Dança Africana

Notícia : Dança Africana

Totó La Momposina traz ao Brasil sua música colombiana e universal

RIO - O pescador que fala com a lua e a praia e que não tem na vida nenhuma riqueza, só sua tarrafa. Um sonho no qual um homem é morto pelos negros olhos da amada. Uma vela viva. Essas são algumas das imagens e histórias que estão nas canções da cantora Sonia Bazanta Vides, mais conhecida como Totó La Momposina — um dos patrimônios da música colombiana, estrela de alguns dos principais festivais de world music do mundo, e que, agora, é uma das grandes atrações da 13ª edição do festival MIMO, cuja primeira etapa se inicia em outubro.

— Quando se faz a música do povo, ela vai aos poucos encontrando o espaço que lhe corresponde — diz, por telefone, a cantora, que se apresenta com seu grupo no dia 11 de novembro no Rio e 19 em Olinda. — A música promove as conexões que não se consegue fazer com as línguas. Eu sou chamada para cantar em vários lugares do mundo porque a minha música tem os padrões das músicas ancestrais do lugar de onde vim e onde fui criada.

Totó ganhou a alcunha de La Momposina porque nasceu na localidade de Talaigua, em Mompos, ilha do Rio Magdalena próxima à costa do Caribe. Lá, estilos locais — cúmbia, bullerenge, chalupa, garabato e mapale — misturaram-se aos cubanos son, guaracha, rumba e bolero, que vieram pelo mar, para compor uma música única, feita por uma população de trabalhadores da agricultura, pesca e pecuária e por cantadoras que lavam roupas no rio.

— Quando o rio enche, os pecuaristas passam para a parte firme da terra, das grandes savanas. Madalegna é um rio que nasce no maciço colombiano e que atravessa todo o país — conta Totó, que pela primeira vez se apresentará em um festival de música no Brasil. — Nossos tambores são diferentes daqueles da tradição brasileira, são feitos de madeiras especiais, e têm origem na tradição bantu e do Congo, de povos africanos que se uniram através da música e da escravidão. Totó La Momposina - El Pescador

Além dos tambores, outros instrumentos de diferentes procedências se somaram na música de Talaigua, representrada por Totó La Momposina:

— Temos a gaita dos índios da região do Caribe, a clarineta que veio dos Estados Unidos, o violão, o redoblante (a caixa da bateria) e o trompete, que vieram da Europa.

Totó nasceu em uma família de músicos (o pai era baterista, a mãe, cantora e dançarina) e aprendeu a cantar e dançar quando criança. Na juventude, ela viajou pelo interior da Colômbia para estudar a tradição das cantadoras. E em 1968 ela formou seu primeiro grupo, para cantar em festas da família. Com isso, sua reputação artística cresceu, e a sua música insistiu em se espalhar para muito além da aldeia.

— A minha aventura começou cantando na rua, na França. Nós estivemos no Mediterrâneo com os tambores, fazendo os nossos bailes cantados — diz ela, que estudou História da Dança em Sorbonne, cantou para o escritor colombiano Gabriel García Márquez quando ele recebeu o prêmio Nobel em Estocolmo em 1982 e foi chamada, em 1991, pelo ex-cantor do Genesis Peter Gabriel para participar do festival Womad e gravar em seu selo, Real World. — Foi um milagre termos nos encontrado com Peter Gabriel e, enfim, poder fazer parte da música do mundo. Quando apareci na world music, já tinha me aventurado com meus tambores pela França, Alemanha, Inglaterra e Espanha. Calle 13 Ft Toto La Momposina, Susana Baca, Maria Rita Latinoamerica

Em 2011, Totó cantou junto com a brasileira Maria Rita e a peruana Susana Baca em “Latinoamérica”, uma canção de forte teor político do grupo de rap portorriquenho Calle 13.

— Acho que as pessoas têm direito de fazer novas propostas para os gêneros musicais, mas o tempo dirá o que vai ficar — opina a cantora. — E, como diz a música, a terra, o sol, as estrelas, nada disso pode ser comprado. Há que se cantar uma canção dessas com o coração, não para se tornar famoso.

— Há muito tempo queria trazer Totó La Momposina, que já conhecia daquelas coletâneas de world music (do selo Putumayo) — admite a idealizadora e diretora-geral do MIMO, Lu Araújo. — Neste ano, a previsão é que tenhamos 50 concertos, um recorde do festival.

Olinda (que teve sua programação cancelada no ano passado, após um patrocinador ter se retirado do festival) volta a fazer parte do MIMO nesta edição, que também terá shows e concertos no Rio e, na parte inicial, em outubro, nas cidades históricas de Paraty, Ouro Preto e Tiradentes.

Entre as atrações confirmadas, além de Totó, estão o cantor ganense e mestre do afro-pop Pat Thomas (que se apresenta no Rio em 12 de novembro e em Olinda no dia 18), os ucranianos do DakhaBrakha (dia 8 de outubro em Tiradentes e 15 em Paraty), o grupo britânico de afro-jazz Sons of Kemet e o duo formado pelos franceses Jacky Terrasson (piano) e Stephane Belmondo (trompete).

— A realização do MIMO no Rio, no ano passado, no Parque Laje, foi uma grande vitória. Neste ano possivelmente iremos para algum lugar maior, como a Praça Paris — adianta Lu.

(webremix.info)


Crítica: A África expandida de Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz

RIO - Em seu primeiro disco, de 2009, a Orkestra Rumpilezz do maestro Letieres Leite surpreendeu ao apresentar de uma perspectiva nobre a riqueza rítmica afrobaiana — tendo o jazz como linguagem, nunca como (desnecessário) legitimador. Sete anos depois (e alguns projetos ao vivo, como os shows em homenagem a Gilberto Gil e a Dorival Caymmi), eles lançam o segundo álbum, “A saga da travessia” (Selo Sesc). É como se, plantadas as bases e sedimentada sua personalidade, eles se lançassem numa travessia própria de amadurecimento — ao construir seu ensaio instrumental sobre a travessia dos negros trazidos forçados da África para as Américas.

Se a estreia trazia uma carga de didatismo na apresentação (e exploração profundamente criativa) dos ritmos puros oriundos da diáspora, nascidos e desaguados na Bahia, desta vez a Orkestra Rumpilezz se permite uma liberdade maior. Letieres (autor das oito composições e dos arranjos de sopro e percussão do disco) acompanha da saída dos africanos de seu continente à chegada a Salvador. Letieres

O primeiro momento da travessia, o que se segue ao sequestro da população negra é documentado/ desenvolvido na “Trilogia a saga da travessia”, que abre o disco — com os movimentos “Banzo”, partes 1, 2 e 3. Sem que diga uma palavra, a Orkestra Rumpillez traça os efeitos da diáspora, pela forma como funde Moacir Santos e Fela Kuti, James Brown e Mongo Santamaria, John Coltrane e ogãs. As ligações improváveis se apresentam na “música onde a cabeça dança com o corpo”, como escreve Carlos Moore no texto do encarte — uma música na qual lamento e alegria se mostram como as duas faces do mesmo búzio.

O álbum segue, com agogôs e palmas se unindo a sopros épicos, ritmos circulares de tambores evocam o transe do candomblé e servem de base a solos que evocam o transe de Wayne Shorter. A rua ecoa em cacos de frevo (“Dasarábia”), ijexá (“Professor luminoso”, dedicada a Gilberto Gil) ou cortejo de maracatu (“Feira de sete portas”). A última faixa, “Mestre Bimba visita o palácio de Ogum”, é uma odisseia que parte da capoeira para explodir em Miles Davis sobre timbaus nervosos, antes do silêncio. Fim da travessia — e seu marco de eterno reinício.

Cotação: Ótimo

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Crítica: ‘Ivetemachine’ em novo teste de fôlego

RIO — Da mesma forma que o cenário paradisíaco de Trancoso entra em segundo plano logo que o show começa, o tal “acústico” só existe tecnicamente no novo DVD/CD duplo de Ivete Sangalo. Não importa quais sejam os artifícios da embalagem — não há, aqui, nada muito além de Ivete, do seu eletromagnetismo e de seu carnaval que nunca termina.

Dona absoluta do palco e do público, Ivetemachine não sossega. “Pessoa do movimento” (como se define), ela não inventa — e segue em alta velocidade por um roteiro sequenciado.

O início é a noite tropicaliente, onde a Bahia encontra o Caribe num caldeirão fervendo de sopros — desacelerar, só no recurso cinematográfico de slow motion que serve para destacar, aqui e ali, um dos passos de dança. Pé no chão, a cantora se engaja com a sua cozinha num batuque e mostra que é gente como a gente. Ivete apresenta a música para o filho, a voz embarga, mas o sentimentalismo é só um tempero — longas distâncias têm que ser cumpridas.

A cantora ainda tem posições a marcar no reggae (inclusive naquele tipo mais radiofônico e romântico, tocado com ukulele, que é o caso de “Seus planos”), nas baladas, no samba-rock, no soul meio Roberto Carlos (com a boa “Candura”, de Max de Castro) e na bossa (com “Se eu não te amasse tanto assim”). Mas é muita coisa — não dá para evitar um certo cansaço (do ouvinte) quando Ivete entra na reta final, com os funks lincolnolivettianos “Mesma sintonia”, “O melhor pra mim” e “O farol”. Eis aí um “Acústico” contraindicado para quem tem problemas de fôlego.

Cotação: Regular.

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Ensino de idiomas proporciona troca cultural e chances de trabalho a refugiados na região

Com a proposta de promover o ensino de línguas, trocas culturais e geração de renda a refugiados no Brasil, a ONG Abraço Cultural iniciou suas atividades no Rio. A entidade oferece cursos de inglês, francês, espanhol e árabe que custam a partir de R$ 550 e o programa inclui debates e palestras sobre a cultura dos países de origem dos professores, que são remunerados pelo trabalho em sala.

Sucesso em São Paulo desde 2015, quando foi criado por outra ONG, a Atados, o Abraço Cultural tem como objetivo a inclusão de refugiados na realidade brasileira, oferendo oportunidades concretas de trabalho, algo que nem todos os que chegam ao Brasil conseguem.

No Rio há quase um ano e meio, o congolês Audrey Mandala, de 27 anos, é um dos beneficiados pelo trabalho. Ele conta que foi bem recebido no país e que conseguiu regularizar sua situação facilmente, mas diz que o mesmo não aconteceu com muitos amigos e conhecidos.

— Nem todos conseguem achar um emprego com respeito e dignidade. Há injustiça e preconceito pelo fato de sermos estrangeiros e refugiados, sobretudo nas empresas — conta.

Vindo da República Democrática do Congo, onde já trabalhou como professor, ele diz que chegou a ser preso por causa dos conflitos no país, o maior da África subsaariana, que está mergulhado em uma das crises humanitárias mais graves de que se tem notícia, com quase cinco milhões de mortos desde o início do conflito, em 1997, e mais meio milhão de refugiados espalhados pelo mundo, segundo a ONU. Mandala dá aulas de francês no Abraço Cultural e também é escritor. Terminou recentemente um livro de poesias que fala sobre a cultura africana, e que está sendo traduzido para o português.

No programa dos cursos de línguas estão previstas aulas dedicadas à troca de experiências culturais entre professores e alunos. Nelas, são propostos temas relacionados a culinária, dança, música, literatura, cinema, curiosidades, política e história.

— Mais do que trabalhar para ganhar dinheiro, a parte mais interessante é a integração e troca de experiências. Pode-se aprender muitas coisas e tenho muito orgulho em passar o que tenho. A África tem uma historia, uma cultura e um monte de coisas boas que podem ser apresentadas ao mundo — conta.

A coordenadora do Abraço Cultural no Rio, Tatiana Rodrigues, foi uma das pessoas que ajudaram a implantar o projeto na cidade e explica que a equipe conta com administradores, comunicadores, pedagogos e outros voluntários que dão apoio ao treinamento e capacitação dos professores, que são encontrados através de uma parceria feita com a Cáritas, entidade de atuação social e defesa dos direitos humanos ligada à Igreja Católica, vinculada à ONU. Ela destaca a importância de oferecer oportunidades remuneradas aos refugiados:

— Ajuda a acabar com o estereótipo e estigma de que eles são “pobres coitados”. Os professores são jovens, frequentam festas e têm muito a compartilhar e a enriquecer nossa vida — conta.

No Rio, as aulas são ministradas na Casa de Cultura Habonim Dror e na sede da rede Meu Rio, ambas em Botafogo. A segunda leva de cursos começou segunda e teve as inscrições esgotadas rapidamente. Quem quiser participar deve ficar atento no site www.abracocultural.com.br para fazer as inscrições das novas turmas com início em 29 de agosto, cujas inscrições devem abrir a partir do dia 1º. O curso tem material didático e método de ensino próprios, aulas regulares duas vezes por semana, com duração de uma hora e meia cada, além de uma aula cultural por mês.

No primeiro ano de funcionamento do Abraço Cultural na capital paulistana, 350 alunos tiveram aulas com 25 professores. Agora já são 480 alunos inscritos, 40 refugiados capacitados como professores de países como Venezuela, Síria, Haiti, Nigéria e Cuba e 53 turmas em São Paulo e no Rio.

(webremix.info)


Em Alter do Chão, a rotina é ditada pelas águas do Tapajós

SANTARÉM - Até poucos anos atrás, Alter do Chão era apenas uma pacata vila à beira do Rio Tapajós, a 38km de carro de Santarém. Um segredo bem guardado entre os habitantes da terceira maior cidade do Pará. A situação começou a mudar em abril de 2009, quando o jornal britânico “The Guardian” publicou uma lista com as dez melhores praias do Brasil. Ao lado de Fernando de Noronha, Taipus de Fora e Lopes Mendes, na Ilha Grande, lá estava Alter, abrindo a relação, deixando o anonimato e saltando à condição de praia de rio mais famosa do país.

BV_NorteA fama não subiu à cabeça do lugar, que tem 8.500 habitantes, a maioria descendentes de índios borari. O ecoturista saiu ganhando, pois a estrutura melhorou. Surgiram pousadas, lojinhas, bares e restaurantes, mas a essência permaneceu e a vida em Alter do Chão segue tranquila — exceções feitas à recente passagem da tocha olímpica e ao Festival do Sairé, em setembro —, com ruas pouco movimentadas e rotina ditada pelo Tapajós.

De dezembro a maio é estação das chuvas. O rio ganha volume e sobe impiedoso. As águas do Tapajós encobrem praias, quiosques e o que mais estiver ao alcance. Elas vão baixando a partir de junho, e em julho as praias que fazem a fama de Alter do Chão começam a aparecer. Onde antes só havia água, surge uma ponta de areia branca com centenas de metros de extensão. Barquinhos vão para lá e para cá, levando turistas a diversas praias, em especial à Ilha do Amor.

O visual, combinado às águas claras do Tapajós, rendeu a Alter do Chão o apelido de “Caribe da Amazônia”. Pode soar exagerado, mas vá pensar nisso após um dia mergulhando nas calmas e quentes águas do rio, olhando um pôr do sol de tirar o fôlego, tendo o canto dos pássaros como trilha sonora. É de se perdoar qualquer exagero.

ALTER DO CHÃO: LABIRINTO AQUÁTICO E FLORESTA ENCANTADA

Localizada bem em frente ao centrinho de Alter do Chão, a Ilha do Amor é a preferida dos turistas. Não é difícil entender o porquê. A faixa de areia branquinha abriga inúmeros quiosques que servem a imbatível combinação de peixe frito (entre outros petiscos) e cerveja gelada. Para chegar lá é só pegar uma catraia (barquinho de madeira) no pequeno cais local, a módicos R$ 5 para até quatro pessoas.

Partindo da Ilha do Amor, aventureiros podem encarar uma trilha de uma hora até o topo da Serra da Piroca, o ponto mais alto de Alter, com 110 metros de altura. Dali é possível ter uma bela vista do “Caribe da Amazônia”.

Também próximas do centro estão as praias do Cajueiro e Pequena, boas opções para quem não quer perder muito tempo de deslocamento. Para quem quer um pouco mais de sossego, a pedida é navegar um pouco mais, em um lancha rápida (R$ 100 para até oito pessoas), até a Ponta do Cururu ou a Ponta do Muretá. Nelas reina a tranquilidade, sem quiosques ou vendedores, mas com uma posição privilegiada para apreciar o estonteante pôr do sol no Tapajós.

‘Becos’ e ‘vielas’ de igarapés

Difícil conceber isso, mas digamos que você cansou de mergulhar no Tapajós. Que tal então conhecer a Floresta Encantada do Caranazal? O passeio tem nome que parece ter saído de uma atração de parque temático, mas consiste em navegar lentamente por um verdadeiro labirinto aquático formado quando as águas dos igarapés sobem e transbordam.

Em uma canoa que comporta até quatro pessoas (R$ 30), o guia rema por até 60 minutos, percorrendo ‘becos’ e ‘vielas’. A água cristalina como espelho gera um visual incrível, com raízes e copas de árvores se misturando. O silêncio só é quebrado pelo canto dos pássaros.

À noite, a Praça Sete de Setembro se torna o “centro nervoso” de Alter do Chão. Cercada por lojinhas de artesanato, bares e restaurantes, que fervem na alta temporada, a praça tem ainda um palco que recebe apresentações musicais e circenses.

Festa em setembro

A propósito, se você quer ‘ferveção’ em Alter, já reserve passagens e hotel para 15 a 19 de setembro. Nesses dias a vila recebe o Festival Folclórico do Sairé, mais antiga manifestação da cultura popular da Amazônia, com mais de três séculos de tradição.

A festa mistura tradições religiosas e profanas, com exibições de dança dos ritmos locais, como o carimbó, e representações do confronto entre os botos tucuxi e cor-de-rosa, que, segundo o folclore local, disputam as mulheres da região amazônica. Na época do Sairé, a região costuma receber a visita de até cem mil pessoas.

SANTARÉM: VAIVÉM NA ORLA RENOVADA

Terceira maior cidade do Pará, com 300 mil habitantes, Santarém não está exatamente no topo da lista de destinos turísticos do Brasil. Mesmo dentro do estado, atrações como Belém, Ilha de Marajó e Alter do Chão são os locais mais procurados pelos visitantes. A “Pérola do Tapajós”, como é conhecida, vem ultimamente tentando tirar proveito da alta procura por Alter, que é distrito de Santarém, para cativar os turistas.

