive nos chamados países do Sul (a forma como o Pnud se refere às nações emergentes) passou de 26% a 58% do total desse grupo no mundo. Até 2030, 80% desse segmento social deverão viver nesses países e responder por 70% do consumo do mundo.

O professor Jessé José Freire de Souza, diretor do Centro de Pesquisa sobre Desigualdade da Universidade Federal de Juiz de Fora, diz que é “irresponsável” chamar de classe média esses novos consumidores. Ele, porém, concorda que esse ganho de poder aquisitivo é, sim, um fenômeno que vem ocorrendo em vários países emergentes:

— O que tem surgido é uma nova classe trabalhadora precarizada, que vai ser utilizada nas áreas de serviço, comércio e pequenas indústrias do Brasil e dos países emergentes do mundo inteiro. Por que neles? Porque você não convence um francês ou um alemão que trabalha sete horas por dia de que ele terá que trabalhar 14 horas, como está ocorrendo com essas pessoas que não tinham nada e estão se incluindo no consumo, com dois, três empregos e bicos. Mas isso não tem nada a ver com ser classe média.

Celia Lessa Kerstenetzky, diretora do Centro de Estudos sobre Desigualdade e Desenvolvimento da Universidade Federal Fluminense, identifica um movimento de inclusão por meio do consumo, relacionado ao crescimento econômico mais rápido em vários desses países:

— O que se observa com clareza é uma evolução dos rendimentos dos estratos inferiores de renda; um maior acesso a bens de consumo — diz Celia. — Mas em muitos casos o mercado de trabalho é precário, a proteção social é incipiente e o acesso a serviços sociais essenciais é muito limitado. Acho equivocado falarmos em classe média no sentido sociológico do termo. Além disso, tem havido um aumento das desigualdades em muitos desses países.

Falta formação cultural e social

Segundo Celia, a situação é melhor em países onde o padrão de crescimento é redistributivo, como no Brasil, onde a renda das parcelas mais pobres da população cresceu mais rapidamente do que a das camadas com ganhos mais elevados:

— Mas, de novo, falar em classe média é um exagero. Pesquisa que fiz revela padrões de consumo muito deficientes entre as famílias consideradas da classe média brasileira: moradias inadequadas, baixa escolaridade dos chefes de família, perspectivas desalentadoras para as crianças e jovens. Mobilidade social e redução das desigualdades não se fazem apenas com ganhos de renda — alerta a pesquisadora.

Para Jessé Souza, no Brasil, além do crescimento, houve impacto positivo do programa Bolsa Família, que acabou criando um ciclo virtuoso, ao injetar dinheiro numa faixa muito pobre da população, e um efeito cascata positivo, a seu ver, inesperado até para os criadores do programa:

— Mas, além do capital econômico, é necessária uma formação de capital cultural e social. Então, é uma mentira de fio a pavio dizer que essas pessoas (beneficiadas por programas sociais ou incluídas pelo consumo) são de classe média no Brasil. É mentira do Banco Mundial, do FMI (Fundo Monetário Internacional). E por que essa mentira precisa ser contada? Isso tem a ver com oportunismos políticos: pode trazer vantagens como ocorreu no Brasil nos últimos dez anos.

Especialista em economia internacional, Luiz Carlos Prado, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, chama a atenção para o peso que países como China e Índia têm na classe média dos países do Sul:

— É preciso estar atento, porque um crescimento na classe média da China, que tem 1,4 bilhão de habitantes, já provoca um aumento enorme na fatia desse grupo, já que o país tem 20% da população do planeta. O Brasil tem um peso, mas é bem menor — afirma.

O Pnud mostra que até 2030, a região da Ásia-Pacífico acolherá cerca de dois terços da classe média mundial; as Américas Central e do Sul, cerca de 10%; e a África Subsariana, 2%.

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Na Nig?ria, Dilma negocia parcerias na ?rea de energia

ABUJA, NIGÉRIA - Na segunda etapa de sua viagem à África, a presidente Dilma Rousseff se reuniu na manhã deste sábado com o presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, e tratou de futuras parcerias entre os dois países na área de energia. Segundo Dilma, o Brasil deverá repassar a experiência na produção e distribuição de hidroenergia para a Nigéria, que tem problemas nessa área. Na capital, são comuns os cortes no fornecimento de energia.

A presidente destacou a importância da cooperação entre os países em desenvolvimento, neste momento de crise mundial, que atinge especialmente as economias da Europa e dos Estados Unidos.

— Temos um papel a cumprir no século 21. Enquanto a crise econômica atinge os países desenvolvidos e diminui o comércio nessa direção, nós devemos estreitar nossas relações, nosso comércio e acelerar nosso investimentos. Sem dúvida, a Nigéria é parte relevante na história do Brasil e será parte do nosso futuro — disse a presidente, que também esteve na Guiné Equatorial, para a reunião de líderes de países da América do Sul e da África (ASA).

A Nigéria, de onde partiu boa parte dos escravos brasileiros, é a terceira maior economia da África, atrás somente do Egito e da África do Sul, e o principal parceiro comercial do Brasil neste continente. As transações entre os dois países, no ano passado, bateram em US$ 9 bilhões, na áreas de petróleo, combustíveis, açúcar e cereais. O Brasil tem déficit comercial, por causa das importações de petróleo.

A Petrobras atua no país há 14 anos e, segundo Dilma, deverá ampliar sua presença na Nigéria. O Brasil deverá oferecer ao país africano parcerias para desenvolver a agricultura, por meio da Embrapa, que já desenvolve métodos de cultivo no cerrado que poderão ser usados no país, além da comercialização de máquinas e equipamentos agrícolas e formação de técnicos e agrônomos. Cooperação também na produção de antirretrovirais e remédios genéricos.

— Vamos apoiar os esforços do governo nigeriano na saúde pública — disse a presidente.

Dilma disse que a viagem à África foi estratégica e demonstrou o interesse geral na presença do Brasil naquele continente. Além da reunião da ASA e da visita de Estado à Nigéria, ela se reuniu com os colegas africanos do Benin, Thomas Yayi Boni; do Senegal, Macky Sall; da Costa do Marfim, Alassani Outtara; de São Tomé e Príncipe; Manuel Pinho da Costa; e do Burundi, Pierre Mkurumziza.

— A cooperação Sul-Sul significa que temos de respeitar a outra parte. Não temos de impor nenhuma outra condicionalidade, depois que se faz a parceria. O Brasil é olhado de forma amigável. Não somos vistos como um país que impõe, dono da verdade, de nariz em pé. Queremos parcerias em condições de igualdade — afirmou.

A presidente estava particularmente descontraída ao lado do presidente nigeriano e até falou de futebol, provocada pelo colega africano. Dilma disse que foi muito bem recebida pelos nigerianos e que os brasileiros retribuirão a gentileza em junho, ao receber a seleção da Nigéria, campeão africana, para a Copa das Confederações.

— O futebol é uma coisa que nos aproxima — afirmou Jonathan, que elogiou a presidente, dizendo que Dilma é alguém em quem se pode confiar.

Dilma se admirou com o poder feminino no governo nigeriano, especialmente com uma mulher no Ministério das Finanças. Outras três ocupam as pastas de Petróleo, Educação e Aviação. Após a declaração à imprensa ao lado de Jonathan, a presidente quebrou o protocolo para falar rapidamente com a imprensa, mas evitou responder a perguntas sobre a economia brasileira.

— Acalmem-se, meninas — disse a presidente, enquanto pipocavam perguntas sobre inflação e medidas econômicas.

E seguiu para o almoço oferecido pelo presidente nigeriano.

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Em viagem pela ?frica, Dilma vai visitar a Nig?ria neste s?bado (webremix.info)


Dilma segue da Guin? Equatorial para a Nig?ria

Depois de participar hoje (22) da 3ª Cúpula dos Chefes de Estado e de Governo da América do Sul e África (ASA), na Guiné Equatorial, a presidenta Dilma Rousseff visita amanhã (23) a Nigéria. Em Abuja, Dilma tem reunião com o presidente nigeriano, Goodluck Jonathan. A ideia é incrementar as parcerias nas áreas agrícola, energética, comercial e de defesa. Brasil e Nigéria mantêm projetos de cooperação em agricultura, formação profissional e educação.

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Dilma chega ? Guin? Equatorial para participar de c?pula de pa?ses da Am?rica do Sul e ?frica

MALABO - A presidente Dilma Rousseff chegou à Guiné Equatorial pouco depois da meia-noite (horário local) para a cúpula de países da América do Sul e África nesta sexta-feira. Com o dedão do pé quebrado, a presidente usava um croc preto e um sapato preto. Ela queixou-se de dor no pé e disse que será necessária mais uma semana para ficar bem.

- Vou subir logo, porque está doendo - disse, na chegada ao hotel.

A presidente afirmou que não usava repelente, porque ficou pouco tempo exposta no trajeto do carro que a levou até o hotel. Malabo é uma região endêmica de malária. A capital da Guiné Equatorial está quatro horas à frente do horário de Brasília.

Vieram com a presidente, os ministros Aloizio Mercadante (Educação) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento) e a ministra Helena Chagas (Secretaria de Comunicação Social). Da Guiné Equatorial, Dilma segue para a Nigéria, onde fará uma visita oficial neste sábado.

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Destino: Brasil

Resolver o problema da carência de médicos, especialmente em regiões distantes e com menor densidade populacional, é uma prioridade do governo federal que está saindo do papel. Recentemente, os ministérios da Saúde e da Educação ampliaram as vagas para os cursos de medicina e estabeleceram estímulos ao trabalho de recém-formados em determinados municípios. São medidas polêmicas. Puxam o fio da meada do planejamento da oferta de médicos e preveem a intensificação de responsabilidades governamentais. Entretanto, não respondem às expectativas da criação de carreiras adequadamente remuneradas, nem aos requerimentos sobre a qualidade da formação e atualização dos médicos. O mero aumento do número de egressos e a instituição de programas de estágios em zonas carentes, num país que tem uma perversa distribuição de recursos assistenciais, sem contrapesos à tendência de concentração, podem redundar no inchaço de médicos nos grandes centros urbanos. Certo mesmo é que ambos os esforços não respondem às demandas imediatas de saúde da população e às promessas eleitorais de muitos prefeitos recém-empossados. Essas iniciativas não empolgam quem está à frente de mandatos com prazos definidos.

