Música Africana e do Cararibe

Bibliografia

Bibliografia

Artigos : Música Africana e do Cararibe

Angola em discos e livro

Na pr?xima quarta-feira, dia 15 de Novembro, pelas 18h30, na FNAC do Centro Comercial Colombo, ? lan?ado o novo livro de Paulo Salvador: "Recordar Angola 2? Vol.". A apresenta??o est? a cargo de Rui P?go.
O evento contar? com o ambiente sonoro de "Angola - As 100 grandes m?sicas dos anos 60 e 70", o digibook que est? ? venda a partir de 20 de Novembro e consta de 4 CD e um livro de 40 p?ginas. Neste dia, ser? oferecido um CD promocional de "Angola - As 100 grandes m?sicas dos anos 60 e 70" a quem comprar o livro "Recordar Angola 2? Vol."

Abaixo segue-se mais informa??o sobre o livro e o digibook.


Notícia : Música Africana e do Cararibe

Filme sobre Snoop Lion e um vencedor do Oscar entre os destaques do In-Edit

RIO - O Festival Internacional de Documentário Musical chega à quinta edição brasileira com uma retrospectiva dedicada aos 50 anos de carreira do cineasta inglês Dick Fontaine. Filmes como "Beat This! A Hip-Hop History, Bombin" e "Art Blakey - The Jazz Messenger" entraram na programação.

No Panorama Mundial, "Death Metal Angola", de Jeremy Xido; "Neil Young: Journeys", de Jonathan Demme; e "Reincarnated", de Andy Capper (sobre Snoop Lion) são alguns dos destaques.

Na sessão de abertura, será exibido "Procurando Sugar Man", de Malik Bendjelloul, que ganhou este ano o Oscar de melhor filme dedicado ao gênero documental ao contar a história de Jesus "Sixto" Rodriguez. O filme terá ainda outras duas exibições durante o festival.

Entre os brasileiros, que estarão distribuídos nas Mostras Brasil, Competitiva, Curta um Som e Sessões Especiais, serão exibidos "Música serve para isso: Uma história dos Mulheres Negras", "A batalha do passinho", de Emílio Domingos e "Jards", de Eryk Rocha.

O In-Edit acontece entre 3 e 12 de maio em São Paulo, no MIS, no CineSESC, na Cinemateca Brasileira, na Matilha Cultural e no Cine Olido.

(webremix.info)


Lançamento de ?Sambabook? e ?Discobiografia? de Martinho da Vila reveem carreira do sambista

RIO - “Quem quiser saber meu nome/ Não precisa perguntar/ Sou Martinho lá da Vila/ Partideiro devagar.” A sintética autodefinição de Martinho reafirma: em sua voz e seus versos, tudo sempre é mais profundo e parece mais simples. Chegando agora às lojas, o “Sambabook” (Musickeria) dedicado ao compositor — o segundo da série, que estreou homenageando João Nogueira — dá oportunidade de comprovar isso. E, mais importante, de vislumbrar o tamanho do artista que cabe num “partideiro devagar”.

No CD/DVD/Blu-ray do “Sambabook”, está lá o compositor do samba-enredo revolucionário (“Sonho de um sonho”), do partido alto modelo (“Casa de bamba”), da crônica social refinada (“O pequeno burguês”), da experimentação formal (“Odilê, odilá”), da sensibilidade de se olhar o amor sob ótica original (“Ex-amor”). Mais: com intérpretes que vão de Paulinho da Viola a Pitty, de Ney Matogrosso a Casuarina, o projeto aponta para o alcance da obra de Martinho, 75 anos. E no livro “Discobiografia” (Casa da Palavra) — parte do “Sambabook”, que inclui ainda um fichário com 60 partituras e um aplicativo para celulares e tablets —, percebe-se que mais que um “sambista”, “autor sofisticado” ou “partideiro devagar”, há um artista que o tempo todo reflete sobre sua obra e sobre onde quer chegar.

— Martinho é o artista da música brasileira que melhor se encaixa na “Discobiografia” (que acompanha a trajetória do artista pela análise de sua discografia) — diz Hugo Sukman, autor do volume sobre o compositor da Vila. — Quase todos os seus discos são conceituais, têm ideias muito firmes por trás deles.

Martinho confirma:

— Tirando o primeiro (“Martinho da Vila”, de 1969, que gravou para apresentar à gravadora RCA Victor seu trabalho como compositor), nunca trabalhei num disco só juntando músicas. Penso sempre numa ideia central, que às vezes é um tema, outras uma forma. Isso acontece desde o segundo disco (“Meu laiaraiá”, 1970), que vem da vontade de fazer um disco de samba bem produzido, com orquestra, sair do esquema que existia na época. O terceiro, “Memórias de um sargento de milícias” nasceu quando estava dando baixa do Exército (ou seja, escolhendo em definitivo a carreira de artista), trabalhei pensando nisso. E assim é até hoje.

O exercício de pinçar aleatoriamente álbuns em sua discografia reforça o que Sukman e Martinho dizem. “Rosa do povo”, de 1976, parte do universo poético de Carlos Drummond de Andrade (sem usar um verso do poeta); “Tendinha”, de 1978, transporta para o disco o espírito do encontro das rodas de samba, antecipando algo que a geração Cacique de Ramos consagraria; “Samba enredo”, de 1980, é um estudo sobre o gênero, salientando seu caráter de arte negra; “Ao Rio de Janeiro”, de 1994, olha para a cidade sob variados prismas; “Brasilatinidade”, de 2005, é sua viagem pela música da América Latina.

— Vejo o disco quase como um livro, um espetáculo roteirizado — define Martinho. — Como um enredo de um desfile, enfim. Acho que o que me levou a pensar dessa maneira foi minha proximidade com a escola de samba.

Da Vila, Martinho já se declarou pertencente a diversos universos, espalhando-se nos títulos de seus discos: “Martinho da vida”, “Martinho da Vila, da roça e da cidade”. Algo que dá pistas sobre o lugar único que ocupa na música brasileira. Tem todas as características de um “sambista autêntico” (a formação na favela, a escola de samba, o domínio das formas do gênero), mas explora temas inusuais e não se aferra ao ritmo. Por outro lado, sua trajetória não o alinha diretamente aos colegas de geração que definiram os fundamentos da chamada MPB, elaborada, universitária. E, como poucos, dialoga com rádios e gravadoras, afirmando sua arte sem negar os interesses deles.

— Sempre procurei entender do meu ofício. Procurei saber o que é um artista, ter noção da importância do que faço. Sempre fui de pensar — afirma o compositor, que tem também um livro infanto-juvenil a ser publicado em breve, “O nascimento do samba”, sobre as origens do gênero.

Uma das epígrafes do livro é de Tunico Ferreira, filho de Martinho: “Se você quer ser amigo íntimo do meu pai basta escutar seus discos, desde o primeiro até o último. Todos os problemas, alegrias, momentos marcantes estão nas músicas”. É assim com todos os temas que ocupam o pensamento do homem que sempre foi de pensar:

— Ele faz discos sobre partido alto, sobre o samba-enredo... Traduz seus projetos em discos. E, assim, leva a cultura que representa a um patamar que antes ela não ocupava — diz Sukman. — Sem Martinho, sem a popularização do gênero promovida por ele, o samba estaria num outro lugar hoje. Ele existe como música comercial em grande parte porque Martinho existe. Zeca Pagodinho, por exemplo, é filho do Martinho. Tanto que o ressurgimento de Zeca nos anos 1990 foi com Rildo Hora (fundamental na construção da sonoridade dos discos de Martinho).

No “Sambabook”, esse som de Martinho é representado já na escalação da banda. Ela estará completa, e terá a presença dos convidados, nos shows de lançamento do projeto — no Imperator (Centro Cultural João Nogueira), nos dias 22 e 23 de maio, e no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, em 31 de maio, 1º e 2 de junho.

— São músicos que tocaram com Martinho em diferentes momentos, como Zeca da Cuíca e Claudio Jorge, e um coro que tem filhos de Martinho (Analimar, Juju Ferreira e Martinho Filho) e sua neta Dandara — explica Flavio Pinheiro, diretor de Marketing da Musickeria. — Para os intérpretes convidamos pessoas identificadas com ele, como Paulinho da Viola, Leci Brandão, João Donato e Mart’Nália. Mas também procuramos artistas das novas gerações, seja do samba, como Moyseis Marques, ou de fora dele, como Pitty.

Martinho lembra que, quando começou, tudo era mais setorizado:

— Pitty cantou maravilhosamente bem meu samba (“Roda ciranda”). E Chorão era meu grande fã. Me falou uma vez que se inspirou muito em mim, veja só.

Apesar da surpresa de Martinho, não é difícil entender o fascínio que exerce o artista que estabeleceu de forma pioneira pontes entre a periferia e a indústria, entre o campo e a cidade, entre o Brasil e a África — sempre com os pés fincados em ambos os lados. Pontes construídas ao longo de uma vida que parece ficção.

— Ele foi retirante, vindo do interior do Rio (Duas Barras), e favelado (da Serra dos Pretos Forros, na Boca do Mato). Conseguiu se educar, sustentar a família, ficar rico, ter prestígio perene, tudo isso vindo do estrato mais baixo da sociedade. Ele compra a fazenda onde seu pai trabalhava e faz um samba-enredo lindo (o da Vila Isabel, campeã deste ano) que fala do homem do campo, e no qual o filho é um dos parceiros. Trajetória perfeita para um biógrafo — elogia Sukman.

(webremix.info)


Em Doha, museus e grandes novidades

DOHA - No ano passado, a família real do Catar ganhou as manchetes dos jornais ao arrematar em um leilão, por US$ 250 milhões, o quadro “Os jogadores de cartas”, de Paul Cézanne, até hoje a pintura mais cara da História. Na semana passada, novamente o apetite dos árabes por obras de arte famosas foi notícia, com a compra de “O menino com a pomba”, uma das obras da fase azul de Pablo Picasso. As duas peças são as estrelas de um rico acervo em formação, para ser exibido em instituições como o Mathaf, Museu Árabe de Arte Moderna, que nasce com o propósito de consolidar o país da Península Arábica, que conquistou o direito de sediar a Copa do Mundo de 2022, como uma referência mundial em cultura e entretenimento.

Doha é hoje um destino que desponta no mapa do turismo com uma coleção de edifícios ultramodernos que compõe um dos conjuntos arquitetônicos mais impressionantes do planeta, nos quais muitas vezes funcionam hotéis de alto luxo, com um time de restaurantes de primeira linha e cardápios assinados por chefs como Alain Ducasse, Gordon Ramsay e Jean-Georges — o próximo da lista é o japonês Nobu Matsuhisa. Comida árabe, um movimentado mercado e passeios no deserto representam a cultura local. Esses dois universos em sintonia fazem de Doha mais que uma parada a caminho da Ásia.

Torres iluminadas, grifes e... gôndolas

O avião se aproxima da pista de pouso, e a escuridão do mar (ou seria do deserto?) dá lugar a umas poucas luzes. De repente, surgem prédios futuristas impressionantes, torres altas iluminadas com luzes coloridas em formatos improváveis. Em poucos anos, Doha se verticalizou em sua área central, formando um fascinante conjunto arquitetônico de prédios modernos, e o ritmo de construções acelerado mostra que o cenário vai continuar mudando. Tapumes e guindastes escondendo obras são parte constante da paisagem. Mesmo com o movimentado Souq Waqif, o lindíssimo Museu de Arte Islâmica e a impecável cozinha árabe, a face mais atraente da capital do Catar, hoje com pouco mais de um milhão de habitantes, é a da modernidade.

Existe um quê de Las Vegas em Doha, e este lado é bem representado pelo shopping Villagio Mall, um imenso complexo de lojas cortado por canais repletos de gôndolas como em Veneza, imagem que acabou se tornando um cartão-postal do país. O passeio de barquinho veneziano no Catar pode parecer exótico como de fato é ( muito mais barato do que o original, e custa o equivalente a R$ 5 por pessoa), bem como deslizar pelo imenso rinque de patinação no gelo (também com preços camaradas: R$ 15 por 1h45m; ou R$ 50 por um dia inteiro), mas o time de grifes encontradas é de primeira linha, e as mais famosas estão concentradas na Via Domo: Cartier, Fendi, Ermenegildo Zegna, Christian Louboutin, D&G, Bottega Veneta, Bulgari, Prada, Gucci... Pense em uma marca de luxo que ela estará ali.

Para os que viajam em família, a Palm Tree Island, no meio da Baía de Doha, tem uma jeitão de paraíso tropical, com praias de águas claras, calmas e de temperatura amena, muitas palmeiras, restaurantes especializados em pescados e bares, além de uma série de atividades aquáticas. A ilha está a apenas dez minutos de barco da Corniche, o famoso calçadão costeiro onde moradores e turistas caminham, correm e passeiam. A agradável travessia da baía é feita em embarcações típicas. Palm Tree tem áreas gramadas que convidam a um piquenique, uma ótima ideia, ainda mais para aqueles que puderem se abastecer antes na loja Dean & Deluca que funciona no Villagio Mall.

Neste universo em construção, há novidades prestes a abrir as portas que vão reforçar ainda mais a condição de Doha como destino emergente, principalmente em relação ao turismo de alto luxo. Uma das atrações mais aguardadas, pelos aspectos gastronômicos e arquitetônicos, é o restautante do chef japonês Nobuyuki Matsuhisa, que será inaugurado ainda este ano no hotel Four Seasons, junto à marina e com vista privilegiada da Baía de Doha. A construção, um projeto do Rockwell Group, de Nova York, promete virar um dos prédios mais fotografados do Catar. Uma estrutura redonda, como que suspensa no ar, praticamente debruçada sobre o mar, com paredes envidraçadas para valorizar o visual. Serão dois andares, mais um terraço panorâmico que, é fácil imaginar, vai se tornar um dos lugares mais disputados da capital do Catar. No cardápio, estarão os pratos que fizeram a fama do cozinheiro, uma versão moderna, com influências estrangeiras, da gastronomia tradicional do Japão.