Fundada em 1661, Santarém cresceu à beira do Tapajós. E é ali, de frente para o rio, que quase tudo acontece na cidade. A remodelada orla, com amplo calçadão e quiosques, é um convite para uma caminhada despretensiosa, observando o vaivém de pequenas canoas, dos pescadores e dos grandes barcos. O Terminal Fluvial Turístico é movimentado, com saídas para Manaus, Belém, Macapá e dezenas de outras cidades.

Dali mesmo saem passeios para o encontro das águas do Tapajós e Amazonas. Margeando a orla está o Tapajós, com águas claras e quentes. Do outro lado, mais distante, vem o Amazonas, com águas barrentas e frias. Elas correm paralelas por longa extensão, mas não se misturam. No mesmo passeio, não é preciso contar com muita sorte para avistar o animal que inspirou tantas lendas na Amazônia. O boto cor-de-rosa não se aproxima tanto do barco, mas se exibe tirando quase todo o corpo da água, enquanto famílias do boto cinza, o tucuxi, aproveitam a fartura de peixes nas águas do Amazonas para se alimentar sem se importar com a presença dos turistas.

Saindo do terminal fluvial, basta atravessar a Avenida Tapajós para alcançar o Centro Cultural João Fona, bela construção do século XIX. O casarão já serviu como presídio e prefeitura, e hoje abriga móveis e objetos históricos, além de um acervo de cerâmicas arqueológicas das populações indígenas que habitavam a região.

Não muito longe dali está o Mercadão 2000, o grande mercado público de Santarém, onde é possível encontrar peixes, frutas, legumes, muita farinha de mandioca e toda sorte de temperos que têm feito a fama da culinária paraense. Culinária que é também uma excelente razão para se visitar Santarém. Pirarucus, surubins e tambaquis saem do Mercadão direto para as mesas dos restaurantes. Acompanhados pelo tradicional tucupi, sumo extraído da mandioca, e do jambu, folha que confere leve dormência na ponta da língua e também é muito usada em drinques, os pratos são uma festa para os olhos e o paladar, com uma explosão de sabores capaz de fazer qualquer um agradecer aos céus pelo momento.

SERVIÇO

ONDE FICAR

ALTER DO CHÃO

Beloalter. Diárias a R$ 259, com café da manhã (beloalter.com.br).

Borari. Diárias a R$ 210, com café da manhã (hotelborari.com.br ).

SANTARÉM

Sandis Mirante. Diárias a R$ 189, com café da manhã (hotelsandismirante.com.br).

Barrudada. Diárias R$ 182,

com café da manhã (barrudadatropicalhotel.com.br).

Renato de Alexandrino viajou a convite do Ministério do Turismo

(webremix.info)


O carimbó embala passagem da tocha por Belém

SANTARÉM - Danças ao ritmo do carimbó, procissão de barcos, embaixadinhas com bola de futebol e muita vibração da população sob um calor de mais de 30 graus. Teve de tudo um pouco na passagem da tocha olímpica por Santarém, no Pará, a 150ª cidade a receber o revezamento da chama dos Jogos Rio-2016. Mais de 138 quilômetros foram percorridos entre deslocamento e revezamento, com a participação de 99 condutores.

O primeiro deles foi o triatleta Iure Corrêa Dias, descendente dos índios Borari, que iniciou o revezamento na Vila de Alter do Chão, a cerca de 40 quilômetros de Santarém. Conhecida carinhosamente como "Caribe amazônico" por suas praias de rio com águas cristalinas, Alter do Chão é um destino turístico cada vez mais procurado.

O revezamento começou no fim da manhã, com apresentações típicas, como dança do carimbó (um ritmo local), e demonstrações da Festa do Sairé, uma festividade religiosa tradicional da região, que existe há mais de 300 anos.

- Estou muito feliz. Só posso agradecer por participar dessa festa e representar o povo de Alter do Chão. Participar dos Jogos Olímpicos sempre foi um sonho, e estou realizando um pouco desse sonho agora - disse Iure.

De Alter do Chão, a chama olímpica seguiu em um barco da marinha até Santarém, pelo rio Tapajós. O trajeto de quase uma hora foi acompanhado por dezenas de barcos e jet-skis. Na chegada à segunda maior cidade do Pará, muitas canoas e caiaques se juntaram ao comboio. Antes de desembarcar no terminal fluvial, a chama olímpica ainda fez um passeio até o encontro dos rios Tapajós, com sua água clara e mais quente, e Amazonas, de água barrenta e mais fria, a algumas centenas de metros da orla da cidade. Ali, a tocha foi acesa novamente.

Ela desembarcou nas mãos de Hiel Gesã, atleta de canoagem que havia embarcado com a tocha em Alter do Chão. Centenas de pessoas se espremiam na entrada do terminal para ver a passagem da tocha, enquanto uma banda de música tocava.

- Foi um privilégio conduzir a tocha de Alter do Chão até Santarém e poder mostrar meu município para o mundo. Eu não esperava ver tanta gente na rua numa tarde de sexta-feira. Fiquei até com medo de tremer com a tocha na mão. Estou com o coração acelerado - confessou Hiel, bastante emocionado, e cercado por pessoas pedindo para fazer uma selfie com o novo herói local.

Terceiro colocado no Mundial de futebol freestyle da República Tcheca, Ricardo de Araújo conduziu a tocha realizando embaixadinhas com uma bola. Depois de percorrer ruas da cidade, a chama olímpica chegou à Praça Barão de Santarém, onde, no começo da noite, foi acesa a pira de celebração. A festa seguiu noite adentro, embalada como começou, ao ritmo do carimbó.

Depois de passar por Santarém, a tocha olímpica vai hoje para Boavista, capital de Roraima. Lá, descerá de paraquedas, visitará a comunidade indígena de Campo Alegre, na zona rural da cidade, e fará um passeio de barco pelo Rio Branco. Serão 157 condutores e pouco mais de 33 quilômetros de revezamento.

(webremix.info)


Moradores da Barra são escolhidos para conduzir a tocha olímpica

RIO — Ao todo, 12 mil pessoas vão participar do revezamento da tocha olímpica por 327 cidades do Brasil. Cada um vai carregar o fogo (ou já carregou) aceso na Grécia por 200 metros, num revezamento que só acabará no dia 5 de agosto, quando a última pessoa (o nome é um dos maiores segredos da organização) vai acender a pira olímpica e marcar a abertura dos Jogos do Rio.

O GLOBO-Barra perfila, a seguir, cinco moradores da região convidados a conduzir a tocha: a chef Carolina Sales, a especialista em educação e sustentabilidade Luciana Provenzano, o cantor Diogo Nogueira, a jornalista Fátima Bernardes e o médico Luis Fernando Correia, que já cumpriu sua missão, em Tiradentes (MG).

Cada um foi convidado por um motivo diferente, mas que os deixa em sintonia com os ideais olímpicos. Há quem não saiba ainda qual será a data em que conduzirá a tocha ou o percurso que fará: a convocação pode resultar numa viagem para outra cidade.

— Eu recebi um e-mail dizendo que a data será 4 de agosto, em Itaboraí — comemora Luciana.

MISSÃO JÁ CUMPRIDA

A emoção que os outros moradores da Barra incumbidos de carregar a tocha olímpica vão sentir já foi experimentada pelo médico Luis Fernando Correia, diretor de relações institucionais do Hospital Samaritano e comentarista do “RJ TV”, da Rede Globo, e da GloboNews. Há duas semanas, ele foi o condutor do fogo em Tiradentes (MG), e o recebeu nas escadarias da igreja matriz da cidade histórica.

— Depois do nascimento dos meus filhos, foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida — declara.

Correia mora na Barra, tem a vida quase toda no bairro e não faz ideia de como foi parar em Tiradentes, local que define como “maravilhoso”. Mas imagina que o convite tenha origem no envolvimento que tem com o esporte desde 2004. Ele já foi médico da seleção brasileira de saltos ornamentais, chefiou a equipe médica nos Jogos da Língua Portuguesa, dirigiu a policlínica da Vila do Pan, foi com a delegação brasileira às Olimpíadas de Pequim e atuou como coordenador médico geral da Copa das Confederações e da Copa do Mundo. Além de tudo isso, jogou polo aquático pelo Flamengo e pelo Fluminense. Hoje, ele se dedica ao golfe, um esporte “menos radical, mas desafiador”.

A conquista será compartilhada. Ele pretende expor a tocha e o uniforme que usou na Escola Britânica, onde os filhos estudam. Depois, as peças vão para a casa dele, e ficarão num local de destaque. Correia quer ainda botar a camiseta numa moldura, e já mandou fazer uma caixa de vidro com uma base de madeira para fixar o “troféu”.

— O que me chama a atenção é que as 12 mil pessoas que vão conduzir a tocha representam bem a população. Em Tiradentes, éramos 11, e tinha um carteiro, uma agricultora, um professor... A comunidade está muito bem representada — afirma o médico.

EMPREENDEDORA OLÍMPICA

Quem entra em uma das suas três lojas, todas na Barra, sequer imagina que Carolina Sales não tem formação em gastronomia. Antes de fazer os brigadeiros que deram um novo rumo à sua vida, ela era veterinária. Como se sentia mal remunerada, tentou cursar Medicina, mas, no meio da segunda faculdade, decidiu fazer caixinhas artesanais para festas e casamentos. As caixinhas agradavam, mas as clientes queriam enchê-las. Foi quando recorreu à avó paterna e aprendeu a fazer brigadeiros. Isso aconteceu em 2010. De lá para cá, ela estudou sozinha, aprendeu os segredos da confeitaria, fundou a primeira loja especializada em brigadeiros no Rio e, por tudo isso, recebeu o convite de uma patrocinadora dos Jogos Olímpicos para ser uma das representantes do empreendedorismo no revezamento da tocha. Ela ainda não sabe quando participará da cerimônia.

— Penso que o convite é uma retribuição pelo fato de continuarmos gerando empregos apesar de todas as dificuldades que o país enfrenta. É uma valorização do trabalho — diz.

VITÓRIA DA SUPERAÇÃO

Esporte, esporte mesmo, a especialista em educação e sustentabilidade Luciana Provenzano nunca praticou. Ela não é de correr atrás de bola ou ficar saltando de um lado para outro, mas jamais dispensou os benefícios da atividade física nem abriu mão de viver bem e de transformar o meio ambiente. É este modo de vida que a ajuda superar um linfoma crônico desde 2010. E foi esta vontade de viver, sem se fazer de vítima, que chamou a atenção do Comitê Rio 2016. Ela vai conduzir a tocha no dia 4 de agosto, em Itaboraí.

— Eu nunca imaginei que um dia pudesse ser convidada — alegra-se.

Não imaginou, mas plantou as sementinhas. Alimentação saudável sempre foi um hábito. Deste modo de vida surgiu o gosto de trabalhar com sustentabilidade e a vontade de proporcionar um futuro melhor para o mundo. Hoje, ela desenvolve projetos de educação corporativa, treinamento e desenvolvimento humano e ajuda na elaboração de um cardápio mais saudável nas escolas do Rio.

— A tocha representa esse fogo da vida. Passar o fogo para outra pessoa é passar energia. Isso para mim é muito forte, é o que busco fazer na vida — afirma.

MUSA DOS JOGOS

Durante as Olimpíadas, o programa “Encontro com Fátima Bernardes” deve ser o único matinal da TV Globo a permanecer na grade. E essa não será a única relação da jornalista com os Jogos. Ela é uma das convidadas para conduzir a chama olímpica pelas ruas do Rio, sem local e data divulgados até o momento. A ligação de Fátima, praticante de dança, com a cobertura esportiva é antiga: foram duas Olimpíadas, quatro Jogos Pan-Americanos e quatro Copas do Mundo, com direito a um título de musa na de 2002, disputada na Coreia do Sul e no Japão.

A VOZ OLÍMPICA

Esporte é com ele mesmo. Diogo Nogueira é atacante dos bons, e quase se profissionalizou no futebol. Não fosse uma contusão no joelho, talvez ele não tivesse o sucesso que conquistou no samba. Apaixonado pelas Olimpíadas desde pequeno, o cantor diz “sim” a qualquer convite que recebe para divulgar os Jogos do Rio. No ano passado, quando faltava um ano para o início da competição, ele se apresentou no show da contagem regressiva. Quando a tocha chegou ao Brasil, lá estava ele novamente, em Brasília. Recentemente, Diogo gravou uma canção internacional chamada “The fire”, que será distribuída nos veículos de cobertura oficial em todo o mundo. Ele representa a América do Sul, e esteve ao lado de Lenny Kravitz (América do Norte), Nneka (África), Yuna (Ásia) e Corinne Bailey Rae (Europa). Seu próximo compromisso olímpico será a condução da tocha no Rio, em local e data ainda não divulgados.

— Topei na hora. Para mim, esse é um compromisso cívico, de cidadão. Meu disco novo se chama “Porta-voz da alegria”, e o novo DVD é intitulado “Alma brasileira”. Acho que esses trabalhos levam nos nomes o mesmo espírito dos Jogos e da tocha: união, alegria e esperança — destaca o sambista.

(webremix.info)


Niterói promove intercâmbio cultural e sedia ‘Encontros com África’

NITERÓI — Receber artistas estrangeiros é uma tradição em Niterói. Desde a década de 1990, o município organiza encontros culturais em parceria com um determinado país. Começou com Cuba, seguiu com Portugal, Itália, Japão, Espanha, e, mais recentemente, em 2011, o tema foi a América do Sul. As atividades culturais, que se tornaram uma política pública de vários governos, eram desenvolvidas em três semanas. Também seria assim com a África, mas uma sucessão de crises mudou os planos dos organizadores. Agora, em vez de um único grande evento, serão realizados vários “Encontros com África” ao longo de dois anos. A gratuidade em todas as atividades, porém, está mantida. As primeiras exibições começam na próxima quinta-feira, com apresentações no Teatro Municipal.

— Em 2013 começamos a organizar um encontro com a África e tínhamos a ideia de fazer tudo como fazíamos antes, mas neste meio tempo surgiram a epidemia de ebola e a crise econômica e política no Brasil, que, obviamente, mexeram com as possibilidades do evento. Como tivemos dificuldades para o grande encontro, resolvemos fazer vários. Particularmente, estou muito satisfeito com o que estamos realizando — afirma o organizador, Marcos Gomes.

As atividades promovem um intercâmbio entre niteroienses e africanos. Nesta primeira quinzena, a cidade vai receber artistas de Angola, de Benim e da África do Sul. Para esta semana estão programadas apresentações do Jongo Folha de Amendoeira, de Niterói; da Companhia de Dança Contemporânea de Angola; do espetáculo de música teatral “Vida de vassoureiro”, com o artista brasileiro Elias Rosa; e show com o cantor beninense John Arcadius.

Na próxima semana tem jongo com o Grupo Dandalua; um fórum de cultura angolana; a peça “Laços de sangue”, da Companhia Elinga, de Angola; e show do compositor Ndaka Yo Wiñi, com participação da cantora Anabela Aya, ambos angolanos. Todas as apresentações serão no Teatro Municipal. A única em outro endereço será a do grupo sul-africano Obrigado, que, no dia 17, encerra a programação abrindo o show de Emicida, no Teatro Popular Oscar Niemeyer.

Gomes enfatiza que o evento, mesmo com sua grandiosidade, não gera custos para os cofres municipais.

— Desde os primeiros encontros conseguimos parcerias que permitiram que os artistas viessem a Niterói sem cobrar cachê e sem que o município arcasse com as passagens. Viajamos muito e mostramos credibilidade para que fundações, como a Sindika Dokolo, apoiassem a iniciativa — diz o organizador, acrescentando que espera consolidar a parceria para que artistas niteroienses também possam viajar aos países africanos para se exibirem lá.

A escolha da África, garante Gomes, foi natural, embora o secretário municipal de Cultura, o músico Arthur Maia, conheça bem o continente, onde se apresentou várias vezes, e seja entusiasta da cultura africana.

— Nós compartilhamos desta opção. Foi um gosto particular e coletivo, muito pela concepção e pelo respeito que temos pelo continente — justifica Maia.

A garantia de dar continuidade aos eventos do encontro pelos próximos dois anos também pesou na opção pelo continente, já que, diz Gomes, há relacionamento estreito com cerca de 20 países. Na opinião dele, não seria possível mostrar todas as culturas num único evento. A intenção é que as atividades sejam desenvolvidas semestralmente. As negociações para a próxima edição estão adiantadas, faltando apenas a confirmação das atrações.

— Com essa nova fórmula, nós damos uma continuidade que é fundamental no caso da África, que não é um país, mas um continente com diferentes culturas. O grande desafio é mostrar a influência africana na nossa cultura, que é tão presente, mas pouco conhecida. E começamos com Angola, que é o país com maior presença no nosso país. Pouca gente sabe, mas Cubango, o nome do bairro de Niterói, é uma palavra angolana. E há muitas outras referências espalhadas por aí — ensina o organizador.

Para Maia, a relação entre Brasil e África é maior do que a história construída no período de colonização.

— Existe um rio da África que corre muito perto da gente, e sempre passou. Continua limpo, mas a gente bebe muito pouco dele — define o secretário.

A coordenadora de Políticas e Promoção da Igualdade Racial de Niterói, Tatiara Souza, ressalta que eventos como o “Encontros com África” atendem ao programa da Organização das Nações Unidas (ONU) que desenvolve a Década do Afrodescentendente, com intuito relembrar o histórico dos negros na formação dos países ao redor do mundo.

— O Brasil só é o que é hoje graças à cultura africana — enfatiza.

Além das apresentações culturais, o encontro pretende abordar os aspectos citados por Tatiara. Um dos objetivos da Fundação Sindika Dokolo é apresentar parte da terceira Trienal de Luanda, que tem como tema “Da utopia à realidade: da escravidão ao apartheid”. O Fórum Cultura Angolana vai discutir literatura, língua portuguesa e arquitetura. Também será feito o lançamento do site Malungo Eu, feito por brasileiros, com colaboração africana, para discutir o tema.

Como as apresentações são gratuitas, a entrada está condicionada à lotação do Teatro Municipal. A distribuição de senhas começa uma hora antes de cada espetáculo. A programação completa está no site niteroi.rj.gov.br/encontroscomafrica.

