Dança Africana

Notícia : Dança Africana

Atentados na França, Tunísia e Kuwait continuam ecoando

PARIS, TÚNIS e CIDADE DO KUWAIT — No dia do primeiro aniversário da proclamação do califado do Estado Islâmico, a sexta-feira sangrenta marcada por atentados na França, Tunísia e Kuwait continuou a repercutir pelo planeta com novas revelações sobre os autores dos ataques que deixaram 67 mortos e mais de 250 feridos.

Apesar da promessa do presidente americano, Barack Obama, de “degradar e destruir” o Estado Islâmico no ano passado, pouco parece ter mudado desde a proclamação do califado há um ano.

— O Estado Islâmico ainda mantém liberdade de manobra suficiente para atacar quando, como e onde quiser — afirma o general aposentado Jack Keane, número dois do Exército americano entre 1999 e 2003.

Na França, o entregador Yacine Sali confessou ter decapitado seu chefe, Herve Cornara, no estacionamento perto da usina de gás da empresa Air Products Canisters, em Saint Quentin-Fallavier, nos arredores de Lyon. O corpo decapitado foi encontrado na cena do crime, junto com bandeiras com inscrições da shahada, o testemunho de fé islâmica. O entregador tentou explodir a usina colidindo sua van contra cilindros de gás dentro das instalações da usina. Sali, que foi transferido para Paris na manhã de ontem, revelou que enfrentava dificuldades profissionais e familiares. Detidas na sexta-feira, a mãe e a irmã de Sali também foram liberadas ontem. Uma terceira pessoa, ainda não identificada, foi detida e liberada no próprio dia do crime.

A polícia investiga ainda as ligações de Sali com grupos extremistas. O entregador, de origem argelina e marroquina, não tem antecedentes criminais, mas já havia sido monitorado pelos serviços de Inteligência na década passada, por suspeita de ligações com radicais salafistas. Sali, de 35 anos, e pai de três filhos, enviou uma selfie com a cabeça de Cornara pelo aplicativo WhatsApp a um número de telefone canadense, registrado no nome de um cidadão francês identificado como Sébastien-Younés, que estaria em Raqqa, na Síria — principal base de atuação do Estado Islâmico — desde o ano passado. Autoridades canadenses prometeram auxiliar a polícia francesa nas investigações.

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, comentou o incidente, relembrando as medidas tomadas após o atentado contra o semanário “Charlie Hebdo”, em janeiro, que, segundo ele, impediram novos ataques. De acordo com Valls, os 1.800 cidadãos franceses que viajaram à Síria ou estão envolvidos no recrutamento de jihadistas representam um enorme perigo para a França, assim como os franceses envolvidos em outros conflitos, no Afeganistão, na região africana do Sahel e no Iêmen.

— O país está sob uma grande ameaça terrorista. Não podemos perder essa guerra, porque estamos defendendo nossa sociedade e nossos valores — afirmou Valls. — Não se trata de saber se teremos ou não um novo ataque, mas sim quando esse ataque acontecerá.

Tunísia: novas informações sobre atirador

Na Tunísia, após o anúncio de reforço nas medidas de segurança para combater os avanços do extremismo no país, novas informações sobre a vida de Seifeddine Rezgui, autor do massacre que deixou 39 mortos e 36 feridos no balneário de Sousse foram reveladas. Descrito como “calmo e introvertido”, Rezgui era um apaixonado por futebol, torcedor do clube espanhol Real Madrid e da seleção tunisiana, e participara de campeonatos de dança na capital Túnis, como mostra um vídeo divulgado ontem na internet.

— Ele era um bom aluno e nunca faltava às aulas — informou o primeiro-ministro tunisiano, Habib Essid, ecoando declarações de amigos e familiares de Rezgui. — Nossas investigações não apontaram qualquer sinal de extremismo ou ligações com grupos terroristas. Ele nem mesmo estava na lista de pessoas monitoradas.

Autoridades acreditam que, assim como os extremistas responsáveis pelo massacre no Museu do Bardo, em março, Rezgui teria entrado em contato com líderes religiosos e grupos ultraconservadores que tentam expandir sua influência desde a queda do presidente Zine el-Abidine Ben Ali, em 2011, durante a onda de protestos conhecida como Primavera Árabe. Seu processo de radicalização teria começado em uma mesquita clandestina criada em Kairouan nos últimos dois anos, e recentemente ele publicou mensagens extremistas no Facebook.

Mais de 3 mil tunisianos se juntaram ao Estado Islâmico no Iraque e na Síria, e também têm atuado ao lado de grupos extremistas na Líbia.

Repleto de visitantes europeus, o balneário de Sousse é mais um local na mira de grupos islamistas que atacam destinos turísticos no Norte da África, considerados alvos legítimos por seu estilo abertamente ocidental e sua tolerância com o álcool. Ao reivindicar a autoria do massacre no Hotel Imperial Marhaba, o Estado Islâmico afirmou que o ataque do atirador tinha como alvo “um bordel”.

Investigadores também trabalham com a possibilidade de que o atirador tenha recebido a ajuda de cúmplices que facilitaram seu acesso ao fuzil usado no massacre, e o transportaram até o hotel.

— Temos certeza de que outros o ajudaram, embora não tenham participado diretamente — afirmou o ministro do Interior, Mohamed Ali Aroui.

Autor de atentado no kuwait é identificado

Após uma demonstração de união nacional na capital kuwaitiana anteontem, durante o funeral das vítimas do ataque à mesquita al-Imam al-Sadeq, o Ministério do Interior identificou o homem-bomba responsável pelo atentado como Fahd Suleiman Abdulmohsen al-Qaba’a, um saudita nascido em 1992, que teria chegado ao Kuwait na manhã de sexta-feira, horas antes do atentado. Na sexta-feira, após a explosão, o grupo Província de Najd, ligado ao Estado Islâmico, havia identificado o terrorista como Abu Suleiman al-Muwahhid, sem especificar seu país de origem.

Na manhã de ontem, o motorista que levou al-Qaba’a à mesquita na sexta-feira foi preso, e identificado como Abdulrahman Sabah Eidan Saud. Anteontem, autoridades já haviam detido Jarrah Nimr Mejbil Ghazi, dono do veículo usado pelo saudita. Saud e Ghazi foram descritos pelas autoridades como “bidunes” ou “residentes ilegais”, termo usado para descrever os mais de 100 mil apátridas que vivem no país, e exigem direito à cidadania. Entre as vítimas do atentado estavam 19 kuwaitianos, três iranianos, dois indianos, um paquistanês, um saudita e um apátrida.

— Queremos mandar uma mensagem ao Estado Islâmico — afirmou Abdulfatah al-Mutawwia, um kuwaitiano vivendo no Iraque, que perdeu um irmão no atentado. — Sunitas e xiitas, somos irmãos unidos e eles não serão capazes de nos dividir.

(webremix.info)


O Negro e o Branco já são amigos?

Se ainda há muito pouco tempo a programação de artes e de objectos de culto originários de uma África contemporânea, ou das suas diásporas, era um acontecimento raro, a que se deve hoje tanto interesse e tantas manifestações cujos temas são as múltiplas variáveis de África - negro, pensamento africano, cinema africano, as mulheres africanas, etc.? Há festivais de música, plataformas de dança e teatro, sessões de cinema, debates institucionais. (webremix.info)


Downtown Disney, área de entretenimento noturno da Disney, vive maior ampliação da sua história

ORLANDO - A primavera está chegando ao Downtown Disney, área de entretenimento noturno do Walt Disney World. Com a maior expansão da sua história, o local dobra de tamanho até o fim de 2016, quando passa a se chamar Disney Springs. Rebatizada, contará com cerca de 150 atrações, entre bares, lojas, restaurantes, cinemas e casas de shows.

BV-Disney Uma das novidades é o restaurante Boathouse. À beira de um lago, é inspirado em construções navais, principalmente das décadas de 1930, 1940 e 1950. A decoração interna segue o tema, com réplicas de navios e paredes de madeira, que lembram docas. Já os pratos servidos vão desde frutos do mar até o tradicional americano macarroni & cheese. O local oferece ainda passeios pelo lago que cerca o local no carro anfíbio “The Venezia”.

Ainda na área gastronômica, há o Dockside Margaritas, um bar especializado no drinque mexicano e que fica em uma agradável deque à beira do lago. E a nova-iorquina Erin McKenna Bakery abriu em fevereiro com cardápio vegano e alimentos sem glúten. E, no segundo semestre será inaugurado o restaurante temático de Indiana Jones, o Jock Lindsey’s Hangar Bar, com cardápio de drinques e aperitivos.

Ao todo, serão 75 novas atrações. Uma das mais recentes é a loja Super Hero Head Quarters, que abriu suas portas no fim de abril. Embora especializada nos super heróis da Marvel, é aconselhável reduzir as expectativas, já que a variedade de produtos ainda é pequena. Na barbearia The Art of Shaving também é possível comprar produtos com design exclusivo. A loja de chapéus Chapel Hat vende diferentes versões do acessório e está entre as que chegaram por lá há pouco. Também estão presentes a brasileira Havaianas, a loja de calçados Sanuk, a Sunglass Hut, especializada em óculos escuros, e a joalheria Erwin Pearl.

Desde fevereiro, uma ponte para pedestres, que liga as duas extremidades do lago (entre a loja da Lego e o Rainforest Café), está aberta, facilitando o caminho. Aliás, quem continua por lá é o Disney Quest, um parque indoor de jogos eletrônicos.

Até o fim de 2015, o Downtown Disney receberá também o seu primeiro restaurante oriental, o Morimoto Asia, do chef-celebridade Masaharu Morimoto (que tem uma rede restaurantes em com unidades em Miami, Nova York, Waikiki, Nova Délhi, Cidade do México entre outros) e a steakhouse STK.

Uma das atrações que continua fazendo sucesso por lá é a butique dedicada às princesas, Bibbidi Bobbidi, dentro da loja World of Disney. Por lá, além de adquirir produtos, crianças podem se fantasiar como as heroínas.

PARA SE TORNAR UM JEDI

No Hollywood Studios, os personagens clássicos da Disney, como Mickey, Donald e Pluto, entram no clima de “Guerra nas estrelas” durante o evento Star Wars Weekends, que são fins de semana até 14 de junho totalmente dedicados à obra.

Durante o período, mais de 60 personagens farão apresentações especiais, que estarão repleto de referências dos filmes. Há também desfile e, à noite, uma celebração com queima de fogos. Para entrar no clima, vale passar no Star Tours - The Adventures Continue, brinquedo dedicado ao filme com “aulas” para se tornar um Jedi. No shopping Darth’s Mall e em outros estabelecimentos há ainda opções de comida, bebidas e atividades com inspiração intergaláctica.

Mas, se a vontade é mesmo experimentar as variedades aqui do planeta Terra, várias atividades estão programadas para acontecer no Epcot. Nele, estão áreas dedicadas a diversos países, entre eles Itália, Noruega, Canadá, Estados Unidos, Alemanha, Marrocos e Reino Unido.

Na parte italiana o tradicional “Sbandieratori di Sansepolcro” combina música e dança coreografadas com bandeiras pintadas artesanalmente e trajes de época. É a chance de presenciar uma tradição italiana de mais de cinco séculos.

Já na área dos EUA, a música dá o tom do verão. Duas vezes por semana, o grupo Voices of Liberty entoa clássicos nacionais, à capela, no American Gardens Theatre. De quarta a domingo a banda American Music Machine, também revisita clássicos e músicas contemporâneas, com arranjos personalizados por Tim Davis. O som diversificado é dado apenas pelos arranjos de voz dos cinco integrantes.

No pavilhão do Canadá, a diversão fica por conta de jogos e disputas, como arremesso de machado e rolamento na água, entre outros.

Na Europa, pelo pavilhão do Reino Unido, a música folk escocesa é a principal atração da temporada. A apresentação fica a cargo da Paul McKenna Band, um dos grupos acústicos escoceses mais tradicionais.

Mas, se a viagem é para a África, é bom ficar atento ao B’net Al Houwariyate, um grupo de música de Marrakech, que conta histórias das mulheres do Marrocos.

Um dos passeios imperdíveis é o safári do Animal Kingdom. Em uma caminhonete aberta, é possível ver os animais soltos e em interação com o meio ambiente. Macacos, zebras, felinos (como onças e leoas), rinocerontes, hipopótamos.

Por lá, a novidade é a abertura do Africa Market Place, esperada para junho. A inauguração traz novas opções de lojas e restaurantes inspirados em países da África.

Depois de visitar tantos países, é hora de relaxar e se refrescar — afinal, é quase verão em Orlando! — em um dos parques aquáticos da Disney. No Typhoon Lagoon, a Teen Beach 2: Beach Party — é uma festa retrô, com trilha da década de 1960, com a presença de surfistas e dançarinos inspirados na série “Teen beach”. O evento ocorre até 5 de julho, várias vezes ao dia em diferentes áreas do parque.

SERVIÇO

O passe diário do Magic Kingdom custa US$ 105 para adultos e US$ 99 para crianças. Entradas de um dia para Hollywood Studios, Epcot e Animal Planet custam US$ 97 para adultos e US$ 91 para crianças.

O passe para cinco dias, válido para todos os parques Disney, custa US$ 315 (acima de 10 anos) e US$ 295 (de 3 a 9 anos).

Carolina Mazzi viajou a convite da Walt Disney World Resorts

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Instituto Fernandes Figueira reforça campanha para doação de leite materno

RIO - O Instituto Fernandes Figueira (IFF) promove na próxima sexta (22) atividades educativas com mães e crianças para reforçar a importância da doação de leite materno. O evento faz parte de uma série de comemorações pelo Dia Mundial de Doação de Leite Humano, celebrado nesta terça-feira em 23 países, entre eles o Brasil. A ideia é sensibilizar cada vez mais mulheres em fase de amamentação a doar o leite excedente em prol de bebês prematuros e nascidos abaixo do peso.

— O leite doado garante a segurança alimentar e nutricional desses bebês, ajudando no desenvolvimento mais rápido das crianças - diz Danielle Aparecida da Silva, gerente do Centro de Referência para Bancos de leite humano do IFF. - O leite humano é o único capaz de oferecer fatores de proteção ideais para um bebê em período critico e dar a ele a oportunidade de ter alta mais rápido. É doar vida.

A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, com sede no IFF, possui 214 unidades de banco de leite e 145 postos de coleta em todo o país - onze delas na cidade do Rio, além de unidades em Friburgo, Petrópolis, Teresópolis, Volta Redonda e Campos.

Apesar do esforço, a realidade ainda não atende as expectativas. Muitas unidades de UTIs neonatais ainda não contam com banco de leite. E o número de doadoras nas unidades já existentes ainda fica abaixo da demanda.

— Há períodos em que as doações têm uma queda grande. Para atender às demandas, necessitaríamos elevar o número de doações em 40% - diz Danielle. - Temos no IFF em média 150 a 200 doadoras por mês, o que contabiliza cerca de 250 litros mensais. Mas o ideal é aumentar esse índice.

Em 2014, a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano distribuiu mais de 140 mil litros de leite para cerca de 180 mil receptores em todo o país. Sem a ajuda das mães doadoras, a situação seria crítica. A amamentação nos seis primeiros meses de vida ajuda a salvar, por ano, mais de seis milhões de bebês em todo o mundo.

