Artes e cultura africanas e do Cararibe
Notícia : Artes e cultura africanas e do Cararibe
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Festa na favela
Recentemente, revendo meu filme “Quilombo”, de 1984, Renata, minha mulher, provocou-me chamando-o de “uma fábula comunista louca para ser vista como musical da Metro”. O lado “musical da Metro” vinha certamente de meu desejo de filmar a alegria dos justos. E tinha, como apoio a essa ideia, exemplos históricos e antropológicos a que de fato recorri. Posso até conceder que talvez tenha recorrido a eles de um modo meio ingênuo, mas nunca malicioso ou artificial. Mesmo sendo uma ingenuidade, era generoso e criativo tentar transformar, naquele momento, valores da cultura brasileira em manifestação pop. Por piedosa tradição judaico-cristã, temos sempre tendência a vitimizar a vítima, como João Cabral falava de “perfumar a flor” e “poetizar o poema”, uma forma de exercer sobre ela (a vítima) o poder de nossa generosidade. Não se trata de compaixão no sentido bíblico do termo, uma solidariedade na trajetória do outro, a comunhão com a dor alheia. Mas sim uma exibição hipócrita de nossa superioridade sobre o outro. A constatação da injusta fragilidade da vítima de nada serve à reversão de seu estado, tal piedade não passa do exercício de uma virtude conservadora que serve apenas ao sujeito dela. Estranhamos ou tomamos por “folclórico” (num sentido pejorativo) quando as vítimas nos aparecem belas e fortes, potentes e eventualmente vitoriosas, capazes de sorrir e dançar, de viver com gosto o pouco que lhes foi dado viver, mesmo que num ambiente de extrema injustiça. Diante de nossas favelas, é quase insuportável, para a boa consciência, ver sua imagem solar da luta contra a miséria, um certificado cívico de tanto sofrimento transformado em elogio a uma arte de viver. A lamentação é quase sempre impotente, enquanto todo projeto utópico é sempre uma celebração. Sei bem que não é possível simplificar o continente africano reduzindo-o a uma coisa só. Ele é formado por múltiplas e distintas etnias que já existiam muito antes de suas modernas nações serem fundadas, produzindo comportamentos que nem sempre se assemelham e conflitos que se desdobram até hoje. Mas é evidente que o que nos chegou de lá, para formar nossa nação afro-latina-tupiniquim, foi uma cultura do ornamento e do excesso, do gosto pela dança e pelo corpo, cultivando êxtase e elevação como valores fundamentais para seu padrão de comportamento. As festivas comemorações da primeira posse de Barack Obama não foram em nada parecidas com as de qualquer presidente americano precedente. A de Jacob Zuma, na África do Sul, foi celebrada com canto e dança de multidões coloridas, como nos comícios que sucederam à libertação de Nelson Mandela e sua ascenção ao poder. O mundo inteiro viu pela televisão que, num campo de futebol, Mandela cantava e dançava durante a manifestação política para um público de dezenas de milhares de negros sul-africanos que cantavam e dançavam com ele, ao som de tambores e cornetas. Ainda no continente africano, quando o papa Bento XVI visitou Camarões, em 2009, todos os jornais do mundo publicaram a foto da primeira-dama do país, Chantal Biya, ao lado de seu marido, o presidente Paul Biya, recebendo Sua Santidade com um vestido colorido e um vasto chapéu temáticos, onde se reproduziam símbolos do Vaticano e do catolicismo, a começar por expressivas cruzes gamadas no alto de sua cabeça. Guardo essa foto comigo, como testemunha da liberdade de imaginação e de generosa noção de elegância, que não esconde emoções e desejos em nome de covarde discrição. Em vez disso, a senhora do presidente de Camarões expunha, com exuberância e sem disfarces, aquilo que pretendia afirmar naquele momento. Oswald de Andrade dizia, no Manifesto Pau Brasil, que “o carnaval carioca é o acontecimento religioso da raça”. Só mesmo o entranhado cultivo cristão-ocidental da culpa pode achar a festa irresponsável. Como no candomblé, uma religião que usa o corpo numa liturgia de danças dramáticas, balés narrativos cujos personagens estão sempre contando uma história em que se busca a felicidade. Um animismo humanista que ajudou a suavizar com dengo a aspereza da contrarreforma ibérica de nosso catolicismo. Tanto no passado, quanto em nossa época de tanta violência religiosa, não se tem notícia de nenhuma guerra deflagrada em nome de algum orixá. É esse prazer e essa celebração que os jovens de classe média têm procurado nas favelas cariocas, desde a instalação das UPPs nessas comunidades. É isso que vão consumir em noites de festas e de shows, de albergues e restaurantes, de lajes e salões, de uma população que, desde sempre condenada ao subconsumo capitalista, faz sua revolução pacífica incorporando-se ao mundo da produção. Não tenho nada contra João Saldanha, jornalista honesto e corajoso que merece todo o nosso respeito. Mas vamos fazer justiça. O novo nome do Engenhão não pode deixar de ser Nilton Santos. Nilton jogou sua carreira toda no Botafogo e foi bicampeão mundial com a seleção brasileira, sempre chamado de “a enciclopédia de futebol”. Ele deu mais ao futebol e ao Brasil do que o Brasil e o futebol deram a ele. Se quem decide o novo nome do Engenhão gosta de craque com caráter, tem que escolher o de Estádio Nilton Santos, a Enciclopédia. Cacá Diegues é cineasta (webremix.info) |
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James Cameron vai transmitir, da Rússia, apresentação em 3D de 'O lago dos cisnes'
LONDRES - O diretor James Cameron, de "Avatar" e "Titanic", e o maestro russo Valery Gergiev vão fazer a primeira transmissão ao vivo e em 3D de uma apresentação de balé, que vai acontecer no dia 6 de junho no teatro Mariinsky, na Rússia, para ser vista em 50 países. Espectadores da Europa, Estados Unidos, África do Sul, Ásia, Austrália e de outros lugares poderão ver Ekaterina Kondaurova dançando no papel de Odette e Odile em "O lago dos cisnes", de Tchaikovsky, na casa de ópera do século IXX. As informações foram anunciadas pela companhia Omniverse Vision. O diretor artístico do Mariinsky levou a sua companhia a vários tours mundiais depois que o colapso da União Soviética congelou investimentos públicos. No entanto, com a injeção atual de dinheiro pela Rússia no meio artístico e com a construção de uma extensão do teatro, Gergiev afirmou que quer se concentrar em apresentações domésticas. O Mariinsky é considerado uma das maiores vitrines da cultura russa. (webremix.info) |
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Nobel da Paz rompe com regime sul-africano
JOHANNESBURGO — O arcebispo emérito da Cidade do Cabo e Prêmio Nobel da Paz Desmond Tutu, amigo de toda a vida do ex-presidente Nelson Mandela e considerado por muitos a voz da consciência da África do Sul, anunciou que não pretende mais votar no Congresso Nacional Africano (CNA), partido emergido da luta antiapartheid que comanda o país desde o governo Mandela (1994-1999). Tutu escreveu em um editorial publicado na última quinta-feira no “Globe and Mail” que, “embora não seja um mebro de carteirinha de nenhum partido político”, ele não voltaria a votar no CNA “depois da maneira pela qual as coisas aconteceram”. “É uma dor profunda, para velhos como eu, ver nosso país se deteriorando e escorregando do patamar moral que achávamos que pertencia a nós”, escreveu. Essas não são as primeiras críticas de Tutu ao CNA. Antes das eleições de 2009, que levaram ao poder o atual presidente sul-africano, Jacob Zuma, ele havia dito que “um dia começaremos a rezar pela derrota do CNA, assim como rezamos pelo fim do apartheid”. Na ocasião, o partido governista condenou os comentários, qualificando-os de “sacrilégio”. No editorial desta semana, Tutu descreveu o CNA como “uma boa unidade de luta pela liberdade”, mas expressou seu desejo de que a população sul-africana parasse de votar com o coração e passasse a escolher o governo com base nas suas políticas, em vez do legado do movimento de libertação. O Prêmio Nobel da Paz afirmou que o governo do CNA está disseminando uma cultura de corrupção e impunidade no país e qualificou de “desgraça” e “traição total” o histórico de votações da África do Sul na Organização das Nações Unidas, culpando os políticos sul-africanos pela deterioração da democracia e da economia do vizinho Zimbábue. O CNA se recusou a comentar o editorial. No texto, Tutu instou os sul-africanos a se prepararem para a inevitável morte de Mandela: “Ele tem 94 anos, passou por dificuldades de saúde, e Deus tem sido muito, muito bom em mantê-lo conosco por todos esses anos. Mas o trauma por seu falecimento será muito maior se não começarmos a nos preparar. A maior homenagem a Nelson Mandela seria uma democracia que estivesse realmente funcionando.” O próprio Tutu, de 81 anos, esteve internado por cinco dias há duas semanas para tratar de uma infecção persistente. (webremix.info) |
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Caxirola é uma triste lembrança da vuvuzela da Copa da África do Sul, diz leitor
Inacreditável! Nada tenho contra Carlinhos Brown. A culpa é do Ministério dos Esportes que teve a "brilhante" ideia de incumbir ao músico a tarefa de "criar" um instrumento musical que viesse a padronizar a torcida brasileira, como uma triste lembrança da vuvuzela na Copa da África do Sul. Na Copa de 2010, a vuvuzela fazia parte da cultura local, coisa que nem de longe a tal caxirola se presta a ser. Aqui no interior de São Paulo é proibido entrar nos estádios com rádio de pilha, pois há o temor de que as pilhas sejam usadas para atingir jogadores e torcedores. Agora, com um instrumento do mesmo tamanho de um radinho, com boa aerodinâmica, com a entrada liberada, vai ser uma festa, como foi no jogo do Bahia x Vitória . * Leia mais (30/04/2013 - 06h17) (webremix.info) |
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Exposição na Alemanha traça paralelo entre apartheid e história da fotografia na África do Sul
Maquiadas, de salto alto e vestidos formais, senhoras permanecem eretas e plácidas, lado a lado. Estáticas, elas seguram cartazes de caligrafia impecável: "Protestamos contra a deprivação de direitos humanos básicos“. "Legal agora mas imoral para sempre“. Seus cabelos são bem penteados, algumas usam chapéus. Todas vestem uma faixa negra cruzando o tronco. Todas têm a pele branca.
Veja também As senhoras de elite que nos anos 1950 fundaram o movimento "Black Sash“ ("Faixa Negra“) para protestar contra o apartheid na África do Sul são um entre dezenas de grupos que, a partir de 1948, deram diferentes formas à resistência contra a institucionalização da segregação racial, desde a desobediência civil até os conflitos armados. Junto com eles, uma geração de fotógrafos sul-africanos desenvolveu um olhar sobre o próprio país que antes fora atribuição de holandeses e britânicos, os colonizadores. A história dessa luta e a história da fotografia sul-africana são inseparáveis, é o que mostra a exposição "Rise and fall of apartheid“ ("Ascenção e queda do apartheid“), em cartaz até 26 de maio na Casa de Arte, em Munique. Em dois mil metros quadrados, mais de 600 fotos, filmes e slides – a maior parte de criadores sul-africanos – percorrem o início da política de Estado do apartheid em 1948, com a eleição do Partido Nacional, até o fim, com a libertação de Nelson Mandela em 1990, quase 28 anos após sua prisão, e sua vitória nas eleições de 1994. – Temos uma premissa: o que conhecemos hoje como fotografia sul-africana foi inventado em 1948. Antes desse período havia uma representação antropológica dos sul-africanos, dos chamados estudos nativos. A fotografia depois do apartheid teve que inventar o cidadão – diz o historiador de arte Okwui Enwezor, diretor do museu e curador da mostra junto com Rory Bester. Para inventar o cidadão, fotógrafos sul-africanos retrataram não apenas os movimentos de resistência e protesto, mas também buscaram as rotinas instituídas por leis que usurparam a cidadania dos negros no país. Nos primeiros anos do apartheid, proibiram-se os casamentos interraciais, e a separação de brancos, negros e coulored ("de cor“, mestiços) nas cidades atribuiu à palavra seu significado literal em holandês: separado (apart) e bairro (heid). Se a discriminação racial já existia na estrutura colonial, sua institucionalização como sistema político-jurídico criou um espaço de resistência e tensão social que impulsionou o desenvolvimento de uma nova fotografia no país. Um dos mais proeminentes fotógrafos do período, Ernest Cole, precisou reinventar a própria identidade para poder se locomover em locais onde os negros precisavam de um passe para entrar. Ele conseguiu ser classificado como "de cor“ e registrou espaços a que não teria acesso. Cole captou o que Enwezor denomina petit apartheid, as normas de segregação inscritas nos signos urbanos, que regulavam a vida em seus aspectos mais banais, determinando quem podia sentar-se num banco, usar o banheiro ou o transporte público. Outro importante fotógrafo da rotina de segregação é Peter Magubane. É dele a foto da menina branca sentada num banco com a inscrição "Só para europeus“, enquanto sua babá negra a acaricia, porém do outro lado, reservado aos negros. São fotos que lembram o período das leis Jim Crow em estados do Sul dos Estados Unidos, do fim do século XIX aos anos 1960. Com o subtítulo de "Fotografia e a burocracia da vida cotidiana", a exposição quer mostrar o lado rotineiro do apartheid, pouco noticiado pela mídia, que se concentrou nos protestos e conflitos violentos, sobretudo a partir dos anos 1970. – A mudança do político para o normativo precisa ser discreta, mas a mídia sempre quer algo que seja equivalente ao evento, e no caso a violência era o meio mais impactante para contar as histórias. Isso ofuscou os elementos do apartheid com mais nuances. Na exposição mostramos como algo essencialmente político se tornou normalizado. Apesar de sempre ter havido resistência, foi necessário um grau de normalização social para que o apartheid pudesse funcionar – afirma o curador. Imagens dos diferentes movimentos de resistência também são um importante núcleo da exposição, como as manifestações cujo símbolo eram polegares levantados. O sinal discreto foi substituído por punhos erguidos à medida que os protestos se tornaram mais agressivos, após o assassinato de 69 pessoas no Massacre de Sharpeville, em 1960, durante um protesto contra a obrigatoriedade do passe para os negros; e sobretudo desde 1976, quando quatro estudantes foram mortos numa manifestação em Soweto. Outros grupos de resistência continuaram com a mesma estratégia do início até o fim do apartheid. Foi o caso da "Faixa Negra“ – que se apropriou da linguagem do sistema, usando a mesma tipografia modernia dos signos urbanos de segregação. – Aquelas senhoras tinham uma consciência do valor da propaganda, de que sua representação tinha que funcionar para se contrapor à função comunicativa do apartheid. Tinham uma atuação coreografada, num gesto de não violência e confronto passivo – diz Enwezor, curador da documenta de Kassel de 2002 e ex-curador adjunto do Centro Internacional de Fotografia, por onde a mostra já passou. Em seu texto no catálogo, Enwezor faz uma divisão de abordagens dos fotógrafos sul-africanos da época: havia os que usavam a fotografia como instrumento de transformação política e os que percebiam a imagem como meio de análise social. O próprio curador reconhece, porém, que a crítica do sistema é um elemento central em fotógrafos emblemáticos como David Goldblatt, cujas imagens quase abstratas simbolizam segregação e abandono. A mostra traz ainda obras de artistas que também usaram fotos relacionadas ao apartheid, seja de forma sutil, como o sul-africano William Kentridge, ou irônica, como o alemão Hans Haacke, que se apropriou de propagandas de empresas com negócios na África do Sul. Apesar de se concentrar na luta antiapartheid, a exposição reúne alguns retratos da elite da sociedade sul-africana, como as fotos da americana Margaret Bourke-White, e dos movimentos nacionalistas brancos que se intensificaram nos últimos anos de aparhteid. Porém, segundo Enwezor, a maior parte das imagens do universo pró-apartheid não se destaca pela qualidade fotográfica, e sim pela informação histórica: – Era a imagem da civilidade, do liberalismo em face de políticas não liberais. Grande parte dessas imagens faz parte do Arquivo Nacional da África do Sul, que pertencia ao antigo Ministério da Informação. Em oito anos de pesquisa, Okwui Enwezor e Rory Bester vasculharam ainda os arquivos da revista "Drum“, do coletivo de fotógrafos Afropix, do Museu da África e da Galeria de Arte de Johanesburgo e do Mayibuyi, arquivo da Universidade do Cabo Ocidental, com mais de meio milhão de imagens sobre o período. Para além dos registros históricos, o curador quis ainda deixar uma espécie de epílogo sobre a recepção desse legado histórico e fotográfico pelas novas gerações, com imagens de 2010, 2011 e 2012. – Fotógrafos como Thabiso Sekgala e Sabelo Mlangeni têm um estilo e formato influenciado por David Goldblatt, com uma certa distância crítica e interesse por cidades pequenas despovoadas – afirma. Por fim, um banner sintetiza a extensa luta de resistência, reprimida e reativada, como se vê no longo percurso da exposição. Refeito pelo Centro de Reencenações Históricas, em Johanesburgo, a partir de uma fotografia de um protesto em 1985, que teve 25 mortos, ele diz: "They will never kill us all“ ("Eles nunca matarão todos nós“). (webremix.info) |
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Filme sobre Snoop Lion e um vencedor do Oscar entre os destaques do In-Edit
RIO - O Festival Internacional de Documentário Musical chega à quinta edição brasileira com uma retrospectiva dedicada aos 50 anos de carreira do cineasta inglês Dick Fontaine. Filmes como "Beat This! A Hip-Hop History, Bombin" e "Art Blakey - The Jazz Messenger" entraram na programação. Veja também No Panorama Mundial, "Death Metal Angola", de Jeremy Xido; "Neil Young: Journeys", de Jonathan Demme; e "Reincarnated", de Andy Capper (sobre Snoop Lion) são alguns dos destaques. Na sessão de abertura, será exibido "Procurando Sugar Man", de Malik Bendjelloul, que ganhou este ano o Oscar de melhor filme dedicado ao gênero documental ao contar a história de Jesus "Sixto" Rodriguez. O filme terá ainda outras duas exibições durante o festival. Entre os brasileiros, que estarão distribuídos nas Mostras Brasil, Competitiva, Curta um Som e Sessões Especiais, serão exibidos "Música serve para isso: Uma história dos Mulheres Negras", "A batalha do passinho", de Emílio Domingos e "Jards", de Eryk Rocha. O In-Edit acontece entre 3 e 12 de maio em São Paulo, no MIS, no CineSESC, na Cinemateca Brasileira, na Matilha Cultural e no Cine Olido. (webremix.info) |
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Lançamento de ‘Sambabook’ e ‘Discobiografia’ de Martinho da Vila reveem carreira do sambista
RIO - “Quem quiser saber meu nome/ Não precisa perguntar/ Sou Martinho lá da Vila/ Partideiro devagar.” A sintética autodefinição de Martinho reafirma: em sua voz e seus versos, tudo sempre é mais profundo e parece mais simples. Chegando agora às lojas, o “Sambabook” (Musickeria) dedicado ao compositor — o segundo da série, que estreou homenageando João Nogueira — dá oportunidade de comprovar isso. E, mais importante, de vislumbrar o tamanho do artista que cabe num “partideiro devagar”.
