Música Africana e do Cararibe

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Artigos : Música Africana e do Cararibe

Angola em discos e livro

Na próxima quarta-feira, dia 15 de Novembro, pelas 18h30, na FNAC do Centro Comercial Colombo, é lançado o novo livro de Paulo Salvador: "Recordar Angola 2º Vol.". A apresentação está a cargo de Rui Pêgo.
O evento contará com o ambiente sonoro de "Angola - As 100 grandes músicas dos anos 60 e 70", o digibook que está à venda a partir de 20 de Novembro e consta de 4 CD e um livro de 40 páginas. Neste dia, será oferecido um CD promocional de "Angola - As 100 grandes músicas dos anos 60 e 70" a quem comprar o livro "Recordar Angola 2º Vol."

Abaixo segue-se mais informação sobre o livro e o digibook.


Notícia : Música Africana e do Cararibe

Criolo lança ‘Espiral de ilusão’, disco que reúne dez sambas inéditos (webremix.info)


Crivella solta a voz em cultos da Igreja Universal na África do Sul

RIO - O prefeito Marcelo Crivella soltou a voz durante sua viagem à África do Sul, onde participou de cultos religiosos organizados pela Igreja Universal. Crivella, que trabalhou por dez anos como missionário em países africanos, cantou no dialeto zulu.

Crivella_16_04Sobrinho de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal, Crivella é uma das estrelas da música gospel, tendo 16 álbuns gravados. Durante sua campanha para a prefeitura do Rio, fez questão de frisar que era bispo licenciado. No entanto, durante o evento no estádio Ellis Park, em Joanesburgo, foi anunciado pelos alto-falantes como bispo. No sábado, ao ser questionado sobre a viagem, Crivella destacou que ela era pessoal, assim como os gastos.

Vídeos publicados nas redes sociais mostram a performance de Crivella nos eventos.

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A assessoria de imprensa do prefeito não quis informar quando Crivella embarcou e quando deve retornar ao Rio. Um decreto legislativo, aprovado em fevereiro pela Câmara de Vereadores, autoriza o prefeito e seu vice, Fernando Mac Dowell, a viajarem para fora do país neste ano por qualquer prazo.

(webremix.info)


Brasil ficará para trás na conexão por celular

RIO - O brasileiro adora acessar as redes sociais, mas usar a internet do celular para assistir a vídeos, ouvir música e navegar livremente vai exigir não só disposição, como paciência nos próximos anos. Afetado pela crise econômica, o Brasil vai chegar em 2021 entre as últimas posições na corrida pela maior conectividade móvel. A constatação faz parte de uma pesquisa da Cisco, que revela que, em cinco anos, o usuário brasileiro vai consumir 4.201 megabytes (MB) por mês, número que o coloca à frente apenas de África do Sul e Índia em uma lista de 23 países. Celular_1504

Para se ter uma ideia do abismo digital, a Coreia do Sul, a primeira do ranking, vai chegar em 2021 com consumo médio mensal por usuário de 23.892 MB. No levantamento, o Brasil fica atrás da vizinha Argentina, onde o consumo por pessoa será de 5.721 MB. Segundo especialistas, a crise no Brasil afetou a capacidade de investimento das empresas de telecomunicações e o poder de compra das famílias brasileiras. A qualidade, muito questionada pelos usuários, também aparece na lista como um dos fatores que travam o crescimento.

ALTO GRAU DE EXCLUSÃO DIGITAL

Info - consumo de dados mapaAssim, o país vai avançar menos nos próximos anos em comparação a outras nações. O Brasil, onde o consumo por pessoa hoje é de 878 MB mensal, terá alta de 37%, em média, a cada ano. No México, por exemplo, o avanço chegará a 43%, passando dos atuais 740 MB para 4.507 MB. O mesmo vai ocorrer em diversas nações da Europa, como França, Espanha e Reino Unido.

— Muitos desses países estão em um movimento diferente do Brasil, com a digitalização da economia e a própria internet das coisas, que permite a conexão de carros e outros produtos à internet. O Brasil, por outro lado, tem um grau de exclusão alto. A crise afeta as empresas e a capacidade de pagamento das pessoas, que buscam planos mais baratos — diz Giuseppe Marrara, diretor de Relações Governamentais da Cisco Brasil.

Dessa forma, novas tecnologias vão atrasar. A adoção da rede 4,5G, que permite velocidade maior que a 4G, prevista para 2018, deve ficar para 2020, prevê a Huawei.

— A crise adia muitos investimentos. Há uma relação entre a economia e a tecnologia. Na Europa, por exemplo, uma pessoa faz download, em média, de nove aplicativos por ano. No Brasil, assim como em outros países em desenvolvimento, essa média é de dois aplicativos — destaca Kleber Faccipieri, gerente de Marketing da Huawei.

A atriz Sill Esteves conhece bem a velocidade lenta da internet no celular. Ela já ficou na mão várias vezes:

— Pela minha profissão, sempre preciso baixar vídeos para pesquisar algum personagem, ou para compartilhar nas redes sociais algum vídeo que tenha feito, mas geralmente só consigo fazer isso quando chego em algum lugar que tenha Wi-Fi.

MAIOR PARTE DE PRÉ-PAGOS

Rafael Steinhauser, presidente da Qualcomm para a América Latina, diz que o Brasil está mal na qualidade. Ele lembra que o Brasil tem menos espectro alocado para a telefonia móvel do que recomenda a União Internacional de Telecomunicações (UIT):

— Se juntar tudo que as empresas de telefonia móvel já compraram nos leilões, chega-se a 844 megahertz. A UIT diz que o ideal é de 1.800 a 2.000 megahertz. Temos ainda um longo percurso no Brasil. Com a internet das coisas, será preciso mais rede. Apesar de termos 4G, a maior parte dos usuários é 3G e 2G. Quem mais avança no mundo hoje é a China, onde quase todos os celulares já são 4G.

Mas a rede não é o único fator que explica o baixo volume de conexão móvel no Brasil. Atualmente, diz a Anatel, órgão que regula o setor , 67% dos 243 milhões de linhas são de pré-pagos. E, lembra Steinhauser, a maior parte desse contingente não usa internet o mês inteiro.

— Ter um smartphone não significa acessar a internet, pois é preciso uma linha. Os usuários pré-pagos compram pacotes avulsos, não têm internet o mês inteiro.

Para os especialistas, não faltam desafios conjunturais. O maior deles, citam, são as incertezas em relação à Oi, dona da maior rede de infraestrutura do país e que passa por um processo de recuperação judicial com dívidas de R$ 65 bilhões. Além disso, uma instabilidade operacional afetaria todas as outras teles do país.

— Tem a crise da economia, da Oi. Enquanto isso, o resto do mundo cresce e avança — disse um consultor que não quis se identificar.

Na opinião de Eduardo Conejo, gerente de Inovação da Samsung América Latina, a indústria precisa criar novas tecnologias de forma a impulsionar a demanda por conexão e criar novas formas de acesso à internet. A empresa, em parceria com a Sigfox, vem investindo em soluções dentro de universidades para desenvolver tecnologias:

— Temos de buscar soluções mais baratas. Isso é importante, principalmente quando se fala em cidades inteligentes.

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Antes de show no Rio, Rico Dalasam entrevista Jaloo, e vice-versa (webremix.info)


Graveola lança disco com show neste domingo no Rio (webremix.info)


Março não acabou: confira a programação cultural na Zona Norte no mês das mulheres

Todos os dias, todos os meses e todos os anos são das mulheres, mas março é especial para elas. Por isso, daqui até o dia 31, as homenagens continuam pipocando na região. Personagens do sexo feminino são o tema ou as protagonistas desses eventos culturais. É o caso do festival Rider #DÁPRAFAZER, que reúne neste sábado (25), das 10h às 23h, atrações de música, gastronomia, cinema, workshops e exposições, em três endereços da Rua Carvalho de Souza, em Madureira. Um deles é sob o Viaduto de Madureira, e os outros nos números 182 (Void) e 237 (+ Du/To, 6º andar). Todos têm entrada fraca. Durante a ação, questões de gênero, sociais, de empoderamento feminino e racismo serão discutidas por artistas e coletivos que estão atuando em diferentes frentes da cena carioca.

matérias leves ZN

O evento terá seis espaços: “Palcão” e “Chinelaço”, nomes dados ao palcos principais; “Papo de fazedor”, onde haverá palestras e bate-papos; “Cinemão”, com exibição de longas e curtas; “Garagem #DÁPRAFAZER”, evento com oficinas; “Bananobike”, atração com festas já famosas na cidade; e o “Circo indie”, de exposições.

Entre as atrações nos palcos principais estão Jesuton, Afrofunk e jam session com Rfa Tudesco, Dughettu, BK, Djonga, Ramonzin e Shock O Qxo, além de Lei Di Dai e Diomedes Chinaski. Já a programação no “Papo de fazedor" começa às 10h e terá Eliane Dias (Boogie Naipe), Jeanne Yépez e Ana Paula Paulino, entre outros nomes.

No espaço “Garagem #DÁPRAFAZER” poderão ser conferidas as oficinas “Matrizes sonoras e novos rumos da música", por Dughettu e Rfa Tudesco. O “Bananobike” contará com batalha do passinho e performances de grafite. No “Cinemão”, haverá bate-papo com Claudia Alves e Conexão África a respeito da força da mulher africana, além da exibição de filmes. Entre eles, “Plano aberto", “Incômodos”, “Feli(Z)cidade”, “Tião” e “Chico”.

O evento faz parte do projeto “Fazedores”, iniciativa da Rider que incentiva ações positivas usando, inclusive, a força da mulher.

— O projeto, assim como o festival, tem como foco dar espaço e reconhecer a força da rua e dessa turma que está à frente dos movimentos mais autênticos da cidade. Nesse processo, reconhecer as diversas mulheres comandando negócios do gênero e do entretenimento é fundamental, pois somos pelo menos metade da população. A mulher sempre foi multi, sempre transitou com facilidade. Essa é uma grande característica dos fazedores que buscamos — afirma Lara Azevedo, sócia-fundadora da empresa Noix, parceira de Rider no projeto e idealizadora do festival.

TALENTOS FEMININOS NO IMPERATOR

Dando continuidade às comemorações, o Imperator (Rua Dias da Cruz 170, Méier) apresenta dois shows tendo mulheres como protagonistas.

Neste sábado, às 17h, com entrada franca (sujeito a lotação), o público poderá assistir ao show do Forró Lánalaje com Marimelo. Estrela feminina do forró pé de serra, a cantora e compositora lançou-se em carreira solo em 2008 e logo conquistou dois prêmios: melhor intérprete no Festival de Forró Ilha Grande- RJ, no mesmo ano, e do Festival de Forró Itaúnas-ES (Fenfit), em 2009, considerado o maior e mais importante festival do gênero pé de serra no mundo.

Posteriormente, Marimelo passou pelos grupos Rio Maracatu e Os Valetes e uma Dama, além de estar desde dezembro de 2014 na Lapa com o show “Música ao redor”, que teve influência no Tributo a Marinês (1935-2007), projeto de resgate e manutenção do legado da famosa forrozeira pernambucana.

Na próxima quinta (30), às 20h, é dia de samba com o Grupo Arruda, que sobe ao palco do Imperator ao lado das convidadas Cassiana Belfort, Flavia Saoli e Aninha Portal. O primeiro lote do ingresso custa R$ 20; e o segundo, R$ 30.

Com pouco mais de dez anos de estrada, o Arruda foi fundado em Vila Isabel e iniciou a carreira com apresentações no Morro da Mangueira. O conjunto tem como vocalistas principais Maria Menezes e Nego Josy.

Na Lona Cultural João Bosco, em Vista Alegre (Avenida São Félix 601), o músico Almir Chiaratti apresenta neste sábado, a partir das 18h, uma mistura de MPB, psicodelia e música regional. E terá como convidada especial a cantora Thársila di Britto e seu repertório que mistura pop, folk e MPB. A entrada é franca.

— Estou animado com este show. A Thársila tem uma voz muito delicada e está sendo ótimo trabalhar com ela — diz Chiaratti.

ESPETÁCULO INFANTIL EM MARECHAL HERMES

Com roteiro e direção de Quenia Machado e com um elenco formado apenas por mulheres, o espetáculo infantil “A viagem de Carol", do grupo teatral Atrás da Máscara, será apresentado neste sábado e domingo, às 16h, no Teatro Armando Gonzaga (Avenida General Osvaldo Cordeiro de Farias 511), em Marechal Hermes. O ingresso custa R$ 20.

Na trama, Carol é uma menina que não gosta de estudar. Mas, durante um sonho, ela vai parar em um lugar chamado O Bosque da Imaginação, onde descobre, através de um livro, que estudar pode ser divertido.

No elenco estão as atrizes Thaiane Estauber (boneca narradora), Laura Keller (Fada Amada), Thaís Aquino (Carol), Jacque Sperandio (mãe), Carla Moura (leoa Lia Leon) e Beatriz Moreno (como atriz substituta).

Fechando o mês de março, o Sebrae apresenta no Shopping Jardim Guadalupe a palestra “A mulher e a autoestima”, na quarta-feira (29), às 19h, no segundo piso, ao lado da loja Hering. O evento é gratuito.