Segundo Danielle, as mães interessadas em doar leite podem entrar em contato com o banco de leite, apresentar exames feitos no pré-natal e então recolher os frascos de vidro para a coleta. Não há quantidade mínima nem máxima para a doação. O leite recebido passa por um controle de qualidade antes de ser distribuído às crianças que precisam.

Eventos comemorativos

O Dia Mundial de Doação de Leite Humano passou a ser celebrado em 23 países da América Latina, Europa e África a partir de 2005. O exemplo foi logo seguido por outros países. No Brasil, a ação conta com campanhas de promoção da doação de leite materno por meio de palestras, cartazes e eventos com as mães.

Na sexta, a partir de 9h, o IFF promove evento com mães receptoras e doadoras, que poderão compartilhar as experiências sobre seus bebês. Além disso, o Projeto Dança Materna promoverá uma aula experimental para mães e bebês.

— É uma interação entre quem doa e quem recebe. E a doação costuma ser terapêutica. Em vez de deixar que o excesso de leite se acumule e cause transtornos à mãe, ela ainda pode ajudar a tornar outro bebê saudável - conclui Danielle.

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Duas montagens teatrais reveem a história do Brasil ao contar a vida de Tiradentes

RIO- Mártir da Inconfidência Mineira, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, tem sua história lembrada em dois espetáculos na semana. Nesta terça, no dia de sua morte, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro leva o alferes a julgamento e promete livrá-lo da forca. Já no sábado, dia 25, e no domingo, o herói nacional tem a trajetória narrada em espetáculo do projeto Porto de Memórias, encenado nas escadarias do Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa, mesmo endereço em que funcionou a Cadeia Velha, onde ele ficou preso até ser executado, em 1792.

SEM FORCA

Se fosse a julgamento hoje, Joaquim José da Silva Xavier não seria levado à forca. É isto que vai acontecer no espetáculo “Desenforcamento do Tiradentes: Justiça ainda que tardia” que conta com o ator Milton Gonçalves no papel do alferes. A peça apresenta ainda o desembargador Claudio dell’Orto, no papel de juiz, e os criminalistas Jorge Vacite Filho e Técio Lins e Silva respectivamente como promotor e defensor do inconfidente. Um elenco de atores e magistrados (as desembargadoras Cristina Gaulia e Ana Maria Oliveira também participam) completa o espetáculo, dirigido por Silvia Monte.

Idealizador do projeto, o historiador Joel Rufino dos Santos diz que a iniciativa busca refletir sobre temas que eram discutidos na época — liberdade, justiça, dominação estrangeira, abuso fiscal — e trazê-los para os dias atuais. A Tiradentes coube fim diferente do conferido a seus companheiros, que tiveram penas comutadas em chibatadas e degredos para a África:

— A classe social a que Joaquim José da Silva Xavier pertencia pode ter contribuído para que sua sentença fosse mais dura do que as dos demais. Além disso, ele chamou a responsabilidade para si.

Para os que não conseguirem lugar na sala do tribunal, haverá telões em outros salões para que todos possam acompanhar o julgamento. A peça termina com um cortejo que sairá rumo à Praça Tiradentes, animado pela bateria do bloco das Carmelitas.

ATRIZ COMO TIRADENTES

Com texto e direção de Alexei Waichenberg e Maria Nattari, o espetáculo do fim de semana, “Tiradentes — Nem tudo o que parece é”, tem uma mulher, a atriz franco-brasileira Clara Choveaux, no papel do inconfidente.

— Eu conheço a Clara há muito tempo e já escrevi o texto pensando em dar a ela o papel principal — diz Waichenberg, que conta com elenco de mais de 20 atores e a presença da Orquestra Villa-Lobos no palco.

Para fazer a costura narrativa do espetáculo, Waichenberg inseriu também um rapper (Fred Sabino) na cena, como uma espécie de mestre de cerimônias.

— Naquele tempo, estava na moda o arcadismo, que é uma poesia rimada. Eu achei que o rapper era uma maneira de trazer os versos rimados para os dias de hoje — conta o diretor.

Com longos cabelos claros e barba cerrada graças à borra de café, a alta e longilínea Clara Choveaux, de 40 anos, uma vez caracterizada se aproxima um bocado da imagem do herói eternizada em telas famosas de Pedro Américo e Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo.

A atriz, que ingressou na profissão através da dança, iniciou carreira cinematográfica em Paris: viveu uma transexual, papel protagonista de “Tiresia”, longa de Bertrand Bonello (2003), que concorreu à Palma de Ouro em Cannes. Mesmo animada, Clara se diz nervosa com a tarefa.

— Imagina encarar essa figura emblemática em praça pública. É muita responsabilidade. Dá frio na barriga — conta ela, que voltou ao Brasil em 2009.

“Tiradentes — Nem tudo o que parece é” passeia do garimpo mineiro à corte portuguesa. A trajetória do inconfidente é narrada ainda em Minas Gerais, onde ele se reúne com outros integrantes do movimento. Acompanha a ida do militar de Vila-Rica para o Rio de Janeiro, a delação de Joaquim Silvério dos Reis, a prisão e a condução à forca. Entretanto, o alferes não é executado em cena.

— Eu não mato Tiradentes. Há uma corrente que acredita que ele teria escapado da forca e morrido, anos depois, na França, para onde teria fugido. O morto seria outra pessoa (o carpinteiro Isidro de Gouveia teria assumido a identidade de Tiradentes em troca de ajuda financeira à sua família, oferecida a ele pela maçonaria) — conta o diretor.

A trama apresenta ainda um menino, vivido por João Pedro Rufino, como filho de Tiradentes.

— Ele seria filho dele com uma escrava. Mas, mais que isso, ele também simboliza os ideias do próprio Tiradentes — diz Waichenberg.

OUTRAS TRÊS PRODUÇÕES

A trama do inconfidente abre a segunda edição do projeto cultural Porto de Memórias, idealizado por Sonia Mattos. Inaugurado no ano passado, o projeto que reconta e dramatiza fatos históricos tem, além de “Tiradentes”, outras três produções programadas para 2015. “Abolição — Um único dia de delírio”, sobre uma festa acontecida dias após o fim da escravatura, vai estrear em maio no Cais do Valongo. “João Alabá”, sobre o pai de santo, dono do primeiro candomblé do Rio, e que introduz Tia Ciata nos caminhos do samba carioca, ocupará a Pedra do Sal em junho. E “Hilário Jovino, mestre-sala do Brasil”, pioneiro do samba e primeiro mestre-sala, está marcado para julho, na Praça da Harmonia.

SERVIÇO

“Desenforcamento (...): Justiça ainda que tardia”

Onde: Antigo Palácio da Justiça — Rua Dom Manoel 29, Centro (3133-3366)

Quando: Hoje, às 14h

Quanto: Grátis

Classificação: Livre

“Tiradentes – Nem tudo o que parece é”

Onde: Palácio Tiradentes — Rua Primeiro de Março, s/nº, Praça XV, Centro (2588-1251)

Quando: Sáb. e dom., dias 25 e 26, às 18h

Quanto: Grátis

Classificação: Livre

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Guanajuato e San Miguel de Allende, coração da Nova Espanha em pleno México moderno (webremix.info)


No ar em 'Babilônia', Bruno Gissoni vem emendando uma novela na outra: 'Se continuar assim, não quero férias tão cedo'

Bruno Gissoni fala de seu sucesso em 'Babilônia' - Rael Barja/Divulgação

RIO - Desde estreou na Globo, em 2010, aos 23 anos, como Pedro em “Malhação”, Bruno Gissoni conta que só teve um mês de férias. O ator emendou a novela adolescente com “Avenida Brasil” (2012), “Flor do Caribe” (2013), “Em família” (2014) e agora “Babilônia”.

— Nunca imaginei um sucesso tão rápido. Estou feliz. Se continuar assim, não quero férias tão cedo — brinca o ator, que ainda se surpreende com Guto, o riquinho rebelde e de caráter duvidoso que interpreta na trama das nove: — Este personagem é diferente de tudo o que eu já fiz. É um desafio. É bom mostrar esse lado e provar que eu posso ir além. Sou bem diferente de Guto, pois cresci rodeado de amor das famílias da minha mãe e do meu pai. E estar em um núcleo que tem Gloria Pires, Cássio Gabus Mendes, Adriana Esteves e Bruno Gagliasso é uma honra para mim. Estou muito ligado ao público teen, pois faço personagens mais novos, mas me sinto preparado para conquistar outro público também. Acho que isso acontecerá naturalmente.

Nos palcos, Bruno também experimentou um personagem bem diferente do que já fez até aqui, na peça “Dzi Croquettes em Bandália”, que agora segue com apresentações esporádicas. No espetáculo dirigido por Ciro Barcelos um dos remanescentes do grupo que foi um dos símbolos da contracultura nos anos 1970, ele dança muito e até expõe o corpo:

— Tenho recebido muitas críticas boas sobre minha atuação na peça. As pessoas se assustam com a parte em que tiro a roupa, mas a peça é tão rica que logo depois esquecem. A cada dia aprendo mais no palco. Acredito que estou ficando cada vez mais maduro na profissão e na vida — diz o ator.

O próximo passo de Bruno pode ser o cinema. Ele está estudando uma proposta para estrear na tela grande, onde se destacaram suas maiores referências.

— Gosto muito da atuação de Wagner Moura e Marlon Brando — enumera, destacando, porém, que prefere não se espelhar em ninguém.

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Roteiros de fé e arte: em Olinda, igrejas sinalizam rota de ateliês pelas vielas históricas

Bodega de Véio, bar que funciona dentro de um armazém - Hans Von Manteuffel / Agência O Globo

OLINDA - Esqueça aqueles bonecos gigantes que enfeitam as ruas de Olinda no carnaval. Às vésperas da Semana Santa, a Procissão dos Passos — que sai da Catedral da Sé para a Igreja do Carmo e, este ano, acontece na quinta e sexta da semana que vem — já garante um dos roteiros pela bela cidade histórica. O cortejo acontece há 341 anos e visita os Passos da Paixão de Cristo, capelas de alvenaria construídas entre 1773 e 1809, abertas apenas para a procissão.

Aliás, entre os criativos ateliês de arte que se espalham pela Cidade Alta, as igrejas funcionam como ponto de referência ao tour na área.

CAMINHOS QUE LEVAM À SÉ

Saindo da Praça do Carmo, seguindo pela Rua Prudente de Morais até a Igreja São Pedro, já é possível apreciar a arte sacra e os primeiros ateliês. Logo na primeira esquina, o sincretismo de influências da colonização portuguesa e do domínio holandês, da religiosidade e da vida no sertão na arte pernambucana é visível, por exemplo, na obra de Paulo Caldas.

No logradouro, também estão as galerias de Ivone Mendes e Lautréamont, e, caminhando pelas vielas, as esculturas se espalham por amplos quintais das casas históricas. Na Creperia de Olinda, ainda na mesma rua, as paredes estão cobertas de artesanato, assim como no restaurante ali perto, o Casbah.

Dependendo da época, tudo parece estar fechado na cidade. Mas basta um aceno ou bater de palmas para que cada casa seja aberta e, na maioria das vezes, pelo próprio artista. Este é um dos privilégios de ir ao local fora da burburinho: conhecer não apenas as obras, mas também os artistas e suas oficinas, flexíveis para visitação.

Muitas das famosas ruas e subidas da Cidade Alta levam à Catedral da Sé, que oferece uma vista de Recife digna de cartão postal.

PERDIDOS NAS RUAS DE OLINDA

Mas, antes de chegar à Sé, uma das opções é seguir pela Rua Amparo, onde está a Bodega de Véio, armazém que também faz as vezes de bar. Com seu balcão de madeira, se não é considerada ateliê, a pequena loja não deixa de exibir o sincretismo local: da mesa às esculturas de arte e aos artefatos antigos. Parada obrigatória para quem quer conhecer a vida olindense.

Na mesma rua, está o Museu Regional de Olinda, e, ali perto, estão também dois dos mais famosos restaurantes da cidade: Beijupirá e Oficina do Sabor, com excelente comida regional. Da igreja do Amparo, rodeada por outras casas coloridas e paredes de grafites, caminha-se um pouco fora da rota até a Capela Dourada antes de se chegar, enfim, à Catedral da Sé.

Na volta, descer e conhecer o mosteiro e a Igreja de São Bento é a ideia. E não se preocupe se não conseguir um guia: em Olinda, o ideal é se perder por suas ruas.

OLINDA: ARTE E CULTURA NOS FUNDOS DOS QUINTAIS

Por trás das portas de madeira das casas históricas, está o segredo mais bem guardado de Olinda: os seus quintais. É lá onde ficam as oficinas dos artistas, as mesas dos bares e restaurantes, a área de lazer das pousadas ou, até mesmo, uma mata inexplorada. Visitar este espaços, decorados à moda de seus donos, é ver de perto parte da cultura e arte olindenses. Além de ser um programa ideal durante a baixa temporada na cidade.

A maioria dos espaços busca valorizar a arte local. Na Pousada do Amparo, por exemplo, a casa simples se abre imponente em uma área verde, decorada com quadros e esculturas típicos da cultura pernambucana, em meio a piscina e mesas para o café da manhã e jantar.

No Café Estação, o quintal é um charmoso espaço onde é possível apreciar um bolo de rolo, também cercado por muito verde e obras de arte.

Na pousada Casa de Chica, bonecos de Olinda sentados em bancos dividem o espaço externo com os hóspedes em um belo gramado.

Atelier com bonecos de Olinda - Hans Von Manteuffel / Agência O Globo

Aliás, mesmo que os bonecos não estejam presentes nas ruas de Olinda, conhecê-los é programa obrigatório na cidade. No Mercado da Ribeira, uma construção do período colonial onde se comercializavam escravos, fica um ateliê onde estão expostos os famosos bonecos gigantes, que desfilam pelas ruas da cidade, principalmente durante o carnaval.

Ali no mercado, vale também dar uma olhada nas lojas que, além das típicas lembrancinhas, vendem belas peças de arte nordestina.

Outra forma de conhecer os bonecos é visitando o Museu do Mamulengo, na Rua São Bento. Lá, estão expostos mais de mil deles, entre atuais e antigos, mostrando as influências pelas quais a arte olindense já passou.

No Mercado de Artesanato do Alto da Sé, vizinho à igreja de mesmo nome, a visita vale para conhecer alguns outros personagens característicos do folclore da cidade e o show performático dos vendedores contando (e tentando vender) as suas histórias.

EM RECIFE, MUSEU DO SERTÃO

Em menos de uma hora, saindo de Olinda, chega-se à capital do estado, Recife. No centro histórico da cidade, estão não apenas as construções coloniais, mas também museus imperdíveis, como o Paço do Frevo, que conta a história da dança, em uma exposição bastante interativa. São fotografias, objetos e muito simbolismo — como, por exemplo, o teto, que está tomado de bonecos representando a participação popular no carnaval.

Ainda pelas ruas do Recife Antigo, vale também visitar o Centro Cultural Judaico de Pernambuco, na Rua do Bom Jesus, no prédio histórico da Kahal Zur Israel, a primeira sinagoga das Américas.