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No CD/DVD/Blu-ray do “Sambabook”, está lá o compositor do samba-enredo revolucionário (“Sonho de um sonho”), do partido alto modelo (“Casa de bamba”), da crônica social refinada (“O pequeno burguês”), da experimentação formal (“Odilê, odilá”), da sensibilidade de se olhar o amor sob ótica original (“Ex-amor”). Mais: com intérpretes que vão de Paulinho da Viola a Pitty, de Ney Matogrosso a Casuarina, o projeto aponta para o alcance da obra de Martinho, 75 anos. E no livro “Discobiografia” (Casa da Palavra) — parte do “Sambabook”, que inclui ainda um fichário com 60 partituras e um aplicativo para celulares e tablets —, percebe-se que mais que um “sambista”, “autor sofisticado” ou “partideiro devagar”, há um artista que o tempo todo reflete sobre sua obra e sobre onde quer chegar. — Martinho é o artista da música brasileira que melhor se encaixa na “Discobiografia” (que acompanha a trajetória do artista pela análise de sua discografia) — diz Hugo Sukman, autor do volume sobre o compositor da Vila. — Quase todos os seus discos são conceituais, têm ideias muito firmes por trás deles. Martinho confirma: — Tirando o primeiro (“Martinho da Vila”, de 1969, que gravou para apresentar à gravadora RCA Victor seu trabalho como compositor), nunca trabalhei num disco só juntando músicas. Penso sempre numa ideia central, que às vezes é um tema, outras uma forma. Isso acontece desde o segundo disco (“Meu laiaraiá”, 1970), que vem da vontade de fazer um disco de samba bem produzido, com orquestra, sair do esquema que existia na época. O terceiro, “Memórias de um sargento de milícias” nasceu quando estava dando baixa do Exército (ou seja, escolhendo em definitivo a carreira de artista), trabalhei pensando nisso. E assim é até hoje. O exercício de pinçar aleatoriamente álbuns em sua discografia reforça o que Sukman e Martinho dizem. “Rosa do povo”, de 1976, parte do universo poético de Carlos Drummond de Andrade (sem usar um verso do poeta); “Tendinha”, de 1978, transporta para o disco o espírito do encontro das rodas de samba, antecipando algo que a geração Cacique de Ramos consagraria; “Samba enredo”, de 1980, é um estudo sobre o gênero, salientando seu caráter de arte negra; “Ao Rio de Janeiro”, de 1994, olha para a cidade sob variados prismas; “Brasilatinidade”, de 2005, é sua viagem pela música da América Latina. — Vejo o disco quase como um livro, um espetáculo roteirizado — define Martinho. — Como um enredo de um desfile, enfim. Acho que o que me levou a pensar dessa maneira foi minha proximidade com a escola de samba. Da Vila, Martinho já se declarou pertencente a diversos universos, espalhando-se nos títulos de seus discos: “Martinho da vida”, “Martinho da Vila, da roça e da cidade”. Algo que dá pistas sobre o lugar único que ocupa na música brasileira. Tem todas as características de um “sambista autêntico” (a formação na favela, a escola de samba, o domínio das formas do gênero), mas explora temas inusuais e não se aferra ao ritmo. Por outro lado, sua trajetória não o alinha diretamente aos colegas de geração que definiram os fundamentos da chamada MPB, elaborada, universitária. E, como poucos, dialoga com rádios e gravadoras, afirmando sua arte sem negar os interesses deles. — Sempre procurei entender do meu ofício. Procurei saber o que é um artista, ter noção da importância do que faço. Sempre fui de pensar — afirma o compositor, que tem também um livro infanto-juvenil a ser publicado em breve, “O nascimento do samba”, sobre as origens do gênero. Uma das epígrafes do livro é de Tunico Ferreira, filho de Martinho: “Se você quer ser amigo íntimo do meu pai basta escutar seus discos, desde o primeiro até o último. Todos os problemas, alegrias, momentos marcantes estão nas músicas”. É assim com todos os temas que ocupam o pensamento do homem que sempre foi de pensar: — Ele faz discos sobre partido alto, sobre o samba-enredo... Traduz seus projetos em discos. E, assim, leva a cultura que representa a um patamar que antes ela não ocupava — diz Sukman. — Sem Martinho, sem a popularização do gênero promovida por ele, o samba estaria num outro lugar hoje. Ele existe como música comercial em grande parte porque Martinho existe. Zeca Pagodinho, por exemplo, é filho do Martinho. Tanto que o ressurgimento de Zeca nos anos 1990 foi com Rildo Hora (fundamental na construção da sonoridade dos discos de Martinho). No “Sambabook”, esse som de Martinho é representado já na escalação da banda. Ela estará completa, e terá a presença dos convidados, nos shows de lançamento do projeto — no Imperator (Centro Cultural João Nogueira), nos dias 22 e 23 de maio, e no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, em 31 de maio, 1º e 2 de junho. — São músicos que tocaram com Martinho em diferentes momentos, como Zeca da Cuíca e Claudio Jorge, e um coro que tem filhos de Martinho (Analimar, Juju Ferreira e Martinho Filho) e sua neta Dandara — explica Flavio Pinheiro, diretor de Marketing da Musickeria. — Para os intérpretes convidamos pessoas identificadas com ele, como Paulinho da Viola, Leci Brandão, João Donato e Mart’Nália. Mas também procuramos artistas das novas gerações, seja do samba, como Moyseis Marques, ou de fora dele, como Pitty. Martinho lembra que, quando começou, tudo era mais setorizado: — Pitty cantou maravilhosamente bem meu samba (“Roda ciranda”). E Chorão era meu grande fã. Me falou uma vez que se inspirou muito em mim, veja só. Apesar da surpresa de Martinho, não é difícil entender o fascínio que exerce o artista que estabeleceu de forma pioneira pontes entre a periferia e a indústria, entre o campo e a cidade, entre o Brasil e a África — sempre com os pés fincados em ambos os lados. Pontes construídas ao longo de uma vida que parece ficção. — Ele foi retirante, vindo do interior do Rio (Duas Barras), e favelado (da Serra dos Pretos Forros, na Boca do Mato). Conseguiu se educar, sustentar a família, ficar rico, ter prestígio perene, tudo isso vindo do estrato mais baixo da sociedade. Ele compra a fazenda onde seu pai trabalhava e faz um samba-enredo lindo (o da Vila Isabel, campeã deste ano) que fala do homem do campo, e no qual o filho é um dos parceiros. Trajetória perfeita para um biógrafo — elogia Sukman. (webremix.info) |
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Estado do Rio terá 280 guardiões da natureza até julho
RIO - De olho em experiências bem-sucedidas de países como Estados Unidos, África do Sul e Argentina, o Estado do Rio começa a tirar do papel uma força-tarefa em defesa de suas áreas verdes. Entre engenheiros, biólogos, geógrafos e jovens que ainda não venceram a graduação, um exército de 110 pessoas já está em campo — e com formação específica — para fortalecer a proteção da biodiversidade. A jornada semanal dessa turma, de 40 horas, rende a cada um R$ 1.500 ao fim do mês. A área de atuação do novo serviço estadual de guardas-parques é vasta em todos os sentidos: até julho, todos os 280 fiscais, 220 concursados pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e 60 cedidos pelo Corpo de Bombeiros, estarão treinados para atuar em 204 mil hectares, em ações de combate a incêndios e desmatamentos, ordenamento urbano, educação ambiental e apoio às pesquisas científicas. Do extremo sul ao extremo norte do estado, cada uma das 12 unidades de proteção integral, aquelas que não permitem edificações, terão ao menos seis fiscais. Entre elas, os parques da Pedra Branca (Rio), dos Três Picos (Região Serrana) e da Serra da Tiririca (Niterói). Também foram destinados R$ 8 milhões para a compra de veículos, uniformes e equipamentos. De acordo com o Inea, foram adquiridos, em média, um veículo para cada dez guardas-parques. O financiamento veio de compensação ambiental do Porto Açu, do empresário Eike Batista. Bianca Masi, de 27 anos, percorre, a pé ou dirigindo uma possante caminhonete, os trechos do Parque Estadual da Costa do Sol. Ela e outros 30 colegas são responsáveis por dar conta de uma área que corta seis cidades da Região dos Lagos — de Saquarema a Búzios — e soma quase três Florestas da Tijuca. Graduada em geografia e especializada em técnicas de segurança do trabalho, a jovem conta que decidiu fazer o concurso para proteger o “quintal de casa”: o bairro do Peró, em Cabo Frio. — Foi para tentar ajudar a melhorar as coisas que decidi ser guarda-parque. Pretendo voltar a dar aulas de geografia, mas nos últimos meses estive focada no trabalho de guarda — afirma Bianca, contratada por três anos, com possibilidade de renovação por mais dois. O guarda Daniel Lopes, de 32 anos, também fiscal do parque, neste sábado dedicava-se à pesquisa de capacidade de carga da Praia das Conchas, em Cabo Frio. O trabalho tem como objetivo mapear a área e cruzar informações, como quantitativo e renda média dos visitantes. A praia faz parte do Parque da Costa do Sol. Com base nesses dados, será possível padronizar o funcionamento dos 18 quiosques do local. A equipe também promete constranger a atividade dos flanelinhas, que chegam a cobrar R$ 15 por carro estacionado na vegetação de restinga. — Estou aqui por ideologia — diz Lopes. — Já vinha de um ativismo ambiental de 16 anos. Pensei que era hora de parar de reclamar e passar para o outro lado do balcão. A seleção dos guardas-parques incluiu provas teóricas e práticas, além de uma fase classificatória que levou em conta a formação anterior dos candidatos em itens como primeiros socorros e informações sobre animais peçonhentos, além do conhecimento de línguas estrangeiras. Entusiasta do projeto, o diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Inea, André Ilha, aposta no diálogo dos guardas com a sociedade para desenvolver uma cultura de desenvolvimento sustentável. — Diversos países têm uma longa tradição com os seus serviços de guardas-parques, como Estados Unidos, Canadá, Quênia, Chile e Argentina. Mas, no Brasil, não tínhamos iniciativas desse tipo. Um estudo do Banco Mundial mostrou que o fator individual mais importante para a adequada gestão de uma área protegida é a presença de pessoal no campo, uniformizado e treinado. Para estimular o ingresso de moradores da região, fizemos nosso concurso por unidade de conservação, o que provou ser uma decisão acertada — comenta Ilha, prevendo uma revolução na gestão de parques e reservas estaduais. De acordo com o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, a atuação desses profissionais será fundamental para que o estado atinja a meta de quadruplicar o número de visitantes dos parques estaduais nos próximos quatro anos: — Não basta criar parque no papel. Precisamos ter equipamentos, segurança e orientação aos visitantes. A meta é passar de 250 mil para um milhão de visitantes em quatro anos. O guarda-parque não anda armado. A principal função dele é garantir o bom uso do parque. Para driblar eventuais retrocessos do projeto, em função do baixo salário, o Inea aposta em gratificações por metas. Se as metas forem cumpridas, cada guarda-parque levará para casa R$ 4 mil a mais por ano. (webremix.info) |
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Em Doha, museus e grandes novidades
DOHA - No ano passado, a família real do Catar ganhou as manchetes dos jornais ao arrematar em um leilão, por US$ 250 milhões, o quadro “Os jogadores de cartas”, de Paul Cézanne, até hoje a pintura mais cara da História. Na semana passada, novamente o apetite dos árabes por obras de arte famosas foi notícia, com a compra de “O menino com a pomba”, uma das obras da fase azul de Pablo Picasso. As duas peças são as estrelas de um rico acervo em formação, para ser exibido em instituições como o Mathaf, Museu Árabe de Arte Moderna, que nasce com o propósito de consolidar o país da Península Arábica, que conquistou o direito de sediar a Copa do Mundo de 2022, como uma referência mundial em cultura e entretenimento.