O que arrasa na pista é o anúncio da política de importação de médicos. A justificativa para estimular a imigração é a perene dificuldade em atrair médicos brasileiros para trabalhar em áreas consideradas pouco acessíveis ou inóspitas, combinada com os relatos de viagens de técnicos a países desenvolvidos e alguns da América do Sul que contam com profissionais de saúde estrangeiros. Além disso, trazer médicos de fora para atender quem está desassistido não afeta os interesses das empresas privadas nem de seus clientes satisfeitos, evitando mais uma vez o confronto entre a expansão e alocação dos recursos existentes sob a lógica das necessidades de saúde, e não dos maiores lucros.

Pelo que se ouve dizer, a política brasileira para importar médicos vai misturar chiclete com banana. Países ricos com elevada proporção de médicos estrangeiros (como EUA, 25%, e 40% no Norte do Canadá) mantêm rigorosíssimos exames e programas de treinamento para o denominado International Medical Degree — direcionados inclusive aos seus cidadãos diplomados em outros países. Nesses países, os profissionais de saúde são submetidos às leis de migração, como qualquer outro trabalhador. A experiência da Venezuela é bem diferente. Lá a importação de médicos cubanos em 2003, mediante um convênio intermediado pelo Colégio Médico de Caracas no Município Libertador. Atualmente, a permanência de cerca de 32 mil profissionais de saúde, entre os quais aproximadamente 20 mil médicos (que se dedicam a atender os segmentos populacionais não cobertos pelos seguros sociais e sem poder de pagamento por assistência privada), é mantida pelo envio de petróleo venezuelano para Cuba e pagamento de uma remuneração inferior à dos nativos. No Brasil, os incentivos à vinda de estrangeiros combinariam uma política migratória seletiva para médicos de todas as nacionalidades, com a isenção de submissão prévia dos imigrantes aos testes de revalidação de seus diplomas. Os idealizadores da política apostam que os valores pagos aos médicos tornarão o país atrativo não apenas para cubanos, bolivianos, mas também para espanhóis e portugueses, cujos empregos estão sendo erodidos pela crise econômica mundial.

A praticidade da solução, especialmente a rapidez de sua implementação por meio de medida provisória, passando por cima do poder de controle da profissão das entidades médicas, é inegável. A esperada redenção do atraso de imensos territórios brasileiros às benesses da medicina moderna tende a abafar questionamentos sobre a adequação da solução ao problema. Qualquer dúvida sobre os métodos de desenho e aprovação do programa de imigração ou insistência em exigir garantias de permanência sustentada de médicos é vista como uma barreira à passagem do progresso. Porém, nem tudo que se apresenta ao debate é esnobismo, preconceito e desprezo pelo destino de brasileiros sem acesso a serviços de saúde. A migração de médicos não é infalível. Dificuldades de entendimento da língua, das etiquetas nacionais para o atendimento aos pacientes, das regras formais e informais para referenciar doentes e a dependência de empregos de médicos de partidos e coalizões políticas não são detalhes.

Os médicos que migram para os países afluentes buscam melhores condições de trabalho e de vida. O fluxo é cruel; as principais fontes de trabalho dos médicos são as nações subdesenvolvidas. Os países com maiores índices de emigração situam-se na África subsaariana, Caribe e Ásia. Um em cada dez médicos na Inglaterra é de origem africana enquanto que o continente se vê às voltas com índices alarmantes de doenças. Cuba é um celeiro de médicos; muitos estão dispostos e preparados para desempenhar atividades em situações precárias. Se essas inclinações permaneceram inalteradas, não será nada tranquilo alocar médicos europeus em cidades que não disponham de redes completas de serviços de saúde. Os lugares com rarefação de médicos provavelmente chamarão para si médicos provenientes de países tão ou mais necessitados de competência assistencial do que o Brasil, tal como já ocorre nas regiões Sul e Norte. A novidade será o ingresso massivo e pela porta da frente dos cubanos, e o desafio que não poderá ser postergado é a integração dos programas governamentais.

O Brasil é diferente da Venezuela, aqui o sistema da saúde é universal e a legislação veda a organização de subsistemas para pobres. A migração de médicos já é em si um tema controverso e pode se tornar explosivo se os médicos estrangeiros e seus pacientes forem discriminados. A imigração de médicos não é uma panaceia, nem um pecado, precisa ser discutida. Prevendo os conflitos de interesse, a Constituição de 1988 dispôs que as políticas de saúde fossem formuladas e aprovadas por instâncias como as conferências e conselhos de saúde. O Conselho Nacional de Saúde, presidido por Maria do Socorro de Souza, representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura, no qual participam médicos, empresários e usuários, entre os quais indígenas e populações ribeirinhas, é uma instância representativa, adequada ao exame de divergências, construção de consensos pelo diálogo e imune à simplificação do jogo democrático à relação entre eleitores e eleitos de apenas um mandato.

Ligia Bahia é professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro

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Brasil assina acordo para enviar pesquisadores ? Europa

BRASÍLIA - O Brasil vai enviar 100 doutores e pós-doutores aos principais centros de pesquisa da União Europeia, pelo Programa Ciência Sem Fronteiras, adiantou o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério de Ciência e Tecnologia, Carlos Nobre.

O acordo, que será assinado nesta quinta-feira (24), prevê intercâmbio entre profissionais brasileiros e europeus, além de realização de seminários. A presidente Dilma Rousseff e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, estão reunidos na 6ª Cúpula Brasil-União Europeia (UE), que ocorre nesta quinta, no Palácio do Planalto.

Segundo Nobre, os centros ficam em países como Bélgica, Alemanha, Holanda, Espanha, Itália, entre outros. Eles promovem estudos avançados em áreas de interesse do governo brasileiro, como prevenção a desastres naturais e crises, mudanças climáticas e gestão sustentável de recursos naturais, energia e nanotecnologia.

Também estão sendo discutidos temas como a crise financeira internacional, o G20 (grupo das 20 maiores economias no mundo) e questões de segurança internacional no Oriente Médio e na África – que enfrentam crises específicas, como no Mali (África) e na Síria (África).

Participam do encontro Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu (órgão político do bloco) e o comissário do Comércio, Karel de Gucht, além de ministros brasileiros de várias áreas, como Antonio Patriota (Relações Exteriores).

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Dilma se re?ne com l?deres da Uni?o Europeia no Pal?cio do Planalto

BRASÍLIA — Pela sexta vez, as autoridades do Brasil e da União Europeia se reúnem para discutir temas específicos envolvendo as duas regiões. Estarão em debate temas como a crise financeira internacional, o G20 (grupo das 20 maiores economias no mundo) e questões de segurança internacional no Oriente Médio e na África – que enfrentam crises específicas, como no Mali e na Síria. O encontro ocorrerá nesta quinta-feira, no Palácio do Planalto.

Serão duas etapas de reuniões: na primeira, a presidenta Dilma Rousseff conversa com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e o presidente do Conselho Europeu (órgão político do bloco), Herman Van Rompuy. Na segunda, os três se reúnem com os ministros brasileiros e as autoridades europeias. Os encontros vão se subdividir em assuntos multilaterais, regionais e específicos.

Dilma deve aproveitar a ocasião para defender a ampliação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Para o Brasil, é fundamental aumentar o número de assentos – atualmente são 15, dez rotativos e cinco fixos. O pleito brasileiro conta com o apoio da França e do Reino Unido.

A presidente deve mencionar ainda a necessidade de estimular as ações baseadas no desenvolvimento sustentável e na inclusão social. Também vão ser tratados acordos de cooperação em ciência, tecnologia e inovação e em educação relativos ao programa Ciência sem Fronteiras

No fim desta semana, haverá a Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos, Caribe e União Europeia em Santiago, no Chile. A expectativa é que nessa reunião sejam tratados alguns temas que ainda enfrentam entraves nas relações entre os blocos, como o comércio de produtos agrícolas.

A parceria estratégica entre a União Europeia e o Brasil foi lançada em julho de 2007 em Lisboa, Portugal.

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Mercadante quer criar ?universidade livre? com vídeos de aulas na internet

BRASÍLIA - O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou nesta quarta-feira (16) a intenção de criar neste ano o que chamou de universidade livre no Brasil, isto é, um portal de internet com vídeos de aulas, palestras e seminários realizados em cursos de todas as áreas do conhecimento, nas 59 universidades federais brasileiras. A ideia é que universitários e a população em geral possam assistir a aulas e atividades acadêmicas, seja a título de reforço ou para complementar a formação.

Mercadante tratou do assunto antes de palestra do professor norte-americano Salman Khan, idealizador da Khan Academy, no Ministério da Educação. A Khan Academy é uma instituição sem fins lucrativos, financiada por entidades como a Fundação Bill Gates e a Fundação Lemann, que disponibiliza na internet vídeos com aulas de matemática, química, física e biologia, além de oferecer metodologia adotada por cerca de 5 mil escolas nos Estados Unidos — no Brasil, dez colégios de municípios paulistas já utilizam o sistema.

— Você poderá assistir à aula de qualquer professor, em qualquer universidade do Brasil. Você quer um tema específico, você entra lá e assiste a uma palestra. Você quer complementar o curso que você está fazendo, você pode entrar e fazer. Isso vai multiplicar a capacidade pedagógica de aprendizagem. Não substitui a universidade, não substitui a certificação, que é o diploma, que só a universidade pode dar. Mas ajuda a reforçar o processo de aprendizagem — afirmou Mercadante, ao falar sobre o projeto de criação da chamada universidade livre.

Segundo o ministro, está em estudo, neste momento, qual deve ser a plataforma tecnológica da universidade livre. O passo seguinte será a realização de pregão eletrônico para a aquisição da tecnologia escolhida. Mercadante afirmou que as universidades federais terão autonomia para decidir se participam ou não:

— Pelo que conversamos com os reitores, há uma grande simpatia pela iniciativa. Acho que ela será muito exitosa.

Khan Academy

Salman Khan, de 36 anos, contou que a Khan Academy é resultado de sua tentativa de ensinar matemática a uma prima então de 12 anos, em 2004. Naquela época, Khan trabalhava no mercado financeiro e começou a dar aulas de reforço para a prima e, depois, para diversos familiares. Para otimizar seu tempo, ele começou a gravar "aulas" e postar os vídeos na internet, no site YouTube. Cinco anos depois, Khan largou o emprego e passou a se dedicar integralmente à disseminação do conhecimento e de vídeos com aulas sobre diferentes assuntos do currículo de educação básica. Segundo ele, 6 milhões de pessoas por mês acessam a página da Khan Academy, na internet (www.khanacademy.org), em 216 países e territórios.

Khan destacou que a tecnologia permite que crianças pobres na África tenham acesso a educação com mesmo nível de qualidade que os filhos de bilionários nos Estados Unidos. Para Khan, porém, a tecnologia não substitui os professores nem o ambiente da sala de aula. Pelo contrário, afirmou ele: o ideal é que os alunos assistam aos vídeos em casa ou fora do horário de aula, dedicando o tempo em sala para interagir com o professor e os colegas:

— O ponto central é que os alunos possam aprender no próprio ritmo. Que o estudante veja (o vídeo) no seu tempo, no seu ritmo, e use a sala de aula para interação real com o o professor e os estudantes — afirmou Khan.