Ali perto, na área portuária, que vem sendo alvo de grande projeto de revitalização, está o Cais do Sertão, um moderno museu que conta a cultura da região, abrangendo desde vestimentas e música, até as casas rústicas do interior da região. Repleto de interatividade e tecnologia, o local expõe objetos típicos do sertão (como peixeiras e utensílios de cozinha), assim como a forte influência da igreja católica na rotina de seu povo (via diferentes réplicas). Ainda na zona portuária, vale esticar a caminhada e visitar o Marco Zero.

Fora dali, a construção suntuosa da Casa da Cultura de Pernambuco, na Rua Floriano Peixoto, esconde uma história um pouco mais sombria do que contam as atuais lojinhas de artesanato espalhadas pelo local. O prédio foi primeiro uma moderna prisão no século XIX e ainda estão lá, preservadas, guaritas e celas, agora ocupadas por pequenos comerciantes.

No local, compra-se de tudo, de obras de arte aos batidos suvenires. E, como nos conta uma pernambucana que mora ali perto, o melhor bolo de rolo da região.

HOSPEDAGEM: RECIFE GANHA NOVO HOTEL DE REDE INTERNACIONAL

Recife acaba de ganhar o primeiro hotel com a bandeira Courtyard by Mariott no Brasil, voltada para o turismo de negócios. A inauguração, no último dia 3, reforça a estrutura hoteleira da cidade, que já tem outras filiais de redes internacionais, como Golden Tulip e Mercure. Recentemente, a rede Sheraton inaugurou o resort Reserva do Paiva, em Cabo de Santo Agostinho, a 41 kms da capital.

Segundo Craig S. Smith, presidente para América Latina e Caribe da Marriott International, Recife foi escolhida por seu forte potencial de turismo de lazer e de negócios:

— Os planos são de ampliação da rede pelo Brasil.

Smith ressalta que o empreendimento foi planejado com a preocupação de preservar aspectos da cultura local. É possível perceber as referências culturais logo na entrada, como as famosas sombrinhas do frevo, espalhadas na fachada e peças de artesanato regional na decoração do lobby. No restaurante, ganham destaque as influências da tradição nordestina. Outra novidade é o GoBoard: tela de TV no salão da recepção que exibe informações úteis para o viajante, como mapas e notícias.

Os 162 quartos têm docks para tablets e smartphones. O acesso à rede wi-fi é livre em todo o prédio. E há restaurante, academia de ginástica e piscina, atrativos que interessam também ao hóspede que viaja a lazer, diz Mauro Barros, gerente do hotel.

— Estamos a dez minutos a pé da praia de Boa Viagem e a 15 minutos de carro do aeroporto.

SERVIÇO

Onde ficar

OLINDA

Pousada Amparo: Diárias a R$ 315. R. do Amparo 199. pousadadoamparo.com.br

Casa de Chica: Diárias a R$ 180. Rua 27 de Janeiro 43. casadechica.com.br

Pousada dos Quatro Cantos: Diárias a R$ 244. Rua Prudente de Morais 441. pousada4cantos.com.br

RECIFE

Courtyard by Marriott: Diárias a R$ 230. Av. Eng. Domingos Ferreira 4.661. marriott.com

Onde comer

Beijupirá: Rua Saldanha Marinho, s/nº. beijupiraolinda.com.br

Oficina do Sabor: Rua do Amparo, 335. oficinadosabor.com

Café Estação: Prudente de Moraes, 440.

Carolina Mazzi viajou a convite de Marriott Hotels

(webremix.info)


Mafalala, na periferia de Maputo, é berço de artistas, intelectuais e líderes políticos de Moçambique (webremix.info)


A Cia. AMOK Teatro apresenta epopeia negra sobre ódio e perdão

RIO — Há um ano e meio, os diretores da Cia. Amok Teatro, Ana Teixeira e Stephane Brodt, começaram a criar “Salina — A última vértebra”, que estreou no último dia 26 no Espaço Sesc. Um dos poucos grupos da cidade a ter uma sede fixa e um trabalho contínuo de pesquisa sobre o ator, a companhia deu um passo à frente na sua combinação de centro de formação e criação de peças com esse trabalho, que apresenta dez novos atores do grupo em cena — todos passaram a integrar a Amok durante o processo de criação.

Com quatro componentes fixos até a “Trilogia da guerra” — “Dragão” (2008), “Kabul” (2010) e “Histórias de família” (2012) —, os diretores precisaram de outros tipos de performers, já que a obra busca imprimir a expressividade da atuação de matiz africana, que mescla canto, dança, jogo e teatro — sem delimitar fronteiras entre um modo performativo e outro.

— Para os africanos, é tudo uma coisa só — comenta Ana. — A performance africana conjuga esses meios e entende a cena como um espaço de ritual, de cerimônia, próximo à dimensão do sagrado. Se na “Trilogia...” investigamos a relação do teatro com a realidade, agora é o teatro e o rito. Então era algo específico, e por isso abrimos inscrições para escolher novos atores e formá-los.

Dos mais de 200 inscritos, 60 foram selecionados e 20 trabalharam em oficinas até que os dez integrantes finais fossem escolhidos. É um elenco de atores negros, que se unem ao músico Fábio Simões Soares para guiar a narrativa criada pelo premiado escritor e dramaturgo francês Laurent Gaudé.

— São atores negros em papéis que não costumamos vê-los — diz Ana. — A história se passa numa África ancestral, onde o signo negro ocupa outro lugar: são reis, príncipes, guerreiros. Não é o negro subjugado, mas senhor da sua civilização. Deslocamos a figura do negro. E, em relação aos atores, os tiramos do lugar de representar o clichê, papéis que reforçam a invisibilidade social do negro.

Autor consagrado com o mais importante prêmio literário francês, o Goncourt 2004 pelo romance “O sol dos Scorta”, e conhecido no Brasil por “A morte do Rei Tsongor” (2013), Gaudé construiu uma saga que mescla particularidades da tragédia grega e da epopeia africana. Na adaptação, a obra ainda ganha a força de tradições religiosas e musicais afro-brasileiras, como o candomblé e a congada mineira.

— Ao longo dos anos desenvolvemos esse teatro ritual, estudando com mestres de Bali e da Índia, e esse teatro se dá num espaço que não é o do cotidiano — diz Ana. — Entendemos que o espaço teatral não é para copiar o real, mas para enveredarmos por outro tipo de aventura.

Em “Salina”, tudo gira em torno da personagem-título. Casada à força e violada por seu marido, ela dá à luz a um “filho do ódio”, que ela passa a detestar tanto quanto o pai. Sua raiva é tanta que ela deixa seu marido agonizar num campo de batalha, e por isso é banida da cidade onde vive. Exilada no deserto, ela alimenta seu desejo de vingança. E é a partir dessa ira que nascem novos relacionamentos, filhos, batalhas e reviravoltas que contrapõem “ódio e perdão”, como define Ana.

— Essa questão é muito presente no mundo hoje — afirma. — Falamos de guerra, mas o que nos interessa é o perdão. Ver o quanto ele custa, o quanto ele exige em termos de superação humana. O perdão exige de todas as partes concessões difíceis, mas necessárias.

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Dramaturgo nigeriano Wole Soyinka, ganhador do Nobel, alerta para o avanço do Boko Haram

O escritor nigeriano Wole Soyinka durante entrevista em Abeokuta, na Nigéria - Marcéli Torquato

ABEOKUTA E LAGOS (NIGÉRIA) - No espaço de poucos dias em novembro passado, o dramaturgo Wole Soyinka, de 80 anos, foi homenageado em três cidades nigerianas. Primeiro africano a receber o Nobel de Literatura, em 1986, admirado em todo o continente por sua obra e pelas intervenções políticas, ele aproveitou cada ocasião para se manifestar sobre o estado da nação. Denunciou o avanço do extremismo islâmico no país, criticou a corrupção nas instituições, alertou para a importância da eleição presidencial marcada para 14 de fevereiro. Apenas uma semana normal na vida do autor que, num de seus livros de memórias, escreveu: “A sabedoria iorubá diz: ‘Quando alguém se torna um ancião, deixa de entrar em batalhas’. Quem dera! Quando esse provérbio foi inventado, ainda não existia uma certa entidade chamada Nigéria”.

Numa tarde daquela semana, em raro momento de folga, Soyinka recebeu o GLOBO em Abeokuta, sua cidade natal, onde voltou a viver na década passada depois de um exílio forçado pelas condições políticas do país. Localizada no estado de Ogum, às margens do Rio Ogum, Abeokuta fica na região que é o berço da cultura iorubá. A 90 quilômetros da megalópole Lagos, é uma cidade tranquila, com cerca de 600 mil habitantes, que cresceu desde o início do século XIX ao redor da Olumo Rock, formação rochosa considerada sagrada. O idioma iorubá é falado nas ruas e divide espaço com o inglês nos cartazes e placas de trânsito, mostrando que ali se preservam as tradições.

No salão do centro cultural onde, no dia seguinte, seria o convidado de honra do Aké Festival, evento literário batizado com o título de um de seus livros, Soyinka diz que a visão de mundo iorubá, com seus mitos e rituais, foi uma influência decisiva para sua obra e sua personalidade. Ele já descreveu Ogum, o orixá guerreiro, como sua “divindade companheira”.

— Ogum é para mim um símbolo da multiplicidade da natureza humana. Ele me ajuda a entender que no mesmo indivíduo podem conviver um pacifista e um guerreiro. Posso adorar a tranquilidade, mas ao mesmo tempo ser energizado pelas lutas do mundo — diz.

A luta atual de Soyinka é contra o Boko Haram, o grupo extremista islâmico que se opõe à educação ocidental e à secularização no Norte da Nigéria, região de maioria muçulmana. Ativo há mais de uma década, o Boko Haram chamou atenção do mundo em abril de 2014, quando sequestrou 276 meninas na cidade de Chibok. Desde então, intensificou suas ações, expandiu seu território e sequestrou, desalojou e matou milhares de pessoas.

Soyinka diz que o Boko Haram é a antítese da cultura iorubá, marcada pelo sincretismo. Baseado no Oeste da Nigéria, com cerca de 35 milhões dos 170 milhões de habitantes do país, o povo iorubá tem uma maioria de cristãos, mas inclui também muçulmanos e praticantes dos ritos tradicionais. A radicalização no Norte do país coloca em xeque esse ideal de tolerância, alerta o dramaturgo, que já foi ameaçado de morte pelos extremistas.

— A Nigéria está desmoronando, em termos religiosos. Tudo que o Boko Haram prega vai contra a visão de mundo iorubá. Nós defendemos a igualdade de gêneros, por exemplo, enquanto para eles as mulheres são menos do que seres humanos — diz o dramaturgo, sublinhando que os radicais não representam os muçulmanos do país. — O Boko Haram é um bando de homicidas com uma visão distorcida do Islã que quer assumir o controle de comunidades, do Estado e, quem sabe, do mundo. São lunáticos assassinos.

O nigeriano Wole Soyinka participa de evento com estudantes no Lagos Book & Arts Festival, na Nigéria, em novembro - Marcéli Torquato

Com seu cabelo afro grisalho e voz retumbante, Soyinka é uma presença tão familiar na vida pública nigeriana que muitos de seus compatriotas o chamam apenas de “Prof”. Nos últimos meses, ele tem dedicado seus frequentes discursos, artigos e entrevistas a apontar o fracasso do presidente Goodluck Jonathan no combate ao Boko Haram. Cita como exemplo disso o fato de que, diante da falta de apoio, moradores do Norte do país estão formando milícias para se defender dos terroristas. Suas armas são facões, rifles de madeira feitos em casa, arcos e flechas.

— A questão não é o que o governo deve fazer para conter o terrorismo, é o que já devia ter feito. E não só a Nigéria. Toda a África negra e os autênticos muçulmanos precisam se levantar contra o extremismo — diz Soyinka, que também reprova a tolerância de Jonathan com grupos separatistas do delta do Rio Niger, base da indústria petrolífera nigeriana e terra natal do presidente. — No Norte, insurgentes islâmicos. No Sul, insurgentes do petróleo. De qualquer lado pode vir um rompimento.

Embora ataque Jonathan, candidato à reeleição, Soyinka também não vê com bons olhos o principal adversário dele na eleição de fevereiro, o militar reformado Muhammadu Buhari, que governou o país entre 1983 e 1985, depois de um golpe de Estado. Num artigo de 2007, acusou Buhari de ter promovido execuções enquanto estava no poder e disse que o ex-general “escravizou a nação”.

— Não apoio ninguém. Estou avaliando todos os candidatos para tentar entender o que pode ser melhor para o povo nigeriano — diz, com um sorriso irônico que entrega seu desalento com os rumos do país.

Nascido em 1934, Soyinka teve com a mãe, Grace, as primeiras lições sobre a política nigeriana. Nos anos 1940, ela e a irmã, Funmilayo Ransome-Kuti (mãe do músico Fela Kuti, primo de Soyinka), lideraram uma revolta das mulheres de Abeokuta contra o administrador local. Com o pai, um professor universitário, aprendeu a amar os livros, fossem de mitologia iorubá ou de Charles Dickens.

Nos anos 1950, passou uma temporada em Londres estudando teatro. Quando voltou, causou controvérsia logo com uma de suas primeiras peças. “Uma dança das florestas” foi encenada durante os festejos pela independência da Nigéria, que deixou de ser colônia britânica em outubro de 1960. No espetáculo, espíritos de ancestrais nobres são invocados à Terra, mas acabam se revelando tão corruptos e mesquinhos quanto os mortais. Quando todos esperavam uma obra celebrando as tradições e o futuro da nova nação, o jovem autor enviou um recado menos ufanista: cuidado para não repetir os erros do passado.

— Era óbvio no momento da independência que a Nigéria estava tentando conciliar muitas contradições e isso poderia trazer problemas. Há quem diga que isso já era óbvio desde a colonização, quando grupos muito diferentes foram reunidos de forma arbitrária em um país, sem levar em consideração a História, a economia e a cultura de cada um. Não seria fácil apagar essas contradições com a mera criação de um Estado. Detesto dizer “eu avisei”, mas é verdade. Eu avisei, avisei e avisei.

Soyinka em Ibadan, em 1969, dias depois de ser libertado da prisão - Keystone/Getty Images

Depois da independência, as contradições se acirraram. O Norte, de maioria muçulmana, e o Sul, de maioria cristã, disputavam o controle político da nação. A democracia nigeriana durou até 1966, quando foi interrompida por uma sequência de golpes liderados por militares ora do Norte, ora do Sul. Em 1967, oficiais da etnia ibo, do Sudeste, declararam a independência da região, batizando o novo país de Biafra. A reação do governo central deu início a uma guerra civil que durou quase três anos, deixou mais de 1 milhão de mortos (a maioria ibo) e terminou com a reintegração de Biafra à Nigéria.

Nos turbulentos anos 1960, Soyinka usou o teatro como instrumento de ação política. Criou personagens que entraram para a cultura popular nigeriana, como o Irmão Jehro, um líder religioso charlatão, e Kongi, um ditador maníaco. Fundou grupos que praticavam o que chama de “teatro de guerrilha”. A expressão ganhou novo sentido quando, por causa do assédio de militares e policiais, os atores precisaram treinar defesa pessoal.