Veja também Doha é hoje um destino que desponta no mapa do turismo com uma coleção de edifícios ultramodernos que compõe um dos conjuntos arquitetônicos mais impressionantes do planeta, nos quais muitas vezes funcionam hotéis de alto luxo, com um time de restaurantes de primeira linha e cardápios assinados por chefs como Alain Ducasse, Gordon Ramsay e Jean-Georges — o próximo da lista é o japonês Nobu Matsuhisa. Comida árabe, um movimentado mercado e passeios no deserto representam a cultura local. Esses dois universos em sintonia fazem de Doha mais que uma parada a caminho da Ásia. Torres iluminadas, grifes e... gôndolas O avião se aproxima da pista de pouso, e a escuridão do mar (ou seria do deserto?) dá lugar a umas poucas luzes. De repente, surgem prédios futuristas impressionantes, torres altas iluminadas com luzes coloridas em formatos improváveis. Em poucos anos, Doha se verticalizou em sua área central, formando um fascinante conjunto arquitetônico de prédios modernos, e o ritmo de construções acelerado mostra que o cenário vai continuar mudando. Tapumes e guindastes escondendo obras são parte constante da paisagem. Mesmo com o movimentado Souq Waqif, o lindíssimo Museu de Arte Islâmica e a impecável cozinha árabe, a face mais atraente da capital do Catar, hoje com pouco mais de um milhão de habitantes, é a da modernidade. Existe um quê de Las Vegas em Doha, e este lado é bem representado pelo shopping Villagio Mall, um imenso complexo de lojas cortado por canais repletos de gôndolas como em Veneza, imagem que acabou se tornando um cartão-postal do país. O passeio de barquinho veneziano no Catar pode parecer exótico como de fato é ( muito mais barato do que o original, e custa o equivalente a R$ 5 por pessoa), bem como deslizar pelo imenso rinque de patinação no gelo (também com preços camaradas: R$ 15 por 1h45m; ou R$ 50 por um dia inteiro), mas o time de grifes encontradas é de primeira linha, e as mais famosas estão concentradas na Via Domo: Cartier, Fendi, Ermenegildo Zegna, Christian Louboutin, D&G, Bottega Veneta, Bulgari, Prada, Gucci... Pense em uma marca de luxo que ela estará ali. Para os que viajam em família, a Palm Tree Island, no meio da Baía de Doha, tem uma jeitão de paraíso tropical, com praias de águas claras, calmas e de temperatura amena, muitas palmeiras, restaurantes especializados em pescados e bares, além de uma série de atividades aquáticas. A ilha está a apenas dez minutos de barco da Corniche, o famoso calçadão costeiro onde moradores e turistas caminham, correm e passeiam. A agradável travessia da baía é feita em embarcações típicas. Palm Tree tem áreas gramadas que convidam a um piquenique, uma ótima ideia, ainda mais para aqueles que puderem se abastecer antes na loja Dean & Deluca que funciona no Villagio Mall. Neste universo em construção, há novidades prestes a abrir as portas que vão reforçar ainda mais a condição de Doha como destino emergente, principalmente em relação ao turismo de alto luxo. Uma das atrações mais aguardadas, pelos aspectos gastronômicos e arquitetônicos, é o restautante do chef japonês Nobuyuki Matsuhisa, que será inaugurado ainda este ano no hotel Four Seasons, junto à marina e com vista privilegiada da Baía de Doha. A construção, um projeto do Rockwell Group, de Nova York, promete virar um dos prédios mais fotografados do Catar. Uma estrutura redonda, como que suspensa no ar, praticamente debruçada sobre o mar, com paredes envidraçadas para valorizar o visual. Serão dois andares, mais um terraço panorâmico que, é fácil imaginar, vai se tornar um dos lugares mais disputados da capital do Catar. No cardápio, estarão os pratos que fizeram a fama do cozinheiro, uma versão moderna, com influências estrangeiras, da gastronomia tradicional do Japão. Outro provável marco arquitetônico com abertura também prevista para este ano, apesar dos sucessivos atrasos, é o novo aeroporto internacional de Doha. A estrutura monumental vai acabar com um dos inconvenientes para os turistas que visitam o país: o “velho” aeroporto, inaugurado em 1998, não tem fingers de acesso aos aviões, e o embarque é feito em ônibus — os voos de São Paulo ainda vão demorar um pouco para migrar para os novos terminais. Cavalaria, falcoaria e arte islâmica Para quem já visitou bazares em outros países árabes, o Souq Waqif não parece real: é organizado e com aparência de novo, como um shopping center. Mas os produtos à venda, como peças em ouro, panos e todo tipo de tecido, incluindo belíssimas pashminas, além de antiguidades, especiarias, perfumes, pérolas e roupas tradicionais árabes, tornam a visita interessante, e uma boa oportunidade de compras. A guarda montada a cavalo, com uniformes impecáveis, belíssimos, rende boas fotos. Outra razão para ir ao souq é a boa oferta de restaurantes, incluindo casas malaias, indianas e marroquinas. A bebida oficial é chá ou café, acompanhados de um narguilé. Uma particularidade do mercado são os hotéis, como o Al Mirqab, que tem decoração preciosa, com móveis de design em estilo árabe. Como é proibido consumir álcool em bares e restaurantes nas ruas, os hotéis do souq se convertem em bons lugares para um drinque entre uma compra e outra. O mercado é imenso, e dá para passar uma tarde inteira ali. Um dos lugares mais curiosos é o Mercado dos Falcões, onde a arte da falcoaria resiste ao tempo: além das aves treinadas, estão à venda acessórios para praticar essa paixão nacional do Catar. Bem perto fica o imperdível Museu de Arte Islâmica, uma construção lembrando uma pirâmide, ainda mais bela à noite, quando ganha iluminação que realça as suas linhas. O acervo transita por todo o universo islâmico, do Norte da áfrica à Ásia, cobrindo um período de 1.400 anos. São várias coleções, de cerâmicas e moedas a tecidos e artefatos em metal. Vale a pena programar ao menos uma refeição ali porque, além do café simpático, o museu abriga um restaurante de Alain Ducasse, o Idam Doha. O cardápio tem ingredientes franceses tratados com forte acento islâmico, e pratos como terrine de foie gras com gergelim e frutas cítricas, ou uma especialidade local, carne de camelo, servida com o fígado gordo, trufas e batatinhas suflê. O menu degustação, com opções escolhidas pelos clientes entre as disponíveis no menu regular, custa R$ 365. O lugar é lindo, com vista para a baía, tendo os prédios modernos ao fundo, e decoração assinada por Philippe Starck. Os pratos têm ótima execução e apresentação. Só fica faltando o sommelier... Nos hotéis, drinque, brunch ou spa O mercado hoteleiro de Doha acompanha o mesmo ritmo frenético da construção de edifícios modernos na cidade, e algumas redes escolheram se instalar nesses prédios, como o W Doha, enquanto outros são resorts, que atraem mais famílias, como o The Ritz-Carlton Sharq Village and Spa e o Four Seasons. Mais do que oferecer hospedagem, os hotéis estão no centro da indústria de entretenimento do Catar, abrigando grande parte dos melhores restaurantes, os bares mais badalados e os spas que carregam as principais marcas deste segmento em todo o mundo, como Remède, no St. Regis, e o Six Senses, no Ritz-Carlton Sharq Village. Para os viajantes não muçulmanos, os hotéis são referência de lazer também porque apenas nesses lugares as bebidas alcoólicas podem ser consumidas livremente. Quem imagina que agito noturno não rima com Doha precisa conhecer o hotel W, epicentro da badalação, com um time de bares de primeira linha, como o Crystal, o Wahm Lounge e o Living Room. Com iluminação baixa, luzes roxas e um concorrido balcão, o Crystal reúne turistas que querem ouvir música, com DJ tocando ao vivo, comendo e bebendo bem. Há um bar de champanhes e uma ótima lista de drinques. Se tem um lugar para ver e ser visto em Doha, é este. O W oferece ainda dois brunches originais. Em um deles, ao som de jazz, no restaurante Market, os pratos são assinados pelo chef francês Jean-Georges (custa R$ 170, com bebidas). Já o Spice Market tem um dos brunches mais atraentes para os apreciadores da cozinha asiática: o destaque é a comida de rua de vários países do continente (também por R$ 170). Os brunches são uma tradição catari ligada à indústria hoteleira. Mas, ao em vez de acontecerem aos domingos, como reza a tradição ocidental, essa mistura de café da manhã com almoço é a refeição das sextas-feiras, o dia sagrado para o islamismo. Quase todos os hotéis realizam o seu brunch de sexta, seguindo vários estilos culinários diferentes. Um dos mais autênticos é o brunch tailandês que acontece no restaurante Isaan, no Grand Hyatt (R$ 125, ou R$ 200, com bebidas). Para os que viajam em família, o almoço das sextas-feiras no restaurante Seasons, no hotel Mövenpick, dá especial atenção às crianças, incluindo a presença de piratas e personagens da Disney. Além do brunch jazzístico no W Hotel , Doha conta com uma filial do mítico Jazz at Lincoln Center, de Nova York, no St. Regis, com intensa programação de shows, com músicos residentes e apresentações de artistas convidados. Com duas unidades em Doha, uma mais voltada ao público executivo e um resort de praia, a rede Ritz-Carlton, além de opção de hospedagem, é um local para relaxar. O spa Six Senses, no Sharq Village, com praia particular de frente para o paredão de prédios modernos da cidade, é espetacular. A decoração recria uma antiga residência árabe, usando sistemas rudimentares de refrigeração. Há muitos tratamentos voltados para casais, com direito a saunas e piscinas privativas. O spa do Sharq Village é procurado por moradores e viajantes hospedados em outros hotéis da cidade. Assim como os seus vários bares e restaurantes, incluindo um salão de chá à moda árabe, o Afternoon Tea in Al Jalsa, e uma área dedicada aos charutos, o elegante Cigar Lounge, com poltronas de couro próprias para se saborear um bom cubano escoltado por um copo de conhaque. Ícone local, o complexo The Pearl-Qatar é um dos principais empreendimentos imobiliários, no melhor “estilo Dubai”: um conjunto de ilhas artificiais com construções de inspiração mediterrânea (um calçadão à beira-mar foi batizado de La Croisette), árabe ou asiática, dependendo do lugar. O projeto tem hotéis (como o Nikki Beach, com inauguração prevista para o próximo ano), edifícios residenciais e de escritórios, marina, restaurantes, cafés e lojas. Quase um mundo paralelo. SERVIÇO PASSEIOS Museus: A Qatar Museums Authority concentra a administração dos mais importantes museus do país. No site qma.com.qa é possível encontrar informações sobre horários de funcionamento, endereços etc. Safári no deserto: Várias empresas organizam passeios de jipe pelo deserto. Uma das maiores é a Qatar Adventure. Há vários tipos de programa, com ou sem refeição no final. O passeio que dura o dia inteiro custa QAR 350 (R$ 175) ou QAR 450 (R$ 225), com jantar típico, um churrasco à moda árabe. qataradventure.com VISTO Brasileiros precisam de visto para entrar no Catar. Ele pode ser tirado diretamente com os hotéis. Custa cerca de R$ 70, mas o preço varia de acordo com cada rede. MOEDA A moeda oficial no Catar é o qatari rial (QAR). Pelo câmbio atual, 1 QAR vale R$ 0,55. O dólar e o euro são bem aceitos nas lojas, inclusive no Souq Waqif, mas o troco geralmente é dado em moeda local. Cartões de crédito internacionais são amplamente aceitos. Bruno Agostini viajou a convite do Ritz-Carlton e da Catar (webremix.info) |
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A infelicidade de Feliciano
Outro dia, meu neto de 7 anos me disse excitado que tinha um presente para mim. Era uma lata de Coca-Cola que havia encontrado com meu nome, Carlos, inscrito nela. Tive a sensação de que meu neto havia-me achado no meio da multidão e me propunha celebrar minha existência. Como quando nomeamos alguém estamos identificando sua singularidade, me dei conta de que um dos produtos mais universais do planeta, um dos signos fundadores da globalização, havia sacado a necessidade de reconhecer a existência do indivíduo e sua diferença. A humanidade não é uma massa anônima e informe, mas o encontro entre seus indivíduos, a única coisa concreta que existe. O resto (língua, sociedade, moeda, nação, estado, cultura, o que mais for) são abstrações necessárias que inventamos para poder melhor conviver com o outro. É claro que essa operação de marketing do produto que minha geração, em sua juventude irreverente e bem-humorada, chamava de “a água suja do imperialismo”, é apenas uma fantasia que não vai melhorar a vida de ninguém. Mas é significativo que a marca máxima de um modo de vida planetário reconheça a necessidade de lembrar nossa individualidade, nossa diferença, nossa singularidade. Somos indivíduos responsáveis pelos outros e essa responsabilidade começa pelo respeito ao que o outro é ou quer ser. A democracia é o único regime político em que esse comportamento se encontra em seu cerne. Sem ele, ela perde o sentido. Segundo Tocqueville, o grande pensador da democracia moderna na primeira metade do século 19, o regime democrático é uma ditadura da maioria, abrandada pelos direitos de manifestação das minorias. É tão simples e profundo quanto isso. Nosso Congresso Nacional está deixando que essas ideias indiscutíveis sejam negadas pela ação nefasta do deputado Marco Feliciano, à frente da Comissão de Direitos Humanos. E esse desastre não tem apenas o deputado como único culpado; grosso modo, a câmara inteira é responsável pelo grave erro. A democracia representativa fica comprometida quando os partidos dão prioridade a seus arranjos funcionais, em prejuízo da representação popular. Apesar de grosseiro, medieval e inaceitável, o deputado tem o direito de pensar como quiser, para agradar seus eleitores específicos. Mas não tem o de impor, por delegação de seus pares, as consequências segregadoras desse pensamento sectário à população inteira, que inclui os que são discriminados. Todos os partidos deixaram que isso acontecesse quando negociaram, segundo seus interesses táticos, a formação das diferentes comissões no Congresso. A culpa não é só do partido de Feliciano, o PSC, que o indicou; os outros também preferiram o conforto próprio, em detrimento da segurança social da população. Quando isso aconteceu, onde estavam o PT e seus “progressistas”? Por onde andavam os “democratas” do PSDB? Que faziam os “socialistas” do PSB? E os “liberais’ do DEM? O único congressista que vi se manifestar desde a primeira hora, com coragem e firmeza, sem se preocupar com as conveniências regimentais da Casa, foi o deputado Jean Willys. Suspeito que Marco Feliciano não seja um homem feliz. Ele deve viver atormentado pelos fantasmas do porre de Noé, do pecado de Cam, da maldição divina sobre a África e os negros. Feliciano não pode gastar relaxado o dízimo de seus fiéis, enquanto houver no mundo aborto, homossexuais, casamento gay e gente que não pensa como ele. “Infeliciano” não deve dormir em paz. Mas confesso que não admiro nem um pouco o modo de reação de alguns ativistas contra ele. Numa democracia, não se deve fazer política invadindo reuniões, subindo nas mesas, agredindo quem passa pela frente, impedindo o interlocutor de se manifestar. A democracia é também um processo civilizatório, como foi a justa manifestação recente na ABI, organizada por Jean Willys, com a presença de Caetano Veloso, Wagner Moura, Preta Gil e tanta gente que lotou aquele auditório para discutir o assunto. É evidente que hoje, no mundo inteiro, vivemos uma grave crise da democracia representativa. Talvez pelo crescimento da população em todos os países; talvez pela distância cada vez maior entre representantes e representados; talvez até mesmo pela crescente superação do poder do estado pela força natural da sociedade. Não sei encontrar solução para essa crise. Mas ela não pode ser a democracia direta que nos leve à aventura irresponsável do populismo, nem o voto distrital que torna clientelista o resultado de uma eleição, eliminando o debate ideológico que organiza o futuro. É preciso começar a discutir uma reforma política democrática que contemple todas essas novidades. Para certos crentes, nosso mundo real é sempre provisório, o paraíso se encontra muito mais à frente, bem adiante de nós. Depois é que é sempre bom e, para chegar lá, devemos suportar dor e sofrimento, a fim de nos tornarmos merecedores da graça no futuro e punirmos os que ousam desejar ser felizes por aqui mesmo. Mas temos o direito de exigir que nos deixem ser o que somos, que nos garantam, aqui e agora, nossa felicidade de cidadãos, nossa “felicidadania”. Cacá Diegues é cineasta (webremix.info) |
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Aumenta déficit de financiamento em educação para países de baixa renda, segundo Unesco
BRASÍLIA – Com a queda da ajuda externa, os países de baixa renda aumentaram o déficit de financiamento em educação nos últimos três anos. Dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), revelam que é necessária ajuda externa de US$ 26 bilhões anuais para que esses países universalizem a educação fundamental, até o ano de 2015. O valor aumentou. Em 2010, os cálculos apontavam que ainda que os governo priorizassem a educação, faltariam US$ 16 bilhões anuais para que toda criança tivesse pelo menos seis anos de formação inicial.
