Bandas e Artistas de Semba
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Notícia : Bandas e Artistas de Semba
RIO - Os 20 jurados do Prêmio da Música Brasileira analisaram 1.109 CDs e 165 DVDs ao longo de meses, desde o segundo semestre de 2012. Depois de muitas notas, o compositor e arranjador Mario Adnet, discípulo direto de Tom Jobim, surge como o principal indicado, com seis chances de levar troféus pelos três discos que lançou em 2012: “Amazônia, na trilha da floresta”, “Um olhar sobre Villa-Lobos” e “Vinicius & os maestros”. Em segundo lugar estão seis artistas, com três indicações: Maria Bethânia (que concorre pela primeira vez como compositora, por “Carta de amor”, com Paulo César Pinheiro), Caetano Veloso (em uma disputa entre irmãos, ele concorre com “Estou triste”, do badalado disco “Abraçaço”), Gilberto Gil, Mariene de Castro e Zélia Duncan.
Logo abaixo vêm 12 artistas, cada um com duas indicações, como Rodrigo Campos, na categoria pop/rock/reggae/ hip-hop/, Djavan, em MPB (pelo disco “Rua dos amores” e pela canção “Vive”), Monarco (melhor disco e melhor cantor de samba, por “A soberania do samba”), e Moraes Moreira (cantor e disco regional, por “A revolta dos ritmos”).
Veja a lista completa de indicados:
CATEGORIA ARRANJADOR
ARRANJADOR
• Mario Adnet por ‘Amazônia, na trilha da floresta’ - Mario Adnet
• Mario Adnet por ‘Um olhar sobre Villa-Lobos’ - Mario Adnet
• Mario Adnet por ‘Vinicius & Os Maestros’ – Mario Adnet
CATEGORIA CANÇÃO
MELHOR CANÇÃO
• ‘Carta de amor’, de Paulo Cesar Pinheiro e Maria Bethânia - intérprete Maria Bethânia (CD ‘Oásis de Bethânia’)
• ‘Estou triste’, de Caetano Veloso - intérprete Caetano Veloso (CD ‘Abraçaço’)
• ‘Eu não sei o seu nome inteiro’, de João Bosco, João Donato e Francisco Bosco - intérprete João Bosco (CD ’40 anos depois’)
• ‘Orixá de frente’, de Roque Ferreira - intérprete Mariene de Castro (CD ‘Tabaroinha’)
• ‘Vive’, de Djavan - intérprete Djavan (CD ‘Rua dos amores’)
CATEGORIA PROJETO VISUAL
ARTISTA
• Caetano Veloso, disco ‘Abraçaço’ – Fernando Young e Quinta-feira
• Zélia Duncan, disco ‘Tudo esclarecido’ - Simone Mina
• Fortuna, disco ‘Tic Tic Tati’ – Suli Kabiljo
CATEGORIA REVELAÇÃO
ARTISTA
• Alice Caymmi, disco ‘Alice Caymmi’
• Rodrigo Campos, disco ‘Bahia Fantástica’
• Saracotia, disco ‘Saracotia’
CATEGORIA CANÇÃO POPULAR
MELHOR ÁLBUM
• ‘Avante’, de Siba, produtores Fernando Catatau e Siba
• ‘Minha serenata’, de Cauby Peixoto, produtor Thiago Marques Luiz
• ‘Praça Tiradentes’, de Odair José, produtores Zeca Baleiro e Leonardo Nakabayashi
MELHOR DUPLA
• Fernando & Sorocaba (‘Acústico na Ópera de Arame’)
• Victor & Léo (‘Ao vivo em Floripa’)
• Zezé di Camargo & Luciano (‘Zezé di Camargo & Luciano’)
MELHOR GRUPO
• Banda Eva (‘Conexão Nagô/Rede Tambor’)
• Dpaul (‘Recomeçar’)