— O teatro é direto. A conexão humana entre público e atores cria uma veracidade que outras formas de arte não transmitem. Digo que fazia “teatro de guerrilha” porque queria que as peças fossem uma intervenção no subconsciente político e social — lembra o dramaturgo, que nunca abriu mão do humor em sua obra. — Eu queria satirizar o poder no palco, para que o espectador pensasse: “Então é só isso que me assusta? Esse imbecil miserável?” É preciso ridicularizar a tirania.

Soyinka conciliava o teatro com formas mais diretas de ativismo. Em 1965, invadiu armado uma estação de rádio na cidade de Ibadan, onde era professor universitário, para impedir a divulgação dos resultados de uma eleição fraudulenta. Foi preso, mas liberado em seguida. Em 1967, durante a guerra civil, tentou articular negociações de paz com líderes de Biafra. Acusado de traição pelo governo, foi preso novamente, dessa vez por 27 meses.

Soyinka discursa na cerimônia de entrega do Nobel, que dedicou a Mandela, em 1986 - AFP/Tobbe Gustavsson/10-12-1986

Confinado numa cela de 3 metros quadrados, Soyinka continou a escrever. Como não lhe permitiam usar papel, preenchia as entrelinhas dos poucos livros que conseguiu contrabandear para a cadeia. Essas notas foram reunidas no volume de memórias “O homem morreu”, publicado em 1971. Nele, registra momentos de violência e solidão, mas também a convivência com outros condenados, sobretudo os prisioneiros de guerra ibo. E mantém a postura desafiadora: “[Minha identidade] nunca ficou tão clara quanto no momento em que vi as correntes em meus tornozelos: sou um ser para quem correntes não servem; sou, afinal, um ser humano”.

— Uma coisa que a prisão me ensinou foi a universalidade da experiência humana. Ela também reforçou minha desconfiança do poder.

Em liberdade, Soyinka viu suas peças, poemas e romances ganharem projeção mundial. Em 1986, foi o primeiro africano e o primeiro negro a receber o Nobel de Literatura desde sua criação, em 1901. Na cerimônia, dedicou o prêmio a Nelson Mandela, então preso na África do Sul, e condenou o racismo e o apartheid.

Enquanto isso, continuou envolvido com a política nigeriana. Quando um novo golpe militar anulou eleições democráticas, em 1993, foi obrigado a se exilar. Usou o prestígio internacional para liderar uma campanha contra a ditadura em seu país, para onde só voltou depois do fim do regime, em 1999. Nas viagens pelo mundo, sentia-se em casa ao encontrar traços da cultura iorubá em países como Cuba, Jamaica e Brasil.

Apesar de ter apenas um livro publicado no país, a peça “O leão e a joia” (Geração Editorial), Soyinka tem uma relação profunda com a cultura brasileira. Já pesquisou a sobrevivência das tradições iorubá no Brasil e escreveu sobre como os escravos retornados influenciaram a culinária, a música e a arquitetura na Nigéria, onde até hoje é comum encontrar sobrenomes como Silva ou Pacheco. O dramaturgo diz que essa relação histórica provoca um “conflito interno” no país.

— Sempre que vou ao Brasil tenho a impressão de que uma parte do país pensa: “Não temos nada a ver com a herança africana”. Já em outras partes as pessoas são mais iorubás do que muitos iorubás da Nigéria, cultivam simbolismos e rituais, porque reconhecem que é uma visão de mundo autêntica. É como se o Brasil, em termos culturais, estivesse em guerra consigo mesmo.

Dias antes da homenagem em Abeokuta, Soyinka foi o convidado de honra do Lagos Book & Arts Festival, realizado no Freedom Park, no centro da megalópole. Em meio a debates de críticos e escritores sobre sua carreira, participou de apenas um evento: um encontro com estudantes. Por uma hora, falou a crianças e adolescentes sobre o prazer da leitura, citou a mitologia iorubá e traduziu em termos simples a ameaça representada pelo Boko Haram (“Imaginem se um bando de lunáticos entra aqui e leva vocês”). Assim mantém renovadas as energias para a luta.

— Já enfrentamos outras ameaças antes e vamos sobreviver.

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Rafael Machado, o Big de ‘Sexo e as negas’, conta como conheceu o mundo dançando em cruzeiros

RIO - Em 2003, na época em que começou a viajar o mundo fazendo apresentações e dando aulas de dança em navios pela Europa, Rafael Machado não tinha muito ao que assistir na TV em seus momentos de folga. A única série disponível, lembra, era “Sex and the city” e, por falta de opção, começou a assistir as aventuras de Carrie, Samantha e cia. Viu a primeira temporada, viu a segunda... Quando se deu conta, já estava viciado no cotidiano das amigas de Nova York. Acompanhou a série inteira e viu até os filmes. O período viajante voltou à memória do ator de 32 anos recentemente quando foi convidado para seu primeiro papel na televisão: o Big de “Sexo e as negas”, seriado da Globo que chega ao fim nesta terça, às 23h. Ele, aliás, até vê semelhanças entre seu personagem e o homônimo americano, vivido por Chris Noth na série da HBO.

— Só na essência da sacanagem, ? (risos) Ele tinha um lado de iludir a Carrie, era meio sacana. Mas no fim o autor resolveu isso. Chega de deixar essa mulherada apreensiva! Casa logo essa mulher com ele! — brinca o ator.

Já sobre o final feliz (ou não) do malandro de Cordovil ele não entrega nada. No episódio anterior da série, Big foi para a Alemanha, depois de ser convidado para se apresentar como dançarino. Mas ele volta para o desfecho da história de Miguel Falabella nesta terça. A relação do personagem com a dança, aliás, é totalmente inspirada na vida de Rafael.

Rafael em cena de “Sexo e as negas” - TV Globo/ João Miguel Júnior / TV Globo/ João Miguel Junior

— Isso que eu acho fascinante no Miguel. Quando ele diz que escreveu algo para você, é para você mesmo. Ele sabia que eu vinha da dança, e eu não esperava. Só tinha lido os três primeiros capítulos de início. Quando surgiu essa trama, pensei: “Caramba! Não acredito que ele vai fazer isso comigo”. Pude representar a dança, que é a minha arte, minha essência. Para mim, é um orgulho — observa.

A relação de Rafael com a dança começou aos 10 anos em um grupo de dança de rua da periferia de São Paulo, onde ele cresceu. Dois anos depois, começou a ter aulas no Centro de Dança de Jaime Arôxa, que foi “um divisor de águas” na sua vida. A partir dali, sua curiosidade só cresceu: corria atrás de todos os livros e espetáculos citados por Jaime, a quem ele chama de mestre, um artista que “mexe na sua cabeça para o resto da vida”. Aos 14 anos, foi a vez de começar no balé clássico e abrir um novo horizonte:

— Ali, ferrou (risos). Eu queria fazer aula de balé de manhã, dança de salão à noite, minha vida era toda voltada para a dança. Quando não estava na escola ou dançando, estava em casa fazendo abdominal, alongamento... Tinha uma tristeza enorme quando chegava a época de férias.

É claro que fazer balé aos 14 anos não foi uma experiência fácil para um garoto da periferia de São Paulo. Rafael ouviu muita piadinha dos amigos e teve que driblar os desejos do pai, que queria vê-lo jogador de futebol. Mas conta que, aos poucos, foi conquistando o respeito na escola. Até, inclusive, tornar-se atração local.

— Aos 15, eu comecei a dançar com a Tânia Alves. Um dia ela foi no Jô Soares, e eu era um dos bailarinos do grupo. Ela falou de mim: “Ah, um dos meus bailarinos, o Rafael, tem só 15 aninhos”. Aí o Jô falou: “É, eu vi ele encoxando a moça”. E a câmera sai dele e corta bem para a minha cara. No dia seguinte tive que dançar de classe em classe. Virei o entretenimento da escola! Aí eu era o artista, o dançarino. O pessoal começou a gostar.

APRESENTAÇÕES EM CRUZEIROS PELO MUNDO

Rafael também ouvia uma frase clássica da família: “E aí, negão, vai começar a trabalhar quando?”. O dinheiro começou a aparecer quando ele foi convidado para dançar em eventos. Fazia de tudo, “até batizado de boneca”. E foi num desses eventos que ele foi chamado para dançar nos navios. Entre 2003 e 2005 fez oito temporadas pelo Brasil, Europa, Caribe, e as regiões do Báltico e do Adriático. Ele conhece toda a Europa, o Caribe e a maior parte do Brasil graças a essas viagens. Nos intervalos, aproveitava para passar um tempinho nos países em que parava. Morou em Barcelona, Madri, Londres e Paris.

— Esses lugares são incríveis para um artista. Tudo que era artístico, eu ia. Fazia cursos. Teve uma época em que o dinheiro foi ficando escasso mas eu queria ficar por lá. O que eu fazia? Dava aula de axé na praça a 20 euros. Fiz isso em Madri, Londres, dancei em boate, fiz o que dava. Chegou uma hora que cansei e resolvi voltar para o Brasil, fiz minha última temporada no navio. Eu cantava nos navios também. E aí alguém falou para mim: “você já pensou em fazer teatro musical?” — lembra.

A experiência nos palcos foi a empreitada seguinte de Rafael, que estreou no teatro como bailarino do musical “Miss Saygon”. Dançou ainda em “A bela e a fera”, “Cats”, “Emoções baratas” e “New York, New York”. O primeiro papel como ator foi em “Fame”, que estreou em 2012. Depois, ele esteve ainda em “A madrinha embriagada”, de Falabella, onde conheceu o autor.

— Um dia cheguei ao teatro, ele bateu no meu ombro e disse: “Escrevi um papel para você”. Eu fiquei embasbacado. Chocado. Ele começou a explicar como era o personagem. Naquela noite, eu já não dormi (risos). Minha mãe saiu pulando pela casa — lembra Rafael sobre o convite para viver Big.

A carreira de ator, ainda tão recente, ganhou de cara um desafio grande: a mudança brusca de veículo, do teatro para a TV.

— A preparação que fizemos com o Sergio Penna e a Camila Amado foi primordial para mim. O mais louco da TV é essa coisa de ser completamente diferente, é o avesso do teatro, é muito rápido. Às vezes a cena acaba e eu penso: “É isso? Já estava valendo?” (risos).

E, acima de tudo, Rafael sabe que ainda tem muito o que aprender quando o assunto é atuação. Mas acredita que a experiência na dança pode ajudar.

— Sempre digo que não engano ninguém. Assim como a dança amadurece, isso vem amadurecendo também. Não acredito que mudou uma chave dentro de mim de dançarino para ator, acho que tudo dentro da arte vai se encontrando. Atuar é um outro lugar, mas acho que o bailarino é um intérprete também. Só que o ator tem a questão verbal, a energia que você põe na sua fala, a composição física do personagem. Ainda estou virando essa chave, entendendo tudo isso. A cada episódio, a cada gravação, tudo vai melhorando.

Os próximos projetos de Rafael são do universo da dança: ainda este mês, ele e a namorada, também sua parceira, dão um curso de dança de salão na Bahia; em janeiro, ele ensina street jazz em São Paulo. Mas o ator e dançarino diz ter tomado gosto pela televisão. E, se depender dele, quer seguir nas telas.

— Adorei, o que mais quero é fazer de novo. Se não houver oportunidade, a gente cava.

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Com construções modernas, Angola se transforma sem abrir mão de suas tradições (webremix.info)


Na Angola, um encontro com as guerreiras de Kwanza-Norte, região da rainha Njinga

Jovem em tribo na Vila do Dondo, a 180 quilômetros de Luanda, em Angola - Divulgação

LUANDA - Este ano, o Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio, exibiu - pela primeira vez por aqui - o longa “Njinga, Rainha de Angola” (2013), do português Sérgio Graciano. A produção é angolana, e traz um pouco sobre a guerreira que lutou por décadas contra o colonialismo lusitano no século XVII.

A história deste símbolo da resistência começa em 1617, ano em que seu pai, o rei Kilwanji, morreu. Após presenciar, posteriormente, o assassinato do filho e a humilhação que o irmão sofreu diante dos colonizadores portugueses, Njinga resolveu lutar pela libertação do povo mbundu. Depois de quatro décadas de conflito, com o lema “quem ficar, luta até vencer”, ela conseguiu selar a paz com os portugueses, que a reconhecem como a rainha de Matamba e Ndongo. A partir daí o futuro das mulheres em Angola passou a ser contado de forma diferente.

Uma boa pedida, portanto, é trocar um fim de semana à beira-mar em Luanda por uma viagem ao território onde viveu Njinga. Na Província de Kwanza-Norte, na Vila do Dondo, a 180 km da capital, as tribos que não sucumbiram à dominação colonial europeia continuam a defender a região. Com a morte de tantos homens na guerra, que se estendeu até 2002, elas, as mulheres do Kwanza-Norte, se transformaram em verdadeiras guerreiras para obter o sustento da casa e não deixar a cultura daquele povo virar capítulo de livros de história.

Sob a égide da opressão sexual ditada pelo poder do “macho” africano por toda a Angola, as mulheres são as chefes de família, mas a grande maioria delas, por força do destino, está no Kwanza-Norte, onde Njinga fez-se respeitada pelos colonizadores. Por lá, elas plantam, colhem, vendem. Artesanato, música, literatura, teatro e dança. Tudo é rico nesta terra cortada pelo Rio Kwanza, o maior e mais abundante do país.

Pensar e ver as guerreiras em ação não seria tão estranho se não estivéssemos tratando de um continente onde as minorias - o que também inclui os gays - vivem sob custódia de leis sectaristas. Sem poder exercer o voto, por exemplo, as mulheres de Angola, mesmo as que ocupam cargos no Governo e nas grandes empresas, não têm, sequer, o direito à vaidade. Elas não podem fazer as unhas e depilar qualquer parte do corpo, o que, para nós, já é o bastante para achar tudo muito bizarro. Mas, vale ressaltar, Angola está a mil anos-luz à frente da maioria das nações africanas.

Longe das riquezas mineirais e petrolíferas do presente, as tribos de guerreiras do Dondo mantêm hábitos milenares do passado, como não cobrir os seios e falar as línguas nacionais (umbundum, kikongo e kumbundum), o que faz desta terra uma importante seara para ideais de um futuro libertário. Um processo de luta imposto, a ferro e fogo, por mulheres como a rainha Njinga, reconhecida pela Unesco uma das 25 figuras femininas mais importantes da história da África.

NA FEIRA DO DONDO, ARTESANATO E MESA FARTA

Em busca dos mitos que cercam a história da lendária Rainha Njinga Mbandi, chega-se à tradicional Feira do Dondo, onde elas, as guerreiras africanas do século XXI, ainda estão no comando.

Entre peças de decoração e artigos domésticos do artesanato local, encontramos uma mesa farta de sabores da África Austral. O peixe Cacuso é cozido à beira do rio e vem servido inteiro, acompanhado de feijão de óleo de palma (dendê), batata-doce, banana pão (da terra), farinha museque (mandioca) e molho de cebola.