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Os números constam no relatório Tornar a Educação Acessível até 2015 e no Período Posterior (Making Education for All Affordable by 2015 and Beyond). A meta de universalização até 2015 é um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, firmados na Cúpula do Milênio, em 2000 e assinados por 189 países, entre eles o Brasil. Segundo a Unesco, são necessários ao todo US$ 53 bilhões anuais para o ensino fundamental, mas apenas a metade disso é investida no setor. Incluindo-se o ensino médio, o financiamento necessário aumenta para US$ 77 bilhões anuais, o que aumenta o déficit de financiamento para US$ 38 bilhões anuais. A menos de mil dias do prazo final da meta, a coordenadora de Educação da Unesco no Brasil, Rebeca Otero, disse que a meta não conseguirá ser finalizada, mas que nesse período, muitas lições foram aprendidas: — Ainda temos muitas crianças fora das escolas, muitos jovens e adultos analfabetos, ambientes escolares inadequados, etc. Mas, aprendemos que a formação dos professores é central para o aprendizado e que o nível de conhecimento desses profissionais é fundamental para a qualidade do ensino. No último relatório de acompanhamento das metas, de 2012, consta que 112 países teriam que formar mais 5,4 milhões de docentes para o ensino primário, destes, 2 milhões seriam postos adicionais e 3,4 milhões para substituir os professores aposentados ou que deixam a profissão. Mais de 2 milhões de vagas deficitárias se concentram nos países da África Subsariana. O Brasil aparece nos relatórios como um país que apresenta avanços no setor educacional, embora ainda enfrente dificuldades no setor. A Unesco propõe, inclusive, que o país aumente as contribuições externas e estipule objetivos mais ambiciosos de investimento nas economias de baixa renda para depois de 2015. O Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) investem atualmente US$ 163 milhões anuais na educação básica de países com dificuldade de financiamento do setor. A Unesco propõe também que 5% do imposto sobre as transações financeiras internacionais da União Europeia (UE) sejam destinados à educação. A medida agregaria ao setor US$ 2,4 bilhões. Além disso, o documento sugere que o setor privado poderia aumentar o repasse, uma vez que “a contribuição ao ensino fundamental em países em desenvolvimento continua sendo mínima”. (webremix.info) |
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Diretora de ‘O rei leão’ defende catarse no teatro
SÃO PAULO - Em São Paulo para os ajustes finais de “O rei leão”, maior bilheteria da Broadway, que estreia nesta quinta no Teatro Renault, a americana Julie Taymor fala da crise de “Spider-Man: Turn off the dark”, comenta sua volta aos palcos e pede a Caetano Veloso e Chico Buarque que se dediquem a musicais. Há algum diferencial na versão brasileira de “O rei leão”? Sempre optamos por nacionalizar alguns personagens. Na África do Sul, por exemplo, Timão era branco, falava como sotaque africâner, e Pumba era negro, de uma favela da Cidade do Cabo. Foi uma escolha política, porque eles viviam fora do apartheid, na selva. É fantástico quando a cultura local se mistura ao musical, porque a plateia sente que o espetáculo lhe pertence. Uma das virtudes de “O rei leão” é transcender cultura e raça. A mistura étnica no Brasil é maior do que em qualquer outro lugar, e é isso o que mais amo nesse país. E a força de sua raízes africanas. Quase todo o elenco daqui é negro, assim como nos EUA. Mas há 16 anos, não havia Barack Obama. Quando crianças negras assistiam ao espetáculo e viam um rei negro que não era traficante de drogas, isso era muito positivo para sua imagem. Para os negros americanos, “O rei leão” tratava de raça, enquanto para os brancos era uma história sobre animais. Acredito que vocês terão essa mesma dualidade aqui. O show não é estrangeiro, é uma metáfora da Humanidade. O que fez de “O rei leão” a maior bilheteria da história da Broadway? Não somos condescendentes com o público. O espetáculo é simples em vários aspectos, mas é muito sofisticado em termos de recursos cênicos. São técnicas antigas, mas pouco usadas. Na manipulação de bonecos, por exemplo, você vê o ser humano. Temos um leão, mas não precisamos de peles. Então, no teatro musical esses recursos continuam novos, frescos, porque não estamos acostumados com eles. A história é forte, trata de amadurecimento e de morte. É como um ritual, o que tem a ver com as origens do teatro. Sem ser religioso, o espetáculo tem uma espiritualidade forte. Muitas das canções são no idioma africano suaíli. Não é preciso saber o que as palavras significam. Basta sentir. É um espetáculo da Broadway porque está em cartaz lá, mas não tem nada a ver com nenhum outro musical. Como você avalia o cenário atual da criação de musicais? É tempo de criar novas formas, romper com o palco italiano. Se for só para criar uma imagem no palco, temos o cinema e a TV com o close, muito mais eficaz. O interessante é quando o teatro faz o que a TV e o cinema não são capazes, principalmente nos musicais. É preciso explorar outros espaços e dimensões. Acredito que o teatro musical sempre irá existir. Caetano Veloso deveria estar escrevendo musicais. Chico Buarque também, e deveria permitir que novos diretores encenem os que já criou, como “Ópera do malandro”. Quais são seus novos projetos? Estou inaugurando um teatro em Nova York para clássicos, dirigindo “Sonho de uma noite de verão” (Shakespeare), com previsão de estreia em novembro. E captando dinheiro para dois filmes. Um é um musical que se passa numa Índia mitológica e em Nova York; o outro é baseado na lenda do holandês voador, chamado “Riders on the storm”. É uma história de amor épica e contemporânea. Estou planejando uma adaptação do filme que dirigi, “Across the universe” (com músicas dos Beatles), para o teatro. E talvez faça algo no Brasil e na China. Mas não posso falar ainda. Em meio a uma crise, você foi afastada da direção de “Spider-Man: Turn off the dark” e agora processa os produtores. O que aconteceu? Foi a tempestade perfeita. Tínhamos um ótimo roteiro. É muito difícil fazer algo novo, tão ambicioso, sem ter tempo. Não nos deixaram terminar. Foram impacientes como abutres, inclusive a imprensa. O que está em cartaz hoje é meu trabalho, mas não é o conceito original, o que lamento, porque era fenomenal. Com o adiamento da estreia, Bono Vox e The Edge, do U2, tiveram que sair em turnê, e foi ruim não ter os compositores por perto. Eles perderam a fé. A equipe se rompeu. Mas ainda é meu show. Pessoas gostam da ideia de um desastre. Os acidentes foram uma grande mentira da imprensa. Já houve muito piores na Broadway. É uma pena, porque estávamos fazendo algo radicalmente novo. Experimentação leva tempo e precisa de apoio e paciência. Senão só teremos mais do mesmo. *** ‘O rei leão’ em números: 68 milhões de pessoas Assistiram à peça, em cartaz na Broadway e em outros 16 países US$ 5 bilhões É o lucro gerado em 16 anos — US$ 853,8 milhões só na Broadway R$ 50 milhões É o custo da produção brasileira, com R$ 11 milhões captados via Lei Rouanet 5 prêmios Tony Foram entregues a “O rei leão” 2 mil candidatos Fizeram testes para o elenco da produção brasileira (webremix.info) |
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Artista usa Kinect e areia para criar mundo virtual interativo na File Games 2013 (webremix.info) |
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Brics competem para ganhar terreno na África
Para os habitantes da cidade de Durban - onde nesta terça e quarta-feira ocorre a quinta reunião de cúpula entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, os Brics - um empreendimento vem à mente quando o assunto é o aumento da presença dos países emergentes na África do Sul: o "Shopping Center China".Com 40 mil metros quadrados e mais de 400 lojas, esse megacentro comercial inaugurado há sete anos (e expandido três vezes) fica aberto sete dias por semana para vender os mais variados tipos de produtos com apenas dois aspectos em comum - preços acessíveis e a etiqueta que informa: "Made in China".O Shopping Center China - com filial em Johanesburgo - é a face mais visível do fenômeno que ganha força e tornou-se um dos principais temas da cúpula dos Brics: a corrida da China e dos outros países do clube de emergentes para "fincar o pé" na África, ocupando espaços que tradicionalmente pertenciam a potências coloniais europeias.Se no passado os europeus brigavam pelo direito de explorar terras e jazidas minerais do continente, agora, cada vez mais, são os Brics que disputam os recursos naturais e os mercados africanos."É natural haver um acirramento na disputa por alguns filões de negócios entre os países emergentes, conforme os investimentos na África cresçam", disse à BBC Brasil Wayne Morris, diretor da consultoria africana GSEC e membro do conselho da Brand South Africa, entidade que cuida da imagem e promoção de negócios da Africa do Sul."Os indianos e os chineses são os que têm presença mais forte na África do Sul, por exemplo - e entre eles já há disputa. O Brasil e a Rússia também estão ampliando sua presença em outros lugares. Mas a competição entre esses países têm tudo para ser saudável - para eles e, principalmente, para a África que terá mais opções de investimentos", acredita.Harry Shmelzer, presidente da WEG - empresa brasileira líder do mercado de motores elétricos que há três anos tem uma fábrica com 600 funcionários na África do Sul (embora faça negócios com o país há mais de três décadas)- , disse à BBC Brasil que a concorrência com os chineses em sua área já é acirrada."Os chineses oferecem uma concorrência agressiva aqui e em outros lugares - mas já sabemos que precisamos estar preparados para isso", diz ele.Presença dos BricsSegundo um estudo do sul-africano Standard Bank (banco no qual hoje os chineses têm uma participação de 20%), na última década o volume de trocas comerciais dos Brics com a África aumentou dez vezes, chegando a US$ 340 bilhões - mais que o comércio entre os demais países do grupo (de US$ 310 bilhões)A China é sem dúvida o país dos Brics cujos negócios mais avançaram no continente africano nos últimos anos, principalmente em função do interesse chinês por recursos naturais. Só o comércio com a África aumentou 20 vezes de 2002 a 2012, passando dos US$ 200 bilhões - o que em parte explica o sucesso do Shopping Center China e outros empreendimentos similares. Segundo estimativas do governo chinês, o país teria um estoque de investimento na África de US$ 20 a US$ 40 bilhões.A Índia também teve um aumento substancial dos investimentos na região nos últimos anos, apostando em áreas como agricultura, telecomunicações e o setor automobilístico, principalmente no sul e no sudeste sul-africanos. A Rússia tem investimentos na Tunísia, Nigéria, Uganda e África do Sul. Já o Brasil, tem uma presença cada vez mais forte na África lusófona - Moçambique e Angola - embora empresas como a Marcopolo, a Weg e a Camargo Correa também estejam presentes na África do Sul.Moçambique abriga empreendimentos da Vale e da Odebrecht, uma das maiores empregadoras locais, e Angola é o maior receptor dos investimentos brasileiros no continente (seriam R$ 7 bilhões, segundo estimativas de 2011 da Associação de Empresários e Executivos Brasileiros em Angola). Empresas como Petrobras e as construtoras Odebrecht e Andrade Gutierrez têm operações sólidas no país há muitos anos.Além disso, Angola é também a principal receptora de investimentos da China na África - então já é natural que brasileiros e chineses tenham de competir para ganhar a licitação de projetos de infra-estrutura e exploração de recursos naturais."Nossos investimentos ainda estão muitos concentrados nesses dois países. Comparando com os indianos e chineses, acho que os brasileiros estão perdendo oportunidades no continente africano em função de um certo receio dos empresários em explorar o continente", acredita Roberto Paranhos do Riobranco, presidente da Câmara de Comércio Brasil-Índia que está na África do Sul para participar do encontro de empresários que acompanha a cúpula dos Brics.'Representação'Não foi à toa que os investimentos dos Brics na África se tornaram um dos principais temas do encontro do clube dos emergentes em Durban, como explicou à BBC Brasil Oliver Stuenkel, professor da Fundação Getúlio Vargas que está na África do Sul participando de uma série de debates acadêmicos paralelos ao encontro.A África do Sul foi incluída nos Brics em 2010 - antes disso o grupo era chamado de Bric. Stuenkel diz que o país obteve sucesso em sua candidatura ao clube dos emergentes, apesar do tamanho de sua economia ser equivalente a de uma Província chinesa, ao se apresentar como um "representante" ou um "interlocutor" para a África frente aos outros quatro países."A verdade é que se a África (continente) fosse um país, certamente seria um Brics. O tamanho de sua classe média é comparável a indiana e está se expandindo. Além disso, muitas partes do continente têm crescido em um ritmo acelerado", diz Stuenkel. "Mas é difícil pensar que a África do Sul possa falar por todos os países da região."Três fatores tornam a África atrativa para investimentos dos Brics. Primeiro, a presença de grandes jazidas de minérios, petróleo e outros recursos naturais valiosos no continente. Segundo, o grande crescimento da classe média africana - e aumento do consumo provocado por tal enriquecimento. Por fim, a previsão de gastos bilionários no setor de infraestrutura em países que recém adquiriram estabilidade política e econômica, mas nos quais faltam estradas, portos, aeroportos, etc.Segundo o FMI, sete dos dez países que mais crescem no mundo estão na África. E ainda que isso ocorra porque tais países partem de uma base muito baixa de desenvolvimento econômico, para muitos empresários dos Brics tal crescimento significa bons negócios e margens de lucro satisfatórias para compensar os riscos africanos.Novo colonialismo?Durante a cúpula em Durban, o presidente sul-africano Jacob Zuma irá mediar uma série de encontros entre países do Brics e outros líderes africanos. Nas preparações para o encontro, porém, o que chamou mais a atenção em seu discurso sobre os investimentos do Brics foi uma aparente expectativa de que eles sejam "cooperativos", diferente dos investimentos europeus - que segundo o líder sul-africano seriam "colonialistas".Uma semana antes do encontro, durante uma conferência sobre temas educacionais, Zuma prometeu: "Os Brics vão contribuir imensamente para satisfazer as necessidades dos jovens da África do Sul de encontrarem trabalho."A promessa foi feita dias depois de o presidente sul-africano ter dado uma entrevista ao jornal britânico Financial Times na qual exortou as empresas europeias a mudarem seu "velho estilo colonialista na África", lembrando que agora o continente tem a "alternativa" dos Brics."Os Brics pretendem apoiar os esforços da África para acelerar a diversificação e modernização de suas economias através do desenvolvimento de infraestrutura, troca de conhecimento, acesso a tecnologias, construção de novas capacidades e investimento em capital humano", diz um documento oficial do encontro, divulgado pelo governo sul-africano.Para alguns analistas, porém, as expectativas de Zuma podem não ser atendidas. Marcos Troyjo, do laboratório sobre Brics da Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos, por exemplo, lembra que os chineses são conhecidos por um estilo "agressivo" de fazer investimentos - importando matéria prima e até trabalhadores da China para levantar obras de infraestrutura em países africanos.Além disso, seu interesse maior seria a extração de recursos naturais da África e a venda de produtos chineses para o continente, atividades que não são conhecidas por sua ampla geração de empregos qualificados (apesar de o Shopping Center China dizer que emprega um total de 1.600 pessoas).'Moderar otimismo'Jim O'Neill, economista conhecido por criar o termo Bric em 2001, concorda que é preciso moderar o otimismo com os investimentos dos Brics: "Não há como garantir que multinacionais desse ou daquele país vão se comportar de forma diferente. Empresas globais enfrentam os mesmos desafios para se adaptar às regras locais e ao final têm o mesmo objetivo, que é conseguir retorno para seus investimentos", diz.No caso dos investimentos brasileiros, analistas e empresários costumam enfatizar as diferenças de "estilo" em relação aos chineses. As empresas do país seriam mais flexíveis e mais dispostas a se adaptar à cultura e realidade local, contratando trabalhadores africanos, por exemplo. Mas em Durban alguns empresários e executivos brasileiros que não quiseram se identificar também expuseram para a BBC Brasil o receio de que o governo sul-africano esteja esperando demais das empresas."Não dá para querer que as companhias estrangeiras façam todo o trabalho para desenvolver a África", disse um deles. "Os africanos também precisam fazer suas obrigações e investir mais na formação de trabalhadores e racionalização da burocracia de seus países para compensar os riscos e contratempos de se investir no continente - que ainda existem e são muitos."Para explica o consultor Wayne Morris, da Brand South Africa, "não há como negar que existe um debate sobre os 'elementos colonialistas' dos investimentos dos Brics, e em especial dos chineses.""A África do Sul e os outros países do continente estão plenamente cientes desses riscos", diz. Ele lembra, porém, que por muito tempo países africanos atraíram o interesse apenas de países desenvolvidos e que a aprovação de empréstimos para projetos de infraestrutura por entidades como FMI e Banco Mundial era condicionada à adoção de reformas neoliberais."A grande novidade é que agora temos mais opções e ao menos podemos discutir as condições dos investimentos e empréstimos com empresas e países de 'igual para igual' - o que nos dá uma margem de manobra que não tínhamos no passado para evitar esses riscos",... (webremix.info) |
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Vídeos do TEDxUFF estão disponíveis on-line
RIO – Educadores e interessados podem a partir dessa sexta-feira acessar o acervo completo dos vídeos do evento TEDxUFF. — Qualquer pessoa pode ter acesso total aos 12 vídeos do TEDxUFF para revê-los, quer como suporte em suas aulas, quer para provocar debates e reflexão. Convidamos todos a usar esta ferramenta e disseminá-la — diz Ana Luiza Monteiro Alves, integrante da equipe TEDxUFF. Os vídeos do TEDxUFF podem ser assistidos por meio dos seguintes links: • http://tedxtalks.ted.com/search/?search=tedxuff • http://www.tedxuff.uff.br/videos.html O evento, realizado no dia 3 de agosto de 2012 no Auditório da Ampla, em Niterói (RJ), teve como objetivo discutir desafios e novos caminhos para a Educação no Brasil, problematizando-a sobre as diversas perspectivas de interesses sociais. Nesse sentido, o primeiro TEDxUFF foi uma reunião de mestres, acadêmicos, artistas e cientistas em que os participantes puderam mostrar soluções criativas para velhos problemas, abordando a diversidade, em todos os aspectos da palavra relativos ao tema. — Educação hoje é o grande desafio do Brasil. E uma vez mais se confirma a total falta de coragem dos governantes e da própria composição política do país. Todo mundo usa educação como retórica. Mas na hora da virada, como Japão, Coreia e África do Sul fizeram, falta coragem — explicou no evento Júlio Cesar de Tavares, fundador do Laboratório de Etnografia e Estudos em Comunicação, Cultura e Cognição (LEECCC) da UFF e organizador do TEDxUFF. — É necessário nos transpormos à educação regular e colocarmos na ordem do dia estes temas que estão presentes em toda a estrutura social mundial. A Universidade Federal Fluminense se coloca à frente desta discussão trazendo a sociedade civil e as instituições públicas e privadas para construir uma nova educação. O modelo TED (Technology, Entertainment and Design) surgiu na Califórnia em 1984, e prevê palestras de 18 minutos que ficam disponíveis gratuitamente no site oficial , já tendo contado com palestrantes de peso como Bill Gates, Al Gore, Isabel Allende e Gordon Brown entre muitos outros. O modelo prevê eventos independentes no mesmo formato, os TEDx. O da UFF será um desses. O primeiro no Brasil foi o TEDxSãoPaulo, em 2009. Depois dele, quase 100 aconteceram aqui no país. Tavares, com o apoio de nove pessoas do LEECCC, conseguiu montar o evento inteiro com todos participando como voluntários. — Os recursos da Ampla, patrocinador do TEDxUFF, foram direto para os fornecedores do evento — contou Tavares, que produziu o evento com apoio da Fundação Roberto Marinho, da FEC (Fundação Euclides da Cunha), do Programa de Pós-graduação da UFF, da Agência de Inovação/PROPPI-UFF, da WebTV/UFF e da Fundação Getúlio Vargas. O organizador explicou que, além da importância do evento, ele também já está servindo para disseminar a ferramenta. Segundo ele, a grande maioria dos acadêmicos antes desconhecia o modelo TEDxUFF e vários professores já estão se organizando para reproduzir a fórmula em suas próprias universidades pelo Brasil afora. (webremix.info) |