• Eletro Pocket (‘Eletro Pocket’)
MELHOR CANTOR
• Cauby Peixoto (‘Minha serenata’)
• Odair José (‘Praça Tiradentes‘)
• Roberto Carlos (‘Roberto Carlos em Jerusalém’)
MELHOR CANTORA
• Gaby Amarantos (‘Treme’)
• Ivete Sangalo (‘Real fantasia’)
• Paula Fernandes (‘Meus encantos’)
CATEGORIA INSTRUMENTAL
MELHOR ÁLBUM
• ‘Fruto maduro’, de Paulo Moura & André Sachs, produtor André Sachs
• ‘Villa-Lobos Superstar’, de Pau Brasil, produtor Rodolfo Stroeter
• ‘Yamandu Costa & Rogério Caetano’, de Yamandu Costa & Rogério Caetano, produtores Yamandu Costa & Rogério Caetano
MELHOR SOLISTA
• Paulo Moura (‘Fruto maduro’)
• Raul de Souza (‘O universo musical de Raul de Souza’)
• Yamandu Costa (‘Yamandu Costa & Rogério Caetano’)
MELHOR GRUPO
• Pau Brasil (‘Villa-Lobos Superstar’)
• Quaternaglia Guitar Quartet (‘Jequibau’)
• Saracotia (‘Saracotia’)
CATEGORIA MPB
MELHOR ÁLBUM
• ’40 anos depois’, de João Bosco, produtores João Bosco, João Mário Linhares e Amaury Linhares
• ‘Concerto de cordas & Máquinas de ritmo’, de Gilberto Gil, produtor Jaques Morelenbaum
• ‘Oásis de Bethânia’, de Maria Bethânia, produtores Maria Bethânia e Jorge Helder
MELHOR GRUPO
• Bossacucanova (‘Nossa onda é essa!’)
• MPB 4 (‘Contigo Aprendi’)
• Orquestra Imperial (‘Fazendo as pazes com o swing’)
MELHOR CANTOR
• Djavan (‘Rua dos amores’)
• João Bosco (’40 anos depois’)
• Gilberto Gil (‘Concerto de cordas & Máquinas de ritmo’)
MELHOR CANTORA
• Luciana Souza (‘Duos III’)
• Maria Bethânia (‘Oásis de Bethânia’)
• Roberta Sá (‘Segunda pele‘)
CATEGORIA POP/ROCK/REGGAE/ HIPHOP/FUNK
MELHOR ÁLBUM
• ‘Bahia fantástica’, de Rodrigo Campos, produtor Romulo Fróes
• ‘Tropicália Lixo Lógico’, de Tom Zé, produtor Daniel Maia
• ‘Tudo esclarecido’, de Zélia Duncan, produtor Kassin
MELHOR GRUPO
• El Efecto (‘Pedras e sonhos’)
• Nação Zumbi (‘Ao vivo no Recife’)
• Titãs (‘Cabeça Dinossauro ao vivo 2012’)
MELHOR CANTOR
• Caetano Veloso (‘Abraçaço’)
• Chico César (‘Aos vivos agora’)
• Erasmo Carlos (’50 anos de estrada’)
MELHOR CANTORA
• Céu (‘Caravana sereia bloom’)
• Tulipa Ruiz (‘Tudo tanto‘)
• Zélia Duncan (‘Tudo esclarecido’)
CATEGORIA REGIONAL
MELHOR ÁLBUM
• ‘A revolta dos ritmos’, de Moraes Moreira, produtores Moraes Moreira e Alexandre Meu Rei
• ‘Cabeça no mundo’, de Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, produtor Maestro Forró
• ‘Suíte Paulistana’, de Passoca, produtor Passoca
MELHOR DUPLA
• Caju & Castanha (‘Comparação’)
• Kleuton e Karen (‘A viola permanece’)
MELHOR GRUPO
• Banda Sertanilia (‘Ancestral’)
• Guga Stroeter e Orquestra HB (‘Canta Aloisio Menezes’)
• Orquestra Popular da Bomba do Hemetério (’Cabeça no mundo’)
MELHOR CANTOR
• Moraes Moreira (‘A revolta dos ritmos’)
• Noel Andrade (‘Charrua’)
• Passoca (‘Suíte Paulistana’)
MELHOR CANTORA
• Déa Trancoso (‘Flor do Jequi’)