É o carro-chefe da culinária e sucesso entre turistas do mundo todo. Para refrescar o paladar - levemente apimentado - a pedida é a cerveja Eka, à base de cereais da região.

Após a feira, dar um giro pela Vila do Dondo é uma volta ao passado imperdível. Do alto da Colina do Cambambe, as ruínas da Igreja N. S. do Rosário estão dentro de uma fortaleza de pedras do século XVII.

Parcialmente destruído pelas guerrilhas, a construção guarda relíquias da memória angolana, como santuários, altares e sacristia, tudo de origem portuguesa. À frente das ruínas, o olhar se perde diante do verde que quase encobre as curvas do Rio Kwanza, que parece não ter fim.

A província do Kwanza-Norte é um lugar sem kuduro ou qualquer outra prática cultural dos grandes centros angolanos. Por isso, inclua o roteiro em sua viagem, afinal são muitas as razões para encher de cor uma Angola esfumaçada por décadas de mortes e destruição. Vida longa à Rainha Njinga e às mulheres guerreiras do Dondo!

(webremix.info)


Em Angola, um encontro com as guerreiras de Kwanza-Norte, região da rainha Njinga

Jovem em tribo na Vila do Dondo, a 180 quilômetros de Luanda, em Angola - Divulgação

LUANDA - Este ano, o Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio, exibiu - pela primeira vez por aqui - o longa “Njinga, Rainha de Angola” (2013), do português Sérgio Graciano. A produção é angolana, e traz um pouco sobre a guerreira que lutou por décadas contra o colonialismo lusitano no século XVII.

A história deste símbolo da resistência começa em 1617, ano em que seu pai, o rei Kilwanji, morreu. Após presenciar, posteriormente, o assassinato do filho e a humilhação que o irmão sofreu diante dos colonizadores portugueses, Njinga resolveu lutar pela libertação do povo mbundu. Depois de quatro décadas de conflito, com o lema “quem ficar, luta até vencer”, ela conseguiu selar a paz com os portugueses, que a reconhecem como a rainha de Matamba e Ndongo. A partir daí o futuro das mulheres em Angola passou a ser contado de forma diferente.

Uma boa pedida, portanto, é trocar um fim de semana à beira-mar em Luanda por uma viagem ao território onde viveu Njinga. Na Província de Kwanza-Norte, na Vila do Dondo, a 180 km da capital, as tribos que não sucumbiram à dominação colonial europeia continuam a defender a região. Com a morte de tantos homens na guerra, que se estendeu até 2002, elas, as mulheres do Kwanza-Norte, se transformaram em verdadeiras guerreiras para obter o sustento da casa e não deixar a cultura daquele povo virar capítulo de livros de história.

Sob a égide da opressão sexual ditada pelo poder do “macho” africano por toda a Angola, as mulheres são as chefes de família, mas a grande maioria delas, por força do destino, está no Kwanza-Norte, onde Njinga fez-se respeitada pelos colonizadores. Por lá, elas plantam, colhem, vendem. Artesanato, música, literatura, teatro e dança. Tudo é rico nesta terra cortada pelo Rio Kwanza, o maior e mais abundante do país.

Pensar e ver as guerreiras em ação não seria tão estranho se não estivéssemos tratando de um continente onde as minorias - o que também inclui os gays - vivem sob custódia de leis sectaristas. Sem poder exercer o voto, por exemplo, as mulheres de Angola, mesmo as que ocupam cargos no Governo e nas grandes empresas, não têm, sequer, o direito à vaidade. Elas não podem fazer as unhas e depilar qualquer parte do corpo, o que, para nós, já é o bastante para achar tudo muito bizarro. Mas, vale ressaltar, Angola está a mil anos-luz à frente da maioria das nações africanas.

Longe das riquezas mineirais e petrolíferas do presente, as tribos de guerreiras do Dondo mantêm hábitos milenares do passado, como não cobrir os seios e falar as línguas nacionais (umbundum, kikongo e kumbundum), o que faz desta terra uma importante seara para ideais de um futuro libertário. Um processo de luta imposto, a ferro e fogo, por mulheres como a rainha Njinga, reconhecida pela Unesco uma das 25 figuras femininas mais importantes da história da África.

NA FEIRA DO DONDO, ARTESANATO E MESA FARTA

Em busca dos mitos que cercam a história da lendária Rainha Njinga Mbandi, chega-se à tradicional Feira do Dondo, onde elas, as guerreiras africanas do século XXI, ainda estão no comando.

Entre peças de decoração e artigos domésticos do artesanato local, encontramos uma mesa farta de sabores da África Austral. O peixe Cacuso é cozido à beira do rio e vem servido inteiro, acompanhado de feijão de óleo de palma (dendê), batata-doce, banana pão (da terra), farinha museque (mandioca) e molho de cebola.

É o carro-chefe da culinária e sucesso entre turistas do mundo todo. Para refrescar o paladar - levemente apimentado - a pedida é a cerveja Eka, à base de cereais da região.

Após a feira, dar um giro pela Vila do Dondo é uma volta ao passado imperdível. Do alto da Colina do Cambambe, as ruínas da Igreja N. S. do Rosário estão dentro de uma fortaleza de pedras do século XVII.

Parcialmente destruído pelas guerrilhas, a construção guarda relíquias da memória angolana, como santuários, altares e sacristia, tudo de origem portuguesa. À frente das ruínas, o olhar se perde diante do verde que quase encobre as curvas do Rio Kwanza, que parece não ter fim.

A província do Kwanza-Norte é um lugar sem kuduro ou qualquer outra prática cultural dos grandes centros angolanos. Por isso, inclua o roteiro em sua viagem, afinal são muitas as razões para encher de cor uma Angola esfumaçada por décadas de mortes e destruição. Vida longa à Rainha Njinga e às mulheres guerreiras do Dondo!

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Nos passos de Mandela: Cidade do Cabo e Porto Elizabeth têm paisagens, prisões e bons vinhos

CIDADE DO CABO — A Cidade do Cabo é parada fundamental para quem vai para a África do Sul — seja para seguir os passos de Nelson Mandela ou não. Tem montanha e mar; natureza e modernidade; sofisticação e simplicidade; forma e conteúdo. E infraestrutura.

Um passeio clássico é a visita a Robben Island, prisão onde viveu Mandela. O acesso é de barco e as saídas, agendadas com antecedência pelo site (robbenisland. org.za), acontecem do Victoria & Alfred Waterfront. Como nem sempre as condições do tempo são favoráveis à navegação, pode ser meio frustrante chegar lá e não conseguir embarcar. Mas o píer, repleto de lojas e bons restaurantes, é um dos principais pontos turísticos da cidade e vale a visita. Ali fica a Nobel Square, praça que reúne estátuas dos quatro sul-africanos vencedores do prêmio Nobel da Paz: Mandela, o ex-presidente FW de Klerk, o arcebispo Desmond Tutu e o líder Albert Luthuli.

Uma alternativa para dar uma espiadinha em Robben Island é optar por uma das vistas mais bonitas da África do Sul (e do mundo): a da Montanha da Mesa. A paisagem é encantadora. Chega-se ao topo de bondinho, como no Pão de Açúcar. As condições climáticas também podem influenciar o passeio. O bondinho não funciona com vento forte e uma névoa constante, conhecida como “toalha da mesa”, encobre a montanha. Escolha um dia claro para aproveitar a vista.

As ruas do Centro da Cidade do Cabo, capital legislativa da África do Sul e segunda maior cidade do país, oferecem um roteiro político. Em frente ao Castelo da Boa Esperança, um forte erguido pela Companhia Holandesa das Índias Orientais no século XVII, encontra-se o prédio da Prefeitura, que guarda a história local nas paredes. Foi de um de seus balcões que Mandela fez seu discurso de liberdade em 1990, logo após deixar a prisão. Em frente ao edifício há um mercado, que deu lugar a um mar de gente na ocasião. Visitas regulares guiadas pelo local podem ser agendadas pelo site capetown.travel.

Nas redondezas da Prefeitura fica o prédio do Parlamento da África do Sul, de 1884. Foi ali que o então presidente FW de Klerk anunciou a libertação de Mandela, em 2 de fevereiro de 1990. Quatro anos depois, o ativista passou a frequentar o local, já então como presidente do país. Perto do parlamento está a Fundação Mandela Rhodes, que fomenta a educação superior no país. Em 2004, Mandela emprestou seu nome à instituição, que já existia no local. O prédio, construído por Sir Hebert Baker no início do século XX, impressiona pela arquitetura.

Cerca de uma hora distante da Cidade do Cabo fica o Drakenstein Correctional Centre, onde Mandela passou seus 14 últimos meses de reclusão. A prisão rural ainda funciona e não é aberta ao público. Mas a cela ocupada por Mandela não teve nenhum outro prisioneiro desde a sua saída. Hoje é um memorial e recebe visitantes. Foi desta prisão que, finalmente, Mandela deu seus passos para a liberdade. Na realidade, a maior parte do trajeto foi feita de carro, já que uma multidão o aguardava do lado de fora. A cena entrou para a história e foi imortalizada. E há mais uma estátua do líder sul-africano na entrada da prisão.

Em Paarl, no caminho entre a Cidade do Cabo e a prisão de Drakenstein, fica o vinhedo Fairview Wine and Cheese. Uma bela desculpa para fazer uma degustação dos elogiados vinhos sul-africanos, e uma oportunidade para brindar a Mandela.

67 PASSOS EM PORTO ELIZABETH

Em Porto Elizabeth, cidade no litoral Sul da África do Sul banhada pelo Oceano Índico, a 770 quilômetros da Cidade do Cabo, uma imponente bandeira de seis metros do país (a segunda maior da África do Sul) marca a Rota 67. O roteiro criado pela Mandela Bay Development Agency’s (MBDA) tem 67 pontos representados por trabalhos ao ar livre de artistas locais, que fazem referência aos 67 anos de luta de Nelson Mandela pela libertação de seu país.

Mandela em tamanho natural na fila de votação - Divulgação/South Africa Tourism

Logo no começo do caminho estão os dois monumentos que mais saltam aos olhos — pela beleza e pelo significado. Na “Voting line” (número 44), é emocionante a reprodução de Mandela, em tamanho natural (1,83m), recortado em aço, seguido por uma fila de crianças, nas primeiras eleições democráticas do país, em 1994. A “Piazza Mosaic” (número 42) celebra, com um mosaico em cerâmica de 470 metros quadrados, a pluralidade cultural da África do Sul — uma das lutas de Mandela — e a fauna e a flora do país. Mais à frente, o “76 Youth" (número 33) representa a geração dos que lutaram contra a opressão.

O caminho convive bem com a história de Porto Elizabeth, que se rende ao novo sem esquecer as origens. É o caso da Opera House (peoperahouse.co. za), construída em 1862, que fica aos pés de uma longa e colorida escada de mosaicos. É a mais antiga em funcionamento na África do Sul, e também está sendo contemplada com um processo de restauração. A cidade, famosa também por esportes aquáticos em geral, foi uma das sedes da Copa do Mundo de 2010. O estádio Nelson Mandela Bay foi considerado um dos mais bonitos do Mundial.

DESCOBERTAS PELOS CAMINHOS MENOS CONHECIDOS DO PAÍS

Ao desviar das atrações mais badaladas de um roteiro inspirado em Nelson Mandela, o visitante tem a oportunidade de conhecer uma outra África do Sul. Alguns lugares parecem ter parado no tempo — você vai descobrir isso quando tiver que fazer uma desintoxicação forçada de internet. Para alcançá-los, é preciso disposição. Há pontos aos quais só é possível chegar depois de longas horas de estrada — algumas nem tão boas assim.

Antes de desistir, saiba que essas horas podem reservar surpresas como manadas de elefantes passeando livremente pertinho de você. Um guia é fundamental. Com a pessoa certa, aumentam as chances de conhecer amigos que Mandela fez ao longo da vida e de ouvir histórias que não estão nos livros. Algumas operadoras brasileira (como Designer, Taks e TGK), organizam esses roteiros.

CAPTURA. Depois de 17 meses na clandestinidade, Mandela foi capturado. Ele estava disfarçado de motorista, vestindo uma roupa branca de chofer, mas não adiantou. Seu rosto já era conhecido demais. Era o dia 5 de agosto de 1962. Para marcar os 50 anos da captura, em 2012, foi inaugurado no lugar exato o The Capture Site (thecapture site.co.za), um monumento com pequenas exposições temporárias e permanentes. Ponto fundamental da trajetória do líder e uma das homenagens mais importantes, o monumento fica praticamente no meio do nada, na estrada entre Durban e Johannesburgo. Cinquenta colunas de aço entre 6 metros e 9,5 metros de altura, alinhadas, vão formando, dependendo do ângulo e da distância, a imagem do rosto de Mandela.

ESCOLA. Nas primeiras eleições democráticas do país, em 7 de abril de 1994, Nelson Mandela votou na Ohlange Institution, escola onde estudou, ao norte de Durban. Mandla Nxmalo tinha 20 anos e estava lá no dia.

— Não tinha dormido direito e fiquei congelado. Ele me acalmou, e apertou a minha mão — lembra-se, emocionado. — O sol brilhava e as filas davam a volta na escola. Sabia que a partir daquele dia o país seria livre.

Hoje, aos 43 anos, Nxmalo é responsável pelo centro cultural do lugar, que continua funcionando como uma escola, com mais de 1.300 alunos. A urna permanece lá. A sala na qual Mandela estudou não resistiu ao tempo, mas seus limites são demarcados por estacas.

CASA. Em Qunu, próximo a Porto Elizabeth, fica a vila de aproximadamente 165 hectares onde nasceu Mandela. Ela abriga o Nelson Mandela Youth & Heritage Center. Aberto em 1990, pode não ter o maior nem o melhor acervo sobre a vida de Mandela, mas é um museu vivo. A casa onde ele morou continua lá com seus pertences. As outras casas do lugarejo ficam, em sua maior parte, de portas abertas. E alguns moradores gostam de receber visitas dos turistas.

Os que tiverem com sorte terão a chance de assistir a uma apresentação de dança do grupo do museu, conhecido por “Senhoras do Mandela”. De roupas típicas e rostos pintados, elas encantam pela simpatia pós-show. A apresentação é gratuita, mas é elegante dar uma gorjeta.

SEIS VEZES MANDELA

Rolihlahla. Nome de nascimento de Mandela dado por seu pai. Informalmente, significa “encrenqueiro”.

Madiba. É o nome do clã do qual era membro. É referente a seu ancestral.

Nelson. Recebeu esse nome em seu primeiro dia na escola. Era comum as crianças receberem nomes em inglês.

Dalibhunga. Ganhou esse nome aos 16 anos em um rito de passagem para a idade adulta. Tem como significado “mediador do diálogo”.

Tata. Representa a figura do pai, o que, de certa forma, era o papel dele para muitos na África do Sul.

Khulu. Pode significar “grande”, “magnífico”, mas também pode ser diminutivo de vovô.