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Passeio a trabalho
Do mundo diretamente para a Barra. Em busca de algo novo para oferecer num mercado extremamente competitivo, estilistas aproveitam suas idas ao exterior para, literalmente, viajar nas ideias. Como resultado, coleções inspiradas nas cores, nas praias, nas pessoas ou na atmosfera de outros países chegam às vitrines, para alegria dos consumidores. Carolina Fernandes, da Lessô, é uma das profissionais que trazem para as coleções o que viram em suas andanças. Em dezembro de 2011, por exemplo, ela foi à Sicília, na Itália. A linha do verão 2012/2013 da marca reflete suas impressões. — Tudo lá inspira. A Sicília é um lugar incrível; fiquei apaixonada por sua natureza exótica. A praia de que mais gostei foi a de Città di Cefalù, onde o mar tem um azul único — lembra ela. A viagem inspirou uma coleção supercolorida, com tons de verde e azul que remetem ao mar. O nude, também presente, faz referência à areia, enquanto cores vibrantes como rosa, laranja e vermelho representam a alegria dos sicilianos. Elementos como âncoras, estrelas-do-mar, palha, peixinhos e corais completam a coleção. — Os tons fortes lembram um pouco também da comida. Como tem doce lá! A gente engorda só de olhar — brinca Carolina, que também investiu em metalizados que lembram o brilho do sol refletindo na água e pedrarias para representar as riquezas culturais e naturais da Sicília. Segundo a estilista, que se concentrou nas cidades pequenas, um amante da moda não pode deixar de visitar também os grandes centros, e espiar o que vêm lançando marcas como Prada, Gucci, Hermès e Louis Vuitton. — A gente precisa ver o que está nas lojas e observar as pessoas destas cidades, perceber como elas se vestem e se comportam. Tudo é informação — diz ela, que já escolheu seu próximo destino: Marrocos. Quem já conhece bem não só Marrocos, mas também Turquia e Tailândia, é Daniela Fiszpan. A mais recente coleção da estilista foi inspirada pelas paisagens e culturas destes países. — São acessórios que trazem o brilho das mesquitas e cisternas de Istambul, cores vibrantes que lembram as piscinas naturais de Pamukkale e aplicações de pedras que remetem à animação das noites de Bodrum e Kusadasi, por exemplo — diz a sócia da Fiszpan. — Minhas coleções são um somatório das viagens que faço. O destaque do lançamento é a coleção de hamsas, um talismã usado contra o mau-olhado, também conhecido como mão de Fátima: — Esses temas místicos têm boa aceitação. Só eu, em casa, tenho 40 mãos de Fátima. A cada viagem compro uma nova. Na Afghan, à primeira vista, é só um vestido estampado na arara da loja. No entanto, após um olhar mais atento, é possível ver que a estampa tem uma gôndola, turistas e até um pouco das ruas de Veneza. A peça em questão é uma das roupas da recém-lançada coleção Vetro, toda inspirada nas paisagens da cidade italiana e idealizada por Layla Feldman. Além da estampa, há peças que mostram detalhes como vidros, máscaras e cores que lembram Veneza no inverno. — Quem trabalha com moda está sempre de olho nas tendências, nas cores, nos ambientes. A verdade é que você nunca para de trabalhar — conta Layla, afirmando que viaja pensando em descansar, mas quase sempre acaba encontrando inspiração. Layla foi pela primeira vez a Veneza em 2011, de mochilão, e se encantou com o clima ameno e as cores do nordeste italiano. Na volta, convenceu os donos da grife a irem à cidade para pesquisar também. O resultado está nas vitrines e nas araras das lojas. — Não é a primeira vez que fazemos isso. Nossa coleção anterior era inspirada em Salvador Dalí. Para levantar informações e ideias, fomos à terra natal dele na Espanha e encontramos coisas incríveis — explica ela. — Também já desenvolvemos peças inspiradas em Israel, e nosso próximo destino é a África do Sul. O ideal é partir com o coração aberto para mergulhar na cultura. Assim, a inspiração vem naturalmente. A Europa também foi referência para Carolina Etz. Mais precisamente Paris e os espetáculos burlescos do Moulin Rouge, onde encontrou o que precisava para criar a coleção Boudoir Francês, que traz lingeries sensuais e remete ao figurino dos cabarés. — Os espetáculos mostram cintas-liga, corpetes e meias abaixo do joelho. Fiz uma releitura e adaptei as peças para a mulher brasileira, mas não deixei de lado frufrus, estampas e cores vibrantes — conta a estilista da marca Ousadia Carioca, especializada em lingeries. Para a jovem de 24 anos, que trabalha desde os 17 na área, as viagens são ótimas oportunidades de se reciclar. — Fico o tempo inteiro com a anteninha ligada. Faço uns desenhos durante a viagem mesmo e, aqui, com tempo e calma, aprimoro. A ideia passa muito rápido, e tem muito a ver com o clima no momento. Isso não tem como resgatar — diz Carolina, que pretende viajar para Londres até o meio do ano. (webremix.info) |
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Conclave não deve terminar rápido
RIO - Habemus data. Desde o anúncio da renúncia de Bento XVI, especulava-se quando seria a eleição de seu sucessor. Nesta sexta-feira, o Colégio dos Cardeais enfim decidiu: na tarde da próxima terça-feira, dia 12, os clérigos vão se reunir na Capela Sistina para o primeiro escrutínio. O cardeal Joseph Ratzinger foi eleito em apenas 24 horas em 2005, numa das votações mais rápidas da História da Igreja. Agora, porém, é quase um consenso que esta velocidade não deve se repetir. Enquanto o religioso alemão era profundamente identificado com a figura de João Paulo II, hoje nenhum dos papáveis gostaria de ser a imagem e semelhança de Bento XVI. — Qualquer coisa é possível, especialmente se os italianos estiverem tão divididos como parece — especula Thomas J. Reese, diretor de Religião e do Programa de Política Pública do Woodstrock Theological Center, da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos. Os maiores protestos contra os encontros cardinalícios, aliás, vêm dos EUA. Estas congregações, realizadas durante toda a semana, permitiam que os religiosos discursassem por apenas cinco minutos, o que não daria a qualquer tema a abordagem merecida. Com isso, o pré-conclave foi transferido dos salões episcopais para seus corredores. No vocabulário do Vaticano, estas conversas atendem por murmuratio. — As congregações não são produtivas — protesta Reese. — Pode-se até ter um panorama geral da Igreja, mas as definições ainda vêm de conversas informais. Precisamos lembrar que 26 religiosos foram promovidos a cardeais no ano passado, e também há muitos que não trabalham em Roma. Se o debate atual não for enriquecido, eles não conseguirão conhecer seus pares ou o funcionamento da Cúria. Segundo Reese, “dois ou três nomes” podem sair dos intervalos do cafezinho do Vaticano. Um deles é de Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo. Num encontro dos cardeais alemães antes de viajarem para Roma, Scherer foi considerado “disciplinador”, um fator positivo numa Igreja imersa em escândalos. Scherer é, também, dono de uma carreira meteórica. Em dez anos, foi de bispo a cardeal, passando pela Cúria Romana, como membro da Congregação para o Clero, e pelo comando da Arquidiocese de São Paulo. Outro ponto positivo seria a falta de identificação de seu nome a um movimento religioso, o que afastaria seguidores de outras correntes. A maior oposição a ele viria do Brasil, segundo o padre Manoel Godoy, diretor do Instituto Santo Tomás de Aquino e amigo do cardeal há 30 anos. — Scherer é visto aqui como uma pessoa antipática. Ele sequer venceu a eleição para a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Teve menos de metade dos votos do eleito, o cardeal Raymundo Damasceno — lembra Godoy. — Mas não acredito nesta fama de sisudo. Creio que ele circule à vontade entre seus pares em Roma. Scola poderia reunir clérigos europeus Godoy ainda arrisca qual nome Scherer poderia adotar, se eleito Papa. Por admirar muito o apóstolo Paulo, cogitaria ser o sétimo a abraçar o título — o mais recente (1963-1978) concluiu o histórico Concílio Vaticano II. Ou, então, o décimo quarto da linhagem Leão. O último, entre 1878 e 1903, interrompeu a má sucedida linhagem dos Pios e aproximou a Igreja dos trabalhadores. Mas o candidato preferido, de acordo com a imprensa italiana, é o arcebispo de Milão Angelo Scola. Segundo o jornal “La Repubblica”, o cardeal já contaria com a adesão de pelo menos 40 dos 115 eleitores — são necessários 77 para a eleição de um Pontífice. Ainda de acordo com o diário, Scola catalisaria os votos europeus. O italiano desbancaria seu compatriota, Gianfranco Ravasi, ministro da Cultura do Vaticano, que teria um perfil muito semelhante ao de Bento XVI — intelectual incontestável, mas um gestor limitado. Scola, por sua vez, conquistou a fama de reformista. Seu bom trânsito na Cúria proporcionaria uma administração eficiente, embora não radical, dos problemas enfrentados pela Igreja. Doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, João Batista Libânio avalia que os cardeais almejam um Papa carismático e jovem, com vigor para conquistar os fiéis. Libânio, que conheceu o Papa Paulo VI e Joseph Ratzinger — este ainda como consultor do Vaticano II — acredita que os cardeais europeus errarão se votarem pensando apenas em concentrar o poder no continente. — É clara a necessidade de perceber o mundo inteiro, e não o que fez Bento XVI, concentrando esforços na Europa — analisa. — É um continente onde a quantidade de católicos se reduz de forma vergonhosa, ao contrário de Ásia e África. E também poderíamos almejar uma administração mais longa, porque normalmente ocorre um revezamento entre um papado mais duradouro e outro curto. No século XX os conclaves têm durado, em média, três dias, embora os mais recentes tenham sido resolvidos em um ou dois. Hoje e amanhã, o local será aberto à imprensa. Depois, uma varredura tentará identificar escutas eletrônicas. É possível que na segunda-feira haja a última congregação geral. Nesse mesmo dia, os cardeais serão transferidos para a Casa Santa Marta, seu alojamento durante as votações dentro do Vaticano. No trajeto deste local à Capela Sistina não será permitido que se comuniquem com outras pessoas. Os clérigos também passarão constantemente por detectores de metais. (webremix.info) |
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Os pontos e as linhas
O verdadeiro multiuniverso, falado pelos cosmólogos e físicos após o surgimento da Teoria das Cordas, é o bate-papo. O Big-Bang foi uma conversa singular que terminou em porrada. Os cientistas usam muitos nomes. Não pega bem um sábio dizer que tudo se resume a um bom papo. O bóson de Higgs, por exemplo. É uma hipótese sobre o encontro de personagens do imortal Chico Anysio: Bozó, Coalhada, Azambuja, todos sacudindo o rabo da cascavel, feito FHC I e II, meio de porre no Sambódromo, antes de um assessor tomar-lhe o copo. Deixa o Fernando biritar! Retomando o papo: antes de escolher a palavra bóson, Higgs cogitou léron, muito mais bacana. O carnavalesco da Tijuca ia usar o bóson no enredo, mas teve medo do carro alegórico desaparecer em outra dimensão. Ele jura que vai tentar ano que vem. A blogueira cubana será o destaque, com a fantasia “Incerteza Quântica”, ou “Viro tucana? Quanto?”. Papo cura pânico. João Bosco e eu temos pluripapos no telefone nos quais abordamos desde a chuva de meteoros até o ministério da ex-cultura, na gestão da Mar(mo)tha. No caso dos corpos celestes, Bosco leva o assunto a sério. Eu acho que são lascas de obras superfaturadas para a Copa & Olimpíadas. No Princípio e no Fim, caros, é a Verba que manda. Num desses multipapos, Bosco disse uma frase que abriu uma cratera em minha cuca: — Tem uma linha ligando o desprezo pela vida humana, que matou os jovens em Santa Maria, e os sorrisos de Collor e Renan na casa de tolerância. O problema é que há muitos pontos e vemos raras linhas. Não aprendemos a ligar os pontos. Bosco tem razão. Sugiro que a gente use novos pontos e linhas para ver as relações entre o que parece não ter nada em comum. Bento Calibre XVI renuncia. Um cardeal foi afastado do conclave por azarar seminaristas. Outros dois, que encobriram o mesmo crime, estarão presentes, sendo que um com chance de fumacê branco. Liguem os pontos. Um simples livro de entretenimento, “Por sua conta e risco”, de Josh Bazell, conta coisas assim: o primeiro “negócio” de Baby Bush foi financiado por Salim e Khalid. Sobrenomes? bin Laden. Liguem os pontos. 61% das baixas americanas no Vietnã tinham menos de 21 anos. A candidata a vice dos EUA, Sarah Palin, achava que a África era um país, ofereceu 150 dólares a quem matasse um lobo atirando de avião, e, na época da indicação, não sabia quem era Thatcher. O paisinho dela divertia-se explodindo, com balaços de rifle, cabeças de mamíferos que subiam para respirar nas águas geladas. Querem ligar pontos no Brasil? No Engenhão, há estátuas de Garrincha, Nilton Santos e Jairzinho. A próxima seria do Didi, mas os cartolas irão de Zagalo. A razão? Já está paga pelo Marins, o “Ide-A-Mim” o ouro dos meninos no bolso, presidente da CBF. A violência e as chacinas continuam em Santa Catarina, São Paulo etc., porque os detentos estão governando de dentro das cadeias. Vendo Collor e Renan numa boa, eles acham, com razão, que o crime compensa. Os presos já ligaram os pontos... Aldir Blanc é compositor (webremix.info) |
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Unesco envia especialista em gestão de risco cultural ao Rio
RIO - No próximo dia 12, desembarca no Rio uma das maiores especialistas em gestão de risco ao patrimônio cultural da Unesco. A italiana Cristina Menegazzi, que há 20 anos acompanha a devastação cultural deixada por catástrofes naturais e guerras, participará do seminário “Preservação e Segurança em Museus”, no Museu Nacional de Belas Artes. Na pauta, formas para tornar o Brasil culturalmente mais seguro. Que patrimônios culturais correm risco hoje em dia? Muitos. Todos aqueles que estão nas zonas de conflito armado do Oriente Médio e da África, nas zonas que registram terremotos, com especial destaque para a Europa, e todos que estão em áreas comumente inundadas, como é o caso da Ásia e da América Latina. Vale lembrar ainda que o aquecimento global só aumenta a intensidade e a frequência das catástrofes naturais. O que pode ser feito para proteger esse patrimônio? Eu sempre digo o seguinte: se você não sabe o que tem, não sabe quanto pode perder. Então fazer um bom inventário dos bens culturais de um país é o primeiro passo. Depois, o ideal é que cada item desse patrimônio receba uma nota (relacionada a seu grau de importância, valor ou interesse). Isso tem que ser feito por uma equipe multidisciplinar. Assim, em caso de catástrofe, fica mais fácil saber o que resgatar primeiro. Depois, deve-se criar e treinar uma equipe responsável por salvar esse patrimônio e, com ela, definir opções de armazenamento. Qual é o tamanho da devastação cultural na última década? É impossível medir. Não só pela enormidade do número, mas também porque, infelizmente, as estatísticas relativas às catástrofes, sejam elas naturais ou provocadas pelo homem, quase nunca consideram a devastação do patrimônio cultural. Ficamos sem saber. Mas alguns casos poderiam ter sido evitados, certo? Sem dúvida. Hoje há nos países afetados pela tsunami do Oceano Índico alertas que avisam sobre terremotos e possíveis ondas gigantes. O sistema permite que as pessoas evacuem as áreas de risco e que também salvem o patrimônio cultural móvel, ou seja, coleções de museu, bibliotecas, arquivos públicos... Foi um avanço importante. Quais foram os casos de devastação mais graves dos últimos dez anos? Na última década, os meios de comunicação passaram a se interessar mais por esse assunto e a acompanhar de perto a perda de patrimônio. Então, ganharam destaque a destruição dos budas de Bamiyan (implodidos pelos talibãs, no Afeganistão, em março de 2001), os terremotos do Haiti, em janeiro de 2010, e do Japão, no ano seguinte, e a destruição de Timbuktu, no Mali (por rebeldes islâmicos, em janeiro deste ano). Como você classifica o cuidado que o Brasil tem com seu patrimônio? Estive em Petrópolis em novembro do ano passado e visitei o Museu Imperial. A impressão que tenho é que o Brasil aprecia muito seu patrimônio e lhe dá muita importância. Vocês têm um dos cursos universitários de museologia mais antigos do mundo. Vão sediar o Conselho Internacional de Museus (ICOM, na sigla em inglês) em junho. É o único país que conheço que dispõe de uma estratégia escrita para gestão de riscos em museus (do Instituto Brasileiro de Museus, Ibram) e, no dia 12, oferecerá um curso de capacitação sobre o assunto. Isso mostra que a preocupação do Brasil com o assunto é muito satisfatória frente à de outros países. Ainda assim, há muito a ser feito. Qual é a instituição ou país mais bem preparado? A referência? Eu não poderia responder. Mas os maiores esforços para a proteção de patrimônio cultural estão sendo feitos hoje em dia na Holanda, França, Coreia do Sul, Austrália, nos Estados Unidos e no Chile. E o que você pretende ensinar no seminário do dia 12, no Rio? Entre outros pontos, que há métodos tradicionais de preservação, normalmente mais baratos e ecológicos, que podem ser aplicados em museus e arquivos. Quais, por exemplo? No Camboja, usam tabaco umedecido para evitar pragas em objetos feitos de madeira. Na Índia, para evitar que ratos ataquem material orgânico que precisa ser preservado, usam sementes de papaia. No Sri Lanka, borrifam óleo de canela no ar para livrar livros e manuscritos de fungos e pragas. Tenho certeza de que há muitos caminhos como esses no Brasil. A proposta é redescobrir esses métodos e materiais. E por que um governo deve investir nessa área? Porque a cultura é uma necessidade básica do ser humano. Porque o patrimônio cultural é a referência de valores de cada sociedade. Porque isso ajuda a restaurar o sentido de normalidade diante de uma catástrofe. É o que permite que as pessoas sigam em frente. O patrimônio é, enfim, fundamental na reconstrução da identidade, da dignidade e da esperança. (webremix.info) |
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Sociólogo diz que império católico agoniza nas sociedades modernas
PARIS - O sociólogo francês Olivier Bobineau, especialista em religiões no Instituto de Ciências Políticas de Paris (Sciences-Po), define a renúncia do Papa Bento XVI como um ato de impotência face a uma profunda e crescente crise da Igreja Católica nas sociedades modernas, e exclui razões de saúde para a sua demissão. “Há um choque antropológico. O império católico romano agoniza nas sociedades modernas, individualistas e liberais”, diagnostica. Na sua avaliação, o papado “mediano” de Bento XVI foi abalado pelo escândalo do VatiLeaks e, para a sua sucessão, prevê a eleição de um Papa conservador, com capacidade de liderança, um gestor que tenha um amplo conhecimento do funcionamento e dos bastidores da Santa Sé. O analista lançará no próximo dia 7 o livro “L’empire des papes — Une sociologie du pouvoir dans l’Église” (“O império dos Papas — Uma sociologia do poder na Igreja”, editora CNRS).