Outro provável marco arquitetônico com abertura também prevista para este ano, apesar dos sucessivos atrasos, é o novo aeroporto internacional de Doha. A estrutura monumental vai acabar com um dos inconvenientes para os turistas que visitam o país: o “velho” aeroporto, inaugurado em 1998, não tem fingers de acesso aos aviões, e o embarque é feito em ônibus — os voos de São Paulo ainda vão demorar um pouco para migrar para os novos terminais.

Cavalaria, falcoaria e arte islâmica

Para quem já visitou bazares em outros países árabes, o Souq Waqif não parece real: é organizado e com aparência de novo, como um shopping center. Mas os produtos à venda, como peças em ouro, panos e todo tipo de tecido, incluindo belíssimas pashminas, além de antiguidades, especiarias, perfumes, pérolas e roupas tradicionais árabes, tornam a visita interessante, e uma boa oportunidade de compras. A guarda montada a cavalo, com uniformes impecáveis, belíssimos, rende boas fotos.

Outra razão para ir ao souq é a boa oferta de restaurantes, incluindo casas malaias, indianas e marroquinas. A bebida oficial é chá ou café, acompanhados de um narguilé. Uma particularidade do mercado são os hotéis, como o Al Mirqab, que tem decoração preciosa, com móveis de design em estilo árabe. Como é proibido consumir álcool em bares e restaurantes nas ruas, os hotéis do souq se convertem em bons lugares para um drinque entre uma compra e outra.

O mercado é imenso, e dá para passar uma tarde inteira ali. Um dos lugares mais curiosos é o Mercado dos Falcões, onde a arte da falcoaria resiste ao tempo: além das aves treinadas, estão à venda acessórios para praticar essa paixão nacional do Catar.

Bem perto fica o imperdível Museu de Arte Islâmica, uma construção lembrando uma pirâmide, ainda mais bela à noite, quando ganha iluminação que realça as suas linhas. O acervo transita por todo o universo islâmico, do Norte da áfrica à Ásia, cobrindo um período de 1.400 anos. São várias coleções, de cerâmicas e moedas a tecidos e artefatos em metal.

Vale a pena programar ao menos uma refeição ali porque, além do café simpático, o museu abriga um restaurante de Alain Ducasse, o Idam Doha. O cardápio tem ingredientes franceses tratados com forte acento islâmico, e pratos como terrine de foie gras com gergelim e frutas cítricas, ou uma especialidade local, carne de camelo, servida com o fígado gordo, trufas e batatinhas suflê. O menu degustação, com opções escolhidas pelos clientes entre as disponíveis no menu regular, custa R$ 365. O lugar é lindo, com vista para a baía, tendo os prédios modernos ao fundo, e decoração assinada por Philippe Starck. Os pratos têm ótima execução e apresentação. Só fica faltando o sommelier...

Nos hotéis, drinque, brunch ou spa

O mercado hoteleiro de Doha acompanha o mesmo ritmo frenético da construção de edifícios modernos na cidade, e algumas redes escolheram se instalar nesses prédios, como o W Doha, enquanto outros são resorts, que atraem mais famílias, como o The Ritz-Carlton Sharq Village and Spa e o Four Seasons.

Mais do que oferecer hospedagem, os hotéis estão no centro da indústria de entretenimento do Catar, abrigando grande parte dos melhores restaurantes, os bares mais badalados e os spas que carregam as principais marcas deste segmento em todo o mundo, como Remède, no St. Regis, e o Six Senses, no Ritz-Carlton Sharq Village. Para os viajantes não muçulmanos, os hotéis são referência de lazer também porque apenas nesses lugares as bebidas alcoólicas podem ser consumidas livremente.

Quem imagina que agito noturno não rima com Doha precisa conhecer o hotel W, epicentro da badalação, com um time de bares de primeira linha, como o Crystal, o Wahm Lounge e o Living Room. Com iluminação baixa, luzes roxas e um concorrido balcão, o Crystal reúne turistas que querem ouvir música, com DJ tocando ao vivo, comendo e bebendo bem. Há um bar de champanhes e uma ótima lista de drinques. Se tem um lugar para ver e ser visto em Doha, é este.

O W oferece ainda dois brunches originais. Em um deles, ao som de jazz, no restaurante Market, os pratos são assinados pelo chef francês Jean-Georges (custa R$ 170, com bebidas). Já o Spice Market tem um dos brunches mais atraentes para os apreciadores da cozinha asiática: o destaque é a comida de rua de vários países do continente (também por R$ 170).

Os brunches são uma tradição catari ligada à indústria hoteleira. Mas, ao em vez de acontecerem aos domingos, como reza a tradição ocidental, essa mistura de café da manhã com almoço é a refeição das sextas-feiras, o dia sagrado para o islamismo. Quase todos os hotéis realizam o seu brunch de sexta, seguindo vários estilos culinários diferentes. Um dos mais autênticos é o brunch tailandês que acontece no restaurante Isaan, no Grand Hyatt (R$ 125, ou R$ 200, com bebidas). Para os que viajam em família, o almoço das sextas-feiras no restaurante Seasons, no hotel Mövenpick, dá especial atenção às crianças, incluindo a presença de piratas e personagens da Disney.

Além do brunch jazzístico no W Hotel , Doha conta com uma filial do mítico Jazz at Lincoln Center, de Nova York, no St. Regis, com intensa programação de shows, com músicos residentes e apresentações de artistas convidados.

Com duas unidades em Doha, uma mais voltada ao público executivo e um resort de praia, a rede Ritz-Carlton, além de opção de hospedagem, é um local para relaxar. O spa Six Senses, no Sharq Village, com praia particular de frente para o paredão de prédios modernos da cidade, é espetacular. A decoração recria uma antiga residência árabe, usando sistemas rudimentares de refrigeração. Há muitos tratamentos voltados para casais, com direito a saunas e piscinas privativas.

O spa do Sharq Village é procurado por moradores e viajantes hospedados em outros hotéis da cidade. Assim como os seus vários bares e restaurantes, incluindo um salão de chá à moda árabe, o Afternoon Tea in Al Jalsa, e uma área dedicada aos charutos, o elegante Cigar Lounge, com poltronas de couro próprias para se saborear um bom cubano escoltado por um copo de conhaque.

Ícone local, o complexo The Pearl-Qatar é um dos principais empreendimentos imobiliários, no melhor “estilo Dubai”: um conjunto de ilhas artificiais com construções de inspiração mediterrânea (um calçadão à beira-mar foi batizado de La Croisette), árabe ou asiática, dependendo do lugar. O projeto tem hotéis (como o Nikki Beach, com inauguração prevista para o próximo ano), edifícios residenciais e de escritórios, marina, restaurantes, cafés e lojas. Quase um mundo paralelo.

SERVIÇO

PASSEIOS

Museus: A Qatar Museums Authority concentra a administração dos mais importantes museus do país. No site qma.com.qa é possível encontrar informações sobre horários de funcionamento, endereços etc.

Safári no deserto: Várias empresas organizam passeios de jipe pelo deserto. Uma das maiores é a Qatar Adventure. Há vários tipos de programa, com ou sem refeição no final. O passeio que dura o dia inteiro custa QAR 350 (R$ 175) ou QAR 450 (R$ 225), com jantar típico, um churrasco à moda árabe. qataradventure.com

VISTO

Brasileiros precisam de visto para entrar no Catar. Ele pode ser tirado diretamente com os hotéis. Custa cerca de R$ 70, mas o preço varia de acordo com cada rede.

MOEDA

A moeda oficial no Catar é o qatari rial (QAR). Pelo câmbio atual, 1 QAR vale R$ 0,55. O dólar e o euro são bem aceitos nas lojas, inclusive no Souq Waqif, mas o troco geralmente é dado em moeda local. Cartões de crédito internacionais são amplamente aceitos.

Bruno Agostini viajou a convite do Ritz-Carlton e da Catar

(webremix.info)


Funeral de Thatcher ser? encontro de l?deres sobreviventes da Guerra Fria

LONDRES — Enquanto muitos líderes atuais escolheram não participar do funeral de Margareth Thatcher, o velório deve ser o último encontro dos mais velhos estadistas do tempo em que o Muro de Berlim ainda existia. A segurança da cerimônia será aumentada em resposta ao ataque terrorista ocorrido na maratona de Boston na segunda-feira, segundo a Scotland Yard.

Barack Obama será representado pelo Secretário de Estado do ex-presidente Ronald Reagan, George Shultz, e o seu chefe de gabinete, James Baker, ambos contemporâneos de Thatcher. Além disso, o mais famoso Secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, também aceitou o convite, assim como o ex-vice-presidente americano Dick Cheney, que foi Secretário de Defesa nos anos finais do governo da Dama de Ferro na Inglaterra. Os conservadores expressaram irritação com o fato de que ninguém do governo Obama compareça ao funeral.

O último presidente da África do Sul antes do apartheid, F.W. de Clerk, também estará em Londres, assim como, o primeiro-ministro do Canadá da segunda metade da década de 1980, Brian Mulroney.

A Guerra Fria na Europa terá sua história representada também pelo ex-presidente da Polônia, Lech Walesa, um dos poucos sindicalistas que tiveram a admiração de Thatcher, e Vaclav Klaus, o ex-presidente da República Tcheca. Do Reino Unido, todos os secretários ainda vivos do governo Thatcher são esperados.

Porém os líderes estrangeiros atuais serão bem menos representados. Apenas dois chefes de Estados e onze que servem o primeiro-ministro irão comparecer. Talvez uma lembrança do difícil relacionamento da Dama de Ferro com a Commonwealth.

No total, 170 países estão enviando representantes para o funeral, com exceções do Irã, Coreia do Norte e Argentina. O embaixador da Argentina em Londres rejeitou o convite após o cerimonial não estender o mesmo à presidente Cristina Kirchner.

Liam Fox, ex-secretário de Defesa da Inglaterra, comentou, na terça-feira, a ausência de Obama no velório. A expectativa era pela possível ida da Secretária de Estado, Hillary Clinton, uma das primeiras convidadas, mas ela também recusou.

- Eu acho que muita gente vai ficar desapontada e surpresa, dada a forma como o presidente Barack Obama elogiou Thatcher, mas ninguém (de seu governo) vai estar lá - disse Fox.

(webremix.info)


O samba inusitado, impuro e esquisito de S?o Paulo

RIO - Os nomes que cercam a música dão as pistas. Eslavosamba. Passo Torto. Metá Metá. Ou seja, um assumido desejo pelo inusitado, impuro, esquisito. Sustentando tudo, o samba, sempre ele. Desta vez, o gênero serve de matriz para a originalidade de uma turma de músicos paulistanos que se cruzam em projetos solo ou coletivos como os citados Metá Metá e Passo Torto e que agora vêm quase em sua escalação completa no recém-lançado “Eslavosamba”, disco de Cacá Machado.

— “Eslavosamba” é um capitulo interessante dessa história — explica Romulo Fróes, um dos que bebem e torcem a tradição do samba. — Cacá não é da turma, ele só era próximo a mim. Mas teve a intuição de que havia ali um som, um comportamento que interessava a ele.

O que define o som e o comportamento dessa turma (cujo núcleo é formado por Romulo, Kiko Dinucci, Rodrigo Campos, Juçara Marçal, Thiago França e Marcelo Cabral) é o que chamam de uma “postura inventiva”, que inclui uma paixão pelo samba diretamente proporcional à insubmissão radical a seus formatos mais tradicionais. Algo, acreditam os músicos, permitido em grande parte pelo fato de estarem onde estão.

— São Paulo não tem o patrimônio de ser a origem do gênero. Já partimos de uma leveza de não precisar subir o morro e virar parceiro do Zé Keti para fazer samba — defende Machado. — Romulo, seus parceiros Clima e Nuno Ramos são poetas da ruína, da desconstrução do amor, por isso o fascínio por Nelson Cavaquinho. E essa ruína, que é mote poético, acaba virando procedimento estético, musical, e definindo o olhar deles sobre o samba.

Apesar de cada um dos muitos discos lançados pelo núcleo (“Bahia fantástica”, “Um labirinto em cada pé”, “Etiópia”, “Metá Metá” são alguns deles) ter uma sonoridade própria, há elementos que caracterizam seu samba gauche.

— A MPB costuma ter a ideia de uma harmonia, dos acordes que guiam todo o arranjo — explica Dinucci. — Trabalhamos a harmonia de outro jeito, com cada instrumento fazendo uma célula melódica, conversando entre si e formando uma teia. É uma tradição que remete à África. Isso é algo do rock, do riff, que essa geração cresceu ouvindo. E, em São Paulo, Itamar, Rumo e Arrigo já começaram a formatar isso.

Rodrigo Campos faz uma analogia desse procedimento diretamente com o samba:

— No samba, o tamborim está fazendo um desenho, o tantã, outro, cada um toca uma coisa diferente, mas que juntas têm um sentido único.

Em muitos trabalhos deles os limites do samba são esticados até se desintegrarem — até porque não há compromisso com o gênero. Mas Campos defende que o samba está sempre lá, como referência maior, de forma natural, simplesmente porque eles estão impregnados dele.

— Kiko passou pelo samba rural depois do punk, eu parti do pagode de São Mateus, na linha Fundo de Quintal, Romulo teve a MPB, o rock indie e depois Nelson Cavaquinho...

Romulo chama a atenção para o abandono que sua geração sofre por parte do mercado e do público (“Não tem ninguém pedindo para a gente tocar ‘Roda viva’ ou ‘Garota de Ipanema’, o que é saudável do ponto de vista criativo”). Mas nota que essa sonoridade já saiu do gueto.

— Ela resvala no Criolo. Thiago e Cabral são determinantes no som dele — diz. — Temos a vontade de fazer o inusual. Rodrigo Campos fez um aclamado disco de estreia. Seria fácil seguir nessa linha, mas ele escolhe a audácia de cantar a Bahia de um jeito novo. Metá Metá saiu da delicadeza do sax, violão e voz para virar uma banda punk afro. O segundo do Passo Torto, “Passo elétrico”, terá Kiko e Rodrigo tocando guitarras. No abandono, a liberdade é o que nos resta.

