Bandas e Artistas de Kuduro

País : Angola Cabo Verde

O kuduru nasceu em 1996 na Angola. Ele foi criado por Tony Amado.
O Kuduru (tradução do português de "bumbum duro") é uma mistura potente de ritmos tradicionais da percussão angolana à 140Bpm (Descendente do samba brasileiro) e das batidas eletrônica de influência house. Sobre esta base de arranjos inesperados, os Kuduristas colocaram seus textos reivindicatórios. O Kuduru é uma produção eletrônica totalmente africana, um estilo musical único no mundo, 100% angolano.
Para acompanhar estes novos ritmos, Tony Amado também criou uma dança, a batida dura e sensual. Alternando descidas e balanços languidos, esta dança constitui um espetáculo fascinante.

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Notícia : Bandas e Artistas de Kuduro

RIO - As mesmas perguntas que guiam um bom texto jornalístico — quem? quando? onde? como? por quê? — servem também para levar o diretor alemão Ralf Schmerberg numa viagem quase mística pelos sinuosos caminhos da criação musical no recém-lançado documentário “What difference does it make?” (“Que diferença isso faz?”). Produzido em meio às celebrações dos 15 anos da Red Bull Music Academy — uma experiência única no meio, que reúne artistas de diferentes gêneros, gerações e status, em eventos realizados anualmente, cada vez em uma cidade diferente —, o filme, que pode ser visto on-line, registra uma das etapas desse circuito, realizada em Nova York no ano passado. Com uma série de entrevistas, encontros e debates, a câmera de Schmerberg revela momentos de reflexão, raramente tornados públicos, de Brian Eno, Debbie Harry, James Murphy (LCD Soundsystem), Nile Rodgers, Erikah Badu, Phillip Glass e Giorgio Moroder, entre outros.

O celebrado produtor italiano de disco, renascido graças à sua participação no álbum “Random access memories”, do Daft Punk, por exemplo, aparece numa das cenas do filme, confessando o nervosismo antes de uma apresentação, como DJ, num dos eventos paralelos à academia. “Parece que há muita gente querendo me ver. Espero não sentir a pressão. Mas vou beber duas taças de vinho e fazer o que tiver vontade”, diz Moroder, de 73 anos. Já a ex-cantora do Blondie dá uma inusitada dica aos seus seguidores durante uma palestra: “Não se esqueçam de tirar férias. Trabalhamos por sete anos sem parar, e isso traz uma pressão intensa. Parar é importante”, afirma Debbie. Erykah Badu, por sua vez, fica visivelmente desconcertada quando alguém, durante uma palestra, revela que a música da estrela do soul mudou sua vida. “Acho incrível ter causado isso, já que meu trabalho sempre seguiu um modelo egoísta de produção”, conta ela. E Eno, ao mesmo tempo em que revela a forma quase mediúnica como compõe (“A música toma conta de mim”), faz a pergunta que gerou o título do filme, quase uma sessão de análise das estrelas: “Por que estou fazendo isso? Que diferença isso faz para o mundo?”

— Queria olhar a música de forma humana, e não fazer um filme para especialistas. A ideia era achar a linguagem da música e tentar entender como esses artistas se conectam com seu trabalho — conta Schmerberg. — No final, consegui que eles se abrissem para as câmeras. E ri e me emocionei junto com seus depoimentos.

Os festejos em torno do Red Bull Music Academy — que passou por São Paulo em 2002 e cuja próxima edição é em Tóquio, em outubro — não se resumem a “What difference does it make?” e incluem também “For the record — Conversations with people who have shaped the way we listen to music”, um parrudo livro de 400 bem desenhadas páginas com variações desse confessionário musical. Editado por Many Ameri e Torsten Schmidt — os idealizadores da Red Bull Music Academy —, o “coffee table book” reproduz o bate-papo entre artistas e grupos como Mulatu Astatke (o mestre do jazz etíope) e Buraka Som Sistema (o grupo português de kuduro); e Lee Perry (o gênio do reggae psicodélico) e Adrian Sherwood (o veterano produtor britânico), abordando os meandros do processo criativo.