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Rock in Rio 2017 vai homenagear o continente africano na Rock Street (webremix.info)


Em novo 'King Kong', ator de 'Thor' mergulha nas selvas do Vietnã

LOS ANGELES - Em “Kong: a ilha da caveira”, em cartaz nos cinemas brasileiros desde ontem, Tom Hiddleston vive o cínico capitão da reserva e especialista em sobrevivência na selva James Conrad. O batismo do personagem é referência direta a Joseph Conrad, autor de “Coração das trevas”, o livro de 1899 transportado para as selvas do Vietnã em “Apocalypse Now” (1979), de Francis Ford Coppola. No retorno de King Kong às suas origens tal qual imaginado pelo pouco conhecido diretor Jordan Vogt-Roberts, há até uma cena emulando os famosos helicópteros de Coppola, agora com a adição de um monstro de proporções gigantescas.

Espécie de reboot ma non troppo do primeiro “King Kong”, criado por Merian C. Cooper (1893-1973) em 1933, o filme busca iniciar uma nova franquia reapresentando ao público o gorila, com a ação transportada para a primeira metade dos anos 1970. Ainda em 1933, por conta do sucesso do primeiro filme, Hollywood lançou “O filho de Kong”. Uma dezena de filmes e outros três remakes foram realizados desde então, incluindo o de Peter Jackson, em 2005.

Conhecido do grande público pelo Loki de “Thor” e pelo fugaz romance com Taylor Swift, que fez a alegria dos tabloides americanos no ano passado, Hiddleston, 36, foi pinçado pelos produtores para ser algo como uma resposta-ambulante à inevitável pergunta: afinal de contas, por que mais um King Kong na telona? O filme é a primeira experiência do inglês de olhos de ardósia no comando de um thriller de aventura, um teste para se medir o poder de fogo do protagonista da premiada série televisiva “The night manager”, pela qual venceu o Globo de Ouro de melhor ator neste ano. Abaixo, o ator comenta o novo filme e o seu protagonismo.

Por que King Kong uma vez mais?

Foi uma das primeiras perguntas que fiz a mim mesmo, até porque eu gostei muito do filme do Peter (Jackson). Mas vi que o pessoal da Legendary queria fazer algo de fato diferente, com um novo olhar sobre o mito, sobre o universo particular dessas criaturas.

Não há sinal de Manhattan...

Pois este é um ponto central do motivo pelo qual mergulhei de cabeça no filme. A ideia era ir ao habitat de Kong, não o oposto. A Ilha da Caveira é um paraíso intocado, e por isso o filme se passa nos anos 70. Hoje em dia, já não há mais lógica na possibilidade de se encontrar local ermo não explorado pelo mundo globalizado. E o filme tem um que do Werner Herzog de “Fitzcarraldo” (1982), da ideia de se contrapor a humanidade a situações e geografias desafiadoras. Beleza natural, terror e um teste de nossos valores civilizatórios sempre terão ressonância com o público.

Como foram as filmagens no Vietnã?

Contamos com a ajuda de um ex-militar americano que não havia voltado ao país desde a época da guerra. Trabalhar com os vietnamitas, para ele, foi especialmente comovente. Lá estávamos nós, o circo de Hollywood, uma produção imensa, sendo feita no Vietnã, gerando empregos, o primeiro-ministro jantando conosco, e os dois lados de igual para igual, quatro décadas depois do fim da guerra — essas coisas me deram alguma esperança em relação ao nosso futuro e aos conflitos armados que ainda nos afligem.

Dez curiosidades sobre 'Kong: a ilha da caveira'

Você está justamente produzindo um filme sobre os conflitos armados no Sudão do Sul, o mais novo país do planeta...

É um documentário de 1h30m que vai do processo de independência do Sudão, em 2011, até o começo da guerra, em 2013. Estima-se que cerca de 17 mil crianças tenham sido forçadas a lutar na disputa, um crime de guerra. Minha esperança é a de que os líderes dos dois lados consigam encontrar um dia um ponto de consenso.

Os sudaneses o reconhecem na rua?

Em geral não, mas algumas pessoas viram “Os vingadores” e gritam “Loki! Loki!”. Na África, especialmente, me parece que os super-heróis são os jogadores de futebol. Nunca fui ao Brasil, mas imagino que seja algo parecido. No Sudão, Neymar, Messi e Cristiano Ronaldo representam melhor as lutas do bem contra o mal do que nós, super-heróis do cinema.

Você acabou de filmar “Thor: Ragnarok”, que estreia em novembro, em torno do apocalipse em Asgaard, o Olimpo da mitologia nórdica. Depois de quatro anos sem encarnar Loki foi fácil voltar ao personagem?

Filmamos na Austrália por quatro meses, e no primeiro dia em que coloquei a maquiagem, a peruca, e me vi no espelho, melodiei, repetindo letra e música de Simon & Garfunkel, “Hello darkness/my old friend”, de “The sounds of silence”. Por outro lado, o Loki imaginado pelo (diretor neo-zelandês) Taika Waititi vai mais fundo nas questões familiares e na mitologia adaptada para os quadrinhos. A Hela, deusa da morte vivida por Cate Blanchett, é absolutamente sensacional. E Thor e Hulk (vividos por Chris Hemsworth e Mark Ruffalo) agora são uma espécie de Butch Cassidy e Sundance Kid cósmicos. É bem diferente dos outros filmes, estou curioso para ver o que os fãs vão achar das mudanças.

* Eduardo Graça viajou a convite da Warner Bros

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Crítica: Noca da Portela faz disco de produção macia e belas composições

RIO — ‘Tia Surica armou na Portela/ Uma cabidela pra comemorar/ O troféu de mais um campeonato/ Portela é de fato primeiro lugar.” Esse Noca da Portela sabe das coisas. Mal a Águia levantou mais um título, lá está ele cantando um samba-exaltação. Só que “Cabidela”, faixa 5 de “Homenagens”, novo disco do compositor bicampeão (com Portela e Fluminense), foi composta bem antes do desfile de segunda-feira de carnaval. Noca, aos 84 anos, sabe realmente das coisas. Ele, aliás, também gravou recentemente um samba em homenagem ao time do coração, “Sou guerreiro, sou tricolor”, mas que acabou não entrando no disco.

Antenado com o marketing Noca sempre foi, e nada há de mal nisso quando se tem um repertório de peso à disposição. As homenagens que dão nome ao disco formam uma espécie de “Aquarela brasileira” do autor de “Caciqueando”, “Alegria continua” e “Gosto que me enrosco”, entre outras pérolas. Nascido em Leopoldina (MG), ele laureia seu estado natal com “Êh, êh, êh, Minas Gerais”, um calango simpático; dedica “Terra boa” a São Paulo (discordando, no encarte, de Vinicius de Moraes, que definiu a cidade como “o túmulo do samba”); manda bem no batuque de terreiro em “Maravilhado”, sobre a Bahia — o samba rural corre bonito nas veias de Noca, assim como nas de seu cumpádi Martinho da Vila, que assina o encarte do CD —, dá à capital federal o seu destaque em “Brasília”, em forma de samba-enredo, e termina o desfile geográfico em casa com “Exaltação ao Rio”, mais uma simpática, porém algo genérica. Nota 9,9 em enredo para Noca.

O compositor (nascido Osvaldo Alves Pereira em 12 de dezembro de 1932), entretanto, chega ao nível de um, digamos, Noca da Portela quando se afasta do conceito do disco e simplesmente compõe e canta sambas com sua voz roufenha e dicção bem articulada. “Eu não vou pescar de rede/ Mulinete ou arrastão/ Vou esperar a maré baixar/ Pra pegar peixe com a mão”, canta no delicioso partido “Peixe com a mão”, feito sob medida para se levar na palma da mão; “Basta papai” é uma parceria de Noca com Dona Ivone Lara” e tem o DNA dos sambas clássicos da compositora imperiana, cheirando a África, com canto, contracanto, pastoras, o povo do samba todo; mais moderna, “Abraço afro” fala de beleza e irmandade negras, citando Zumbi, Martin Luther King, Paulo da Portela e outros, com a flauta de Dirceu Leite ponteando o batuque.

MAURO DINIZ NA PRODUÇÃO

Já que o papo chegou ao estúdio, vale um rápido álbum de figurinhas, carimbadíssimas: Mauro Diniz assina produção, arranjos, regência, cavaquinhos, banjos e cordas mil (além do DNA portelense latejante); a lista de músicos tem nomes como Carlinhos 7 Cordas (violão), Kiko Horta (acordeon), Marcelinho Moreira (percussão), Juliana Diniz (vocais de apoio) e outros. Com tantas estrelas, o grande mérito da produção do filho de Monarco é exatamente valorizar as canções, com uma queda para o instrumental em momentos estratégicos (como no calango mineiro), mas de forma geral servindo como uma base de luxo para a voz e as melodias de Noca e parceiros.

Se o compositor é mesmo da Portela, faltava uma boa música autobiográfica, e ela vem em um dos melhores momentos do disco, “Velho menino”: “Não são dez, não são vinte, não são trinta e nem quarenta/ Esse velho menino já emplacou oitenta”, diz o saboroso refrão do samba-crônica em que Noca, o sangue azul e branco pulsando nas veias, não tem vergonha de um autoelogiozinho: “Todo mundo admira a sua longevidade/ As mulheres comentam a sua sensualidade”. Mais 84 anos de vida para Noca da Portela, pelo menos.

Cotação: Bom

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Vila Isabel conta influência dos negros na música das Américas - (webremix.info)


Jazz celebra cem anos da gravação de seu primeiro disco (webremix.info)


Refugiados viram professores em curso de idiomas no Rio

RIO - Um jovem sírio escreve no quadro 28 letras incompreensíveis para um ocidental leigo. Explica que em árabe não existe som de "p", e que aquela escrita, feita da direita para a esquerda, é muito antiga. Na sala ao lado, um venezuelano ensina quando usar "usted" (senhor) ou "tú" (tu) para se dirigir a alguém em espanhol. E sugere aulas de arte pré-colombina ou salsa para imergir na cultura latina. São muitas línguas num mesmo ambiente: Hadi Bakkour e Gustavo Martínez são professores num curso de idiomas que cresce no Rio e em São Paulo com aulas dadas exclusivamente por refugiados ou solicitantes de refúgio no Brasil.

As vidas do sírio Hadi e do venezuelano Gustavo, antes separados por 11 mil quilômetros, se cruzaram na ONG Abraço Cultural no Rio. Além deles, há colegas haitianos, congoleses... A aposta é que, além de idioma, haja também troca de experiências culturais. Hadi, de 22 anos, gosta de levar música e referências de teatro - ele estuda Direção Teatral na UFRJ. Gustavo, de 28, comenta sobre comida, literatura latino-americana. Em comum, todos aprenderam a chamar o Brasil de casa.

- Não saí do meu país em busca de riqueza. Vim porque queria trabalhar e ter algo de liberdade - conta Gustavo, há cerca de dois anos no Rio. - O pior foi quando me dei conta de como a política se apropriava da sociedade venezuelana. Inclusive no meu trabalho. Eu dava aulas em escolas e queriam que eu usasse textos que falavam do governo.

Acolher, palavra poliglota: Refugiados viram professores em curso de idiomas no RioGustavo chegou ao Rio com um amigo. Para sair da Venezuela alegou que faria turismo no Brasil, mas não voltou mais a seu país. No Brasil, entrou com um pedido de refúgio. Para trás ficaram mãe, irmãs, amigos.

- Tento sempre me comunicar com eles, e tenho medo do que possa acontecer com a minha família. Existe racionamento de comida, e o governo tem o controle de tudo. Cada vez a porta se fecha mais. Quando cheguei não havia tantos venezuelanos vindo pro Brasil. Hoje são muitos. Por que será? É claro que algo de errado acontece no meu país - diz Gustavo.

Hadi saiu de Aleppo há três anos. Diz que a intensificação da guerra civil, no início afastada da sua cidade, alarmou sua família. Veio com o irmão para o Rio, onde já tinha uma meia irmã, fruto do primeiro casamento do pai.

- Meu irmão e eu estávamos em idade para prestar o serviço militar. A família ficou com medo. Já não dava para frequentar a faculdade, as ruas estavam perigosas - conta. - Meu pai e minha mãe tentaram morar aqui também, mas não se adaptaram. A vida da mulher é mais restrita na Síria. Para minha mãe tudo que ela tem é sua casa, suas memórias. Ela não quis deixar isso.

No Rio, Hadi e Gustavo aprendem, ensinam e se divertem com as diferenças.

- Uma das palavras que mais gosto em português é "cara". E "caraca". A primeira vez que ouvi a gíria falei: 'Mas é a capital do meu país!'. E falo muito 'cara'. Dizem que já sou quase um carioca - brinca Gustavo.

Hadi aprendeu português com amigos, e treina mais no curso de Direção Teatral, uma paixão que descobriu no Brasil.