(webremix.info)


Costureiras da Califórnia contam suas dores com quilts

OAKLAND, Califórnia – Os incêndios florestais ocorriam em toda a Califórnia quando Marion Coleman começou "Firestorm", seu quilt sobre as chamas que assolaram Oakland e Berkeley Hills, em 1991. É um inferno capturado no pano: as silhuetas enegrecidas de árvores, envoltas em chamas de intricados pontos em redemoinho.

Marion, assistente social aposentada, hoje faz colchas profissionalmente e é uma das 80 mulheres – com alguns homens – que se encontram todos os meses como membros da multicultural Corporação de Costureiras Afro-Americanas de Quilts de Oakland. É uma das mais de dez corporações em todo o país dedicadas a promover a tradição na cultura negra americana, mas um dos poucos grupos que assumiu o desafio de definir uma cidade por meio dos quilts.

Cerca de seis meses atrás, Marion e suas irmãs de corporação tiveram uma ideia elaborada: desenhar colchas narrativas que transmitiriam através do pano a personalidade, a história e a complexidade social de sua cidade natal. “Nosso nome é Corporação de Costureiras Afro-Americanas de Quilts de Oakland”, enfatiza Marion. “Há um sentimento de posse e orgulho do nosso lugar.” O resultado é “Bairros se Unindo: Quilts em Oakland”, uma exibição de mais de 100 peças.

As colchas revelam tantas facetas da vida aqui quanto o número de costureiras existentes. “Lake Merritt Foggy Morning”, de Alice Beasley, por exemplo, é uma mostra temperamental de um fenômeno meteorológico da Região da Baía que pode algumas vezes parecer um ser vivo à medida que envolve a paisagem. Alice usa camadas de seda azul e organza pintada para representar a neblina etérea cobrindo o lago.

Outras costureiras têm um alinhavado mais sóbrio. Em uma peça chamada “Hands Up Don’t Shoot”, Jackie Houston, de 61 anos, fala sobre raça e brutalidade da polícia, mostrando em sua colcha uma assustadora imagem gigante de seu neto de sete anos, com as mãos levantadas de maneira dramática, estendendo-se para além das bordas de pano. Jackie diz que usou o neto para evocar os perigos de ser um garoto afro-americano. Falando das mortes recentes pelo país, ela completa: “Poderia ser o filho de qualquer pessoa”.

Historicamente, fazer colchas tem sido uma forma de arte acessível às pessoas marginalizadas, especialmente mulheres, que “enxergam seus pensamentos no pano”, afirma Carolyn L Mazloomi, historiadora de quilts e curadora independente que fundou a associação sem fins lucrativos Rede de Mulheres de Cor Costureiras de Quilts.

“É a primeira coisa em que somos enrolados quando nascemos e a última a tocar nosso corpo quando deixamos o reino da terra”, diz ela.

Mas, por muitos anos, Carolyn conta, os historiadores culturais acharam que as colchas afro-americanas eram todas iguais, assumindo que as costureiras negras tinham uma preferência por cores brilhantes e peças grandes e assimétricas – como as famosas feitas em Gee’s Bend, no Alabama – ou sinais e símbolos relacionados à África. A percepção era que poucas colchas produzidas pelas afro-americanas eram bem feitas, com um trabalho preciso das peças e costuras pequenas. O livro de Carolyn, “And Still We Rise: Race, Culture, and Visual Conversations” (E Continuamos nos Levantando: raça, cultura e conversas visuais), prova que essa noção está errada.

Em casa, Fran Porter, a grande dama da corporação aos 91 anos, mantém um “esconderijo” de tecidos e fios em caixas de plástico ordenadamente empilhadas e um caderno de anotações do lado da cama para desenhar conceitos a qualquer hora. Ela escolheu representar grafites em sua colcha porque “me fascinam e me repelem”, conta. Fran começou a fazer quilts aos 82 anos. “Achei que era para as mulheres mais velhas. E finalmente percebi que havia me tornado uma delas.”

Fran Porter foi assistente social por 20 anos. Na equipe da corporação também há uma professora de dança haitiana, uma litigante aposentada, uma auditora dos Correios e uma editora de jornal aposentada. A presidente atual, Marie Taylor, é uma ex-freira que passou 35 anos em um convento. (“Decidi que queria controlar minha própria vida”, explicou ela sobre sua saída.)

A ressonância emocional de costurar os quilts talvez seja melhor personificada na vida e na arte de Ora M. Knowell, de 70 anos, membro da cooperativa e filha de meeiros, que perdeu dois filhos para a violência armada de Oakland. Ora cresceu em uma casinha em uma fazenda no Mississippi. Quando era garota, dormia do lado do fogo sob uma manta pesada feita por sua mãe com lã velha e pedaços de roupas de algodão.

Ela odiava a costura. “Não tínhamos dedais, e nossos dedos ficavam furados e doloridos de ter que costurar para nos manter quentes”, conta Ora.

Mas seu talento especial para fazer bonecas com varinhas e espigas de milho acabou se revelando uma afinidade com a costura. Quando seu primeiro filho, Christopher, morreu um 1995, aos 25 anos, ela canalizou sua dor em um painel costurado que incluía a transferência de uma foto dele aos 13 anos e luvas tricotadas cor de rosa – um símbolo próprio da necessidade de as mães protegerem seus filhos. Quando o segundo filho, Daniel, de 34 anos, foi morto em 2002, Ora respondeu com uma colcha honrando as 113 vítimas de homicídio apenas naquele ano em Oakland.

“As pessoas dizem que quanto mais a morte vem, mais imune a ela você fica, mas não é verdade”, diz Ora. No final, ela conclui que “não vou deixar o assassino me matar ficando com medo”. Sua última colcha, “Black Justice Matters”, é um comentário costurado à mão e na máquina sobre o que ela vê como um sistema judiciário desequilibrado.

Cerca de uma década atrás, Ora começou a instituição sem fins lucrativos West Oakland Lower Bottom Fatherless Children’s Foundation, para ajudar crianças que estão sofrendo com a perda de pessoas da família por causa da violência.

Ela convida crianças para ajudar a criar bonecas de meias e outros projetos artísticos, bordando o rosto da pessoa querida em algodão “para trazer conforto”.

“Ver outras vítimas sofrendo da mesma maneira que eu, aqueles que não conseguem falar nem ser ouvidos, me motivou e me inspirou a usar minha arte como voz”, explica Ora.

Sua alma é a da costureira de quilts – curando dores por meio de histórias que talvez apenas os tecidos possam contar.

(webremix.info)


Céu na Terra vai levar a África para as ladeiras de Santa Teresa

RIO - O último final de semana antes do carnaval começa com tudo. O Céu na Terra promete trazer a África para as ladeiras de Santa Teresa e literalmente levar os foliões ao céu com sua energia colorida. O cortejo começa às 8h, na Praça Odilo Costa Neto, e segue até o Largo das Neves. Este ano, o bloco vai tocar Marrabenta, ritmo musical do sul de Moçambique e vestir seus tradicionais bonecos de Olinda com trajes africanos. Tudo para trazer um pouquinho do continente africano ao carnaval carioca.

A marrabenta será apresentada durante o desfile pelo saxofonista moçambicano Timóteo Cuche acompanhada por coreografias elaboradas por Juliana Manhães.

— Trazer a África para o Céu na Terra foi uma sugestão do nosso trombonista Sergio Castanheira. Ele já esteve por lá algumas vezes e, numa dessas, conheceu o Timóteo Cuche. Como é sempre bom ter novidades, surgiu a ideia da ponte musical Brasil x Moçambique. A esposa do Sérgio, que fez doutorado em dança na África, criou uma coreografia com o som moçambicano. Vai ser bem legal, bem diferente — antecipa um dos organizadores do bloco Péricles Monteiro.

A professora, Juliana Manhães, ressalta que os próprios integrantes do bloco vão dançar a coreografia criada por ela.

— A gente criou movimentos bem simples, de mexer mesmo. O ritmo marrabenta, conhecido também como a dança do amor, é um deslizar de pés, muito sensual. Os ritmistas vão tocar e dançar, bem como é feito em Moçambique. A dança lembra um pouco o Kuduro, sabe? É uma dança mais misturada, urbana. Vamos fazer vários movimentos fáceis para os foliões pegarem rápido. Com certeza ninguém vai achar difícil — diz.

O interesse pelo ritmo foi tão grande, que Juliana vai ministrar um aula na Fundição Progresso.

— Quem acompanhou os ensaios, gostou muito. Dia 3, vou dar uma aula de Marrabenta, hibridizando com outros ritmos africanos.

O cortejo será todo dedicado a Moçambique. A bateria vai parar de tocar e, entre palmas, será puxada a música Elisa Gomara Saia, na língua materna de Timóteo.

— Com certeza o cortejo será o momento mais emocionante. O grande barato do desfile deste ano é a mistura entre a folia e a pesquisa. O Timotéo também é professor. Então, além dos ensaios práticos, tem também uma conversa sobre a relação do Brasil e Moçambique. Os foliões podem esperar muita diversão e cultura — conta o trombonista do bloco, Sergio Castanheira.

Conhecido pelo colorido das fantasias dos foliões, o Céu na Terra conta com cem ritmistas. Além do ritmo moçambicano, os foliões vão curtir também marchinhas, frevo, ciranda, maxarrancho e, claro, muito samba.

— Timóteo vai tocar umas seis músicas no ritmo Marrabenta, mas fica com a gente o desfile inteiro. Ele, inclusive, trouxe capulanas (pano tradicional de Moçambique muito utilizado por mulheres de lá) para vender — conta o organizador.

Apesar da retomada dos bondes de Santa Teresa, ainda não será este ano que o Céu na Terra voltará a transformar o transporte em alegoria de carnaval, como fazia antes do acidente em 2011, que deixou seis mortos e 56 feridos e paralisou o serviço.

— Nós saímos nove anos seguidos no bondinho, antes do acidente. Fizemos carnavais incríveis em cima dele e adoraríamos retomar a tradição. Mas acho um pouco prematuro querer voltar a desfilar com o bonde, pois ele ainda está em fase experimental.

(webremix.info)


Ilê Aiyê escolhe sua musa neste sábado


Neste sábado, 16, uma dentre 15 mulheres negras irá encerrar a noite com o título mais cobiçado do bloco afro Ilê Aiyê: Deusa do Ébano. A 37ª Noite da Beleza Negra acontece na Senzala do Barro Preto, no Curuzu, a partir das 21h. Após ensaios, provas de figurino e adereços, e noites insones, sobram o nervosismo e o orgulho da possibilidade de representar o Ilê ao longo do ano em shows e participações em diversos eventos. "Durante os 42 anos do bloco, nós desmistificamos várias histórias sobre África e resgatamos a afirmação identitária e autoestima das mulheres negras", explicou a diretora do Ilê, Arany Santana. Este ano, as candidatas serão avaliadas pelo secretário de Cultura, Jorge Portugal, a dançarina Nádia Nóbrega e o professor de dança Gilmar Sampaio. Pelo segundo ano consecutivo, as vencedoras do segundo e terceiro lugares irão integrar a corte no Carro da Rainha durante o desfile do bloco no carnaval. A anfitriã Band'Aiyê e a dupla Lucas e Orelha animam a noite. A festa contará [Leia mais...] (webremix.info)


Veja teasers das séries de Stephen Daldry e de Baz Luhrmann

RIO - No mesmo dia em que anunciou sua expansão mundial (apenas China, Crimeia, Coreia do Norte e Síria não terão acesso ao serviço), a Netflix lançou teasers de duas novas séries de peso. Escrita por Peter Morgan, de "A rainha" e "Frost/Nixon" e dirigida por Stephen Daldry, de "Billy Elliott", "The crown" reconta a juventude da rainha Elizabeth II. Já o drama musical "The get down" é encabeçado por Baz Luhrmann, de "Moulin Rouge", mostra um grupo de adolescentes do Bronx na década de 1970, em meio ao surgimento do disco, do punk e do hip-hop. Links Netflix

Prevista para estrear ainda este ano, "The crown" traz Claire Foy como a rainha Elizabeth II, o ex-"Doctor Who" Matt Smith como príncipe Philip e John Lithgow como Winston Churchill. Os dez episódios focam na Rainha Elizabeth II com 25 anos de idade e o desenvolvimento da relação dela com o então primeiro ministro da Grã-Bretanha, Winston Churchill.

"O império britânico está em declínio, a política mundial está em desordem e uma jovem mulher ascende ao trono, dando início ao nascimento de uma nova era", segundo a sinopse oficial. Teaser de 'The crown'

Estrelada por Jaden Smith, filho de Will Smith, e Giancarlo Esposito, de "Breaking bad", "The get down" remonta aos perigos da Nova York do fim dos anos 1970, em meio à efervescência musical da cidade.

Com a primeira parte da primeira temporada prevista também para 2016, a série vai relembrar uma época violenta, decadente e sem recursos da Big Apple. Vivendo em escombros, um grupo de adolescentes desamparados encontra nas rimas, na dança e na pichação sua libertação.

A série promete mostrar pontos lendários da cidade, como a efervescência artística do SoHo, clubes como o CBGB e o Studio 54 e até o World Trade Center, então recém-construído. "'The Get Down' é a mítica saga de como uma Nova York à beira da falência inventou o punk, a disco e o hip-hop – contada por meio das vidas e da música dos adolescentes do South Bronx que mudaram Nova York e o mundo para sempre". Teaser de 'The get down'

EXPANSÃO PARA MAIS 130 PAÍSES

Até então restrita à América do Norte, alguns países da América do Sul, Europa, África e Ásia, a Netflix anunciou sua expansão para mais 130 territórios. A partir de agora, o serviço de streaming está presente em praticamente todo o mundo. Os conteúdos passarão a ser disponibilizados também em árabe, coreano, chinês simplificado e tradicional.

Investindo fortemente em produção de conteúdo original, como as séries "House of cards" e "Demolidor", o serviço planeja disponibilizar 31 novas séries originais e novas temporadas, mais de 20 filmes e documentários originais, além de especiais de comédia stand-up e 30 séries originais para crianças.

(webremix.info)


(RJ)Mostra de samba e cinema na Caixa Cultura de 1 a 13!

A Caixa Cultural Rio de Janeiro, apresenta entre os dias 1 e 13 de dezembro a mostra de cinema "O samba pede passagem", em comemoração ao Dia Nacional do Samba. A programação está ampla e variada e ainda tem debates.

Sobre as mesas-redondas: "A primeira, "A História Social do Samba", com os imprescindíveis Luiz Antônio Simas e Hermínio Bello de Carvalho, faz uma jornada pelas origens. Assim, partimos do quintal de Ciata, passando pela "Santa Trindade" (Pixinguinha, Donga e João da Baiana), pelas histórias da Pequena África, pela polêmica de Pelo Telefone, pela turma do Estácio, pelas primeiras escolas, pelo rádio e seus grandes ícones. Simas contando a história desses e outros momentos, e Hermínio dando seu depoimento de testemunha ocular da convivência com alguns dos personagens mais importantes do nosso compêndio: Clementina, Aracy de Almeida, Paulinho da Viola, Nelson Cavaquinho.

A segunda mesa, "Samba, força de subersão", conta com a professora de Letras da UERJ, Giovanna Dealtry e com o professor de filosofia da UFRJ, Bernardo Oliveira, para traçar a influência do gênero enquanto força social, representação, paixão, mudança, revolução, arte e construção de arquétipos. Esboça um debate em torno da ideia de nacionalidade, tão difundida nisso tudo. Passando pelos "malandros", pela fomentação das escolas e sua representatividade no ato de fazer, nascer, ensinar e perpetuar; até chegar aos herdeiros atuais das narrativas de revolta, do sentimento de pertencimento e da mudança social propostas pelo samba seminal. A lapa de hoje, a lapa de outrora, o rap, o funk.

A última mesa, "Noel, a Vila mostrou que faz samba também", conta com o jornalista e escritor da biografia de Noel Rosa, João Máximo e o cantor e pesquisador Alfredo Del-Penho, para uma descontraída aula cantada, onde serão narradas as peripécias e histórias das canções emblemáticas do Poeta da Vila"
.

Todas as mesas tem entrada franca.

Programação:

1° de dezembro (terça-feira)

Cinema 1

16h – As Aventuras amorosas de um padeiro (1975), Waldir Onofre, 100 min, Brasil, 14 anos.

17h30 – Cartola, música para os olhos (2006), Lírio Ferreira e Hilton Lacerda, 88 min, Brasil, 10 anos.

19h - Saravah (1972), Pierre Barouh, 91 min, Brasil, Livre.

Cinema 2

17h – Samba (2000), Theresa Jessouroun, 55 min, Brasil, Livre.

2 de dezembro (quarta-feira)

Cinema 1
16h - Damas do Samba (2013) Susanna Lira, 75 min, Brasil, Livre.

17h30 - Amor, carnaval e sonhos, Paulo Cesar Saraceni - 80 min, Brasil, 12 anos.

19h - Tudo é Brasil (1977), Rogério Sganzerla, 82 min, 12 anos.

Cinema 2

18h - Batatinha, o poeta do samba (2009), Marcelo Rabelo, 62 min, Brasil, Livre.

3 de dezembro (quinta-feira)

Cinema 1

16h - Natal da Portela (1988), Paulo Cesar Saraceni, 85 min, Brasil, 12 anos.

17h30 - Nelson Cavaquinho (1969), Leon Hirszman, 13 min, Brasil, 12 anos; Guilherme de Britto (2008), André Sampaio, 21 min, Brasil, Livre; Fala Mangueira! (1981), Frederico Confalonieri, 51 min, Brasil, Livre.

19h - Cartola, música para os olhos (2006) Lírio Ferreira e Hilton Lacerda, 88 min, Brasil, 10 anos.

Cinema 2

18h - Cariocas - Músicos da cidade (1987), Ariel de Bigault, 58 min, Brasil, Livre.

4 de dezembro (sexta-feira)

Cinema 1

16h - Clementina de Jesus - Rainha Quelé (2011), Werinton Kermes, 56 min, Brasil, Livre.

