Bandas e Artistas de Kuduro

País : Angola Cabo Verde

O kuduru nasceu em 1996 na Angola. Ele foi criado por Tony Amado.
O Kuduru (tradução do português de "bumbum duro") é uma mistura potente de ritmos tradicionais da percussão angolana à 140Bpm (Descendente do samba brasileiro) e das batidas eletrônica de influência house. Sobre esta base de arranjos inesperados, os Kuduristas colocaram seus textos reivindicatórios. O Kuduru é uma produção eletrônica totalmente africana, um estilo musical único no mundo, 100% angolano.
Para acompanhar estes novos ritmos, Tony Amado também criou uma dança, a batida dura e sensual. Alternando descidas e balanços languidos, esta dança constitui um espetáculo fascinante.

Videos do Kuduro

Video clips do Kuduro (YouTube e DailyMotion)

Artistas ou Grupos

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Notícia : Bandas e Artistas de Kuduro

RIO - Cremes para a pele, esmaltes, batons, delineadores e todo um fictício arsenal de cosméticos femininos, em tonalidades de marrom, surgem em torno de belas modelos no clipe de “Vernáculo”, seguidos de exageradas descrições dos seus efeitos estampados em diversos idiomas na tela. Cantada em inglês e espanhol por Maluca, rapper americana descendente de dominicanos, a faixa do grupo multinacional Future Brown — um potente reggaeton — não maquia a sua crítica à indústria da beleza.

— Gostamos de pensar que essa música é um exercício de capitalismo surrealista — explica a produtora e DJ Fatima Al Qadiri, uma das integrantes do quarteto, via Skype. — Na prática, é uma crítica às insanas demandas dessa indústria, com seus conceitos extremamente superficiais de beleza.

Parte do homônimo álbum de estreia do grupo, lançado pela renomada gravadora Warp, “VernÁculo” teve seu vídeo produzido em associação com o Pérez Art Museum, de Miami, e foi exibido pela primeira vez em dezembro de 2014, na Art Basel daquela cidade, uma das maiores feiras de arte do mundo. Ele dá uma pista das múltiplas conexões em torno do Future Brown, formado por Daniel Pineda e Asma Maroof, baseados em Los Angeles, onde atuam como a dupla Nguzunguzu, por J-Cush, produtor e DJ de Nova York, dono do selo Lit City Trax, além da própria Fatima, criada no Kuwait e residente em Londres, que atua também como artista visual e debutou, solo, ano passado, com o elogiado álbum “Asiatisch”, lançado pela gravadora Hyperdub

Descrito pelo site Pitchfork como um “supergrupo do underground”, o Future Brown é um projeto coletivo de quatro artistas de vanguarda, que já namoravam uns aos outros até que links da internet tornassem sua parceria possível.

— Sem a internet, não existiríamos, já que não moramos na mesma região. É através dela que dialogamos, inclusive nessa entrevista. — conta J-Cush. — Mas felizmente, conseguimos produzir o disco todos juntos no meu estúdio, em Nova York, no final do ano passado. Foi um momento único em nossas agendas.

Soma dessas quatro personalidades musicais, “Future Brown”, o disco, é um estonteante passeio por ritmos urbanos digitais, através de futuristas batidas de grime, dancehall, rap, R&B, cumbia e reggaeton. Para dar formas mais completas ao trabalho, foram convocados MCs e rappers de Londres (Rapid & Dirt Danger), Kingston (Timberlee), Chicago ( Victoriouz ) e Nova York (Ian Isaiah) .

— É difícil pensar num rótulo capaz de abraçar essa variedade de idiomas, mas sem dúvida trata-se de um álbum de sons de rua — garante Pineda. — Cada um desses convidados conta uma história diferente. E novamente foi através da internet que chegamos até eles.

Além da conexão com a arte (um show recente aconteceu no MoMA, de Nova York), marcas de streetwear como Telfar e Hood by Air também se associaram ao grupo, que já pensa num segundo volume de batidões urbanos.

— Vamos gravar algo com kuduro e baile funk. É questão de tempo — avisa Fatima.

Source : Globo Online | 2015-04-29 11:00:00.0
Flash Mob dos 500 dias para os jogos Paralímpicos em Copacabana - Ana Branco / Agência O Globo

RIO - Nem mesmo o céu nublado e a chuva atrapalharam a apresentação do flash mob, que marcou a contagem regressiva de 500 dias para realização dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, na Praia de Copacabana, na manhã deste domingo. A ação com duração de seis minutos, coordenada pela coreógrafa Deborah Colker, contou com a participação de mais de 170 pessoas, entre bailarinos, guardas fardados, garis, atletas paralímpicos, além de transeuntes que passavam pelo local.

Por causa do mau tempo, a apresetanção que estava marcada para as 11h, começou com 15 minutos de atraso. Mas durante a dança, até o tempo resolveu colaborar e as nuvens carregadas afastaram-se. A imagem que dominava a praia, na altura do posto 6, entre a Avenida Rainha Elizabeth e a Rua Joaquim Nabuco, era a de um mar de gente, de várias idades, com roupas coloridas e bem animada. Por causa da alegria de todos o flash mob teve bis.

Deborah confessou que estava muito feliz em poder fazer parte deste marco para o país e, principalmente, para os atletas. Ela ressaltou a importância da superação, e também disse que comunicou várias escolas de dança e escola de samba para quem quisesse dançar.

— Eu adoro as paralimpíadas. Todos nós temos de nos superar o tempo inteiro. O legal é a mistura. A cultura é o elo, quem une o atleta com o cidadão, ela fala todas as línguas. Aqui têm pessoas do ballet, kuduro, street, jazz, gente de todas as modalidades. As boas-vindas para as Olimpíadas quem vai dar são as ruas — contou Deborah alegre.

Carla Camurati, diretora de Cultura da Rio 2016, explicou que o ato foi escolhido porque a dança e a rua lideram um grande sentimento em nosso povo, por isso a ideia de usá-las na comemoração dos 500 dias para os Jogos:

— O flash mob é o primeiro evento de rua para as Olimpíadas, porque o que nós queremos para a Rio 2016 é que a cultura esteja na rua como anfitriã do Brasil.

AS IMAGENS DO FLASH MOB EM COPACABANA

  • Nem mesmo o céu nublado e a chuva atrapalharam a apresentação do flash mob, que marcou a contagem...Foto: Ana Branco / Agência O Globo
  • A ação, coordenada pela coreógrafa Deborah Colker, contou com a participação de bailarinos, guardas...Foto: Ana Branco / Agência O Globo
  • Cerca de 170 pessoas participaram do eventoFoto: Ana Branco / Agência O Globo
  • Por causa do mau tempo, a apresetanção que estava marcada para as 11h, começou com 15 minutos de...Foto: Ana Branco / Agência O Globo
  • Mas durante a dança, até o tempo resolveu colaborar e as nuvens carregadas se afastaramFoto: Ana Branco / Agência O Globo
  • A imagem que dominava a praia, na altura do posto 6, entre a Avenida Rainha Elizabeth e a Rua...Foto: Ana Branco / Agência O Globo
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A estudante de Comunicação Social, Nina Luz, que estava vestida de noiva, disse que soube do flash mob através de um amigo de trabalho, deficiente físico. Ela contou que foi Deborah Colker quem teve a ideia de colocar ela usando um vestido de noiva. E a ideia foi prontamente aprovada.

— Quando a Deborah me viu no ensaio disse que eu seria sua noiva. Fiquei super animada. O vestido não me atrapalhou em nada durantre a dança. Foi um prazer compartilhar desse momento único, pois não pratico nenhuma dança. Foi sensacional — comemorou a estudante.

O amigo de Nina é Lucas Santos, estudante de Educação Física e atleta de natação, de 24 anos. Ele ressaltou a importância de um acontecimento como o deste domingo para chamar atenção de todos para as Paralimpíadas. Ele inclusive chamou amigos para verem sua apresentação, que acabaram contagiados pelo embalo do som.