Marcella Sobral viajou a convite do Turismo da África do Sul

ONDE FICAR:

NA CIDADE DO CABO

Mandela Rhodes Place: Diárias a partir de R$ 380. Wale Street. Tel. (27 21) 481-4000. mandelarhodesplace.co.za

The Westin Cape Town: Diárias a partir de R$ 915. O novo restaurante On 19 tem vista panorâmica da cidade. Lower Long Street. Tel. (27 21) 412-9999. westincapetown.com

PORTO ELIZABETH/QUNU

Dan’s Country Lodge: Rodovia N2 para Durban. Tel. (27 47) 532-7920. danscountrylodge.co.za

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Ebola faz a Beija-Flor alterar letra de seu samba-enredo

Selminha Sorriso, porta-bandeira da escola carioca Beija-Flor - Luis Alvarenga / Agência O Globo

RIO - Enquanto o Brasil ferve no bafafá eleitoral, a tribo dos bambas passou os últimos meses mergulhada em outra disputa, a da escolha dos sambas-enredo para o carnaval 2015. E o ebola mexeu com uma das composições. Tido como um dos melhores da safra, o hino da Beija-Flor precisou ser alterado depois de pronto, para evitar uma confusão ligada à terrível epidemia que assola parte da África e assusta o mundo.

O enredo da azul e branco de Nilópolis vai celebrar o continente a partir de um patrocínio do governo da Guiné Equatorial. O samba, assinado por impressionantes oito autores, resumiu o nome, tornando o país xará de um vizinho algo distante, atravessado pela doença apocalíptica.

Na primeira versão, as citações eram no refrão do meio da obra (“Um africano rei que não perdeu a fé/ Era meu irmão, filho da Guiné!”) e na segunda estrofe (“Dessa mistura vem o meu axé… Canta Brasil! Dança Guiné!”). A alteração foi na última, que passou a ser “Dessa mistura faço carnaval/ Canta Guiné Equatorial". Assim estará no CD oficial de 2015.

O pedido da mudança chegou à escola pela Embaixada da Guiné Equatorial. O patrocínio governamental — de valor não revelado, mas que a rádio corredor da folia estima aproximar-se dos R$ 10 milhões — tem como pretexto fomentar o turismo por lá. A confusão com a Guiné seria, assim, um gol contra. Os homônimos estão separados por outros sete países na costa atlântica da África, entre eles Costa do Marfim e Nigéria, livres da doença. Vale lembrar que existe ainda a Guiné-Bissau, também sem epidemia.

A Guiné Equatorial se divide num território continental e cinco ilhas e tem três línguas oficiais — espanhol, francês e português. Ex-colônia espanhola, tem o mesmo presidente desde 1979: Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, que assumiu o cargo após um golpe de Estado. O país tem perto de 700 mil habitantes e ocupa o 144º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano.

A Imperatriz Leopoldinense será outra grande do carnaval carioca a falar da África em 2015. No desfile da verde e branco de Ramos, o protagonista será Nelson Mandela.

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Caminhada de perder o fôlego pelas ladeiras históricas e bairros modernos de Bogotá

BOGOTÁ - É de perder o fôlego. Não só pela localização, em meio a Cordilheira dos Andes, a 2.640 metros de altitude. As agradáveis surpresas que Bogotá proporciona superam qualquer dificuldade que o viajante possa enfrentar com o ar rarefeito. Vale a pena respirar fundo e caminhar por calles e carreras organizadas em ordem numérica, o que facilita a localização até do turista mais distraído.

Perder-se? Só se for por parques e bairros que mesclam agitação, luxo, tradição e história na capital da Colômbia. E com casaco nas mãos, é bom alertar. A temperatura varia entre 10°C e 18°C conforme a época do ano, com noites sempre frias.

Na Zona Rosa, região moderna e rica de Bogotá, uma caminhada desestrutura o visitante desavisado que ainda imagine encontrar insegurança e caos numa capital por bastante tempo marcada por problemas com máfia e tráfico de drogas. A sensação ao andar por toda a cidade, inclusive, é de bastante tranquilidade. O policiamento está presente em todas as esquinas, com oficiais gentis e dispostos a dar informações. Ser revistado ao entrar em prédios públicos ou até em shoppings não é mais uma situação corriqueira.

Seja para onde o visitante for, haverá flores pelo caminho. As famosas rosas colombianas, que no Brasil custam uma fortuna, estão em barraquinhas de flores por todo canto da cidade, dando ainda mais charme a um lugar tão especial.

As flores também dão colorido vibrante a Medellín, cidade que se afastou do estigma do narcotráfico e hoje ganha destaque no World Travel Awards como destino de eventos de negócios e convenções na América do Sul. Medellín realiza todos os anos sua tradicional Feira das Flores, em agosto, já que a Colômbia figura entre os principais exportadores globais de flores.

NOITE ANIMADA E CICLOVIAS

Na área da Zona Rosa de Bogotá, são muitos os moradores que elegem a bicicleta como meio de transporte. As duas rodas ganham cada vez mais importância na cidade, com esportistas e executivos engravatados dividindo espaço nas ciclovias estruturadas (as de maior extensão da América Latina, com 340km). Nos fins de semana, várias vias são fechadas exclusivamente para ciclistas.

Em meio a ruas arborizadas e prédios de fachadas suntuosas — a maioria de tijolinhos em tons de terra — avista-se o museu e parque El Chicó. Aberto ao público em 1964, tem uma casa que guarda uma coleção particular de antiguidades e obras de arte. Mas seduz mesmo é pelo belo bem cuidado jardim, com árvores centenárias, pequenos lagos e um silêncio impactante em plena área urbana. É também nesse canto da capital, num trecho conhecido como Zona T, que os jovens se divertem e a noite ferve.

Bares e restaurantes se intercalam aos montes, representando cozinhas de todas as partes do mundo. Num ambiente moderno, com áreas denominadas céu, terra, purgatório e inferno, colombianos e estrangeiros fazem a festa. O Andrés Carne de Res é um parque de diversões para quem quer unir gastronomia e badalação. Com um menu que mais parece uma revista de tão extenso, garçons simpáticos e uma pista de dança animada, o lugar atrai casais, famílias comemorando aniversário com crianças e solteiros se soltando na salsa. Todo tipo de prato se prova ali, mas cortes especiais de carne estão entre os mais pedidos, assim como a tradicional arepa, iguaria típica que se assemelha à nossa tapioca, porém feita à base de farinha de milho. Para os colombianos, a arepa é uma paixão nacional. Está em todas as esquinas, com outras comidas de rua que você se sente tentado a experimentar. A banana frita é vendida fininha e crocante, lembrando a batata chips. Há ainda abacates e mangas verdes, servidos com sal. São onipresentes pelas esquinas do Centro e da Candelária.

Nesses pontos da cidade, é que se dá de cara com a tradição colombiana. Da Plaza de Bolívar, a principal da capital, avista-se a Igreja da Candelária, homônima ao bairro boêmio repleto de casinhas antigas e coloridas. Os dois museus mais disputados de Bogotá estão ali próximos, e têm visitação gratuita aos domingos. No Museu Botero, é possível contemplar mais de 120 obras do inconfundível artista plástico Fernando Botero, conhecido por suas criações gordinhas. Igualmente famoso, o Museu do Ouro tem expostas mais de 30 mil peças feitas no metal e destaca a importância do ouro para o desenvolvimento e a economia do país.

Mas preciosos mesmo são os passeios a céu aberto, vira e mexe interrompidos pela chuva fina que é marca da capital devido à sua geografia. Se os paulistanos brincam que em São Paulo as quatro estações se dão num dia, em Bogotá elas podem se dar em uma hora. Com proteção térmica e disposição para ir além, siga para o Cerro de Monserrate, o ponto mais alto da cidade. O acesso é por teleférico ou funicular. Lá em cima, fica a igreja do Senhor Caído e a vista mais surpreendente de Bogotá.

Para se deslocar pela cidade o táxi não pesa no bolso. Uma corrida entre aeroporto e hotel varia de 20 mil (R$ 25) a 25 mil pesos (R$ 30). Do outro lado da capital, a feira do bairro de Usaquén ainda não foi tomada por estrangeiros e é um agradável passeio para quem deseja comprar artesanato, lembranças e o produto que mais enche a população local de orgulho: café. Realizada aos domingos, tem ainda expositores com belos trabalhos em prata.

Se a prata e o ouro têm vez, espere para ver as esmeraldas. Na Colômbia, a pedra preciosa fica ao alcance das mãos a preços mais justos. Há joalherias por toda a cidade onde se pode comprar um anel por 80 mil pesos colombianos (em torno de R$ 100).

CATEDRAL DE LUZES EM MINA DE SAL

Uma das maiores joias turísticas colombianas fica nas vizinhanças de Bogotá. Na pequena Zipaquirá, a 53km da capital, uma mina de sal ainda em funcionamento guarda o que hoje é considerado uma das principais atrações do país: a Catedral de Sal.

A construção vai muito além de um templo religioso. É uma obra arquitetônica estonteante, com um jogo de luzes de impressionar e características tão peculiares que fazem da visita uma experiência única. O roteiro de 2km é uma via-crúcis por altares que desemboca numa enorme galeria com três grandes naves. À entrada, está a Virgem de Guasa (água e sal), padroeira dos mineiros. No percurso, que leva cerca de duas horas, contempla-se a Cruz Cardinal, o monumento de mineração, as fontes de água e a torre sineira.

A catedral fica aberta de terça-feira a domingo, das 9h às 16h30m. Aos domingos há missa, às 13h. Partindo de Bogotá, há ônibus do sistema de transporte público TransMilenio até o terminal Norte. De lá, há ônibus intermunicipal até Zipaquirá. A viagem dura 50 minutos até a praça central da cidade. São quatro quadras a pé até a catedral. Também dá para combinar com um taxista. Para levar a Zipaquirá, aguardar o passeio e retornar a Bogotá, o preço fica em torno de 200 mil pesos (R$ 250).

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Guy Darmet, um ‘porteiro’ para a dança brasileira

RIO — No dia 14 de setembro, algo como 350 mil moradores de Lyon sairão às ruas da cidade, no Sul da França, para assistir a uma parada, com cerca de 5 mil participantes, inspirada no desfile das escolas de samba cariocas. O “Défilé”, como é chamado, é um ponto alto da Bienal de Dança de Lyon, que chega à sua 16ª edição como um dos maiores e mais dinâmicos festivais internacionais da área. Por 26 anos diretor artístico do evento que ele mesmo criou, em 1984, o francês Guy Darmet trocou Lyon pelo Rio em 2012, mas não trocou de atividade. Ele, que nunca foi bailarino (apesar de o ter desejado, na infância), diz que a dança é a sua vida. E a vida, para ele, tem andado num ritmo agitado.

Na cobertura da Rua Barata Ribeiro, em Copacabana, iluminada pelo sol de fim da tarde e onde grandes telas compradas na feira hippie comprovam que seu olhar aguçado se amplia para outras áreas artísticas, ele confere as anotações feitas num caderno — o objetivo é não esquecer de citar nenhum empreendimento ao qual está ligado. Um cuidado que faz sentido, já que a lista é longa. Para começar, Darmet foi convidado pelo Grupo Corpo para ser uma espécie de embaixador no exterior.

— Embaixador é chique. Sou um porteiro. Sou apenas aquele que abre portas — diz ele, listando as futuras apresentações do Corpo, intermediadas por ele, em Washington e em Londres, além de duas turnês na França.

O mesmo trabalho está fazendo com outra companhia mineira, a Mimulus. Da São Paulo Companhia de Dança, ligada ao estado, ele é conselheiro artístico — e vai levá-la no primeiro semestre de 2016 a Lyon, para apresentações na Maison de la Danse, teatro que ele dirigiu por 31 anos. Dois outros grupos paulistas, privados, também o têm como consultor internacional: o Studio3 e a Cia Sociedade Masculina. Ele ajuda ainda, sem cobrar nada, dois pequenos grupos cariocas: a Focus Cia de Dança, de Alex Neoral, e a Cia Híbrida, de Renato Cruz, que estreia espetáculo em outubro no Espaço Sesc.

DE OLHO NA DANÇA DE RUA

Darmet foi ainda coordenador de dança da Plataforma Rio 2012, projeto da prefeitura do Rio de difusão internacional das artes cênicas produzidas na cidade, e já trabalha na curadoria do Rio H2K. Depois de quatro edições com oficinas, workshops e apresentações amadoras, o festival idealizado por Miguel Colker terá pela primeira vez, em junho de 2015, espetáculos profissionais, inclusive internacionais. Quando soube que Darmet se mudara para a cidade, Colker o convocou imediatamente para o projeto.

— O Guy tem um olho clínico para as coisas. Esse cara criou um dos maiores festivais de dança do mundo. E percebeu a importância do papel da dança urbana antes de todos os outros festivais, em todos os lugares. É um olhar de aceitação: é da rua, mas pode ser levada ao teatro.

Darmet se entusiasma com o projeto.

— Hoje o hip-hop é uma linguagem, é possível contar histórias com ela. Não são apenas grupos de demonstração. A ideia é ter espetáculos na Zona Sul, na Zona Oeste e, se tudo der certo, fazer a abertura no Teatro Municipal. Significa que a dança de rua vai entrar no lugar mais prestigioso do Rio. Exatamente o que fiz na França há 20 anos atrás.

A dança de rua é particularmente cara a Darmet, que, quando diretor artístico da Bienal, levou a Lyon grupos como a então embrionária Companhia Urbana de Dança (em 2006), dirigida por Sonia Destri, e, em 2010, o espetáculo “Partida”, do Projeto Social Centro de Movimento Deborah Colker, dirigido por Miguel Colker. A conexão com o país foi iniciada em 1983, quando, preparando a Bienal de 1994, “Mamma Africa”, veio aqui pela primeira vez. Naquele ano, convidou o Grupo Corpo e o Balé Folclórico da Bahia para irem a Lyon, e tomou duas decisões. A primeira, promover em 1996 uma bienal brasileira, “Aquarela do Brasil”. A segunda: mudar para o Rio quando se aposentasse:

— Estou trabalhando aqui porque amo a cidade e porque a dança aqui não tem o lugar que merece. Quero que as pessoas amem a dança como eu amo.

Nascido em Lyon em 1947, de um pai comerciante de tecidos — a cidade, parte da antiga Rota da Seda, tem tradição em tecelagem — e de uma dona de casa, Guy lembra que a primeira vez em que viu um espetáculo de dança foi no anfiteatro romano da cidade, quando os pais o levaram para assistir à companhia do Marquês de Cuevas. Encantado, decidiu que seria bailarino. Conta a lenda — já que ele não se lembra — que a mãe teria lhe dado um tapa, sufocando o sonho infantil. O novo encontro com a dança aconteceria na juventude, aos 16, 17 anos (“eu era muito bom em rock’n’roll, todas as meninas queriam dançar comigo”, lembra-se).

INÍCIO COMO CRÍTICO DE CINEMA

E, finalmente, passou a escrever sobre cinema e dança na revista da Faculdade de Direito de Lyon, onde se formou e ganhou fama com os bailes que organizava. Era o Bal du Droit, mas ficaria conhecido como o Bal du Guy, e que ele identifica como o início de sua carreira como promotor de eventos.

— Foi minha aproximação com o espetáculo — lembra Darmet.

O envolvimento com o cinema fez ele começar a escrever críticas de filmes para uma revista regional, a “Lyon Magazine”, e a frequentar o Festival de Cannes.