17h - Heitor dos Prazeres (1965), Antônio Carlos Fontoura, 13 min, Brasil, Livre; Pixinguinha (1969), João Carlos Horta, 13 min, Brasil, Livre; Moreira da Silva (1973), Ivan Cardoso, 10 min, Brasil, Livre; Nelson Sargento (1997), Estevão Ciavatta Pantoja, 26 min, Livre.


18h - Mesa: A história social do samba, com Luiz Antônio Simas e Hermínio Bello de Carvalho.

Cinema 2

17h - Aldir Blanc - Dois pra lá, dois pra cá (2004), Alexandre Ribeiro de Carvalho, André Sampaio e José Roberto de Morais, 54 min, Brasil, Livre.

5 de dezembro (sábado)

Cinema 1

15h - Couro de Gato (1961), Joaquim Pedro de Andrade, 12 min, Brasil, Livre; Partido Alto (1982), Leon Hirszman, 22 min, Brasil, Livre; Meu Compadre Zé Ketti (2001), Nelson Pereira dos Santos, 12 min, Brasil, Livre.

16h - As Aventuras amorosas de um padeiro (1975), Waldir Onofre, 100 min, Brasil, 14 anos.

17h30 - Paulinho da Viola - Meu tempo é hoje (2003), Izabel Jaguaribe, 85 min, Brasil, Livre.

19h - Madame Satã (2002), Karim Ainouz, 100 min, Brasil, 16 anos.

Cinema 2

15h30 - Damas do Samba (2013) Susanna Lira, 75 min, Brasil, Livre.

17h - Agoniza, mas não morre (2011), Gabriel Meyohas e Maíra Motta, 15 min, Brasil, Livre; Guardiões do Samba (2014), Eric e Marc Belhassen, 96 min, Brasil, Livre.

6 de dezembro (domingo)

Cinema 1

15h - Nossa escola de samba (1965), Manuel Horácio Giménez, 29 min, Brasil, Livre; Paulo Moura - Infinita Música (1987), Ariel de Bigault, 56 min, França, Livre.

16h30 - Malandro, termo civilizado (1986), Sylvio Lanna, 25 min, Brasil, Livre; Onde a Coruja Dorme (2006), Simplício Neto e Márcia Derraik, 52 min, Brasil, 12 anos.

18h - Mesa: Samba, força de subversão, com Bernardo Oliveira e Giovanna Dealtry.

Cinema 2

16h30 - O mistério do samba (2008), Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda, 89 minutos, Brasil, Livre.

8 de dezembro (terça-feira)

Cinema 1

16h - Maxixe, a dança perdida (1980), Alex Viany, 32 min, Brasil, Livre; Paulo Vanzolini - um homem de moral (2009), Ricardo Dias, 84 minutos, Brasil, Livre.

18h30 - Alô, Alô, Carnaval (1936), Adhemar Gonzaga, 60 min, Brasil, Livre.

19h30 - Berlim na Batucada (1944), Luiz de Barros, 75 min, Brasil, Livre.

Cinema 2

16h30 - Coração do samba (2002), Theresa Jessouron, 72 min, Brasil, Livre.

18h - Samba (2000), Theresa Jessouroun, 55 min, Brasil, Livre.

9 de dezembro (quarta-feira)

Cinema 1

16h - Madame Satã (2002), Karim Ainouz, 100 min, Brasil, Livre.

18h - Isto é Noel! (1990), Rogério Sganzerla, 46 min, Brasil, 12 anos; Noel por Noel (1981), Rogério Sganzerla, 10 min, Brasil, 12 anos.

19h - Paulinho da Viola - Meu tempo é hoje (2003), Izabel Jaguaribe, 86 min, Brasil, Livre.

Cinema 2

16h30 - Paulo Moura - Infinita Música (1987), Ariel de Bigault, 56 min, França, Livre.

17h30 - Batatinha, poeta do samba (2008), Marcelo Rabelo, 62 min, Brasil, Livre.

10 de dezembro (quinta-feira)

Cinema 1

15h00 - Heitor dos Prazeres (1965), Antônio Carlos Fontoura, 13 min, Brasil, Livre; Pixinguinha (1969), João Carlos Horta, 13 min, Brasil, Livre; Moreira da Silva (1973), Ivan Cardoso, 10 min, Brasil, Livre; Nelson Sargento (1997), Estevão Ciavatta Pantoja, 26 min, Livre; Maxixe, a dança perdida (1980), Alex Viany, 32 min, Brasil, Livre.

16h30 - Tudo é Brasil (1977), Rogério Sganzerla, 82 min, 12 anos.

18h00 - Isto é Noel! (1990), Rogério Sganzerla, 46 min, Brasil, 12 anos; Noel por Noel (1981), Rogério Sganzerla, 10 min, Brasil, 12 anos.

19h00 - Mesa cantada e contada: Noel a vila mostrou que faz samba também, com Alfredo Del Penho e João Máximo.

Cinema 2

16h30 - Paulo Moura - Infinita Música (1987), Ariel de Bigault, 56 min, França, Livre.

17h30 - Batatinha, poeta do samba (2008), Marcelo Rabelo, 62 min, Brasil, Livre.

11 de dezembro (sexta-feira)

Cinema 1

16h - O mistério do samba (2008), Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda, 89 minutos, Brasil, Livre.

17h30 - Paulo Vanzolini - um homem de moral (2009), Ricardo Dias, 84 minutos, Brasil, Livre.

19h00 - Natal da Portela (1988), Paulo Cesar Saraceni, 85 min, Brasil, 12 anos.

Cinema 2

17h00 - Maxixe, a dança perdida (1980), Alex Viany, 32 min, Brasil, Livre; Cariocas - Músicos da cidade (1987), Ariel de Bigault, 58 min, Brasil, Livre.

12 de dezembro (sábado)

Cinema 1

16h - Couro de Gato (1961), Joaquim Pedro de Andrade, 12 min, Brasil, Livre; Nossa escola de samba (1965), Manuel Horácio Giménez, 29 min, Brasil, Livre; Malandro, termo civilizado (1986), Sylvio Lanna, 25 min, Brasil, Livre; Partido Alto (1982), Leon Hirszman, 22 min, Brasil, Livre.

17h30 - Agoniza, mas não morre (2011), Gabriel Meyohas e Maíra Motta, 15 min, Brasil, Livre; Guardiões do Samba (2014), Eric e Marc Belhassen, 96 min, Brasil, Livre.

19h - O Rei do Samba (1951), Luiz de Barros, 70 min, Brasil, 12 anos.
Sessão especial com fala de Hernani Heffner

Cinema 2

15h30 - Amor, carnaval e sonhos, Paulo Cesar Saraceni - 80 min, Brasil, 12 anos.

17h - Coração do samba (2002), Theresa Jessouron, 72 min, Brasil, Livre.

13 de dezembro (domingo)

Cinema 1

15h - Nelson Cavaquinho (1969), Leon Hirszman, 13 min, Brasil, 12 anos; Guilherme de Britto (2008), André Sampaio, 21 min, Brasil, Livre; Fala Mangueira! (1981), Frederico Confalonieri, 51 min, Brasil, Livre.

16h30 - Berlim na Batucada (1944), Luiz de Barros, 75 min, Brasil, Livre.

18h - Meu Compadre Zé Ketti (2001), Nelson Pereira dos Santos, 12 min, Brasil, Livre; Rio, Zona Norte (1957), Nelson Pereira dos Santos, 82 min, Brasil, Livre.

Cinema 2

16h - Paulo Moura - Infinita Música (1987), Ariel de Bigault, 56 min, França, Livre; Aldir Blanc - Dois pra lá, dois pra cá (2004), Alexandre Ribeiro de Carvalho, André Sampaio e José Roberto de Morais, 54 min, Brasil, Livre.

Serviço:
Mostra Samba pede passagem
Local: Caixa Cultural Rio de Janeiro – Cinemas 1 e 2
Endereço: Av. Almirante Barroso, 25 - Centro (Metrô: Estação Carioca)
Contato: (21) 3980-3815
Data: 1 a 13 de dezembro (terça-feira a domingo)
Horários: Consultar programação
Ingressos: R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia). Além dos casos previstos em lei, clientes Caixa pagam meia.
Lotação: Cinema 1 - 78 lugares (mais 3 para cadeirantes); Cinema 2 - 80 lugares (mais 3 para cadeirantes)
Bilheteria: terça a sexta-feira, de 18h às 20h. Finais de semana, de 10h às 20h
Classificação indicativa: Consultar programação
Acesso para pessoas com deficiência
Patrocínio: Caixa Econômica Federal e Governo Federal

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Batida conjuga o ritmo e o novo pensamento de Angola

RIO - Preso em Luanda no dia 20 de junho, junto com outros ativistas, em meio a um grupo de estudo dos livros “Da ditadura à democracia” e “Ferramentas para destruir o ditador e evitar nova ditadura — Filosofia política da libertação para Angola”, o rapper Luaty Beirão iniciou uma greve de fome que durou 36 dias (foi o último dos seus companheiros a abandoná-la) e, com isso, chamou a atenção de muita gente para a situação política de seu país, governado desde 1979 por José Eduardo dos Santos (contra quem ele e os outros presos estão sendo acusados de se rebelar e planejar atentado).

— Houve muita atenção, como nunca tinha havido em nenhum episódio angolano. Desde 2011 têm acontecido casos como esse, de prisões, e de pessoas que desaparecem — alerta o produtor angolano Pedro Coquenão, mentor do projeto Batida, do qual Luaty faz parte e com o qual Coquenão desembarca pela primeira vez no Rio, no dia 13, para apresentação no Parque Lage, dentro do festival Mimo.

Em 2004, Coquenão e Luaty fizeram juntos o documentário “É dreda ser angolano”, sobre a música no pós-guerra de Angola, exibido em 2009, em João Pessoa, no festival Cineport. Foi ali, casualmente, a primeira vez que o Batida se apresentou no Brasil.

— Na altura, perguntaram-me se havia alguma coisa mais que quisesse apresentar, e eu nem sequer tinha o (primeiro) disco do Batida acabado, então fiz uma apresentação ainda meio experimental — revela Coquenão, que agora torce para que Luaty e os seus colegas de infortúnio se recuperem fisicamente a tempo de enfrentar o julgamento (previsto para acontecer a partir do dia 16). — O pior já passou, todos estão reunidos numa só prisão, em celas comuns, não mais em solitárias.

Batida - Pobre e Rico feat. Matadidi MarioProjeto dedicado a reelaborações eletrônicas do kuduro (a mutação angolana do rap, gestada nas favelas, da mesma forma que o funk carioca) e do semba (a música mais tradicional do país, que se desenvolveu no pós-independência, nos anos 1970), o Batida foi descoberto pelo selo britânico Soundway, que lançou seus dois álbuns, “Batida” (2012) e “Dois” (2014). Nos últimos anos, ele participou de shows com o projeto Africa Express (de Damon Albarn, vocalista do grupo inglês Blur) na França e na Dinamarca (no festival Roskilde) e levou Coquenão a participar do projeto “Ten cities”, em Nairóbi, no Quênia. Recentemente, o produtor passou alguns dias em seu estúdio em Lisboa com o grupo congolês Konono nº1 gravando seu novo disco, que sai em 2016.

— Os ritmos do Congo são muito relacionados aos de Angola — diz Coquenão, que aproveita para fazer também, dentro do Mimo, no dia 24, no Museu da República, a palestra “A música de Angola no pós-guerra”.

O Batida chega ao Brasil com o produtor (nas programações eletrônicas), alguns vídeos (que narram as músicas) e um time de ritmistas e dançarinos.

— A dança não precisa ser só hedonista — afirma. — Há sempre histórias que se contam e conhecimentos que se pode passar com ela.

Entre as músicas com que o Batida chega ao país, estão as de “Dois”, de forte caráter político. Como “Luxo”, que prega com humor que, para acabar com a pobreza, o melhor seria estender o luxo a todos:

— Luanda é uma das cidades com a maior taxa de mortalidade infantil, de pobreza muito abaixo do possível, mas onde há muitos carros da marca Jaguar. A música é uma provocação: em vez de resolver a pobreza por baixo, é melhor resolver por cima. Se toda a gente tivesse um Jaguar, nos sentiríamos melhor.

Um momento lírico do disco é “Lá vai Maria”, feita em cima do samba brasileiro “Lata d’água”, com rap de Luaty Beirão:

— Ouvi essa música numa versão angolana. É uma letra que se relaciona muito com aquela senhora que anda sempre em Luanda com o bebê às costas, transportando água de um lado ao outro, com algo na cabeça para vender e sustentar a família. Podia ser a mãe africana, a mulher ou mesmo o continente.

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Em Londres, Nova Zelândia faz a dança do tricampeonato mundial

LONDRES O mundo é dos All Blacks. Vestindo o tradicional uniforme todo preto, que deu origem ao apelido, a Nova Zelândia se sagrou ontem tricampeã mundial de rúgbi, ao se impor à Austrália por 34 a 17, em Londres.

Ao fim do jogo, os campeões festejaram com a haka (dança tradicional). Vitoriosa nas Copas de 1987 e de 2011, a Nova Zelândia é a primeira a ter conquistado três vezes o Troféu William Webb Ellis, em homenagem ao criador da modalidade. Ambos da Oceania e de colonização inglesa, os países têm uma curiosa rivalidade.

Na decisão do bronze, na sexta-feira, a África do Sul bateu a Argentina: 24 a 13. A próxima Copa será em 2019, no Japão.

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No rúgbi, Argentina torce pelo maior salto dos Pumas

Numa ocasião que poderá ser histórica para o esporte das Américas, a seleção de rúgbi de 15 da Argentina luta para se tornar neste domingo a primeira da América do Sul a ter alcançado a final do Mundial de Rúgbi. Para isso, os Pumas (como a equipe é conhecida) terão de superar, na semifinal em Londres, às 14h de Brasília, a favorita Austrália, conhecida pelo apelido de Wallabies, um pequeno canguru. Semifinalistas em 2007, os argentinos se viram batidos pela África do Sul e terminaram em terceiro lugar, ao ganhar dos franceses. Neste sábado, às 12h45m, na outra semifinal, se enfrentam Nova Zelândia e África do Sul.

Agora, após terem eliminado a Irlanda por sonoros 43 a 20, os argentinos querem ir além. O cenário para o confronto será o Estádio Twickenham, em Londres. Pelo retrospecto recente, porém, os australianos são favoritos, já que venceram quatro das últimas cinco partidas. Sem brilho na história do Mundial, três outros países das Américas estiveram na competição: EUA, Canadá e Uruguai. Já o Brasil tem projeto para chegar a esta competição em 2023. Remanescente da campanha de 2007, o pilar (atacante) Marcos Ayerza, de 32 anos, tem um status diferenciado entre os 30 atletas do técnico Daniel Hourcade. Nas concentrações, ele não divide o quarto, devido ao sonambulismo.

— As crises me atingem nos momentos de tensão, de muito nervosismo, quando estão para acontecer algo importante, como uma partida. Agora, durmo sozinho, e assim não sei o quanto estarei sonâmbulo, porque ninguém me conta — riu ele, em seu terceiro Mundial. — Fui a uma clínica do sono aqui na Inglaterra (ele defende o time inglês do Leicester Tigers), onde me disseram que contra o sonambulismo não há cura e que relaxasse. É uma piada...

No Mundial de 2007, Ayerza divida o quarto com Mario Ledesma, ex-jogador e atualmente membro da comissão técnica australiana. Por suas aventuras entre o sono e o despertar, era personagem principal das anedotas.

— Toda manhã havia milhares de historinhas do que eu teria feito à noite. Que eu caminhava pelo apartamento, que abria as janelas, que fazia barulho em plena madrugada... Um dia Mário me contou que havia me visto parado ao lado de sua cama, olhando-o fixamente. Há milhares de histórias e de queixas de companheiros, porque não podiam dormir — riu Ayerza, antes de falar do momento histórico do grupo. — Depois de 2007, achei que nunca mais os Pumas voltariam a estar entre os quatro melhores.

Em entrevista ao GLOBO por telefone, de Londres, Tomas Cubelli deixou claro o quanto o grupo deseja a taça.

— O título representaria muitas coisas, porque fazemos esforços muito grandes para jogar pelos Pumas. Estamos contentes porque os resultados têm vindo e todo o país está nos apoiando. Tomara que desta vez a América do Sul tenha o campeão. Temos um time de alto nível, e estamos em quarto no ranking mundial — afirmou Tomas Cubelli. — E quem sabe se agora que temos o Papa (Francisco) ele não nos dá uma mãozinha?

Aos 26 anos, Cubelli defende a Argentina há cinco e está em seu primeiro Mundial. Ele observou que em países como Austrália e Nova Zelândia o rugbi é profissional e é o principal esporte nacional, ao contrário do que ocorre na América do Sul. Campeão sul-americano em 2010 no rúgbi de sete (sete jogadores por time), que constará do programa das Olimpíadas do Rio, em 2016, ele não sabe se a seleção de seu país irá ou não contar com alguns jogadores do rúgbi de 15.

— Na Argentina, o rúgbi é amador. Todos (os que jogam na Argentina, como ele, que defende o Belgrano) viemos de clubes amadores. Metade do grupo atua na Europa — afirmou, lembrando que lá, como no Brasil, os clubes de rúgbi são diferentes dos que se dedicam ao futebol.

A paixão pelo rúgbi é, muitas vezes, coisa de família. Filho de José Luis Imhoff, jogador da seleção nos anos 60, Juan Imhoff, de 27 anos, está em seu segundo Mundial, tendo marcado o último try (cinco pontos) diante da Irlanda.

— Sabemos que demos um passo importante, mas faltam dois. Não mudamos nada do que vínhamos fazendo, porque restam duas partidas, e queremos ser campeões do mundo. Estou contente, mas sou meu crítico número um. O segundo é meu pai (José Luís que atuou na equipe nacional nos anos 60) — comentou Juan Imhoff.

JOGADORES TROCAM APELIDOS ENTRE SI

No clima fraternal entre os atletas da azul e branca, apelido é o que não falta. O sonâmbulo Ayerza é Toro (touro), por sua força física, e Cubelli é o Cubo. O craque Juan Hernández é Juani, El Mago ou Coco, e Imhoff, Coquito. Ramiro Herrera é Cumpa, de compadre, amigo. Facunco Isa pode ser Facu ou Kundo, Martin Landajo é Marta, e nem o técnico Daniel Hourcade e seu auxiliar Rafael Pérez escapam. Pérez é Aspirina ou Asper, e Hourcade é Huevo (ovo).