— Sempre estivemos interessados em documentar esses encontros, já que às vezes é difícil explicar tudo o que envolve a academia — explica Ameri. — E, mesmo com todas as inovações tecnológicas, o livro é um formato clássico e adorável de imortalizar isso. Nele, os próprios artistas se explicam. É como se levassem as discussões para o sofá do leitor.

Início num galpão em Berlim

Em sintonia com filme e livro, Ameri também aproveita a data para refletir sobre o evento que ajudou a criar, inicialmente realizado em um galpão em Berlim e que evoluiu de um encontro entre DJs e produtores de sons alternativos para se transformar em um grande simpósio musical, que inclui também uma revista e uma rádio on-line. O cofundador do evento também responde pela curadoria de palcos em festivais como Sónar, na Espanha, e Montreux, na Suíça.

— Desde o começo, nossa ideia era reunir artistas de diferentes origens, fosse Gilberto Gil ou Flying Lotus, para que refletissem sobre seu processo criativo e ajudassem a inspirar as novas gerações. Era uma época bem diferente, quando a informação não estava tão acessível como agora, graças à internet, e havia uma demanda enorme por esse tipo de conhecimento — lembra ele. — Mesmo hoje, ainda é difícil reunir talentos assim, sem um compromisso comercial e em um nível mais humano, como nesses encontros, em que vale mesmo é o olho no olho. Por isso, acho que ainda temos um longo caminho pela frente, já que o interesse pela criação musical não se esgota nunca. Até porque o acesso a ferramentas de produção se democratizou incrivelmente. Quase todo mundo pode fazer música em casa hoje. Mas a inspiração vai sempre nos assombrar e encantar.

Source : Globo Online | 2014-03-02 10:00:00.0

RIO - Em 2007, bastou o carioca Tiago Monteiro pisar pela primeira vez o solo português para sentir o que os 24 anos vividos até então no seio de uma família lusitana não haviam conseguido: a nacionalidade paralela embutida na alma. E foi com esse sentimento que foi fazendo suas descobertas em cidades como Lisboa, Porto e Coimbra. Na volta para o Rio, carregava na bagagem dois tesouros: CDs de música contemporânea de lá e um projeto para o seu doutorado — debruçar-se sobre aquelas sonoridades tão pouco conhecidas no Brasil. Hoje, ele lança “Tudo isto é pop” (editora Caetés), na Livraria da Travessa da Rua Sete de Setembro, a partir das 17h30m.

— Eu estava apenas no segundo dia em Portugal, e tudo o que eu não queria era ir embora de lá. Dias depois, voltando de Cascais, minha namorada (hoje mulher), Flávia, deu a ideia: “Por que você não arranja um pretexto para, no seu doutorado, voltar aqui?”

Sete meses em Lisboa

O ponto de partida para a tese de doutorado de Monteiro foi a observação da escassa presença da música portuguesa em relação à estrangeira e a tentativa de estabelecer uma relação com o fato de, no Brasil, o som de Portugal ser definido pelo trinômio redutor Roberto Leal, fados e viras. O escritor confessa que chegou a ser questionado sobre se o que queria produzir não seria apenas um lamento pelo fato de a música contemporânea lusitana, principalmente o pop/rock, ser pouco conhecida no Brasil.

— Aí fui residir em Lisboa por sete meses, entre 2009 e 2010, quando pude mapear o que estava acontecendo e inclusive redimensionar a tal da “hegemonia da música brasileira em Portugal”, que é menos hegemônica do que o senso comum acredita que é.

Nessa nova temporada lisboeta, Monteiro descobriu um novo e vibrante circuito.

— Havia todo um universo, entre o mainstream e o underground, de artistas e bandas que, naquele momento, estavam promovendo reescrituras da identidade portuguesa, muitas delas afetadas pelo contato com outros imaginários musicais, brasileiros, anglófonos e de matriz africana.

Das dezenas de nomes citados no livro, o autor destaca alguns, como Buraka Som Sistema, banda dos arredores de Lisboa que funde kuduro e house; The Gift; Cacique 97, “um baita combo de afrobeat, que tem uma versão bacanérrima de ‘Jorge da Capadócia’”; Deolinda; B Fachada...

Monteiro criou uma página para o “Tudo isto é pop” no Facebook. E por ela, recebeu a informação de que um site brasileiro, o Scream & Yell, havia feito entrevistas com artistas da nova vaga do pop lusitano.