— Cobrindo o festival por seis anos aprendi como se fazia um grande festival. Meu sonho era fazer um evento assim para a dança. Por que não?

Foi assim que, em 1983, quando a prefeitura de Lyon anunciou dispor de um pequeno orçamento, Darmet propôs seu festival. Dos mestres da dança do primeiro ano, como Martha Graham e Merce Cunnigham, o festival passou a ter uma programação diversificada.

Hoje, circulando entre os dois países, ele ramifica sua atuação para áreas além-dança. Como consultor artístico do projeto Lille 3000, mediou a contratação do carnavalesco Fábio Ricardo, da Grande Rio, para decorar uma rambla de 300 metros que será construída na cidade do Norte da França, com restos de material de desfiles de escolas de samba, um total de nove contêineres. A inauguração será em setembro de 2015.

E, para ficar no assunto carnaval: no dia 7 de setembro, Darmet parte para Lyon, onde, a partir do dia 9, acompanhará a 16ª Bienal que criou, hoje dirigida pela coreógrafa Dominique Hervieu. No desfile do dia 14, o décimo desde sua introdução por este francês “tombé amoureux du Brésil” (uma das poucas frases em francês que pronunciou), ele estará no alto de um carro, vestido de Rei Momo, à moda lionesa. Homenagem justa a um produtor cultural soberano ao promover a dança brasileira.

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Conflitos humanos marcam a cena em Edimburgo (webremix.info)


Espetáculo‘Cabaré Dulcina’ chega ao Teatro Popular, em Niterói

Rio Antigo. Com atores e banda no palco, peça se passa no berço do samba - Divulgação/ Marcus Gullo

NITERÓI - Alguns quilômetros separam o Centro de Niterói da Praça Onze, no Rio. Mas, neste fim de semana, esta distância se reduzirá ao espaço entre uma plateia e um palco. O Teatro Popular Oscar Niemeyer recebe de hoje a domingo o espetáculo “Cabaré Dulcina”, dirigido por Vilma Melo e Édio Nunes. O musical remonta a região carioca entre o final do século XIX e início do XX. De acordo com o idealizador da peça, o ator e dramaturgo Antonio Pedro Borges, o lugar tem grande valor histórico e cultural.

— Aquela região, hoje cortada pela Avenida Presidente Vargas, era chamada de pequena África. Ali surgiram o samba e a primeira favela da cidade, o Morro da Providência — conta Borges, que criou o espetáculo em 2010, quando dirigia o Centro de Artes Calouste Gulbenkian, localizado na região.

Diferente de muitos musicais em cartaz, ‘Cabaré Dulcina’ tem, em grande parte de seu repertório, canções inéditas. Para o diretor musical do espetáculo, Gabriel Moura, este talvez seja um dos fatores que o tenha feito vencer o Prêmio Shell de Teatro 2013, na categoria Música:

— O público gosta de ver coisas novas. Fazer canções inéditas tem sido o diferencial do meu trabalho. Além disso, acredito que o prêmio se deve à história, que é muito interessante desconhecida por muita gente.

Personagens emblemáticos da época, como João Cândido, que liderou a Revolta da Chibata, e Tia Ciata, cuja casa foi um dos berços do samba, ganham números musicais. A Revolta da Vacina e o Bota Abaixo, como foi chamado o processo de demolição de casas pobres para reformas na região central do Rio, também são retratados.

O espetáculo lotou as casas por onde passou. Os organizadores esperam o mesmo sucesso neste fim de semana.

— O público levanta, dança. Espero que aconteça o mesmo em Niterói — torce Moura.

SERVIÇO

O espetáculo “Cabaré Dulcina” faz apresentações hoje, amanhã e domingo, às 20h. O Teatro Popular Oscar Niemeyer fica na rua Jornalista Rogério Coelho Neto s/nº, Centro. Ingressos: R$ 20. Classificação: 14 anos. Para mais informações: 2620-4806.

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Arquiteto do movimento

Coreógrafo do Balé Folclórico da Bahia e do Bando de Teatro Olodum, Zebrinha planeja fundar a primeira companhia de dança contemporânea do Benim, na África As 80 mulheres que se reuniram num pequeno teatro no centro de Kigali, capital de Ruanda, em 2011, exibiram as cicatrizes do massacre que vitimou cerca de 800 mil pessoas no país (um genocídio perpetrado por extremistas étnicos hutus, há 20 anos) com a disposição de quem reconhece, no outro, um ouvinte. (webremix.info)


Vizinha mais charmosa de Cancún, Playa del Carmen combina compras e belas praias no México (webremix.info)


Vida de empreguete: Gisele Alves vai de Zuleika a Zuleika em ‘Flor do Caribe’ e ‘Em família’

Gisele Alves, atriz da novela "Em família" - Divulgação/ Marcelo Correa

RIO - Empregada e parceira de confiança de Branca (Angela Vieira), a Zuleika de “Em família” atua quase como uma cúmplice nas tramoias da madame. Para a atriz Gisele Alves, o processo de criação da personagem, ainda que seja pequena, foi dureza. É que pouco antes, em “Flor do Caribe” (2013), sua estreia em novelas, ela já havia interpretado uma empregada. Que também se chamava Zuleika.

— O nosso trabalho é dar uma personalidade diferente a cada personagem, mas é ainda mais difícil quando se tem as mesmas ferramentas. As duas são empregadas, trabalham em casa de família rica, têm o mesmo cabelo, uniforme... Tive que ir buscar nas coisas mínimas. No começo enlouqueci, mas depois relaxei porque estava tão preocupada em fazer diferente que não focava no presente — explica.

Gisele começou a carreira com o balé, e entrou no teatro porque “bailarina tem vida curta, o corpo não aguenta”. Acabou se encantando também.

— Faço canto, dança, toco piano... No Brasil a gente tem essa mentalidade que só pode fazer uma coisa. Em Nova York as pessoas fazem tudo e isso é superválido — opina Gisele, que tem vontade de estrelar um musical: — É um sonho. É o que junta tudo.

E Gisele ainda fez faculdade de Jornalismo e já teve até uma longa experiência no ramo: ela foi repórter do “TV Fama”, da Rede TV!, durante três anos. A atriz garante que passou a se considerar uma atriz melhor depois desta experiência profissional:

— Quando você entrevista alguém, nunca sabe o que vem de resposta. É preciso ter raciocínio rápido e isso ajuda na atuação.

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Filme mostra o caminho do time da Samoa Americana em busca de vaga na Copa

LONDRES — A seleção da Samoa Americana, arquipélago da Polinésia que pertence aos EUA, não se classificou para a Copa do Mundo de 2014 e ocupa apenas a posição número 198 do ranking da Fifa, entre 207 possíveis. Durante 10 anos, eles foram os últimos colocados. Em 2001, eles sofreram a pior derrota do futebol internacional, ao perder de 31 a 0 para a Austrália. Espécie de Íbis do futebol mundial, a equipe teve registrada sua campanha para o torneio no Brasil no documentário "Next goal wins". Ainda sem título oficial em português - os produtores ainda buscam distribuidora por aqui -, seria algo como "O próximo gol é uma vitória", coerente para quem balançou a rede apenas duas vezes em um intervalo de 17 anos.

— O documentário surgiu com o único propósito de registrar o espírito que motivava esses jogadores a retornar para um segundo tempo apesar de estarem perdendo por 16 a 0 — conta ao GLOBO um dos dois diretores do filme, o cineasta britânico Steve Jamison (leia entrevista), que viu sua obra ganhar quatro estrelas em revistas de cinema como "Empire" e "Total Film" e no jornal "The Guardian".

O primeiro trecho do filme mostra os esforços da equipe nos Jogos do Pacífico, destinados aos países situados ao sul daquele oceano. No final da competição, cinco derrotas em cinco partidas, 26 gols sofridos e nenhum marcado.

— Em uma partida, contra as Ilhas Salomão, eles celebraram com uma haka (dança típica reproduzida por jogadores de rugby da Nova Zelândia) no intervalo, pois haviam passado o primeiro tempo sem levar um gol. Como disse um dos jogadores aquele dia: "Você precisa celebrar as coisas pequenas da vida, é o que a torna ótima!" — conta o diretor, que assina o filme com Mike Brett.

A confederação local então buscou auxílio na Federação de Futebol dos Estados Unidos. Com isso, em 2011 é enviado para comandar a equipe o técnico alemão e linha-dura Thomas Rongen, com a missão de evitar um vexame nas eliminatórias para a Copa no Brasil. Dentre os destaques do time estão o goleiro, Nicky Salapu, o mesmo da derrota para a Austrália, e Jaiyah Saelua, dançarina transgênero que atua como zagueiro nas horas vagas.

— Ela fez história como a primeira transgênero a disputar uma partida oficial da Fifa. Em Samoa, é respeitada como um jogador do time, independentemente de seu gênero ou de sua opção sexual. Clubes profissionais precisam entender e celebrar histórias como a de Jaiyah, caso eles queiram criar um ambiente que não discrimine seus atletas.

Em seguida à chegada do novo técnico, é iniciada a preparação em busca de uma missão inédita: ficar em primeiro em um quadrangular contra as seleções de Tonga, das Ilhas Cook e da arquirrival Samoa. O primeiro colocado disputaria com a Nova Zelândia o direito de participar da repescagem contra a seleção de pior campanha da Concacaf (Confederação das Américas Central e do Norte e Caribe), o México.

Apesar de a ausência da Samoa Americana na Copa revelar o desfecho da campanha, o longa deverá fazer muita gente torcer pela equipe ao longo dos 97 minutos da produção. "O filme me fez comemorar um gol de futebol pela primeira vez na minha vida", afirmou o jornalista Mark Kermode em crítica publicada no jornal inglês "The Observer".

‘QUERÍAMOS ACHAR A FORMA MAIS PURA DE FUTEBOL’

Diretor britânico diz esperar que documentário ajude a seleção do arquipélago a ter uma torcida maior nas eliminatórias para 2018

Como surgiu a ideia?

Como fãs de futebol, sabíamos da derrota história da Samoa Americana para a Austrália por 31 a 0, em 2001. Mas essa história só ganhou nossa atenção em 2011, quando passamos a discutir sobre onde podíamos encontrar a forma mais pura de futebol. O nosso produtor nos lembrou do time de Samoa Americana. Apesar de perderem todos os jogos, eles deviam amar o jogo mais do que qualquer outro.

Por quanto tempo vocês acompanharam a equipe?

Encontramos o time pela primeira vez em agosto de 2011, enquanto eles treinavam para os Jogos do Pacífico Sul, as primeiras partidas oficiais deles em quatro anos. Muitas ilhas do Pacífico são tão remotas que fica muito caro para os times viajarem para competições internacionais, por isso a evidente falta de prática. Vimos eles perderem cinco jogos em seguida, levando 26 gols. Gastamos dois anos editando mais de 300 horas de filmagens. É incrível termos escolhido filmar os seis meses mais empolgantes da história do time.

Como os jogadores reagiam à presença de vocês?

Uma das coisas mais belas da Samoa Americana é que eles estão isolados das várias camadas de mídia a que temos acesso no Reino Unido. A consequência disso é que os jogadores não pareciam conscientes da nossa presença, pois eles não eram influenciados pelo tipo de registro que queríamos fazer. Tomamos cuidado para não mostrar para eles o que registrávamos, para manter essa mágica.

E o que o novo técnico disse ao saber que o trabalho dele seria filmado?

Quando o Thomas (Rongen) chegou, ficamos com medo de ele proibir as filmagens. Felizmente para nós, ele não pensava dessa forma. Em vez de nos ver como uma distração, ele nos interpretou como um fator motivacional para o time. Caso eles fizessem algo histórico, nós estaríamos lá para capturar o momento.

A goleada para a Austrália ainda os assombrava?

Quase todos os jogadores eram muito novos para lembrar da partida, mas sem dúvida era uma história conhecida na ilha e a experiência havia sido dolorosa para o (goleiro) Nicky, o único atleta presente naquele dia ainda em atividade. Não conhecemos ninguém que ame futebol como o Nicky, o homem que mais vezes foi ao fundo do próprio gol buscar uma bola na história.

Você continua acompanhando a seleção?

Por ser muito caro sair da ilha, o time não voltou a jogar após 2011. Mas eles pretendem investir em treinamento para tentar chegar à próxima Copa. Para as últimas seleções no ranking da Fifa, as eliminatórias começam três anos antes do próximo torneio. A qualificação para a Copa da Rússia já começa logo ao fim do campeonato no Brasil. Espero que desta vez eles tenham uma torcida maior acompanhando seus esforços.

(webremix.info)


Confira a programação da Casa O GLOBO

RIO - A Casa O GLOBO é aberta ao público e faz parte da programação do Parque da Bola, um festival montado em 20 mil metros quadrados dentro do Jockey Club, que funciona diariamente das 12h30m às 21h30m, até 13 de julho. Os ingressos para o Parque custam R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada). Sócios do Clube Sou+Rio podem trocar suas vantagens por ingressos. Saiba mais em clubesoumaisrio.com.br.

A Casa possui salas com projeções de vídeo e jogos interativos, mais lounge, auditório com capacidade para 80 pessoas, além de uma área vip com terraço.

Confira a programação do auditório:

Quinta – 12/6 (Estreia do Brasil - Casa aberta ao público, sem programação no auditório)

Sexta – 13/6 (Casa aberta ao público, mas o auditório estará fechado)

Sábado – 14/6

14h às 18h30: Colônia de férias Deborah Colker. O espaço se transforma em uma miniescolinha de artes, que mistura dança, música, literatura, artes plásticas, teatro, culinária e circo.

Domingo – 15/6

14h às 17h: Campeonato de futebol de mesa, modalidade dadinhos

19h às 21h30: Cineclube Cinefoot. Evento vai exibir cinco curtas: "O primeiro João", sobre Garrincha; "Gaúchos canarinhos"; "Partida internacional"; "El otro superclasico"; "Mauro Shampoo - jogador, cabeleireiro e homem". Em seguida, haverá bate-papo sobre os filmes comAntônio Leal (Diretor do Cinefoot)

Segunda – 16/6 (Casa aberta ao público, mas o auditório estará fechado)

Terça – 17/6 (Jogo do Brasil – Casa aberta ao público, sem programação no auditório)

Quarta – 18/6

Programação ainda não está fechada

Quinta – 19/6

15h às 17h30: Mesa-redonda com fotógrafos que já cobriram Copas do Mundo, como Orlando Abrunhosa e Sebastião Marinho. Custódio Coimbra, do Globo, será o mediador

19h: Show do grupo Bom Gosto

Sexta – 20/6

15h às 17h: Moda e futebol batem um bolão!, Exibição do documentário sobre a criação do primeiro uniforme verde e amarelo da seleção brasileira, seguida de bate-papo com a consultora de moda Paula Acioli

20h às 21h30: Exibição da série "Seleção Brasileira - Paixão de um povo", que mostra como nasceu a ideia da seleção brasileira, a conquista do tri no México. E a primeira Copa conquistada pelo Brasil, em 1958, na Suécia. Depois, haverá bate-papo com Luiz Carlos Barreto e Paula Barreto

Sábado – 21/6

14h às 18h30: Colônia de férias Deborah Colker. O espaço se transforma em uma miniescolinha de artes, que mistura dança, música, literatura, artes plásticas, teatro, culinária e circo.