(webremix.info)


Festival de Diamantina mostrar? a ?tica dos derrotados

A História é sempre contada pelos vencedores. Para contrabalançar a incontestável verdade, exaustivamente repetida na forma de clichê, historiadores querem dar voz aos vencidos e também aos completamente esquecidos desde o Brasil Colônia até a ditadura militar. Este, ao menos, é o foco do Segundo Festival de História de Diamantina, que acontece em setembro, na cidade histórica mineira, reunindo especialistas de todo o país.

— A História é contada pelos vencedores sim. Nas escolas, as crianças aprendem a disciplina do ponto de vista de quem venceu. E, além disso, existe uma grande parte dela que, simplesmente, não é pesquisada ou revelada — afirma a curadora do festival, Pilar Lacerda, do Departamento de História da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). — Nas reuniões que a gente tem feito para organizar o festival, começamos a descobrir muitas pesquisas e trabalhos sobre movimentos, rebeliões e pessoas que não foram muito explorados; episódios que não foram contados ou que não tiveram o destaque merecido. Este é um momento especial para recuperá-los.

Para a especialista, os grandes derrotados da História do Brasil são os índios e os negros. A historiografia tradicional é toda baseada no ponto de vista europeu, não dos indígenas, nem dos negros que vieram da África. De acordo com os números mais aceitos hoje, em 1500, quando Pedro Álvares Cabral chegou por aqui, havia algo entre 2,5 milhões e 6 milhões de índios. Pelo último Censo, sua população atual é de 897 mil pessoas — embora já tenha sido menos ainda, 250 mil, em 1997. Os navios negreiros, por sua vez, deixaram em terras brasileiras aproximadamente 6 milhões de indivíduos.

— Ainda assim, a abordagem da História que a gente tem é muito europeizada, ela é contada sempre a partir do movimento dos europeus, de como eles vieram para cá, de como como nos dominaram — sustenta Pilar. — Evidentemente isso é importante, mas não podemos nos limitar.

Abordagens equivocadas e erradas

Obviamente a escravidão e o tráfico negreiro são abordados nos livros de História, mas, segundo a especialista, de forma breve e superficial.

— Me lembro de quando passei o filme “Amistad”, de Steven Spielberg, para os meus alunos, a maioria deles negros; todos ficaram atônitos. Havia um desconhecimento muito grande da trajetória de seus antepassados. O tema é falado nas escolas, mas normalmente não é aprofundado — afirma Pilar. — Seria importante mostrar que eles foram arrancados de suas culturas, de civilizações. Que não eram pessoas brutas, ignorantes, que se não tivessem vindo para cá teriam morrido. E há outras abordagens possíveis. A música, por exemplo. O samba explica a história do povo negro, urbano, marginalizado nas grandes cidades. Até porque o fim da escravidão não promoveu a inserção. Isso, sem dúvida, melhoraria o entendimento da História do Brasil.

Em relação aos indígenas, a situação é ainda pior, na análise da historiadora. Retratado ora como selvagem, ora como uma figura ingênua, os índios foram exterminados aos milhares pelas armas dos colonizadores ou por suas doenças. Pior do que isso, como revelaram documentos recentes, foram tratados com crueldade durante a ditadura militar.

— A história dos índios não é contada de forma equivocada, mas de maneira totalmente errada mesmo — garante a historiadora. — A abordagem varia muito, mas eles nunca aparecem como protagonistas. São seres mais fracos, mais bonzinhos, mais ingênuos. No caso do Brasil, trabalhou-se muito a ideia de que não resistiram (à dominação), de que lidaram bem como o branco europeu.

Os índios e os negros não serão os únicos “vencidos” da História do Brasil a ganhar voz no Festival de Diamantina, entre os dias 19 e 22 de setembro.

— Outros vencidos da nossa História são parte da população pobre que tentou se rebelar sem estar aliada a setores dominantes — enumera a curadora do festival. — Revoltas coloniais foram duramente reprimidas e acabaram tendo pouca visibilidade porque não representavam oligarquias ou classes dominantes. Nossa ideia é mostrar não só necessariamente o vencido, mas também aqueles que não tiveram muita visibilidade, dificultando nossa interpretação e entendimento de diversos momentos da História do Brasil.

Filmes, livros e música

Nos moldes da Festa Literária de Paraty (Flip), o Festival de História tem como uma de suas principais características as mesas-redondas e debates abertos à participação do público. Sob o tema “Histórias não contadas”, serão realizadas 14 discussões e apresentações de novos trabalhos sobre resistência indígena, legado dos jesuítas, escravidão, rebeliões coloniais e ditadura militar. Estão previstos ainda oficinas, exibição de filmes, espetáculos musicais e lançamento de livros. Para os organizadores, a História não é contada apenas por historiadores.

— São olhares diferentes que se complementam. Nem o historiador, nem o jornalista, nem o cineasta são capazes de fazer bons trabalhos sem uma pesquisa séria, aprofundada. Então há uma base comum, que são horas e horas de pesquisa — diz Pilar. — Mas a abordagem é diferente, a linguagem do cinema é diferente da linguagem acadêmica. E a leitura também é diferente, se o autor é um acadêmico ou um jornalista. Do ponto de vista do registro histórico, são todos igualmente importantes. E acho que é muito rico que tenhamos essa diversidade.

O tema deste ano surgiu por conta do trabalho que vem sendo feito pela Comissão da Verdade, ao revelar histórias da ditadura militar.

— Esse momento que o Brasil vive de rever a ditadura nos entusiasmou — explicou. — A gente acha que um festival tem a obrigação de trazer novas abordagens, não adianta ser mais do mesmo. A gente quer mais do que é inédito, do que foi silenciado.

(webremix.info)


(RJ)Renata Jambeiro dias 11, 12 e 13 no Rio Scenarium (webremix.info)


O funk carioca revisita suas ra?zes

RIO - Expoente de um gênero musical criado no Rio a partir de vertentes do hip-hop americano dos anos 1980 (mais notadamente, o chamado Miami bass, da Flórida), o cantor Buchecha se viu recentemente diante de uma oportunidade imperdível para fechar um círculo: convidado pelo bombado rapper Flo Rida a criar uma canção que pudessem gravar juntos, para lançar no mercado brasileiro, ele veio com “Baile em Miami” (“Night em Miami/ baile na favela/ na favela/ doida, eu vou pegar você”). Uma espécie de ajuste de contas do funk com seu passado americano, num momento em que o diálogo doestilo carioca com o hip-hop e a dance music da matriz nunca foi tão fervilhante.

Grande estrela a surgir do funk nos últimos anos (e responsável por uma nova invasão do gênero, mesmo que em uma versão mais pop, nas rádios Brasil afora), o cantor Naldo tem, entre os seus estouros, a música “Se joga”, gravada ano passado em Miami com o rapper americano Fat Joe. Mais novo amigo do astro do cinema e do hip-hop Will Smith (que encontrou no Rio, durante o carnaval), há algumas semanas o carioca voltou aos EUA para gravar faixas com o produtor Timbaland (de Justin Timberlake, Madonna, Beyoncé, entre outros) e agora se prepara para registrar em videoclipe, na Flórida, com Fat Joe, uma nova versão do seu onipresente hit “Amor de chocolate”.

— Tenho essa meta de ir a outros lugares, mas à vera mesmo. Entrar em Miami, mas também Los Angeles, Nova York. Essa é a minha correria — diz o cantor, por telefone.

A onda de Naldo é seguida por outro nome de grande sucesso recente do funk carioca, o MC Koringa, que emplacou músicas nas novelas “Fina estampa” e “Avenida Brasil”, e que agora tem “Dança sensual” em “Salve Jorge”. Nos próximos dias, ele grava uma participação na faixa “Brazilian funk”, do angolano Paul G., rapper que vem ganhando destaque no mercado internacional com “Bang it all”, dividida com um astro mundial do hip-hop, o senegalês Akon.

— O pessoal de fora está vendo que o funk não é só mais montagem e palavrão, hoje em dia ele tem letra e melodia — diz o empresário e mentor de Koringa, o DJ Alex Bolinha. — Não estamos lutando para o Koringa ser mais um nos Estados Unidos. A ideia é começar a ganhar expressão na África, na Ásia e na Europa, para aí, sim, chegar com força ao mercado americano.

— O Rio não é mais uma novidade para os artistas do hip-hop americano — informa Sany Pitbull, um dos DJs mais ativos do funk carioca, no Brasil e no exterior, lembrando que artistas do Miami bass e do freestyle, como Trinere, MC A.D.E. e Stevie B, se apresentaram nos bailes funk da cidade nos anos 1990. — Mas agora que o Brasil está na moda, eles querem dialogar.

DJ compara Anitta a Beyoncé

Foi Sany, por sinal, quem fez a ponte para que o midas do rap americano Kanye West encontrasse, no carnaval, em seu estúdio no Méier, o DJ Batutinha, ou Renato Azevedo, profissional com 18 anos de experiência no funk, produtor de grandes sucessos de Naldo e de outros MCs, e que agora está cuidando de MC Anitta, que ele define como “a Beyoncé, caso ela tivesse nascido aqui no Rio de Janeiro”.

— O Kanye West quis ouvir a essência do que está acontecendo hoje, o que faz mexer o cara da comunidade. Passei para ele muito material bruto do funk, mostrei como se montavam as músicas — diz Batutinha, que, desde então, vem trocando e-mails com Kanye e seus produtores. — Os americanos ainda vão olhar o funk com atenção. Ele tem uma resposta muito rápida dos ouvintes e dançarinos, é isso que eles querem.

— Quando o Miami bass chegou aqui ao Rio, ele era uma batida única. Nós colocamos nele o jeitinho brasileiro, falando da menina bonita da comunidade — conta Buchecha, MC que, ao lado do falecido parceiro Claudinho, ajudou a fazer, ainda nos anos 1990, com que o funk fosse aceito nas emissoras de música pop e cruzasse as fronteiras do país. — Agora é legal ver a sua aceitação nas novelas e nos filmes e a volta à sua origem, que é Miami. Faz parte da evolução.

— Foi legal quando o Mr. Catra se juntou ao Lil Jon (em 2010, o funkeiro carioca e o rapper de Atlanta gravaram juntos, no Rio, a música “Machuka”), o problema é que não houve uma sequência — avalia Naldo, que acha o caminho até as paradas gringas longo, mas viável.

— Ainda não dá para competir de igual para igual porque temos poucos produtores qualificados, a educação musical em nosso país é falha — opina Batutinha, que, mesmo assim, não esmorece, e põe todas as fichas em Naldo. — Eu falei para ele: Alguém tem que me dar um Grammy, e esse alguém é você!

(webremix.info)


Brian Sokol e tudo o que importa

RIO - A coisa mais importante que o menino Yusuf carrega consigo desde que fugiu da Síria é o celular (“Com ele, posso falar com meu pai”, diz). Já o objeto que a jovem Tamara escolheu para levar do mesmo país foi seu diploma, com a intenção de continuar os estudos na Turquia. Enquanto isso, Shari, uma senhora cega, elegeu sua bengala como item essencial quando deixou o Sudão.

Embora alguns dos nomes sejam falsos, as histórias são reais e fazem parte do conjunto “The most important thing” (“A coisa mais importante”). Assinada pelo fotojornalista americano Brian Sokol, que se dedica exclusivamente a documentar assuntos relacionados aos direitos humanos, a série continua em andamento e conta com o apoio do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. As doações podem ser feitas pelo site www. unhcr.ca.

— O projeto é uma tentativa de transmitir a humanidade dos indivíduos que foram desumanizados pelas circunstâncias — esclarece Sokol, em entrevista por e-mail. — A intenção é mostrar que milhões de pessoas em situações parecidas no mundo todo não são estatísticas, não são simplesmente “refugiados”, ou “outros”, mas são mães e filhas.

O projeto teve início quando o fotógrafo foi à África clicar os refugiados apresentando as coisas que consideravam imprescindíveis para seguir a vida longe de casa. As fotos personificam números assombrosos: desde novembro de 2011, mais de 100 mil pessoas cruzaram a fronteira entre o Sudão e o Sudão do Sul, muitas vezes a pé, durante dias ou semanas, em condições de pobreza extrema.

Entre os itens escolhidos, há quem prefira carregar coisas de valor sentimental. É o caso de Salma, que leva consigo o anel que sua mãe lhe deu pouco antes de morrer: “Não é valioso, é apenas um anel velho. Mas é tudo o que me sobrou”, diz ela. Já os objetos essenciais para Torjam são duas garrafas de plástico, uma para água potável e outra para óleo de cozinhar.

A segunda etapa da série se deu na Síria, de onde as pessoas partem, na maioria das vezes, em direção a Jordânia, Líbano, Turquia e Iraque.

— A receptividade varia muito — comenta o fotógrafo. — No Sudão do Sul, às vezes tinha dificuldade em afastar as pessoas que ficavam pulando em frente à câmera. Quase todos com quem conversei estavam empolgados para contar suas histórias. Mas no Oriente Médio a situação era outra. Muitos dos refugiados sírios pediam que suas identidades fossem ocultas, com medo de ser reconhecidos.

Diferentemente do Sudão, muitas famílias sírias deixam o país como se estivessem saindo para um mero passeio de carro, de modo que precisam pensar com cautela sobre o que levar. Por isso, optam por objetos que não despertem desconfiança e que, de preferência, caibam nos bolsos. O porta-malas, afinal, é muito suspeito.

Ayman, um dos retratados que Sokol descreve como um homem “formal e reservado”, disse que não havia nenhum item indispensável. Pediu para ser fotografado ao lado da mulher. A legenda explica: “Ela é a melhor mulher que conheci na vida. Mesmo que eu tivesse que voltar 55 anos, teria feito a mesma escolha”.

* Transcultura é o coletivo formado por Alice Sant'Anna, Bruno Natal, Carol Luck e Fabiano Moreira que publica no Segundo Caderno às sextas-feiras

(webremix.info)


Artista usa Kinect e areia para criar mundo virtual interativo na File Games 2013 (webremix.info)


Edi??o paulistana do festival S?nar ? cancelada

RIO - Marcada para os dias 24 e 25 de maio, a edição paulistana do Sónar foi cancelada nesta segunda-feira. Segundo as produtoras Dream Factory e Advanced Music, "o motivo está diretamente relacionado a dificuldades e a instabilidade no mercado de entretenimento no Brasil". Eram esperadas atrações como Pet Shop Boys, Paul Kalkbrenner e Explosions In The Sky, entre 30 artistas. Os ingressos para o festival, que deveriam ter sido disponibilizados para o público em 20 de fevereiro, ainda não tinham sido postos à venda.