— Teses de doutorado têm dessas coisas. De repente, você descobre que as questões que circulam na nossa cabeça estão em sintonia com o interesse de outras pessoas.

Source : Globo Online | 2013-10-28 10:00:00.0
O mais recente filme do realizador Mário Patrocínio, sobre o movimento cultural kuduro, surgido na baixa de Luanda, é exibido no festival de cinema DocLisboa, num momento de tensão diplomática entre...


A banda, nascida na Amadora, mostra em documentário como conseguiu fazer do estilo "kuduro" africano uma forma universal de dançar.
Source : rtp.pt | 2013-10-24 23:19:40.0
A moda das dancinhas parece ter chegado do UFC. Depois do sul-coreano  Dong Hyun Kim dançar o hit 'Kuduro' no treino aberto do UFC Fight Night ...
Source : lancenet.com.br | 2013-10-09 00:05:20.0

RIO - Não há muita teoria em “I love kuduro”. É a prática que dá o tom do documentário do português Mário Patrocínio, que faz sua estreia mundial no Festival do Rio. Quem conta a história, traça as origens, descreve a realidade e atualiza o contexto do batidão angolano — de notáveis semelhanças com o funk carioca — são suas próprias estrelas e figuras-chave, quase sempre conhecidas por um nome de guerra.

Durante quase duas horas, desfilam pela frente das lentes do diretor — que fez, por aqui, o documentário “Complexo — Universo paralelo”, de 2010 — coloridas figuras como Nagrelha (“O chefe do estado maior”), Sebem (“O príncipe”), a transexual MC Titica (“A estrela cintilante”), Hochi Fu (espécie de Marlboro de Luanda) e a dupla Príncipe Ouro Negro e Presidente Gasoline, rappers com seu próprio dialeto (“portuguesaire”, como explicam).

— Foi difícil selecionar esses personagens e chegar junto a eles — conta Patrocínio. — Mas achamos importante mostrar quem são e de onde vêm essas estrelas que movem multidões em Angola. Foi essa curiosidade, despertada em mim quando ia a bailes de kuduro em Lisboa, ainda adolescente, nos anos 1990, que me motivou a fazer esse filme. Sempre quis saber quem eram os artesãos daquele som.

Para realizar “I love kuduro”, Patrocínio e sua equipe ficaram seis meses em Luanda, em 2011, visitando estúdios de gravações e acompanhando bailes e festivais.

— A primeira vez que visitei Luanda foi no começo dos anos 2000, mas o país ainda estava vivendo o fim da guerra civil e não havia clima para filmar. Voltamos quase dez anos depois, e aí sim, conseguimos avançar com o projeto — explica. — Além do ritmo e desses personagens, foi incrível poder retratar uma cultura urbana africana, já que, em geral, as pessoas têm uma visão estereotipada do continente, sempre relacionada à miséria e à violência. “I love kuduro” tenta mostrar esse outro lado, contemporâneo e vibrante, de uma cidade em crescimento e de um país renascendo.

Como fez com “Complexo”, que retratava a realidade no Complexo do Alemão antes da pacificação, Patrocínio levou o seu olhar de estrangeiro para esse outro universo.

— Acredito que isso traz algumas vantagens, já que posso observar coisas que os locais já nem reparam mais. Isso me ajudou no Alemão e também em Luanda. Vi as naturais semelhanças entre o kuduro e o funk carioca, e também suas diferenças. O kuduro tem uma sexualidade menos explícita que o funk. E, como o país passou por um longo período de guerra, todos estão cansados de violência e parecem querer se divertir e compartilhar, com alegria, seu novo cotidiano.

Source : Globo Online | 2013-10-02 12:00:00.0

RIO - Não há natureza morta neste “A arca de Noé”. Preservado o poético universo criado por Vinicius de Moraes há mais de três décadas, é uma outra fauna que vem (re)contar suas histórias, entre novas espécies e uns bichos bem cascudos. A abertura é exemplar, com o cinematográfico arranjo do maestro americano Miguel Atwood-Ferguson (ligado a Flying Lotus e à vanguarda musical de Los Angeles) servindo de tapete voador para a narração de Maria Bethânia, seguida pelas vozes de Seu Jorge e Péricles (do ExaltaSamba). Zeca Pagodinho embriaga o ritmo e transforma “O pato”, originalmente uma valsa, imortalizada pelo MPB-4, num samba. Pai e filho, Caetano e Moreno Veloso amansam “O leão” com as palmas de um pagode.