- Os brasileiros gostam de ensinar e corrigir as palavras, sem serem rudes. A palavra que eu mais gosto em português é 'amor'. Mas não pelo jeito que se fala, e sim pelo que representa. Aprendi a amar mais aqui - explica Hadi.

Os dois pensam em voltar para seus países, mas não fazem planos a curto prazo. Sonhos eles têm.

- Muitos dos problemas da Síria poderiam ver solução no Brasil, que é mais aberto. E muitos problemas do Brasil poderiam ser resolvidos com inspiração na Síria, que é mais fechada. Um dia ainda vou fazer uma peça que una as duas culturas. Acho que ainda vou viajar por muitos países com isso - diz Hadi.

- Quero voltar um dia para a Venezuela, mas na situação atual não vejo como. Se volto de repente iria até pra cadeia, ou não conseguiria desempenhar meu trabalho de professor. O governo sabe que quem sai do país conta as verdades sobre o que acontece lá - diz Gustavo. Mas a História da humanidade mostra que nada é para sempre. Isso um dia vai mudar. Tenho esperança. Existe sempre uma luz no fim do túnel. Falam assim também em português, não é?

Novas turmas em março

As aulas de idiomas com refugiados começaram em São Paulo no meio de 2015, encabeçadas pela ONG Atados, e depois assumido por seu braço nessa empreitada, a ONG Abraço Cultural. A ideia chegou ao Rio em março do ano passado. Começaram com duas salas e oito turmas, com oito professores. Todos os horários encheram.

- Eles carregam a cultura dos países de onde vêm. Então por que não aproveitar a ideia e juntar cultura e língua, em um ambiente de integração para refugiados e alunos? Eles recebem salários, se destacam como professores. E mostram como são seus países, que normalmente não têm tanto destaque em cursos tradicionais - explica Tatiana Rodrigues, coordenadora da Abraço Cultural no Rio.

Hoje são 14 professores. E a previsão é que haja ao menos 25 turmas para o início do novo semestre de aulas, agora em março. O material didático, incluído no valor do curso, ressalta a variedade de culturas. No de francês, por exemplo, a África é destaque.

- A experiência tem sido excelente, tanto dos professores como dos alunos, que avançam nos módulos do curso, e indicam para amigos, parentes. Sem contar que são aulas acessíveis e diferentes - diz Tatiana. - Alguns alunos chegam sem saber o que significa ser um refugiado. A sociedade tem que conhecer que eles vieram fugidos de guerras, de perseguições. Não tiveram opção.

Ficou curioso? Mais informações em http://abracocultural.com.br

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Gênese do samba é tema do 1º livro de trilogia do jornalista Lira Neto (webremix.info)


Mateus Aleluia traz ao Rio seu concerto afro-barroco

RIO - "O tempo é o que o próprio tempo determina", explica Mateus Aleluia, uma figura para lá de rara no Rio de Janeiro. Pois nesta quarta-feira, o cantor baiano, que fez parte do grupo Os Tincoãs, se apresenta no Sesc Copacabana, em uma ocasião igualmente rara: a de lançamento de mais um álbum solo, "Fogueira doce".

Aos 73 anos, Mateus lançou apenas quatro LPs com Os Tincoãs, conjunto vocal que representou como poucos a música afro-baiana do cambomblé, e que teve uma de suas músicas, "Cordeiro de Nanã", gravada por João Gilberto no disco "Brasil". "Fogueira doce" é, tão somente, o segundo CD solo do cantor. Sua faixa-título nasceu de um desses momentos especiais, de quando ele vivia em Luanda e viu o sol nascer com inigualável beleza.

— Aquele era um tempo de guerra fratricida em Angola, você nunca pensaria em contemplação. Mas aquele sol não tinha nada a ver com aquilo, era uma fogueira que queimava e só fazia aquecer. E que despertava algo bom, que parecia estar esquecido e precisava ser exercitado. Era algo muito significativo — relata.

Mateus Aleluia e Dadinho (seu parceiro nos Tincoãs, falecido em 2003) saíram do Brasil em 1983, com Martinho da Vila e Luiz Carlos da Vila, numa missão cultural para Angola. O cantor seguiria morando no país pelos 19 anos seguintes.

— Para mim, esse tempo lá significou muito. Os Tincoãs sempre se basearam no lado ritualístico da ancestralidade religiosa africana e procuravam saber a origem daqueles cânticos, vindos das várias nações da África e que aqui se amalgamaram — conta ele. — Para nós, Luanda lá foi uma Xangrilá. Os povos do Congo e de Angola foram os primeiros a vir para o Brasil. Lá convivemos com músicos que nos pareciam inatingíveis.

De volta ao Brasil, Mateus participou do filme "O milagre do Candeal" (documnetário do espanhol Fernando Trueba sobre o sincretismo religioso na Bahia) e seguiu com seu trabalho musical. Em 2010, lançou o primeiro disco solo. Agora, ele volta com "Fogueira doce", no qual teve o auxílio do produtor Alê Siqueira, que já trabalhou com Marisa Monte, Elza Soares, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown. O disco foi gravado com vários músicos, entre eles os filhos do cantor Mateus (trompete) e Fabiana (voz e piano):

— Foi um trabalho mais rebuscado em nível técnico, e o Alê teve sensibilidade de contribuir com uma visão de estúdio moderna, mas sem tirar nossas características — diz ele, que vem ao Rio acompanhado pelo filho e por Alexandre Vieira (voz, baixos acústico e elétrico), Alex Mesquita (guitarra e violão) e Luisinho do Jejê (percussão).

Em músicas como "Fogueira doce", "Eu vi Obatalá", "Bahia..bate o tambor" (só de Mateus), "Obatotô" e "Filha! Diga o que vê?" (parceria com Dadinho) e “Convênio no Orum" (com Carlinhos Brown), o cantor dá continuidade a suas misturas das heranças do candomblé e da música barroca católica:

— Por mais afro que sejamos, temos muito da cultura barroca. Nos navios negreiros, viemos embalados tanto pelos nossos cânticos quanto pelos dos jesuitas. Influenciamos e fomos influenciados.

Por falar nisso, Mateus tem acompanhado com atenção as discussões sobre apropriação cultural que vieram tomando as redes sociais nas últimas semanas. E tem o seu recado:

— O brasileiro é uma mistura, é possível que tudo isso seja mais uma questão política do que outra coisa. Mas acredito que é uma questão válida, é preciso estar fora da zona de conforto para que, da discussão, venha uma evolução.

A alegria de Mateus, hoje, é ver o reconhecimento ao seu trabalho (foi convidado para ser o mestre de cerimônias da mais recente edição do PercPan, que aconteceu em janeiro em Salvador) e acompanhar toda a nova geração influenciada pelo que fez nos anos 1970 com Os Tincoãs.

— Éramos como lobos solitários, trazendo a cultura do rito. Hoje, é muito gratificante quando vemos músicos do Rio, de São Paulo e da Bahia fazendo releituras dos cânticos e procurando um caminho dentro desse viés afro — conta. — É a certeza de que o que fizemos valeu a pena. A luta continua e a vitória é certa.

Mateus Aleluia lança o CD "Fogueira doce"

Quando: Quarta-feira, às 20h30m.

Onde: Arena do Sesc Copacabana — Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana (2547-0156).

Quanto: R$ 6 (associado do Sesc), R$ 12 (meia) e R$ 25.

Classificação: Livre.

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Mostra Internacional de Teatro tem peças de 6 países (webremix.info)


Crítica: jovens desbravadores escrevem ótima biografia de Clementina de Jesus

RIO – É mais do que surpreendente ver quatro jovens estudantes de jornalismo, brancos, de classe média, sediados em São Paulo, aprofundando-se nas raízes negras da música brasileira para contar a história de Clementina de Jesus, a voz mais eloquente dessa matriz, na qual ela representou, com nobreza, o papel de “mulúduri” (herdeira). Surpreendente e exemplar, pois, em nome do otimismo, Felipe, Janaína, Luana e Raquel nos fazem acreditar que ainda há por aí jovens como eles, interessados em redescobrir o Brasil.

O livro, naturalmente, é uma biografia de Clementina (Quelé, para os íntimos), mas vai muito além de contar a história de uma negra banto, filha de escravos, nascida na região cafeeira de Valença, que aos 63 anos sai do anonimato para conquistar com voz rascante, metálica, áspera, mas poderosa, plateias de todo o Brasil, África e França. Faz isso dividindo-se entre a função de empregada domésticas de grã-finos do Grajaú e a de artista que ganha fama valendo-se de um tom e um estilo que, sem ter tal intenção, contrariavam o jeito bossanovista de cantar.

Mas “Quelé — A voz da cor”, um livro clara e competentemente bem escrito, é mais do que a história de uma Cinderela negra. Nos dá sobre Clementina as informações biográficas necessárias, passa em revista seus discos, fala de uma força de intérprete capaz de iluminar todo um teatro, quando não um estádio.

Links Clementina

O que o faz merecer a melhor cotação é a riqueza de informações sobre as origens da música negra, dos cantos de trabalho dos escravos até os partidos de hoje, com várias escalas vividas por Clementina: folguedos e celebrações, pontos de candomblé e coro de igreja, lundus e desfile de pastorinhas, jongos e curimas — guardados por sua prodigiosa memória. Sem inserir Quelé no universo desses cantos não se pode compreendê-la, muito menos a música afro-brasileira, de onde veio quase tudo.

Os autores se repetem ao longo das 363 páginas no reconhecimento a Hermínio Bello de Carvalho como descobridor de Quelé. Repetição justificada, reconhecimento justo. Otimista para que outros jovens venham a se juntar aos autores, serve de exemplo o recado que eles próprios mandaram a Hermínio: “Obrigado por desnudar este Brasil desconhecido e pouco explorando representado em Clementina de Jesus”.

Cotação: Ótimo

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Escrita por jovens, biografia de Clementina de Jesus apresenta detalhes raros (webremix.info)


Crítica: Faltou inspiração nos sambas-enredo de 2017

RIO - Na safra dos sambas-enredo de 2017 do Grupo Especial, uma pérola verde e rosa brilha mais forte. Logo na abertura do disco, “Só com a ajuda do santo”, da Estação Primeira de Mangueira, campeã do ano passado, chama a atenção pela força do refrão (“O meu tambor tem axé Mangueira / Sou filho de fé do povo de Aruanda / Nascido e criado pra vencer demanda / Batizado no altar do samba”) e pela melodia sofisticada. A bateria dialoga com as nuances da música e suas convenções vão bem além das já gastas e onipresentes “paradinhas” funk (embora também presentes). O time de compositores soube aproveitar o bom enredo, sobre religiosidade, e a escola larga bem na busca do bicampeonato.

No pelotão dos bons sambas, mas sem brilho, estão Portela, Beija-Flor, Vila Isabel e Mocidade Independente de Padre Miguel. Com “Quem nunca sentiu o corpo arrepiar ao ver esse rio passar”, a azul e branco de Oswaldo Cruz manteve o bom nível dos últimos carnavais ao investir no que a escola sabe fazer melhor: cantar a si mesma, sua tradição e suas glórias com uma das mais belas melodias do ano.

Já a Beija-Flor aposta, em 2017, num ritmo mais cadenciado em “A Virgem dos lábios de mel — Iracema”. Se não há um refrão explosivo como no passado, a escola se beneficia por ter o samba com a letra mais bem-acabada do Grupo Especial. Não é pouca coisa.

Mocidade e Vila Isabel surpreendem após carnavais ruins. A escola da Zona Oeste vai cantar “As mil e uma noites de uma ‘Mocidade’ pra lá de Marrakech”, e a Vila, “O som da cor”, sobre as origens africanas dos ritmos do continente americano. Mais uma vez, a combinação entre Vila e África é sinônimo de sucesso.

SALGUEIRO, TIJUCA E IMPERATRIZ DECEPCIONAM

No terceiro pelotão deste carnaval, estão aqueles sambas que, na quarta-feira de cinzas, carimbarão sua passagem rumo ao esquecimento, como os da São Clemente e Paraíso do Tuiuti. No caso de Salgueiro, Imperatriz Leopoldinense e União da Ilha, a safra de 2017 decepciona e não honra a tradição das agremiações.

Mais fracos do ano, no último grupo estão a Grande Rio, vítima do mal de enredo com “Hoje é dia de Ivete”, sobre a cantora Ivete Sangalo, e a Unidos da Tijuca, com “Música na alma, inspiração de uma nação”. A escola do Morro do Borel parte de uma boa sacada — o encontro entre Pixinguinha e Louis Armstrong no Rio de Janeiro em 1957 —, mas a realização musical do enredo é desastrosa. Uma pena.

Cotação: Regular

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Distopia

RIO — Dizem que 2016 foi um ano tão ruim para o Brasil e para o mundo que não deveria ter existido. Mas existiu e, na semana que resta, inclusive na hora de desejar feliz ano novo à meia-noite do dia 31, a pergunta é: será que 2017 chegará ao fim? Há quem, como o jornalista e escritor Arthur Dapieve, calcule que o calendário vá durar só umas poucas semanas, até uma data-limite (que não vamos adiantar para não dar spoiler das páginas que seguem). Nelas, onze convidados especiais descrevem, em textos exclusivos para a Revista, cenários fictícios sobre o que vai ser de nós no próximo capítulo do calendário.