— Às vezes me chamam pelo nome, e não sei de quem estão falando. Agora sou o Huevo — comentou o técnico, que dedicou a vaga na semifinal à sua mãe doente, já que o Dia das Mães em seu país é no terceiro domingo de outubro, no caso o dia 18. — — Já demonstramos que somos capazes de ganhar dos australianos, mas estamos cientes de que ainda não estamos à altura deles. Vamos caminhando.

Tal e qual no Brasil, futebol é religião na Argentina. Isso não impede que os desportistas daquela nação consumam um cardápio de modalidades mais amplo do que o dos torcedores brasileiros. Abaixo do futebol por lá, estão o próprio rúgbi, o turfe, o basquete, o hóquei sobre grama, o automobilismo e o vôlei. No caso do rúgbi de sete, o mais provável é que a União Argentina de Rúgbi (UAR) envie uma seleção diferente para a Rio-2016.

Entretanto, isso ainda não é o que mais importa para o povo que deverá ficar vidrado na tela da TV.

— Lá, o rúgbi lota os estádios, e como haverá eleições domingo (hoje), não haverá evento esportivo. Muita gente vai estar em frente à TV, e se futuramente formos campeões, vai cair o mundo — exclamou ao GLOBO o diretor de imprensa da UAR, Rafael Laría.

O rúgbi union ou de 15 e o sevens, ou de sete, têm algumas diferenças. No de 15, como diz o nome, são 15 titulares e oito suplentes. No de setem este é o número de titulares, com cinco reservas. Sobre a duração, no de sete, são dois tempos de sete minutos. No de 15, dois tempos de 40. Há um minuto de intervalo no de sete, e dez minutos no de 15.

Algumas coisas são iguais em ambos, como a pontuação. O try (invadir com a bola a linha de fundo do adversário) vale 5 pontos; a conversão(chute no H depois do try), 2; o penal e o drop goal (faltas), 3. Só se pode passar a bola com as mãos para o lado ou paratrás; correr com a bola ou chutá-la para frente. O campo e a bola também são iguais nos dois. A bola é oval, de couro ou de material sintético, pesando de 400 a 440 gramas. O preço varia entre R$ 56 e R$ 3. No rúgbi de 15, são oito jogadores de cada lado no scrum (formação parecida com um caranguejo e na qual se disputa a bola); no de sete, são três de cada lado nesse momento.

Organizado pela International Rugby Board (federação internacional dessa modalidade), o Mundial de 20 equipes é disputado desde 1987. Conhecidos como All Blacks, pelos uniformes totalmente pretos, e pela dança tradicional do haka, os atletas da Nova Zelândia foram campeões em 1987 e 2011. A Austrália ergueu a taça em 1991 e 1999. A África do Sul foi vitoriosa em 1995, nos tempo de Nelson Mandela, em campanha imortalizada pelo filme “Invictus”, e em 2007. A seleção inglesa foi campeã em 2003.

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Projeto ‘Everyday everywhere’ mostra diversos países para além de seus estereótipos

RIO — Em junho, o fotógrafo guatemalteco Saul Martinez cobria uma passeata na capital da Guatemala em memória das vítimas do conflito armado que ocorreu no país entre 1960 e 1996. Quando se distanciou um pouco da marcha, viu uma cena curiosa: usando pernas de pau, um dos artistas que participavam da manifestação descansava exatamente ao lado de um homem de terno e gravata, um dos muitos trabalhadores que circulam naquele horário pelo centro histórico da Cidade da Guatemala. As cores faziam vibrar a ironia do instante: enquanto um, vestido de maneira sóbria, parecia alheio ao que acontecia, o outro, de traje histriônico, era o mais envolvido.

Martinez fez o clique com o celular e publicou na internet junto à seguinte legenda: “Cada homem contribui com a sociedade à sua maneira”. A imagem correu mundo, foi compartilhada de Nova York a Tel Aviv, de Bangcoc a Moscou. Se bobear, até no Oiapoque algum brasileiro abriu o celular na fila do supermercado e foi tocado pela imagem peculiar de um país que pouco conhecemos para além dos lugares-comuns que misturam praias paradisíacas e escândalos de corrupção. Veja imagens do projeto Everyday Everywhere

Para isso, Martinez usou um perfil do Instagram do qual é um dos colaboradores oficiais: o @everydaylatinamerica. A conta é uma das 200 que hoje integram o “Everyday everywhere”, projeto que surgiu na África há cerca de três anos com o perfil @everydayafrica, idealizado por fotógrafos estrangeiros baseados no Quênia com o objetivo de desconstruir os clichês de fome, pobreza e destruição atribuídos ao imaginário do continente.

Em fotos tocantes, publicadas todos os dias (como a do alto desta página, que mostra três meninos apostando corrida a caminho da escola, no Quênia), o perfil ganhou milhares de fãs pelo mundo e inspirou outros profissionais a criar iniciativas similares, como o @everydaymiddleeast, o @everydayasia, o @everydayeasterneurope e até o @everydaybrasil, lançado em outubro passado.

Na última semana, o “Everyday everywhere” deixou de ser uma simples coleção de ensaios virtuais dos recônditos do mundo para se tornar uma iniciativa real de arte e educação entre os países envolvidos. Criadores do projeto, os americanos Peter DiCampo, fotógrafo freelancer, e Austin Merril, editor de imagem da revista “Vanity Fair” (ambos premiados por trabalhos fotográficos na África), fizeram a primeira de uma série de oficinas entre estudantes americanos e africanos (um profissional foi para uma escola de Mombasa, no Quênia, outro para uma de Chicago, nos EUA).

— Depois de ouvir o que cada criança sabia sobre o país da outra, relatos já cheios de preconceitos, demos aos alunos noções básicas de fotografia e os levamos a campo para registrar imagens que surpreendessem o outro grupo. Então, eles trocaram impressões e fotos pela internet. O resultado foi excepcional, em pouco tempo já tinham virado amigos — relata Peter DiCampo, que pretende lançar um livro com as melhores fotos publicadas pelo @everydayafrica, incluindo as dos alunos dessas primeiras oficinas, no início de 2016. — Entramos em contato com ONGs locais para tirar o “Everyday everywhere” do mundo virtual e levá-lo ao mundo real. Como trabalhamos muitos anos fotografando a África, sempre quisemos mostrar suas imagens corriqueiras, para tentar desfazer esses estereótipos sobre os africanos. E não há forma melhor de fazer isso do que com crianças. Com todos os colaboradores que reunimos, vamos começar a espalhar essas oficinas pelo mundo.

CURADOR É FOTÓGRAFO DE HILLARY CLINTON

A mesma sensação tinha o fotógrafo americano Ian Thomas Jansen-Lonnquist, de 27 anos, um dos criadores do perfil @everydayasia, durante os anos em que trabalhou como freelancer em Nova Délhi, na Índia, para publicações como o “New York Times” e o “Wall Street Journal”: era preciso mostrar cenas comuns do dia a dia de países como Vietnã ou Afeganistão.

Como acontece em uma das fotos que mais fizeram sucesso no perfil, feita pelo colaborador do Afeganistão, Andrew Quilty, no início deste ano: a imagem, um carro com crianças no porta-malas, revela uma cena corriqueira dos feriados em Cabul. Como as famílias são numerosas e os carros mais baratos são modelos japoneses pequenos, é comum ver, em dias de folgas, crianças penduradas nos veículos das formas mais heterodoxas.

— Não acredito que as pessoas queiram ver só fotos de paisagens no Instagram. Há um desejo real de compreender como se vive em outras partes do mundo. Essa curiosidade nos torna mais compreensivos e ajuda a construir sociedades que reflitam um mundo com mais nuances. Quando conheci o @everydayafrica, em março do ano passado, pensei: vou fazer a mesma coisa — conta Jansen-Lonnquist, o curador da conta que já tem 85 mil seguidores, hobby complicado de manter quando se é o fotógrafo oficial da campanha de Hillary Clinton à presidência dos Estados Unidos. — É um trabalho feito no amor. Não é algo que me faça um dia largar os meus trabalhos regulares, mas me traz uma satisfação imensa.

É como dar uma volta ao mundo pelo celular: cada perfil costuma publicar uma foto por dia, selecionada entre as muitas imagens enviadas por fotógrafos colaboradores de cada conta. O perfil do Irã seleciona apenas imagens de um time fixo de fotógrafos profissionais. O perfil do Brasil é mais flexível, e publica fotos escolhidas entre as que surgem todos os dias com a hashtag #everydaybrasil, mesmo as feitas por amadores.

— O meu critério é a estética, claro, mas também a história por trás de cada foto. Gosto de fotos que sugiram imagens não óbvias do Brasil, em que você perceba toda a narrativa só de bater os olhos — comenta Ivana Debértolis, fotógrafa freelancer de São Paulo, que cuida sozinha da conta brasileira e elegeu como uma de suas preferidas a imagem de uma dança gauchesca clicada em Porto Alegre, completamente inusitada para quem ainda só associa o Brasil a passistas seminuas. — Conheci os outros perfis em outubro do ano passado, fiquei encantada, vi que no Brasil não havia um ainda e resolvi criar. Já somos uma rede de fotógrafos espalhada por lugares como o interior do Tocantins ou de Sergipe.

Não há qualquer tipo de restrição para quem queira criar um perfil. Peter DiCampo defende que, quanto mais “everydays” surgirem, melhor. Já começam a pipocar, inclusive, perfis temáticos, como o Everyday Climate Change, com fotos sobre mudanças climáticas, ou Everyday Feminism, com imagens que discutam as questões de gênero. Mas há algumas regras para quem queira ser curador de sua cidade ou região (ser fotógrafo profissional, não postar mais de quatro fotos por dia etc.). Está tudo explicado no website do Everyday Iran, um dos perfis mais organizados (e interessantes) de todos, que existe há cerca de um ano e meio.

— É muito importante, para os países árabes, quebrar essa imagem terrível que o mundo construiu para nós. As pessoas nos julgam pela imagem que veem dos nossos países, geralmente relacionadas a violência e intolerância. Mas elas devem nos julgar como pessoas. Por isso um projeto como este é tão importante: 79% da nossa audiência no Instagram é estrangeira, e são pelo menos 2 milhões de visualizações por mês — explica o fotógrafo iraniano Ali Kaveh, curador do perfil, que faz trabalhos como freelancer para o periódico inglês “Sunday Times” e para a revista italiana “Contrasto”. — Nós temos uma vida absolutamente normal, tanto a pública quanto a privada. Vamos a festas, ao shopping, criamos nossos filhos, não somos um estereótipo.

Uma das fotos que mais fez sucesso na conta iraniana é a de duas mulheres ouvindo música em seus smartphones enquanto uma banda toca atrás delas, cena absolutamente comum em muitos países ocidentais em 2015, que causou surpresa entre os seguidores da conta. Outra é a de um banho público masculino em piscinas de águas sulfurosas registrada pelo fotógrafo Naser Hesami na cidade de Sabalan, na província de Ardabil, em outubro de 2014. Como são proibidos para mulheres, muitas delas só puderam ver como eles são pela conta do Instagram.

— Antes, os fotógrafos tinham de submeter suas imagens a editores de revistas, que faziam uma seleção para publicar. Com este projeto, o mundo não tem mais filtros. O que queremos agora é organizar as oficinas educativas no Irã, e fazer também exposições colaborativas e conferências no modelo das TED Talks.

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Atentados na França, Tunísia e Kuwait continuam ecoando

PARIS, TÚNIS e CIDADE DO KUWAIT — No dia do primeiro aniversário da proclamação do califado do Estado Islâmico, a sexta-feira sangrenta marcada por atentados na França, Tunísia e Kuwait continuou a repercutir pelo planeta com novas revelações sobre os autores dos ataques que deixaram 67 mortos e mais de 250 feridos.

Apesar da promessa do presidente americano, Barack Obama, de “degradar e destruir” o Estado Islâmico no ano passado, pouco parece ter mudado desde a proclamação do califado há um ano.

— O Estado Islâmico ainda mantém liberdade de manobra suficiente para atacar quando, como e onde quiser — afirma o general aposentado Jack Keane, número dois do Exército americano entre 1999 e 2003.

Na França, o entregador Yacine Sali confessou ter decapitado seu chefe, Herve Cornara, no estacionamento perto da usina de gás da empresa Air Products Canisters, em Saint Quentin-Fallavier, nos arredores de Lyon. O corpo decapitado foi encontrado na cena do crime, junto com bandeiras com inscrições da shahada, o testemunho de fé islâmica. O entregador tentou explodir a usina colidindo sua van contra cilindros de gás dentro das instalações da usina. Sali, que foi transferido para Paris na manhã de ontem, revelou que enfrentava dificuldades profissionais e familiares. Detidas na sexta-feira, a mãe e a irmã de Sali também foram liberadas ontem. Uma terceira pessoa, ainda não identificada, foi detida e liberada no próprio dia do crime.

A polícia investiga ainda as ligações de Sali com grupos extremistas. O entregador, de origem argelina e marroquina, não tem antecedentes criminais, mas já havia sido monitorado pelos serviços de Inteligência na década passada, por suspeita de ligações com radicais salafistas. Sali, de 35 anos, e pai de três filhos, enviou uma selfie com a cabeça de Cornara pelo aplicativo WhatsApp a um número de telefone canadense, registrado no nome de um cidadão francês identificado como Sébastien-Younés, que estaria em Raqqa, na Síria — principal base de atuação do Estado Islâmico — desde o ano passado. Autoridades canadenses prometeram auxiliar a polícia francesa nas investigações.

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, comentou o incidente, relembrando as medidas tomadas após o atentado contra o semanário “Charlie Hebdo”, em janeiro, que, segundo ele, impediram novos ataques. De acordo com Valls, os 1.800 cidadãos franceses que viajaram à Síria ou estão envolvidos no recrutamento de jihadistas representam um enorme perigo para a França, assim como os franceses envolvidos em outros conflitos, no Afeganistão, na região africana do Sahel e no Iêmen.

— O país está sob uma grande ameaça terrorista. Não podemos perder essa guerra, porque estamos defendendo nossa sociedade e nossos valores — afirmou Valls. — Não se trata de saber se teremos ou não um novo ataque, mas sim quando esse ataque acontecerá.

Tunísia: novas informações sobre atirador

Na Tunísia, após o anúncio de reforço nas medidas de segurança para combater os avanços do extremismo no país, novas informações sobre a vida de Seifeddine Rezgui, autor do massacre que deixou 39 mortos e 36 feridos no balneário de Sousse foram reveladas. Descrito como “calmo e introvertido”, Rezgui era um apaixonado por futebol, torcedor do clube espanhol Real Madrid e da seleção tunisiana, e participara de campeonatos de dança na capital Túnis, como mostra um vídeo divulgado ontem na internet.

— Ele era um bom aluno e nunca faltava às aulas — informou o primeiro-ministro tunisiano, Habib Essid, ecoando declarações de amigos e familiares de Rezgui. — Nossas investigações não apontaram qualquer sinal de extremismo ou ligações com grupos terroristas. Ele nem mesmo estava na lista de pessoas monitoradas.

Autoridades acreditam que, assim como os extremistas responsáveis pelo massacre no Museu do Bardo, em março, Rezgui teria entrado em contato com líderes religiosos e grupos ultraconservadores que tentam expandir sua influência desde a queda do presidente Zine el-Abidine Ben Ali, em 2011, durante a onda de protestos conhecida como Primavera Árabe. Seu processo de radicalização teria começado em uma mesquita clandestina criada em Kairouan nos últimos dois anos, e recentemente ele publicou mensagens extremistas no Facebook.

Mais de 3 mil tunisianos se juntaram ao Estado Islâmico no Iraque e na Síria, e também têm atuado ao lado de grupos extremistas na Líbia.

Repleto de visitantes europeus, o balneário de Sousse é mais um local na mira de grupos islamistas que atacam destinos turísticos no Norte da África, considerados alvos legítimos por seu estilo abertamente ocidental e sua tolerância com o álcool. Ao reivindicar a autoria do massacre no Hotel Imperial Marhaba, o Estado Islâmico afirmou que o ataque do atirador tinha como alvo “um bordel”.

Investigadores também trabalham com a possibilidade de que o atirador tenha recebido a ajuda de cúmplices que facilitaram seu acesso ao fuzil usado no massacre, e o transportaram até o hotel.

— Temos certeza de que outros o ajudaram, embora não tenham participado diretamente — afirmou o ministro do Interior, Mohamed Ali Aroui.

Autor de atentado no kuwait é identificado

Após uma demonstração de união nacional na capital kuwaitiana anteontem, durante o funeral das vítimas do ataque à mesquita al-Imam al-Sadeq, o Ministério do Interior identificou o homem-bomba responsável pelo atentado como Fahd Suleiman Abdulmohsen al-Qaba’a, um saudita nascido em 1992, que teria chegado ao Kuwait na manhã de sexta-feira, horas antes do atentado. Na sexta-feira, após a explosão, o grupo Província de Najd, ligado ao Estado Islâmico, havia identificado o terrorista como Abu Suleiman al-Muwahhid, sem especificar seu país de origem.

Na manhã de ontem, o motorista que levou al-Qaba’a à mesquita na sexta-feira foi preso, e identificado como Abdulrahman Sabah Eidan Saud. Anteontem, autoridades já haviam detido Jarrah Nimr Mejbil Ghazi, dono do veículo usado pelo saudita. Saud e Ghazi foram descritos pelas autoridades como “bidunes” ou “residentes ilegais”, termo usado para descrever os mais de 100 mil apátridas que vivem no país, e exigem direito à cidadania. Entre as vítimas do atentado estavam 19 kuwaitianos, três iranianos, dois indianos, um paquistanês, um saudita e um apátrida.

— Queremos mandar uma mensagem ao Estado Islâmico — afirmou Abdulfatah al-Mutawwia, um kuwaitiano vivendo no Iraque, que perdeu um irmão no atentado. — Sunitas e xiitas, somos irmãos unidos e eles não serão capazes de nos dividir.

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O Negro e o Branco já são amigos?