Indagado sobre o risco de que os estudantes não vejam os vídeos fora de aula, Khan respondeu:

— A coisa que sempre pergunto é: quando você tem alunos na sala ouvindo uma aula expositiva, como é que você sabe que estão de fato ouvindo? Muitas vezes, podem estar fingindo que estão ouvindo. Muitas vezes, se você está ensinando a um grupo de 30 estudantes, alguns estão entediados, outros perdidos.

Em 2012, a Fundação Lemann deu início a um projeto piloto em dez escolas públicas no estado de São Paulo, com 1.225 alunos dos anos iniciais de ensino fundamental. Além de assistirem aos vídeos, as crianças fazem exercícios no computador. Os professores têm acesso ao desempenho dos estudantes, identificando os pontos fracos e fortes da aprendizagem. O projeto deverá alcançar 6 mil estudantes em 2013.

A Fundação Lemann traduziu para o português 400 aulas da Khan Academy. O acervo ficará disponível para professores de ensino médio da rede pública que receberão tablets neste semestre. O ministro disse que 430 mil profissionais serão contemplados com aparelhos comprados com recursos do MEC. Os tablets terão dispositivo capaz de inutilizar o equipamento em caso de perda ou roubo.

Os vídeos traduzidos da Khan Academy poderão ser acessados também no Portal do Professor, juntamente com materiais pedagógicos e videoaulas produzidos por outras instituições.

— Queremos que isso seja mais uma opção de todos os professores, de todos os educadores. Nada substitui a relação professor-aluno. É mais uma opção que o professor tem para ver boas aulas, práticas didáticas exitosas — afirmou Mercadante. — Se o professor e a rede municipal ou estadual tiver interesse em utilizar de uma forma mais intensa, o MEC está disposto a apoiar, não só essa metodologia, essa plataforma, mas todas as outras plataformas similares que estamos construindo hoje no mundo da internet.

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Aposta na tecnologia para encontrar solu??es para a vida urbana

BARCELONA — As estimativas são da Organização das Nações Unidas (ONU). Todos os dias, cerca de 200 mil pessoas passam a morar em áreas urbanas em todo mundo. Até 2050, as cidades deverão concentrar 70% da população do planeta, índice já superado pelos países da América Latina e Caribe, regiões com maiores percentuais (80%). Tantas pessoas num mesmo lugar trazem enormes desafios, muitos deles comuns para brasileiros, mexicanos, colombianos: uma grande pressão por consumo de recursos naturais, que são finitos, e um aumento diário da demanda por serviços.

A imagem acima representa bem as consequências desse cenário. Criada pelo artista catalão Francesc Palomas, a aquarela de uma cidade superpovoada retrata um lugar com muita poluição, excesso de veículos, congestionamentos, poucas áreas verdes, produção abundante de lixo. Uma região urbana que incorporasse os preceitos de uma cidade sustentável deveria ser também mais verde e menos poluída. É um lugar mais agradável para se viver, como mostra a ilustração da próxima página, do mesmo artista.

Mas como transformar essa cidade imaginada em realidade? Apesar da crise econômica mundial que se arrasta há anos, uma série de instituições públicas e privadas, além de organizações não governamentais, têm apostado na tecnologia para encontrar soluções inovadoras no caminho do consumo racional de energia e água, gestão do trânsito, redução de CO², coleta de detritos e uso de transporte sustentável. São as chamadas cidades inteligentes.

Embora a tecnologia da informação seja uma das principais características na gestão das cidades inteligentes, especialistas, prefeitos e cientistas sociais têm defendido a necessidade de o uso dessas ferramentas promoverem ambientes colaborativos. Aparentemente simples, a proposta tem um efeito bastante significativo. Muitas soluções para os problemas locais dependem das informações que os próprios moradores têm acesso — ou podem gerar para as prefeituras — através, por exemplo, dos seus celulares.

— Cidades inteligentes não são apenas municípios dotados de infraestrutura tecnológica, mas aquelas que buscam ações coordenadas que facilitem o acesso dos cidadãos aos serviços e ao conhecimento. Sem essa preocupação, investir apenas em tecnologia pode resultar num grande gasto em equipamento, mas em pouco ou quase nenhum retorno social e econômico para a população — observa Tim Campbell, autor do livro “Além das Cidades Inteligentes” e presidente do Urban Age Institute, ONG com sede em Berkeley, nos Estados Unidos.

Com a medida que envolve a participação, Amsterdã faturou o prêmio principal do II Congresso Mundial de Cidades Inteligentes, realizado em Barcelona, em novembro. Todo o sistema de trânsito da cidade holandesa foi aberto para pedestres e motoristas, que agora podem acompanhar por seus smartphones qual é a melhor opção para se locomover no município, em especial com o uso das bicicletas. Iniciativa semelhante já existe em Barcelona, na Espanha. Lá, a população pode visualizar num mapa digital a localização exata do trem, táxi, metrô ou ônibus que deseja utilizar. Tudo por um aplicativo instalado nos celulares.

Em Águeda, Portugal, a prefeitura criou uma série de serviços pela internet e iniciou um projeto de incentivo ao uso compartilhado de bicicletas elétricas. A ideia surgiu por uma questão topográfica. O prefeito da cidade, Gil Nadais, conta que as ruas do município português são muito íngremes, o que dificulta o uso da bicicletas tradicionais:

— Com a abertura dos dados nos aproximamos da população e incentivamos o envolvimento dos moradores com os demais projetos.

Além de permitir o acesso ao sistema de trânsito, a administração de Seul tem apostado agora na troca de informações por meio digital com os moradores. O objetivo é identificar o mais rapidamente possível as demandas da população.

— O nosso modelo consiste em ter capacidade de predizer os acontecimentos que afetam a vida das pessoas; saber o que está acontecendo no exato momento; e dar respostas precisas às demandas — explica Jong Sung Hwang, assistente do governo metropolitano de Seul.

Sensores no celular

Exemplos de incentivos à colaboração acontecem também nos Estados Unidos, no México e em Israel. Em Boston, a administração local convidou a população a usar um aplicativo nos seus celulares que é capaz de monitorar o estado de conservação das ruas. O equipamento permite que as trepidações sofridas pelos carros durante o percurso gerem informações online para a prefeitura. Tudo é apresentado num mapa na internet e, depois, é disponibilizado aos moradores.

— Com essas informações sabemos rapidamente onde há problemas nos quais precisamos atuar — explica Nigel Jacob, gerente do escritório de novas tecnologias urbanas da prefeitura de Boston, nos Estados Unidos.

A administração de Haifa, em Israel, tomou uma decisão radical: zerar o uso de papéis nos processos de licença urbanística. Tudo foi digitalizado e está disponível ao cidadão. A medida foi tomada em 2008 depois que a prefeitura notou um declínio nas licenças para novas construções. O principal problema detectado era a burocracia para obter os documentos. Caso parecido ocorreu na cidade mexicana de Zapapon. A prefeitura reuniu 600 moradores e, após três meses de muito trabalho, elaborou um mapa em 3D da cartografia da cidade. Todo mundo sabe onde estão e quais são as construções irregulares, e onde é preciso haver intervenção.

Se existe ainda distância considerável entre a realidade dos grandes centros urbanos e a ideia de uma cidade de fato sustentável, iniciativas urbanísticas, associada ao uso de tecnologia, têm mostrado que é possível mudar o modo de vida em alguns lugares. Na Espanha, foi construída, em Zaragoza, uma EcoCidade, que procura seguir os princípios estabelecidos pelo Protocolo de Kioto, isto é, baixa emissão de gases poluentes e uso racional de recursos naturais.

O bairro de Valdespartera começou a ser erguido em 2002 e foi concluído seis anos depois, num antigo terreno militar. O projeto foi possível graças a uma parceria público-privada que investiu cerca de R$ 3 bilhões. Com 243 hectares e 9.687 apartamentos, a EcoCidade espanhola é toda administrada por sistemas de informação online. O Wonderware permite ao centro de controle tomar uma série de decisões como regar as áreas verdes de acordo com as condições de temperatura e a umidade relativa do ar.

O sistema de informação, que custou cerca de 0,26% do investimento total do empreendimento, permite também controlar à distância o consumo de energia e gás das residências. Desde que foi criado, o bairro de Valdespartera mantém um consumo de energia entorno de 0,06 kw/h por m², quase metade do registrado na Espanha (0,11 kw/h por m²). Além do monitoramento do uso da energia, a EcoCidade faz coleta seletiva de resíduos, que são levados diretamente para a reciclagem.

— Entendemos que a sustentabilidade urbana é baseada no conhecimento e na possibilidade de verificação dos dados em tempo real. Assim podemos tomar medidas com maior poder de precisão — explica o administrado da EcoCidade, Miguel Portero.

Embora a experiência em Valdespartera tenha chamado a atenção de urbanistas e instituições preocupadas com o futuro das cidades, Portero defende que modelos como esses sobrevivem exclusivamente se tiverem o apoio da população local:

— A ideia de cidade inteligente não deve, é claro, ser limitada à análise de dados para a tomada de decisões estratégicas. É preciso estar atento também às demandas da população para que ela sinta e perceba que há feedback do administrador. Portanto, o cidadão é o centro entorno do qual a cidade inteligente deve ser organizar.

O foco nas cidades sustentáveis pode ajudar municípios que não têm apresentado bons desempenhos no “Índice de Prosperidade das Cidades”, produzido pela agência Habitat da ONU. O indicador, que vai de 0 a 1 (quanto mais próximo de 1, melhor), sintetiza a relação entre cinco fatores considerados importantes para o desenvolvimento dos centros urbanos: infraestrutura, produtividade econômica, qualidade de vida, inclusão social e sustentabilidade ambiental. Viena, na Áustria, atingiu o maior índice (0,925), bem distante, por exemplo, de Bamako (0,491), em Mali, ou de São Paulo (0,757), única cidade do Brasil na lista da ONU.

Construções sustentáveis

Com 0,890, o quinto melhor índice do indicador, Estocolmo, na Suécia, é uma das cidades que integram o programa do governo, em parceria com a iniciativa privada. Seu nome: SymbioCity. O projeto incentiva o desenvolvimento sustentável do município a partir de uma ideia simples: fazer mais por menos.