— O flash mob é um marco para os Jogos Paralímpicos, para os atletas, pois ajuda a dar mais visibilidade para todos nós. Foi muito emocionante, porque reunimos pessoas com várias deficiências, cada um dançando do seu jeito. Isso é o que vale — comentou Lucas ainda emocionado.

Para Luiz Henrique Gomes, agente de operação da Lei Seca, de 37 anos, a chuva incentivou a galera a fazer mais bonito ainda. O agente já está acostumado a participar de eventos, pois há nove anos é aluno da Andef (Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos), onde pratica aulas de dança. Foi pela associação que foi convidado a participar do flash mob.

— Foi uma honra representar os atletas paralímpicos nesta ação. Vim aos dois ensaios e gosto de estar sempre nestes eventos para reforçar a relevância dos nossos atletas — explicou Gomes.

A arquiteta Marcela Ladijanski, de 36 anos, recebeu o convite da própria professora, Deborah Colker para se apresentar. Disse que não pensou duas vezes e, revolveu levar a filha, Bruna Ladijanski, de seis anos, que é cadeirante. As duas estavam iguais, de vestido preto com partes coloridas. As duas também compareceram aos dois ensaios e adoraram estar juntas, um presente para mãe e filha.

— Foi a primeira vez em que dançamos juntas, eu e minha filha. Resolvi fazer a roupa, especialmente para o dia de hoje, para passar alegria à todos. Foi ótimo dançar com todos para valorizar a Paralimpidas.

O flash mob é um evento para supreender as pessoas, pegá-las desprevenidas e, chamá-las a participar do ato. Para a agente consular, Gaudécia Costa, moradora de Copacabana foi supresa mesmo. Ela foi caminhar na orla como o de costume na manhã deste domingo, com as amigas, quando se deparou com o ato e, aproveitou para dançar um pouco.

— Com certeza foi surpreendente! Não sabia de nada, não escutei nada sobre o assunto. Achei fantástico! Dancei também, mas do lado de fora do grupo para não atrapalhar. Esse já foi um aquecimento para os jogos — disse, animada.

Os Jogos Paralímpicos serão disputados entre 7 e 18 de setembro de 2016. Serão mais de quatro mil atletas de 178 países.

Source : Globo Online | 2015-04-26 19:17:18.0

RIO - No lugar dos dreadlocks, chapéu, óculos de aro fino e cavanhaque. Em vez das extravagantes roupas com as cores da bandeira da Etiópia (verde, vermelho e amarelo), terno e gravata. O impecável visual de Linton Kwesi Johnson — que lembra o lendário pianista de jazz Thelonious Monk ou mesmo um sóbrio professor universitário — não é a única coisa que o destaca dos lugares-comuns dos artistas de reggae, mas é a primeira a chamar a atenção, causando até algumas confusões.

— Já encontrei discos meus na seção de jazz, ao lado de trabalhos de Monk, o que não deixa de ser uma honra — diz ele, atração da primeira noite do festival Back2Black, nesta sexta-feira, na Cidade das Artes. — Mas não sei explicar o meu visual. Talvez ele reflita minha formação, meu jeito ou o ambiente onde cresci. Não é, de qualquer forma, algo que me preocupe.

Quando se expressa musicalmente, Johnson — nascido na Jamaica há 62 anos, mas radicado na Inglaterra (em Londres) desde os 10 — também sobrevoa chavões, como as batidas saudações rastafári e as menções a uma determinada erva. Sociólogo, escritor, ex-integrante dos Panteras Negras e criador da chamada dub poetry, poesia feita sob hipnóticas bases reggae, ele cria letras repletas de jogos de palavras, gírias e forte conteúdo político, num idioma próprio, que construiu desde que lançou seu primeiro álbum, “Dread beat an' blood”, no já distante ano de 1978. O mais recente, ao menos no Spotify, é o ao vivo “Di eagle and di bear”, de 2014. Só que...

— Nunca lancei esse disco. Não é um trabalho original, deve ser um desses piratas que se passam por oficiais — reclama LKJ, como é conhecido. — Estou longe dos estúdios há muito tempo.

De fato, seu canto falado — semelhante ao do saudoso poeta americano Gil Scott-Heron (1949-2011), um dos avôs do rap, e parente do toasting jamaicano — foi ouvido pela última vez interpretando inéditas no álbum “Tings an' times”, de 1991. Desde então, só compilações (como as oficiais “Independent intavenshan”, de 1998, e “Straight to Inglan's head”, de 2003) ou álbuns instrumentais (como “LKJ in dub vol.3”, de 2002).

— Estou tentando me aposentar, mas não deixam — brinca ele, casado e pai de três filhos, já adultos, todos ingleses. — Os garotos no pub perto da minha casa me descobriram e volta e meia vêm falar comigo sobre música. Às vezes, trazem vinis para eu autografar.

É compreensível. As canções de LKJ — a maior parte composta durante os tensos anos do governo de Margaret Thatcher (entre 1979 e 1990) — nunca deixaram de encontrar eco junto à juventude britânica (e de outras regiões). Ao abordar, de forma serena e articulada, temas como racismo, violência policial e desigualdades sociais, músicas como “Sonny's lettah” (também nome do seu primeiro poema, publicado em 1982), “Di great insohreckshan” (sobre os distúrbios raciais que sacudiram o bairro londrino de Brixton em 1981), “Inglan is a bitch” e “Wat about di workin' class?” atravessaram décadas e se mantiveram atuais. Boa parte delas voltou a ser citada e tocada durante os conflitos de rua em Londres, em 2011.

— Racismo e desigualdade são temas que nunca deixam de nos assombrar, principalmente em meio à crise econômica, que leva à intolerância, principalmente em relação aos imigrantes, não só na Inglaterra, mas em toda a Europa — reflete ele.

Primeiro poeta negro a ter um livro (”Mi revalueshanary fren”, de 2002) publicado pela prestigiosa série Penguin Modern Classics, LKJ colabora regularmente com publicações como “The Guardian” e “Huffington Post” e fez uma recente “residência artística” na Universidade de Nova York. Mesmo assim, também não publica um poema novo desde 2006.

— Tenho feito alguns esboços, mas não tenho mais pressa para nada. Acho que a poesia ainda é uma arma brilhante contra a opressão e as injustiças sociais — conta ele, que venceu recentemente um câncer na próstata. — Isso me deixou mais consciente sobre minha mortalidade. Passei a viver com mais prazer, mudei minhas prioridades. Vivo agora em ritmo de cruzeiro, sem turbulências.

São as raras apresentações ao vivo — sempre acompanhado pela Dub Band do supremo baixista Dennis Bovell — que mantém LKJ em contato com o público que o cultua há tanto tempo.

— Estou um pouco nervoso com relação a esse show no festival, não tocamos juntos há um certo tempo — diz ele, que se apresentou em Salvador, em 1990, e também na edição do Back2Black em Londres, em 2012. — Mas sinto-me em família ao lado da Dub Band. Vai ficar tudo bem.