Numa escala imaginária que vai da utopia (concepção de um futuro ideal, aparentemente irrealizável) à distopia (palavra da moda que descreve um mundo no qual reine a opressão e/ou o caos), as previsões, em forma de pequenas sinopses, tendem fortemente para a constatação de que teremos um 2017 bastante distópico. Nesta linha vão, radicalmente (mas com a devida dose de ironia), além de Dapieve, o roteirista Rafael Dragaud, o cartunista Arnaldo Branco, o humorista Fernando Ceylão, o crítico de música Jamari França e o dramaturgo Luiz Henriques Neto. Mais moderados, a poeta Maria Rezende, o diretor Beto Brown e a atriz Clarice Niskier, em seus textos, vão mais no caminho de sonhar soluções parciais para sobreviver ao bombardeio que vem de todos os lados, afetando a ideia que temos da Civilização.

Poeta e letrista, recém-imortalizado, Geraldo Carneiro optou por compor um díptico ambivalente: uma peça utópica, e uma distopia plena, com o olho na História do país. O artista visual Ricardo Chreem assumiu o modo de fuga ao criar uma alegoria circense para espelhar a dualidade na qual estamos imersos. Estranho ao ramo da escrita, mas conhecido piadista compulsivo em seu estúdio de pilates, o fisioterapeuta Dirlei Carvalho improvisa uma volta à Pangeia, o continente original, para que a globalização “pegue” de uma vez e a gente possa economizar em deslocamento e unificar as ações (e nações), com a ajuda das empreiteiras para guindar e “colar” os blocos como eram há uns 300 milhões de anos.

Celebrado artista gráfico e inventor de objetos, Guto Lacaz preferiu, por motivos óbvios, participar com uma ilustração sem palavras (ao lado, abrindo a reportagem), deixando ao leitor o complemento da obra, de acordo com cada interpretação dos fatos presentes e de suas consequências futuras. Com tantas ideias e tanto talento, quem sabe, dias melhores virão, ou, pelo menos, a coisa não piora.

AGENDA 2017 (COMPLETA), por Arthur Dapieve, jornalista e escritor

Domingo, 1° de janeiro: Ressaca.

Segunda, 2: Cancelar exames médicos.

Terça, 3: Cancelar todos os compromissos.

Quarta, 4: Dizer umas verdades na cara daquele babaca.

Quinta, 5: Dizer o que penso das polícias religiosas das redes sociais.

Sexta, 6: Cancelar todas as contas em redes sociais.

Sábado, 7: Sumir, dar um perdido em todo mundo.

Domingo, 8: Caminhar pela orla do Rio.

Segunda, 9: Devolver livros e discos emprestados.

Terça, 10: Comprar um bote inflável.

Quarta, 11: Escutar o Réquiem de Verdi.

Quinta, 12: Escutar o Réquiem de Mozart.

Sexta, 13: Escutar o LP dos Sex Pistols.

Sábado, 14: Estocar água e cerveja. Beber.

Domingo, 15: Relefonar para os amigos. Beber mais.

Segunda, 16: Comprar víveres. Beber muito.

Terça, 17: Comprar mais víveres. Beber de esquecer.

Quarta, 18: Rasgar dinheiro.

Quinta, 19: Atravessar o Largo da Carioca com o bilau pra fora da braguilha.

Sexta, 20: Posse de Donald Trump.

BRASIL 2017, por Geraldo Carneiro, poeta recém-imortal

I - BRASIL 2017 (distopia)

O Supremo manda prender o presidente da República. O presidente foge para o Rio Grande do Sul. O Rio Grande do Sul recomeça a Revolução Farroupilha. No sertão da Bahia surge um novo líder chamado Antonio Carlos Conselheiro. Indignado com a insurreição baiana, São Paulo faz nova Revolução Constitucionalista e manda bombardear o Rio de Janeiro. O Rio, acostumado com os bombardeios do tráfico e da polícia, nem percebe. Em nome da moralidade pública, estudantes e procuradores proclamam a Revolução Francesa. Ao fundo, vê-se a sombra de Napoleão Bonaparte. Donald Trump aproveita o fuzuê e compra a Amazônia.

II - BRASIL 2017 (utopia)

O Brasil caminha para o caos. A vaca só não vai para o brejo porque não há mais brejo. Eis que chega o carnaval, e Oxalá, Vishnu e Jesus Cristo desfilam num carro alegórico, na Marquês de Sapucaí. Tudo indica que seremos felizes para sempre. Pelo menos, até a quarta-feira.

CHTULU É REI!, por Luiz Henriques Neto, dramaturgo

A verdade é que 2016 foi um ano tão complicado que muita gente jurava que pondo-o para tocar ao contrário na vitrola dava para ouvir “Chthulu é rei” (Chtulu é sinônimo nerd para Satanás, via H.P Lovecraft). Mas felizmente 2017 “foi” um ano que passou tão rápido que ninguém nem percebeu. Apocalipses atômicos ainda na primeira quinzena por motivos idiotas costumam ter este efeito.

Olhando retrospectivamente, Donald Trump talvez não devesse ter dado em cima da namorada do Putin na cerimônia de posse... Mas, no fim, tudo correu de acordo com o que seus eleitores (e simpatizantes no mundo todo) gostariam, dado o quadro geral.

Afinal de contas, a alguns anos-luz de distância daqui, num mundo em que as pessoas ainda acreditavam em teoria da evolução, fósseis e outras invenções do demônio, as nossas explosões atômicas no céu guiaram três sacerdotes feiticeiros até uma estrebaria.

PANGEIA: A VOLTA, por Dirlei Carvalho, fisioterapeuta

Se 2016 fosse uma mão de biriba, seria daquelas em que nada combina com nada, nem trinca, nem par, você recebe as cartas e quer devolver e pedir pra embaralhar de novo, mas não dá. O símbolo maior do ponto a que chegamos é ter gente cobrando cachê para administrar grupo de zapzap.

Nós, homo sapiens, nos desenvolvemos, criamos sistemas sociais e inventamos a globalização, que virou uma girar em círculos: somos zumbis sonâmbulos, rodopiando. Em meio a essas reflexões é que me veio a solução para redimir a globalização, que seria rejuntar os continentes conforme eram antes do afastamento, ou seja, reconstruir a Pangeia.

Aí a gente não precisa de voos, embarcações, daria para fazer tudo a pé, ou de trem. Seria uma globalização real, concreta.A Odebrecht podia cuidar da logística, usando o excedente de guindastes e cola de cimento.

GRUPOS DE EXCELÊNCIA, por Fernando Ceylão, humorista

Na tentativa de conter engarrafamentos de cinco cinco dias, escassez de água e comida e um eterno clima de aniversário do supermercado Guanabara nas ruas, a ONU decidiu diminuir a população. Drasticamente. Depois de uma engarrafada reunião, sentenciaram: cada país escolheria um “grupo da excelência”. O número de participantes teria relação com a densidade populacional. No Brasil, cem mil pessoas. Cada uma teria o direito de escolher mais três. Os não escolhidos seriam exterminados. E a vida seria, então, calma, pacata, farta e espaçosa. Mas... e os critérios? Pensaram.

Tirando o Luciano Huck, ninguém tinha certeza se constaria da lista dos excelentes. Logo começaram as polêmicas. Haveria cotistas? E a idade? E o fator salarial? E os talentos? Nepotismo? Mal o debate começou e já saiu uma lista. Logo verificou-se que era só de pessoas denunciadas por corrupção, na desesperada tentativa de se salvar. Foram todos presos. Na linha evolutiva do preso-classe-média-pra-cima, o sujeito raspa a cabeça, coloca o uniforme e faz delações. E mais gente acabou presa. Delação é tipo pirâmide da Herbalife, cada preso leva mais três. E esses três mais três...

O governo entendeu rapidamente que era preciso construir mais presídios. Enfim... Lembro de ter lido no Le Monde a matéria mais completa sobre os rumos do “grupo da excelência” no Brasil. Aconteceu uma inversão proporcional e, de repente, o número de pessoas encarceradas era muito maior que o de pessoas livres. Não foi preciso exterminar ninguém e o problema prisional foi resolvido. Sobraram, sei lá, umas 80 mil pessoas que hoje vão do Humaitá à Barra em coisa de 20 minutos.

A 386ª FASE, por Arnaldo Branco, cartunista e roteirista

2017, era pós-atômica. Donald Trump queimou a largada e conseguiu começar a Terceira Guerra Mundial no primeiro dia do mandato, antes mesmo de aprovar a emenda constitucional com que pretendia inaugurar sua titularidade, obrigando todos os norte-americanos a seguir o seu twitter. Só sobraram as criaturas e objetos de estrutura muito resistente, como as baratas, as tampas de alumínio nas embalagens de mate e o núcleo duro do PMDB.

Agora o mundo é um deserto onde pessoas deformadas pela radiação — ou consertadas por ela, como o membro da lista da Odebrecht e novo galã terrestre Inaldo Leitão, ex-Todo Feio — perambulam atrás de itens básicos de sobrevivência, como fones de ouvido, lubrificante e Trakinas de morango.

O Brasil ainda existe, apesar das seguidas explosões terem bagunçado um pouco os marcos fronteiriços. Exploradores definem as novas linhas divisórias na região do Prata toda vez que surgem locais dizendo em castelhano que Maradona é maior do que Pelé, ocasião em que têm ordens de atirar para matar.

Com o que sobrou do nosso Judiciário (os corpos fundidos pela radiação de Sérgio Moro e Gilmar Mendes), a Lava Jato acaba de entrar na sua 386ª fase.

EMPATIA NA CARNE, por Maria Rezende, poeta

Imagino um mundo em que o ditado popular “que deus te dê em dobro” seja realidade. Que cada ação de cada pessoa ecoe na sua própria vida de forma imediata e concreta. Uma mão estendida se transformando em dois braços pra dividir os pesos e levantar das quedas. Milhões desviados fazendo sumir da sua mesa a próxima refeição. Atitudes homofóbicas, machistas, racistas, voltando como um soco no espelho: sangue & sete anos de azar. Empatia na carne. Talvez só isso pudesse nos curar.

O MUNDO DO CROWDSOURCING, por Rafael Dragaud, roteirista

Estamos em pleno Apocalipse Zumbi da representatividade. Não há político, partido ou sindicato capaz de representar interesses de grupo, classe ou povo. Nem ser humano capaz de falar para além de si. Lá em casa, quando eu tento, tomo logo uma bordoada da minha mulher ou do meu filho de 3 anos. E eles estão certos!

O mundo feminino e o infantil têm que romper de vez a inércia de privilégios macho-cêntricos. Heteros grisalhos acima do peso, go home! Tchau, queridos! Tchau, eu! A solução é entregar tudo às mulheres! Elas são mais sofisticadas, têm a coragem da escuta, o senso de prioridades, o afeto.

Mas como garantir que mulheres não virem homens-em-corpo-de-mulher? Dizem que isso já aconteceu. Pronto, sobrou para as crianças. Não podem mais ser adiadas em toda sua potência. Façamos presente o futuro! Mas peraí, o Cabral já foi apenas filho... Só nos resta recorrer ao CROWDSOURCING, a inteligência das multidões, essa coisa DE TODOS que cria e produz com rapidez os MEMES e GIFS que nos mantém vivos.

O humor da internet nos salvará! Nosso novo líder será fruto dos algoritmos e impresso em 3D. Antevejo algo com a espontaneidade de um Whindersson Nunes, o papo reto da Gretchen, a ousadia do Papa Francisco, e principalmente, a imprevisibilidade do Negão da Piroca.

ADMIRÁVEL MUNDO VELHO, por Jamari França, crítico musical

José da Silva estranhou o dia cinza chumbo ao acordar. Eram oito da manhã, mas parecia noite ainda. Ligou a TV para ver o telejornal. Na tela nada de cores, tudo cinza chumbo, um locutor de terno (adivinhem) anunciava: “Em instantes, um pronunciamento do Grande Irmão.” Bateram na porta, um cara soturno lhe estendeu um embrulho: “suas pílulas”, deu meia volta e se foi. Começou a abrir o pacote quando na tela apareceu o grande líder. “Bem-vindos ao Admirável Brasil Novo.” José despencou no sofá perplexo. Não pode ser verdade, isso é o pior de todos os pesadelos. Não, não. Fechou os olhos, esfregou-os incrédulo. Não é possível: Renan Calheiros!!!!

PALHAÇOCRACIA, por Ricardo Chreem, artista visual

Uma boa solução para 2017 seria baixar um decreto que obrigue os políticos a trocar o paletó pelo figurino de palhaço. Hoje, quem se sente palhaço somos nós, o que é injusto para quem exerce a profissão. Os que defendem a arte da palhaçaria se sentem ultrajados. Ao assumir essa figura, os políticos entenderiam de uma vez que o palhaço é aquele que assume o papel do bobo, do falível, do finito, do vulnerável, do que erra, para mostrar como somos todos ridículos e idiotas. Isso seria mais nobre do que a pose com cara de paisagem dos espertalhões que passam a perna na gente e só na hora em que são pegos é que se fazem de bobos. Uma vez em vigor o decreto, nós aplaudiríamos de pé o grande circo, vendo o palhaço em cena e nos identificando, democraticamente, com os idiotas que nos fazem de idiotas.