Atualmente estão em construção cerca de 11 mil apartamentos próximo ao centro de Estocolmo, todos projetados para serem sustentáveis. Os novos imóveis vão ajudar a reduzir em 25% o consumo de água e em 40% o impacto ambiental na região. Para isso, vão receber placas solares, que produzem a energia que os moradores utilizarão. A água da chuva será captada e usada nos banheiros. O lixo será coletado por sistema de tubos e levado, depois de recolhido, diretamente para a reciclagem ou produção de combustível. Atualmente, 75% dos detritos da cidade já recebem esse tratamento.

Em Estocolmo, outros números ajudam a explicar a boa posição da cidade no indicador da ONU. Cerca 65% dos moradores utilizam o sistema de transporte ferroviário, considerado de baixa emissão de poluentes porque opera com energia renovável. No centro da cidade, todos os ônibus utilizam como combustível o etanol ou biogás. Segundo Jennifer Ekstrom, representante do projeto SymbioCity, a crise do petróleo nos anos 70, levou os suecos a discutirem alternativas de crescimento a partir de energia menos poluente.

— Entre 1996 e 2008, conseguimos reduzir em 18% a emissão de gases poluentes e, ao mesmo tempo, manter o crescimento do PIB que subiu 45% no período — afirma Jennifer.

Também pressionados pelo crescimento das suas cidades, países da América Latina e do Caribe, incluindo o México, deverão encarar o desafio de tornar seus centros urbanos mais sustentáveis num futuro próximo. Em seis décadas, a região ganhou oito megacidades, como São Paulo, Rio de Janeiro, Cidade do México e Lima. E os problemas, como trânsito, poluição, geração de detritos e altos índices de pobreza se acumulam.

A produção diária de lixo na região, por exemplo, chegou a 436 mil toneladas por dia, este ano, o que significa um aumento de 60% em relação a 1995. Naquele ano, a ONU-Habitat registrou 275 mil toneladas diárias. Por outro lado, 180 milhões de pessoas vivem em condições de pobreza (33%). Destes, 13% ainda são indigentes.

Para Tim Campbell, Phd em planejamento urbano pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) e diretor do Urban Age Institute, as políticas de combate à pobreza e geração de emprego devem caminhar juntas com a adoção de medidas que possam mitigar os problemas das grandes cidades dos países em desenvolvimento:

— A meu ver, as cidades brasileiras, assim com as da Índia e da China, iniciaram esse longo processo para se tornarem cidades inteligentes com, por exemplo, a adoção de medidas para conservar seus recursos naturais, bem como a criação de novos sistemas de trânsito. Mas nenhuma cidade pode ser considerada inteligente sem pensar na criação de empregos e na redução da pobreza. Resolver essas questões permitirá que os moradores possam usufruir das melhores tecnologias em trânsito, habitação e infraestrutura.

Usuários passivos

Diretor do Observatório da Sociedade, Governo e Tecnologias da Informação, da Universidade de Externado, na Colombia, Marco Antonio Peres Useche participa de um projeto com mais sete universidades nos Estados Unidos, Ásia e Europa com objetivo de definir o que seria uma cidade inteligente, segundo a realidade de cada região. Para ele, a América Latina e Caribe não podem ser “usuários passivos de tecnologia”:

— Acho que a discussão sobre cidades inteligentes não deve ser como é na Europa e em outros países desenvolvidos. Só tecnologia não basta. Penso que ela é menos relevante porque as cidades são espaços de seres humanos, que envolvem questões e os conflitos humanos e suas dificuldades sociais. Na América Latina e Caribe temos questões importantes para serem resolvidas, como a pobreza e a preservação dos recursos naturais.

Apesar da crítica, Useche acredita que há iniciativas importantes no Rio de Janeiro, Medellín e Bogotá que utilizam tecnologia, mas buscam associá-las às demandas locais. Para ele, o Centro de Comando e Controle (COR) inaugurado no Rio, em 2010, tem uma proposta interessante porque reúne todos os órgãos do município para a tomada de decisão. Em Medellín, o governo trabalha desde 2002 num projeto de renovação urbanística, que inclui a preservação de áreas verdes e a recuperação de áreas pobres do município, e que é apontado como uma alternativa de fazer uma cidade inteligente.

Segundo o arquiteto Jorge Pérez Jaramillo, diretor do Instituto de Estudos Metropolitanos e Regionais da Faculdade de Arquitetura da Universidade Bolivariana, com sede Medellín, as mudanças na cidade começaram após uma profunda crise vivida nos anos 90: altos índices de criminalidade, estagnação econômica, desigualdade social entre outros problemas. O saldo foi a mobilização do governo e da sociedade que passaram a discutir medidas para retomar o desenvolvimento. Nesses dez anos, foram construídos, por exemplo, oito parques, novas escolas, 450 edifícios residenciais, novas vias, centros de educação infantil e áreas de convivência.

— Nossa crise gerou uma cidade renovada, com uma cidadania ativa, com esperança no futuro e com novas formas inteligentes de intervenção — explica Jaramillo.

Em Bogotá, o governo iniciou o projeto “Bogotá Humano”, que consiste em medidas para incentivar a indústria criativa e a participação. Serão inauguradas áreas tecnológicas, que consistem em ambientes prontos para a instalação das novas empresas. O projeto, estimado em US$ 650 milhões, prevê a criação de Wi-Fi público em parques, praças e corredores culturais. Dez pontos já estão em funcionamento. Cerca de 450 escolas vão ganhar conexão à internet em alta velocidade.

— A educação digital é um direito. Esse direito é uma oportunidade de melhorarmos a gestão da cidade e criarmos oportunidades para os moradores — diz Mauricio Trujillo, diretor do Conselho Distrital de Bogotá.

(webremix.info)


Unesco premia Frei Betto por contribui??o ? paz e justi?a social

BRASÍLIA – A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) concedeu ao escritor e assessor de movimentos sociais Frei Betto o Prêmio Internacional José Martí. Em nota, a Unesco informou que Frei Betto foi escolhido por um júri internacional por sua contribuição à justiça social, aos direitos humanos e à construção de uma cultura de paz universal e por sua oposição a todas as formas de discriminação, injustiça e exclusão.

- Me dá muita alegria, mas reconheço que este não é um prêmio à minha pessoa, e sim a todos os movimentos sociais e comunidades com que eu venho trabalhando ao longo de décadas pela paz, justiça e direitos humanos. Eu sou apenas um grão de areia numa enorme praia que converge na direção dessas três bandeiras que constituem a maior ansiedade da humanidade - disse Frei Betto, destacando a importância de, segundo ele, ter sido escolhido por unanimidade do júri.

- Eu nem sabia que meu nome tinha sido indicado até ser (extraoficialmente) informado de que eu havia ganho o prêmio - disse ele, que recebeu hoje o e-mail oficial da Unesco.

Frei Betto disse desconhecer quem eram os outros indicados ao prêmio, cujos nomes não foram divulgados pela Unesco.

Criado em 1994, por iniciativa do governo de Cuba, o prêmio tem o objetivo de recompensar as organizações ou pessoas que desenvolvam ações que reflitam os ideais do herói da Independência Cubana, José Martí, um defensor da união dos países da América Latina e do Caribe. A distinção também é concedida a quem tenha contribuído para a preservação da identidade, tradição cultural e valores históricos das nações latino-americanas e caribenhas.

A sexta edição do prêmio de US$ 5 mil, financiado por Cuba, coincide com as comemorações do 160º aniversário de nascimento de José Martí. A cerimônia de premiação está marcada para o dia 28 deste mês, em Havana. "Faço questão de ir a Cuba para receber este prêmio pessoalmente", comentou Frei Betto.

A cada edição, os nomeados são indicados pelos governos dos Estados membros da Unesco e pelas organizações não overnamentais (ONGs) que colaboram com a organização. O último ganhador,antes de Betto, foi o escritor argentino Atilio Borón.

Nascido em Belo Horizonte, em 1944, Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, é autor de mais de 50 livros traduzidos para vários idiomas. O mais conhecido deles, “Batismo de Sangue”, venceu o Prêmio Jabuti de 1982, na categoria biografia/memórias. Militante da chamada Teologia da Libertação, movimento de caráter religioso-político surgido na América Latina na década de 1950, Betto participou de vários movimentos pastorais e sociais.

Por sua atuação política, foi preso duas vezes durante o regime militar (1964-1985), chegando a passar quatro anos detido. Entre 2003 e 2004 foi assessor especial do então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Também foi coordenador de mobilização social do programa Fome Zero.

(webremix.info)


Grazi Massafera retorna à TV em ?Flor do Caribe? e diz que ser mãe aumentou seu senso de realidade

Sofia tinha apenas dois meses quando compareceu a uma importante reunião de trabalho. No colo da mãe, a menina — nascida em 23 de maio — não poderia ficar sem uma de suas mamadas diárias. E foi assim, na presença da filha e com as prioridades bem definidas, que Grazi Massafera acertou sua volta à TV. O retorno, ela conta, não estava planejado. Afinal, após trabalhar até o sétimo mês de gestação em “Aquele beijo”, o que Grazi queria mais era poder se dedicar integralmente à criança, sua primeira filha com Cauã Reymond, sem voltar ao batente tão cedo. Queria. Mas, comenta a atriz, a proposta do diretor Jayme Monjardim, com quem fez a primeira novela, “Páginas da vida”, em 2006; e do autor Walther Negrão — com quem fez a segunda, “Desejo proibido”, 2007 — para protagonizar “Flor do Caribe”, a próxima trama das 18h que estreia em março, fez com que repensasse suas possibilidades. Gratidão, talvez?

— Jayme e Maneco (Manoel Carlos, autor de “Páginas”) apostaram em mim quando nem eu sabia que poderia levar uma novela até o final. E, depois, Negrão e (o diretor) Marcos Paulo me escalaram novamente. Então eu estou em casa. Não havia como não aceitar um convite desses. Eu poderia não trabalhar. Poderia me dar esse tempo e ficar em casa curtindo minha filha. Mas o momento é especial — justifica.

E, logo de cara, Grazi já teve que encarar uma viagem de 40 dias para o Rio Grande do Norte. Sofia, claro, foi junto. E os brinquedos do bebê também. Assim como a babá que, a princípio, Grazi relutou em ter “por não ser um hábito de família, já que no interior é a família que toma conta da família”. De mala e cuia, a atriz praticamente se mudou para os hotéis da região durante aquele período.

— Onde Sofia estiver é a minha casa agora — sentencia.

No entanto, Grazi confessa ainda estar se acostumando à nova rotina de trabalho. Diz que sai para gravar com “borboletas no estômago”. Mas, por outro lado, a jornada dupla vem lhe dando um “senso de realidade”.