A PROGRAMAÇÃO DO FESTIVAL

Sexta, dia 20

Palco Rio:

Linton Kwesi Johnson e Dennis Bovell Dub Band (21h)

Planet Hemp (22h45m)

Damien Marley (0h45m)

Palco Cidade:

Dughettu (22h)

Karol Conká (0h)

Dream Team do Passinho + Bailarinos Kuduro (2h)

Sábado, dia 21

Palco Rio:

Lenine e Letieres Leite e Orquestra Rumpilezz (20h15m)

Angelique Kidjo (22h)

Homenagem ao Rio (23h30m)

Stromae (1h25m)

Palco Cidade:

Alabê Ketujazz (19h30m)

Aline Frazão, Natasha Llerena e Toty Sa’Med (21h15m)

Mingas, Wazimbo, Moreira Chonguiça e Bailarinos de Marrabenta (23h)

Ludmilla (0h45m)

Source : Globo Online | 2015-03-19 10:00:00.0

RIO - A partir desta semana, o Segundo Caderno passa a abrigar dois novos colunistas em sua página dois. Às segundas-feiras, antes ocupada pelo escritor Daniel Galera (que se despediu do jornal para se dedicar a um novo romance), o autor angolano José Eduardo Agualusa ocupará o espaço. Às quartas-feiras, o ensaísta e filósofo Francisco Bosco (de saída para assumir a presidência da Funarte) dá lugar ao escritor e professor de literatura e artes cênicas da PUC-Rio Fred Coelho.

É a primeira vez que Agualusa escreve em um veículo brasileiro

Agualusa, de 54 anos, não é novato na imprensa. O angolano já escreveu por uma década para o jornal lusitano "Público", além da revista "Ler". Atualmente, colabora semanalmente com o jornal on-line Rede Angola. A coluna no GLOBO, porém, é a sua primeira em um veículo brasileiro - país que Agualusa diz visitar até cinco vezes ao ano.

- Às vezes acho que conheço o Brasil até melhor do que muitos brasileiros - brinca. - Gosto muito de escrever essas crônicas. Uma coluna exige uma certa disciplina, mas é uma espécie de caderno de notas para um escritor. Muitas ideias que a gente tem na coluna podem ser aproveitadas para romances.

Nascido em Huambo e radicado em Lisboa - apesar de estar sempre em trânsito -, Agualusa é hoje um dos escritores mais respeitados da língua portuguesa, com uma obra que já foi traduzida para 25 idiomas. O autor é também curador das conferências do festival Back2Black, que acontece no Rio em março. E assina livros como "O ano em que zumbi tomou o Rio" (Gryphus, 2002) e "Teoria geral do esquecimento" (Foz, 2013). Seu romance mais recente, "Rainha Ginga", será lançado em 18 de março pela Foz Editora, com apresentação do músico Kalaf Epalanga, um dos expoentes do kuduro. A obra vendeu 18 mil exemplares em Portugal no ano passado.

- O bom de uma coluna é que ela faz o escritor manter uma ligação com a atualidade. É um espaço para tratar de tudo. Acho que deve haver esse intercâmbio da lusofonia pela imprensa. Luis Fernando Verissimo, por exemplo, chegou a escrever em jornais portugueses, mas acho que é algo que acontece pouco - diz Agualusa, que assina ainda a curadoria do recém-criado Festival Internacional de Literatura da cidade portuguesa de Óbidos.

O escritor e professor de literatura e artes cênicas da PUC-Rio Fred Coelho - Daniela Dacorso/O Globo

Já no caso do carioca Fred Coelho, de 40 anos, a coluna no GLOBO marca sua estreia na imprensa. Com graduação e mestrado em História e doutorado em Literatura, ele abordará principalmente as áreas de literatura, música e artes visuais - usando as três como ponto de partida para pensar a realidade.

- Minha ideia com a coluna é abrir estradas de pensamento e de conversa, sem me preocupar em dizer o que é certo ou errado - diz Coelho. - Quero usar minhas áreas de trabalho para falar do cotidiano. Como tenho formação de historiador, também gosto de trabalhar com memória e arquivo. Mas lembrando que o contemporâneo não se descola do arquivo da cultura.

O desafio, diz o colunista, vai ser pensar em um leitor mais amplo e como lidar com um público que não se conhece exatamente. A ideia é encontrar assuntos que não só o agradem, mas que também interessem ao leitor.

- Historicamente, o colunismo de jornal foi um espaço fundamental para se pensar a cultura e a sociedade. Há grandes referências, como Clarice Lispector e Drummond, na crônica, até colunistas mais incisivos, como o Torquato Neto. Pretendo visitar uma abordagem como a dele, inclusive - afirma Coelho. - Estou animado.

Seu último livro é "LadoB LadoA" (editora Cobogó), lançado em 2014, em que analisa o contexto histórico e social do disco homônimo do grupo O Rappa, de 1999. Ele organizou ainda volumes da coleção "Encontros", da editora Azougue, dedicados à Tropicália e ao escritor Silviano Santiago. Coelho deve seguir a linha dos textos que já publica no Facebook e em seu blog, Objeto Sim Objeto Não.

Source : Globo Online | 2015-02-22 11:00:00.0

RIO — Fundador do Buraka Som Sistema — o grupo português que botou o frenético som do kuduro no mapa —, João Barbosa, o Branko, está abrindo o “Atlas”. Para gravar esse que será o seu primeiro álbum solo, previsto para agosto, o músico, produtor e DJ faz jus ao título escolhido e tem adotado um estilo globetrotter. Após passar pela Holanda, onde registrou diversos encontros com artistas locais, ele esteve, entre o final de janeiro e o começo deste mês, no Brasil, onde acrescentou novos elementos ao trabalho, que define como “exploratório”.

Por aqui, Branko passou por Rio, Recife e São Paulo, gravando nesta última cidade com Maurício Takara e Guilherme Granada (do grupo Hurtmold, que acompanha Marcelo Camelo), com a dupla Marginal Men (da festa Wobble), com os cantores Cícero e Mahmundi e com o MC Bin Laden. No Rio e em São Paulo, participou também de palestras sobre a próxima edição da Red Bull Music Academy (da qual já foi “aluno”), que acontece em outubro, em Paris. Suas próximas paradas são na África do Sul (Johannesburgo), Estados Unidos (Nova York) e, finalmente, Portugal, finalizando o disco em seu estúdio, em Lisboa.

— Minha intenção nesse disco é criar uma rede de encontros. Quis me aproximar de artistas que ainda estão criando seus caminhos e não investir em nomes consagrados — explica ele. — É um processo exploratório, no qual espero que cada um deles traga uma coordenada geográfica, uma referência local, uma identidade própria para o trabalho. Mas só vou ter uma noção do que estou fazendo quando juntar os pedaços no final dessa jornada, em Lisboa. Até lá, sigo fazendo esses rascunhos. Estou no momento shuffle.

Sucessor do EP “Control”, que Branko lançou em 2014, “Atlas” traz o cabeça do Buraka — que já tocou no Brasil diversas vezes, inclusive no Rock in Rio 2011 — buscando um conteúdo que vá além das pistas.

— Quem circula pela eletrônica e trabalha como DJ, como eu, naturalmente produz coisas direcionadas para as pistas. Ou então faz um trabalho abstrato, quase jazzístico, que atrai um determinado tipo de público. Quero escapar disso e ir ao encontro de canções. Com “Atlas”, espero trazer a vibração das pistas para o formato de uma canção, com refrão e tudo mais.

Se em Portugal e no resto da Europa Branko e o Buraka têm ajudado a divulgar um novo subgênero, o zouk bass (principalmente por meio da mixtape “Drums slums & hums”, de 2013), no Rio ele se encantou com o som da rasteirinha, saído do universo do funk carioca.

— Com a rasteirinha, finalmente encontrei uma evolução estética no funk carioca. Para quem não entende o contexto das letras e se prende mais nas batidas, a rasteirinha é um notável avanço para um som que parecia limitado aos loops do tamborzão.

PISTA SERVE PARA TESTES

Dono do selo Enchufada, por onde lança seus trabalhos e também os álbuns do Buraka, Branko acredita que suas atividades como músico, produtor, DJ e diretor se complementam, refletindo um novo perfil para os artistas independentes.