IMPÉRIO DOS BEBEDOUROS, por Beto Brown, músico e diretor

Acordei leve no primeiro dia de janeiro de 2017. Aniversário da minha irmã. Parecia docudrama futurista positivo. Bebedouros de água limpa de três em três quarteirões pela cidade toda, inclusive as zonas Norte e Oeste, Centro e Baixada. Na Avenida Brasil havia cartazes da campanha de conscientização pós-descriminalização das drogas e do aborto. Os traficantes haviam feito um curso de produção orgânica não só de cannabis mas de tudo quanto é hortaliça comestível e planta medicinal. Havia hortas urbanas em todo canto para cassar o mito da falta de comida. Sempre querem nos enganar! Passagens a R$ 1,80 pululavam em todos os trechos da cidade. Restaurantes populares com comida orgânica jorravam como cascatas das esquinas.

LÂMPADAS FLUTUANTES, por Clarice Niskier, atriz

Para embarcarmos em 2017 com esse mau tempo, proponho a construção de um pequeno e eficiente barco a remo, como o de Amyr Klink, que remou da Namíbia (África) até o Brasil sem perder o rumo, o prumo, o remo, a rima, a poesia. Vamos seguir sua tática: “Remar de costas, olhando para trás, pensando para frente.” Porque se olharmos a distância que falta agora para o continente, podemos desesperar. Seguir olhando para a História, para o tanto que já avançamos, apesar dos pesares, o futuro na cabeça. Sejamos milhões de “lâmpadas flutuantes”, como joão-teimosos, nas ondas violentas, em direção à terra firme, em meio à tempestade que parece interminável. Sigamos remando a nós mesmos. Nação encharcada de raiva, tristeza, angústia, agonia. Tanques de água doce hão de equilibrar o barco na travessia. Vislumbro a chegada, a ética nas relações, eleições diretas, nosso continente.

LAVA-TUDO, por Gerald Thomas, dramaturgo

Trump não foi a pior coisa que aconteceu em 2016. Foi a pior coisa que aconteceu desde 1933 com a ascensão do Reich. Em 2017 constataremos que todos os passos que demos para frente foram retrocedidos com folga. Bush foi um progressista. A grande distopia já está aí, ao vivo e em cores. Por outro lado, o Brasil de repente se transforma num oceano de transparência. É o ano em que se abrirão todas as lavanderias. O lava-tudo é a verdadeira utopia!

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Mos Def é impedido de sair dos EUA e adia seus shows no Brasil

RIO - Foi anunciado nesta quarta-feira que Yasiin Bey (anteriormente conhecido como Mos Def), um dos mais consagrados rappers americanos, e também ator, adiou as apresentações que faria em São Paulo (na sexta, no Cine Joia) e no Rio (sábado, no Fabrika). As novas datas serão, respectivamente, 10 e 11 de fevereiro de 2017.

Segundo os organizadores dos shows, Yasiin e sua produção tiveram problemas com o governo americano e foram barrados ao tentar sair dos EUA rumo ao Brasil. Em nota, o rapper disse: “Aos meus fãs brasileiros, não vejo a hora de me apresentar pra vocês. Por motivos imprevistos, terei que remarcar os shows para 10 e 11 de fevereiro. Nos vemos lá.”

O rapper foi preso em janeiro, acusado de tentar deixar a África do Sul com um "passaporte mundial", emitido pela organização sem fins lucrativos conhecida como World Service Authority (Autoridade de Serviço Mundial), que não é reconhecido, quando tentava sair do país. Ele vivia lá desde em 2013, quando apresentou um passaporte americano. Mos Def tinha visto de visitante, renovado até 2014.

Depois de passar por julgamento e de pedir desculpas ao governo, ele foi enfim liberado para deixar a África do Sul na semana passada - mas não poderá mais voltar ao país.

Mais conhecido por sua música, Mos Def começou a carreira no hip hop em 1994, ao lado de seus irmãos, no grupo Urban Thermo Dynamics (UTD), e depois fez participações em discos do Da Bush Babees e De La Soul. Posteriormente, ele formou a dupla Black Star, juntamente com o rapper Talib Kweli, que lançou seu álbum de estreia em 1998.

Antes de fazer carreira na música, Mos Def foi ator infantil, com papéis em filmes de televisão, sitcoms e no teatro. Desde o início dos anos 2000, ele tem aperecido em filmes como "Uma saída de mestre" (2003), "O guia do mochileiro das galáxias" (2005) e "Rebobine, por favor" (2008).

Para quem comprou ingressos, sejam físicos ou online, eles continuam válidos para as novas datas. Quem não puder ou não quiser ir aos shows, poderá solicitar o reembolso dos ingressos.

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Artigo: Antes de 1916, por Nei Lopes

Alguns antigos dicionários da língua brasileira, como o de Macedo Soares, publicado em 1888 e o de Beaurepaire-Rohan, do ano seguinte, verbetizaram o substantivo masculino “samba”, definindo-o apenas como um tipo de dança. Da mesma forma ocorreu com o “Dicionário da língua portuguesa”, de Cândido de Figueiredo, em 1899. Isso confirma a constatação do indispensável José Ramos Tinhorão, segundo a qual, antes de seu objeto ser visto e definido como gênero de música popular “cultivada conscientemente”, a designação samba se aplicava a qualquer estribilho batucado, de feição africana.

Links Especial 100 anos de sambaRealmente, em diversas obras da literatura brasileira com ação no meio rural, escritas no século XIX ou no início do seguinte, ocorrem referências a danças animadas por refrões e batucadas, mencionadas como batuques ou sambas, denominações essas estendidas aos eventos em que elas se realizavam. Assim, no clássico “Os sertões”, Euclides da Cunha escreveu: “Encourados de novo, seguem para os sambas e cateretês ruidosos...”. E isto quase ao mesmo tempo em que o memorialista baiano Manuel Querino, em 1916, escrevia: “Aqui era o samba arrojado, melodioso, enquanto as morenas, entregues a um miudinho de fazer paixão, entoavam as chulas”.

Com Querino, vemos que os simples refrãos já eram enriquecidos com esboços ou fragmentos de versos rimados. E é de supor-se que isso tenha acontecido em todas as regiões onde a mão de obra de trabalhadores bantos, provenientes da África centro-ocidental (Congo e Angola) foi utilizada. Pois a presença desses bantos foi majoritária no Brasil escravista e a mais impactante na formação da nacionalidade brasileira. E é entre línguas do universo banto, como o quicongo e o quioco, que se registra o vocábulo samba na acepção de dança.

Claro, então, que antes de 1916 já havia samba em várias localidades brasileiras, principalmente rurais e notadamente na Bahia, de onde migrou para o Rio a comunidade de Tia Ciata. Não obstante, a nascente indústria fonográfica, implantada no país ainda no século XIX, segundo autores respeitados como Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello, já tinha entregado ao consumo gravações rotuladas como sambas, como “Em casa da baiana”, de 1911, anunciado na gravação como “samba de partido-alto”, e “A viola está magoada”, de 1914, também rotulada como samba, aliás, nascido no meio rural paulista.

Mas o que celebramos agora é a gravação de “Pelo telefone”, em 1916. E essa gravação, além de legitimar um protótipo do samba urbano então nascente (já com letra completamente desenvolvida), é também o primeiro exemplar do gênero a ganhar “certidão de nascimento”, expressa numa declaração formal de autoria (a comprovação de autoria por registro só foi legalmente instituída em 1973) feita por Donga e Mauro de Almeida.

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Crítica: Breno Ruiz estreia em disco histórico que traduz o Brasil

Links Breno RuizRIO — O primeiro disco de Breno Ruiz nasce como nova tradução do Brasil (no sentido do ato fundado por Villa-Lobos, de “ouvir” o som do país em todos os seus grotões e sintetizá-lo). Como grande compositor e instrumentista (seu piano clássico pousa no popular como um pássaro), Ruiz (que canta, altivo, a maior parte das faixas) consegue, musicalmente, ressoar melodias e harmonias típicas como se fossem inéditas em desvios tão discretos quanto imprevistos, como fizeram os compositores nacionais europeus em suas fases neoclássicas. Para contextualizar em versos a aventura, o maior artesão-letrista do Brasil, Paulo César Pinheiro, completa a arquitetura das 12 canções em seis módulos temáticos.

As duas primeiras, em levada épica, iniciam a navegação com o homem brasileiro que se descobre português (“Tenho uma vontade insana/ desejo de navegar/ herança enfim lusitana/ sou marinheiro do mar”) e, depois, ao atracar, vê a África, no solo, nas aldeias, do Brasil. O segundo módulo vem de choro à Chiquinha Gonzaga, e fala de música, de trovadores e donzelas. Letra e som se entrelaçam num caminho fechado, um novelo. “O som pra mim/ se ele for chinfrim/ não passa no filó...” A mucama protagoniza o terceiro núcleo pelos cantos de ninar da ama de leite na formação do menino. Depois, festeiro, o homem deseja a mucama: “Prenda minha/sem vergonha/inda quebro esse tabu”. Então, dois temas em torno de caçada de onça, de encanto e morte ante a natureza. Na segunda faixa deste “ato”, uma obra-prima pontua o drama com arpejos pentatônicos à Ravel.

O penúltimo módulo abre com uma “Modinha triste” que ecoa a “Melodia sentimental” de Villa. Fala de amor, de luares, de sertão e de mar. O CD fecha com duas odes à redenção, através da arte, do amor perdido (“Na viola eu carrego o mar do meu bem-querer”). Os versos finais comparam o sofrimento do poeta que está só à desventura dos pássaros. Neste grande, histórico, disco, o violão ágil de Pedro Alterio, os baixos de Neymar Dias e Igor Pimenta, a bateria de Gabriel Alterio, os vocais, percussão e flautas de Renato Braz e a presença de Mônica Salmaso trazem compreensão profunda das raízes da tradição e das asas da modernidade, num disco à parte.

Cotação: ótimo.

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Airbnb agora oferece passeios guiados e dicas de moradores

RIO - Mais que hospedagem, o Airbnb passa a vender agora experiências de viagens. A partir desta quinta-feira, é possível contratar pelo site e pelo aplicativo passeios exclusivos, receber dicas de moradores locais e contactar outros viajantes. Além do já existente serviço de aluguel de imóveis por temporada.

BV Airbnb

O serviço por enquanto está presente em 12 cidades ao redor do mundo: Detroit, Londres, Paris, Nairóbi (Quênia), Havana, São Francisco, Cidade do Cabo, Florença, Miami, Seul, Tóquio e Los Angeles. Até o fim de 2017, mais 50 cidades entrarão neste catálogo, entre elas Rio e São Paulo.

A plataforma Trips é dividida em três áreas. "Experiences", "Places" e "Home". Na primeira estão as experiências, passeios exclusivos com pessoas que vivem em um local ou se destacam em uma área. Essas experiências serão divididas por temas, como arte, gastronomia, música, história etc.

Entre os exemplos apresentados nesta quinta pelo CEO da empresa, Brian Chesky, em um teatro de Los Angeles, está o de Jack Swart, ex-carcereiro, que leva visitantes à prisão de Robben Island, na África do Sul, para conhecer mais a história de Nelson Mandela.

Uma artesã de Seul, que ensina o ofício passado de geração em geração, uma "antropóloga gastronômica" que oferece um tour pelo mercado mexicano de Los Angeles e uma caça a trufas na Toscana são outros exemplos de passeios que poderão ser contratados via Airbnb, alguns de mais até dois ou três dias, outros de algumas horas de duração. Esses passeios são pagos e os preços variam. O pagamento é feito direto na plataforma do Airbnb, como na locação de quartos e casas.

Na categoria "Places", o serviço mais inovador é o chamado "Meet up", que mostra, em um mapa, outros hóspedes do Airbnb na região e permite que esses viajantes se encontrem.

Também há o espaço "Guidebooks", onde moradores ou anfitriões que se destacam em alguma área (um músico, uma arquiteta, um atleta...) dão dicas de programas ou lugares, de preferência fora do roteiro turístico convencional. No primeiro momento há cem guias, para seis cidades: Los Angeles, São Francisco, Havana, Nairóbi, Detroit e Seoul.

Neste mesmo campo também há audioguias, chamados "Audio walks", que ajudam o visitante a se guiar por determinadas áreas de, por enquanto, apenas Los Angeles. A previsão é de que São Francisco, Paris, Londres, Tóquio e Seul ganhem seus audioguias até o segundo trimestre de 2017.

A nova plataforma também permite que o usuário organize em um mesmo aplicativo todos os serviços contratados para e durante a viagem, como hospedagem, guias e experiências, juntando tudo em um único roteiro.

Durante a apresentação, Chesky afirmou que a expansão do Airbnb não para aí. Deixou entender que a empresa pretende atuar em áreas mais amplas, como passagens aéreas, aluguel de veículos, reserva de restaurantes e outros serviços turísticos.