— É muito importante voltar por isso, por ter visto a minha mãe trabalhar desde cedo. É verdade que Sofia está nascendo num mundinho mais dourado, mas não quero deixar de passar para ela que existe essa realidade, que foi essencial para a formação do meu caráter e para a minha educação. É bom ela ver que pai e mãe trabalham muito... Mas também não quero deixar de estar com ela. Eu ainda vou encontrar esse equilíbrio, estou procurando — reflete a atriz, que embarca com a filha para a Guatemala, no México, nos próximos dias, para gravar mais cenas.

Em sua sexta novela, Grazi garante sentir que a maternidade a tornou uma atriz melhor. Com Sofia, ela conta, veio uma maturidade que talvez ainda não tivesse:

— Mexe com o lado emocional, né? Porque o ator trabalha com emoção. E ser mãe me deu profundidade.

Mas não só isso. Grazi diz ainda que ficou mais prática, segura e observadora. E que, quando sai de casa, não quer demorar para voltar. Por isso, horas perdidas com bobagens não têm espaço em seu dia a dia.

— Quando saio de casa, estou deixando de beijá-la, abraçá-la, agarrá-la. Claro que ainda tenho quase um ano de trabalho pela frente, e sustentar isso diariamente também é um desafio — reconhece.

Outra consequência da gravidez foi a memória mais falha. Decorar textos tem sido uma dificuldade. Assim como lembrar de compromissos marcados ao longo do dia. Por isso, não sai de casa sem duas agendas. Uma para ela e outra para Sofia:

— Voltei das férias em Fernando de Noronha e, antes de ir para o RN, tive dois dias úteis para mudar a mala, levar neném para tomar vacina, ir ao dentista... Somos eu e a babá organizando isso. Eu só funciono assim, não sei guardar nada na cabeça porque esqueço. Ainda bem que parei de atuar com sete meses de gravidez porque já não decorava uma cena.. Pensava “Será que volto ao normal?”. Agora que estou voltando...

A medidas — 1,73m e 57 kg — também já estão todas no lugar. Dos 18 quilos adquiridos na gestação, ela perdeu 15 durante a amamentação. Os últimos três foram embora devido a uma virose horrível que ela “não deseja para ninguém”. Nos primeiros meses após o nascimento de Sofia, Grazi lembra que evitava até caminhar na praia. Tinha medo de alterações no leite. Só voltou a malhar quando a bebê estava com quatro meses e meio:

— Antes não saía de perto dela, bem galinha dos ovos de ouro, sabe? Agora, corro na praia quando dá. Exercício me faz bem. Sofia também adora sol, vento, mar...

Na novela, ambientada na praia, não faltam cenas de biquíni. Grazi aparece já bem sequinha. Confessa que ainda se sente insegura, mas diz que o corpo não foi prioridade:

— Confiei na produção.

Atriz diz que sua preparação é sensorial

Se o preparo físico é na base da malhação, Grazi diz que o processo de criação da personagem vai mais pelo lado “sensorial”. Por isso, aproveitou as férias de 15 dias em Fernando de Noronha para fazer um laboratório para sua personagem. Como na próxima trama das 18h ela vive uma guia turística, moradora da fictícia Vila dos Ventos, a atriz, logo que chegou, contratou uma guia e fez um verdadeiro interrogatório. Também procurou conhecer o cotidiano de pescadores que vivem até sem luz elétrica. Além disso, alugou um buggy para ir se adaptando. Mas, admite, passou vergonha nos primeiros passeios: desde que tirou carteira de motorista, em 2010, só está acostumada a dirigir carros automáticos.

— Ia para o Havaí, mas como soube da novela fui para Noronha. E já que estava lá, peguei o buggy e comecei a rodar a ilha, dando carona para turistas. Deixava o carro morrer o tempo todo, porque as dunas lá são duras. Mas consegui — festeja.

Na história, Esther, personagem de Grazi, vive um romance com Cassiano (Henri Castelli), de quem é amiga desde a infância. O relacionamento dos dois sofre um baque quando Alberto, o outro amigo do trio, vivido por Igor Rickli, se declara apaixonado pela moça, mas não conta nada para Cassiano.

— Esse amor da Esther e do Cassiano é tão lindo — suspira Grazi. — Porque eles se conhecem desde sempre, e se gostam mesmo assim, entende? Com os defeitos e qualidades. Isso me inspira. Porque amar é o que move a gente.

A inspiração para todo esse romantismo veio de filmes como “Uma carta de amor” (1999), com Kevin Costner e Robin Wright, e “Diário de uma paixão” (2004), estrelado pelos atores Ryan Gosling e Rachel McAdams.

— Estava indo viajar e queria levar algo para me distrair. Aí peguei “O diário”. Quando vi, achei o amor dos dois tão puro, tão inocente, que mostrei logo para o Henri para a gente criar uma memória afetiva e trabalhar em cima disso — conta.

Tudo mais que vê e acha que tem a ver com o jeito da personagem, Grazi anota logo num caderninho que anda com ela para cima e para baixo:

— Eu, por exemplo, acho que Esther adora ficar descalça, gosta de sentir areia no pé.

Se o telespectador está com saudade de vê-la na TV, Grazi diz que não sabe. Mas reitera que a oportunidade veio numa boa hora.

— Não sei se vai agradar, ou se eu vou conseguir transmitir essa minha felicidade para quem está me vendo. Mas, independentemente do sucesso, é uma novela que eu quero muito fazer — explica a atriz.

Depois de “Flor do Caribe”, os planos de Grazi são ficar em casa com Sofia enquanto Cauã volta a trabalhar. Assim, a menina tem sempre um dos pais por perto. Ter mais filhos também é uma possibilidade bem provável no futuro:

— Eu sou absolutamente louca por crianças. É luz na vida da gente, são anjinhos. Quero ter uns três pelo menos. Quem tem criança em casa é abençoado.

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CNI: Brasil ocupa pen?ltima posi??o em ranking sobre competitividade

BRASÍLIA – Atrás apenas da Argentina, o Brasil ocupa o penúltimo lugar no ranking sobre a competitividade de países com economia semelhante, divulgado nesta segunda-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Entre os 14 países comparados no levantamento, o mais competitivo é o Canadá, seguido pela Coreia do Sul. O alto custo do capital e da mão de obra derrubaram a avaliação do Brasil, que ficou na mesma posição verificada na edição 2010 do estudo, segundo a CNI.

Entre os nove aspectos analisados pelo estudo, o Brasil teve avaliação positiva em apenas um (disponibilidade de mão de obra) e regular em mais um (Tecnologia e Inovação). Nos outros sete quesitos, o país ocupou colocações entre o 11º e o 14º lugar no ranking, consideradas negativas. Outros fatores que se destacam e levaram o Brasil para a 13ª posição na lista consolidada estão também a má qualidade da infraestrutura de transporte e o ambiente macroeconômico desfavorável, afirmou a CNI. O baixo nível de investimento, principalmente em inovação, também influenciou esse desempenho, segundo o gerente de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca.

- Mas porque as empresas deixariam de investir se isso é crucial para sua sobrevivência? É aqui que o ambiente econômico desfavorável, a deficiência na infraestrutura do país e a baixa qualidade da educação mostram sua importância - avaliou Fonseca.

A pior situação na qualidade da infraestrutura brasileira é a dos portos e dos aeroportos, apontou o levantamento. A infraestrutura ferroviária coloca o Brasil em 12ª posição, e a qualidade das rodovias, em 11ª, avaliando apenas esse quesito. Por outro lado, a situação da infraestrutura de energia e comunicações é melhor. O Brasil está em 6º nesse quesito, atrás da Rússia, Coreia do Sul, Chile, Polônia e Espanha.

No quesito mão de obra, o levantamento destaca que apesar de grande disponibilidade de trabalhadores, o elevado custo da mão de obra e a baixa produtividade reduzem os benefícios dessa vantagem, o que é acentuado pela proximidade do fim desse bônus demográfico.

Nem a queda dos juros básicos da economia a seu menor patamar histórico ajudou o Brasil a melhorar a avaliação desse quesito. A taxa de juros real de curto prazo torna o capital brasileiro o mais oneroso dos 14 países. No entanto, o Brasil ocupa a 7ª posição no quesito disponibilidade de financiamento.

A carga fiscal também representa uma desvantagem competitiva em relação aos demais países selecionados. O Brasil aparece em penúltimo lugar no critério peso dos tributos, atrás apenas da Argentina. Apesar de todas as barreiras macroeconômicas, o país tem como vantagem um movimentado mercado doméstico. Apenas o mercado interno da China e da Índia são mais dinâmicos que o brasileiro.

No levantamento, a entidade comparou países em desenvolvimento, como os integrantes dos BRICs (Rússia, Índia, China e África do Sul), alguns países da América do Sul e outros, como México, Polônia, Espanha e Austrália.

(webremix.info)


Complexo penitenci?rio em Minas ser? 1? do pa?s a funcionar por meio de PPP

Ribeirão das Neves (MG) A 45 minutos do Centro de Belo Horizonte, no município de Ribeirão das Neves, cerca de 1.600 operários trabalham freneticamente em três turnos, sete dias por semana, na construção de um complexo penitenciário de 2.500 metros quadrados com cinco presídios (três de regime fechado e dois de semiaberto) e capacidade para abrigar 3.040 presos em celas para um, quatro e seis pessoas. O primeiro prédio, de regime fechado, com capacidade para 608 presos, será inaugurado em janeiro e lembra um presídio de segurança máxima, com seu aspecto de fortaleza, sistemas digitalizados de observação e controle de portas e celas, além de um aparelho para escanear o corpo inteiro, no estilo dos aeroportos americanos, capaz de mostrar objetos nos lugares mais impensáveis do corpo humano.

Ribeirão das Neves, cidade-dormitório da Grande BH, é conhecida entre os moradores da região como Ribeirão das Trevas, por servir de local para outros cinco presídios mineiros. A penitenciária nova poderia ser mais uma na geografia carcerária da cidade, não fosse um detalhe: trata-se da primeira Parceria Público-Privada (PPP) de penitenciária a ser inaugurada no país. A discussão das PPPs nos presídios se aprofunda no momento em que o Brasil convive com um déficit de cerca de 170 mil vagas e condições degradantes no sistema penitenciário. O próprio ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou que as prisões brasileiras são medievais e que preferia a morte a cumprir pena em uma delas.

O investimento na construção do complexo de Ribeirão das Neves, de R$ 280 milhões, foi bancado pelo consórcio GPA, que ganhou a licitação com o governo de Minas em 2009 e será responsável pela administração de tudo nos presídios (onde trabalharão 800 funcionários privados), com exceção do acompanhamento da execução penal dos presos (a cargo de 300 servidores). E por 27 anos, o que faz muita gente considerar o projeto, na prática, a privatização dos presídios brasileiros.