Se ainda há muito pouco tempo a programação de artes e de objectos de culto originários de uma África contemporânea, ou das suas diásporas, era um acontecimento raro, a que se deve hoje tanto interesse e tantas manifestações cujos temas são as múltiplas variáveis de África - negro, pensamento africano, cinema africano, as mulheres africanas, etc.? Há festivais de música, plataformas de dança e teatro, sessões de cinema, debates institucionais. (webremix.info)


Downtown Disney, área de entretenimento noturno da Disney, vive maior ampliação da sua história

ORLANDO - A primavera está chegando ao Downtown Disney, área de entretenimento noturno do Walt Disney World. Com a maior expansão da sua história, o local dobra de tamanho até o fim de 2016, quando passa a se chamar Disney Springs. Rebatizada, contará com cerca de 150 atrações, entre bares, lojas, restaurantes, cinemas e casas de shows.

BV-Disney Uma das novidades é o restaurante Boathouse. À beira de um lago, é inspirado em construções navais, principalmente das décadas de 1930, 1940 e 1950. A decoração interna segue o tema, com réplicas de navios e paredes de madeira, que lembram docas. Já os pratos servidos vão desde frutos do mar até o tradicional americano macarroni & cheese. O local oferece ainda passeios pelo lago que cerca o local no carro anfíbio “The Venezia”.

Ainda na área gastronômica, há o Dockside Margaritas, um bar especializado no drinque mexicano e que fica em uma agradável deque à beira do lago. E a nova-iorquina Erin McKenna Bakery abriu em fevereiro com cardápio vegano e alimentos sem glúten. E, no segundo semestre será inaugurado o restaurante temático de Indiana Jones, o Jock Lindsey’s Hangar Bar, com cardápio de drinques e aperitivos.

Ao todo, serão 75 novas atrações. Uma das mais recentes é a loja Super Hero Head Quarters, que abriu suas portas no fim de abril. Embora especializada nos super heróis da Marvel, é aconselhável reduzir as expectativas, já que a variedade de produtos ainda é pequena. Na barbearia The Art of Shaving também é possível comprar produtos com design exclusivo. A loja de chapéus Chapel Hat vende diferentes versões do acessório e está entre as que chegaram por lá há pouco. Também estão presentes a brasileira Havaianas, a loja de calçados Sanuk, a Sunglass Hut, especializada em óculos escuros, e a joalheria Erwin Pearl.

Desde fevereiro, uma ponte para pedestres, que liga as duas extremidades do lago (entre a loja da Lego e o Rainforest Café), está aberta, facilitando o caminho. Aliás, quem continua por lá é o Disney Quest, um parque indoor de jogos eletrônicos.

Até o fim de 2015, o Downtown Disney receberá também o seu primeiro restaurante oriental, o Morimoto Asia, do chef-celebridade Masaharu Morimoto (que tem uma rede restaurantes em com unidades em Miami, Nova York, Waikiki, Nova Délhi, Cidade do México entre outros) e a steakhouse STK.

Uma das atrações que continua fazendo sucesso por lá é a butique dedicada às princesas, Bibbidi Bobbidi, dentro da loja World of Disney. Por lá, além de adquirir produtos, crianças podem se fantasiar como as heroínas.

PARA SE TORNAR UM JEDI

No Hollywood Studios, os personagens clássicos da Disney, como Mickey, Donald e Pluto, entram no clima de “Guerra nas estrelas” durante o evento Star Wars Weekends, que são fins de semana até 14 de junho totalmente dedicados à obra.

Durante o período, mais de 60 personagens farão apresentações especiais, que estarão repleto de referências dos filmes. Há também desfile e, à noite, uma celebração com queima de fogos. Para entrar no clima, vale passar no Star Tours - The Adventures Continue, brinquedo dedicado ao filme com “aulas” para se tornar um Jedi. No shopping Darth’s Mall e em outros estabelecimentos há ainda opções de comida, bebidas e atividades com inspiração intergaláctica.

Mas, se a vontade é mesmo experimentar as variedades aqui do planeta Terra, várias atividades estão programadas para acontecer no Epcot. Nele, estão áreas dedicadas a diversos países, entre eles Itália, Noruega, Canadá, Estados Unidos, Alemanha, Marrocos e Reino Unido.

Na parte italiana o tradicional “Sbandieratori di Sansepolcro” combina música e dança coreografadas com bandeiras pintadas artesanalmente e trajes de época. É a chance de presenciar uma tradição italiana de mais de cinco séculos.

Já na área dos EUA, a música dá o tom do verão. Duas vezes por semana, o grupo Voices of Liberty entoa clássicos nacionais, à capela, no American Gardens Theatre. De quarta a domingo a banda American Music Machine, também revisita clássicos e músicas contemporâneas, com arranjos personalizados por Tim Davis. O som diversificado é dado apenas pelos arranjos de voz dos cinco integrantes.

No pavilhão do Canadá, a diversão fica por conta de jogos e disputas, como arremesso de machado e rolamento na água, entre outros.

Na Europa, pelo pavilhão do Reino Unido, a música folk escocesa é a principal atração da temporada. A apresentação fica a cargo da Paul McKenna Band, um dos grupos acústicos escoceses mais tradicionais.

Mas, se a viagem é para a África, é bom ficar atento ao B’net Al Houwariyate, um grupo de música de Marrakech, que conta histórias das mulheres do Marrocos.

Um dos passeios imperdíveis é o safári do Animal Kingdom. Em uma caminhonete aberta, é possível ver os animais soltos e em interação com o meio ambiente. Macacos, zebras, felinos (como onças e leoas), rinocerontes, hipopótamos.

Por lá, a novidade é a abertura do Africa Market Place, esperada para junho. A inauguração traz novas opções de lojas e restaurantes inspirados em países da África.

Depois de visitar tantos países, é hora de relaxar e se refrescar — afinal, é quase verão em Orlando! — em um dos parques aquáticos da Disney. No Typhoon Lagoon, a Teen Beach 2: Beach Party — é uma festa retrô, com trilha da década de 1960, com a presença de surfistas e dançarinos inspirados na série “Teen beach”. O evento ocorre até 5 de julho, várias vezes ao dia em diferentes áreas do parque.

SERVIÇO

O passe diário do Magic Kingdom custa US$ 105 para adultos e US$ 99 para crianças. Entradas de um dia para Hollywood Studios, Epcot e Animal Planet custam US$ 97 para adultos e US$ 91 para crianças.

O passe para cinco dias, válido para todos os parques Disney, custa US$ 315 (acima de 10 anos) e US$ 295 (de 3 a 9 anos).

Carolina Mazzi viajou a convite da Walt Disney World Resorts

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Instituto Fernandes Figueira reforça campanha para doação de leite materno

RIO - O Instituto Fernandes Figueira (IFF) promove na próxima sexta (22) atividades educativas com mães e crianças para reforçar a importância da doação de leite materno. O evento faz parte de uma série de comemorações pelo Dia Mundial de Doação de Leite Humano, celebrado nesta terça-feira em 23 países, entre eles o Brasil. A ideia é sensibilizar cada vez mais mulheres em fase de amamentação a doar o leite excedente em prol de bebês prematuros e nascidos abaixo do peso.

— O leite doado garante a segurança alimentar e nutricional desses bebês, ajudando no desenvolvimento mais rápido das crianças - diz Danielle Aparecida da Silva, gerente do Centro de Referência para Bancos de leite humano do IFF. - O leite humano é o único capaz de oferecer fatores de proteção ideais para um bebê em período critico e dar a ele a oportunidade de ter alta mais rápido. É doar vida.

A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, com sede no IFF, possui 214 unidades de banco de leite e 145 postos de coleta em todo o país - onze delas na cidade do Rio, além de unidades em Friburgo, Petrópolis, Teresópolis, Volta Redonda e Campos.

Apesar do esforço, a realidade ainda não atende as expectativas. Muitas unidades de UTIs neonatais ainda não contam com banco de leite. E o número de doadoras nas unidades já existentes ainda fica abaixo da demanda.

— Há períodos em que as doações têm uma queda grande. Para atender às demandas, necessitaríamos elevar o número de doações em 40% - diz Danielle. - Temos no IFF em média 150 a 200 doadoras por mês, o que contabiliza cerca de 250 litros mensais. Mas o ideal é aumentar esse índice.

Em 2014, a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano distribuiu mais de 140 mil litros de leite para cerca de 180 mil receptores em todo o país. Sem a ajuda das mães doadoras, a situação seria crítica. A amamentação nos seis primeiros meses de vida ajuda a salvar, por ano, mais de seis milhões de bebês em todo o mundo.

Segundo Danielle, as mães interessadas em doar leite podem entrar em contato com o banco de leite, apresentar exames feitos no pré-natal e então recolher os frascos de vidro para a coleta. Não há quantidade mínima nem máxima para a doação. O leite recebido passa por um controle de qualidade antes de ser distribuído às crianças que precisam.

Eventos comemorativos

O Dia Mundial de Doação de Leite Humano passou a ser celebrado em 23 países da América Latina, Europa e África a partir de 2005. O exemplo foi logo seguido por outros países. No Brasil, a ação conta com campanhas de promoção da doação de leite materno por meio de palestras, cartazes e eventos com as mães.

Na sexta, a partir de 9h, o IFF promove evento com mães receptoras e doadoras, que poderão compartilhar as experiências sobre seus bebês. Além disso, o Projeto Dança Materna promoverá uma aula experimental para mães e bebês.

— É uma interação entre quem doa e quem recebe. E a doação costuma ser terapêutica. Em vez de deixar que o excesso de leite se acumule e cause transtornos à mãe, ela ainda pode ajudar a tornar outro bebê saudável - conclui Danielle.

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Duas montagens teatrais reveem a história do Brasil ao contar a vida de Tiradentes

RIO- Mártir da Inconfidência Mineira, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, tem sua história lembrada em dois espetáculos na semana. Nesta terça, no dia de sua morte, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro leva o alferes a julgamento e promete livrá-lo da forca. Já no sábado, dia 25, e no domingo, o herói nacional tem a trajetória narrada em espetáculo do projeto Porto de Memórias, encenado nas escadarias do Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa, mesmo endereço em que funcionou a Cadeia Velha, onde ele ficou preso até ser executado, em 1792.

SEM FORCA

Se fosse a julgamento hoje, Joaquim José da Silva Xavier não seria levado à forca. É isto que vai acontecer no espetáculo “Desenforcamento do Tiradentes: Justiça ainda que tardia” que conta com o ator Milton Gonçalves no papel do alferes. A peça apresenta ainda o desembargador Claudio dell’Orto, no papel de juiz, e os criminalistas Jorge Vacite Filho e Técio Lins e Silva respectivamente como promotor e defensor do inconfidente. Um elenco de atores e magistrados (as desembargadoras Cristina Gaulia e Ana Maria Oliveira também participam) completa o espetáculo, dirigido por Silvia Monte.

Idealizador do projeto, o historiador Joel Rufino dos Santos diz que a iniciativa busca refletir sobre temas que eram discutidos na época — liberdade, justiça, dominação estrangeira, abuso fiscal — e trazê-los para os dias atuais. A Tiradentes coube fim diferente do conferido a seus companheiros, que tiveram penas comutadas em chibatadas e degredos para a África:

— A classe social a que Joaquim José da Silva Xavier pertencia pode ter contribuído para que sua sentença fosse mais dura do que as dos demais. Além disso, ele chamou a responsabilidade para si.

Para os que não conseguirem lugar na sala do tribunal, haverá telões em outros salões para que todos possam acompanhar o julgamento. A peça termina com um cortejo que sairá rumo à Praça Tiradentes, animado pela bateria do bloco das Carmelitas.

ATRIZ COMO TIRADENTES

Com texto e direção de Alexei Waichenberg e Maria Nattari, o espetáculo do fim de semana, “Tiradentes — Nem tudo o que parece é”, tem uma mulher, a atriz franco-brasileira Clara Choveaux, no papel do inconfidente.

— Eu conheço a Clara há muito tempo e já escrevi o texto pensando em dar a ela o papel principal — diz Waichenberg, que conta com elenco de mais de 20 atores e a presença da Orquestra Villa-Lobos no palco.

Para fazer a costura narrativa do espetáculo, Waichenberg inseriu também um rapper (Fred Sabino) na cena, como uma espécie de mestre de cerimônias.

— Naquele tempo, estava na moda o arcadismo, que é uma poesia rimada. Eu achei que o rapper era uma maneira de trazer os versos rimados para os dias de hoje — conta o diretor.

Com longos cabelos claros e barba cerrada graças à borra de café, a alta e longilínea Clara Choveaux, de 40 anos, uma vez caracterizada se aproxima um bocado da imagem do herói eternizada em telas famosas de Pedro Américo e Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo.

A atriz, que ingressou na profissão através da dança, iniciou carreira cinematográfica em Paris: viveu uma transexual, papel protagonista de “Tiresia”, longa de Bertrand Bonello (2003), que concorreu à Palma de Ouro em Cannes. Mesmo animada, Clara se diz nervosa com a tarefa.

— Imagina encarar essa figura emblemática em praça pública. É muita responsabilidade. Dá frio na barriga — conta ela, que voltou ao Brasil em 2009.

“Tiradentes — Nem tudo o que parece é” passeia do garimpo mineiro à corte portuguesa. A trajetória do inconfidente é narrada ainda em Minas Gerais, onde ele se reúne com outros integrantes do movimento. Acompanha a ida do militar de Vila-Rica para o Rio de Janeiro, a delação de Joaquim Silvério dos Reis, a prisão e a condução à forca. Entretanto, o alferes não é executado em cena.

— Eu não mato Tiradentes. Há uma corrente que acredita que ele teria escapado da forca e morrido, anos depois, na França, para onde teria fugido. O morto seria outra pessoa (o carpinteiro Isidro de Gouveia teria assumido a identidade de Tiradentes em troca de ajuda financeira à sua família, oferecida a ele pela maçonaria) — conta o diretor.

A trama apresenta ainda um menino, vivido por João Pedro Rufino, como filho de Tiradentes.

— Ele seria filho dele com uma escrava. Mas, mais que isso, ele também simboliza os ideias do próprio Tiradentes — diz Waichenberg.

OUTRAS TRÊS PRODUÇÕES

A trama do inconfidente abre a segunda edição do projeto cultural Porto de Memórias, idealizado por Sonia Mattos. Inaugurado no ano passado, o projeto que reconta e dramatiza fatos históricos tem, além de “Tiradentes”, outras três produções programadas para 2015. “Abolição — Um único dia de delírio”, sobre uma festa acontecida dias após o fim da escravatura, vai estrear em maio no Cais do Valongo. “João Alabá”, sobre o pai de santo, dono do primeiro candomblé do Rio, e que introduz Tia Ciata nos caminhos do samba carioca, ocupará a Pedra do Sal em junho. E “Hilário Jovino, mestre-sala do Brasil”, pioneiro do samba e primeiro mestre-sala, está marcado para julho, na Praça da Harmonia.

SERVIÇO

“Desenforcamento (...): Justiça ainda que tardia”

Onde: Antigo Palácio da Justiça — Rua Dom Manoel 29, Centro (3133-3366)

Quando: Hoje, às 14h

Quanto: Grátis

Classificação: Livre

“Tiradentes – Nem tudo o que parece é”

Onde: Palácio Tiradentes — Rua Primeiro de Março, s/nº, Praça XV, Centro (2588-1251)

Quando: Sáb. e dom., dias 25 e 26, às 18h

Quanto: Grátis

Classificação: Livre

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Guanajuato e San Miguel de Allende, coração da Nova Espanha em pleno México moderno (webremix.info)


No ar em 'Babilônia', Bruno Gissoni vem emendando uma novela na outra: 'Se continuar assim, não quero férias tão cedo'

Bruno Gissoni fala de seu sucesso em 'Babilônia' - Rael Barja/Divulgação

RIO - Desde estreou na Globo, em 2010, aos 23 anos, como Pedro em “Malhação”, Bruno Gissoni conta que só teve um mês de férias. O ator emendou a novela adolescente com “Avenida Brasil” (2012), “Flor do Caribe” (2013), “Em família” (2014) e agora “Babilônia”.

— Nunca imaginei um sucesso tão rápido. Estou feliz. Se continuar assim, não quero férias tão cedo — brinca o ator, que ainda se surpreende com Guto, o riquinho rebelde e de caráter duvidoso que interpreta na trama das nove: — Este personagem é diferente de tudo o que eu já fiz. É um desafio. É bom mostrar esse lado e provar que eu posso ir além. Sou bem diferente de Guto, pois cresci rodeado de amor das famílias da minha mãe e do meu pai. E estar em um núcleo que tem Gloria Pires, Cássio Gabus Mendes, Adriana Esteves e Bruno Gagliasso é uma honra para mim. Estou muito ligado ao público teen, pois faço personagens mais novos, mas me sinto preparado para conquistar outro público também. Acho que isso acontecerá naturalmente.

Nos palcos, Bruno também experimentou um personagem bem diferente do que já fez até aqui, na peça “Dzi Croquettes em Bandália”, que agora segue com apresentações esporádicas. No espetáculo dirigido por Ciro Barcelos um dos remanescentes do grupo que foi um dos símbolos da contracultura nos anos 1970, ele dança muito e até expõe o corpo:

— Tenho recebido muitas críticas boas sobre minha atuação na peça. As pessoas se assustam com a parte em que tiro a roupa, mas a peça é tão rica que logo depois esquecem. A cada dia aprendo mais no palco. Acredito que estou ficando cada vez mais maduro na profissão e na vida — diz o ator.

O próximo passo de Bruno pode ser o cinema. Ele está estudando uma proposta para estrear na tela grande, onde se destacaram suas maiores referências.

— Gosto muito da atuação de Wagner Moura e Marlon Brando — enumera, destacando, porém, que prefere não se espelhar em ninguém.

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Roteiros de fé e arte: em Olinda, igrejas sinalizam rota de ateliês pelas vielas históricas

Bodega de Véio, bar que funciona dentro de um armazém - Hans Von Manteuffel / Agência O Globo

OLINDA - Esqueça aqueles bonecos gigantes que enfeitam as ruas de Olinda no carnaval. Às vésperas da Semana Santa, a Procissão dos Passos — que sai da Catedral da Sé para a Igreja do Carmo e, este ano, acontece na quinta e sexta da semana que vem — já garante um dos roteiros pela bela cidade histórica. O cortejo acontece há 341 anos e visita os Passos da Paixão de Cristo, capelas de alvenaria construídas entre 1773 e 1809, abertas apenas para a procissão.