— O Enchufada surgiu de uma necessidade, porque ninguém queria lançar o Buraka no começo. O trabalho como DJ serve para testar os materiais produzidos e afiar o olhar e o ouvido para a pista. Tudo se integra. Acredito, na verdade, que, se eu tivesse surgido há alguns anos, teria sido um bom diretor artístico de uma grande gravadora, daquelas que ajudaram a revelar talentos, como a Island e a Blue Note, por exemplo — afirma ele, que aposta em nomes do seu elenco, como o grupo peruano Dengue Dengue Dengue. — Estou ansioso para ouvir o disco de estreia do Dengue Dengue Dengue, mas ainda não me deram sinal de quando ele vai estar pronto, talvez no fim de maio. Ser independente tem dessas coisas.

Source : Globo Online | 2015-02-17 09:00:00.0
O disco, Minaj, contendo oito temas, algures entre o afro-house e o kuduro de sentido mais aventureiro, chama-se Danger e será lançado a 24 de Fevereiro.
Source : publico.pt | 2015-02-12 14:13:00.0

RIO - Nástio Mosquito transmite arte de várias maneiras. Poeta, artista visual, videomaker, fotógrafo, cantor e compositor, ele inaugura, na próxima quarta-feira, sua primeira exposição solo, “Daily lovemaking”, na Ikon Gallery, em Birmingham, Reino Unido, quase ao mesmo tempo em que chega ao Brasil, via Deck, o seu álbum de estreia, “Se eu fosse angolano”, acompanhado pelo disco de remixes “S.E.F.A. — Fast food”, ambos lançados no exterior em 2014.

— Sou um contador de histórias. Tudo para mim começa com a palavra, já que trago essa tradição oral africana. Mas nem sempre uma canção, uma foto, um vídeo ou uma instalação são suficientes para expressar o que desejo — conta ele, que mora entre a Bélgica, onde vive com sua mulher, e Angola, onde está o resto de sua família. — Por isso, tenho presença nesses diferentes meios de expressão. Por uma questão de eficiência, algo que busco intensamente, aprendi a transitar por todos eles.

Descrito pelo jornal português “Observador” como “um artista completo” e pelo britânico “The Guardian” como “um artista africano para se prestar atenção”, Mosquito nasceu em Huambo há 33 anos, mas ainda miúdo foi estudar em Coimbra e Lisboa, especializando-se, mais tarde, em produção de mídia em Londres. A “eficiência” desse artista multifacetado — que já participou de exposições na Bienal de São Paulo, em 2010, e na Tate Modern, em Londres, em 2012 — rendeu a ele, no final do ano passado, o Future Generation Art Prize, dedicado a novos talentos das artes plásticas, à frente de um júri que tinha nomes como o italiano Francesco Bonami, ex-diretor da Bienal de Veneza.

— Foi uma loucura, uma sensação incrível, me senti no Oscar durante a cerimônia de entrega do prêmio, que aconteceu na Ucrânia — conta Mosquito. — Me deu uma satisfação enorme provar que um artista como eu, da periferia global, pode ter seu trabalho reconhecido, sem perder sua identidade.

Em “Daily lovemaking”, Mosquito vai apresentar um panorama da sua variada obra — que toma a visão estereotipada que o Ocidente muitas vezes tem da África como ponto de partida para comentários políticos e sociais — entre projeções, fotos e vídeos repletos de efeitos digitais.

— Os tradicionais retratos de uma África cheia de miséria e pobreza me incomodam, e procuro mostrar, por meio do meu trabalho, uma África mais plural, menos estereotipada. E, nessa exposição, a primeira que faço sozinho, sem estar a serviço de um curador, vai servir como uma narrativa da minha obra, entre trabalhos inéditos e outros que remixei.

Foi com essa mesma inquietação crítica que Mosquito gerou “Se eu fosse angolano”, concebido a partir do questionamento feito por outro angolano, o cantor Paulo Flores, durante uma gravação deste no Rio, em 2011.

— Ele ouviu algumas composições minhas no estúdio e me desafiou, dizendo que elas não eram tão angolanas assim. Paulo é um artista com um maravilhoso trabalho de raiz, enquanto eu cresci ouvindo Pink Floyd, Massive Attack e Rammstein, ao lado de semba, kuduro, kizomba. Era natural que existissem diferenças entre nossos trabalhos. Resolvi, então, aprofundar essa distinção e provar que tudo o que faço é angolano também, mas da minha maneira.

Nas 11 músicas do sombrio disco, Mosquito reflete, num canto falado que traz ecos do poeta americano Gil Scott-Heron (1949-2011), sobre um país que saiu recentemente de uma sangrenta guerra civil e tenta se reencontrar.

— É impossível definir Angola agora, já que as coisas estão acontecendo muito rapidamente, mas o disco traz um olhar sobre o que é viver no país neste momento — conta ele, que cita novelas brasileiras em “Desabafo de um qualquer angolano” e Vinicius de Moraes em “Arco íris”. — Novelas brasileiras fazem parte da minha formação, como todo angolano. Elas têm uma presença muito forte no país. E Vinicius é uma grande referência, assim como Chico Buarque, um músico que privilegia a palavra, e nomes como Otto e Lenine. Mais recentemente, descobri Criolo, por meio do disco “Nó na orelha”, e me identifiquei muito com a obra dele. Acho que temos muitas semelhanças.

Source : Globo Online | 2015-01-30 09:00:00.0

Ritmo de origem angolana, kuduro ganha releituras e mixagens em grupo que 'revela caldeirão étnico de Lisboa', segundo New York Times.
Source : G1.com.br | 2015-01-27 12:59:01.0
Damian Marley é uma das atrações do sexto Back2Black - Divulgação

RIO - Os ritmos africanos e os sons jamaicanos serão o foco da sexta edição do Back2Black, que acontece nos dias 20 e 21 de março, na Cidade das Artes, no Rio, anunciou a organização do festival nesta quarta-feira.

Entre os nomes internacionais confirmados estão Angelique Kidjo, de Benim, e Aline Frazão e Toty Sa’Med, de Angola, que vão dividir o palco com a carioca Natasha Llerena. Da Jamaica, estarão presentes Damian Marley (filho de Bob Marley) e Linton Kwesi Johnson. Ao todo, serão 14 shows distribuídos por dois palcos, o Rio e o Cidade.

O evento trará ainda conferências sobre a cultura e a música negra, organizadas pelo escritor angolano José Eduardo Agualusa, além de exibição de filmes. O valor dos ingressos ficará entre R$ 50 e R$ 200 (combo para os dois dias). As vendas começam nesta sexta-feira pelo site Ingresso Rápido.

Veja a programação completa da 6ª edição do Back2Black:

20 DE MARÇO

PALCO RIO

- Linton Kwesi Johnson + Dennis Bovell Dub Band (Jamaica/Barbados)

- Planet Hemp (Brasil)

- Damian Marley (Jamaica)

PALCO CIDADE

- Duguettu

- Karol Conká

- Dream Team do Passinho (Brasil) + bailarinos de kuduro (Angola)

21 DE MARÇO

PALCO RIO

- Lenine + Orquestra Rumpilezz (Brasil)

- Angelique Kidjo (Benim)

- Grande celebração aos compositores negros cariocas

- Stromae (Bélgica)

PALCO CIDADE

- Velha Guarda da Mangueira (Brasil)

- Mingas + Moreira Chonguiça + Bailarinos de Marrabenta (Moçambique)

- Aline Frazão (Angola) + Toty Sa’med (Angola) + Natasha Llerena (Brasil)

- DJ (nome a confirmar)

Source : Globo Online | 2015-01-21 23:42:40.0
Depressão e fobia social tiraram Pedro Carneiro da faculdade, mas não impediram que ele assinasse trilhas sonoras de filmes - Ivo Gonzalez / ivo gonzalez

RIO - Pedro Carneiro é integrante da banda experimental Dos Cafundós, que se define em seu perfil no Facebook como “punk-jazz & ska-funk-metal com samba de banheiro” (“é bem na linha do Mr. Bungle”, explica, citando o projeto deliciosamente insano de Mike Patton, que cruzava, sem escalas, diferentes gêneros numa mesma música). O primeiro disco do grupo, “Capitão coração”, foi lançado pela gravadora britânica Far Out.

