Matoub Lounès

Matoub Lounès

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Biografia


Lounès Matoub: voz rebelde da Kabylie

Em outubro de 1988, Lounès Matoub recebe cinco tiros de kalachnikov perto de Alger e é abandonado para morrer na calçada. Ele sobrevive com dezessete operações cirúrgicas e uma perna encurtada em cinco centímetros. Ele retoma sua mandola — instrumento de cordas que nunca aprendeu a ler, mas que toca de ouvido — e grava L’Ironie du sort, um álbum-conceito que narra sua convalescença. Sua voz permanecerá a arma de uma Kabylie em luta por sua língua.

Em breve

Nome completo Lounès Meɛṭub (Lwennas Meɛṭub em kabyle)
Nascimento 24 de janeiro de 1956, Taourirt Moussa (Aït Douala / Djurdjura), Kabylie
Morte 25 de junho de 1998 (42 anos), Thala Bounane, Kabylie
Domínio Cantor, compositor e intérprete, poeta — música kabyle e chaâbi argelino
Obras emblemáticas Ay izem (1978), L’Ironie du sort (1989), Kenza, Lettre ouverte aux…
Distinções Prêmio da Memória (1994), disco de ouro póstumo para Lettre ouverte aux…

Datas-chave

Ano Evento
1956 Nascimento em Taourirt Moussa, vila do Djurdjura na Kabylie
1978 Primeiro álbum Ay izem (« O Leão »): sucesso imediato
1980 Primeiro grande concerto, coincidindo com a Primavera berbera pela língua tamazight
1983-1987 Álbuns políticos Tamsalt n Sliman, Eras tili: canções proibidas na rádio argelina
1988 (out.) Ferido por cinco tiros em Alger; dois anos de hospital, dezessete operações
1989 L’Ironie du sort: álbum-conceito autobiográfico sobre a convalescença
1994 (set.) Sequestrado pelo GIA; libertado após quatorze dias graças à mobilização kabyle
1995 Publicação de Rebelle (Stock); Prêmio da Memória entregue por Danielle Mitterrand
1998 (25 jun) Assassinato na estrada de Tizi Ouzou; setenta e oito impactos de bala em seu carro

O percurso de um rebelde

Lounès Matoub nasce em 24 de janeiro de 1956 em uma vila perdida das encostas do Djurdjura, no coração da Kabylie. Seu pai Omar partiu trabalhar na França quando Lounès era apenas uma criança; ele torna-se o pequeno homem do lar. Escolarizado em uma antiga escola dos Padres Brancos, ele descobre a poesia francesa de Aragon e os versos de Mouloud Mammeri. Expulsado de um colégio após o outro, emigra para a França aos vinte e dois anos e se apresenta sob o nome de « l’Oublié » nos café-concerts kabyles da região parisiense, onde o cantor Idir serve de mentor. Nenhum curso de música; seu ouvido forja-se nas veladas fúnebres kabyles onde a comunidade canta em coro por horas.

Em abril de 1980, a Primavera berbera eclode: estudantes e operários da Kabylie reivindicam o reconhecimento oficial da língua tamazight. Lounès participa em primeiro lugar, vestido com um uniforme militar para marcar sua solidariedade com uma Kabylie em guerra. Seus álbuns Tirgin (« As Braças ») e Tamsalt n Sliman censuram a corrupção das elites. Em 12 de outubro de 1988, durante o levante popular de Alger que forçará o regime a autorizar os partidos políticos, um gendarme descarrega seu kalachnikov nas suas costas. Dois anos de hospital, dezessete operações — ele grava L’Ironie du sort (1989).

Em 1995, ele publica Rebelle (Stock) e recebe o Prêmio da Memória das mãos de Danielle Mitterrand.

Em 25 de junho de 1998, um comando armado para sua Mercedes na estrada de Tizi Ouzou. Lounès atira contra seus assaltantes até o esgotamento das munições, segundo o testemunho de sua esposa Nadia. Setenta e oito impactos perfurarão seu carro. Jacques Chirac declarará: « Era a voz da Argélia, forte e clara » (New York Times). Em 30 de junho, o GIA reivindica o assassinato. Seu último álbum Lettre ouverte aux… contém « D aghurru » — um disco de ouro que zomba do hino nacional.

Obras principais

Obra Ano Por que é essencial
Ay izem (O Leão) 1978 Primeiro álbum: grito de revolta kabyle que anuncia todo um combate
L’Ironie du sort 1989 Álbum-conceito autobiográfico: um homem narra seu corpo ferido em chaâbi
Kenza (excerto, álbum homônimo) 1993 Canção de amor paterno para a filha de um jornalista berbere assassinado
Lettre ouverte aux… 1998 (póstumo) Disco de ouro póstumo: último sopro de um poeta que nunca parou de lutar

Legado e influência

Lounès Matoub morreu aos quarenta e dois anos, mas sua lenda cresceu com o tempo. A Primavera berbera de 2001 — mais de cem mil manifestantes nas ruas kabyles — colocou-se sob seu nome. A enciclopédia Britannica qualifica-o como defensor da causa amazighe. Artistas de todo o mundo — Tinariwen, os rappers kabyles dos anos 2000, os grupos punk de Marselha — citam-no como referência. O reconhecimento oficial da língua tamazight na Constituição argelina (2016) e seu estatuto de língua de Estado (2019) são o monumento silencioso que Lounès construiu com sua voz. Ele não cantava para agradar; cantava porque sua língua o ordenava.

Fontes e referências

  1. « Lounès Matoub », Wikipédia (versão francesa), https://fr.wikipedia.org/wiki/Loun%C3%A8s_Matoub, consultado em 1 de novembro de 2026.
  2. « Lounès Matoub », Wikipedia (versão inglesa), https://en.wikipedia.org/wiki/Loun%C3%A8s_Matoub, consultado em 1 de novembro de 2026.
  3. « Lounés Matoub », Britannica Online Encyclopedia, https://britannica.com/print/article/369458, consultado em 1 de novembro de 2026.
  4. Paul Silverstein, « Rebels and Martyrs », Middle East Report (MERIP), setembro de 1998, https://merip.org/1998/09/rebels-and-martyrs, consultado em 1 de novembro de 2026.
  5. « Matoub Lounès », Matoub Lounès Éternel, https://www.matoub-lounes-eternel.com/biographie, consultado em 1 de novembro de 2026.
  6. « Matoub Lounes », Discogs, https://www.discogs.com/artist/1576157-Matoub-Lounes, consultado em 1 de novembro de 2026.

  1. « Lounes Matoub, 42, Is Killed », The New York Times, 27 juin 1998, https://nytimes.com/1998/06/27/world/lounes-matoub-42-is-killed-sang-to-promote-berber-cause.html, consulté le 1 novembre 2026.