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A renúncia do Papa tem sido avaliada por muitos fiéis e analistas como um ato de humildade e de coragem, mas o senhor não vê desse modo... Alguns avaliaram, inclusive, como um gesto moderno. Não foi. Trata-se de uma crise profunda, que dura há anos e que progride nas sociedades modernas. Há uma antropologia contraditória. O catolicismo romano é a aliança entre uma mensagem, o amor — o termo “ágape” (amor em grego) aparece 117 vezes no Evangelho —, e uma instituição hipercentralizadora, piramidal, a Cúria Romana. O Papa tem o poder soberano. É o imperador da fé. Ele intervém no mundo temporal, é o chefe do direito canônico e declara quem é santo ou não. Essa é a antropologia católica romana: uma instituição que coloca os homens e seus sentimentos sob uma autoridade. E todos os sociólogos concordam em dizer que a modernidade é a cultura da separação entre as instituições e os sentimentos dos indivíduos. Eles não pertencem mais à aldeia, à paróquia; eles querem se tornar cada vez mais autônomos. A antropologia moderna libera os indivíduos da tutela das instituições. E a antropologia católica é a instituição suprema que quer colocar sob sua tutela os sentimentos dos indivíduos. Ocorre, então, um choque antropológico, e essa é a crise de fundo. Minha tese é que o império católico romano agoniza nas sociedades modernas. E o Papa, o que disse? “Eu não tenho mais a força, o mundo está agitado, há muita mudança e movimento.” É uma confissão de impotência por trás desse cansaço psicológico e físico. Não são razões de saúde que estão por trás. O Papa não sabe administrar a Igreja nos tempos modernos. Que seja o VatiLeaks, os rumores, as traições, tudo isso não surpreende, e mostra como a gestão é defasada. Qual a perspectiva futura? Na Europa, haverá bolsões de resistência, alguns católicos que têm necessidade de instituições, de regras sobre as relações, sobre os preservativos etc. Mas, em sua maioria, os indivíduos das sociedades modernas europeias não querem saber disso. No Brasil, na América do Sul, na África, na Ásia, a tradição ainda tem um sentido, então, o catolicismo romano tem sua força. Mas será preciso manter isso. O catolicismo romano considera que é verdadeiro e legítimo o que vem de cima e passa pelo Papa. As sociedades modernas individualistas consideram verdadeiro e legítimo o que vem de baixo, da discussão, da deliberação de vários homens. O senhor indica três hipóteses para a sucessão de Bento XVI... A opção mais provável é a eleição de um Papa conservador. Poderá ser um italiano, porque conhece bem a Cúria Romana. Ou se terá um Pontífice conservador administrador ou um conservador não europeu, mas muito conservador, seja brasileiro, quebequense ou africano. A segunda hipótese seria um Papa carismático, como João Paulo II. Nesse caso, seria um carismático pela conservação da estrutura e da teologia ou alguém que promova algumas mudanças, mas não muitas. A terceira hipótese, menos provável, seria a escolha de um reformador, mais progressista. O catolicismo romano é romano porque o Pontífice possui todo o poder. Se amanhã seu poder for sabotado, não se terá mais uma Igreja Católica Romana, mas uma Igreja Católica. O Concílio Vaticano II promoveu inovações litúrgicas, abriu vias ao ecumenismo, ao diálogo com os protestantes e com os ortodoxos, estendeu a mão aos judeus, deu espaço à liberdade de consciência. Há uma corrente que diz que se cortou a madeira morta, mas o tronco foi mantido. Imaginar o casamento de padres, a ordenação de mulheres, é algo fora da Igreja Católica Romana. O único momento de democracia da Igreja é o conclave, na hora do voto, mas os eleitores são todos conservadores. Qual o grau de influência do Papa? O Papa tem influência na mentalidade dos católicos. Quando ele faz uma alusão contra o casamento gay, há católicos na França que saem à rua para manifestar. Ele tem um poder moral com consequências políticas. Mas é um império em agonia nas sociedades modernas, com 2% de praticantes na Europa e com um envelhecimento de sua população no meio rural. Havia mil padres ordenados por ano após a Segunda Guerra Mundial e, hoje, esse número caiu para 85. Que balanço o senhor faz do papado de Bento XVI? Ele foi traído por seus próximos, o mordomo, o VatiLeaks. Ele não soube bem administrar a relação com o Islã, foi atrapalhado o seu discurso de Ratisbone. Não conseguiu reintegrar os integristas católicos. Condenou os crimes dos padres pedófilos, mas tarde demais. É um balanço pastoral bem médio. Mas, no plano teológico, fez algo genial na sua encíclica “Deus Caritas Est”, publicada em janeiro de 2006. Na primeira parte dessa encíclica, diz que o amor descendente, o ágape de Deus para os homens, que trata do abandono ao outro, pode por vezes encontrar o que chama de amor ascendente, o ágape de Deus para os homens, que trata do abandono ao outro, pode por vezes encontrar o que chama de amor ascendente, o amor da carne, o eros em grego. O amor espiritual pode encontrar o amor corporal. Isso é um avanço na teologia. Um Papa escrever que eros e ágape não são opostos, bravo! Mas, na segunda parte da encíclica, ele diz que o amor é enquadrado, desenvolvido e sustentado pela organização, pelas instituições. Uma pena. (webremix.info) |
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Heavy metal emergente em Botsuana é abordado em mostra
[gallery]C|619x464|faeb1347b4cfc310VgnVCM4000009bcceb0aRCRD|http://p2.trrsf.com/image/get?src=http%3A%2F%2Fimages.terra.com%2F2013%2F02%2F21%2F130219115705budro-20101.jpg&o=cf&w=50&h=50|Fãs de heavy metal de Botsuana são retratados em exposição[/gallery]Os membros da marginalizada cultura heavy metal de Botsuana, no sul da África, são o tema do projeto fotográfico Renegades, de autoria de Frank Marshall. (webremix.info) |
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Ensaio revela emergente cultura dos metaleiros de Botsuana
Fotógrafo Frank Marshall quis fugir dos estereótipos sociais e étnicos comumente associados a culturas da África subsaariana. (webremix.info) |
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Festival de Berlim ratifica seu estilo
BERLIM - Foi a romena Ada Salomon, produtora do filme “Child’s pose”, de Calin Peter Netzer, grande vencedor do Urso de Ouro do 63º Festival de Berlim, encerrado na noite de sábado, a autora do discurso mais contundente e abrangente da maratona, ao subir ao palco do Berlinale Palast. Ainda emocionada com a vitória em um festival que se orgulha de sua posição como plataforma de denúncias políticas e sociais, expressa em candidatos como o iraniano “Pardé”, de Jafar Panahi e Kamboziya Partovi, e o bósnio “An episode in the life of a iron picker”, de Danis Tanovic, também laureados, a produtora alertou para um outro tipo de repressão. — Falamos muito sobre censura política ao longo do festival. Mas esquecemos de outro tipo de censura também muito perigosa: a comercial. Por isso, gostaria de agradecer aos organizadores da Berlinale e aos distribuidores e exibidores que apoiam o cinema de arte, porque são eles que permitem que belos filmes como “Child’s pose” sejam feitos — disse Ada, aplaudida pela plateia de engalanados, lembrando o bom momento para o cinema romeno. — Os políticos romenos deveriam prestar mais atenção ao tipo de embaixador que o cinema romeno pode ser para o país ao redor do mundo. Drama sobre uma arquiteta de classe média alta (Luminita Gheorghiu) que usa sua posição social para livrar o filho ingrato da cadeia, por ter atropelado e matado o filho de uma família pobre, “Child’s pose” foi um dos muitos títulos da competição que enfatizaram a presença da mulher como protagonista de histórias com pano de fundo social. O filme de Calin Peter Netzer venceu outras produções com o mesmo perfil, também favoritas ao prêmio maior, como o chileno “Gloria”, de Sebastián Lelio, sobre uma divorciada de meia-idade, da geração que cresceu durante a ditadura Pinochet, que busca uma nova chance no amor. O filme ficou com o Urso de Prata de melhor interpretação feminina, para Paulina García. Autor de ‘Terra de ninguém’ é laureado O júri oficial, presidido pelo realizador chinês Wong Kar-Wai, distribuiu os prêmios entre outras produções que tangenciam problemas do mundo contemporâneo. O Grande Prêmio do Júri, que equivale a um segundo lugar, acabou nas mãos de “An episode on the life of an iron picker”, de Danis Tanovic, o representante da Bósnia e Herzegovina. O novo longa-metragem do autor de “Terra de ninguém”, vencedor do Oscar de melhor produção de língua não-inglesa de 2001, acompanha o périplo de um catador de sucata de origem cigana para conseguir uma cirurgia de emergência para a mulher, que sofreu um aborto espontâneo. Dois anos atrás, Tanovic soube do drama de um casal do vilarejo de Polijice que tivera auxílio médico recusado por não ter dinheiro para pagar a operação. Indignado com a situação, o diretor não só decidiu transformar a história em um filme como também convidou a heroica família, que só conseguiu resolver o problema burlando as leis do serviço médico bósnio, para representar o caso para suas câmeras. Nazif Mujic, que reproduz no filme as humilhações que passou em clínicas e hospitais da região, acabou levando o Urso de Prata de melhor interpretação masculina. — Coisas boas podem nascer do ódio, da revolta — disse Tanovic em Berlim. — Nunca me considerei um político. Vivo em um pequeno país, com quatro milhões de pessoas, que também é um dos mais pobres da Europa, e no qual nós podemos observar táticas de sobrevivência diária. Espero que, fazendo filmes como “An episode in the life of an iron picker” consigamos mudar alguma coisa. O Urso de Prata de roteiro ficou com outra manifestação contra a repressão política, o iraniano “Pardé”, cujo codiretor Jafar Panahi cumpre pena de prisão domiciliar em seu país, além de ter sido proibido de filmar por 20 anos, acusado de fazer propaganda contra o governo. O novo filme clandestino de Panahi, que fala sobre um escritor e uma jovem, ambos perseguidos pela polícia, que buscam refúgio numa casa de praia, foi representado em Berlim por seu codiretor, Kambozia Partovi, que também atua como ator no longa. — Fico feliz com o prêmio de roteiro, porque o texto é a fundação do pensamento e das ideias — discursou Partovi, que lembrou a situação do amigo. — É impossível impedir um pensador ou um poeta de produzir. Basta lembrar de diretores como (Fritz) Lang e (Luis) Buñuel, que continuaram trabalhando mesmo no exílio político. Tradição e cultura ficam, os políticos vem e vão. O júri, no entanto, também cometeu algumas decisões exdrúxulas. Criou menções especiais ao americano “Promised land”, de Gus Van Sant, e “Layla Fourie”, representante da África do Sul, de Pia Marais, “pela integridade e a convicção de que o cinema pode fazer diferença”. Também deu o prêmio Alfred Bauer, para filmes que oferecem novas perspectivas, para a bizarra produção canadense “Vic + Flo on vu un ours”, de Denis Cotê, sobre uma ex-detenta de meia-idade que tenta se readaptar à liberdade condicional e ao passado da amante. Mas a grande surpresa da noite foi o Urso de Prata de direção ter ido para o americano David Gordon Green, pela comédia dramática indie “Prince Avalanche”, deixando para “Harmony lessons”, de Emir Baigazin, um dos favoritos aos principais prêmios, apenas o troféu de contribuição artística, pelo trabalho de câmera de Aziz Zhambakiyev. Fora da mostra competitiva, o drama “Flores raras”, de Bruno Barreto, foi o segundo filme de ficção mais votado pelo público da mostra Panorama, a seção paralela mais importante de Berlim. O filme, que recria a história de amor entre a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares e a poetisa americana Elizabeth Bishop, só perdeu a preferência para “The broken circle breakdown”, coprodução entre a Bélgica e a Holanda dirigida por Felix Van Groeningen. A categoria documentário foi vencida por “The act of killing”, de Joshua Oppenheimer. (webremix.info) |
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‘A Igreja muda ou acaba’, diz teólogo brasileiro
Por onze anos, Mário França, 76, fez parte da Comissão Teológica do Vaticano, onde conquistou o respeito do então cardeal Joseph Ratzinger. Hoje, professor da PUC-Rio e autor de obras sobre a teologia, defende uma nova Igreja, longe da hierarquia e das ortodoxias de Roma, e com espaço para gays e padres casados. Veja também
O GLOBO: Como a Igreja vai sobreviver ? Mário França: Chegou um momento em que a Igreja, só com os oficiais, padres, bispos e Papa, não aguenta mais. Esta estrutura foi uma traição à Igreja primitiva, em que todo mundo participava e tinha direitos iguais de participação. Todos são iguais, não tem homem, mulher, judeu, gentio ou escravo e senhor. Depois a Igreja erigiu uma estrutura monárquica, um pouco copiada de Roma. Foi consequência da chegada dos príncipes, que começaram a nomear parentes para tomar conta das muitas propriedades da Igreja. Era preciso estruturar ou tudo ia ficar na mão de famílias poderosas, nobres. Para evitar isso, o laicado foi afastado do poder da Igreja - o laicado não era o povão, eram estes príncipes que estavam cada vez incomodando mais. Passou o tempo e a Igreja ficou identificada por seus bispos, padres etc. É errado, né? Todo cristão, todo católico, tem o direito de formar um grupo, com o qual a hierarquia não pode se meter. A Igreja do futuro vai ser predominantemente leiga ou então não vai aguentar. O Grupo de diversidade católica, que reúne gays, é um exemplo do que o senhor está dizendo? Mário França: Exatamente. É um grupo de pessoas que são assim. A Igreja não pode excluir, tem de atender todo mundo. É uma maneira de a Igreja mostrar sua abertura. A consciência histórica é lenta. Teve um tempo que os missionários se perguntavam se tinham que batizar ou não os negros da África, por que não sabiam se eram animais ou gente. Muita coisa que achamos normal hoje, daqui a 50 anos será considerada intolerável. Os laicos vão obrigar a Igreja a criar um espaço de debate público, que não existe. A qualquer problema, corre-se para o bispo. Mas as mudanças têm sido lentíssimas. Mário França: Não se mexe da noite para o dia com 1,2 bilhão de pessoas. Não se podem criar traumas, as pessoas têm mentalidades muito diversas e, como diz o Rubens César Fernandes, do Viva Rio, o importante é que a gente mantenha todo esse pessoal dentro da Arca de Noé. Os sociólogos dizem que tudo pode mudar, menos o religioso, porque o ser humano tem necessidade de segurar alguma coisa. A gente percebe que isto não tem sentido. O sagrado também é construído através de uma linguagem e de práticas. Esta posição está afastando muita gente. Mário França: É, há paróquias que viraram agências de fornecer sacramento, isto está condenado. Tem de ter o sentido missionário. É o que se está tentando fazer agora. Mas é lento. Quando eu fui da Comissão Teológica do Vaticano, não tinha nenhuma mulher, agora já tem quatro. Não há dúvidas de que o fim do celibato já deveria ter acontecido, Paulo VI era a favor disso - mas uma coisa destas vai mudar a estrutura. A questão da contracepção também está mais do que na hora de ser enfrentada. Mário França: São questões morais que têm se ser mudadas, mas é uma coisa lenta. No papado de João Paulo VI, o cardeal de Bruxelas disse: na minha arquidiocese é permitido camisinha - ele estava com um problema seríssimo de explosão de Aids entre trabalhadores imigrados. Resolveu assumir e disse: aqui é preciso usar camisinha. O Vaticano não disse uma palavra. A Igreja não vem conseguindo acompanhar as mudanças sociais? Mário França: São rapidíssimas. Na PUC, a mudança de uma geração para a outra se dava em 20 anos, depois passou para 10, agora com dois ou três anos, você já vê aluno do quarto ano que não consegue entender o calouro. É uma sucessão vertiginosa que não conseguimos mais acompanhar, que provoca um curto-circuito na cultura. Quem é o mais progressista entre os candidatos a Papa? Mário França: Os cardeais terão de fazer um perfil de uma pessoa que entenda o mundo e saiba enfrentar esses desafios todos. Tem de ter boa formação pastoral e intelectual, capaz de se cercar de pessoas competentes. Tem um candidato de Honduras, Luis Alfonso Santos, que é uma pessoa muito possível de dar um bom Papa. Sabe línguas, é sensível, mora no país mais pobre da América Central: é uma pessoa que marca pela inteligência. Tem Luiz Antonio Tagle, um filipino progressista também, mas ele é muito novo. Tem 55 anos. Mas eu duvido que queiram colocar um cardeal de 50 anos, pois ele ficaria 30 anos. A turma não quer isso não. Cardeal Ravasi, encarregado da Cultura, também é muito aberto. Resumindo: o senhor diz que a Igreja tem de mudar? Mário França: Já está mudando. Ou muda ou acaba. É um momento sério da sociedade, faltam líderes. Onde estão os Churchill, De Gaulle, Adenauer? Não tem mais, está faltando líder. Na Igreja também, e os problemas são muito grandes. As religiões têm um papel muito forte no mundo de hoje, e a Igreja tem de ser uma reserva ética, apesar dos mal feitos da cúpula. (webremix.info) |