19h às 21h30: Bar da Eva e Canal 100, com a exibição de filme sobre o Botafogo dos anos 60

Domingo – 22/6

15h às 16h: Azeite, uma paixão nacional. Alexandra Prado Coelho, crítica de Gastronomia do jornal Público, de Portugal, bate papo com o azeitólogo Marcelo Scofano. Em seguida, haverá degustação

19h: Exibição do filme "Fla-Flu, 40 minutos antes do nada", seguida de bate-papo com o diretor Renato Terra e Luiz Antônio Riff

Segunda – 23/6 (Jogo do Brasil – Casa aberta ao público, sem programação no auditório)

Terça – 24/6

20h e 21h: Peça "Samba Futebol Clube" em versão pocket

Quarta – 25/6

Ainda sem programação

Quinta – 26/6 (Casa aberta ao público, mas o auditório estará fechado)

Sexta – 27/6

Ainda sem programação

Sábado - 28/6 (possível jogo do Brasil - programação a confirmar)

14h às 18h30: Colônia de férias Deborah Colker. O espaço se transforma em uma miniescolinha de artes, que mistura dança, música, literatura, artes plásticas, teatro, culinária e circo.

Domingo – 29/6 (possível jogo do Brasil - programação a confirmar)

Segunda – 30/6

19h: Ricardo Leite, Crama

Terça – 1/7

14h às 16h: Lançamento do livro sobre Nilton Santos, e bate-papo com o editor Guilherme Zacone e a jornalista Sandra Moreyra

19h às 20h30: Mesa-redonda com João Máximo, Ruy Castro e Mário Magalhães, que vão falar sobre 'causos' do futebol, como a água 'batizada' oferecida por jogadores argentinos que Branco bebeu e ficou zonzo, na Copa de 1990.

Quarta – 2/7 ( Parque da Bola fechado)

Quinta – 3/7

12h30 às 16h30: Tarde Zico 10, com o lançamento da campanha #jogobonito

16h30 às 18h: Zico convida, um bate-papo entre o Galinho e o jornalista Sérgio Du Bocage

19h às 21h30: Grandes campanhas publicitárias, bate-papo com Luis Cláudio Salvestroni (Agência3) e Sérgio Gordilho (Agência África)

Sexta – 4/7 (possível jogo do Brasil - programação a confirmar)

Sábado – 5/7 (possível jogo do Brasil - programação a confirmar)

14h às 18h30: Colônia de férias Deborah Colker. O espaço se transforma em uma miniescolinha de artes, que mistura dança, música, literatura, artes plásticas, teatro, culinária e circo.

Domingo – 6/7

13h às 14h: Workshop com o cartunista Claudio Duarte

15h às 18h: Campeonato de futebol de mesa, modalidade bola

19h às 21h30: Bar da Eva e Canal 100 exibem o Flamengo da Era Zico

Segunda – 7/7 (Parque da Bola fechado)

Terça – 8/7 (possível jogo do Brasil - programação a confirmar)

Quarta – 9/7 (possível jogo do Brasil - programação a confirmar)

Quinta – 10/7

19h às 21h30: Bar da Eva e Canal 100 exibem o Vasco de Dinamite

Sexta – 11/7

19h às 21h30: Bar da Eva e Canal 100 exibem a Máquina Tricolor

Sábado – 12/7 (possível jogo do Brasil - programação a confirmar)

Domingo – 13/7 (possível jogo do Brasil - programação a confirmar)

(webremix.info)


Morre a poeta americana Maya Angelou, aos 86 anos

NOVA YORK — Maya Angelou, poeta, ativista política e memorialista norte-americana, morreu aos 86 anos nesta quarta-feira, em sua casa na cidade de Winston-Salem, na Carolina do Norte. Marguerite Ann Johnson, que recebeu o apelido Maya de seu irmão, nasceu em Saint Louis, no Missouri, em 1928. Ela se destacou nos anos 1960 durante o movimento pelos direitos civis, ajudando a mudar a sociedade segregada na qual cresceu.

Angelou lançou em 1969 o livro “Eu sei por que o pássaro canta na gaiola”, que descreve de forma lírica sua difícil infância no sul dos EUA, passada no estado de Arkansas. A obra, que tenta desvendar o enigma do ódio racial no país, se tornou uma das primeiras autobiografias escritas por uma mulher negra americana a alcançar o grande público.

Conhecida por suas memórias, que chegaram a ocupar seis volumes, Angelou recebeu do presidente Barack Obama a Medalha Presidencial da Liberdade há três anos. Sua maior exposição pública ocorreu em janeiro de 1993, quando leu seu poema "On the pulse of morning" durante a cerimônia de posse de Bill Clinton, 42º presidente dos EUA, que também cresceu numa zona rural pobre do estado de Arkansas.

A polivalente escritora estudou e ensinou dança em excursões pela Europa e pela África, produziu e estrelou espetáculos na Broadway, escreveu para jornais na África e produziu um seriado para a televisão sobre a negritude na sociedade americana. Em 1964, ajudou Malcom X a estabelecer a Organização de Unidade Afro-americana. Na mesma década, a pedido de Martin Luther King Jr., coordenou a Conferência de Liderança Cristã no Sul.

Seu trabalho também teve influência no cinema e na música. John Singleton usou seus poemas em "Poetic justice" (1993), filme no qual Angelou atuou ao lado de Janet Jackson e Tupac. No ano seguinte, Ben Harper adaptou um de seus poemas na canção "I'll rise", de seu álbum de estreia "Welcome to the cruel world".

A causa da morte ainda não foi determinada, mas sua agente literária, Helen Brann, disse que Angelou estava com a saúde frágil há algum tempo e sofria de problemas cardíacos.

(webremix.info)


Percussionista de Niterói vai participar de festival no Canadá

NITERÓI — O mundo vai poder conhecer melhor os ritmos e a ginga brasileira. O percussionista Gabriel Policarpo, criado na Unidos do Viradouro e discípulo do Mestre Ciça, foi convidado para participar, em agosto, do Folklorama, festival de música, dança e culinária, realizado no Canadá. O convite se estendeu a mais dez participantes da Orquestra de Ritmos, idealizada por Policarpo e composta por alunos formados pelo projeto Batuquebato.

A Orquestra de Ritmos surgiu em 2013, quando o músico percebeu o talento e a dedicação de alguns alunos do Batuquebato. Policarpo desenvolveu um método de ensino próprio. O “bossa de mão” combina teoria e técnica musical a fim de possibilitar improvisações dos participantes, que tocam surdos, chocalhos, tamborins, repique e outros instrumentos típicos de escola de samba. Segundo ele, a técnica de ensino não é engessada, o que possibilita a percepção das aptidões de cada um. No Canadá, a produção do festival já recebeu um material didático para que as pessoas inscritas comecem a estudar.

— Essa é uma orquestra contemporânea. Ela causa impactos por onde passa, principalmente, por causa da mistura de ritmos, da elaboração dos arranjos e, claro, do talento dos músicos — diz Policarpo.

Eles não tocam só marchinhas de carnaval. É grande influência de diferentes ritmos brasileiros, como afoxé, baião, frevo, além de composições próprias. As apresentações da Orquestra de Ritmos ganham intervenções de música eletrônica e projeções de imagens que se relacionam com os sons.

— Mudei meu horário de trabalho só para frequentar as aulas. Nem acreditei quando fui convidada para ir ao Canadá pela Orquestra de Ritmos — conta Marina Eboli, que toca chocalho.

Dos cerca de 80 alunos, quase metade é de Niterói. Mas até uruguaio, que toca conga, participa das aulas. O baiano, Boka Reis, está no Rio há dois anos e depois que participou de sua primeira aula no Batuquebato nunca deixou o grupo.

— O Gabriel é muito sincero com a música, ele se entrega e aí todos os resultados aparecem – disse Boka, que toca timbau e vai ficar como um dos responsáveis pelo Batuquebato enquanto o grupo estiver viajando.

O Canadá não é a única viagem internacional de Policarpo. Junto com Bernardo Aguiar, ele formou o Pandeiro Repique Duo e levou os ritmos brasileiro à países na África, América do Sul e Europa. Os dois gravaram o primeiro álbum de 2012 com a participação de grandes nomes do cenário musical brasileiro, como Yamandú Costa, Nicolas Krassik e Carlos Malta.

(webremix.info)


Exposição no MAR reúne Le Corbusier a Josephine Baker

RIO - Existem fatos que parecem ficção. Foi isso que pensou o curador Inti Guerrero ao tomar conhecimento do encontro, no Rio de Janeiro de fim dos anos 1920, de duas personalidades da arte e da cultura da época: a dançarina americana Josephine Baker (1906-1975) e o arquiteto suíço Le Corbusier (1887-1965). Nomes de vanguarda em suas áreas de atuação, Josephine e Le Corbusier eram ambos radicados na França, mas foi preciso atravessar um oceano, em navios distintos, para se conhecerem e, de certa forma, demonstrar que fatos que parecem ficção também dão boas ideias para exposições. Como “Josephine Baker e Le Corbusier no Rio: Um caso transatlântico”, com curadoria dos colombianos Guerrero e Carlos Maria Romero, em cartaz até o dia 17 de agosto no Museu de Arte do Rio — MAR.

A ideia era confrontar o pensamento do fundador da arquitetura moderna com o estilo libertário da dançarina, cantora e atriz, que rompeu padrões de comportamento na época, e, a partir daí, discutir gênero, raça e formalidade nas artes. Para isso, os curadores tentaram fugir de qualquer recorte histórico ou biográfico para, em vez disso, focar no simbólico, naquilo que pode ser ampliado para um debate maior.

— Tenho tentado me interessar por projetos do passado, curiosos ou não tão conhecidos, para a partir deles provocar um entendimento sobre questões da contemporaneidade — diz Guerrero.

Os curadores se debruçaram sobre as teses de Le Corbusier a respeito da funcionalidade dos navios e na comparação entre o desenho das embarcações e o das unidades residenciais urbanas — que, para ele, deveriam ser igualmente funcionais.

— A presença do navio é muito importante na exposição, e se repete bastante. Mesmo porque essas duas personalidades se conhecem no Brasil, mas também têm uma paquera real num navio transatlântico (eles voltam à Europa na mesma embarcação, o Lutetia; uma foto, na exposição, mostra os dois à mesma mesa, num baile à fantasia, no qual foram premiados por suas vestimentas de palhaço).

O visitante que chega à mostra é recebido pela instalação “Enigmas de uma noite com Midnight daydreams” (da série Dream Stations), da artista paulistana Ana Maria Tavares. No fundo da sala, telas que ocupam a parede exibem vídeos com imagens feitas em trajetos de navios transatlânticos como aqueles nos quais Josephine e Le Corbusier viajaram; e, espalhadas pela sala, poltronas semelhantes às de avião fazem uma ponte entre o arquétipo do transporte tecnológico do começo do século XX, representado pelos modernos transatlânticos, e a tecnologia do presente. Nessa primeira sala, ainda, há documentos, fotos, registros da passagem dos dois por aqui, desenhos de Le Corbusier para palestras proferidas na cidade, recortes de jornais, um cardápio personalizado de jantar em homenagem a Josephine, entre muitas peças garimpadas em instituições como a Fundação Le Corbusier, em Paris.

Americano Trajar Harrel faz performance neste sábado

Na segunda sala, numa espécie de teatro de arena, acontecem as performances, um dos destaques da mostra. A série foi aberta com o sul-africano Steven Cohen, que fez uma versão do trabalho “Chandelier”, realizado originariamente em Johannesburgo, no fim dos anos 1990, num bairro da periferia em processo de reforma urbana e gentrificação.

— Cohen se vestiu com um candelabro para percorrer as ruas, imprimindo, num local que era uma favela, um contraste com a ideia do maravilhoso, de uma aparente elegância, do higienizado. Revelou, assim, as tensões desta nova imposição estética, como uma espécie de metáfora para o que seria o futuro nesse local, com uma nova ordem arquitetônica — conta Guerrero.

No MAR, o dançarino vestiu a mesma roupa, ligada à eletricidade, e foi erguido por uma grua, enquanto as luzes da sala se apagavam e um vídeo projetado sobre a parede exibia a sua performance na África do Sul. Hoje, o espaço será ocupado, às 16h, com nova performance, do americano Trajal Harrel. Harrel parte de uma pergunta: o que teria acontecido nos anos 1960 se os dançarinos do voguing — dança surgida no Harlem — houvessem se encontrado com os bailarinos da chamada dança pós-moderna, que tinha na Judson Church, também em Manhattan, uma espécie de templo de suas apresentações? A performance “Twenty looks or Paris is burning at the Judson Church (S)” parte dessa questão, que confronta raças e culturas. Ainda neste mês, no dia 22, às 15h, será a vez da carioca Marcela Levi, e, em 10 de agosto, no mesmo horário, da cabo-verdiana Marlene Monteiro Freitas.

A dualidade abordada pelas performances está no cerne da mostra, mas não como oposição, observa Guerrero:

— Achamos que é mais uma situação neurótica, em que essas duas personalidades convivem e se nutrem uma da outra. Talvez o comportamento humano se encontre sempre nessa dualidade, entre o ordenamento do corpo social e do espaço urbano, e um dia a dia também, catártico, numa combinação do irracional com o racional.

Essa se reflete nas obras selecionadas de artistas contemporâneos como o brasileiro Matheus Rocha Pitta, o italiano Patrizio di Massimo e a francesa Lili Reynaud Dewar. A exposição tem ainda duas submostras: uma sobre Mario Montez, icônico personagem de cineastas e artistas como Jack Smith, Andy Warhol e Hélio Oiticica, com curadoria de Conrad Ventur. E, ainda, “Movimento de arte pornô”, organizada por Fernanda Nogueira, que retrata as iniciativas da Gang do Pornô, em Ipanema, nos anos 1980, remetendo à nudez introduzida nos palcos por Josephine Baker nos anos 1920. Tudo, de certa forma, volta ao tema central: tomar o passado para falar, sem moralismos ou tabus, de questões da contemporaneidade — espaço humano, raça e sexualidade.

(webremix.info)


Caribe venezuelano amplia seus aeroportos

RIO - Para fortalecer o turismo em dois dos principais destinos do país, o governo da Venezuela está investindo 120 milhões de bolívares (R$ 42 milhões) na recuperação dos aeroportos das ilhas La Tortuga, a 85 quilômetros da costa do estado de Miranda, e La Blanquilla, a 125 quilômetros do litoral de Margarita. As ilhas ficam no Caribe venezuelano.

No aeroporto da Isla La Tortuga, a capacidade atual será ampliada, com três quilômetros em pistas, um novo terminal para voos internacionais e um píer multimodal para catamarãs e embarcações menores. Antes disso, uma pista provisória, de 200 metros deverá ser concluída até julho. Em La Blanquilla, o novo aeroporto terá 1.200 metros de pistas e um novo terminal turístico. Com as melhorias, as autoridades esperam fazer da ilha um destino complementar à agitada Isla Maragarita.

(webremix.info)


(RJ)Programação do Semente tem samba, choro e até música pop africana (webremix.info)


Links : Dança Africana

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