Aliás, entre os criativos ateliês de arte que se espalham pela Cidade Alta, as igrejas funcionam como ponto de referência ao tour na área.

CAMINHOS QUE LEVAM À SÉ

Saindo da Praça do Carmo, seguindo pela Rua Prudente de Morais até a Igreja São Pedro, já é possível apreciar a arte sacra e os primeiros ateliês. Logo na primeira esquina, o sincretismo de influências da colonização portuguesa e do domínio holandês, da religiosidade e da vida no sertão na arte pernambucana é visível, por exemplo, na obra de Paulo Caldas.

No logradouro, também estão as galerias de Ivone Mendes e Lautréamont, e, caminhando pelas vielas, as esculturas se espalham por amplos quintais das casas históricas. Na Creperia de Olinda, ainda na mesma rua, as paredes estão cobertas de artesanato, assim como no restaurante ali perto, o Casbah.

Dependendo da época, tudo parece estar fechado na cidade. Mas basta um aceno ou bater de palmas para que cada casa seja aberta e, na maioria das vezes, pelo próprio artista. Este é um dos privilégios de ir ao local fora da burburinho: conhecer não apenas as obras, mas também os artistas e suas oficinas, flexíveis para visitação.

Muitas das famosas ruas e subidas da Cidade Alta levam à Catedral da Sé, que oferece uma vista de Recife digna de cartão postal.

PERDIDOS NAS RUAS DE OLINDA

Mas, antes de chegar à Sé, uma das opções é seguir pela Rua Amparo, onde está a Bodega de Véio, armazém que também faz as vezes de bar. Com seu balcão de madeira, se não é considerada ateliê, a pequena loja não deixa de exibir o sincretismo local: da mesa às esculturas de arte e aos artefatos antigos. Parada obrigatória para quem quer conhecer a vida olindense.

Na mesma rua, está o Museu Regional de Olinda, e, ali perto, estão também dois dos mais famosos restaurantes da cidade: Beijupirá e Oficina do Sabor, com excelente comida regional. Da igreja do Amparo, rodeada por outras casas coloridas e paredes de grafites, caminha-se um pouco fora da rota até a Capela Dourada antes de se chegar, enfim, à Catedral da Sé.

Na volta, descer e conhecer o mosteiro e a Igreja de São Bento é a ideia. E não se preocupe se não conseguir um guia: em Olinda, o ideal é se perder por suas ruas.

OLINDA: ARTE E CULTURA NOS FUNDOS DOS QUINTAIS

Por trás das portas de madeira das casas históricas, está o segredo mais bem guardado de Olinda: os seus quintais. É lá onde ficam as oficinas dos artistas, as mesas dos bares e restaurantes, a área de lazer das pousadas ou, até mesmo, uma mata inexplorada. Visitar este espaços, decorados à moda de seus donos, é ver de perto parte da cultura e arte olindenses. Além de ser um programa ideal durante a baixa temporada na cidade.

A maioria dos espaços busca valorizar a arte local. Na Pousada do Amparo, por exemplo, a casa simples se abre imponente em uma área verde, decorada com quadros e esculturas típicos da cultura pernambucana, em meio a piscina e mesas para o café da manhã e jantar.

No Café Estação, o quintal é um charmoso espaço onde é possível apreciar um bolo de rolo, também cercado por muito verde e obras de arte.

Na pousada Casa de Chica, bonecos de Olinda sentados em bancos dividem o espaço externo com os hóspedes em um belo gramado.

Atelier com bonecos de Olinda - Hans Von Manteuffel / Agência O Globo

Aliás, mesmo que os bonecos não estejam presentes nas ruas de Olinda, conhecê-los é programa obrigatório na cidade. No Mercado da Ribeira, uma construção do período colonial onde se comercializavam escravos, fica um ateliê onde estão expostos os famosos bonecos gigantes, que desfilam pelas ruas da cidade, principalmente durante o carnaval.

Ali no mercado, vale também dar uma olhada nas lojas que, além das típicas lembrancinhas, vendem belas peças de arte nordestina.

Outra forma de conhecer os bonecos é visitando o Museu do Mamulengo, na Rua São Bento. Lá, estão expostos mais de mil deles, entre atuais e antigos, mostrando as influências pelas quais a arte olindense já passou.

No Mercado de Artesanato do Alto da Sé, vizinho à igreja de mesmo nome, a visita vale para conhecer alguns outros personagens característicos do folclore da cidade e o show performático dos vendedores contando (e tentando vender) as suas histórias.

EM RECIFE, MUSEU DO SERTÃO

Em menos de uma hora, saindo de Olinda, chega-se à capital do estado, Recife. No centro histórico da cidade, estão não apenas as construções coloniais, mas também museus imperdíveis, como o Paço do Frevo, que conta a história da dança, em uma exposição bastante interativa. São fotografias, objetos e muito simbolismo — como, por exemplo, o teto, que está tomado de bonecos representando a participação popular no carnaval.

Ainda pelas ruas do Recife Antigo, vale também visitar o Centro Cultural Judaico de Pernambuco, na Rua do Bom Jesus, no prédio histórico da Kahal Zur Israel, a primeira sinagoga das Américas.

Ali perto, na área portuária, que vem sendo alvo de grande projeto de revitalização, está o Cais do Sertão, um moderno museu que conta a cultura da região, abrangendo desde vestimentas e música, até as casas rústicas do interior da região. Repleto de interatividade e tecnologia, o local expõe objetos típicos do sertão (como peixeiras e utensílios de cozinha), assim como a forte influência da igreja católica na rotina de seu povo (via diferentes réplicas). Ainda na zona portuária, vale esticar a caminhada e visitar o Marco Zero.

Fora dali, a construção suntuosa da Casa da Cultura de Pernambuco, na Rua Floriano Peixoto, esconde uma história um pouco mais sombria do que contam as atuais lojinhas de artesanato espalhadas pelo local. O prédio foi primeiro uma moderna prisão no século XIX e ainda estão lá, preservadas, guaritas e celas, agora ocupadas por pequenos comerciantes.

No local, compra-se de tudo, de obras de arte aos batidos suvenires. E, como nos conta uma pernambucana que mora ali perto, o melhor bolo de rolo da região.

HOSPEDAGEM: RECIFE GANHA NOVO HOTEL DE REDE INTERNACIONAL

Recife acaba de ganhar o primeiro hotel com a bandeira Courtyard by Mariott no Brasil, voltada para o turismo de negócios. A inauguração, no último dia 3, reforça a estrutura hoteleira da cidade, que já tem outras filiais de redes internacionais, como Golden Tulip e Mercure. Recentemente, a rede Sheraton inaugurou o resort Reserva do Paiva, em Cabo de Santo Agostinho, a 41 kms da capital.

Segundo Craig S. Smith, presidente para América Latina e Caribe da Marriott International, Recife foi escolhida por seu forte potencial de turismo de lazer e de negócios:

— Os planos são de ampliação da rede pelo Brasil.

Smith ressalta que o empreendimento foi planejado com a preocupação de preservar aspectos da cultura local. É possível perceber as referências culturais logo na entrada, como as famosas sombrinhas do frevo, espalhadas na fachada e peças de artesanato regional na decoração do lobby. No restaurante, ganham destaque as influências da tradição nordestina. Outra novidade é o GoBoard: tela de TV no salão da recepção que exibe informações úteis para o viajante, como mapas e notícias.

Os 162 quartos têm docks para tablets e smartphones. O acesso à rede wi-fi é livre em todo o prédio. E há restaurante, academia de ginástica e piscina, atrativos que interessam também ao hóspede que viaja a lazer, diz Mauro Barros, gerente do hotel.

— Estamos a dez minutos a pé da praia de Boa Viagem e a 15 minutos de carro do aeroporto.

SERVIÇO

Onde ficar

OLINDA

Pousada Amparo: Diárias a R$ 315. R. do Amparo 199. pousadadoamparo.com.br

Casa de Chica: Diárias a R$ 180. Rua 27 de Janeiro 43. casadechica.com.br

Pousada dos Quatro Cantos: Diárias a R$ 244. Rua Prudente de Morais 441. pousada4cantos.com.br

RECIFE

Courtyard by Marriott: Diárias a R$ 230. Av. Eng. Domingos Ferreira 4.661. marriott.com

Onde comer

Beijupirá: Rua Saldanha Marinho, s/nº. beijupiraolinda.com.br

Oficina do Sabor: Rua do Amparo, 335. oficinadosabor.com

Café Estação: Prudente de Moraes, 440.

Carolina Mazzi viajou a convite de Marriott Hotels

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Mafalala, na periferia de Maputo, é berço de artistas, intelectuais e líderes políticos de Moçambique (webremix.info)


A Cia. AMOK Teatro apresenta epopeia negra sobre ódio e perdão

RIO — Há um ano e meio, os diretores da Cia. Amok Teatro, Ana Teixeira e Stephane Brodt, começaram a criar “Salina — A última vértebra”, que estreou no último dia 26 no Espaço Sesc. Um dos poucos grupos da cidade a ter uma sede fixa e um trabalho contínuo de pesquisa sobre o ator, a companhia deu um passo à frente na sua combinação de centro de formação e criação de peças com esse trabalho, que apresenta dez novos atores do grupo em cena — todos passaram a integrar a Amok durante o processo de criação.

Com quatro componentes fixos até a “Trilogia da guerra” — “Dragão” (2008), “Kabul” (2010) e “Histórias de família” (2012) —, os diretores precisaram de outros tipos de performers, já que a obra busca imprimir a expressividade da atuação de matiz africana, que mescla canto, dança, jogo e teatro — sem delimitar fronteiras entre um modo performativo e outro.

— Para os africanos, é tudo uma coisa só — comenta Ana. — A performance africana conjuga esses meios e entende a cena como um espaço de ritual, de cerimônia, próximo à dimensão do sagrado. Se na “Trilogia...” investigamos a relação do teatro com a realidade, agora é o teatro e o rito. Então era algo específico, e por isso abrimos inscrições para escolher novos atores e formá-los.

Dos mais de 200 inscritos, 60 foram selecionados e 20 trabalharam em oficinas até que os dez integrantes finais fossem escolhidos. É um elenco de atores negros, que se unem ao músico Fábio Simões Soares para guiar a narrativa criada pelo premiado escritor e dramaturgo francês Laurent Gaudé.

— São atores negros em papéis que não costumamos vê-los — diz Ana. — A história se passa numa África ancestral, onde o signo negro ocupa outro lugar: são reis, príncipes, guerreiros. Não é o negro subjugado, mas senhor da sua civilização. Deslocamos a figura do negro. E, em relação aos atores, os tiramos do lugar de representar o clichê, papéis que reforçam a invisibilidade social do negro.

Autor consagrado com o mais importante prêmio literário francês, o Goncourt 2004 pelo romance “O sol dos Scorta”, e conhecido no Brasil por “A morte do Rei Tsongor” (2013), Gaudé construiu uma saga que mescla particularidades da tragédia grega e da epopeia africana. Na adaptação, a obra ainda ganha a força de tradições religiosas e musicais afro-brasileiras, como o candomblé e a congada mineira.

— Ao longo dos anos desenvolvemos esse teatro ritual, estudando com mestres de Bali e da Índia, e esse teatro se dá num espaço que não é o do cotidiano — diz Ana. — Entendemos que o espaço teatral não é para copiar o real, mas para enveredarmos por outro tipo de aventura.

Em “Salina”, tudo gira em torno da personagem-título. Casada à força e violada por seu marido, ela dá à luz a um “filho do ódio”, que ela passa a detestar tanto quanto o pai. Sua raiva é tanta que ela deixa seu marido agonizar num campo de batalha, e por isso é banida da cidade onde vive. Exilada no deserto, ela alimenta seu desejo de vingança. E é a partir dessa ira que nascem novos relacionamentos, filhos, batalhas e reviravoltas que contrapõem “ódio e perdão”, como define Ana.

— Essa questão é muito presente no mundo hoje — afirma. — Falamos de guerra, mas o que nos interessa é o perdão. Ver o quanto ele custa, o quanto ele exige em termos de superação humana. O perdão exige de todas as partes concessões difíceis, mas necessárias.

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Dramaturgo nigeriano Wole Soyinka, ganhador do Nobel, alerta para o avanço do Boko Haram

O escritor nigeriano Wole Soyinka durante entrevista em Abeokuta, na Nigéria - Marcéli Torquato

ABEOKUTA E LAGOS (NIGÉRIA) - No espaço de poucos dias em novembro passado, o dramaturgo Wole Soyinka, de 80 anos, foi homenageado em três cidades nigerianas. Primeiro africano a receber o Nobel de Literatura, em 1986, admirado em todo o continente por sua obra e pelas intervenções políticas, ele aproveitou cada ocasião para se manifestar sobre o estado da nação. Denunciou o avanço do extremismo islâmico no país, criticou a corrupção nas instituições, alertou para a importância da eleição presidencial marcada para 14 de fevereiro. Apenas uma semana normal na vida do autor que, num de seus livros de memórias, escreveu: “A sabedoria iorubá diz: ‘Quando alguém se torna um ancião, deixa de entrar em batalhas’. Quem dera! Quando esse provérbio foi inventado, ainda não existia uma certa entidade chamada Nigéria”.

Numa tarde daquela semana, em raro momento de folga, Soyinka recebeu o GLOBO em Abeokuta, sua cidade natal, onde voltou a viver na década passada depois de um exílio forçado pelas condições políticas do país. Localizada no estado de Ogum, às margens do Rio Ogum, Abeokuta fica na região que é o berço da cultura iorubá. A 90 quilômetros da megalópole Lagos, é uma cidade tranquila, com cerca de 600 mil habitantes, que cresceu desde o início do século XIX ao redor da Olumo Rock, formação rochosa considerada sagrada. O idioma iorubá é falado nas ruas e divide espaço com o inglês nos cartazes e placas de trânsito, mostrando que ali se preservam as tradições.

No salão do centro cultural onde, no dia seguinte, seria o convidado de honra do Aké Festival, evento literário batizado com o título de um de seus livros, Soyinka diz que a visão de mundo iorubá, com seus mitos e rituais, foi uma influência decisiva para sua obra e sua personalidade. Ele já descreveu Ogum, o orixá guerreiro, como sua “divindade companheira”.

— Ogum é para mim um símbolo da multiplicidade da natureza humana. Ele me ajuda a entender que no mesmo indivíduo podem conviver um pacifista e um guerreiro. Posso adorar a tranquilidade, mas ao mesmo tempo ser energizado pelas lutas do mundo — diz.

A luta atual de Soyinka é contra o Boko Haram, o grupo extremista islâmico que se opõe à educação ocidental e à secularização no Norte da Nigéria, região de maioria muçulmana. Ativo há mais de uma década, o Boko Haram chamou atenção do mundo em abril de 2014, quando sequestrou 276 meninas na cidade de Chibok. Desde então, intensificou suas ações, expandiu seu território e sequestrou, desalojou e matou milhares de pessoas.

Soyinka diz que o Boko Haram é a antítese da cultura iorubá, marcada pelo sincretismo. Baseado no Oeste da Nigéria, com cerca de 35 milhões dos 170 milhões de habitantes do país, o povo iorubá tem uma maioria de cristãos, mas inclui também muçulmanos e praticantes dos ritos tradicionais. A radicalização no Norte do país coloca em xeque esse ideal de tolerância, alerta o dramaturgo, que já foi ameaçado de morte pelos extremistas.

— A Nigéria está desmoronando, em termos religiosos. Tudo que o Boko Haram prega vai contra a visão de mundo iorubá. Nós defendemos a igualdade de gêneros, por exemplo, enquanto para eles as mulheres são menos do que seres humanos — diz o dramaturgo, sublinhando que os radicais não representam os muçulmanos do país. — O Boko Haram é um bando de homicidas com uma visão distorcida do Islã que quer assumir o controle de comunidades, do Estado e, quem sabe, do mundo. São lunáticos assassinos.

O nigeriano Wole Soyinka participa de evento com estudantes no Lagos Book & Arts Festival, na Nigéria, em novembro - Marcéli Torquato

Com seu cabelo afro grisalho e voz retumbante, Soyinka é uma presença tão familiar na vida pública nigeriana que muitos de seus compatriotas o chamam apenas de “Prof”. Nos últimos meses, ele tem dedicado seus frequentes discursos, artigos e entrevistas a apontar o fracasso do presidente Goodluck Jonathan no combate ao Boko Haram. Cita como exemplo disso o fato de que, diante da falta de apoio, moradores do Norte do país estão formando milícias para se defender dos terroristas. Suas armas são facões, rifles de madeira feitos em casa, arcos e flechas.

— A questão não é o que o governo deve fazer para conter o terrorismo, é o que já devia ter feito. E não só a Nigéria. Toda a África negra e os autênticos muçulmanos precisam se levantar contra o extremismo — diz Soyinka, que também reprova a tolerância de Jonathan com grupos separatistas do delta do Rio Niger, base da indústria petrolífera nigeriana e terra natal do presidente. — No Norte, insurgentes islâmicos. No Sul, insurgentes do petróleo. De qualquer lado pode vir um rompimento.

Embora ataque Jonathan, candidato à reeleição, Soyinka também não vê com bons olhos o principal adversário dele na eleição de fevereiro, o militar reformado Muhammadu Buhari, que governou o país entre 1983 e 1985, depois de um golpe de Estado. Num artigo de 2007, acusou Buhari de ter promovido execuções enquanto estava no poder e disse que o ex-general “escravizou a nação”.

— Não apoio ninguém. Estou avaliando todos os candidatos para tentar entender o que pode ser melhor para o povo nigeriano — diz, com um sorriso irônico que entrega seu desalento com os rumos do país.

Nascido em 1934, Soyinka teve com a mãe, Grace, as primeiras lições sobre a política nigeriana. Nos anos 1940, ela e a irmã, Funmilayo Ransome-Kuti (mãe do músico Fela Kuti, primo de Soyinka), lideraram uma revolta das mulheres de Abeokuta contra o administrador local. Com o pai, um professor universitário, aprendeu a amar os livros, fossem de mitologia iorubá ou de Charles Dickens.