• Elba Ramalho (‘Vambora lá dançar’)
• Simone Guimarães (‘Chão de aquarela’)
CATEGORIA SAMBA
MELHOR ÁLBUM
• ‘A soberania do samba’, de Monarco, produtor Mauro Diniz
• ‘O samba da mais alta patente’, de Nelson Sargento, produtor Paulão 7 cordas
• ‘Tabaroinha’, de Mariene de Castro, produtor Alê Siqueira
MELHOR GRUPO
· A comunidade samba da vela (‘Samba da vela – revelando novos compositores de samba’)
• Capim Seco (‘Semba‘)
• Quinteto em branco e preto (‘Quinteto’)
MELHOR CANTOR
• Martinho da Vila (‘4.5 atual’)
• Monarco (‘A soberania do samba’)
• Moyseis Marques (‘Pra desengomar’)
MELHOR CANTORA
• Alcione (‘Duas faces – ao vivo na Mangueira’)
• Ana Costa (‘Hoje é o melhor lugar’)
• Mariene de Castro (‘Tabaroinha’)
FINALISTAS - ESPECIAIS
DVD
• Gilberto Gil / ‘Concerto de cordas & Máquinas de ritmo’, diretor Andrucha Waddington
• Monica Salmaso / ‘Alma lírica brasileira’, diretor Walter Carvalho
• Titãs / ‘Cabeça Dinossauro ao vivo 2012’, diretor Oscar Rodrigues Alves
ÁLBUM LINGUA ESTRANGEIRA
• ‘Bá’ / Léo Leobons, produtores Léo Leobons e Léo Saad
• ‘Blubell & Black Tie’ / Blubell & Black Tie, produtores Swami Jr., Mario Manga, Fabio Tagliaferri e Blubell
• ‘Idilio’ / Marina de la Riva, produtores Pupilo, Pepe Cisneros e Marina de la Riva
ÁLBUM ERUDITO
• ‘Ravel + Debussy’ / Clara Sverner, produtor Jeffrey Ginn
• ‘Retratos brasileiros‘ / Orquestra de Câmara “Solistas de Londrina”, produtor Evgueni Ratchev
• ‘Villa-Lobos & Friends’ / Nelson Freire, produtor Dominic Fyfe
ÁLBUM INFANTIL
• ‘Par ou ímpar ao vivo’ / Kleiton & Kledir + Grupo Tholl, produtores Kleiton & Kledir
• ‘Partimpim 3’/ Adriana Partimpim, produtor Daniel Carvalho
• ‘Tic Tic Tati’/ Fortuna, produtor Gabriel Levy
ÁLBUM PROJETO ESPECIAL
• ‘Amazônia, na trilha da floresta’ / Mario Adnet, produtores Mario Adnet, Joana Adnet e Antonia Adnet
• ‘Um olhar sobre Villa-Lobos’ / Mario Adnet, produtor Mario Adnet
• ‘Vinicius & Os Maestros’ / Mario Adnet, produtor Mario Adnet
ÁLBUM ELETRÔNICO
• ‘Peregrino’ / Projeto CCOMA, produtores Swami Sagara e Moises Matzenbacher
• ‘Sotaque carregado’ / Dj Mam, produtores Alex Moreira e Dj Mam
• ‘boTECOeletro vol.2’ / boTECOeletro, produtor Ricardo Imperatore
SALVADOR – O último dia do carnaval baiano levou a maior parte dos 600 blocos e atrações musicais para os três circuitos da festa. A mistura de ritmos atraiu todas as tribos. O desfile de blocos começou por volta das 14h no Circuito Osmar, no Centro, com apresentação das grandes estrelas da música baiana como Ivete Sangalo e a Banda Chiclete com Banana. No Circuito Dodô, na orla, quem apareceu foi o compositor paraibano Chico César, animando o “microtrio”, e o cantor Tatau, no seu retorno ao Bloco Araketu. Já no Circuito Batatinha, no Pelourinho, somente as bandinhas de sopro e percussão animaram os foliões.