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'Todos me copiam', diz a cantora e modelo jamaicana Grace Jones (webremix.info)


Rio recebe Pat Thomas, o embaixador do highlife

RIO - Pat Thomas é um dos mais legítimos representantes do highlife, música do Gana com inspiração de Cuba, tocada em instrumentos elétricos, especialmente guitarras. Popularizado pela influência que exerceu no disco africano de Paul Simon, “Graceland” (1986), o estilo encontrou em Thomas sua voz mais eloquente — e também uma espécie de embaixador informal. Nascido em 1951, o cantor africano se apresenta no Rio amanhã, às 22h30m, com sua Kwashibu Area Band. Pela primeira vez no Brasil, ele é uma das principais atrações do Mimo, que acontece de hoje a domingo, com shows em dois palcos na Praça Paris, na Glória. Com a proposta de mostrar a riqueza musical de várias partes do mundo, o festival traz, ainda, entre outros, o caboverdiano Mário Lúcio, a “rainha da cúmbia” da Colômbia Totó La Momposina, os jazzistas franceses Jacky Terrasson e Stéphane Belmondo e o grupo inglês de fusões Sons of Kemet. Link Mimo

— O highlife é o highlife, mas ele continua se modernizando — aposta Thomas, em entrevista ao GLOBO por telefone.

Intérprete que, em 1978, foi eleito o Mr. Golden Voice of Africa (O Senhor Voz Dourada da África), ele desconversa sobre o assunto:

— Ah, isso foi um título que me deram, não fui eu que escolhi...

Pat começou sua carreira em 1971, quando se fixou em Acra, capital do Gana, um dos países mais multiculturais do continente africano. Lá, passou a fazer parte de uma das bandas mais importantes do highlife, os Blue Monks (do guitarrista, arranjador e mito da música ganense, Ebo Taylor), que se notabilizaram pelas noites quentes que proporcionaram em sua residência no Tip Toe Nite Club.

— Comecei cantando músicas de Stevie Wonder, que é um mentor para mim, e um tanto de reggae, principalmente de Jimmy Cliff, que chegou às paradas de sucessos antes de Bob Marley. Mas eu também adoro Bob Marley! — corrige-se Pat. — Gostava também muito do meu tio (o lendário guitarrista King Onyina, colaborador de Nat King Cole) e de um monte de outros músicos que eu não vou mencionar porque posso esquecer algum.

Em meados dos anos 1970, o cantor, já em carreira solo e muito bem situado na cena de seu país, acompanhou de perto o desenvolvimento de uma nova e poderosa música, nascida do encontro da tradição africana com o jazz, o funk, o reggae e novos estilos — em especial, o afrobeat, criado na quase vizinha Nigéria pelo multi-instrumentista Fela Kuti.

— Foi ótimo estar nesse mesmo movimento musical de Fela e (do saxofonista camaronês Manu) Dibango — conta Thomas. — Fela costumava vir a Gana muitas vezes, e chegou mesmo a viver um tempo no país com seus músicos. Com ele e Tony Allen (baterista da banda do nigeriano e criador da batida do afrobeat), montamos um quinteto. Aí aconteceu de o meu produtor ter a ideia de chamar Tony para gravar comigo algumas músicas para as quais escrevi a letra. E foi o que aconteceu agora no meu novo disco.

O cantor se refere a “Pat Thomas & Kwashibu Area Band”, álbum que gravou no ano passado, em Acra, no estúdio Lovelite, em equipamento analógico, como 40 anos atrás. Além de Tony Allen, participaram das gravações Ebo Taylor, o organista e guitarrista Kwame Yeboah (que tocou com Stevie Wonder e Cat Stevens) e músicos jovens, como o baixista Emmanuel Ofori, o percussionista “Sunday” Owusu e a filha de Thomas, a cantora Nannaya.

Dividido entre recriações de hits do cantor e novas músicas, esse é o primeiro disco do astro do highlife desde 1991, e seu primeiro lançamento para o mercado internacional. O burburinho causado foi suficiente para inseri-lo, com sua banda, na programação dos principais festivais de música da Europa.

— (Correr os festivais) não é nada difícil para mim, é algo que estou adorando fazer. Estamos tocando juntos há uns dois anos, mas parece bem mais tempo. Viver em turnê não é novidade, passei minha vida inteira viajando para tocar. Hoje, de vez em quando fico meio gripado, mas tudo bem, dá para levar — conta Thomas, que propõe um intercâmbio musical entre seu país e o Brasil. — Vocês aí têm o samba, assim como nós temos o highlife. Vamos fazer um encontro dos dois para ver no que é que dá.

A missão agora, ele diz, é espalhar seu som pelo mundo:

— As coisas aconteceram para o álbum na Europa, mas ele ainda nem foi lançado na África. E vamos tentar levar alguns discos aí para o Brasil, é claro.

(webremix.info)


Compositores comentam os sambas vencedores nas escolas da Grande Tijuca

As escolas de samba do Grupo Especial já definiram seus hinos para o próximo carnaval. Agora, a expectativa é pelo lançamento do CD, no dia 1º de dezembro. Na Grande Tijuca, as agremiações estão confiantes em levantar mais uma vez a Marquês de Sapucaí. Salgueiro, Unidos da Tijuca e Vila Isabel elegeram obras aclamadas desde já por bambas e foliões.

No Salgueiro, a consagrada parceria do ano passado — composta por Marcelo Motta, Fred Camacho, Guinga do Salgueiro, Getúlio Coelho, Ricardo Neves e Francisco Aquino — venceu a disputa do samba mais uma vez. Em 2016, eles foram responsáveis pelo inesquecível refrão “É que eu sou malandro, batuqueiro, cria lá do morro do Salgueiro”, do enredo “A ópera dos malandros”. A agremiação, entretanto, apesar de todo o favoritismo e do belo desfile, terminou na quarta colocação, quando muitos apostavam no título. A escola perdeu pontos importantes no quesito alegorias e adereços, por conta de um apagão na iluminação do carro abre-alas.

Desde 2009 sem conquistar o campeonato (com o tema “Tambor”), a vermelho e branco aposta agora no enredo “A divina comédia do carnaval”, desenvolvido pelos carnavalescos Renato e Márcia Lage, e baseado no poema “A divina comédia”, de Dante Alighieri. Os autores do samba garantem: o de 2017 é do mesmo nível, ou superior, ao deste ano.

— Acho mais bonito que o anterior. É gostoso de cantar e tem uma letra fácil. Vai pegar, assim como o do malandro batuqueiro — acredita Guinga do Salgueiro.

Marcelo Motta, o maior vencedor de disputas de samba do grupo, com seis conquistas, explica que é difícil comparar as duas obras. Mas comenta que os compositores sentiram o peso do sucesso alcançado no carnaval de 2016.

— Nosso desafio era superar o que fizemos, e acho que conseguimos. Estão dizendo que atingimos um nível igual ou maior em relação ao samba deste ano. Mas cada um tem sua proposta. São enredos diferentes, é difícil comparar. Essa é uma das parcerias mais completas da qual já fiz parte. Inclusive no que diz respeito à amizade entre os componentes. Vamos brigar mais uma vez pelo título do carnaval — garante Motta.

A presidente do Salgueiro, Regina Celi, também mostra otimismo.

— Que o samba de 2017 seja um novo “Explode coração” — torce a mandatária, referindo-se ao enredo de 1993, “Peguei um ita no Norte”, que valeu o título para a escola e deixou eternizado o refrão “Explode coração, na maior felicidade, é lindo o meu Salgueiro, contagiando, sacudindo essa cidade”.

Da poesia à canção. Na Unidos da Tijuca, a influência negra no cenário musical dos Estados Unidos será contada no enredo “Música na alma, inspiração de uma nação”, da comissão formada por Annik Salmon, Hélcio Paim, Marcus Paulo e Mauro Quintaes.

Desde já o desfile da escola é um dos mais comentados por causa da expectativa pela presença de Beyoncé na Sapucaí. Ela será homenageada em uma ala com 140 integrantes. Como a demanda para estar perto da cantora é grande, um concurso está sendo realizado para eleger os membros do setor (há mais de 400 inscritos).

E o samba, composto por Totonho, Fadico, Josemar Manfredini e Dudu, com participação especial de Sérgio Alan, convida todo mundo para chegar mais e sambar com a agremiação: “Chega my brother... Vem ver. A batucada é de enlouquecer”, diz parte do refrão. Em uma homenagem à música americana, o inglês não poderia ficar de fora...

— A ideia de colocar o my brother foi do Dudu. Tive algumas dificuldades com a sinopse, pois havia muitas palavras em inglês e eu não domino o idioma — conta Fadico. — Tínhamos uma melodia no refrão e ele veio com o “Chega my brother”, dizendo que era maneiro, acolhedor. No início, o presidente (Fernando Horta) achou que era uma maluquice. Mas depois se rendeu.

Segundo Totonho, o refrão final é o que mais toca o torcedor da Tijuca. Diz assim: “Com samba no pé, nós vamos à luta, tô na boca do povo, meu nome é Tijuca”. Vencedor de seis sambas-enredo, este é o segundo que ele ganha em parceria com o filho Dudu.

— É um compositor melhor do que eu. Está quilômetros na frente — diz Totonho com orgulho. — Nasci na Praça Saens Peña, jogava bola no Borel, sempre frequentei a quadra quando ela era no morro.

O amor pela escola foi transmitido para o filho.

— A Tijuca já tem uma marca, é esperada na avenida. O enredo ficou muito bom e com certeza iremos transmitir muita alegria — aposta Dudu.

No último carnaval, a Unidos da Tijuca conquistou o vice-campeonato, atrás da campeã, Mangueira, por apenas um décimo.

INSPIRAÇÃO NAS GLÓRIAS DO PASSADO

Depois de ameaçar não desfilar em 2017 por conta de uma dívida de R$ 1,5 milhão com um fornecedor, a Vila Isabel anunciou no início do mês passado que estará presente na Sapucaí. A agremiação fez um acordo com o credor, que receberá o pagamento em parcelas mensais de R$ 10 mil. Para deixar de vez a crise de lado, a escola busca inspiração nas glórias do passado.

No enredo do carnavalesco Alex de Souza, “O som da cor”, a azul e branca vai mostrar a origem africana dos ritmos musicais. O samba vencedor veio da parceria de Artur das Ferragens, Gustavinho Oliveira, Danilo Garcia, Braguinha e Rafael Zimmermann.

— O enredo conta a história dos ritmos que surgiram na África — diz Artur das Ferragens, pentacampeão de samba pela Vila Isabel.

Não é a primeira vez que o continente é enredo da agremiação. Em 1988, “Kizomba, festa da raça”, de Rodolpho, Jonas e Luiz Carlos da Vila, trouxe o primeiro título para a escola com um samba sobre a luta pela abolição dos escravos. A canção foi defendida na avenida no ano do centenário da assinatura da Lei Áurea.

No enredo de 2017, os compositores fizeram questão de lembrar o feito nos versos do refrão: “Ôô, Kizomba é a Vila, firma o batuque no som da cor”.

— Acho que essa homenagem que fizemos ao “Kizomba”, nosso maior carnaval, vai emocionar. Os versos serão muito cantados. É um samba valente, com a cara da Vila. Fizemos pensando na voz do nosso intérprete, Igor Sorriso — conta Gustavinho Oliveira, campeão de samba pela primeira vez em sua “escola do coração”, como ele mesmo diz (já havia vencido na Unidos da Tijuca em 2014 e 2015).

Para Rafael Zimmermann, “Kizomba” foi o ápice da Vila.

— Espero que a gente consiga trazer um pouco daquele desfile. É a oportunidade de reviver um pouco do melhor momento da escola — opina Zimmermann, que, assim como Gustavinho, fez sua estreia como vencedor de samba na azul e branco. — Toda essa nostalgia caiu como uma luva no momento de crise atual. Mas a verdade é que todas as escolas estão passando por problemas. A Vila só expôs.

Solidários com a situação delicada da escola, os autores do samba anunciaram que vão ajudar a agremiação:

— Vamos doar 33% da premiação pela composição do samba (direitos de imagem, arena, venda de discos e transmissão de TV) para a escola. Acho que tudo isso que vem acontecendo serve para unir a comunidade. É um incentivo a mais, que fez a escola ganhar força — comenta Artur das Ferragens.

(webremix.info)


Enem 2016: Filha de refugiados tenta vaga no ensino superior

RIO - Sentados na porta da Universidade Veiga de Almeida, na Tijuca, Bahman Amirazodi e sua filha Hannah Matoko Amirazodi aguardam ansiosos pelo segundo dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Primeira brasileira de uma família de refugiados, Hannah sonha com uma vaga no ensino superior do país onde nasceu.

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Amirazodi é iraniano, ele fugiu da guerra entre Irã e Iraque, nos anos 80, e mora no Brasil há 24 anos. Já no país, conheceu sua mulher, também refugiada, mas vinda de Angola, na África. O encontro do casal aconteceu graças à Caritas, organização até hoje responsável por receber os refugiados no Brasil.

- Temos três continentes na família. É uma globalização dentro de casa - brincou Amirazodi.