Mart’nália conduz o divertido clima de cartoon de “O gato” (e faz pensar em como seria o Canastra ao seu lado nessa brincadeira), no mesmo clima de “A foca”, equilibrada com irreverência pela Orquestra Imperial. Eletrizado pela guitarra de Dado Villa-Lobos, Erasmo Carlos faz “O pintinho” com cara de mau, enquanto Chitãozinho & Xororó trazem para seu habitat a “Corujinha”, que havia sido regravada por Elis Regina, e Ivete Sangalo e o grupo português (de kuduro) Buraka Som Sistema degustam “A galinha D’Angola” num embalo afro.

Mas é na delicadeza hipnotizante e sensorial de Gal Costa, com suas “Borboletas”, e de Maria Luiza Jobim, com “A cachorrinha”, e no groove afiado de “O elefantinho”, com Adriana (Partimpim) Calcanhotto, puxado por uma linha de baixo matadora de Alberto Continentino (que implora por um remix house), que a “Arca” de Vinicius emerge gloriosamente de águas passadas e atinge seu ponto mais alto. Brincadeira recomendável para todas as idades: ouvir o disco de novo, de novo, de novo.

Cotação: Bom

Source : Globo Online | 2013-10-02 12:00:00.0

RIO - Sobre as cordas do arranjo do americano Miguel Atwood-Ferguson, baseado no original de Rogério Duprat, a voz de Maria Bethânia, como se fosse Deus (“Ela é Deus”, confirma Adriana Calcanhotto), faz nascer um cenário enquanto fala. São versos de Vinicius de Moraes: “Sete em cores, de repente/ O arco-íris se desata/ Na água límpida e contente/ Do ribeirinho da mata”. Seu Jorge — timbre grave, almirante negro — anuncia a chegada de Noé, sua alegria e barba branca. Péricles desce feliz da nau, com o coro de crianças e da bicharada. Assim começa a nova viagem de “A arca de Noé” (Sony), clássico da música brasileira feita para crianças de todas as idades que reuniu a nata da MPB em dois discos (1980 e 1981) cantando temas de Vinicius (a maioria com Toquinho), como “O pato” e “O leão”. Agora, às vésperas do centenário do poeta (Vinicius faria 100 anos no dia 19 de outubro), eles são revisitados por medalhões (Caetano Veloso, Gal Costa, Chico Buarque), pela nova geração (Orquestra Imperial, Maria Luiza Jobim), por nomes consagrados na seara mais popular (Chitãozinho & Xororó, Ivete Sangalo), num olhar generoso que traça sem pretensão científica um painel do cenário contemporâneo da MPB, como uma grande arca. Um barco livre, segundo explica Susana Moraes, filha de Vinicius e timoneira do projeto ao lado de Dé Palmeira, Adriana Calcanhotto e Leonardo Netto.

— Foi uma escolha totalmente espontânea, sem rabo preso com nada, sem se importar se era gente famosa ou não, nada. Foi afinidade mesmo. Fulano vai ficar bem nessa, ou isso vai ser surpreendente com essa pessoa... — diz Susana.

Adriana assume o leme:

— Dé foi o que pensou melhor a voz de cada pessoa para cada música. Ele começou com a Ivete em “A galinha-d’angola” (com o grupo português Buraka Som Sistema e seu kuduro, ritmo d'Angola como o animal). Depois veio Zeca (que dá síncope ao caminhar do pato jogando-o do compasso ternário original para o binário do samba), foram escolhas muito acertadas. Eu sugeri o Chico cantando “O pinguim”, pensando nesse humor cara de pau que é necessário para cantar Vinicius e que ele é quem mais tem, logo abaixo do próprio Vinicius.

A observação de Adriana sobre o samba amaxixado que “O pinguim” se tornou, à la velha malandragem, leva a conversa para um aspecto central da obra de Vinicius, a malícia presente mesmo na sua produção para crianças.

— Sempre tem uma sacanagenzinha por trás, por mais que pareça uma coisa boa e direta tem uma maldade por trás — define Susana.