No ano passado, a edição brasileira do Sónar reuniu mais de 30 mil pessoas em 26 horas ininterruptas de música no Anhembi. Nascido em Barcelona, na Espanha, o festival voltado para a música eletrônica completa 20 anos em 2013. A versão paulistana faria parte de uma comemoração envolvendo quase 300 shows e outras cinco cidades: Reykjavik, na Islândia, Cidade do Cabo, na África do Sul, Tóquio e Osaka, no Japão e a sede Barcelona, que encerra a programação entre os dias 13 e 15 de junho.

(webremix.info)


Tendências Verão 2014 ? Confira as apostas do Senac Moda Informação

A estação traz muita continuidade. A música influencia bastante o Verão 2014, desde o disco dancing até os estilos mais undergrounds, passando por ídolos consolidados como Janis Joplin e Jimi Hendrix até às divas mais alternativas, como Rihanna e Azealia Banks. Dessa vez o Rio de Janeiro influencia o mundo com a moda beachwear, assim como a Califórnia que também empresta seu estilo. Os étnicos continuam fortes e vêm de três regiões diferentes – África, Ásia e América, trazendo estampas [...]

O post Tendências Verão 2014 – Confira as apostas do Senac Moda Informação apareceu primeiro em Fashion Bubbles.

(webremix.info)


Filmes, exposi??es e livro mostram como o heavy metal ganha espa?o na ?frica (webremix.info)


O est?dio que esnoba o futebol

PARIS - Como você chamaria um estádio construído para uma Copa do Mundo que, após o evento, passa a receber, em média, seis jogos de futebol por ano? A resposta certa poderia ser 'elefante branco' se não estivéssemos tratando do Stade de France, palco da (para nós) indigesta decisão do Mundial de 1998, aquela do piripaque de Ronaldo na concentração e dos dois gols de Zidane que construíram a vitória por 3 a 0 sobre o Brasil na maior conquista da história esportiva da França.

Quinze anos depois, o estádio em Saint-Denis, município ao norte de Paris, se transformou em um dos mais bem sucedidos exemplos de arena multiuso da atualidade. Futebol? É o que menos se vê naquele gramado. Sem ser a casa de qualquer time da cidade - o Paris Saint-Germain, por exemplo, nunca deixou de mandar suas partidas no Parc des Princes -, o Stade de France esbanja saúde financeira apostando na variedade de atrações, especialmente jogos da seleção de rúgbi - outro esporte muito popular no país - e shows internacionais, além de eventos de atletismo e todo o tipo atrações esportivas, como corrida de cavalo, provas de automobilismo, vôlei de praia e até windsurfe. Só de visitantes, são 100 mil por ano.

O futebol responde por apenas 25% da programação anual: por contrato, a Federação Francesa de Futebol é obrigada a organizar um mínimo de seis partidas no local por temporada, a maioria da seleção do país. Clubes só jogam lá em duas ocasiões, nas decisões da Copa da Liga Francesa e da Copa da França.

- Existem elefantes brancos em Atenas, Pequim e na África do Sul. Aqui, resolvemos apostar em várias atividades, incluindo encontros de negócios e turismo - explica o gerente de marketing do estádio, Matthieu Barnay, referindo-se ao legado de prejuízo deixado por alguns equipamentos construídos para os Jogos Olímpicos de 2004, 2008 e a Copa do Mundo de 2010, respectivamente.

Na semana passada, foi lançado no Rio o edital de concessão, operação e manutenção do Complexo do Maracanã. A licitação será no dia 11 de abril e o processo será realizado pelo sistema de Parceria Público-Privada (PPP). Informações sobre o modelo de gestão, no entanto, ainda não foram divulgados.

Estádio receberá a final da Euro 2016

Único certificado pela Uefa com o selo de estádio cinco estrelas no país, o Stade de France já recebeu alguns dos maiores eventos esportivos da Europa nos últimos anos. Além da final da Copa de 98, a arena foi palco das decisões de duas Ligas dos Campeões da Europa (2000 e 2006), dos Mundiais de Atletismo-2003 e de de Rugbi-2007. Naquele gramado também será realizada a final da Eurocopa 2016, que a França sediará. Grandes nomes da música internacional também já montaram seu palco por lá, como U2, Rolling Stones, Black Eyed Peas, AC/DC e Lady Gaga, responsável pelo 50º concerto do estádio.

O palco da decisão do Mundial de 98 foi construído em dois anos e sete meses - o tempo previsto para a reforma do Maracanã, por exemplo -, ao custo de 364 milhões de euros, sendo 52% pagos pelo Estado e os outros 48% pelo Consortium Stade de France, formado pelas empresas Vinci, de construção civil, detentora de 2/3 das ações, e Bouygues, de telecomunicações. Em julho deste ano, os administradores preveem pagar a última parcela do empréstimo tomado junto a um banco privado para a construção do estádio. A comemoração pelo aniversário do título mundial, conquistado no dia 12 de julho de 1998, eles deixam para a torcida. O que importa para os gestores é que, quinze anos após a Copa, a arena multiuso já está quitada, e o que vier a partir de agora é lucro.

E que lucro: o balanço de 2012 aponta 95 milhões de euros em faturamento. Os gastos não são revelados, mas o consórcio garante que o estádio jamais registrou déficit ao fim de cada temporada de muito rugbi, shows de rock, óperas e, sim, algum futebol. Pelo contrato de concessão, o governo francês recebe anualmente uma parte da receita, que pode chegar até 50%.

- Desde 1998, tivemos a política da diversificação: óperas, espetáculos equestres, grandes eventos esportivos. Entre 2011 e 2012, o rúgbi levou 650 mil torcedores ao estádio, com uma taxa de ocupação de 81%. No mesmo período, foram 520 mil torcedores em jogos de futebol, menos apenas que os estádios do PSG, Lyon e Olympique de Marselha. Em oito shows, sendo três deles internacionais, 527 mil pessoas vieram ao estádio. E mais de 300 mil assistiram às seis óperas apresentadas aqui - resume Barnay.

Esquecido pelo Brasil

Com três níveis de arquibancada, 173 camarotes para 2.836 privilegiados, 20 salões - que são usados também para encontros corporativos e podem abrigar 6 mil pessoas -, tribuna de imprensa com 500 lugares, 40 bares e dois restaurantes, o Stade de France pode receber 80 mil torcedores, quase a população de Saint-Denis. O anel inferior, que repousa sobre a pista de atletismo, é retrátil: quando preciso, seja para competições ou entretenimento, o setor é rebaixado e empurrado para baixo da arquibancada central, numa operação que dura cinco dias. Em dias de show, a capacidade aumenta para 96.540 pessoas. Desde a sua fundação, mais de 24 milhões de franceses e turistas de todo o mundo já passaram pela arena em 335 eventos. Para 2013, estão previstas entre 25 e 27 atividades.

O aniversário de 15 anos, porém, pode marcar a primeira prova de fogo para os gestores. Um dos pilares da sustentabilidade do Stade de France, o rúgbi está pensando em ter sua própria casa: existe um projeto de construção de um estádio exclusivo para a seleção nacional até 2018. E o contrato atual com a federação terminará justamente em junho deste ano. Atualmente, o esporte da bola oval é responsável por quase a metade da ocupação do local, com até 11 jogos por ano, contra um mínimo de seis partidas de futebol e apenas um meeting de atletismo no mesmo período. Para tranquilidade dos gestores, a Federação Francesa de Futebol já renovou seu contrato, em 2010, por mais 15 anos.

O consórcio que administra o Stade de France se orgulha de ter praticamente inventado um modelo próprio de geração de renda na Europa. E de servir de exemplo para outras praças esportivas. O sucesso da arena parisiense, porém, parece não ter sido suficiente para superar os 9.500 km que separam a França do Brasil. Segundo Barnay, o país que está reformando ou construindo 12 estádios para a próxima Copa do Mundo jamais enviou um representante para conhecer o modelo francês:

- Trabalhamos antes de 2010 com pessoas ligadas à Copa da África do Sul, e já colaboramos com muitos estádios da Europa. Do Brasil, nunca fomos procurados por ninguém. Mas sabemos que existem outros modelos. Na Ásia, por exemplo, existe um aproveitamento mais ligado à comunidade. Para dizer qual seria o modelo melhor para o Brasil, somente conhecendo a realidade brasileira - avalia Barnay.

* O repórter viajou a convite do Ministério das Relações Exteriores da França

(webremix.info)


A volta por cima de Rodriguez

Entrincheirado entre filmes de forte conteúdo — que abordavam temas como estupros nas Forças Armadas americanas, a luta contra a AIDS e o conflito entre Israel e Palestina —, “Searching for Sugar Man” ganhou a batalha pelo Oscar de melhor documentário com uma agridoce história de paz, amor e redenção. No foco, a inusitada trajetória do americano de raízes mexicanas Sixto Rodriguez, um obscuro cantor de folk dos anos 1970 cuja música se transformou, sem que ele soubesse, em fonte de inspiração para os ativistas que lutavam pelo fim do regime de segregação racial na África do Sul.

Dirigido pelo sueco Malik Bendjelloul, o filme, que debutou no festival de Sundance de 2012, mostra como dois fãs conseguiram localizar o músico — que, segundo a lenda, tinha se suicidado após o fracasso de seus dois discos, “Cold fact”, de 1970, e “Coming from reality”, de 1971 — e tirá-lo do ostracismo. Após uma vida de zero glamour em sua cidade, Detroit, trabalhando como operário, apesar do diploma de Filosofia, Rodriguez é levado, então, para um consagrador show na África do Sul.

O final feliz , porém, não se resume aos letreiros do filme. O cinema fez bem à música de Rodriguez — um folk com forte influência do rock e do blues. Após décadas fora do mercado, seus dois discos foram relançados e já venderam mais de 100 mil cópias só nos Estados Unidos. Lançada ano passado, a trilha sonora do filme, com um best of de sua breve carreira, também foi beneficiada pelo novo culto a Rodriguez, com 75 mil cópias vendidas até agora, de acordo com a revista “Billboard”.

Apesar de ausente da cerimônia do Oscar, ele já tem a agenda novamente ocupada: além de um novo disco, sendo negociado com gravadoras, Rodriguez vai cantar no renomado festival Coachella, em abril, na Califórnia. Para ele, a vida (re)começa aos 70 anos.

(webremix.info)


One Direction regrava faixa do grupo ?Blondie?

RIO - Os meninos do One Direction regravaram uma música de 1979 em prol da Comic Relief’s Red Nose Day. Todos os lucros de “One Way or Another” - faixa originalmente gravada pelo grupo Blondie - serão revertidos a instituição de caridade, que faz trabalhos na África e no Reino Unido.

No início do clipe, os meninos avisam que eles gravaram o clipe para doar o dinheiro que seria na gasto na produção para a Comic Relief. O vídeo foi filmado em diversos locais do mundo por onde a turnê passou. Os meninos dançam e cantam animados em pontos turísticos de Londres, Nova York, com a plateia no Japão e com crianças e adolescentes de Gana. Tem até um sósia do premier britânico David Cameron, sendo abraçado na porta do número 10 da Downing Street (a residência oficial do primeiro-ministro).

(webremix.info)


T?tulos da Vila e do Imp?rio da Tijuca mostram voca??o da regi?o para desfiles de qualidade

RIO — A vitória da Vila Isabel de Noel Rosa, no Grupo Especial, e do Império da Tijuca, na Série A, salienta como a competência no samba carioca é, muitas vezes, uma questão de berço: tal como outras quatro escolas do Rio — Salgueiro, Unidos da Tijuca e as vizinhas Mangueira e Paraíso do Tuiuti —, as duas têm suas origens ligadas à Grande Tijuca (que engloba os bairros de Tijuca, Andaraí, Vila Isabel, Grajaú e Maracanã) e a regiões adjacentes. Mas como é possível tanta concentração de samba no pé em um só lugar? Para especialistas, as razões são históricas, sociais e se confundem com o próprio surgimento e a popularização do gênero musical no Rio, no início do século XX.

Segundo o historiador Milton Teixeira, a importância da região para o samba e o carnaval carioca é tanta que, não fosse por ela, possivelmente “estaríamos dançando valsa até hoje”:

— A Pequena África, como era conhecida a região que vai da Praça Onze ao Maracanã no início do século XIX, por sua concentração de escravos alforriados, e que engloba parte da Grande Tijuca, é fundamental para entendermos a gênese da música popular carioca moderna e a história da cultura negra na cidade. Foi um lugar muito rico culturalmente, que deu origem a muitos gêneros musicais, entre eles o samba.

Fábricas atraíram levas de trabalhadores

Tão antiga quanto a própria fundação da cidade do Rio, em 1565, boa parte da Grande Tijuca foi composta por engenhos de cana de açúcar até o século XIX, quando as fazendas começaram a ser divididas em propriedades menores. Pequenas ruas se abriram, e residências foram erguidas. Na virada do século XX, a instalação de diversas fábricas de tecido, chapéu, rapé, cigarro, cerveja, laticínios e papel na área atraiu uma grande quantidade de trabalhadores, a maioria migrantes, ex-escravos e descendentes de africanos, que, sem opção de moradia, invadiram os morros próximos.

Esse cenário, explica a historiadora Lili Rose Cruz Oliveira, autora dos livros “Tijuca de rua em rua” e “Vila Isabel de rua em rua”, foi fundamental para a formação das escolas de samba desses bairros:

— A instalação das fábricas na região teve influência direta na ocupação dos morros e, pouco tempo depois, como consequência, na formação das escolas. É assim que surgem as comunidades do Borel, do Salgueiro e da Formiga, que vão crescendo a partir das ocupações feitas por operários.

Marginalizados, moradores das comunidades encontraram no samba sua forma de expressão.