Com sua irreverência, Ivete Sangalo, animando o Bloco Corujas, roubou a cena, com uma roupa branca transparente. Ao passar pela Passarela do Samba, onde ficam os camarotes das autoridades, avistou o prefeito ACM Neto (DEM) que assistia ao desfile ao lado de amigos, familiares, assessores e uma jovem. Ivete passou a brincar com ACM Neto, que tem duas filhas e é separado: “Que moça bonita, Neto, parece a Carla Bruni. Como é seu nome? Para a gente ficar logo amiga e você me jogar logo na comitiva...” Neto e a jovem pareceram muito constrangidos, mas a irreverente cantora não parou e puxou o coro, “beija, beija!”.
E continuou. “Neto, deixe eu lhe dizer uma coisa: não é porque eu sou cantora que não faço xixi, não é porque você é prefeito que não vai ser 'miseravão' (gíria baiana que significa namorador). Quero ver um pitoco, se quiser de língua também pode”. O prefeito deu um sorriso amarelo, disse que não com as mãos, mas Ivete não desistia: “você sabe que se você não beijar eu não saio daqui, só um pitoquinho, um carinho, ela é louca para se agarrar...” Como não conseguiu seu intento, resolveu continuar cantando e seguir sua apresentação. Logo depois, a assessoria da Prefeitura de Salvador esclareceu que a jovem era uma convidada da família do prefeito e não teve o nome revelado. A nota dizia, ainda, que ACM Neto está solteiro. Após o mico de Ivete, surgiu o Bloco Camaleão, animado pela banda Chiclete com Banana, que apresentou uma versão para trio elétrico do sucesso de Roberto Carlos, “Esse cara sou eu”.
Enquanto isso, no Circuito Dodô, após a presentação do cantor Chico César, foi a vez do projeto Retrofolia 2013, com artistas da cena rock baiana: a banda Retrofoguetes e os músicos Morotó Slim, Paulo Chamusca e Kaverna. O cantor Tatau, também se apresentou na orla. Levou como convidado o sertanejo Frank Aguiar e se emocionou ao lembrar seu retorno ao grupo Araketu, um dos mais representativos da nova música baiana e um dos primeiros a unir percussão com instrumentos eletrônicos. À noite estão previstas as apresentações de Daniela Mercury e Cláudia Leite na orla.
Outra grande atração da terça de carnaval está marcada para a noite na Praça Castro Alves, onde ocorre o famoso encontro dos trios elétricos. Está programado para o encerramento da festa na praça, no Centro de Salvador, shows com Ju Moraes e Vozes do Brasil, Luiz Caldas, o black semba de Magary Lord tendo como convidado o cantor Toni Garrido, da banda Cidade Negra.
Mas o encerramento do carnaval em Salvador só ocorre na manhã desta Quarta-feira de Cinzas, com o “arrastão da Timbalada” na orla. Pela primeira vez desde a criação do evento em 1994, o músico Carlinhos Brown não deve participar. Mas a festa será comandada por Ivete Sangalo.
SALVADOR - Ao longo do último século contam-se nos dedos aqueles que atinaram a ideia de vestir com roupagem orquestral as heranças musicais afro-brasileiras. Foi o gênio do maestro mineiro Abigail Moura (1905-70) o primeiro a propor esse amálgama, quando, há 70 anos, criou a Orquestra Afro-Brasileira. Suas composições eram estruturadas a partir das células rítmicas dos toques dos orixás. Copista da rádio MEC, Abigail Moura adicionou à formação orquestral instrumentos como agogô, adejá, urucungo, afoxé, atabaques e angoma-puíta, uma espécie de ancestral da cuíca.