Dé complementa:

— As letras são cruéis. Todos os bichos vão parar na panela, morrem.

Adriana nota que a crueldade não é gratuita:

— Todos os poemas (originalmente, as canções eram poemas) têm essa coisa do ciclo, do predador, da presa, da sobrevivência. Ele está o tempo todo lidando com isso, não está fazendo animais da Disney. Está falando da vida como ela é.

Adriana, porém, quis poupar um animal da vida como ela é e vetou a regravação de “O porquinho” (“Ela gosta de porquinho”, explica Susana). Cantada originalmente por Grande Otelo, a música soa como um divertidíssimo jingle de açougue, com versos em primeira pessoa como “Do rabo ao focinho/ Sou todo toicinho/ Bota malagueta/ Em minha costeleta/ Numa gordurinha”.

— Era demais. Porco não — diz Adriana, quase séria.

CD traz inédita “O elefantinho”

“A arca de Noé” traz a regravação de quase todos os temas de animais dos álbuns originais — que tinham ainda outras, como “A porta” e “O relógio”. E inclui também “São Francisco” (com Miúcha e Paulo Jobim) e “A casa” (na voz de Vinicius e no violão de Toquinho), além de duas que não estavam nos discos dos anos 1980 (ambas a partir de poemas de Vinicius, claro): “As borboletas”, musicada por Cid Campos e já gravada no segundo CD de Adriana Partimpim; e “O elefantinho”, com melodia de Partimpim, inédita.

— “As borboletas”, a Partimpim roubou da “Arca”, ela foi feita para esse disco. Porque o projeto da “Arca” vem sendo pensado há uns cinco anos — lembra Adriana.

Leonardo Netto, responsável pela logística do projeto, explica a demora:

— Era um disco caro, muitas pessoas com agendas complicadas. Conseguimos porque todas queriam participar, tivemos antecedência para conciliar as agendas, e a Sony comprou a ideia no todo, exatamente como queríamos.

Dos convidados, acabaram não entrando apenas João Gilberto (que faria “São Francisco”, mas cancelou sua participação) e Gilberto Gil, pensado para gravar a inédita “O peixe-espada”, que não ficou pronta a tempo.

— Está com ele, pode ser que chegue e dê a partida a uma segunda “Arca” — diz Adriana.

A ordem do disco sugere uma narrativa quase mítica. Logo depois da abertura (com Bethânia, Seu Jorge e Péricles), a arca, tal qual a caravela de Cabral, desembarca na Bahia — Caetano e Moreno transformam “O leão” num pagode baiano. A Bahia passa o bastão ao samba carioca — como na história da baiana Tia Ciata servindo de mãe do gênero no Rio —, e Zeca aparece com “O pato”. A partir daí, a história segue cortando a música brasileira, indo da disco music anárquica da Orquestra Imperial (“A foca”) aos timbres andinos de Arnaldo Antunes (“O peru”), passando pelo sertão de Chitãozinho & Xororó (“A corujinha”).

— Nunca tinha prestado atenção neles, mas fomos a um prêmio, eles cantaram, e fiquei boba com a voz dos dois — lembra Susana, referindo-se a Chitãozinho & Xororó. — Eles me remeteram a essa coisa da fazenda, onde passei muito a adolescência. A melancolia do fim de tarde, quando as corujas começam a piar. Tem uma coisa profunda nessa hora, quando o sol se põe, e os bichos noturnos saem. E Chitãozinho & Xororó fizeram a canção lindamente.

Reunidos, Susana, Dé, Adriana e Leonardo recordam curiosidades das gravações.

— Maria Luiza Jobim grava a única música que é do Tom (seu pai) no disco. E a mãe dela participou da gravação original, tem esses links — diz Dé.

Adriana conta outra:

— Arnaldo gravou “O peru” em duas oitavas. Porque a música fala de um peru que pensa que é um pavão. Então o grave é o que o peru é realmente, e o agudo é o que ele pensa que é.

Dos detalhes de making of, Susana é a que vai mais fundo, no nascimento dos poemas:

— Minha relação com essa obra vem de aporrinhar meu pai. Eu e Pedro (irmão dela) perguntávamos: “O que você está escrevendo?”. Ele respondia: “Poesia”. “E o que é poesia?” Até que, para se livrar da gente, começou a fazer esses poemas de bichos — brinca Susana, que trabalha com Sérgio Machado e Walter Salles num filme de animação da “Arca”.