— A maioria era composta por migrantes e ex-escravos, que chegaram a essa região e precisavam se expressar culturalmente, se reumanizar no ambiente, por meio de uma elaboração cultural moderna. E isso foi o samba para eles — afirma Nelson de Nóbrega Fernandes, professor do Departamento de Geografia da UFF.

Nesse contexto, o historiador da Uerj e coordenador do Centro de Referência do Carnaval, Felipe Ferreira, ressalta a importância do poeta da Vila, Noel Rosa, para a popularização e a valorização do samba para além das classes populares:

— Noel pertencia a uma classe média alta de Vila Isabel e, ao frequentar a periferia, começou a ter contato com o samba que versava sobre o cotidiano das classes mais populares. Ele incorporou isso à sua música e o levou para uma camada social que antes não tinha contato com esse universo.

Não foi por acaso que Noel Rosa, que viveu em Vila Isabel nos anos 1920 e 1930, escreveu “Três apitos”, sobre a fábrica de tecidos onde hoje funciona um supermercado.

Sambistas desfilavam em várias escolas

Assim, a Estação Primeira de Mangueira surge em 1928, no morro do mesmo nome; a Unidos da Tijuca nasce em 1931, a partir de diversos morros da Tijuca, entre eles o do Borel; a Unidos de Vila Isabel é fundada em 1946, no Morro dos Macacos; e o Salgueiro, criado em 1953, surge na favela homônima. Já o Império da Tijuca está, desde 1940, no Morro da Formiga.

Fundadas em períodos diferentes, mas próximas geograficamente, essas escolas de samba cresceram e se desenvolveram em meio a uma relação de competição, mas principalmente de muita amizade, algo essencial para o seu fortalecimento.

— Os sambistas desfilavam em várias escolas, e as agremiações se ajudavam, emprestando instrumentos musicais, por exemplo. Tudo isso proporcionava uma troca de experiências que fortaleceu a evolução dessas escolas — afirma Teixeira.

Pela trajetória da região, o historiador não acredita que a força da Grande Tijuca no carnaval seja mera coincidência.

— Não fosse essa reunião de condições, nossa relação com o carnaval e com o próprio samba poderia estar hoje mais próxima daquela que São Paulo tem, por exemplo.

(webremix.info)


Estudantes estrangeiros buscam oportunidades no Brasil

BRASÍLIA – A curiosidade sobre o Brasil, as possibilidades de oportunidades de emprego e estudo, assim como a qualidade do ensino no país estimularam a chegada de um maior número de estudantes estrangeiros no país em 2012. Os colombianos, portugueses, franceses e angolanos lideram a lista dos que mais procuram as cidades brasileiras para estudar, segundo o Ministério das Relações Exteriores — responsável pela emissão dos vistos. Só no ano passado, 1.333 estudantes colombianos vieram para o Brasil, 944 portugueses, 934 franceses e 745 angolanos.

Na comparação com 2011, por exemplo, o número de colombianos interessados em estudar no Brasil aumentou em quase 50%. Naquele ano, 972 estudantes colombianos pediram o visto, 441 portugueses, 798 franceses e 608 angolanos.

Os números fazem parte de um balanço, feito pelo Ministério das Relações Exteriores, sobre os vistos de estudantes requisitados nas representações brasileiras em 156 países. No documento, há situações como a do Zimbábue (África), país que sofre com a hiperinflação e dificuldades econômicas que, desde 2005, não envia estudantes para o Brasil.

Países que enfrentam crises internas enviaram poucos ou nenhum estudante para o Brasil. No ano passado, o país não recebeu pedidos de vistos para estudantes da Líbia e do Mali, enquanto os palestinos pediram apenas uma autorização, os sírios três, os tunisianos oito e os egípcios nove.

Os estudantes que desembarcam no Brasil chegam ao país com vários sonhos. A peruana Melissa Aragon, 25 anos, estudante de arquitetura na Universidade de Brasília (UnB), está há quatro anos e meio na capital. Segundo ela, a escolha pelo Brasil foi estimulada pela crença de que o país pode oferecer mais opções de emprego.

— Como eu queria conhecer outras línguas, fiz quatro meses de português, quando surgiu a oportunidade para estudar no Brasil, fiz a prova e passei. O Brasil tem muitas coisas a oferecer, desde a parte cultural, que é bastante diversificada, influências culturais de diferentes países, tem teatro, música, a culinária brasileira é muito boa, até as opções de trabalho, porque é um país que está em desenvolvimento em relações aos outros países da América Latina — contou a estudante.

Também aluno de arquitetura na UnB, o estudante da Guiné-Bissau Demarbique Carlos Sanca, 22 anos, disse que teve a oportunidade de vir para o Brasil ao conquistar uma bolsa de estudos.

— Nunca imaginei estudar aqui no Brasil. Eu pensava que qualquer oportunidade que aparecesse para eu estudar fora [da Guiné] eu iria —ressaltou. — Acho que aqui as oportunidades de trabalhos são bem maiores [do que na Guiné-Bissau]. Se quando eu concluir o curso, se surgir uma boa oportunidade aqui, posso trabalhar um pouco no Brasil e voltar para o meu país de origem para dar a minha contribuição como arquiteto.

(webremix.info)


Uma das favoritas da S?rie A, Imp?rio da Tijuca promete for?a e emo??o na Avenida

RIO — O Império da Tijuca promete não medir esforços na tentativa de conquistar uma vaga no Grupo Especial. Com os carros alegóricos e tripés praticamente prontos, além de quase todas as fantasias já entregues, a escola de samba atravessa madrugadas para acertar a parte técnica e deixar tudo azeitado para não ter problemas durante o desfile na Sapucaí.

De acordo com o diretor de carnaval Thiago Monteiro, o maior desafio das agremiações este ano tem sido adaptar os desfiles para o novo formato exigido na Série A (união dos antigos grupos de Acesso A e B):

— Temos 55 minutos para mostrar ao que viemos e vamos tentar primar pela técnica, sem perder a força e a emoção que nosso samba-enredo deve levar para Avenida — destacou.

O carnavalesco Júnior Pernambucano recebeu a missão de desenvolver o enredo do Império da Tijuca: “Negra, Pérola, Mulher”, que dá destaque ao papel da mulher negra na história, desde a África até os dias de hoje. Figuras como Anastácia, a escrava que virou santa, Dandara, mulher de Zumbi dos Palmares, e Chica da Silva, escrava alforriada, fazem parte de alas importantes da agremiação.

— Queremos mostrar a importância da mulher negra desde os primórdios até os dias de hoje. Vamos destacar sua influência nas artes, na religião, na música, na literatura, na fotografia, na pintura... — detalhou Pernambucano.

A intenção de mostrar a força das mulheres negras deverá ficar clara ao final da apresentação. Segundo o carnavalesco, a última ala será composta por 120 mulheres negras do Morro da Formiga, comunidade do Império. Além disso, os rostos das moças da comunidade estarão em destaque em um dos carros alegóricos.

Carnavalesco estreia no carnaval do Rio

Para Pernambucano, a chance de participar da organização do carnaval de uma agremiação como o Império da Tijuca é a realização de um sonho. Esta é a primeira vez que ele trabalha com uma escola do Rio, tendo sido campeão do carnaval de Três Rios seis vezes anteriormente. No entanto, o carnavalesco pretende ir mais longe.

— Quero tentar levar o Império para o Especial, para competir com os carnavalescos das outras escolas de samba, que sempre admirei — contou.

(webremix.info)


Bon Jovi lan?a primeiro clipe de novo disco, 'Because we can'

RIO - O novo disco do Bon Jovi, "What about now", está programado para chegar às lojas virtuais e físicas no dia 25 de março. Mas, nesta terça-feira, a banda lançou o primeiro clipe do novo trabalho para a música "Because we can", que já circulava na internet em forma de single desde o início de janeiro. Veja o clipe acima.

A turnê começa no dia 9 de fevereiro nos Estados Unidos, passa pelo Canadá, África e Europa, com shows agendados até julho. Em dezembro, o guitarrista do grupo, Richie Sambora, conversou com O GLOBO para divulgar seu novo disco solo, ‘Aftermath of the lowdow‘. Ele aproveitou para anunciar que a turnê do 12º álbum de estúdio do grupo nascido em Nova Jersey, em 1984, vai passar pelo Brasil ainda em 2013.

Incluída em "What about now" está a canção “Not running anymore”, que Jon Bon Jovi escreveu para o filme "Amigos Inseparáveis", que traz Al Pacino no elenco, e chega aos cinemas brasileiros em abril. A música foi indicada ao Globo de Ouro de Melhor Canção Original neste ano.

(webremix.info)


Document?rio mapeia a m?sica do Mali

RIO - A vida é dura no Mali. A região norte do país africano se encontra sob o controle de extremistas islâmicos, e há relatos desconcertantes de execuções, além do recrutamento forçado de crianças para combater as forças do Exército. Sem previsão para o desfecho do conflito, a ONU estima que 400 mil pessoas vão deixar o local rumo a países vizinhos nos próximos meses. Mas a música é boa no Mali, nação que deu ao mundo artistas como Salif Keita, Toumani Diabaté, Tinariwen, Ali Farka Touré, Fatoumata Diawara e Amadou e Mariam, que por sua vez influenciaram gente como Ry Cooder, Damon Albarn, Bonnie Raitt, The Magic Numbers e Johnny Marr, entre outros.

Não por acaso, portanto, o documentário “Music in Mali”, em fase final de produção, tem o subtítulo “Life is hard, music is good” (“A vida é dura, a música é boa”). Dirigido pelo americano Aja Salvatore, um especialista na região, para onde já viajou mais de dez vezes, o filme mostra o dia a dia de músicos e demais artistas do país, em meio a um dos mais áridos cenários do continente africano. Previsto para ser finalizado no segundo semestre deste ano, a tempo de se candidatar a uma vaga no festival de Sundance de 2014, ele revela que, apesar de banida pelo fundamentalismo dos rebeldes (que proibiram até ringtones), a música do Mali segue como uma das mais ricas e inspiradoras do planeta.

— Não quis fazer um filme sobre o Mali em cima dos estereótipos associados ao continente africano, como a pobreza e a violência. Essas coisas já surgem naturalmente assim que você começa a gravar — explica Salvatore, que mora em Los Angeles e é um dos fundadores da gravadora KSK Records, especializada em sons africanos. — O Mali teve um dos mais ricos impérios da África, e sua música, que é profundamente enraizada na população, deu origem a muitos dos sons que ouvimos, como o blues, o jazz e o hip-hop. É uma região que costuma ser citada e saudada, mas que nunca teve um registro cinematográfico à altura da sua importância.

Músico e DJ também, Salvatore teve a ideia de fazer o documentário há sete anos, depois que já tinha viajado ao país por duas vezes, tocando e fazendo contato com artistas locais para a sua gravadora, que criou em parceria com outro músico, o brasileiro radicado em LA Rafael Tudesco. De tanto viajar pelo país, Salvatore acabou aprendendo o idioma local, o bambara, uma ferramenta importante para abrir portas e livrar sua equipe de alguns problemas.

— Fomos parados diversas vezes pela polícia da última vez em que estivemos lá, há poucas semanas, mas sempre éramos liberados quando descobriam que o Aja falava a mesma língua — conta Tudesco, que acompanhou as filmagens como técnico de áudio.

Ao longo das gravações, Salvatore e sua equipe viajaram pelo país — onde as fitas cassete ainda são a principal forma de consumo e trocas musicais —, embrenharam-se pelo interior, assistiram a rituais de dança, viram inúmeros shows e tiveram contato com artistas como Khaira Arby, uma das estrelas do “desert blues”. Durante uma viagem ao exterior, ela teve a sua casa invadida pelos rebeldes, seus instrumentos destruídos e foi ameaçada de ter a língua cortada se continuasse a cantar na região (ela é do norte).

— Essa história foi realmente impressionante — conta Salvatore. — Khaira hoje está refugiada no sul do país e impedida de voltar à sua casa. Mas o que todos dizem é que esses rebeldes não passam de gângsteres movidos a cocaína, desprovidos de qualquer ideologia, além da vontade de impor o terror a um povo que é muito pacífico, capaz de se entender apesar das diferentes etnias existentes no país. Estávamos na capital quando as tropas francesas começaram a intervir no conflito e, apesar da tensão, as pessoas nas ruas repetiam a frase “fight is no good” (“brigar não é bom”), como se fosse um mantra. A vida é realmente dura no Mali, mas a música e o povo são fascinantes.

(webremix.info)


As muitas vit?rias do professor bamba Andr? Diniz

RIO - Parece enredo de carnavalesco doidão, mas está acontecendo — e deu no mais celebrado samba-enredo do ano. Entre os compositores, estão um professor de História do ensino médio e dois astros da música brasileira, mas aqui os famosos reverenciam o diletante, a verdadeira grife do gênero. É assim que a banda toca na parceria que pariu o hino da Vila Isabel para 2013, de Arlindo Cruz, Martinho da Vila, Tunico, Leonel — e de André Diniz, o professor-protagonista dessa história.

Ele contesta o status, argumenta o mais que pode, mas o diagnóstico da tribo carnaval está cristalizado num mantra: “Já ouviu o samba do André?”, pergunta-se há meses, por quadras e botequins do Rio. Faz sentido, diante do currículo que o transformou no bicho-papão das disputas nas escolas cariocas. Só na Vila Isabel são 14 vitórias — esta última, com luxuosa parceria.

— Sou um dos operários desse samba — minimiza, escalando-se ao lado de Leonel e Tunico (filho de Martinho) nas homenagens à dupla famosa. — Os caras têm ideias ótimas, melhoram a música. Uma honra tê-los conosco.

André tenta se acomodar na posição de fã (“Ainda olho os dois com temor e subserviência”, confessa, incluindo Martinho), mas encontra um rival. Arlindo devolve as mesuras ao parceiro.

— É um talento fantástico, bota pra quebrar mesmo. Não à toa é um grande vencedor com sambas que caem no gosto popular — constata ele, autor de joias como “O meu lugar”. — Tem muito futuro como poeta. E é rápido demais fazendo esse negócio!