Pedro Carneiro é um exímio violonista, discípulo e parceiro de Guinga. Eles assinam juntos, por exemplo, a canção- título do álbum “Saudade do cordão”, de Guinga e Paulo Sérgio Santos.

Pedro Carneiro, porém, não tem dupla personalidade artística ou nenhuma síndrome de médico e monstro. Aos 28 anos, ele não é “ou”. Seja com o Dos Cafundós, seja se aproximando da técnica de seu mestre, ele é o médico “e” o monstro ao mesmo tempo. Tanto que em sua banda de música extrema toca violão em meio ao esporro. E quando se mostra sozinho com seu instrumento, banquinho-e-violão, traz surpresas (um verso sacana, uma melodia quase não-melodia, um acorde poderosamente feio) a cada esquina das canções. Um olho em Frank Zappa, outro em Guinga. Algo que se confirma quando se tem a oportunidade de ouvi-lo tocando e cantando suas composições (como recentemente fez na Mostra Cantautores, em Belo Horizonte) ou no seu primeiro disco solo, “Vovô bebê”, que ele lança em março, com produção de Chico Neves (produtor de álbuns de Paralamas, Skank e Los Hermanos, entre outros).

ESTUDO COMPULSIVO DE VIOLÃO

O caminho de Pedro até seu primeiro disco foi tortuoso e cheio de lirismo, luz, escuridão, um estranho senso de humor e quebra de expectativas — exatamente como sua música. O garoto que aprendeu a tocar violão aos 6, e pouco depois já tinha uma gaveta cheia de composições, tomou seu primeiro grande impacto quando viu pela TV a notícia do acidente de trânsito que matou sua mãe. Tinha 10 anos. Foi o ponto de partida de uma adolescência que se dividiu entre o estudo compulsivo do violão (impulsionado por um quadro de depressão, síndrome do pânico e fobia social que o fazia buscar o isolamento), a vida de moleque playboy doidão da Zona Sul e de ouvinte de música clássica na Rádio MEC, a irregularidade escolar entre a indisciplina e o desempenho notável (expulso aqui, melhor aluno com direito a medalhinha ali). Chegou a entrar na faculdade de Música, na Unirio, mas não concluiu. Na verdade, mal começou.

— Fiquei três dias lá. Cheguei atrasado na aula de canto coral, não sabia qual era minha voz, onde me posicionava. Tomei um esculacho do professor que me fez nunca mais voltar. Estava na pior fase de fobia social — recorda.

Sem traquejo para se autopromover e para se relacionar com pessoas desconhecidas, Pedro demorou a aceitar o convite de uma amiga para ser apresentado a seu pai (“Ela dizia que ele tinha um estúdio, seria legal se eu mostrasse meu trabalho para ele, eu falava ‘tá bom’ mas não queria conhecer ninguém”). O tal pai era Chico Neves.

— Em 2007, quando recebi o convite para fazer minha primeira trilha sonora (ele assina a música de filmes como “I Love Kuduro”, dos irmãos portugueses Mario e Pedro Patrocínio, e “Apenas o fim”, de Matheus Souza), lembrei que o pai de Silvinha tinha um estúdio. Fui falar com ele, sem dinheiro nenhum, ele pediu para eu tocar e disse: “Vamos fazer”.

Chico se tornou seu amigo — Pedro, que também trabalha como produtor, está responsável pelo lendário estúdio 304 desde que Chico se mudou para Belo Horizonte, cidade na qual o rapaz também passa parte de seu tempo, integrado à cena musical local — e uma referência central. Foi ele quem o motivou a gravar suas composições — um processo que começou em 2009, foi interrompido em 2010 com o baque da morte de seu pai, e retomado anos depois, quando o artista se sentiu com forças para voltar ao batente.

— Quando Pedro, mais recentemente, falou em gravar alguma coisa, eu disse: “Tem aquele material gravado lá atrás” — lembra Chico.

Era a base de “Vovô bebê”. Guinga, que Pedro diz que é seu outro mestre ao lado de Chico (“os dois nasceram no mesmo dia, 10 de junho, com dez anos de diferença”, ressalta a suposta coincidência), participa do disco.

— Meu amigo (o DJ e produtor) Leo Justi vivia me dizendo que eu tinha que conhecer o Guinga. Mas eu, pelo meu jeito, resistia. Até que um dia Leo estava falando no telefone com Guinga, que disse: “Pede pro garoto tocar algo aí”. Ele me ouviu tocar pelo telefone e pediu para falar comigo. A primeira coisa que ele disse foi: “Você com certeza teve uma perda grande, você sofreu muito”. Conversamos por 1h30m e ficamos amigos ali — conta Pedro.

“UM TIPO SALVADOR DALÍ”

Mas, segundo o músico, Guinga mais entende do que gosta de suas músicas.

— Ele diz que eu sou tipo um Salvador Dalí, um cara que é importante que exista para quebrar algumas coisas, mas não é a grande beleza, a grande melodia que o Guinga cultua. Meu trato é mais com a forma.

Isso não impede que ele alcance lirismo elevado em sua música, mas sempre com uma marca de estranheza, como na reflexão sobre o tempo e a morte da canção-título do disco: “Fim de vida pro recém-nascido/ Ainda há muito o que aprender o ancião/ Faz do túmulo um berço/ E traz as fraldas pra ilusão de ser apenas o começo/ Brinquedinhos de medicamento/ Como gincana numa cama de hospital/ Quem engatinha vai jogar xadrez com o tempo/ Acaba em xeque, o relógio é digital”. Uma estranheza que talvez o jogue num lugar do “mercado” que ele vê que talvez fosse o seu desde o início.

— Eu moleque, com oito anos, na primeira vez que fiz um showzinho, a primeira música que toquei começava com “Eu quis dizer, você não quis escutar” (“Meu erro”, dos Paralamas). A outra era “Do you have the time to listen to me whine/ About nothing and everything all at once?” (“Você tem um tempo para me ouvir reclamar/ Sobre nada e tudo de uma vez só?”, de “Basket case”, do Green Day). Lembrei disso há pouco tempo e achei curioso ter começado com músicas que falavam de tentar ser ouvido.

Source : Globo Online | 2014-12-31 09:00:00.0
Ritmo de origem angolana, kuduro ganha releituras e mixagens em grupo que 'revela caldeirão étnico de Lisboa', segundo New York Times.
Source : BBCBrasil.com | 2014-12-10 19:28:05.0

LUANDA - Dos pregões dos zungueiros ao ziguezaguear das candongas, existe um trânsito caótico. O luxo e o lixo lado a lado tornam a vida em Luanda digna de olhares curiosos. As samakakas que envolvem as cinturas das mulheres colorem a capital angolana de padrões fora dos padrões. Ritmos? São muitos. Do sensual kizomba ao trepidante kuduro, da observação romântica de Ondjaki à escrita seca de Mestre Kapela. A transgressão está em Angola. As construções quase cortam o céu na Baía de Luanda. A luz do sol, ao contrário de (quase) tudo, nasce para todos naquele pedaço da África Austral. Os musseques, ah os musseques... São a extensão do que entendemos como favelas, porém com ritmos tão desconsertantes, tão ímpares em sua extensão, tão angolanos. Esse país é assim, cheio de cadências e requebrados. Cheio de ritmos.

Muitos caminhos levam às origens em África. Colônia de Portugal até 1975, Angola é a irmã de língua mais próxima do Brasil fora da Europa. Números da embaixada brasileira em Luanda apontam que mais de dez mil brasileiros vivem por lá, a maioria na capital. Um país que, mesmo com quase 30 anos de guerra civil após sua libertação, cresce cerca de 8% ao ano e, desta forma, encontra-se, cada vez mais, de braços abertos à ordem capitalista que movimenta a economia globalizada. Mas isso tem seu preço. Luanda foi apontada por estudo da consultoria Mercer deste ano como a cidade com o mais alto custo de vida no mundo.

