O mbira (também chamado de kalimba ou zanza) é um lamellofone tradicional dos povos Shona do Zimbabwe. É uma das ferramentas mais emblemáticas da África Austral, utilizada há mais de 1300 anos.
Construção
O mbira é composto por um tabuleiro de madeira (ou outrora em bambu) no qual estão fixadas lâminas metálicas de diferentes comprimentos. As lâminas mais curtas produzem as notas agudas, e as mais longas os graves. O músico segura o mbira com uma mão e pinça as lâminas com os polegares, produzindo um som melódico e hipnótico. Nozes de cabaca ou caixas metálicas (os shaker) são frequentemente presas sob o tabuleiro para produzir um zumbido e atrair os espíritos.
História e uso espiritual
O mbira é utilizado em cerimônias rituais para invocar os espíritos dos ancestrais e comunicar-se com eles. É tocado durante cerimônias religiosas, casamentos e funerais. Em 2020, o UNESCO inscreveu a arte do mbira na Lista representativa do patrimônio cultural imaterial da humanidade (Art of crafting and playing mbira — Sambi, finger-plucking traditional musical instrument in Malawi and Zimbabwe).
Variações
O mbira espalhou-se por toda a África Austral com nomes diferentes: likembe e sanza no Congo, kadongo em Uganda, kalimba no Quênia. Na África do Sul, as variações incluem o mbira dzimba e o koto. O músico Hugh Tracey comercializou uma versão simplificada na década de 1950, popularizando o lamellofone fora da África.
Músicos notáveis
- Elijah Sholo — pioneiro do mbira na música contemporânea
- Thomas Mapfumo — lenda da música zimbabuense, integra o mbira em suas composições
- Jah Prayzah — artista zimbabuense contemporâneo
- Don Chimwemwe — mestre mbira renomado