— Temos 129 presídios com 46 mil presos, além de 140 cadeias públicas da Polícia Civil com sete mil presos, o que totaliza 53 mil encarcerados. Não temos como administrar isso com eficiência porque o serviço público é burocrático e demorado. É praticamente impossível demitir um funcionário público que comete um abuso contra um preso. Além disso, não há recursos para a construção de presídios porque os custos são elevados, na base de R$ 40 mil por vaga. Decidimos criar uma PPP que deixasse nas mãos da iniciativa privada a construção e a administração do presídio enquanto tomamos conta da obrigação constitucional de administrar a execução da pena — afirma Rômulo de Carvalho Ferraz, secretário de Defesa Social de Minas.

— O projeto é revolucionário — diz Marcos Siqueira, gerente-executivo do Programa de PPPs de Minas Gerais. — Criamos uma solução para o problema da eficiência na gestão do sistema carcerário: investir, gastar melhor e ressocializar o preso, tudo sob supervisão do Estado. Não há privatização. O que estamos fazendo é contratar de forma inteligente.

O contrato entre o governo e o consórcio GPA — formado pelas empresas CCI Construções, grupo Tejofran/Power Segurança, construtoras Augusto Veloso e NF Motta, e Instituto Nacional de Administração Prisional (Inap) — estabelece 380 indicadores que vão avaliar a prestação do serviço, como qualidade de alimentos e roupas, atendimento médico, horas gastas com educação e terapia ocupacional, e participação em oficinas de trabalho, entre outros. Cada presídio possui capacidade para abrigar seis oficinas diferentes de trabalho, que serão criadas a partir de parcerias entre governo e empresas privadas.

As atribuições são divididas. Serviços de execução penal, como monitoramento, sanções disciplinares, movimentação de presos, escoltas, intervenções especiais e vigilância de muralhas, serão desempenhados pelos funcionários do governo. Todo o resto será gerenciado pelos funcionários da GPA, que não trabalharão armados e receberão a partir de R$ 1.300 por mês. Os sistemas de vigilância são eletrônicos, auxiliados por 1.240 câmeras e portas automáticas que lembram presídios de segurança máxima.

— A diferença de um modelo de PPP para um modelo de cogestão, como os que existem atualmente, é que o contrato entre o estado e a empresa é rigoroso e focado no preso — diz Rodrigo Gaiga, diretor do consórcio GPA e coordenador do complexo pelo grupo. — É um divisor de águas para o sistema prisional porque traz um elemento de gestão transformador. Se não cumprirmos os indicadores, que serão fiscalizados pela empresa independentemente de auditoria Accenture, receberemos penalidades financeiras, então, é do interesse de todos que tudo funcione da melhor maneira possível e que os materiais usados na construção dos presídios sejam os melhores, porque precisam durar muito.

Pelo contrato, o complexo de Ribeirão das Neves não poderá abrigar mais do que as vagas disponíveis, evitando o problema da superpopulação carcerária, tão comum nos presídios brasileiros. Cada preso vai custar ao governo mineiro cerca de R$ 2.700 por mês, acima do custo de cerca de R$ 2.000 dos presos nas penitenciárias do estado de Minas. Não há estatísticas oficiais sobre o custo de um preso no Brasil; os números variam de cerca de R$ 2.000 a R$ 7.000, dependendo da fonte, e se o valor inclui ou não o gasto com a construção do presídio em si.

O complexo de Ribeirão das Neves e o de Itaquitinga, a cerca de 60 quilômetros de Recife, em Pernambuco — construído e administrado pelo consórcio Reintegra Brasil, das baianas Socializa Empreendimentos e Serviços de Manutenção e Advance Participações e Construções, e em fase final de construção —, serão as primeiras PPPs de presídio a funcionar no Brasil. É uma terceira via aos modelos existentes hoje: o dos presídios administrados pelo Estado (ainda que com serviços terceirizados, como cozinha ou manutenção predial) e os presídios administrados com a iniciativa privada em contratos de cogestão. As principais diferenças entre PPPs e presídios administrados em sistema de cogestão estão na construção do presídio, a cargo do grupo privado no caso das PPPs; no tempo dos contratos, bem mais curtos nos casos de cogestão (até cinco anos, em média); e na sofisticação dos contratos de gestão (mais rigorosos e com metas mais definidas, nos casos das PPPs).

A despeito da discussão a respeito da conveniência de entregar nas mãos da iniciativa privada o destino e a ressocialização de milhares de presos, a privatização de presídios ganhou força a partir da onda neoliberal que enxugou o Estado a partir da década de 80 em vários países, em particular EUA e Inglaterra, governados por conservadores como Ronald Reagan e Margaret Thatcher, respectivamente. Diferentes graus de participação da iniciativa privada são constatados em países tão diferentes quanto Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Israel, França, Alemanha, Chile, Brasil, México, Irlanda, Bulgária e Hong Kong, entre outros. O exemplo mais radical encontra-se nos EUA, onde não apenas a administração do presídio como a execução penal estão nas mãos de empresas privadas, com destaque para as gigantes Corrections Corporation of America (CCA) e o GEO Group.

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Blatter: Tecnologia na linha do gol ser? usada na Copa de 2014 (webremix.info)


Dilma em Moscou: ? Vim aqui para combinar com os russos? (webremix.info)


Dilma n?o consegue que R?ssia suspenda embargo ? carne brasileira

MOSCOU — Dilma Rousseff e o presidente Vladimir Putin, da Rússia, anunciaram ontem acordos de cooperação em várias áreas – da defesa à organização de mega eventos esportivos. Mas fracassaram em fechar o único acordo importante para o principal setor de exportação para a Rússia: carne. Três grandes estados produtores de carne – Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso – estão com suas vendas embargadas para o país desde junho do ano passado, por motivos sanitários. E todas as tentativas do governo de restabelecer o comércio falharam.

Dilma Rousseff não apenas confirmou a falta de acordo, como desautorizou o ministério da Agricultura. Quando jornalistas perguntaram por que o ministério anunciou o fim do embargo no dia 28 de novembro, depois de uma reunião em Moscou da qual participou o secretário de defesa agropecuária, Ênio Marques, Dilma respondeu.

— O ministério da Agricultura estava equivocado .

Mas a própria presidente errou ao garantir – e frisar -- que o embargo aos três estados só se refere à carne suína. Na realidade, é um embargo geral: carne de boi, de porco e frango.

— O embargo dos três estados é de suino. Aqui não tem embargo de carne bovina. Por favor, não criem problema onde não tem. O embargo nos três estados é exclusivamente de carne suina e está no fim — disse a presidente.

A expectativa era de que os russos oficializassem o fim do embargo durante a primeira visita oficial da presidente. Mas Putin nem tocou no assunto no único evento oficial diante da imprensa. Dilma, sentada ao lado de Putin, limitou-se a dizer: ?

— Expressei a expectativa pelo pronto restabelecimento do comércio de carne suína do nosso país e o fim do embargo aos três estados brasileiros

Anteontem à noite, o secretário de relações internacionais do Ministério da Agricultura, Célio Porto, já admitia a dificuldade em convencer os russos:

_ Nós fizemos tudo o que podíamos do lado técnico. Dependemos agora de negociações de alto nível – disse.

Um dia antes de se encontrar com Putin, Dilma esteve com o primeiro-ministro Dimitri Medvedev e saiu animada, dizendo que ele disse que o assunto teria uma “solução positiva”.

— Ele não me comunicou qual será a decisão final, mas considerou que os produtores brasileiros tomaram todas as medidas — afirmou Dilma.

E ontem, pouco antes de Dilma se encontrar com Putin, o presidente-executivo da Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto , disse que ficaria “surpreso” se o embargo não fosse suspenso.

Há dois problemas com os russos. Um é o embargo aos três estados. Outro é a nova exigência de um certificado de que a carne suína brasileira não tem ractamina – um aditivo aceito nos Estados Unidos, mas proibido na Rússia e na União Européia (UE).

Dilma sobre vaca louca: “Não há epidemia”

Dilma também reagiu a um problema potencialmente maior: o anúncio da China, Japão e da África do Sul de suspensão das importações de carne bovina do Brasil, depois da revelação recente de que um animal teve a doença da vaca louca em 2010.

— Vamos batalhar para esclarecer, porque é um caso muito localizado, sem característica de doença de infecção. Vamos esclarecer e torcer para que o resultado seja o melhor para o produtor brasileiro. A Rússia não tocou nesse assunto (vaca louca) — garantiu.

Questionada sobre porque o governo levou tanto tempo para relatar o caso de uma vaca com a doença em 2010, ela disse:

_ Estamos olhando porque que houve tamanha demora. ?Ainda não tenho como dizer (se houve erro). A primeira informação que temos é a de que foram feitos vários exames, porque não havia uma caracterização precisa de que havia [a doença]. Está claro que é incipiente.

A presidente disse que não teme um “efeito dominó”, ou seja, que outros países também decidam suspender, por precaução.

_ Não temo (efeito dominó). Vamos ter que ser muito transparentes e vamos fazer todo o esforço nesse sentido. Aí não é só uma questão do governo, parte da iniciativa dos produtores em cumprir os requisitos internacionais.

E frisou?:

_ Não há epidemia. A informação técnica é que está absolutamente restrito a um episódio. É um episódio. É bom que a gente trate disso com muita? seriedade porque senão criamos uma situação que não existe. No caso do Brasil é um episódio.

Para Pedro Camargo Neto, da Abiceps, a credibilidade do Brasil foi afetada com a demora em comunicar o caso, e o efeito dominó «?já existe.

— Alguém tem que explicar direitinho o que aconteceu – disse.

Mas ele disse que os 3 países que suspenderam as importações por conta da vaca louca são “insignificantes.

— Nós exportamos meia dúzia de latas de carne para o o Japão – ironizou lembrando que o Brasil passou 5 anos negociando a entrada de carne no mercado japonês.

(webremix.info)


Identidade brasileira

A crescente presença do Brasil para além do seu entorno geográfico e sua influência no cenário internacional suscitam uma nova preocupação: qual a identidade do Brasil? Qual a marca Brasil? Como o pais é percebido no exterior e como gostaríamos de ser vistos pela comunidade internacional? Quais nossas credenciais e nosso diferencial para ocupar um lugar de destaque na mesa principal?

Roberto da Matta, o maior antropólogo brasileiro, há quase vinte anos, estudou as características da identidade brasileira. “O que faz o brasil, Brasil” define com precisão o sentido denso da realidade de nosso pais.

Seu trabalho, contudo, esta voltado para dentro, para o jeito de ser e de atuar do brasileiro.