Basta um olhar mais atento para, do alto de qualquer prédio em Luanda, avistar novas construções que se distinguem tanto pela personalidade de uma capital com os pés no futuro como pela estética de uma arquitetura que não dispensa o passado. Em busca deste cenário, encontramos um terreno fértil para o desenvolvimento cultural e arquitetônico de Angola e o bem-estar de sua população. Reflexo de um país em mudança acelerada. A despeito do avanço ocidental sobre seus costumes, Angola guarda a sete chaves sua História, preservando, desta maneira, sua alma primitiva.

A Baía de Luanda mostra ao vistante um projeto estruturante e emblemático desse novo momento do país africano. Em uma área que sofreu grande impacto durante a guerra civil — iniciada em 1975 após a independência do país e encerrada em 2002 — houve investimento com preocupações ecológicas, como a descontaminação das águas da baía, principal atrativo turístico da capital.

OBRAS DE KAPELA E NAVIOS FANTASMAS

Nos arredores da Baía, encontramos o ateliê do Mestre Kapela, uma edificação em ruínas do edifício que abriga a União dos Artistas Angolanos. Uma discreta porta lateral dá acesso a um charmoso pátio frequentado por policiais armados. Coisas de Luanda. Mas no meio de todo esse cenário há um vasto repertório de obras de Kapela, carregadas de mensagens políticas e religiosas.

Perto dali, o Elinga Teatro é o local onde tem arte, moda e entretenimento para todas as vontades. No terraço, cheio de bares e cores, as noites de sexta e sábado são animadas por DJs. O prédio, com heranças do século XVIII, guarda, no segundo andar, peças assinadas pelo estilista Muamby Wasaky. Entre trabalhos que alinham cores a padrões, a coleção é aberta à visitação. No bairro de Matumba, o Elinga está no coração de Luanda. No seu entorno, desde o fim da guerra, um enorme estaleiro transforma a configuração física da cidade e a relação dos moradores com a mesma.

No estilo art nouveau, o Cine Teatro Nacional está cravado na baixa luandense e sedia a Associação Cultural Chá de Caxinde. Patrimônio Histórico e Cultural de Angola, o espaço foi inaugurado em 1932 para receber músicos angolanos e estrangeiros. Hoje, é palco para atividades como teatro, dança e, acredite, desfiles carnavalescos.

O Memorial António Agostinho Neto, cartão-postal de Luanda - Divulgação

Na nova Marginal de Luanda, o memorial dr. António Agostinho Neto homenageia o primeiro presidente angolano, com sarcófago, centro cultural e museu.

O sol insiste em brilhar no céu rosado de Luanda. Os dias são sempre de calor, banhos de mar, refrescantes mergulhos, uma ou outra emoção. Este é sonho dos 20 milhões de angolanos e de turistas que buscam o mar.

Na praia de Cabuledo, é possível surfar ou apenas contemplar as belezas de seu entorno. A vista do Rio Kwanza é privilégio da Barra do Kwanza, perto da Ilha de Mussulo, onde dia e noite parecem uma coisa só pelas festas ao estilo sunset. Uma das sete maravilhas naturais de Angola, a pequena ilha contrasta com o restante de Luanda, habitada pela rotina das grandes cidades. Também conhecida como Ilha de Massula, é um dos principais destinos para as férias, seja pela calmaria das praias de areia dourada ou pelos bares badalados, que servem peixes e frutos do mar, além de drinques com frutas tropicais, ao som de DJs. A dez minutos de barco de Luanda, a ilhota oferece ainda atividades ao ar livre, especialmente esportes marítimos, como mergulho e windsurfe.

Ao anoitecer de volta à cidade, uma opção diante do Atlântico são as exibições de filmes na cobertura dos prédios. Destacado no livro “Os transparentes”, do angolano Ondjaki (vencedor do Prêmio José Saramago em 2013), o projeto “Cinema no telhado” é gratuito e apresenta produções de diferentes países, inclusive do Brasil.

Nos fins de semana, a Ilha do Cabo, também chamada de Ilha de Luanda, ganha tons de festas intermináveis. Uma sequência de espaços destinados a shows e gastronomia ocupa a faixa que divide o asfalto da areia. Os mais conhecidos são o Chill Out e o Lokal, onde o semba divide a pista com a música eletrônica, sem hora para acabar. Com vista para o mar, a maioria das casas oferece pratos da cozinha mediterrânea em generosas porções.

Imagine um prato à base de atum, vinho, uísque, leite, azeite e cubos de caldo de carne? Foi desta forma que ingressei num roteiro gourmet pela capital angolana. Em um bom restaurante no complexo gastronômico chamado Angola Food & Drink, na Ilha do Cabo, a sopa de coco é servida com abóbora, o calulu com angu e os cogumelos selvagens com camarão de Namibe. É típico, mas que tal um combinado de sushis? Ou um risoto de pimentas e lagosta? Tem de tudo um pouco. A mousse de morango é uma das preferidas para a sobremesa.

O cardápio é bem diversificado e uma refeição fica em torno de 3 mil kwanzas angolanos, ou cerca de US$ 30. Akara é uma mistura de feijões com especiarias tradicionais da Nigéria, o que torna o prato excepcional. Acompanha flocos de aveia ou custarda (doce africano feitocom amido de milho e aromatizado com baunilha). O chef João Carlos da Silva é de São Tomé e Príncipe e aposta na feijoada à moda da terra e no doce de papaia verde com maracujá. Já Carlos Graça levou de Moçambique o chatini (combinado de tomate e especiarias) com peixe seco, o matapa (refogado) de camarão e amendoim e o matoritori (doce de coco). O anfitrião é o angolano Rui Sá que recebe convidados com iguarias que vão além da imaginação. Entre as estrelas do cardápio, estão os salteados de cogumelos selvagens com camarão do Namibe.

A 20 km ao norte de Luanda, um trecho de areia e mar de água morna concentra um verdadeiro baú de memórias. O Cemitério de Navios guarda histórias de fantasmas capazes de atrair os mais curiosos à Praia de Santiago. É um dos maiores do mundo a acumular centenas de embarcações de grande porte — muito em razão dos anos de conflito — em estado de oxidação. Uma das mais antigas, o navio Karl Marx, foi um petroleiro de 70 metros.

A dica é aproveitar o passeio para saborear um peixe assado à beira da estrada, servido pelas “mamas” com feijão a óleo de palma (dendê), salada de alface, molho de cebola, bananas-pão (da terra) e batata-doce.

O PARAÍSO AZUL DE BENGUELA

A tranquila Baía Azul, em Benguela, litoral angolano - Divulgação

Famosa por suas belezas naturais, Benguela é um verdadeiro mosaico de relevo, vegetação e água cristalina. No litoral–centro-sul de Angola, a 420km de Luanda, encontramos esta cidade conhecida em toda a África por suas praias. E neste quesito há opções para todos os gostos. As mais isoladas, as mais frequentadas, as mais apreciadas pelos amantes de mergulho, enfim as mais belas.

Como diz a canção que leva o nome do local, “Benguela é a terra onde o mar tem calma”. E que calma. A mais famosa, Praia Morena, tem areia branca que se inicia na Baixa de Benguela e se estende por cerca de mil metros. É a praia preferida dos jovens da cidade e região, onde a badalação corre noite afora.

Na Baía Azul se escondem as joias raras deste pedaço do paraíso da África Austral. Como o próprio nome sugere, a água é tão azul que faz desta área ser merecedora — guardadas as devidas proporções — do título de Caribe africano e atrai não só latinos, como também europeus.

Os restaurantes à beira-mar servem carnes, peixes e outras iguarias típicas.