Nos anos 1950, passou uma temporada em Londres estudando teatro. Quando voltou, causou controvérsia logo com uma de suas primeiras peças. “Uma dança das florestas” foi encenada durante os festejos pela independência da Nigéria, que deixou de ser colônia britânica em outubro de 1960. No espetáculo, espíritos de ancestrais nobres são invocados à Terra, mas acabam se revelando tão corruptos e mesquinhos quanto os mortais. Quando todos esperavam uma obra celebrando as tradições e o futuro da nova nação, o jovem autor enviou um recado menos ufanista: cuidado para não repetir os erros do passado.

— Era óbvio no momento da independência que a Nigéria estava tentando conciliar muitas contradições e isso poderia trazer problemas. Há quem diga que isso já era óbvio desde a colonização, quando grupos muito diferentes foram reunidos de forma arbitrária em um país, sem levar em consideração a História, a economia e a cultura de cada um. Não seria fácil apagar essas contradições com a mera criação de um Estado. Detesto dizer “eu avisei”, mas é verdade. Eu avisei, avisei e avisei.

Soyinka em Ibadan, em 1969, dias depois de ser libertado da prisão - Keystone/Getty Images

Depois da independência, as contradições se acirraram. O Norte, de maioria muçulmana, e o Sul, de maioria cristã, disputavam o controle político da nação. A democracia nigeriana durou até 1966, quando foi interrompida por uma sequência de golpes liderados por militares ora do Norte, ora do Sul. Em 1967, oficiais da etnia ibo, do Sudeste, declararam a independência da região, batizando o novo país de Biafra. A reação do governo central deu início a uma guerra civil que durou quase três anos, deixou mais de 1 milhão de mortos (a maioria ibo) e terminou com a reintegração de Biafra à Nigéria.

Nos turbulentos anos 1960, Soyinka usou o teatro como instrumento de ação política. Criou personagens que entraram para a cultura popular nigeriana, como o Irmão Jehro, um líder religioso charlatão, e Kongi, um ditador maníaco. Fundou grupos que praticavam o que chama de “teatro de guerrilha”. A expressão ganhou novo sentido quando, por causa do assédio de militares e policiais, os atores precisaram treinar defesa pessoal.

— O teatro é direto. A conexão humana entre público e atores cria uma veracidade que outras formas de arte não transmitem. Digo que fazia “teatro de guerrilha” porque queria que as peças fossem uma intervenção no subconsciente político e social — lembra o dramaturgo, que nunca abriu mão do humor em sua obra. — Eu queria satirizar o poder no palco, para que o espectador pensasse: “Então é só isso que me assusta? Esse imbecil miserável?” É preciso ridicularizar a tirania.

Soyinka conciliava o teatro com formas mais diretas de ativismo. Em 1965, invadiu armado uma estação de rádio na cidade de Ibadan, onde era professor universitário, para impedir a divulgação dos resultados de uma eleição fraudulenta. Foi preso, mas liberado em seguida. Em 1967, durante a guerra civil, tentou articular negociações de paz com líderes de Biafra. Acusado de traição pelo governo, foi preso novamente, dessa vez por 27 meses.

Soyinka discursa na cerimônia de entrega do Nobel, que dedicou a Mandela, em 1986 - AFP/Tobbe Gustavsson/10-12-1986

Confinado numa cela de 3 metros quadrados, Soyinka continou a escrever. Como não lhe permitiam usar papel, preenchia as entrelinhas dos poucos livros que conseguiu contrabandear para a cadeia. Essas notas foram reunidas no volume de memórias “O homem morreu”, publicado em 1971. Nele, registra momentos de violência e solidão, mas também a convivência com outros condenados, sobretudo os prisioneiros de guerra ibo. E mantém a postura desafiadora: “[Minha identidade] nunca ficou tão clara quanto no momento em que vi as correntes em meus tornozelos: sou um ser para quem correntes não servem; sou, afinal, um ser humano”.

— Uma coisa que a prisão me ensinou foi a universalidade da experiência humana. Ela também reforçou minha desconfiança do poder.

Em liberdade, Soyinka viu suas peças, poemas e romances ganharem projeção mundial. Em 1986, foi o primeiro africano e o primeiro negro a receber o Nobel de Literatura desde sua criação, em 1901. Na cerimônia, dedicou o prêmio a Nelson Mandela, então preso na África do Sul, e condenou o racismo e o apartheid.

Enquanto isso, continuou envolvido com a política nigeriana. Quando um novo golpe militar anulou eleições democráticas, em 1993, foi obrigado a se exilar. Usou o prestígio internacional para liderar uma campanha contra a ditadura em seu país, para onde só voltou depois do fim do regime, em 1999. Nas viagens pelo mundo, sentia-se em casa ao encontrar traços da cultura iorubá em países como Cuba, Jamaica e Brasil.

Apesar de ter apenas um livro publicado no país, a peça “O leão e a joia” (Geração Editorial), Soyinka tem uma relação profunda com a cultura brasileira. Já pesquisou a sobrevivência das tradições iorubá no Brasil e escreveu sobre como os escravos retornados influenciaram a culinária, a música e a arquitetura na Nigéria, onde até hoje é comum encontrar sobrenomes como Silva ou Pacheco. O dramaturgo diz que essa relação histórica provoca um “conflito interno” no país.

— Sempre que vou ao Brasil tenho a impressão de que uma parte do país pensa: “Não temos nada a ver com a herança africana”. Já em outras partes as pessoas são mais iorubás do que muitos iorubás da Nigéria, cultivam simbolismos e rituais, porque reconhecem que é uma visão de mundo autêntica. É como se o Brasil, em termos culturais, estivesse em guerra consigo mesmo.

Dias antes da homenagem em Abeokuta, Soyinka foi o convidado de honra do Lagos Book & Arts Festival, realizado no Freedom Park, no centro da megalópole. Em meio a debates de críticos e escritores sobre sua carreira, participou de apenas um evento: um encontro com estudantes. Por uma hora, falou a crianças e adolescentes sobre o prazer da leitura, citou a mitologia iorubá e traduziu em termos simples a ameaça representada pelo Boko Haram (“Imaginem se um bando de lunáticos entra aqui e leva vocês”). Assim mantém renovadas as energias para a luta.

— Já enfrentamos outras ameaças antes e vamos sobreviver.

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Rafael Machado, o Big de ‘Sexo e as negas’, conta como conheceu o mundo dançando em cruzeiros

RIO - Em 2003, na época em que começou a viajar o mundo fazendo apresentações e dando aulas de dança em navios pela Europa, Rafael Machado não tinha muito ao que assistir na TV em seus momentos de folga. A única série disponível, lembra, era “Sex and the city” e, por falta de opção, começou a assistir as aventuras de Carrie, Samantha e cia. Viu a primeira temporada, viu a segunda... Quando se deu conta, já estava viciado no cotidiano das amigas de Nova York. Acompanhou a série inteira e viu até os filmes. O período viajante voltou à memória do ator de 32 anos recentemente quando foi convidado para seu primeiro papel na televisão: o Big de “Sexo e as negas”, seriado da Globo que chega ao fim nesta terça, às 23h. Ele, aliás, até vê semelhanças entre seu personagem e o homônimo americano, vivido por Chris Noth na série da HBO.

— Só na essência da sacanagem, ? (risos) Ele tinha um lado de iludir a Carrie, era meio sacana. Mas no fim o autor resolveu isso. Chega de deixar essa mulherada apreensiva! Casa logo essa mulher com ele! — brinca o ator.

Já sobre o final feliz (ou não) do malandro de Cordovil ele não entrega nada. No episódio anterior da série, Big foi para a Alemanha, depois de ser convidado para se apresentar como dançarino. Mas ele volta para o desfecho da história de Miguel Falabella nesta terça. A relação do personagem com a dança, aliás, é totalmente inspirada na vida de Rafael.

Rafael em cena de “Sexo e as negas” - TV Globo/ João Miguel Júnior / TV Globo/ João Miguel Junior

— Isso que eu acho fascinante no Miguel. Quando ele diz que escreveu algo para você, é para você mesmo. Ele sabia que eu vinha da dança, e eu não esperava. Só tinha lido os três primeiros capítulos de início. Quando surgiu essa trama, pensei: “Caramba! Não acredito que ele vai fazer isso comigo”. Pude representar a dança, que é a minha arte, minha essência. Para mim, é um orgulho — observa.

A relação de Rafael com a dança começou aos 10 anos em um grupo de dança de rua da periferia de São Paulo, onde ele cresceu. Dois anos depois, começou a ter aulas no Centro de Dança de Jaime Arôxa, que foi “um divisor de águas” na sua vida. A partir dali, sua curiosidade só cresceu: corria atrás de todos os livros e espetáculos citados por Jaime, a quem ele chama de mestre, um artista que “mexe na sua cabeça para o resto da vida”. Aos 14 anos, foi a vez de começar no balé clássico e abrir um novo horizonte:

— Ali, ferrou (risos). Eu queria fazer aula de balé de manhã, dança de salão à noite, minha vida era toda voltada para a dança. Quando não estava na escola ou dançando, estava em casa fazendo abdominal, alongamento... Tinha uma tristeza enorme quando chegava a época de férias.

É claro que fazer balé aos 14 anos não foi uma experiência fácil para um garoto da periferia de São Paulo. Rafael ouviu muita piadinha dos amigos e teve que driblar os desejos do pai, que queria vê-lo jogador de futebol. Mas conta que, aos poucos, foi conquistando o respeito na escola. Até, inclusive, tornar-se atração local.

— Aos 15, eu comecei a dançar com a Tânia Alves. Um dia ela foi no Jô Soares, e eu era um dos bailarinos do grupo. Ela falou de mim: “Ah, um dos meus bailarinos, o Rafael, tem só 15 aninhos”. Aí o Jô falou: “É, eu vi ele encoxando a moça”. E a câmera sai dele e corta bem para a minha cara. No dia seguinte tive que dançar de classe em classe. Virei o entretenimento da escola! Aí eu era o artista, o dançarino. O pessoal começou a gostar.

APRESENTAÇÕES EM CRUZEIROS PELO MUNDO

Rafael também ouvia uma frase clássica da família: “E aí, negão, vai começar a trabalhar quando?”. O dinheiro começou a aparecer quando ele foi convidado para dançar em eventos. Fazia de tudo, “até batizado de boneca”. E foi num desses eventos que ele foi chamado para dançar nos navios. Entre 2003 e 2005 fez oito temporadas pelo Brasil, Europa, Caribe, e as regiões do Báltico e do Adriático. Ele conhece toda a Europa, o Caribe e a maior parte do Brasil graças a essas viagens. Nos intervalos, aproveitava para passar um tempinho nos países em que parava. Morou em Barcelona, Madri, Londres e Paris.

— Esses lugares são incríveis para um artista. Tudo que era artístico, eu ia. Fazia cursos. Teve uma época em que o dinheiro foi ficando escasso mas eu queria ficar por lá. O que eu fazia? Dava aula de axé na praça a 20 euros. Fiz isso em Madri, Londres, dancei em boate, fiz o que dava. Chegou uma hora que cansei e resolvi voltar para o Brasil, fiz minha última temporada no navio. Eu cantava nos navios também. E aí alguém falou para mim: “você já pensou em fazer teatro musical?” — lembra.

A experiência nos palcos foi a empreitada seguinte de Rafael, que estreou no teatro como bailarino do musical “Miss Saygon”. Dançou ainda em “A bela e a fera”, “Cats”, “Emoções baratas” e “New York, New York”. O primeiro papel como ator foi em “Fame”, que estreou em 2012. Depois, ele esteve ainda em “A madrinha embriagada”, de Falabella, onde conheceu o autor.

— Um dia cheguei ao teatro, ele bateu no meu ombro e disse: “Escrevi um papel para você”. Eu fiquei embasbacado. Chocado. Ele começou a explicar como era o personagem. Naquela noite, eu já não dormi (risos). Minha mãe saiu pulando pela casa — lembra Rafael sobre o convite para viver Big.

A carreira de ator, ainda tão recente, ganhou de cara um desafio grande: a mudança brusca de veículo, do teatro para a TV.

— A preparação que fizemos com o Sergio Penna e a Camila Amado foi primordial para mim. O mais louco da TV é essa coisa de ser completamente diferente, é o avesso do teatro, é muito rápido. Às vezes a cena acaba e eu penso: “É isso? Já estava valendo?” (risos).

E, acima de tudo, Rafael sabe que ainda tem muito o que aprender quando o assunto é atuação. Mas acredita que a experiência na dança pode ajudar.

— Sempre digo que não engano ninguém. Assim como a dança amadurece, isso vem amadurecendo também. Não acredito que mudou uma chave dentro de mim de dançarino para ator, acho que tudo dentro da arte vai se encontrando. Atuar é um outro lugar, mas acho que o bailarino é um intérprete também. Só que o ator tem a questão verbal, a energia que você põe na sua fala, a composição física do personagem. Ainda estou virando essa chave, entendendo tudo isso. A cada episódio, a cada gravação, tudo vai melhorando.

Os próximos projetos de Rafael são do universo da dança: ainda este mês, ele e a namorada, também sua parceira, dão um curso de dança de salão na Bahia; em janeiro, ele ensina street jazz em São Paulo. Mas o ator e dançarino diz ter tomado gosto pela televisão. E, se depender dele, quer seguir nas telas.

— Adorei, o que mais quero é fazer de novo. Se não houver oportunidade, a gente cava.

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Com construções modernas, Angola se transforma sem abrir mão de suas tradições (webremix.info)


Na Angola, um encontro com as guerreiras de Kwanza-Norte, região da rainha Njinga

Jovem em tribo na Vila do Dondo, a 180 quilômetros de Luanda, em Angola - Divulgação

LUANDA - Este ano, o Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio, exibiu - pela primeira vez por aqui - o longa “Njinga, Rainha de Angola” (2013), do português Sérgio Graciano. A produção é angolana, e traz um pouco sobre a guerreira que lutou por décadas contra o colonialismo lusitano no século XVII.

A história deste símbolo da resistência começa em 1617, ano em que seu pai, o rei Kilwanji, morreu. Após presenciar, posteriormente, o assassinato do filho e a humilhação que o irmão sofreu diante dos colonizadores portugueses, Njinga resolveu lutar pela libertação do povo mbundu. Depois de quatro décadas de conflito, com o lema “quem ficar, luta até vencer”, ela conseguiu selar a paz com os portugueses, que a reconhecem como a rainha de Matamba e Ndongo. A partir daí o futuro das mulheres em Angola passou a ser contado de forma diferente.

Uma boa pedida, portanto, é trocar um fim de semana à beira-mar em Luanda por uma viagem ao território onde viveu Njinga. Na Província de Kwanza-Norte, na Vila do Dondo, a 180 km da capital, as tribos que não sucumbiram à dominação colonial europeia continuam a defender a região. Com a morte de tantos homens na guerra, que se estendeu até 2002, elas, as mulheres do Kwanza-Norte, se transformaram em verdadeiras guerreiras para obter o sustento da casa e não deixar a cultura daquele povo virar capítulo de livros de história.

Sob a égide da opressão sexual ditada pelo poder do “macho” africano por toda a Angola, as mulheres são as chefes de família, mas a grande maioria delas, por força do destino, está no Kwanza-Norte, onde Njinga fez-se respeitada pelos colonizadores. Por lá, elas plantam, colhem, vendem. Artesanato, música, literatura, teatro e dança. Tudo é rico nesta terra cortada pelo Rio Kwanza, o maior e mais abundante do país.

Pensar e ver as guerreiras em ação não seria tão estranho se não estivéssemos tratando de um continente onde as minorias - o que também inclui os gays - vivem sob custódia de leis sectaristas. Sem poder exercer o voto, por exemplo, as mulheres de Angola, mesmo as que ocupam cargos no Governo e nas grandes empresas, não têm, sequer, o direito à vaidade. Elas não podem fazer as unhas e depilar qualquer parte do corpo, o que, para nós, já é o bastante para achar tudo muito bizarro. Mas, vale ressaltar, Angola está a mil anos-luz à frente da maioria das nações africanas.

Longe das riquezas mineirais e petrolíferas do presente, as tribos de guerreiras do Dondo mantêm hábitos milenares do passado, como não cobrir os seios e falar as línguas nacionais (umbundum, kikongo e kumbundum), o que faz desta terra uma importante seara para ideais de um futuro libertário. Um processo de luta imposto, a ferro e fogo, por mulheres como a rainha Njinga, reconhecida pela Unesco uma das 25 figuras femininas mais importantes da história da África.

NA FEIRA DO DONDO, ARTESANATO E MESA FARTA

Em busca dos mitos que cercam a história da lendária Rainha Njinga Mbandi, chega-se à tradicional Feira do Dondo, onde elas, as guerreiras africanas do século XXI, ainda estão no comando.

Entre peças de decoração e artigos domésticos do artesanato local, encontramos uma mesa farta de sabores da África Austral. O peixe Cacuso é cozido à beira do rio e vem servido inteiro, acompanhado de feijão de óleo de palma (dendê), batata-doce, banana pão (da terra), farinha museque (mandioca) e molho de cebola.

É o carro-chefe da culinária e sucesso entre turistas do mundo todo. Para refrescar o paladar - levemente apimentado - a pedida é a cerveja Eka, à base de cereais da região.

Após a feira, dar um giro pela Vila do Dondo é uma volta ao passado imperdível. Do alto da Colina do Cambambe, as ruínas da Igreja N. S. do Rosário estão dentro de uma fortaleza de pedras do século XVII.

Parcialmente destruído pelas guerrilhas, a construção guarda relíquias da memória angolana, como santuários, altares e sacristia, tudo de origem portuguesa. À frente das ruínas, o olhar se perde diante do verde que quase encobre as curvas do Rio Kwanza, que parece não ter fim.

A província do Kwanza-Norte é um lugar sem kuduro ou qualquer outra prática cultural dos grandes centros angolanos. Por isso, inclua o roteiro em sua viagem, afinal são muitas as razões para encher de cor uma Angola esfumaçada por décadas de mortes e destruição. Vida longa à Rainha Njinga e às mulheres guerreiras do Dondo!

(webremix.info)


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