Depois das contribuições de Abigail Moura, registradas nos discos “Obaluayê” (1957) e “Orquestra Afro-Brasileira” (1968), hoje tidos como raridades, faltou por muito tempo continuidade ao seu legado. Foi preciso mais de três décadas para que Salvador, reconhecida como a maior população negra fora da África, despertasse para as possibilidades da combinação do erudito com a matriz africana a partir da criação, em 2006, da Orkestra Rumpilezz, liderada pelo maestro Letieres Leite. No rastro da Rumpilezz, surgiram a Orquestra Afrosinfônica, criada pelo maestro Ubiratan Marques, em 2008, e a Sanbone Pagode Orquestra, idealizada pelo sanfoneiro e trombonista Hugo Sanbone, em 2009 — ambas lançam seus discos de estreia em 2013. A Rumpilezz prepara três novos álbuns.
— Abigail foi o grande pioneiro, mas é difícil saber o motivo desse hiato, até porque seria natural essa aproximação entre as orquestras e o universo da música popular afro-baiana. Mas não foi o que aconteceu de Abigail em diante, até criarmos a Rumpilezz — diz Letieres.
Abigail Moura emprestava devoção religiosa a sua música. Envolto pelas contas de seus orixás, agia como um sacerdote.
— Ele evocava energias fortíssimas. Certa vez precisou chamar seu santo para virar a energia do lugar. Um pianista não aguentou e foi embora — conta Letieres.
O maestro cita Moacir Santos, Pixinguinha e, principalmente, Paulo Moura como músicos que se banharam no universo afro:
— Moacir tinha informações privilegiadas sobre as claves afro-brasileiras, mas não era uma preocupação dele seguir à risca o padrão dos tambores. Pixinguinha também demonstra um conhecimento profundo, mas Paulo foi o único a manifestar uma preocupação real em seguir tais padrões rítmicos.
Disco para Caymmi
Após lançar o premiado “Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz”, em 2009, o maestro prepara três novos álbuns para o ano que vem: o primeiro é inteiramente dedicado ao cancioneiro de Dorival Caymmi; o segundo propõe uma releitura dos afrossambas de Baden Powell e Vinicius de Moraes; e o terceiro reunirá as novas composições da Rumpilezz.
— Não é só uma homenagem. Faço esse disco por reconhecer o que Caymmi significou para a estrutura da música popular brasileira. Caymmi é um pilar — diz o maestro, que já terminou os arranjos para “Canto de obá”, “A lenda do Abaeté” e “A jangada voltou só”.
— Caymmi é a contemporaneidade e a ancestralidade, não é à toa que a forma de ele tocar o violão está alinhada à rítmica afro.
Criador da Afrosinfônica, Ubiratan Marques não tem respostas para o vácuo entre Abigail Moura e a ebulição das orquestras contemporâneas afro-baianas. Mas sabe o que o motivou:
— Tocar Beethoven e Mozart é maravilhoso, mas o problema é ignorar as manifestações do lugar onde estamos. Decidi que era hora de fazer uma música que nos representasse, uma linguagem em que todos nós pudéssemos nos reconhecer, nos sintonizar. Uma orquestra não é um luxo. Surge a partir das necessidades de uma cidade que quer se expressar musicalmente.
Se o trabalho de composição de Letieres é todo constituído a partir dos padrões rítmicos dos toques de cada orixá do candomblé, a Afrosinfônica aposta na mistura da diversidade da música africana com as tradições do sertão nordestino, enquanto a Sanbone sofistica a música dos guetos, o pagode baiano, cuja essência rítmica advém do samba e do semba das senzalas.
— Fui criado no terreiros, minha avó era Ialorixá, mas cresci nas fazendas de cacau, e minha outra avó era beata. Então a Afrosinfônica é o sertão e a África — diz Ubiratan Marques.
Ritmo classificado pejorativamente por suas letras e melodias, o pagode ganha ares sofisticados nos arranjos instrumentais da Sanbone.