Não ser uma potência nuclear, nem uma ameaça militar; o peso da economia no contexto global (Brasil é a sexta economia no mundo); a importância da agricultura e da produção de alimentos; a estabilidade institucional, política e econômica; o relevante papel desempenhado pelo Brasil em organizações internacionais; a participação do Brasil em questões regionais além das fronteiras da América do Sul; o volume e o significado da assistência técnica e financeira prestada pelo Brasil, na África e na América Latina; a participação do Brasil nos Brics e na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP); a aspiração brasileira de tornar-se membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas e sobretudo o papel de moderador que tem exercido em disputas regionais e em discussões de temas globais, como meio ambiente, mudança de clima, energia e comércio exterior são alguns dos principais aspectos da imagem que projetamos no exterior.

Um debate na Fiesp focalizará o Brasil como uma potência com capacidade de influir por suas atitudes e ações concretas nas áreas de cooperação e assistência técnica, financiamentos, assistência humanitária e operações de paz. Sem descurar do fortalecimento do hard power.

Na conclusão, serão identificadas políticas a serem sugeridas ao governo:

* ampliação da coordenação entre o Itamaraty, o Ministério da Agricultura (Embrapa, Conab), os ministérios da Fazenda, da Ciência e Tecnologia, da Educação e da Cultura para que as ações setoriais sejam vistas como parte de uma política coerente e consequente do governo brasileiro;

* fortalecimento da Agência Brasileira de Cooperação, com um orçamento que possa responder à decisão política;

* Apoio do setor privado (Sesi, Senai);

* fortalecimento do Departamento Cultural do Itamaraty para a promoção da música, da literatura, das artes em geral do Brasil a começar pela América Latina e nos principais países desenvolvidos;

* criação de Instituto Brasil, nos moldes do Cervantes da Espanha e Confúcio da China, como resposta à projeção de valores e cultura brasileira;

* criação de um Departamento de Diplomacia Pública para a coordenação da política de divulgação do Brasil no exterior;

* melhor aproveitamento das oportunidades que se abrem pela participação do Brasil em grupos como o Brics e a CPLP.

Rubens Barbosa é presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesp

(webremix.info)


Prefeitos derrotados punem eleitor em Pernambuco

Recife - Além da falta de empenho para incrementar a receita dos seus municípios — há cidades onde a prefeitura não recolhe um centavo sequer de IPTU —, prefeitos não reeleitos ou em final de segundo mandato estão demonstrando total descaso em relação a direitos e deveres que caracterizam a cidadania. A lista é extensa: suspensão de serviços essenciais (como saúde e transporte escolar), demissões irregulares, calote na folha de pagamento dos servidores concursos públicos, nomeações de última hora e desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) são exemplos do que vem ocorrendo na Zona da Mata, no Agreste e no Sertão.

Esses prefeitos já se encontram na mira do Ministério Público de Pernambuco e do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que firmaram parceria para evitar que a população sofra tantos prejuízos:

— O que se observa é que os prefeitos se voltaram contra a população porque não foram reeleitos ou não conseguiram fazer os sucessores. Por perversidade, suspendem serviços básicos ou essenciais que vinham sendo normalmente prestados até o dia da eleição. Relaxam na limpeza pública, exoneram professores, atrapalhando o calendário escolar, suspendem o transporte de alunos da rede municipal, e até chegam a propor que os servidores trabalhem como voluntários, na esperança de serem recontratados pelo próximo prefeito. Alguns, quando saem, destroem toda a documentação e zeram os computadores para o sucessor — afirma o coordenador do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Defesa do Patrimônio Público, Maviael de Souza Silva.

Há 17 anos atuando nesse setor, ele já chegou a pedir mandado de busca e apreensão para resgatar documentos subtraídos das repartições. Ou seja, o problema é antigo, mas ainda surpreende a presidente do TCE, Tereza Duere, para quem o abuso piorou.

— Sinceramente, não esperava encontrar uma situação dessa. A impressão que a gente tinha era que as autoridades amadureceriam com a democracia. Mas não é o que está ocorrendo. Estamos no pior momento da transição. Nunca vi tantos prefeitos que perderam abandonando irresponsavelmente seus cargos. Confesso que nunca havia presenciado esse problema na vida pública de forma tão intensa. É como se os derrotados estivessem se vingando da população. Eles nos dão a impressão que pensam que o patrimônio público é deles e, de repente, sentem que ele está sendo arrancado — afirma.

Até a última quinta-feira, o TCE já expedira 24 medidas cautelares impedindo prefeitos em final de mandato de realizarem concurso públicos, promoverem nomeações de concursos improvisados e exigindo cumprimento da LRF.

Cidade ficou sem médicos e transporte escolar

Ministério Público de Pernambuco entrou este ano com 45 medidas contra prefeitos: são termos de ajustamento de conduta, bloqueios de conta, ações cautelares e preparatórias de ações civis públicas.

O caso mais emblemático foi o da prefeita Elizabete Maria Silva de Lima, a Bete de Dael (PR), de Bezerros, a 107 quilômetros de Recife. Ela demitiu médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, agentes comunitários de saúde e combate a endemias, profissionais ligados ao Programa Saúde da Família e auxiliares do transporte escolar.

Todos trabalhavam em regime de contratação temporária, com vigência até este mês, e foram demitidos verbalmente. Denunciada pela população, ela se recusou a atender à recomendação do MP para restabelecer os serviços. Foi afastada pela juíza Christiana Caribé, da 2ª Vara de Bezerros.

O ex-presidente da Câmara dos Deputados Severino Cavalcanti (PP), prefeito de João Alfredo, também foi alvo do TCE e do MP. Precisou assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para regularizar o pagamento dos servidores e restabelecer os serviços públicos. Segundo o MP, o prefeito pagava aos fornecedores, mas não aos servidores. Ele desistiu de disputar a reeleição, por ter caído na Lei da Ficha Limpa, e não conseguiu eleger a aliada, Ana Mendes (PSDB).

Contas bloqueadas

As contas da prefeitura foram bloqueadas. A Justiça só as liberou depois que Cavalcanti firmou um TAC, comprometendo-se a restabelecer os serviços de educação e saúde, o fornecimento integral e regular de remédios e o transporte para pacientes que precisem de tratamento em Recife. Caso descumpra o TAC, Cavalcanti pagará multa diária de cinco salários mínimos.

Como Bezerros e João Alfredo, mais de 20 municípios foram advertidos pelo MP para restabelecer os serviços públicos. Outros, para garantir a transição sem sonegar informações. O problema já motivou uma reunião do Fórum de Combate à Corrupção de Pernambuco.

O presidente da Associação Municipalista de Pernambuco, Jandelson Gouveia (PR), prefeito de Escada, foi procurado para responder pelos seus colegas, mas não retornou as ligações. Para evitar que o problema se alastre, o TCE e o MP expediram recomendações para os prefeitos, alertando que sejam observados os preceitos da LRF e criadas comissões de transição com os futuros prefeitos.

(webremix.info)


M?xico amea?a desbancar o Brasil como maior economia da Am?rica Latina

RIO — Se o gigante continua adormecido, outro pode ocupar seu lugar. Com o desempenho pífio da economia, o velho apelido do Brasil volta a assombrá-lo, mas desta vez outro país parece estar à espreita para assumir o posto de estrela ascendente da América Latina. É fácil adivinhar que nação é essa, afinal não começou ontem a disputa entre Brasil e México pelo título de maior economia da região — desde 1980, a troca de posições ocorreu seis vezes, com vantagem para a economia brasileira. Nos últimos meses, analistas têm indicado que os latino-americanos do norte podem voltar a sonhar com o topo do ranking da região. Há até quem finque a data em 2022. O valor do PIB mexicano ainda é menos da metade do brasileiro. Mas, por mais que longínqua, a possibilidade de fim do reinado brasileiro na América Latina — iniciado, da última vez, em 2005 — é fortalecida por acertos do México e, principalmente, por erros e tensões no Brasil.

Esta semana, o “Financial Times” sugeriu que o caminho para o desenvolvimento brasileiro é muito maior e mais complexo do que os investidores pensavam. Já a revista britânica “The Economist” ressaltou há dois meses o fortalecimento da indústria mexicana, contra um Brasil dependente demais da exportação de commodities. Este ano, enquanto o IBGE anunciava, para surpresa até de pessimistas, um crescimento de 0,6% do PIB no terceiro trimestre, o México mostrava uma cifra cinco vezes maior, de 3,3%. Ao que tudo indica, o PIB mexicano deve crescer quatro vezes o brasileiro este ano — 4%, contra 1%. Com uma política econômica mais aberta, que tem rendido frutos e parcerias, os mexicanos, porém, ainda têm muito que resolver nas próprias terras, como o enorme problema do narcotráfico. Contudo, há quem diga que é o Brasil, com um forte viés protecionista e uma economia de resultados ruins, quem está abrindo passagem.

— Não é que (os investidores) estejam fugindo. Mas a atratividade da economia brasileira e a entrada de estrangeiros, em relação aos vizinhos da América Latina, estão diminuindo. O governo ainda não entende que fechar o país como tem feito só vai prejudicar o crescimento de longo prazo — opina o economista Sérgio Vale, da MB Associados — O México se torna, sim, um candidato a ser a nova estrela da América Latina, pois tem um mar de reformas para serem feitas e desejo de seus governantes de fazê-las, além de estar próximo do mercado americano.

Para analistas, os resultados brasileiros — os sinais apontam que o país fechará o segundo ano de baixíssimo crescimento — refletem uma oportunidade perdida. Quando tudo era azul, antes da crise de 2008, o país perdeu a oportunidade de fazer as reformas necessárias ao ambiente econômico, como as mudanças tributárias e os investimentos em infraestrutura. A flexibilização, aos olhos de especialistas, do tripé econômico — metas de inflação, metas de superávit primário e câmbio flutuante — tornou o país menos confiável aos investidores. Hoje, muitos não conseguem prever os movimentos da política econômica — como as bandas entre as quais o câmbio, flutuante, varia. Além disso, políticas de curto prazo, como alteração na cobrança de certos impostos, tornam o ambiente mais imprevisível.

Para Hildete Pereira de Melo, professora do departamento de Economia da UFF, a política adotada pelo governo, com a queda da taxa de juros a níveis historicamente baixos, mira o crescimento econômico, mas gerou desconfiança no setor privado e no capital financeiro, acostumado a juros muito altos no Brasil. Ela acredita que a falta de investimento privado, reflexo da falta de diálogo com as políticas do governo, é a principal causa do crescimento baixo. Para Hildete, os problemas têm um fundo de disputa política.