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Vice-presidente de país africano deixa Salvador após mandado de prisão (webremix.info) |
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Títulos da Vila e do Império da Tijuca mostram vocação da região para desfiles de qualidade
RIO — A vitória da Vila Isabel de Noel Rosa, no Grupo Especial, e do Império da Tijuca, na Série A, salienta como a competência no samba carioca é, muitas vezes, uma questão de berço: tal como outras quatro escolas do Rio — Salgueiro, Unidos da Tijuca e as vizinhas Mangueira e Paraíso do Tuiuti —, as duas têm suas origens ligadas à Grande Tijuca (que engloba os bairros de Tijuca, Andaraí, Vila Isabel, Grajaú e Maracanã) e a regiões adjacentes. Mas como é possível tanta concentração de samba no pé em um só lugar? Para especialistas, as razões são históricas, sociais e se confundem com o próprio surgimento e a popularização do gênero musical no Rio, no início do século XX. Segundo o historiador Milton Teixeira, a importância da região para o samba e o carnaval carioca é tanta que, não fosse por ela, possivelmente “estaríamos dançando valsa até hoje”: Veja também — A Pequena África, como era conhecida a região que vai da Praça Onze ao Maracanã no início do século XIX, por sua concentração de escravos alforriados, e que engloba parte da Grande Tijuca, é fundamental para entendermos a gênese da música popular carioca moderna e a história da cultura negra na cidade. Foi um lugar muito rico culturalmente, que deu origem a muitos gêneros musicais, entre eles o samba. Fábricas atraíram levas de trabalhadores Tão antiga quanto a própria fundação da cidade do Rio, em 1565, boa parte da Grande Tijuca foi composta por engenhos de cana de açúcar até o século XIX, quando as fazendas começaram a ser divididas em propriedades menores. Pequenas ruas se abriram, e residências foram erguidas. Na virada do século XX, a instalação de diversas fábricas de tecido, chapéu, rapé, cigarro, cerveja, laticínios e papel na área atraiu uma grande quantidade de trabalhadores, a maioria migrantes, ex-escravos e descendentes de africanos, que, sem opção de moradia, invadiram os morros próximos. Esse cenário, explica a historiadora Lili Rose Cruz Oliveira, autora dos livros “Tijuca de rua em rua” e “Vila Isabel de rua em rua”, foi fundamental para a formação das escolas de samba desses bairros: — A instalação das fábricas na região teve influência direta na ocupação dos morros e, pouco tempo depois, como consequência, na formação das escolas. É assim que surgem as comunidades do Borel, do Salgueiro e da Formiga, que vão crescendo a partir das ocupações feitas por operários. Marginalizados, moradores das comunidades encontraram no samba sua forma de expressão. — A maioria era composta por migrantes e ex-escravos, que chegaram a essa região e precisavam se expressar culturalmente, se reumanizar no ambiente, por meio de uma elaboração cultural moderna. E isso foi o samba para eles — afirma Nelson de Nóbrega Fernandes, professor do Departamento de Geografia da UFF. Nesse contexto, o historiador da Uerj e coordenador do Centro de Referência do Carnaval, Felipe Ferreira, ressalta a importância do poeta da Vila, Noel Rosa, para a popularização e a valorização do samba para além das classes populares: — Noel pertencia a uma classe média alta de Vila Isabel e, ao frequentar a periferia, começou a ter contato com o samba que versava sobre o cotidiano das classes mais populares. Ele incorporou isso à sua música e o levou para uma camada social que antes não tinha contato com esse universo. Não foi por acaso que Noel Rosa, que viveu em Vila Isabel nos anos 1920 e 1930, escreveu “Três apitos”, sobre a fábrica de tecidos onde hoje funciona um supermercado. Sambistas desfilavam em várias escolas Assim, a Estação Primeira de Mangueira surge em 1928, no morro do mesmo nome; a Unidos da Tijuca nasce em 1931, a partir de diversos morros da Tijuca, entre eles o do Borel; a Unidos de Vila Isabel é fundada em 1946, no Morro dos Macacos; e o Salgueiro, criado em 1953, surge na favela homônima. Já o Império da Tijuca está, desde 1940, no Morro da Formiga. Fundadas em períodos diferentes, mas próximas geograficamente, essas escolas de samba cresceram e se desenvolveram em meio a uma relação de competição, mas principalmente de muita amizade, algo essencial para o seu fortalecimento. — Os sambistas desfilavam em várias escolas, e as agremiações se ajudavam, emprestando instrumentos musicais, por exemplo. Tudo isso proporcionava uma troca de experiências que fortaleceu a evolução dessas escolas — afirma Teixeira. Pela trajetória da região, o historiador não acredita que a força da Grande Tijuca no carnaval seja mera coincidência. — Não fosse essa reunião de condições, nossa relação com o carnaval e com o próprio samba poderia estar hoje mais próxima daquela que São Paulo tem, por exemplo. (webremix.info) |
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Cardeal de Gana lidera apostas para suceder Papa Bento XVI
CIDADE DO VATICANO — O cardeal Peter Turkson, do Gana, aparece como mais provável sucessor do Papa Bento XVI, pelo menos de acordo com as previsões das casas de apostas do Reino Unido, que dão uma cotação de 9-4, ou seja, uma probabilidade de 25% entre os apostadores. A escolha de Turkson, de 64 anos - responsável pelo Departamento da Justiça e Paz e porta-voz do Vaticano para as questões sociais -, representaria um momento histórico de renovação da Igreja: seria a primeira vez na era moderna que o mundo católico teria como líder um homem de fora da Europa. Dezoito dos 119 cardeais que vão eleger o próximo Papa são originários do continente africano. Veja também
- As pessoas são livres de especular e fazer os seus próprios juízos. Quando andamos em busca de liderança, julgo que o melhor a fazer é orar para Deus, o líder e dono desta Igreja, para que ele nos ajude a encontrar a pessoa mais capaz neste particular momento da História - disse o cardeal ganês numa curta entrevista ao programa “Focus on Africa” da BBC. Em entrevista ao “Daily Telegraph” na terça-feira, Turkson disse que seu maior desafio, caso seja eleito, será manter uma doutrina católica ortodoxa “em um mundo com mudanças contínuas”. Conservador, em 2009, ele reafirmou a doutrina social católica sobre métodos anticoncepcionais, numa relação às declarações feitas pelo Papa Bento XVI de que os preservativos não eram uma solução para a crise de AIDS da África. - Precisamos encontrar maneiras de lidar com os desafios da sociedade e da cultura. A Igreja precisa evangelizar e converter os que abraçaram estilos de vida alternativos, tendências ou questões de gênero. Nós não podemos falhar em nossa missão de fornecer orientação - afirmou ao “Daily Telegraph”. O cardeal Francis Arinze da Nigéria, mencionado como uma possibilidade durante o processo de sucessão que culminou com a eleição de Bento XVI, é a outra aposta africana. Alguns acadêmicos citam a existência de três Papas africanos na história da Igreja Católica. Turkson nasceu em Wassaw Nsuta, no oeste de Gana. Estudou no Seminário de Santa Teresa, na aldeia de Amisano e Pedu antes de se formar no Seminário de Anthony-on-Hudson em Nova York, como bacharel em teologia. Ele foi ordenado sacerdote pelo Arcebispo John Amissah, em 20 de Julho de 1975. Em outubro de 1992, Turkson foi nomeado arcebispo de Cape Coast pelo Papa João Paulo II. E tornou-se cardeal de São Libório em outubro de 2003. Ele é o primeiro cardeal ganês, e foi um dos que participaram do Conclave em 2005, que escolheu Bento XVI. A pressão para a escolha de uma personalidade oriunda de um país em desenvolvimento é grande: é na África e na América Latina que se concentra 70% da população católica do mundo, e é aí que a Igreja Católica se encontra em expansão - em contraponto com a Europa, que há um século respondia por três quartos dos católicos do mundo e onde agora se encontram apenas 25% dos fiéis. Após a renúncia de Bento XVI, o cardeal suíço Kurt Koch, chefe do departamento do Vaticano para a unidade dos cristãos, disse ao jornal “Tagesanzeiger”, em Zurique, que o futuro da Igreja não estava na Europa. - Seria bom se houvesse candidatos da África ou América do Sul no próximo Conclave - declarou, referindo-se à eleição a portas fechadas na Capela Sistina. (webremix.info) |
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Presidente da CNBB: ‘Quem se apresenta Papa ao conclave sai cardealâ€
APARECIDA (SP). Para o cardeal-arcebispo de Aparecida e presidente nacional da CNBB, dom Raymundo Damasceno, o próximo papa a ser escolhido pela Igreja Católica deveria manter a mesma postura adotada por Bento 16 em relação a temas polêmicos como o casamento entre homossexuais. - Temos que defender a familia como base da sociedade. Não podemos equiparar a união de duas pessoas do mesmo sexo ao casamento. Não pdoemos entender a família de outra maneira a não ser como pai, mãe e filho - afirmou o arcebispo, em entrevista concedida na tarde desta segunda-feira no interior de São Paulo. Um dos cinco brasileiros a participarem do próximo conclave no Vaticano, dom Damasceno destacou o perfil que considera importante para o futuro pontífice. - Acho que nós olhamos sempre alguns critérios como experiência pastoral, pessoas que estiveram à frente de dioceses importantes, com conhecimento do funcionamento da Santa Sé, uma pessoa fácil de diálogo com o mundo de hoje, o mundo da cultura, uma pessoa que tenha certa facilidade para comunicar-se. No mundo globalizado, esse contato com as pessoas, as línguas são importantes. Será a primeira vez que dom Damasceno participará da reunião que elege o papa. Ele ainda não foi informado sobre a data da viagem. O arcebispo evitou falar em favoritos e as chances de um brasileiro ser eleito pela primeira vez na história papa. - Muito difícil dizer diante de um número tão grande de cardeais. Não é uma reunião de políticos. É um outro tipo de reunião. Se fosse um latino-americano seria algo totalmente novo na história do pontificado. Não tivemos nunca nem da América do Norte nem da América do Sul. Nem da África, nem da Ásia. O maior número dos cardeais do conclave são europeus. Mas não significa que terá que ser um europeu. Não importa a cor e a nacionalidade. Sobre a disposição dele de vir a ocupar o posto, dom Damasceno recorreu a ditado popular italiano. - Tem um ditado popular na Itália que diz: Quem se apresenta papa ao conclave sai cardeal. Acho que ninguém tem essa pretensão. Acho até que quem deseja ser papa nem sei se deveria ser papa- afirmou. O arcebispo garantiu que a Jornada Mundial da Juventude, em julho, no Rio de Janeiro, está mantida. Ele disse que os últimos conclaves não foram muito longos e, por isso, acredita que até a Páscoa o novo pontífice seja anunciado. - Eu creio que esse conclave não irá para além de um mês. Dom Damasceno não descartou, entretanto, mudanças na programação da Jornada Mundial da Juventude. - Não há grande modificações. A data está fixa. A programação está praticamente definida. Mas, com a eleição do novo papa, é possível que haja alguma modificação na programação, mas no essencial tudo se mantém como previsto para a realização no Rio de Janeiro em julho próximo e com a presença do novo papa. Tem sido uma tradição a presença do papa nas jornadas mundiais da juventude. (webremix.info) |
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Suspensão põe em xeque expansão de igrejas evangélicas em Angola
A reação do governo de Angola à morte de 16 pessoas em um culto da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) na capital Luanda, em 31 de dezembro, põe em xeque a expansão de igrejas evangélicas brasileiras em um dos países africanos em que elas têm maior influência.Após uma comissão de inquérito concluir, no domingo, que a superlotação no estádio da Cidadela, onde as pessoas morreram pisoteadas ou asfixiadas, foi causada por "publicidade enganosa", o Executivo angolano ordenou que a IURD suspenda suas atividades por 60 dias.Segundo a comissão, 152 mil pessoas se dirigiram para um estádio com capacidade para 30 mil atraídas pelo slogan "O Dia do Fim: venha dar um fim a todos os problemas que estão na sua vida: doença, miséria, desemprego, feitiçaria, inveja, problemas na família, separação, dívidas etc".O governo incumbiu a Procuradoria Geral da República de investigar o incidente, que deixou outras 120 pessoas feridas. Em resposta, a igreja informou que tomará as medidas cabíveis para restabelecer suas operações e lamentou a "detenção de pastores da IURD em diversas localidades de Angola, bem como a presença de viaturas policiais em nossos templos".A suspensão se estendeu a outras seis igrejas evangélicas - ao menos três das quais brasileiras, como a Igreja Mundial do Poder de Deus, do pastor Valdemiro Santiago - por, segundo o governo, recorrerem "às mesmas práticas que as da IURD" e operarem sem licença no país.Embora a suspensão seja temporária e não se saiba quais serão os resultados da investigação, a decisão tem sido interpretada como uma possível mudança na relação do governo angolano com a Universal e outras igrejas neopentecostais.Segundo observadores, a nova postura, além de responder à cobrança popular pela responsabilização dos culpados, reflete a percepção de que essas igrejas cresceram de forma descontrolada nos últimos anos. A posição sinalizaria também a intenção do governo de se aproximar da Igreja Católica, uma das maiores críticas da gestão do presidente José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979.HistóriaEx-colônia portuguesa e uma das maiores economias africanas, Angola entrou na órbita da Universal em 1992. Desde então, outras denominações neopentecostais brasileiras cruzaram o Atlântico para se instalar no país e em outras nações africanas. A Universal, a maior delas em número de fiéis, hoje está presente em 35 dos 