Benguela limita-se a norte com o charmoso município de Lobito, onde uma alameda de restaurantes e bares é um convite a um brinde e, claro, à boa mesa, repleta de mariscos e frutos do mar. Não deixa de ir ao Zulu e pedir o peixe grelhado.

No caminho de volta, a 40 km de Luanda, a dica é parar no Miradouro da Lua e admirar o conjunto de belas falésias que margeiam o Oceano Atlântico. A vista é do alto e pode render boas fotos. O que, sem dúvida, dispensa a utilização de filtros.

SERVIÇO

ONDE FICAR:

Hotel de Convenções de Talatona: Diária média a R$ 1.213. Luanda Sul, Talatona. hoteltalatona.com

Epic Sana: Diárias a R$ 2.054. Rua da Missão, no Centro. luanda.epic.sanahotels.com/pt

Hotel Fiesta: A 5 km da Baía de Luanda, na região do Maianga, com acesso aos principais pontos da cidade. Também fica próximo ao aeroporto. Diárias a R$ 484. Rua 2, nº 16, no Bairro Cassenda. hotelfiestaangola.com

DOCUMENTAÇÃO

Visto e vacina: Brasileiros precisam de visto de entrada para viajar para Angola (consuladoangolarj.org) e de certificado de vacinação contra febre amarela (portal.anvisa.gov.br).

Source : Globo Online | 2014-12-08 21:30:00.0

RIO - Com 33 atrações de 11 países diferentes programadas para sua quarta edição, o festival Novas Frequências faz hoje uma festa no La Paz, na Lapa, com Cut Hands, DJ Marfox, Omulu x Maga Bo, Som Peba e Mauro Telefunksoul. Dentro das inúmeras possibilidades de se analisar a curadoria de um festival tão abrangente, um dos traços que unem os artistas da escalação é a apropriação de ritmos de outros continentes que não os seus para desenvolverem sonoridades próprias.

— O Cut Hands, que é escocês, injeta vodu do Haiti em uma mistura de techno e noise, enquanto o Marfox, de Portugal, pesquisa diversos ritmos africanos como a tarrachinha, a kizomba, o funaná e o kuduro — explica o curador e idealizador do festival, Chico Dub.

Apesar de nunca ter visitado o continente africano, Cut Hands acredita que essa distância e falta de experiência direta acaba incrementando sua criatividade, aguçando a imaginação. Além de Congo e Gana, o produtor também pesquisa bastante a percussão do Haiti.

— Ouvir percussões acústicas do Haiti mudou minha atitude em relação ao que era necessário para fazer uma música realmente intensa e alucinante. Até então era viciado em tecnologia para atingir isso, o que de repente descobri que não era necessário para chegar a um som tão potente.

As pesquisas levaram Cut Hands a conhecer mais sobre religiões afro-brasileiras como o candomblé, vindo também a fazer parte do seu som.

— Sou totalmente fascinado por essa música incrível. Algumas pessoas interpretam essa inspiração como uma apropriação, mas é apenas o meu estilo. Não desconstruo ou sampleio essas ritmos mágicos. É o espírito que me interessa ao evocar esses sons. Estou muito empolgado com a viagem ao Brasil e já estou tenso com a volta depois de uma estada tão curta — diz.

De Portugal e especializado no kuduro, estilo popularizado principalmente através do trabalho do Buraka Som Sistema, o DJ Marfox conhece bem a diferença entre os sons produzidos na terrinha e em Angola.

— A grande diferença está nas referências. Cresci ouvindo estilos musicais totalmente diferentes do que um produtor em Luanda ouviu. Por isso usamos samples que nos são mais familiares por termos ouvido anteriormente em outros estilos musicais que nos acompanharam desde que nos conhecemos como pessoas. Além disso, um produtor de kuduro em Luanda tem um milhão de MCs dispostos a cantarem em cima dos seus instrumentais, enquanto em Lisboa temos uma média de 10 ou 15 MCs. Por isso, 90% da música feita em Lisboa é instrumental, levando os produtores a construir algo mais compacto e sólido para a pista de dança.

Em Portugal, diz ele, acompanha-se muito o que é produzido culturalmente no Brasil. Em relação ao que é produzido pelos irmãos africanos, no entanto, o conhecimento ainda está se expandindo.

— A relação de Portugal com os países africanos que falam língua portuguesa está melhorando. Hoje temos a kizomba no topo das paradas em Portugal, algo que há cinco anos era impensável. A falta de oportunidade dada a um artista português vindo de um gueto de Lisboa faz com que me sinta um imigrante, mas, volto a dizer, as coisas estão mudando. Em Portugal nunca se ouviu tanta música portuguesa em todos os gêneros como agora — conta ele, que conhece funk carioca.

O carioca Omulu, que se também se apresenta na festa, quis saber se o DJ português deseja que a música de gueto se torne popular e, caso isso aconteça, o que virá do gueto então?

— O gueto continuará a se reinventar. O gueto sempre tem a sua forma de viver as coisas e não precisa da opinião do público em geral, imprensa, rádio ou TV para a música se tornar viral. Já o processo inverso é bem mais complicado — responde Marfox.

* Bruno Natal escreve na página Transcultura, publicada às sextas-feiras no Segundo Caderno

Source : Globo Online | 2014-12-05 09:00:00.0
Jovem em tribo na Vila do Dondo, a 180 quilômetros de Luanda, em Angola - Divulgação

LUANDA - Este ano, o Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio, exibiu - pela primeira vez por aqui - o longa “Njinga, Rainha de Angola” (2013), do português Sérgio Graciano. A produção é angolana, e traz um pouco sobre a guerreira que lutou por décadas contra o colonialismo lusitano no século XVII.

A história deste símbolo da resistência começa em 1617, ano em que seu pai, o rei Kilwanji, morreu. Após presenciar, posteriormente, o assassinato do filho e a humilhação que o irmão sofreu diante dos colonizadores portugueses, Njinga resolveu lutar pela libertação do povo mbundu. Depois de quatro décadas de conflito, com o lema “quem ficar, luta até vencer”, ela conseguiu selar a paz com os portugueses, que a reconhecem como a rainha de Matamba e Ndongo. A partir daí o futuro das mulheres em Angola passou a ser contado de forma diferente.

Uma boa pedida, portanto, é trocar um fim de semana à beira-mar em Luanda por uma viagem ao território onde viveu Njinga. Na Província de Kwanza-Norte, na Vila do Dondo, a 180 km da capital, as tribos que não sucumbiram à dominação colonial europeia continuam a defender a região. Com a morte de tantos homens na guerra, que se estendeu até 2002, elas, as mulheres do Kwanza-Norte, se transformaram em verdadeiras guerreiras para obter o sustento da casa e não deixar a cultura daquele povo virar capítulo de livros de história.

Sob a égide da opressão sexual ditada pelo poder do “macho” africano por toda a Angola, as mulheres são as chefes de família, mas a grande maioria delas, por força do destino, está no Kwanza-Norte, onde Njinga fez-se respeitada pelos colonizadores. Por lá, elas plantam, colhem, vendem. Artesanato, música, literatura, teatro e dança. Tudo é rico nesta terra cortada pelo Rio Kwanza, o maior e mais abundante do país.

Pensar e ver as guerreiras em ação não seria tão estranho se não estivéssemos tratando de um continente onde as minorias - o que também inclui os gays - vivem sob custódia de leis sectaristas. Sem poder exercer o voto, por exemplo, as mulheres de Angola, mesmo as que ocupam cargos no Governo e nas grandes empresas, não têm, sequer, o direito à vaidade. Elas não podem fazer as unhas e depilar qualquer parte do corpo, o que, para nós, já é o bastante para achar tudo muito bizarro. Mas, vale ressaltar, Angola está a mil anos-luz à frente da maioria das nações africanas.