Oriundo do Império Serrano, Arlindo pediu para ser parceiro do craque de Vila Isabel. E foi em público, num show no Teatro Rival que homenageava os compositores das escolas cariocas. Quando avistou André na plateia, puxou palmas e se curvou em reverência.

— Foi o momento mais emocionante da minha vida — descreve o homenageado, 39 anos, que conta ainda “travar” quando está diante do ídolo — Continuo olhando para ele como fã.

Na mesma noite, no camarim do Rival, Arlindo pediu para fazer samba com André. A parceria (que teve ainda Evandro Bocão, Leonel e Artur das Ferragens) materializou-se meses depois, no samba sobre Angola, enredo de 2012, também elogiado por crítica e público. A Vila fez um ótimo desfile, que ficou num injusto terceiro lugar, mas o “novato” gostou da experiência:

— Se o Império não subir, conte comigo ano que vem — prometeu, respeitando sua paixão original, pela verde e branco da Serrinha, hoje na Série A, novo nome do Grupo de Acesso.

Com a outra estrela, a costura teve de ser mais elaborada. Ao longo dos anos, André transformou-se em rival de Martinho da Vila nos concursos da escola. Em 2013, a entrada de Tunico, filho do veterano sambista, na parceria, ajudou a quebrar o gelo. Quando os grupos começam a se estruturar para a disputa, o herdeiro teve a ideia da aliança.

— Vamos chamar meu pai!

Martinho hesitou, mas aceitou um encontro, e, numa tarde amena do início de agosto, sentou-se diante de André numa mesa do Petisco da Vila. Acompanhado de Tunico e Leonel, o professor decidiu abrir o jogo:

— Chega de rivalidade! A escola quer um samba nosso. Gostaria que você me desse essa honra.

O baluarte permitiu-se um passo na direção do entendimento. Perguntou se havia alguma ideia em curso, resistiu a assinar junto (“Não precisa, vejo o que vocês fizerem, dou opinião”), manteve-se reticente, enquanto André toureava a própria timidez diante do ídolo de duas gerações de sua família.

— Meu pai era muito fã dele. Lá em casa, tocava o tempo inteiro o disco “Martinho da Vila Isabel”. Igual a ele, para mim, só o Zico — exulta, revelando a paixão visceral pelo Flamengo, cevada nas finadas arquibancadas do Maracanã, onde foi diretor de bateria da Raça Rubro-Negra, sua iniciação no samba, em tempos mais pacatos das torcidas organizadas.

A sedução ao vascaíno Martinho continuou por hora e meia, até que uma metafórica fumaça branca surgiu no Boulevard 28 de Setembro. O mais famoso filho de Vila Isabel (depois de Noel Rosa, claro) topou.

Dias depois, Martinho esteve na casa de André, uma confortável cobertura num canto do bairro, com “banheirinha” (como ele chama a pequena piscina) e churrasqueira, comprada pouco antes da pacificação do Morro dos Macacos, que domina a paisagem. O homem foi à varanda, avistou a lua na noite estrelada daquela quinta-feira e pôs-se a trabalhar. Diante do esboço da letra, fez um par de sugestões — os “passarinhos”, no segundo verso, a “igrejinha” do quarto — e aprovou o resto.

— Andre é um grande compositor de samba-enredo. Tem a sabedoria de entender como o samba pode funcionar na Avenida, além de ser ótimo parceiro. — relata Martinho. — Neste que acabamos de escrever, ele, Tunico e Leonel, juntos, deram a ideia básica. Depois entramos eu e Arlindo na jogada.

Reforma agrária, uma saia justa

De sua parte, o imperiano contribuiu, entre outras ideias, com a mudança na segunda passagem do refrão (“A Vila vem plantar/ Felicidade no amanhecer” vira “A Vila vem colher”...), mas na forma contemporânea de compor. Os cinco parceiros falavam-se por telefone e internet, trocaram e-mails e foram refinando a música até a hora de gravar, quando se encontraram novamente.

Aqui, uma saia justa. Fiel às suas convicções políticas, Martinho quis incluir a reforma agrária no samba que fala do agricultor, a partir do patrocínio de uma gigante do agronegócio. Sugere daqui, negocia dali, entrou o verbo “partilhar” (“A Terra é abençoada/ Preciso investir, conhecer/ Progredir, partilhar, proteger”) e estava pronto um dos melhores sambas-enredo de 2013 — com a solitária concorrência da ótima composição da Portela —, que põe a Vila entre as favoritas ao título.

O resultado atesta o acerto da fórmula que fez de André Diniz o bicho-papão das músicas que passam na Sapucaí. Um sambista diferente, que não bebe e, num universo de espíritas fervorosos, professa a religião messiânica (sua mulher, Verônica, é ministra da igreja), como prova o altar, num canto da varanda, perto da escada.

— O Arlindo, quando viu, disse que ia me levar na macumba — diverte-se.

São raros os temas que quebram a sossegada alegria de André Diniz. Um deles mobiliza o mundo do carnaval: os sambas de escritório. O professor da Vila é perseguido pela acusação de compor veladamente para diversas escolas, em contratos secretos. Para se defender, ele cita exemplos ilustres.

— Noel Rosa fez várias músicas que não assinou. Silas de Oliveira, do Império, ajudou na Portela. Se isso é samba de escritório, é mais antigo do que o próprio samba — sustenta. — Se escritório é ajudar a concluir uma música, sem fazer questão de assiná-la, não vejo problema. Mas, se for para se associar a qualquer artifício contra a lisura da disputa, sou contra, terminantemente.

A oratória é azeitada na rotina como professor de História de quatro colégios — Marista São José, Miguel Couto, Sion e Santo Amaro —, onde os alunos viram torcedores que frequentam as concorridas disputas de samba.

— Tive aula com ele em 2005 e me apaixonei pela Vila Isabel. Sua forma irreverente de dar aula o faz ser muito querido por todos — conta Leandro Chiappetta, 24 anos, ex-aluno.

E ainda é pedagógico. Além de fazer curtos sambas de improviso em sala, André se socorre das composições para abordar períodos históricos mais elaborados. Dia desses, numa aula, cantou o samba da Imperatriz de 2000 para falar de renascimento e mercantilismo: “Terra à vista/ Um grito de conquista do descobridor/ A ordem do rei é navegar/ E monopolizar riquezas de além-mar/ Partiram caravelas de Lisboa/ Com o desejo de comercializar/ As especiarias da Índia/ E o ouro da África/ Mas depois o rumo se modificou/ Olhos no horizonte, um sinal surgiu...”

Entendeu?

(webremix.info)


M?sicos se unem e cantam pela paz no Mali

LONDRES - Dezenas de músicos do Mali, incluindo os internacionalmente renomados Amadou e Mariam, Vieux Farka Toure e Toumani Diabate, gravaram uma canção pela paz, em resposta ao conflito entre forças do governo e radicais islâmicos no país. Os artistas se reuniram na capital Bamako esta semana para gravar a música "Mali-ko (Peace/La Paix)".

O grupo, intitulado “Vozes Unidas pelo Mali”, também inclui os artistas Oumou Sangare, Bassekou Kouyate, Djelimadi Tounkara, entre outros. A letra da canção refere-se diretamente à situação no norte do país: “Tal catástrofe, tal desolação. Eles querem impor a lei islâmica a nós. Fale ao norte que o nosso Mali é uma só nação, indivisível.”

- As pessoas do Mali nos observam - disse a cantora Fatoumata Diawara, a organizadora do projeto. - Eles pararam de acreditar na política, mas a música sempre trouxe de volta a esperança de volta ao Mali.

O Mali tem uma rica tradição musical e diversos artistas são conhecidos em todo o mundo. Amadou e Mariam já venderam milhões de discos no circuito internacional. No entanto, quando radicais islâmicos invadiram o norte do país no ano passado, eles proibiram a música, a não ser que cantassem versos do Alcorão.

Além do banimento, eles perseguiram artistas e quebraram instrumentos em público. O conflito com o governo se intensificou com a intervenção francesa e forças africanas que apoiam a expulsão dos radicais.

- A música sempre foi forte e espirituosa e tem um papel muito importante no país. Então, levando em conta a situação atual, as pessoas estão prestando a atenção nos músicos em busca de um sentido, uma direção - defende Fatoumata.

(webremix.info)


No ano em que completa 70 anos, Marcos Valle tem discos lan?ados nos EUA

RIO - O que é a vida... No dia 14 de setembro, o cantor de “Com mais de 30” (”Não confio em ninguém com mais de 30 anos/ Não confio em ninguém com mais de 30 cruzeiros”) e “Quarentão simpático (Renatão)” (“Tão simpático/ Me lembra muito bem meu pai”) chega aos 70 anos de idade. E razões (além do fato de continuar com aquela mesma pinta de surfista de sempre) não faltam a Marcos Valle para comemorar. Referência entre os selos que se dedicam a relançamentos de pérolas obscurecidas da música popular, o americano Light in The Attic põe no mercado edições em CD e vinil, remasterizadas e com fartos textos biográficos assinados pelo pesquisador Allen Thayer, de quatro de seus álbuns mais ecléticos: “Marcos Valle” (1970) e “Garra” (1971), que saíram na terça-feira, mais “Vento Sul” (1972) e “Previsão do tempo” (1973), que chegam às lojas no dia 19 de fevereiro. São o ponto de partida para um ano que terá premiação na Inglaterra e shows pelo mundo.

— Apesar de diferentes, são discos que têm a ver. Neles, eu pensei em termos de balanço, de ritmos diferentes — contou Marcos, a poucas horas de embarcar para Londres, onde se apresenta (e recebe homenagens) no sábado, na festa de entrega do Gilles Peterson Worldwide Awards, prêmio criado pelo DJ francês, mestre da world music dançante e responsável por ter inserido a obra setentista de Marcos nas pistas da cena do acid jazz, nos anos 1990.

Fusões fascinantes

Aos quase 70, o carioca também comemora este ano 50 anos de uma carreira que passou pela bossa nova (com pelo menos um standard do movimento, “Samba de verão”, de sucesso mundial) e pelas fusões de samba, baião, black music, pop à la Burt Bacharach e harmonias Clube da Esquina presentes em seus discos do começo dos anos 1970 que acabaram chamando a atenção do Light in The Attic. Marcos é o primeiro artista brasileiro a fazer parte do catálogo desse selo fundado em 2002 em Seattle, que reeditou discos de sensacionais malditos como o francês Serge Gainsbourg e o americano Lee Hazlewood (autor de “These boots are made for walking”, hit de Nancy Sinatra), além de ter apostado em Rodriguez, trovador psicodélico do fim dos anos 1960 e autor de dois discos que passaram em brancas nuvens nos EUA mas que viraram culto na África do Sul, enquanto ele ganhava a vida como pedreiro (a história virou até um documentário, “Searching for Sugar Man”).

— Pessoalmente, adoro os discos de Marcos Valle nos anos 1960, mas estes que lançamos são aqueles em que o jazz, o rock e o funk convergem. Sempre achei uma vergonha que esses discos não fossem mais conhecidos fora do Brasil — diz, por telefone, o fundador do Light in The Attic e coprodutor dos relançamentos, Matt Sullivan, que se preocupou um contextualizar as músicas dos discos (compostas e gravadas durante o auge da ditadura) para o público internacional e, assim, encomendou alentadas liner notes a Allen Thayer (que assina os textos de “Nobody can live forever”, coletânea de Tim Maia editada pelo selo Luaka Bop).

— Depois de passar meses ouvindo esses discos, o que me deixou mais interessado foi a parceria de Marcos com seu irmão, (o letrista) Paulo Sergio — conta, por e-mail, Allen, que fez extensas entrevistas por telefone com o cantor. — As canções seriam ótimas como instrumentais, mas sem aquela prosa política em apoio a movimentos anti-establishment, esses discos do Marcos Valle não seriam tão memoráveis.

Reunidos em 2011, no Brasil, na caixa de 11 CDs “Valle tudo”, os discos mostram um artista ousando com os músicos do Som Imaginário de Milton Nascimento (“Marcos Valle”, das músicas “Quarentão simpático” e “Ele e ela”, que foi sampleada pelo rapper Jay -Z), aprimorando seu balanço (“Garra”, dos sucessos “Com mais de 30”, “Que bandeira” e “Black is beautiful”), vivendo o sonho hippie (“Vento Sul”) e tirando grande proveito da parceria com o grupo Azymuth (“Previsão do tempo”).

A intenção de Marcos em 2013 é aproveitar os festivais de verão do Hemisfério Norte para fazer shows por Europa, Japão e Estados Unidos. Mas ele não se esquece do Brasil: dia 24, se apresenta na Miranda ao lado de um misto de ídolo e companheiro de geração: Carlos Lyra, com quem só recentemente iniciou parceria de composição. No dia 31, ele volta com Diogo Nogueira, filho de seu velho amigo João, para cair nos sambas de todos os verões.

— O que vem por aí é imprevisível. Só sei que eu não vivo sem novidades — reconhece o quase setentão.

(webremix.info)


Michael Stipe, ex-R.E.M., fala sobre arte e sexualidade

NOVA YORK — John Michael Stipe completou 53 anos no último dia 4, sendo 31 deles dedicados a composições, álbuns e turnês do R.E.M., catapultado no espaço de três décadas ao status de uma das maiores bandas do planeta. A dissolução do grupo em 21 de setembro de 2011 ofereceu ao celebrado letrista, vocalista e bandleader a almejada liberdade para mergulhar em outros universos artísticos nos quais já se expressava paralelamente a sua vida de palco e de estúdio, como o cinema, a fotografia e a escultura. No dia 12 do mês passado, ele surpreendeu ao reaparecer em cena para interpretar um de seus maiores hits, “Losing my religion”, no concerto promovido no Madison Square Garden, em Nova York, em benefício das vítimas do furacão Sandy nos Estados Unidos. Seus incondicionais fãs se exaltaram diante do que poderia ser o sinal de um eventual retorno ao mundo da música, mas ele próprio fez questão de desmentir essa esperança — pelo menos por enquanto. À parte sua relação umbilical com o R.E.M., Michael Stipe se impôs como um nome e um artista independente, e também um ativista político e um cidadão preocupado com os destinos do homem e das sociedades. Nesta conversa exclusiva, ele recebeu a Revista O GLOBO em seu apartamento nova-iorquino no Soho. A residência, um loft duplex com ampla vista para o rio Houston, foi depois colocada à venda, na busca de um novo endereço com espaço adequado para acolher um estúdio para o seu trabalho em escultura. Acomodado numa pequenina sala do imenso apartamento, Michael Stipe falou de sua indissociabilidade com a criação e sua concepção de arte; de sua condição de popstar; de seu otimismo e sua obscuridade; de sua relação com a sexualidade, e também de suas impressões sobre o Brasil. Com o fim do R.E.M., o autor de “It's the end of the world as we know it (And I feel fine)”, diz ter percebido que era feliz “criando”, por meio da música ou de outras formas artísticas:

— Acordo pela manhã com ideias, problemas, e às vezes com soluções para esses problemas. É difícil representar uma ideia que sai de mim para o mundo por meio de uma fotografia, escultura, canção ou performance. Mas tenho necessidade de colocar algo para fora de mim, para o mundo, ser um criador de coisas.