— O que nos interessa é o ritmo do pagode, que vem, é claro, lá de trás — afirma Sanbone. — Mas o meu foco é o pagode de hoje, um gênero que é visto de forma negativa. O que faço é lançar um outro olhar sobre essa manifestação, de forma acessível, mas sem perder a erudição. O que importa na música é o tratamento, aquilo que você faz a partir da matéria-prima que tem.
Batida para orixás
Para Letieres, assim como para Abigail Moura, todos os instrumentos da orquestra, não só os de percussão, mas cordas e sopros também, têm de responder a uma clave, ou seja, a tal célula rítmica determinada por um tipo de toque. Mais do que uma investigação sobre a música afro, portanto, a Rumpilezz tem como base os cultos religiosos afro-brasileiros.
— Existe uma batida exclusiva para representar e saudar cada um dos orixás. Às vezes ouço músicas bem escritas, mas que não necessariamente atendem a esses padrões rítmicos. Você nota que a percussão está toda certa, mas alguns instrumentos não os seguem, e aí o estilo afro não é contemplado como um todo.
Um dos objetivos de Letieres é sistematizar e catalogar os diferentes toques percussivos, como fizeram músicos americanos e cubanos.
Ao criar a orquestra, Letieres passou a transpor os sons dos atabaques, chamados de rum, rumpi e lé, para instrumentos como tuba e trombone, entre outros. Teve como mestres os músicos das ruas e dos terreiros da Bahia.
— Foram eles que me ajudaram a criar a correspondência das claves dos tambores para os outros instrumentos. Nenhuma música de matriz africana pode ser escrita precisamente dentro da escrita europeia. Há muita sutileza entre seus microrritmos.
O grupo Nó em Pingo D'Água é formado por músicos de renome como Celsinho Silva (pandeiro e percussão)m, Guto Wirti (baixo), Mário Seve (sax e flauta), Rodrigo Lessa (bandolim) e Rogério Souza (violão), e conta com a participação especial do percussionista Paulino Dias.
Mais:
"Carioca de Copacabana, Mariana Baltar envolveu-se com o samba na adolescência, quando se tornou bailarina e professora de dança de sala?o da Cia. Aérea de Dança. Além do reconhecimento do público e da imprensa, sempre com boas críticas, a cantora foi indicada ao Prêmio TIM 2007 na categoria Revelação. Em 2010 Mariana Baltar lança seu segundo CD, denominado "Mariana Baltar", pela gravadora Biscoito Fino, onde gravou músicas como "Uva de caminhão" (Assis Valente) e "Teco teco" (Pereira da Costa / Mílton Vilella), sucesso nas vozes de Ademilde Fonseca e Gal Costa, em 1950 e 1975, respectivamente.
No show-baile serão apresentados sucessos da carreira dos artistas como "Davilicença" (choro de Moraes Moreira), "Só vendo que beleza" (Henricão/Rubens Campos) - esse é o famoso samba que fala da casinha da Marambaia, gravado pela Carmen Costa e depois pela Elis, "Assanhado", "Biruta", entre outras canções sempre em versões dançantes explorando ritmos como samba, choro, maxixe, baião, salsa e semba" (release).
Serviço:
Onde: Casarão Ameno Resedá
Artista: Nó em Pingo D`Água & Mariana Baltar
Capacidade de público: 250 lugares
Classificação etária: 16 anos
Endereço: Rua Bento Lisboa, 4 – Catete
Telefones: (21) 2556-2427
Dia e hora do show: 24 de maio, quinta-feira, às 20h,
Abertura do Casarão: 19h
Ingresso: setor A (mesa/lugar) - R$ 40,00 (meia ou 1 kg de alimento não perecível ou cadastro no site)// setor B (pista) - R$ 30,00 (meia ou 1 kg de alimento não perecível ou cadastro no site)
Cartões de crédito: Diners, Mastercard e Visa
Cartões de débito: todos
Estacionamento? Sim
Venda de Ingresso por site? www.ingressorapido.com.br
Bilheteria (térreo) - de quinta a terça, das 14h às 22h
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