Apesar das 17 faixas, o disco não é longo, pois as canções são curtas. Por dois motivos, Adriana explica:

— Crianças acham que o tempo do mundo é o tempo do computador. E eu também sou a favor de disco curto, canção curta. Porque a vida é curta.

As faixas de ‘A arca de Noé’ (2013)

1. “A arca de Noé” - Maria Bethânia, Seu Jorge e Péricles (gravada anteriormente por Chico Buarque e Milton Nascimento)

2. “O leão” - Caetano Veloso e Moreno Veloso (gravada anteriormente por Fagner)

3. “O pato” - Zeca Pagodinho (gravada anteriormente por MPB-4)

4. “O peru” - Arnaldo Antunes (gravada anteriormente por Elba Ramalho)

5. “O gato” - Mart’nália (gravada anteriormente por Marina Lima)

6. “O pintinho” - Erasmo Carlos (gravada anteriormente pelas Frenéticas)

7. “A corujinha” - Chitãozinho & Xororó (gravada anteriormente por Elis Regina)

8. “As borboletas” - Gal Costa (não foi gravada nos volumes originais)

9. “A formiga” - Mariana de Moraes (gravada anteriormente por Clara Nunes)

10. “A galinha d’Angola” - Ivete Sangalo e Buraka Som Sistema (gravada anteriormente por Ney Matogrosso)

11. “O pinguim” - Chico Buarque (gravada anteriormente por Toquinho)

12. “A cachorrinha” - Maria Luiza Jobim (gravada anteriormente por Elas)

13. “O elefantinho” - Adriana Partimpim (inédita)

14. “As abelhas” - Marisa Monte (gravada anteriormente por Moraes Moreira)

15. “A Foca” - Orquestra Imperial (gravada anteriormente por Alceu Valença)

16. “São Francisco” - Miúcha e Paulo Jobim (gravada anteriormente por Ney Matogrosso)

17. “A casa” - Vinicius de Moraes (gravada anteriormente por Boca Livre)

Source : Globo Online | 2013-10-02 06:00:00.0
O segundo filme do realizador português Mário Patrocínio, "I Love Kuduro", que conta a história do estilo musical e cultural surgido em Angola, terá sua estreia mundial nesta segunda-feira, durante o Festival de Cinema do Rio de Janeiro.
Source : rtp.pt | 2013-09-29 07:29:22.0

Dançarinos famosos colocaram os cariocas para dançar neste sábado. Grupo está na cidade para divulgar filme 'I love kuduro' no Festival do Rio.
Source : G1.com.br | 2013-09-28 21:36:32.0

LUANDA, ANGOLA - O vento frio que vem da Baía de Luanda penetra entre os plásticos e cartonados que protegem a plateia. De um ininterrupto canteiro de obras em frente, sons de guindastes e vozes de operários se imiscuem entre as falas dos atores e lembram, a todo instante, que a especulação imobiliária se aproxima, implacável, do velho casarão do século XIX. Há cinco anos, desde que recebeu um aviso de desapropriação do governo, o Elinga não investe em sua sede. Os sinais físicos da deterioração são visíveis, mas não interferem no que se vê no palco. O mais antigo grupo de teatro de Angola já passou por coisa muito pior em seus 25 anos de atividade, e mantém elevado o nível do trabalho, o que poderá ser conferido esta semana, no Rio, com “O cego e o paralítico”. O espetáculo, em que dois homens buscam um lugar mítico, onde seus males serão suprimidos, é um dos sete que compõem a quinta edição do Festival de Teatro da Língua Portuguesa (Festlip), que começa nesta quarta-feira, para convidados, e segue até domingo, dia 25, em vários palcos do Rio.

Uma visita pelos grupos teatrais em Angola deixa claro que fazer teatro no país requer o molejo de um dançarino de kuduro. Dramaturgo, ensaísta e diretor, José Mena Abrantes, um dos três remanescentes do núcleo original do Elinga (o nome significa oficina e exercício em umbundo, língua do Centro-sul do país) e o homenageado deste ano no festival, não esmorece no combate.