Fotografia e melodia são mais fáceis para você do que letras e ideias. Escrever é doloroso?

É doloroso. Não é algo que surge naturalmente para mim. Uma coisa é falar para o seu melhor amigo, outra coisa é saber que isso vai ser exposto ao mundo, que as pessoas vão se sentir entediadas ou inspiradas. Ou vão achar que eu sou um idiota. Posso imaginar o que quero dizer, mas não posso realmente dizer da forma que quero, não tenho o vocabulário. Há algum tempo, alguém disse para mim que artistas encontram meios pelos quais expressar o que não conseguem dizer. Isso me parece o mais honesto e puro, porque é uma batalha. É recompensador quando acontece, e você sabe se é bom ou ótimo. E você não quer ser um estúpido ou um cara chato, como disse Bono. O pior para um popstar é ser tedioso. Há prazer quando você sabe que fez algo que comunica, que tem uma pureza. E essa pureza surge em várias formas. Pode ser Britney Spears e Lady Gaga. Pode ser a coisa mais pop, mais sem sentido. Não é particularmente high art. O trabalho feito na arte é um dos que levo muito a sério. É pessoalmente especial para mim, porque eu sou fã de artistas. Mas é apenas um trabalho, que ora não paga muito bem, ora bem demais.

Você disse ter sentimentos apocalípticos desde criança, mas também se define como “loucamente otimista”. Como é isso?

Sou assim. Há um lado obscuro, que provavelmente é bastante óbvio. Mas tenho essas duas coisas, e é parte da natureza contraditória de John Michael Stipe. E daí? É impressionante quando é algo que sai de mim e que as pessoas podem entender, na forma de uma canção ou de alguma outra coisa, que fala sobre o que é ser humano. Se ocorre da forma como eu queria, empurra levemente este momento para a frente. Sempre levemente. Poderia oferecer alguma redenção para as coisas más, alguma coragem para o que está por vir, alguma alternativa, cenários que poderiam transpirar do presente no futuro. Se de fato isso acontecer, então como artista posso ter atingido o nível mais alto ao meu alcance. Esse é o grande apelo, reinterpretar o mundo e fazê-lo avançar progressivamente, ou talvez de forma gigantesca, monumental.

Já se disse que você criou uma alma de mistério em torno de si mesmo. Você se considera misterioso?

Há tempos com a banda — estou falando de 20, 30 anos atrás —, sentia que o mistério era um componente importante para manter as pessoas interessadas no que você estava fazendo, criar um interesse no que você é. Fiz isso quando jovem, provocando um sentido de distância e mistério. Eu olho hoje para aquele jovem e vejo alguém tão inseguro e incrivelmente tímido... Era a natureza contraditória de querer ser muito famoso, mas não querendo abordar isso, querendo controlar o que era revelado sobre mim. Eu me dei conta rapidamente de que isso estava ficando cansativo para mim, e também que estava me tornando um chato. Eu me sentia estúpido. Comecei a tentar mudar e sair da minha timidez que era imensa — e ainda é, não sou uma pessoa extrovertida. Hoje me vejo nessa posição invejável de ser um artista que é respeitado pela maioria das pessoas — ou do qual pelo menos elas têm uma opinião a respeito, boa ou má. E eu revelei muito mais de mim mesmo do que eu jamais poderia imaginar. E agora de alguma forma eu tenho que defender isso. Acho eu.

Você já mencionou algumas vezes que sua sexualidade foi importante para a escolha de trabalhar com criação, para se sentir como um outsider. Como se sente hoje?

Eu ainda sou um outsider, sinto um grande prazer de estar nessa posição, não acho que gostaria de ser um insider. Mas isso vai bem além da sexualidade, claro. Achava que não precisava responder a pessoas que estavam sendo invasivas com perguntas muito pessoais. Eu entendo agora que os anos 1980 foram muito difíceis para a comunidade gay, queer e os bissexuais, como ainda é hoje. Foi um tempo muito difícil para todo mundo por causa da Aids e do governo com sua inabilidade e recusa em aceitar essa pandemia que estava começando a crescer. Entendo as frustrações das pessoas comigo, olho para trás e vejo que elas ficaram chateadas. Mas se fosse completamente honesto sobre como me rotular, elas não iriam gostar do que eu tinha para dizer. Há momentos em que me arrependo por não ter me manifestado mais cedo sobre minha sexualidade, pois isso impactaria pessoas de forma positiva. Mas também sinto que nunca fui desonesto comigo mesmo, com as pessoas ao meu redor ou com a imprensa, dizendo algo que eu não era. Eu simplesmente não falava disso. Grande parte disso foi porque eu nunca me senti realmente apaixonado por alguém, e sempre buscava uma oportunidade de pular de uma relação para outra e para outra e para outra. E isso era uma das partes divertidas de ser um popstar. E então me apaixonei pelo Thomas (Dozol, seu companheiro), e nessa situação tem sido muito interessante para mim olhar o que o século XXI oferece. Sempre fui desprezado e criticado pela minha opinião de que a sexualidade é algo muito fluido e de que há diferentes gradações, mas os jovens hoje parecem ser muito mais abertos, ou até com algo “pós-gênero”. É o que eu vejo por todo lugar em Nova York. E então de repente algo pelo qual eu era criticado e castigado, agora parece estar vindo à tona, quando as pessoas reconhecem que, sim, há extremos, mas também há gradações, e as pessoas precisam ser mais tolerantes. O desejo é algo muito estranho, e é um grande tema. É incrível quando você trabalha nesse campo específico tentando descrever por meio de uma pintura ou escrevendo uma música o que é o desejo ou como ele nos afeta. Precisamos entender que chegou o momento de falar de sexualidade numa maneira que não seja binária, preto e branco, encerrada no espectro de reações a ideais vitorianos. Não deve nem mesmo ser uma reação à norma, nem temos de ser o oposto, podemos ser a nossa própria realidade. E aí se torna algo político, pessoal, e é quando se torna também incrivelmente inflamável.

Você vê alguma perspectiva de mudança de comportamento?

Eu me sinto confiante. A tecnologia é algo fascinante. Vi o vídeo que se tornou uma febre na internet, feito por um garoto de 14 anos, que basicamente dizia: “Tenho medo de voltar para a escola, porque tenho sofrido bullying por ser gay, e não sei o que fazer, estou realmente com muito medo.” Ele estava acuado, chorava, era algo realmente difícil de assistir, muito doloroso. E olhando, era apenas uma criança. Eu me lembro de, quando era adolescente, sentir o mesmo que ele. Algo assim, há 15 anos, teria sido visto por umas dez pessoas. Hoje, roda o mundo em menos de 24 horas e é visto por centenas de milhões de pessoas, que por sua vez fazem seus próprios vídeos dizendo: “Eu sofri a mesma experiência, precisamos nos manter unidos e mudar as coisas para que isso não ocorra mais; necessitamos de leis de proteção contra o bullying.” É algo muito poderoso. Sinto que isso pode nos levar a uma era muito mais progressista em relação ao que somos capazes de ser. Somos capazes de ser monstros, como o século XX mostrou. Deixemos agir o nosso lado iluminado em vez do lado sombrio.

Você já esteve no Brasil. Qual a sua percepção do país e dos brasileiros?

Sou apaixonado por etnias. O Brasil é uma impressionante mistura, miscigenação, pessoas originadas da África, de Portugal, de diferentes lugares, e todos juntos criando estes diferentes matizes e tipos de pessoas. Para mim, o Brasil é fascinante nesta perspectiva. E sou obcecado pelo modernismo, por ideias utopistas, pelo brutalismo, pelo caos urbano, e me ver sozinho em São Paulo é uma experiência que só pode ser comparada a Istambul e Tóquio. Nenhum dos outros lugares em que estive me deu essa impressão tão peculiar de: “Minha nossa, essa é a minha ideia de cidade.” É incrível.

(webremix.info)


Claude Nobs negociava tributo ao Festival de Montreux no Rock in Rio

RIO - Grande admirador da música brasileira, o produtor suíço Claude Nobs, que morreu na quinta-feira, em decorrência dos ferimentos de um acidente numa pista de esqui, negociava um tributo ao Festival de Jazz de Montreux no Rock in Rio deste ano. Amigo pessoal do fundador do evento musical da Suíça, considerado um dos mais importantes do mundo, o produtor Marco Mazzola revela que Nobs já havia conversado com Roberto Medina, idealizador do festival brasileiro.

— Nobs conversou com Medina sobre a possibilidade de fazer um tributo dentro do Rock in Rio deste ano. E o mestre de cerimônias seria o Quincy Jones (que já atuou como co-produtor do evento suiço) — revela Mazzola.

Responsável pela noite brasileira do Festival de Montreux, desde 1977, Mazzola lembra momentos importantes ao lado de Nobs, como a noite em que Hermetto Pascoal cantou com Elis Regina. No ano passado, se apresentaram por lá Maria Rita, Maria Gadu e Ana Carolina.

— Houve um ano em que João Gilberto e Tom Jobim iam se apresentam e um não queria abrir o show do outro. Ninguém cedia. Eu e Nobs tínhamos que arrumar uma atração para abrir para os dois. Ele achou um grupo de capoeira no saguão do hotel e, assim, eles abriram o show da noite brasileira — lembra o produtor.

Iniciado em 1967, o festival já levou artistas como Miles Davis, Ray Charles e Prince para se apresentar no verão da Suíça.

Após três semanas em coma, desde que sofreu um acidente na véspera de Natal, Claude Nobs morreu nesta quinta-feira, aos 76 anos. Ele estava internado no Hospital Universitário de Lausanne, na Suíça.

Um comunicado divulgado na semana passada, anunciou Mathieu Jaton nas funções de Nobs, enquanto ele ainda estava em coma. A 47ª edição do festival ainda está confirmada e acontecerá entre 5 e 20 de julho.

(webremix.info)


Claude Nobs, fundador do Festival de Jazz de Montreux, morre aos 76 anos

RIO - Após três semanas em coma, Claude Nobs, fundador do Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, morreu nesta quinta-feira, aos 76 anos. O evento de música é considerado um dos mais importantes do mundo e acontece desde 1967.

Nobs morreu no Hospital Universitário de Lausanne, na Suíça, em consequência dos ferimentos sofridos quando esquiava no dia 24 de dezembro. Ele permanecia em coma desde o momento do acidente, que aconteceu perto de sua casa em Montreux.

Resposável pela curadoria do festival, Nobs foi responsável por trazer importantes nomes a Montreux, como Miles Davis, Ray Charles e Prince, e tinha grande admiração pela música brasileira. Jorge Ben, já se apresentou 12 vezes lá e outros artistas como Elis Regina, Hermeto Pascoal, Gilberto Gil, João Gilberto e Tom Jobim também já subiram ao palco. Nobs fundou o festival quando trabalhava no escritório de turismo de um resort.

Nobs ainda ganhou o apelido de "Funky Claude", por causa da letra da canção "Smoke on the water", do Deep Purple, que conta um incêndio verídico no cassino de Montreux num show de Frank Zappa, em 1971. Na ocasião, o produtor ajudou a salvar algumas vítimas do fogo e foi citado num verso ("Funky Claude was running in and out pulling kids out the ground").

O produtor se mantém no cargo de diretor do festival desde a sua fundação, sem se afastar nem mesmo quando passou por uma cirurgia de coração, há seis anos. Nos anos 90, Nobs dividiu o posto com o produtor americano Quincy Jones, que costuma introduzir novos talentos.

Um comunicado divulgado há uma semana, quando o produtor ainda estava em coma, colocava Mathieu Jaton nas funções de Nob. A 47ª edição do festival ainda está confirmada e acontecerá entre 5 e 20 de julho.

(webremix.info)


Claude Nobs, fundador do Festival de Jazz de Montreux, est? em coma

GENEVA - Claude Nobs, fundador do Festival de Jazz de Montreux, o mais conhecido festival de música da Suíça e um dos mais importantes no mundo, está em coma após sofrer um acidente no final do ano numa pista de esqui. O produtor suíço de 76 anos que atraiu alguns dos maiores artistas da atualidade para o evento, entre eles, Miles Davis, Ray Charles e Prince, passou por um cirurgia após a queda.

"Ele está num estado inconsciente e sua condição requer testes adicionais", informa num comunicado o comitê do evento.

O acidente aconteceu na véspera de Natal quando Nobs esquiava na vila de Caux, informou à Reuters o secretário-geral do festival, Mathieu Jaton.

Nobs fundou o festival em 1967 quando trabalhava no escritório de turismo de um resort. Ele ganhou o apelido de "Funky Claude", por causa da letra da canção "Smoke on the water", do Deep Purple, que conta um incêndio verídico no cassino de Montreux num show de Frank Zappa, em 1971. Na ocasião, o produtor ajudou a salvar algumas vítimas do fogo e foi citado num verso ("Funky Claude was running in and out pulling kids out the ground").

O Brasil é parte importante da história do festival. A primeira vez em que músicos brasileiros se apresentaram em Montreux foi em 1973, na quinta edição. Desde então, o sucesso das noites brasileiras não para. Jorge Ben Jor é o recordista, com 12 apresentações, mas Elis Regina, Hermeto Pascoal, Gilberto Gil, João Gilberto e Tom Jobim também fizeram sucesso com seus shows.