— (O crescimento) Não está acontecendo porque há uma tensão política entre o capital financeiro, os empresários brasileiros e o governo. Há uma desconfiança da estatização econômica, na origem do partido da presidente. Acho que é gratuita a desconfiança. O governo já sinalizou que não é estatizante — opina a professora, que a acredita que a aproximação do período de eleição presidencial pode esquentar ainda mais essa disputa. — Eles (os investidores) não querem trabalhar com um cenário diferente do que foi na última década (com juros muito altos). Tentam mudar o rumo (da economia) e voltar. A presidente pode se vestir de baiana que não vai conquistar corações e mentes. A taxa de juros é a queda de braço.

Já o economista do BNDES Fabio Giambiagi defende que os erros são do governo e não deixam espaço para “oba-oba”. Para ele, mesmo quando a economia brasileira ia bem, havia indícios de um futuro de crescimento baixo:

— As raízes dos nossos problemas estão lá atrás (antes da crise de 2008), no descaso daqueles anos com uma intensificação da poupança doméstica, com uma melhora mais acentuada da educação, com um crescimento maior da produtividade etc. A isso veio a se somar, já no governo Dilma, um conjunto de incertezas potencializadas pelas políticas do governo, com destaque para a insegurança em relação à inflação e os problemas em série acumulados nos setores de energia e petróleo.

Com os problemas do Brasil para crescer deflagrados, em setembro, o banco de investimento Nomura publicou um relatório atestando que o PIB mexicano ultrapassará o brasileiro em 2022. Para a instituição, ao longo da próxima década, o crescimento médio será de 2,75% a 3,25% no Brasil e de 4,25% a 4,75% no México. Com uma perda de 6% do PIB em 2009 no currículo, depois de décadas de abertura econômica, o México levanta-se das cinzas com diversas reformas e acordos que fazem brilhar os olhos dos investidores. A partir do “Pacto pelo México”, uma aliança entre os três maiores partidos políticos do país, o governou federal aumentou sua capacidade de fazer acordos e reformas. Com mudanças nas leis trabalhistas em curso e a perspectiva de abertura no mercado petrolífero, o país tem se destacado por ter uma política econômica mais aberta e prudente. Ou seja, sem mudanças bruscas. O tamanho da carga tributária e o fortalecimento do setor industrial, que tem ganhado forças com a diminuição do ritmo de crescimento da China, também são pontos positivos.

Já a dependência da economia mexicana em relação aos Estados Unidos pesa contra o país. Diferentemente do Brasil, que nos últimos anos fortaleceu muito seu mercado interno — hoje a garantia de crescimento brasileiro —, o México tem uma economia muito mais baseada em exportações e só agora começa a fortalecer o consumo dentro do país, principalmente pela expansão do crédito e pelos remessas enviadas pelos imigrantes mexicanos nos Estados Unidos. Segundo o diretor sub-regional da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal) no México, Hugo Beteta, 83% das exportações mexicanas vão para seu vizinho de cima. No entanto, em um momento em que a economia americana se recupera da crise, as exportações mexicanas crescem e o país colhe frutos dessa parceria. Além disso, explica Beteta, hoje se veem os resultados de uma forte pressão para que o país diversifique suas parcerias comerciais.

— Acho que, dentro da política exterior mexicana, há evidências de um maior interesse de comércio com a Ásia e a Aliança do Pacífico — analisa o pesquisador.

Criada este ano, a Aliança do Pacífico é o novo bloco econômico da América Latina, formado por México, Peru, Colômbia e Chile. Com sua criação, é possível reconsiderar o papel mexicano de liderança na América Latina. Afinal, enquanto a Aliança reúne países liberais com uma boa ficha no mercado, o Mercosul amarga decisões polêmicas, como a inclusão da Venezuela no bloco — hoje, a Bolívia assinou o protoloco de adesão ao bloco, mesmo caminho que a terra de Hugo Chávez percorreu — e a falta de um modelo coerente e estável. O perfil protecionista dos países do grupo — Argentina, Paraguai, Uruguai, Venezuela e Brasil — contrasta com os diversos acordos bilaterais já formados pelas nações da Aliança do Pacífico, que nasce com fortes relações econômicos com a Ásia.

O Mercosul tem de se preocupar com isso?

— Sobretudo o Brasil, que se inquieta muito com o crescimento do México. Afinal, eles disputam investimento. Esse é o drama da América Latina. Os países latino-americanos não têm capital, nunca tiveram, para promover desenvolvimento sem investimento externo internacional. A região inteira disputa os investidores internacionais — analisa o professor de Relações Internacionais do Iuperj e da UFRJ Marcelo Coutinho.

Com a volta do PRI do novo presidente Enrique Peña Nieto ao poder no México, após 12 anos no escanteio, o coordenador da cátedra de Economia Global e Desenvolvimento Sustentável da Unesco, Theotonio dos Santos, acredita que a importância da América Latina deve crescer na agenda do governo mexicano. Para Santos, o PRI tentará recuperar a liderança na região.

— O México vai disputar uma liderança com o Brasil, mas não abertamente. Não interessa que essa disputa seja aberta — analisa o pesquisador —Infelizmente, a diplomacia brasileira conhece muito pouco o México. Para o Itamaraty, o México é totalmente subordinado aos Estados Unidos. O Brasil não está percebendo essas mudanças.

Outros analistas defendem, no entanto, que análises como a do Nomura, de superação da economia brasileira pela mexicana, são prematuras. O chefe da Cepal no Brasil, Carlos Mussi, argumenta que, atualmente, tanto o PIB quanto os investimentos estrangeiros no Brasil equivalem a mais que o dobro dos valores do México, e que outros países da região também estão sofrendo os reflexos da crise econômica mundial. Mussi acredita que o Brasil vá manter o seu crescimento dentro das atuais características, com estabilidade macroeconômica e inclusão social, e garante que a sua liderança na América Latina não está sendo questionada.

Para além da estabilização do seu crescimento econômico, o governo mexicano tem muito com o que se preocupar. O narcotráfico não é um problema de fácil solução e levará muitos anos para ser contornado. Para Coutinho, qualquer análise econômica tem de levar em conta que, se o México não resolver seus problemas internos, pode ser complicado seu governo “ser líder do próprio México”.

— A vida do México ainda é mais difícil que a do Brasil. Eles não podem pleitear uma liderança internacional se vivem à beira de uma fragmentação interna — explica Coutinho.

Problemas, portanto, as duas maiores economias da América Latina têm de sobra, e, talvez, a disputa não seja a melhor saída para solucionar o impasse. Alguns pesquisadores defendem que um acordo entre os dois gigantes seria extremamente benéfico para fortalecer a posição da região no mundo. As duas maiores economias da América Latina, juntas, representam cerca de 80% da exportações e 58% do PIB da região, segundo Beteta, da Cepal:

— A concorrência entre o Brasil e o México não tem muito sentido. Tanto o México quanto o Brasil têm bom potencial de crescimento nos próximos anos. Para os dois países, serão cruciais a capacidade de reformas e a vontade de se integrar.

Esta reportagem foi publicada no vespertino para tablet "O Globo a Mais"

(webremix.info)


Tite n?o v? Corinthians como favorito contra o Chelsea

RIO - O Chelsea trocou de treinador e foi eliminado da Liga dos Campeões da Europa, mas a crise pela qual o clube inglês atravessa não faz com que o Corinthians seja favorito numa possível decisão do Mundial de Clubes no Japão. Essa é a opinião do técnico Tite, que nesta sexta-feira deu uma coletiva após o treino do clube paulista em Nagoya.

Para o treinador, os resultados anteriores à disputa do Mundial não determinam o favoritismo de nenhuma equipe. O Corinthians estreia no torneio na quarta-feira que vem contra o vencedor da partida entre o Sanfrecce Hiroshima e o Al Ahly. Japoneses e egípcios se enfrentam no domingo.

- Não acredito que os resultados anteriores determinem o favoritismo. O que determina é a força da equipe, os 90 minutos da semifinal e os 90 minutos da final. A experiência da equipe e a qualidade dos atletas pesa - disse o treinador. - Temos muita consciência disso. Sabemos da nossa força. Não acredito em favoritismo. Acredito em capacidade dos atletas na preparação para o jogo - completou.

Antes do possível confronto com o Chelsea, no entanto, há o duelo semifinal. Os ingleses aguardam o vencedor da partida entre Ulsan Hyundai, da Coreia do Sul, e Monterrey, do México, que também se enfrentam no domingo. Tite fez questão de elogiar os possíveis rivais.

- Sabemos da história do Al Ahly nesta competição. Sabemos como foi duro o jogo contra o Internacional em 2006, quando eles igualaram o jogo e o Inter só ganhou no fim. É um time que não se abala em jogar dentro ou fora de casa, como fez contra o Espérance (na decisão da Liga dos Campeões da África) - afirmou.

Emerson faz declaração de amor ao Japão

Também presente na entrevista coletiva, o atacante Emerson fez questão de declarar o seu amor ao povo japonês. Antes de brilhar com as camisas de Flamengo, Fluminense e Corinthians, o Sheik viveu seis anos no país, onde jogou por Consadole Sapporo, Kawasaki Frontale e Urawa Red Diamonds entre 2000 e 2005.

- Sempre falo com muito carinho do povo japonês. Morei seis anos aqui, vi meus filhos crescerem. Tenho um carinho imenso por esse povo - afirmou. Toda a minha educação tive com o povo japonês. Muito mais que minha passagem enquanto atleta, o que eu aprendi aqui foi em nível de educação e respeito. Respeitar o próximo: os japoneses são professores em relação a isso.

Antes da coletiva, o Corinthians fez o seu primeiro treino no Wave Stadium Karyia. A novidade foi a presença de Paolo Guerrero no treinamento. O atacante peruano se recupera de um estiramento no ligamento do joelho direito. Ele tem chances de jogar.

- A chance dele jogar é muito grande. Ele está com uma vontade enorme de atuar. Ele é guerreiro mesmo - disse o médico do clube, julio Stancatti.

(webremix.info)


Links : Educação

uintercontinental-blogspot-comUNI

A UNI ? a nova Universidade Privada de Cabo Verde. Em Novembro de 2006 a UNI vai iniciar a sua actividade leccionando em Cabo 2 Cursos de Forma??o Avan?ada, um na ?rea da Gen?tica e outro na ?rea da Biologia Celular e molecular.


schoolnetafrica-netSchoolNet Africa

O AEKW ? um portal de educa??o pan-africano que serve os minist?rios de educa??o e as comunidades escolas em conte?do africano. Este portal de web ? um deposit?rio centralizado de recursos educacionais que s?o pertinentes ? diversidade de comunidades de educa??o africanas ? n?vel local.



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