— O Elinga nasceu em maio de 1988, num período de relativa paz. Mas foram muitas as vezes em que os atores dormiram na sede, devido aos toques de recolher, e em que encenamos peças à luz de velas, consequência dos ataques às redes de distribuição de energia — conta ele, referindo-se à guerra civil travada entre o MPLA (partido há 38 anos no governo), a FNLA e a Unita, as três facções que lutaram pelo poder em Angola após a independência de Portugal, em 1975.

Hoje, 11 anos depois do acordo que selou a paz, os problemas são outros: a falta de reconhecimento da profissão (só recentemente atores, músicos e bailarinos ganharam uma carteirinha atestando a sua atividade) e de uma política pública de apoio às artes são alguns dos obstáculos a serem contornados. Uma Lei do Mecenato, inspirada na brasileira Lei Rouanet e em similares de países como Portugal, França e África do Sul, já foi aprovada, e está à espera de regulamentação.

— A cultura ainda não é prioridade no governo, e nós percebemos por quê — diz a ministra da Cultura, a historiadora Rosa Cruz e Silva, que, perguntada sobre o percentual do orçamento do Estado destinado à pasta, responde simplesmente: “0,00... pode pôr alguns zeros aí (em números absolutos, são 3 bilhões de kwanzas, ou cerca de US$ 30 milhões)”.

Hoje, a contribuição do Estado ao teatro tem sido viabilizar a viagem de grupos convidados para festivais no exterior. Ao Festlip, por exemplo, vem mais um, o Dadaísmo, com a peça “Luanary”, adaptada da obra poética de Adriano Botelho de Vasconcellos, sobre um rei tirano que, diante da morte, pede perdão ao povo e tenta se redimir com o filho, seu sucessor no trono.

— É uma peça de fácil identificação com o público, pois traz valores que dizem respeito aos africanos e ao Ocidente — diz o diretor do grupo, Hilário Belson, que costuma, em seu trabalho, fundir o tradicional e o contemporâneo.

Diferentemente do Elinga, o Dadaísmo não tem uma sede. Seus 12 integrantes são bancários, recepcionistas, professores, estudantes que costumam se reunir três vezes por semana, à noite, na União dos Escritores de Angola. Como o prédio está em obras, os ensaios para a vinda ao Rio aconteceram no teatro Laai Roi, sede do grupo de mesmo nome, dirigido por Carlos Araújo. O Laai Roi ocupa parte do segundo andar da casa de Araújo, à qual se chega por uma servidão, no Centro da capital. As cadeiras são de plástico, o palco tem apenas dez metros quadrados (e atrás dele fica o quarto do proprietário), a luz vem de quatro pequenos holofotes.

Outros palcos como este se espalham por Luanda. O encenador Orlando Kopata, 28 anos, monta o seu no ginásio de uma escola privada do Prenda, bairro no limite dos musseques, as favelas de lá. São banquinhos e cadeiras de plástico que tomam o local nos fins de semana; as coxias são feitas com cortinas de banheiro. Outros grupos, como o Henrique Artes — cujo espetáculo “Hotel Komarca” ganhou o prêmio de revelação no Festlip de 2011 —, o Horizonte Nzinga Bande e o Oasis, nasceram em escolas ou em igrejas, e se apresentam em auditórios como o da Liga Angolana de Amizade e Solidariedade com os Povos. Faltam teatros de verdade em Luanda. Na verdade, não há teatros. A única sala, o Teatro Avenida, sucumbiu à especulação imobiliária. No seu lugar está subindo um prédio moderno, o Edifício Teatro Avenida, com salas comerciais, restaurante e um... “teatro lounge”, como diz o cartaz. O cine-teatro Nacional, erguido pelos colonizadores portugueses (há um em cada capital das 18 províncias), está abandonado, porque o prédio está rachando.