48 países da África Subsaariana.Em Angola, um dos seus maiores palcos no continente, ao lado da África do Sul, ela diz contar com 500 mil seguidores, o equivalente a 2,7% da população. Desde a suspensão, moradores de Luanda relataram à BBC Brasil que alguns fiéis têm se dirigido ao principal templo da igreja na cidade, no bairro do Alvalade. Ao encontrar as portas fechadas, eles se ajoelham e oram do lado de fora do imponente edifício neoclássico, acompanhados por auxiliares da igreja.A influência da Universal em Angola, porém, vai muito além de seu número de seguidores: a Record, canal controlado pela igreja, é uma das sete emissoras veiculadas pela TV angolana. Como no Brasil, parte da programação da emissora é ocupada por cultos da IURD.A igreja também distribui em Angola seu diário Folha Universal e tem uma rádio no país.A IURD conta ainda com uma agência de caridade, a Associação Beneficente Cristã Angola, e está representada na política local. O governador da província de Luanda, Bento Francisco Bento, é tido como um dos principais porta-vozes da igreja no MPLA, o partido governista.Seus 230 templos estão presentes em todas as províncias e, em 2012, a igreja abriu em Luanda sua primeira unidade voltada às dezenas de milhares de operários chineses que vivem no país. Em setembro, a igreja celebrou seu primeiro matrimônio de um casal chinês em Angola.Santa MariaMuitos dos que apostavam que as relações da Universal com o governo angolano eram inabaláveis se surpreenderam com a suspensão da igreja e das outras denominações.Blogueiros e sites independentes angolanos sugeriram possíveis razões para a decisão: a pressão nas redes sociais pela responsabilização dos culpados, turbinada pela grande repercussão em Angola da tragédia de Santa Maria; a insatisfação com o crescente poder de igrejas estrangeiras; o desempenho ruim do partido governista na eleição de 2012 em algumas áreas onde essas denominações têm grande número de fiéis; e o desconforto com a remessa de valores arrecadados por algumas igrejas para seus países-sede.Acredita-se, ainda, que o governo aproveitou o episódio para exercer maior controle sobre a criação de novas igrejas no país. Em 2011, a ministra angolana da Cultura disse que cerca de 1,2 mil igrejas aguardavam por legalização no país. Já têm licença para operar em torno de 80 igrejas, entre as quais a Universal.Uma das últimas denominações a expandir sua atuação para Angola foi a Missão Evangélica Shammah, que tem o jogador de futebol brasileiro Rivaldo como patrono. Em 2012, enquanto atuava por um time angolano - o Kabuscorp - ele financiou a construção de um templo da igreja, inaugurado em outubro.Outros analistas, porém, se dizem céticos quanto à reação do Executivo à tragédia. Em entrevista à rede alemã Deutsche Welle, o jurista David Mendes classificou a suspensão da IURD como uma "ação de charme" do governo, que não terá efeitos maiores.Sotaque brasileiroAinda que a Universal esteja em Angola há 20 anos, muitos angolanos continuam a associá-la ao Brasil. Isso se deve, em parte, ao sotaque brasileiro empregado por seus pastores (inclusive angolanos), motivo de piadas entre humoristas locais.Em outros círculos, como em universidades e na imprensa privada, a igreja enfrenta maior resistência. Como no Brasil, entre antropólogos e estudiosos de religiões, é comum a crítica de que a Universal e outras igrejas neopentecostais estigmatizam crenças africanas.Essas crenças mantêm grande influência em Angola, embora o cristianismo seja considerada como a principal fé do país. Segundo estudiosos, muitas igrejas neopentecostais contribuem para que essas crenças sejam tão discriminadas que ser chamado de "feiticeiro" ou "macumbeiro" é considerado muito ofensivo para boa parte dos angolanos.Já a igreja diz que busca desmistificar apenas crenças nocivas, como as que estigmatizam albinos, e exalta suas atividades beneficentes no país, como campanhas de combate à Aids.Outra crítica comum à Universal diz respeito a seus métodos para arrecadar recursos, por meio de dízimos.Alguns acadêmicos, porém, condenaram a decisão do governo de suspender a igreja. Em entrevista à Rádio França Internacional, o cientista social Nelson Pestana disse que a atitude do governo violou a liberdade de religião e de culto resguardada pela Constituição do país.A IURD não respondeu a um pedido da BBC Brasil para comentar queixas sobre sua atuação no país. Em nota sobre a suspensão, a igreja diz que tem colaborado com autoridades locais para esclarecer as causas da tragédia e que "prestou o apoio possível aos feridos e aos familiares das vítimas".A igreja afirma ainda que não foi comunicada oficialmente pelo governo angolano sobre a suspensão e que respeita as leis nos mais de 180 países onde atua. As outras igrejas suspensas não comentaram a decisão.O Itamaraty disse à BBC Brasil que não foi procurado pelas igrejas e que não tem notícias sobre brasileiros afetados pela medida. Porém, se o clima entre as denominações e o Executivo angolano piorar ainda mais - o que muitos consideram improvável - espera-se que o ministério seja acionado para esfriar os ânimos e evitar que o conflito contamine outros campos da relação Brasil-Angola, considerada estratégica por Brasília.* O repórter João Fellet morou em Angola entre 2008 e 2009, quando trabalhou na implantação do Jornal de Economia & Finanças, e é autor do livro Candongueiro, em que descreve sua experiência no país e em outras nove nações africanas. ... (webremix.info) |
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“A medicina do futuro terá como base os transgênicosâ€
Na unidade de Recursos Genéticos e Biotecnologia da Embrapa, Elibio Rech coordena mais do que pesquisas de produtos transgênicos para a agricultura, e até a prevenção da Aids está na pauta. Árduo defensor dos transgênicos, Rech acredita que a medicina pode se beneficiar muito da biogenética, por reduzir os custos e tempo de fabricação de remédios. Ele diz que este é um caminho sem volta. A Embrapa tem uma pesquisa de prevenção da Aids a partir de transgênicos. Em que estágio está? Está muito avançada. Em alguns tipos de algas foram descobertas moléculas que inibem a replicação do HIV. Hoje temos essas proteínas sendo produzidas no nosso laboratório, na soja; na Europa, em arroz e milho; nos Estados Unidos, em tabaco. Elas seriam usadas por mulheres como um gel microbicida antes do ato sexual. São muito importantes para a África, onde há países com mais de 60% das mulheres com HIV. Ele não tem efeito no homem? Não. O objetivo principal deste estudo foi para as mulheres, porque muitas africanas não têm opção da utilização de preservativos pelos parceiros. Então, com isto, elas decidiriam. Qual é a viabilidade da pesquisa? Durante o processo de avanço tecnológico, existem dois grandes desafios: o principal é saber fazer a engenharia; e depois, é tornar isto economicamente viável. Agora estamos neste ponto. É uma iniciativa de um consórcio entre países, que conta com o apoio dos governos brasileiro, americano e inglês. Faltam recursos para produção em larga escala? O Brasil tem investido em Ciência e Tecnologia. São alguns bilhões, uma percentagem de 1 a 1,7 do PIB. Não é um valor pequeno, inclusive comparado a países desenvolvidos. A nossa diferença é que o investimento do setor privado é insipiente. E não existe possibilidade de, com o custo das pesquisas atualmente, chegarmos ao desenvolvimento de produtos se não houver uma participação maior do setor privado. Por que o senhor acha que o setor privado não se mobiliza, já que os produtos poderiam trazer ganho para a própria indústria? Não existe uma cultura de investimento em ciência nas empresas. A Embrapa está sob o Ministério da Agricultura, e em geral, o foco do órgão é esse. A linha farmacêutica seria um novo viés? Continuamos na área de alimentos. Esta pesquisa é uma expansão natural da utilização de plantas, até então limitadas ao consumo humano e animal, a outros setores de produção. A Embrapa não estará envolvida no desenvolvimento de produtos farmacêuticos. Nós temos uma semente de soja produzindo uma molécula contra HIV, já fizemos uma parte. Os testes de HIV são feitos na UFRJ e nos EUA. A pesquisa de fronteira hoje demanda um relacionamento interinstitucional. Como a biogenética poderá beneficiar a saúde? Poderá reduzir o custo de produção. Esperamos ser capazes de produzir moléculas, inclusive que já estão no mercado, como o hormônio de crescimento humano, até 40% mais baratas. Isto possibilita acesso de uma maior camada da população. Na farmácia, ele custa R$ 4 mil por mês. A base da medicina do futuro terá como fundamento o uso de moléculas transgênicas. Reduzir o custo destas moléculas será um objetivo das indústrias. A Lei de Biossegurança, que trata dos transgênicos no Brasil, é de 1995. Ela atende aos avanços atuais? Nossa legislação é boa. Foi muito bem equacionada e atende perfeitamente à segurança alimentar e ambiental dos produtos desenvolvidos. Com início de pesquisas na década de 1960, os transgênicos hoje ainda são polêmicos em setores da sociedade. Como o senhor lida com isto? Não há polêmica. Existem segmentos que insistem em levantar e continuar discutindo este ponto, que deve obviamente ser discutido. Mas estes produtos são consumidos há 15 anos, e não existe evidência de qualquer malefício à saúde humana, ambiental ou animal. Existem reivindicações de segmentos, mas não evidência. Uma das preocupações é que se trata de um método relativamente novo e que não há um longo prazo para avaliar seus prejuízos ou benefícios. Não vamos ter nunca. Nada que façamos vai estar totalmente imune. Mas como a ciência então pode garantir a segurança de transgênicos? Isto se garante por ensaios e avaliações. Mas o que significa segurança num cenário em que nenhum alimento que você comeu hoje no almoço é natural? Absolutamente todos eles são produtos da tecnologia. O arroz, o feijão, a carne, todos os vegetais. Não vai existir nunca a possibilidade de garantir efeito zero, de nada. Mas nós podemos reduzi-los. Em que ponto chegamos com o desenvolvimento de transgênicos? A um bom ponto. Nos anos 60, acreditávamos que queríamos ir até onde estamos hoje. Temos o domínio da biologia sintética, o que vai acelerar o desenvolvimento de numerosos produtos com benefícios para a sociedade. E um ponto importante é que os transgênicos têm a premissa de que todo e qualquer produto desenvolvido a partir de hoje tenha embutida a redução de emissões de CO2 na atmosfera. Como o senhor vê para os próximos anos o potencial da biogenética? É uma tecnologia que chegou para solucionar vários problemas sérios. Estive num congresso internacional onde foi apresentada uma célula sintética. Para se ter ideia, se aparecer hoje um vírus mortal da gripe, nós precisamos de 35 dias para produzir uma vacina. Com a célula sintética, dá para produzir em sete, e o objetivo é chegar a um. Você acha que isto tem volta? Se aparecer uma epidemia que pode matar milhões de pessoas, vamos esperar 35 dias, tendo uma técnica mais rápida? Isso é uma ilusão. (webremix.info) |
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Escravos da Mauá vai mostrar os tesouros da Zona Portuária
RIO — Um dos primeiros grupos a pensar na revitalização da Zona Portuária, o bloco Escravos da Mauá, criado há 21 anos por funcionários do Instituto Nacional de Tecnologia, vai mostrar este ano os tesouros da região. Domingo, o grupo vai exaltar o lugar onde nasceu, com uma série de nove surpresas ao longo do desfile, que começa às 12h. — Sempre buscamos destacar o que há de interessante por ali e, com tantas mudanças acontecendo, optamos por fazer um discurso afirmativo e convidamos aqueles que têm bons projetos. É a metáfora de uma busca ao “Tesouro da Mauá”, que é o nosso enredo, e por isso faremos escavações no passado, no futuro e no imaginário — esclarece o diretor do bloco, Ricardo Sarmento. Veja também
Porta de entrada para escravos no século XIX, a Zona Portuária do Rio de Janeiro tornou-se uma referência da cultura negra por reunir ali tanto aqueles que vinham da África quanto os oriundos da Bahia que trabalhavam como estivadores, sendo responsáveis pela colocação e retirada de cargas nos navios. Já nos anos 20, era por lá que aconteciam as rodas de samba com João da Baiana, Donga e Pixinguinha. A área, entretanto, sofreu as consequências do desenvolvimento de outras formas de transporte e do aumento da violência na década de 70. Durante anos permaneceu à margem da cidade mas, a partir da cultura, o espaço ressurge e chega até a TV como cenário da novela em "Lado a lado". Ricardo Sarmento vários grupos da região para também participar do desfile e apostou na surpresa, não assumindo o controle absoluto sobre o que será feito por eles. — É um bloco, por isso optamos por deixá-los livres. Na Pedra do Sal, será realizada uma exaltação à cultura negra no encontro com o Afoxé Filhos de Gandhi, que vai receber um estandarte do Escravos. Adiante, na esquina com a Rua Barão de Tefé, outros artistas em pernas de pau usarão trajes para representar o fictício encontro entre a corte portuguesa e reis africanos. O figurino foi produzido por alunos da Escola de Arte e Tecnologia Spectaculu, no Santo Cristo, que pretendem fazer uma performance. Seguindo adiante, o grupo ganha a companhia dos blocos que atualmente fazem a alegria da região. — Temos buscado participar junto com esses grupos e apresentar o trabalho deles. Alguns são muito antigos, como o Coração de menina, que foi extinto e agora remontado. Todos têm o nosso apoio — diz Sarmento. Na Praça da Harmonia, uma viagem no túnel do tempo traz ao presente 20 ranchos e cordões que nos anos 30 e 40 foram protagonistas da folia na Zona Portuária mas deixaram de existir, além daqueles que nasceram anos atrás e ainda movimentam a folia, como o Independentes do Morro do Pinto, Fala meu Louro e a Vizinha Faladeira. E uma aula de história vai acontecer em frente ao Sindicato dos Estivadores, na Rua Antônio Lage. O prédio vai funcionar como palco para uma homenagem a João Cândido. Conhecido como Almirante Negro, ele foi o líder da Revolta da Chibata, que buscava o fim dos castigos corporais na Marinha. Os 100 ritmistas, fantasiados de marinheiros, vão tocar a canção "O mestre dos mares", composta por João Bosco e Aldir Blanc no ano de 1975 para homenageá-lo. A passagem em frente ao Instituto Nacional de Tecnologia, onde o bloco começou, vai ser marcada por balões e papéis picados. Na chegada à Praça Mauá, que abrigava a sede da Rádio Nacional, serão destacados os antigos cantores, representados por artistas nas pernas de pau. O grupo vai percorrer a costa do Morro da Conceição e encerrar o desfile no mesmo local onde foi iniciado. Sarmento acredita que com o novo trajeto, que inclui agora o entorno dos morros do Livramento e Providência, além do Santo Cristo, os moradores estarão mais presentes no desfile deste ano. Ele ainda comemora a visibilidade que será dada aos artistas da Zona Portuária e destaca que apesar de não ter sido uma iniciativa daqueles que vivem por lá, o bloco concretizou a relação com os mesmos, que também se sentem um pouco "donos". — Vai ser um desfile emocionante e muito simbólico, porque passaremos pelo interior da região e vamos envolver as pessoas com a história da cidade por meio da arte. Será um momento sublime — afirma ele. Os foliões receberão folhetos com a letra do samba onde também poderão acompanhar o que representa cada interação. (webremix.info) |