Depois que chegou ao Brasil, Amirazodi se converteu ao cristianismo e hoje trabalha como missionário no Porto do Rio. A emoção de conseguir proporcionar ensino de qualidade para a filha mais velha é grande e ele quer garantir todas as possibilidade para Hannah.

- estamos vendo todas as possibilidades. Se ela não passar aqui, meu irmão mora nos Estados Unidos e ela tem uma tia na França. O ensino superior é prioridade é o que podemos fazer, temos que fazer - disse.

Hannah mora na Usina e estuda na escola Batista. Aos 17 anos, ela toca violino há oito e pensa em cursar música ou fisioterapia. Depois de um primeiro dia de mais nervosismo, a menina está mais ansiosa hoje para saber o tema da redação.

- meu palpite é que caia algo relacionado ao meio ambiente ou política. eu nunca tinha feito a prova então ontem estava bem nervosa na hora que fiquei esperando para entrar. Depois durante a prova, fiquei menos nervosa do que esperava - contou. - caíram muitas coisas que eu sabia porque tinha acabado de ver no colégio.

Orgulhoso, Amirazodi vai ficar com a filha esperando ela entrar na prova e apoia as escolhas da filha.

- o propósito é servir a sociedade e a si mesmo, não importa a profissão.

(webremix.info)


Egberto Gismonti abre Festival Villa-Lobos com orquestra só de mulheres

RIO - Egberto Gismonti compôs, há cerca de dez anos, “Sertões veredas — Tributo à miscigenação”, uma suíte de 70 minutos de duração inspirada no universo de Guimarães Rosa. Quando quis gravar o diálogo entre referências que vão de Stravinski e Beethoven aos gêneros sertanejos, passando obviamente por Villa-Lobos, o compositor pensou que deveria fazer isso no Brasil. Ele conta que não conseguiu (“Faltava ou técnica ou a percepção do que era aquela música”, lembra). Fora do país diz ter encontrado o mesmo problema:

— Até que meu amigo Leo Brouwer (compositor cubano) me disse: “A melhor orquestra de música brasileira está em Cuba”. Ele falava da Camerata Romeu (orquestra cubana formada apenas por mulheres, criada e regida pela maestrina Zenaida Romeu). E tinha toda razão, o que percebi na primeira leitura delas de “Sertões veredas” (lançada em 2009, num dos discos do álbum duplo “Saudações”). Havia num momento uma expressão muito usada por Villa-Lobos, passada a ele por Mário de Andrade. E elas leram aquilo com enorme brasilidade. Elas têm toda a informação europeia profunda vinda da relação com a antiga União Soviética, e ao mesmo tempo têm uma munheca que conhece as cadências, os ritmos da América Latina.

Gismonti e a Camerata se reencontram nesta sexta-feira, às 20h, na Sala Cecília Meireles, para a abertura do Festival Villa-Lobos, no qual ele é o grande homenageado (veja outros destaques abaixo; a programação completa, que se espalha pela cidade, está no site festivalvillalobos.com.br). A apresentação de hoje terá ainda a participação da violinista Ana de Oliveira e do clarinetista José Batista Júnior. Juntos, eles mostram, além de quatro movimentos de “Sertões veredas”, outras músicas do repertório do compositor de 68 anos, como “Forrobodó” e “7 anéis”. O concerto se repetirá em Santos (dia 8) e em São Paulo (dia 10).

No ensaio para o encontro, num estúdio do Cosme Velho cercado de vegetação da Mata Atlântica, o entendimento entre Gismonti, a maestrina Zenaida e as 16 instrumentistas da Camerata Romeu é evidente. O compositor interrompe poucas vezes, com observações específicas sobre acentuações e cadências, e tem resposta imediata da orquestra. As peças, complexas, seguem com uma fluidez que leva Gismonti a brincar (“Essas músicas são coisa de criança”) e a se dedicar a explicar à orquestra, antes de tocarem “Forrobodó”, a possível origem da palavra “forró” (os bailes “for all” promovidos por militares americanos instalados no Nordeste na época da Segunda Guerra).

— O forrobodó é quando o sujeito vai ao forró e fica meio “borracho” (bêbado, em espanhol) — diz, para o riso das instrumentistas, que sinalizam que estão ansiosas pelas caipirinhas brasileiras. — Ah, essa é a Camerata de que eu gosto. Vamos tomar umas talagadas antes de tocar essa, senão não fica “Forrobodó”.

Fora do ensaio, Gismonti diz que se sente muito à vontade no diálogo com a Camerata Romeu — e explica o porquê:

— Conheço Cuba muito bem. Visitei o país pela literatura, por sua arte naïf, por sua música, além de ter rodado as cidades. Então falo com elas com muita proximidade, como quando disse no ensaio, para explicar um ritmo: “Vocês se lembram dos tambores de Matanzas? É aquilo”. E elas entendem de cara. E podemos brincar muito porque a Camerata tem técnica e segurança para isso. No palco, elas não usam partitura para nada. Acho isso fantástico, porque, quando você decora algo, aquilo passa a ser seu.

“REPERTÓRIO DE SEGUNDA CLASSE”

Criada em 1993 como a primeira orquestra de cordas feminina da América Latina, a Camerata Romeu se afirmou — mais do que pelo ineditismo da formação feminina — pela atenção ao repertório latino-americano, sobretudo cubano.

— Quando começamos, sofremos muito preconceito por sermos uma orquestra voltada para a música latina, considerada um repertório de segunda classe — conta Zenaida. — Tocamos compositores europeus, norte-americanos, mas nossos pressupostos eram conhecer e nos aprofundar nos valores da cultura latino-americana.

A relação de Zenaida com a música de Gismonti é bem anterior a “Sertões veredas”, lembra a maestrina:

— Em Cuba, todos os músicos de vanguarda conhecem Gismonti, as ideias que ele provoca. Minha aproximação com ele se deu por “Homenaje a Gismonti”, composta por Arturo Márquez. É uma peça que usa os procedimentos de Gismonti, seu pensamento, mas numa música mexicana. Quando eu o conheci, a Camerata a tocava. Eu o presenteei com a partitura que usava. No dia seguinte, ele já tinha estudado a partitura e deu seu aval à composição, como que dizendo que Arturo tinha entendido sua música.

No encerramento do Festival Villa-Lobos, no dia 15, Gismonti volta à Sala Cecília Meireles ao lado do Duo a Zero (de seu filho, Alexandre Gismonti, e Jean Charnaux), de Daniel Murray e da Orquestra Corações Futuristas. Afeito ao encontro, o compositor chama a atenção para o fato de sua música carregar essa abertura em si. Como exemplo, lembra que sua “Bodas de prata” foi gravada em contextos diversos, por intérpretes como Sarah Vaughan, Wayne Shorter, Yo-Yo Ma e Martha Argerich.

— E de 90% dessas gravações eu participei, tocando praticamente do mesmo jeito — diz, antes de comentar a afinidade com a Camerata Romeu. — Elas têm uma facilidade de compreensão muito ampla do pensamento rítmico brasileiro.

Zenaida nota o “tronco comum”, a presença do negro. Gismonti rebate que há, unido a isso, um desejo de olhar para dentro da própria cultura:

— É difícil encontrar isso na África, que está cheia de franceses e alemães que valorizam a linguagem europeia. Nós nos entendemos, apoiados sobretudo na melhor definição que existe para a música: ela tem que dar a quem ouve a esperança de que a vida vale a pena.

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Perfil Marcelo Crivella: Metamorfose para tentar se descolar da igreja

RIO — Arroz branco. Do tipo que chega à mesa com o fervor da panela. Companheira de Marcelo Crivella há 40 anos, sendo 36 deles de casamento, Sylvia Jane assegura que esse é o prato que não pode faltar à mesa da família, num apartamento do condomínio de luxo Península, na Barra da Tijuca. Acrescenta que o candidato do PRB à Prefeitura do Rio “já foi de massa”. Adora frutas e aprecia músculo com agrião.

Jornalistas lembram do gosto do senador por almoços no Laguiole, no MAM, opção frequente de executivos. “Adega premiada (...), chefe revelação”, apregoa o site do restaurante. Escolhas ecléticas nas preferências de um senador e bispo licenciado descrito por amigos como um agregador, capaz de juntar gente com perfis de ecletismo maior ainda.

O que não varia ou muda, a despeito do esforço para se distanciar em campanha, é a ligação com a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). Quando em 1997 entoava “O Perfume Universal que nunca vai acabar”, um dos versos da música que dá nome ao seu primeiro CD, o que Crivella não poderia imaginar é que, passadas quase duas décadas, a canção soaria tão atual.

Perfis

Por mais que reafirmasse em campanha nunca ter sofrido “nenhum tipo de influência de grupos ou líderes religiosos” (texto de seu site oficial), a Universal é onipresente em sua trajetória.

Marcelo Crivella nasceu filho de católicos, em Botafogo, em 9 de outubro de 1957. Mas se tornou evangélico aos 6 anos. Filho único, encontrou na Igreja Metodista apoio para a crise no casamento dos pais, Eris Bezerra Crivella e Mucio Crivella.

Entrou para o Exército na juventude, foi motorista de táxi para financiar os estudos em engenharia. Casou-se com Sylvia Jane, que conheceu na Igreja Pentecostal da Nova Vida. Com ela, desde então, compartilha a convicção religiosa e a vida. Formou-se engenheiro. Sempre firme em sua fé. O fervor religioso já estava lá quando o tio Edir Macedo fundou a Universal em 1977. Nesta, Crivella ingressou, progrediu, se tornou bispo e depois veio a aposta de um projeto político.

Sylvia Jane, com quem Crivella teve três filhos e dois netos, conta que, quando o marido ingressou na política, ela não gostou da ideia de imediato. Depois, diz ter percebido que a política poderia “amplificar”, em suas palavras, “o bem que ele queria fazer”.

Num vídeo no YouTube gravado num encontro com membros da Assembleia de Deus do Rio de Janeiro, provavelmente em abril de 2011, Crivella revela que virou senador em 2002 não por desígnio divino ou vontade própria. E sim por determinação da Universal. Em outro vídeo, de data indefinida, ele defende a importância de um projeto político para os evangélicos e afirma que ainda elegerão um presidente para “trabalhar por nós e nossas igrejas”.

“Devido à repercussão da Fazenda Canaã, fui desta vez enviado para a política. Confesso que naquele instante fiquei triste. Aceitei porque na Igreja Universal você não tem opção. Na Igreja Universal (...) você vai, tem que ir.(...) Segundo ele, percebeu depois de eleito senador a importância da missão que recebera e viu que “estava equivocado”.

A Fazenda Canaã, um projeto social em Irecê, na Bahia, se seguiu aos cerca de dez anos que Crivella passou na África, onde fundou sucursais da Universal. Lá também escreveu “Evangelizando a África (lançado em inglês em 1999, com o título Mutis, Sangomas and Nyangas: Tradition or Witchcraft?”). Hoje esgotado, o livro foi lançado pela Universal no Brasil em 2002.

Álbum de família: Marcelo Crivella

Nele, Crivella afirma que a Igreja Católica e outras denominações cristãs “pregam doutrinas demoníacas”, diz que a Nossa Senhora católica é venerada como “deusa protetora” e que os cultos africanos abrigam “espíritos imundos”.

No mesmo livro, revelado pelo GLOBO, o então missionário considera a homossexualidade “terrível mal” e “conduta maligna”. Após a publicação da reportagem, Crivella pediu perdão pelas colocações “equivocadas” e “extremistas”, “frutos do zelo imaturo da fé” de um jovem missionário. Ele tinha 42 anos. No mesmo ano de lançamento de seu livro no Brasil, foi eleito senador pela primeira vez. Em 2010, foi reeleito para mandato de 2011 a 2019.

Em 2012, com 55 anos, o senador já não tão jovem assim, em outro vídeo (retirado do YouTube em 21 de outubro), voltou a falar da homossexualidade. Desta vez, os gays não teriam mais “conduta maligna”. No vídeo, diz que os homossexuais merecem compreensão porque podem ser resultado de uma tentativa de aborto malsucedida.

Em 2014, na disputa que acabou por perder para Pezão ao governo do Estado do Rio, Crivella mudou o discurso. Dizia ter uma “parente gay” e que respeitava a decisão dela. Na atual campanha (Crivella já foi derrotado outras duas vezes na postulação a prefeito, em 2004 e 2008; e outra em 2006 para governador), foi adiante. Se reuniu com integrantes de movimentos LGBT e se disse favorável à união civil de homossexuais.

Amigos da vida pública, que preferem não se identificar, dizem que Crivella mudou. Um deles afirma não o ver mais como um evangélico extremista. E sim, uma pessoa bem humorada. “Um fanático religioso não poderia ser uma pessoa tão bem humorada. Fanáticos são pessoas em eterna insatisfação”, diz ele, que prefere não se identificar.

Fanático ou não, a fé dá lugar à razão quando o assunto é criacionismo. Ou seja, a rejeição da Teoria da Evolução — um dos pilares da ciência e base da moderna biologia —, fundada em convicções religiosas.