Um levantamento feito por José Mena Abrantes indica que há, só em Luanda, entre cem e 150 grupos de teatro em atividade. O homenageado deste ano no Festlip é um dos intelectuais mais atuantes de Angola, tendo se iniciado na prática teatral em Lisboa, quando estudava Filologia Germânica. Ali, Abrantes atuou num grupo de estudantes dirigido pelo brasileiro Luís de Lima. De volta a Luanda, já militando pelo MPLA, fundou a agência de notícias Angola Press, dividindo-se entre a prática teatral e o jornalismo. O Elinga, no qual lidera cerca de 30 atores, teve 43 obras produzidas em 25 anos, muitas com texto seu, em outras ocasiões com adaptações de romances — caso de “A revolta da casa dos ídolos”, do escritor Pepetela, que deu início, em 1988, à história do grupo. “O cego e o paralítico”, que será mostrada aqui com os atores Raul do Rosário e Correia Pelinganga Adão, é da autoria de Dharmasena Pathiraja, roteirista e cineasta do Sri Lanka, e dirigida por Abrantes. Já “Amêsa”, que abre nesta quarta o Festlip com a angolana Heloisa Jorge no elenco, é um texto dele, dirigido pela baiana Suelma Costa.

— Quando surgimos, fomos vistos como um grupo elitista, que não fazia teatro africano. Quase todas as peças no país abordavam o mundo rural, e tinham os mesmos personagens: o velho que entrava no palco com a sua bengala, o feiticeiro, um jovem da cidade que chegava à aldeia. Os temas eram parecidos. Os problemas contemporâneos não faziam parte desse mundo.

Além da programação de teatro, que terá ainda grupos de Moçambique, Cabo Verde, Brasil e Portugal, o Festlip, criado em 2008 pela atriz e produtora Tânia Pires, promove o FestlipShow, nesta sexta-feira, às 22h, no Casarão Ameno Resedá, no Catete, com Abel Duërë, Vivianne Tosto e o DJ MAM. O foyer do Teatro Carlos Gomes abriga, até o dia 30, a exposição “Do Timor Leste a Portugal: um olhar brasileiro”, com fotografias do iluminador cênico e fotógrafo Valmyr Ferreira feitas nos oito países de língua portuguesa onde ele ministrou oficinas de iluminação.

Há ainda o Festlip Ideias, com debates e palestras, a partir da segunda-feira, dia 26, com temas como “O teatro da língua portuguesa na rede”.

Source : Globo Online | 2013-08-21 12:00:00.0
O Baile do Almeidinha, comandado por Hamilton de Holanda e Orquestra, retorna ao Circo na quinta feira, dia 30 de maio, com participações do cantor Rogê e do acordeonista Bebê Kramer. A abertura é do grupo Lá e Cá.

O repertório, é claro, é bem dançante e tem Gonzaguinha, Chico Buarque, Tom Jobim e outros craques. Pessoas com sobrenome "Almeida" ou "Almeidinha" e damas em geral, cadastrados no campo "Promoções" no site do Circo Voador, têm entrada gratuita entre 20 e 21h. A abertura da noite fica com o Lá e Cá, grupo com influência de Elomar, Xangai, Cordel do Fogo Encantado e música armorial. "Almeida, cunhado do Almeidinha", toca nos intervalos forró, merengue, kuduro, zouk, salsa, samba, bolero, samba-rock etc.

Serviço:
Hamilton de Holanda e Orquestra
Convidados: Rogê e Bebê Kramer
Abertura: Lá e Cá
Datas: Quinta-feira, 30 de maio de 2013
Local: Circo Voador (Rua dos Arcos, S/N – Lapa/ RJ – 2533-0354)
Abertura dos portões: 20h

Ingressos:

Damas e Almeidas, cadastrados no site do Circo, têm entrada gratuita até 21h
R$ 20,00 (meia-entrada para estudantes, menores de 21 anos e idosos)
R$ 20,00 (ingresso promocional válido com 1 kg de alimento ou e-flyer)
R$ 20,00 (cliente Clube do Assinante O Globo)
R$ 40,00 (inteira)
Capacidade: 2.000 pessoas
Classificação: 18 anos (de 12 a 17 somente acompanhado dos pais)
Bilheterias: terça à quinta: das 12h às 19h; sexta: das 12h às 24h (exceto feriados) e sábado a partir das 14h
Site: www.circovoador.com.br
Informações: 55 (21) 2533-0354
Vendas na web - com cartão de crédito: www.ingresso.com.br
Source : samba-choro.com.br | 2013-05-27 22:16:01.0

Links : Bandas e Artistas de Kuduro

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