O produtor se mantém no cargo de diretor do festival desde a sua fundação, sem se afastar nem mesmo quando passou por uma cirurgia de coração, há seis anos. Nos anos 90, Nobs dividiu o posto com o produtor americano Quincy Jones, que costuma introduzir novos talentos. A diversidade dos convidados a cada ano foi tema de uma entrevista à Reuters, em 2010.

"O espectro da música em Montreux se ampliou muito, e, olhando a programação, você poderá pensar 'será que o nome jazz deveria ter sido mencionado?'", disse Nobs na véspera da edição de 2010.

O produtor se juntou aos músicos no palco em algumas ocasiões, tocando gaita, e até acompanhado por seus cães. No line-up dos concertos lotados do ano passado estava Bob Dylan, Lana Del Rey e o ator britânico Hugh Laurie.

Por ora, Mathieu Jaton assume as funções de Nob e afirma que a 47ª edição do festival acontecerá entre 5 e 20 de julho, afirmou o comunicado.

(webremix.info)


Stevie Wonder em dose dupla

Do outro lado da linha telefônica, a voz de Stevie Wonder, 62, é de um entusiasmo tão contagiante quanto a sua própria música.

— Será a minha primeira vez no Rio num Natal. Estou muito animado, ainda mais porque vou fazer parte dele — diz o cantor, em entrevista exclusiva ao GLOBO, alguns dias antes dos dois shows que faz na cidade com Gilberto Gil: o de hoje, para poucos, com renda em prol da Sociedade Viva Cazuza, no Imperator; e o de terça-feira, dia de Natal, para as multidões, na Praia de Copacabana. — Já passei alguns Natais fora de casa, na estrada, mas tem um bom tempo que não faço isso. Desta vez vou levar comigo meus dois filhos (Kailand, de 10 anos, e Mandla, de 7, que ele teve com a designer de moda Kai Millard, de quem se separou este ano).

Uma daquelas figuras fundamentais da música do século XX, que alargou os horizontes do pop com canções repletas de musicalidade, espiritualidade, amor e consciência política, Wonder volta à cidade que o viu tocar e cantar em duas felizes ocasiões: em 1995, no Free Jazz, e em 2011, no Rock in Rio.

— Também estive aí no Rio no começo dos anos 1970 (em 1971, para participar de programas de TV), quando estava começando com meu grupo e com tudo mais. Mas sempre apreciei a música do Brasil — lembra ele, que em seus shows por aqui já atacou de “Você abusou” (Antonio Carlos e Jocafi) e de “Garota de Ipanema” (Tom e Vinicius). — Gostei muito das pessoas que conheci aí e também de quando fui à Bahia, alguns anos atrás (em 2006, para participar, em Salvador, da 2ª Conferência de Intelectuais da África e da Diáspora).

Um dos grandes da MPB, cuja música sempre dialogou com a africanidade, Gilberto Gil tem sido o anfitrião de Stevie Wonder no Brasil desde que os dois se conheceram, em 1977, em Lagos, na Nigéria, na casa do pai do afrobeat, Fela Kuti. Em 1995, encontraram-se no palco. Em 2011, as agendas se chocaram.

— Quinze minutos antes de começar o show no Rock in Rio, à uma da manhã, Stevie me ligou, perguntando se eu não ia — rememora Gil, por telefone, depois de um ensaio do show com o qual vai abrir as apresentações de Stevie, com participação da filha, Preta Gil. — Eu tinha acabado de voltar de viagem, estava morto de cansado. Mas no dia seguinte fui vê-lo no Copacabana Palace. Passamos a tarde conversando.

Até a última quinta-feira, eles não tinham conversado sobre o que fariam juntos. Só o que Gil tinha de certo era a ceia de Natal, na qual promete servir peru com farofa ao ilustre convidado.

— Stevie adora farofa! — confidencia. — Quando me apresentei em Washington, e ele acabou fazendo uma participação, eu o levei depois do show a um restaurante brasileiro. Ele dizia: “Que coisa gostosa de pegar essa farofa!”

Enquanto isso, Stevie Wonder fazia seus planos para o encontro musical.

— Tem uma canção que Gil me mandou, uma peça de Natal, que eu vim ouvindo esses dias, tentando fazer algo — conta, também sem adiantar muita coisa. — Estou trabalhando duro para fazer algumas surpresas aos cariocas.

Stevie Wonder diz que os dois shows no Rio serão bem diferentes.

— O segundo será no dia de Natal, o primeiro Natal que eu passo no Brasil. Isso é muito especial para mim. Vamos tocar todas aquelas canções que as pessoas conhecem — diz ele, que voltou a excursionar com mais regularidade em 2008. — Adoro tocar ao vivo. O que aconteceu foi que em 2006 eu perdi a minha mãe. Algum tempo depois, eu tive um sonho em que ela me dizia que eu tinha que seguir com minha música, com aquilo que eu amava.

Legado celebrado

Em 2012, completaram-se 40 anos de “Talking book”, álbum que consolidou sua independência artística, rompeu barreiras musicais e fez circular os grandes hits “You are the sunshine of my life” e “Superstition”. A cantora Macy Gray abriu os festejos lançando, recentemente, um CD no qual regravou cada uma das faixas desse clássico.

— Gostei muito do jeito como ela reinterpretou as canções, um jeito diferente, único — elogia Stevie Wonder. — Liguei para ela, para agradecer. Era algo que ela nem precisava ter feito.

Ao mesmo tempo, o legado de “Talking book” se mostra vivo na emergência do R&B alternativo e de seu resgate, no contexto da música pop negra, da melodia e das ideias ambiciosas. Presente em boa parte das listas de melhores de 2012, o álbum “Channel orange”, do cantor Frank Ocean, puxa a onda de filhos de Stevie Wonder.

— Fiquei muito feliz por isso tudo e também pelo Frank — diz. — Ele está levando a música e as letras a um outro lugar. Há sempre algo de novo sob o sol, que o faz brilhar ainda mais.

Um dos maiores apoiadores de Barack Obama, o cantor se diz muito satifeito com a reeleição do primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

— Espero que o mundo, e a América em especial, fique ainda mais conectado, como pessoas unidas dos Estados Unidos. E mais ainda: como pessoas unidas do mundo, para que possamos seguir adiante — conta ele, aproveitando para mencionar Joaquim Barbosa, o primeiro negro a chegar à presidência do Supremo Tribunal de Justiça do Brasil. — Se todas as pessoas pudessem ver além da cor e se unir, o mundo inteiro poderia avançar e mudar.

Mas Stevie Wonder também tem com o que se indignar na América de hoje:

— O que aconteceu em Newtown, Connecticut (o massacre de crianças por um atirador), foi, novamente, uma mensagem para o mundo. Sempre fui contra esse acesso indiscriminado às armas portáteis. Tão louco quanto ter líderes que podem disparar ogivas nucleares é uma pessoa com uma arma na mão. Ela também pode causar destruição em grandes proporções.

De volta às boas notícias, o cantor avisa que deve lançar um disco de inéditas no primeiro semestre de 2013:

— Vai se chamar “Ten billion hearts” (título da música que ele tocou recentemente, em show para o presidente Obama). Aliás, devo tocar essa música no show de Natal.

(webremix.info)


Identidade brasileira

A crescente presença do Brasil para além do seu entorno geográfico e sua influência no cenário internacional suscitam uma nova preocupação: qual a identidade do Brasil? Qual a marca Brasil? Como o pais é percebido no exterior e como gostaríamos de ser vistos pela comunidade internacional? Quais nossas credenciais e nosso diferencial para ocupar um lugar de destaque na mesa principal?

Roberto da Matta, o maior antropólogo brasileiro, há quase vinte anos, estudou as características da identidade brasileira. “O que faz o brasil, Brasil” define com precisão o sentido denso da realidade de nosso pais.

Seu trabalho, contudo, esta voltado para dentro, para o jeito de ser e de atuar do brasileiro.

Não ser uma potência nuclear, nem uma ameaça militar; o peso da economia no contexto global (Brasil é a sexta economia no mundo); a importância da agricultura e da produção de alimentos; a estabilidade institucional, política e econômica; o relevante papel desempenhado pelo Brasil em organizações internacionais; a participação do Brasil em questões regionais além das fronteiras da América do Sul; o volume e o significado da assistência técnica e financeira prestada pelo Brasil, na África e na América Latina; a participação do Brasil nos Brics e na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP); a aspiração brasileira de tornar-se membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas e sobretudo o papel de moderador que tem exercido em disputas regionais e em discussões de temas globais, como meio ambiente, mudança de clima, energia e comércio exterior são alguns dos principais aspectos da imagem que projetamos no exterior.

Um debate na Fiesp focalizará o Brasil como uma potência com capacidade de influir por suas atitudes e ações concretas nas áreas de cooperação e assistência técnica, financiamentos, assistência humanitária e operações de paz. Sem descurar do fortalecimento do hard power.

Na conclusão, serão identificadas políticas a serem sugeridas ao governo:

* ampliação da coordenação entre o Itamaraty, o Ministério da Agricultura (Embrapa, Conab), os ministérios da Fazenda, da Ciência e Tecnologia, da Educação e da Cultura para que as ações setoriais sejam vistas como parte de uma política coerente e consequente do governo brasileiro;

* fortalecimento da Agência Brasileira de Cooperação, com um orçamento que possa responder à decisão política;

* Apoio do setor privado (Sesi, Senai);

* fortalecimento do Departamento Cultural do Itamaraty para a promoção da música, da literatura, das artes em geral do Brasil a começar pela América Latina e nos principais países desenvolvidos;

* criação de Instituto Brasil, nos moldes do Cervantes da Espanha e Confúcio da China, como resposta à projeção de valores e cultura brasileira;

* criação de um Departamento de Diplomacia Pública para a coordenação da política de divulgação do Brasil no exterior;

* melhor aproveitamento das oportunidades que se abrem pela participação do Brasil em grupos como o Brics e a CPLP.

Rubens Barbosa é presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesp

(webremix.info)


Cidade Negra recebe Toni Garrido de volta em sistema de ?soft opening?

RIO - Quando deixou o Cidade Negra, em 2008, o cantor Toni Garrido deu um abraço em cada um dos ex-companheiros, Lazão (bateria), Bino Farias (baixo) e Da Gama (guitarra), e lhes desejou boa sorte. O que ele não imaginava, num mundo pequeno em que até integrantes dos Raimundos encontram seu ex-cantor, Rodolfo, hoje roqueiro de Cristo, pelos aeroportos da vida, era que passaria quase três anos distante.

— Não estávamos brigados, nada disso, mas como foi cada um para o seu lado, acabou que não esbarramos uns nos outros até o fim de 2010 — lembra Toni, que enveredou por outros gêneros musicais e trabalhou como ator, em novelas como “Caminhos do coração” e “Uma rosa com amor”, enquanto Lazão e Bino, já sem Da Gama, tocaram o Cidade Negra com o cantor Alexandre Massau, com quem gravaram o disco “Que assim seja”. — Mas acho que esse tempo de silêncio foi bom, foi pura meditação sobre quase duas décadas tocando juntos.

Há cerca de dois anos, amigos em comum começaram aquele papinho.

— “Fulano está querendo falar com você”, “Liga pro beltrano” — lembra Lazão, fundador da banda, na Baixada Fluminense, nos anos 1980, como Novo Tempo, que virou Lumiar com a chegada do cantor Ras Bernardo. — Aí, marcamos um papo entre velhos amigos.

Claro, claro.

— Conversamos por umas duas horas até começar o papo de voltarmos a tocar juntos — lembra Garrido.

Pouco tempo depois, os três foram para um estúdio de ensaios para levar um som.

— Fomos ao Google e digitamos “Cidade Negra letras” — conta Garrido. — Vieram dúzias de músicas, e começamos a levar uma atrás de outra.

Todos, claro, rasgam elogios aos ex-novos-companheiros.

— Nem toquei reggae quando estava sem eles — diz o cantor. — Fui para outros lados, MPB, soul... É claro que eu queria mesmo enveredar por caminhos diferentes, mas também não conheço músicos que toquem reggae melhor do que eles, não faria sentido.

Aos poucos, começaram a surgir ideias de músicas.

— Ao contrário de antigamente, quando íamos para o estúdio, com tudo ligado, guitarras, baixos, dessa vez começamos a pensar em melodias e levadas no violão, em casa — conta Bino.

Uma brincadeira de Garrido com suas filhas rendeu frutos.

— Eu cantava para elas um trecho de “Downtown”: “Eu fui, eu fui, eu fui...”, mas acabava dizendo “Voltei!”.

A frase gerou a música “Eu fui, voltei”, que abre o novo disco do Cidade Negra, “Hei, afro!” (Som Livre), cuja turnê começa em março. Em parceria com a ONG Salve o Planeta Azul, a banda promete excursionar de forma autossustentável, neutralizando o impacto ambiental dos shows.

— Já estamos tocando algumas, como “Ignorius man”, que, aliás, está gerando controvérsia, por falar de religião — diz Lazão. — Mas é bom que todo mundo se manifeste.

Cultuados em Cabo Verde

O grupo voltou em uma espécie de soft opening, em shows pelo Brasil, primeiro em cidades onde há uma grande concentração de fãs, principalmente no Nordeste.

— Acabamos indo à Europa, tocando no Rock in Rio e descobrindo que existe um culto à banda em Cabo Verde — diz Garrido. — É impressionante: todo domingo as pessoas começam a fazer churrasco às 7h da manhã, e a primeira música que toca em todas as casas é “Podes crer” Podíamos ter simplesmente gravado um DVD de sucessos, mas fomos para o estúdio com tudo isso na cabeça, e saiu um disco com a nossa cara, que fala de humanismo, da África, da proteção ao planeta, dos assuntos que nos interessam. O DVD fica para depois da turnê.

(webremix.info)


Links : Música Africana e do Cararibe

Não Link em Português nesta categoria, mas há 1 links na mesma categoria em Francês e 1 links na mesma categoria em Inglês


Pode apresentar uma Link nesta categoria