Longe das riquezas mineirais e petrolíferas do presente, as tribos de guerreiras do Dondo mantêm hábitos milenares do passado, como não cobrir os seios e falar as línguas nacionais (umbundum, kikongo e kumbundum), o que faz desta terra uma importante seara para ideais de um futuro libertário. Um processo de luta imposto, a ferro e fogo, por mulheres como a rainha Njinga, reconhecida pela Unesco uma das 25 figuras femininas mais importantes da história da África.

NA FEIRA DO DONDO, ARTESANATO E MESA FARTA

Em busca dos mitos que cercam a história da lendária Rainha Njinga Mbandi, chega-se à tradicional Feira do Dondo, onde elas, as guerreiras africanas do século XXI, ainda estão no comando.

Entre peças de decoração e artigos domésticos do artesanato local, encontramos uma mesa farta de sabores da África Austral. O peixe Cacuso é cozido à beira do rio e vem servido inteiro, acompanhado de feijão de óleo de palma (dendê), batata-doce, banana pão (da terra), farinha museque (mandioca) e molho de cebola.

É o carro-chefe da culinária e sucesso entre turistas do mundo todo. Para refrescar o paladar - levemente apimentado - a pedida é a cerveja Eka, à base de cereais da região.

Após a feira, dar um giro pela Vila do Dondo é uma volta ao passado imperdível. Do alto da Colina do Cambambe, as ruínas da Igreja N. S. do Rosário estão dentro de uma fortaleza de pedras do século XVII.

Parcialmente destruído pelas guerrilhas, a construção guarda relíquias da memória angolana, como santuários, altares e sacristia, tudo de origem portuguesa. À frente das ruínas, o olhar se perde diante do verde que quase encobre as curvas do Rio Kwanza, que parece não ter fim.

A província do Kwanza-Norte é um lugar sem kuduro ou qualquer outra prática cultural dos grandes centros angolanos. Por isso, inclua o roteiro em sua viagem, afinal são muitas as razões para encher de cor uma Angola esfumaçada por décadas de mortes e destruição. Vida longa à Rainha Njinga e às mulheres guerreiras do Dondo!

Source : Globo Online | 2014-12-03 21:13:39.0
Jovem em tribo na Vila do Dondo, a 180 quilômetros de Luanda, em Angola - Divulgação

LUANDA - Este ano, o Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio, exibiu - pela primeira vez por aqui - o longa “Njinga, Rainha de Angola” (2013), do português Sérgio Graciano. A produção é angolana, e traz um pouco sobre a guerreira que lutou por décadas contra o colonialismo lusitano no século XVII.

A história deste símbolo da resistência começa em 1617, ano em que seu pai, o rei Kilwanji, morreu. Após presenciar, posteriormente, o assassinato do filho e a humilhação que o irmão sofreu diante dos colonizadores portugueses, Njinga resolveu lutar pela libertação do povo mbundu. Depois de quatro décadas de conflito, com o lema “quem ficar, luta até vencer”, ela conseguiu selar a paz com os portugueses, que a reconhecem como a rainha de Matamba e Ndongo. A partir daí o futuro das mulheres em Angola passou a ser contado de forma diferente.

Uma boa pedida, portanto, é trocar um fim de semana à beira-mar em Luanda por uma viagem ao território onde viveu Njinga. Na Província de Kwanza-Norte, na Vila do Dondo, a 180 km da capital, as tribos que não sucumbiram à dominação colonial europeia continuam a defender a região. Com a morte de tantos homens na guerra, que se estendeu até 2002, elas, as mulheres do Kwanza-Norte, se transformaram em verdadeiras guerreiras para obter o sustento da casa e não deixar a cultura daquele povo virar capítulo de livros de história.

Sob a égide da opressão sexual ditada pelo poder do “macho” africano por toda a Angola, as mulheres são as chefes de família, mas a grande maioria delas, por força do destino, está no Kwanza-Norte, onde Njinga fez-se respeitada pelos colonizadores. Por lá, elas plantam, colhem, vendem. Artesanato, música, literatura, teatro e dança. Tudo é rico nesta terra cortada pelo Rio Kwanza, o maior e mais abundante do país.

Pensar e ver as guerreiras em ação não seria tão estranho se não estivéssemos tratando de um continente onde as minorias - o que também inclui os gays - vivem sob custódia de leis sectaristas. Sem poder exercer o voto, por exemplo, as mulheres de Angola, mesmo as que ocupam cargos no Governo e nas grandes empresas, não têm, sequer, o direito à vaidade. Elas não podem fazer as unhas e depilar qualquer parte do corpo, o que, para nós, já é o bastante para achar tudo muito bizarro. Mas, vale ressaltar, Angola está a mil anos-luz à frente da maioria das nações africanas.

Longe das riquezas mineirais e petrolíferas do presente, as tribos de guerreiras do Dondo mantêm hábitos milenares do passado, como não cobrir os seios e falar as línguas nacionais (umbundum, kikongo e kumbundum), o que faz desta terra uma importante seara para ideais de um futuro libertário. Um processo de luta imposto, a ferro e fogo, por mulheres como a rainha Njinga, reconhecida pela Unesco uma das 25 figuras femininas mais importantes da história da África.

NA FEIRA DO DONDO, ARTESANATO E MESA FARTA

Em busca dos mitos que cercam a história da lendária Rainha Njinga Mbandi, chega-se à tradicional Feira do Dondo, onde elas, as guerreiras africanas do século XXI, ainda estão no comando.

Entre peças de decoração e artigos domésticos do artesanato local, encontramos uma mesa farta de sabores da África Austral. O peixe Cacuso é cozido à beira do rio e vem servido inteiro, acompanhado de feijão de óleo de palma (dendê), batata-doce, banana pão (da terra), farinha museque (mandioca) e molho de cebola.

É o carro-chefe da culinária e sucesso entre turistas do mundo todo. Para refrescar o paladar - levemente apimentado - a pedida é a cerveja Eka, à base de cereais da região.

Após a feira, dar um giro pela Vila do Dondo é uma volta ao passado imperdível. Do alto da Colina do Cambambe, as ruínas da Igreja N. S. do Rosário estão dentro de uma fortaleza de pedras do século XVII.

Parcialmente destruído pelas guerrilhas, a construção guarda relíquias da memória angolana, como santuários, altares e sacristia, tudo de origem portuguesa. À frente das ruínas, o olhar se perde diante do verde que quase encobre as curvas do Rio Kwanza, que parece não ter fim.

A província do Kwanza-Norte é um lugar sem kuduro ou qualquer outra prática cultural dos grandes centros angolanos. Por isso, inclua o roteiro em sua viagem, afinal são muitas as razões para encher de cor uma Angola esfumaçada por décadas de mortes e destruição. Vida longa à Rainha Njinga e às mulheres guerreiras do Dondo!

Source : Globo Online | 2014-12-03 21:13:39.0
O cantor Mauro Alemão, de Angola, gravou uma música sobre o vírus chikungunya, que é conhecido por lá como catolotolo.
Source : atarde.com.br | 2014-09-25 21:24:00.0
O Kuduro tem vindo a ganhar cada vez mais seguidores nos últimos anos, em Portugal. A dança, que nasceu em Angola, chega agora aos cinemas num documentário sobre a história deste movimento cultural.
Source : rtp.pt | 2014-09-21 21:18:47.0
I Love Kuduro , nas salas de cinema portuguesas, é o documentário que quer mostrar que Angola também é um país criativo. “Às vezes chego à cama e penso, uau, sou uma estrela.”
Source : publico.pt | 2014-09-20 21:49:35.0

Embaixador cantou de 'Lepo Lepo' a 'Kuduro' na Arena do Parque do Peão. Bruno & Marrone encerraram noite com homenagem à música brasileira.
Source : G1.com.br | 2014-08-24 08:58:59.0

Links : Bandas e Artistas de Kuduro

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