Em 2 de fevereiro de 2009, na tribuna do Senado, ele fez um pronunciamento em que questionava como poderia aceitar a Teoria da Evolução se sequer um fóssil que fosse “metade anfíbio e metade ave ou peixe” tivesse sido descoberto.

Mas Crivella é um político profissional que sabe negociar e tem buscado aliados fora do eixo da Universal. Exemplo é o convite ao cientista político Cesar Benjamin, intelectual de esquerda e ateu, para ser secretário de Educação, caso eleito. Crivella e Benjamin se conheceram em 2007, quando o senador pediu ao cientista que organizasse um curso sobre política.

Benjamin montou um painel sobre História do Brasil. Desde então, colaboraram outras vezes, como no texto do projeto que virou lei e proíbe a polícia de atirar em quem esteja em fuga, a não ser nos casos em que o fugitivo coloca em risco a vida de outras pessoas. (Lei 13.060/14, que disciplina o uso de armas pela polícia).

Quem acompanha o senador menciona a organização na vida diária e os cuidados com a boa forma. A mulher lembra que ele sempre foi atleta e gosta de praticar atividade física. Nem que seja, quando não há tempo, fazer caminhadas pelo condomínio da Barra onde moram. Lá, o senador é popular, conhecido por todos, e as caminhadas, não raro, são interrompidas por conversas com vizinhos e funcionários das lojas do pequeno comércio local.

O cuidado físico se associa à vaidade. Há poucos dias, a esposa do senador revelou num programa de TV que ele fez aplicação de botox para se livrar de inconvenientes pés de galinha.

O senador também é conhecido pelos comentários espirituosos, a capacidade retórica e a facilidade de se aproximar de qualquer pessoa — características da trajetória de pastor e depois, de bispo.

CANTOR E COMPOSITOR GOSPEL

A vida religiosa legou ainda a carreira paralela de cantor e compositor gospel. E dos mais bem-sucedidos do país, segundo ele próprio, que afirma custear seus projetos sociais com a venda dos CDs. O mais recente é “Deus vê”, de 2016. Senador, bispo licenciado e cantor, ele já lançou 14 discos. Alguns polêmicos, como a homenagem ao tio bispo Macedo em 1998, no CD “Como posso me calar?”. Macedo fora preso acusado de charlatanismo. Passou 11 dias atrás das grades, mas o caso acabou arquivado.

Do mesmo CD é a canção “Um chute na heresia”. Nela ironiza o episódio em que o então bispo da Universal Sergio Von Helde, num programa da TV Record, em 1995, chutou uma imagem de Nossa Senhora de Aparecida e disse que era um boneco feio, horrível e desgraçado. “Se ela é Deus, ela mesmo me castiga”, diz a letra da canção de Crivella. O senador não comentou o episódio com a imagem. Mas pediu perdão a católicos e a outros grupos religiosos. Também repetiu ter deixado a intransigência religiosa e não se orientar pelos interesses da Universal.

Porém, a religião continua a pautar sua vida no entender de pesquisadores. O bordão de campanha “Chegou a hora de cuidar das pessoas” traduz valores que se adequam à religião e remetem à caridade e à bondade tão caras à pregação das igrejas, afirma o cientista político e professor do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF) Pedro Heitor Barros Geraldo:

— A estratégia atual do Crivella naturaliza o fato de que as pessoas precisam de um cuidado tutelar a partir de uma retórica que cabe bem na religião, sugere o bordão da campanha.

O pesquisador é autor do estudo “O senador e o bispo”, no qual analisa a estratégia política de Crivella na eleição de 2004. Hoje, ele diz que as maiores mudanças são na sociedade e não no próprio Crivella:

— O que se transformou foi o contexto político. Na eleição de 2004, a mistura entre religião e política seguiu o enredo da “guerra santa”. Isto é, o uso da religião na política era negativo. No momento, o uso da religião não é percebido negativamente pela sociedade.

De acordo com ele, a religião é vista como uma forma de veicular mensagens políticas e dar visibilidade à reivindicação de reconhecimento por direitos. O espaço de tolerância a essa forma de ação de diferentes grupos religiosos é um pouco maior.

— A religião aparece como um elemento importante nas formas de socialização política dos eleitores. A mistura entre política e religião tem outros contornos e mais aceitação — observa o professor.

E acrescenta que mudou o discurso de Crivella, que ficou mais sofisticado, mas não os interesses. Segundo Geraldo, valores da religião foram incorporados a um discurso secular.

— Crivella é um político profissional competente, bem-sucedido. Tornou uma retórica religiosa numa narrativa secular, o que é um artefato da política profissional. Ele carrega uma ambivalência entre secularismo e religião. Na verdade, o senador nunca se distanciou do bispo.

(webremix.info)


Livro organizado por Crivella sustenta que mulher seja submissa ao marido (webremix.info)


Divisor de águas, ‘Os Afro-sambas’ completa 50 anos cheio de frutos

RIO - “Essas antenas que Baden tem ligadas para a Bahia, e em última instância para a África, permitiram-lhe realizar um novo sincretismo: carioquizar, dentro do espírito do samba moderno, o candomblé afro-brasileiro, dando-lhe ao mesmo tempo uma dimensão mais universal.” O texto do poeta Vinicius de Moraes para a contracapa do LP sintetiza tudo o que ele e o violonista Baden Powell se haviam proposto em “Os afro-sambas”: dar uma sacudida naquela música brasileira que tinha ficado mais branca e comportada com o advento da bossa nova. Links Afro-sambas

Gravado ao vivo entre os dias 3 e 6 de janeiro de 1966, num estúdio no porão de um prédio no Centro, alagado pelas chuvas torrenciais que tinham castigado o Rio de Janeiro pouco antes, o álbum atravessou décadas e reviravoltas na MPB, mas sua mensagem continua a ser escutada por músicos mais jovens até que o LP. Eles são parte de um contingente de ouvintes que aguarda, para a segunda quinzena de novembro, a primeira reedição em vinil dos “Afro-sambas”, a ser feita pelo Noize Record Club, uma revista-selo de Porto Alegre.

— Naquele disco, o Baden inaugurou um estilo de violão mais modal, usando riffs nos espaços dos acordes. Isso tem uma força pop, de comunicação, graças ao poder mântrico do ritmo — explica um grande apreciador dos “Afro-sambas”: o cantor e compositor Rodrigo Campos, sensação da nova cena da MPB paulista com o disco “Bahia fantástica” (de 2012). — Já o Vinicius pegava aquela referência do candomblé, que era de certa forma distante para ele, e escrevia de uma forma aberta, com metáforas sobre o amor e a existência. Ele transformou os orixás em algo poético e universal.

— Esse disco é um divisor de águas do violão brasileiro. Baden se aproximou das raízes negras da música brasileira e tocou de uma maneira vigorosa, mas com um rigor nunca antes visto — analisa o bandolinista Hamilton de Holanda, que se inspirou nos “Afro-sambas” para realizar o disco e show “Bossa negra” (2014), ao lado do cantor Diogo Nogueira. — O tipo de linguagem harmônica e rítmica que o Baden revela nesse disco é algo único, que ainda não tinha sido feito. Ele põe o samba em um outro contexto, depois da modernização da bossa.

Saxofonista, compositor, arranjador e um dos grandes renovadores da música da Bahia (e do Brasil) com a Orkestra Rumpilezz, Letieres Leite diz que a incontestável contribuição de “Os afro-sambas” para a MPB é a divulgação da música africana ligada à religião, “principalmente, por conectá-la com o ambiente da bossa nova, em evidência na época”.

— Aquele é um disco essencial pelo seu conteúdo, não tanto na conexão fidedigna com os toques sagrados, mas muito mais por aproximar-se dos arquétipos dos orixás nas letras e por expor as informações estéticas de matriz africana para o centro da música brasileira, para todos — discorre Letieres.

E a influência dos “Afro-sambas” chega até a Abayomy Afrobeat Orquestra, grupo carioca que busca aclimatar no Brasil a revolução do afrobeat: mistura de funk, jazz e música tradicional africana gestada na Nigéria, nos anos 1970, pelo saxofonista Fela Kuti. Para Alexandre Garnizé, percussionista e um dos idealizadores da Abayomy, o disco de Baden e Vinicius é uma referência tanto de poesia quanto da diáspora às avessas, “que é quando você vai buscar as suas origens”:

— Acho que, sendo relançado agora, esse trabalho garante ainda mais a visibilidade das raízes africanas, sejam elas bantus, haussás, igbos e iorubás. A mãe é a mesma, e continua a amamentar o mundo inteiro com histórias e músicas.

Prestes a lançar “Canto de Marajó”, disco que bebe nas águas dos “Afro-sambas”, o cantor e compositor carioca Alvaro Lancellotti pede uma especial atenção para as melodias simples, de inspiração africana, do LP de 1966.

— Passei muito tempo da minha adolescência no baile funk do Chapéu Mangueira. É fácil entender hoje como o funk saiu do miami bass e foi parar no maculelê — diz ele, que é grande apreciador também da regravação do repertório dos “Afro-sambas” feita em CD por Baden Powell em 1990 (ou seja, dez anos após a morte de Vinicius). — O disco original é meio tosco, na regravação o violão chega mais limpo.

Se, para Lancellotti, a crueza do registro original (feito de forma a manter a ambiência de uma festa, inclusive com a participação afetiva de amigos de noitada de Vinicius, como a atriz Betty Faria, cuja voz grave e sensual é ouvida no “Canto de Ossanha”) pode ser uma espécie de ruído na comunicação, para Rafael Rocha, diretor de criação do Noize, ela é “uma opção estética”. E será mantida no LP, que está sendo relançado na versão mono, original, e não na estéreo, da remasterização para o CD:

— Tentamos fazer o LP da melhor forma que podíamos, sem perder a essência do trabalho.

O disco de Baden Powell e Vinicius de Moraes é o primeiro relançamento histórico do Noize Record Club, um sistema de assinatura que já editou com exclusividade, para seus sócios, LPs do grupo gaúcho Apanhador Só, da Banda do Mar (de Marcelo Camelo, Mallu Magalhães e Fred Ferreira), de Curumin, Otto e Tulipa Ruiz.

Além dos LPs produzidos em tiragens limitadas (serão 1.500 cópias do “Afro-sambas”, algumas das quais irão para venda avulsa), os assinantes recebem em sua casa um kit com uma edição especial da revista “Noize” impressa, direcionada à temática do disco lançado. Em conjunto, as famílias de Vinicius de Moraes e de Baden Powell (morto em 2000) fizeram o convite aos gaúchos para reeditar o trabalho em LP.

— Esse é um dos discos emblemáticos da música brasileira, algo novo que veio do encontro entre Vinicius e Baden. Eles estavam à frente da bossa nova — diz Georgiana de Moraes, filha de Vinicius. — E é um disco que tem despertado uma curiosidade muito grande entre o pessoal mais novo. Júlia e João Pedro (sobrinhos de Georgiana, netos de Vinicius) sempre me falam dele. E tem uma versão do “Canto de Ossanha” de um grupo novo de rock, Os Dentes, que é muito boa.

— “Os Afro-sambas” é um marco da música brasileira, e o Baden tinha um carinho muito grande por esse repertório. Baden chegou a ir a um pai de santo em Caxias para pedir permissão para fazer homenagem aos orixás. A intenção que ele e Vinicius tinham era a de fazer uma música requintada, mas que pudesse chegar ao povo. É importante que esse disco estivesse de volta, para que as novas gerações pudessem ouvi-lo. — conta Silvia Powell, viúva de Baden:

— Essa coisa de mais tarde o Baden ter ido para uma outra religião até morrer (no fim dos anos 1990, ele se tornou evangélico e passou a não cantar a obra que reverenciava os orixás — e nem falar deles) durou pouco. A obra se mostrou muito mais forte do que a religião. Tenho certeza de que, se estivesse vivo, hoje ele teria voltado não só a tocar essas músicas como também a cantá-las.

Na ausência de Baden Powell, quem segue tocando os “Afro-sambas” no violão é o seu filho, Marcel Powell. Na noite de anteontem, coincidentemente, ele acompanhou, em show no Teatro da UFF, na música “Tristeza e solidão”, o mesmo Quarteto em Cy que participou das duas gravações do disco, de 1966 e 1990.

— Lá na Bahia, a gente sempre ouviu os cânticos do candomblé. Foi incrível como o Vinicius se inspirou naquilo e escreveu aquelas letras. Em 1966, nós éramos quatro idiotas cantando aquelas coisas fortíssimas — conta Cynara Faria, uma das irmãs fundadoras (e até hoje integrante) do Quarteto em Cy (que Vinicius insistiu para ter no disco, e que deve voltar em 2017 aos “Afro-sambas”). — Não teve ensaio, a gente foi aprendendo as músicas na hora. Em geral, nas gravações, nós abríamos vozes, ali foi quase tudo em uníssono, como o canto afro tem que ser. A gente vinha da bossa nova, que era mais poética, e de repente teve aquela porrada. A Bahia nos chamava para um outro lugar, um lado que a gente nem sabia que tinha, e que era tão forte. Na verdade, todo mundo tem um santo dentro de si, não importa se é umbandista, católico ou evangélico.

(webremix.info)


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