A begena (ou bégana) é um alaúde de caixa com 10 cordas originário da Etiópia e da Eritreia. Seu nome significa « harpa de Davi » na tradição etíope, pois atribui-se uma origem bíblica ao instrumento — supostamente trazido para a Etiópia pelo rei Ménelik Ier, filho do rei Salomão e da rainha de Saba.
Construção
A begena é fabricada a partir de um bloco de madeira escavado, com uma caixa em formato de invólucro retangular. As cordas eram tradicionalmente feitas de nervos de animais, mas hoje em dia frequentemente utiliza-se intestino ou cordas metálicas. O instrumento é afinado em terças e possui duas faces de cordas, o que permite criar padrões rítmicos complexos característicos da música malgaxe e etíope.
História e uso
A begena é o instrumento da aristocracia e do clero etíopes. Ela é tradicionalmente tocada durante cerimônias religiosas e espirituais, particularmente no âmbito do zema, a música sagrada da Igreja ortodoxa etíope. Os padres e os nobres apropriam-se dela para acompanhar cantos religiosos de uma profundidade espiritual notável.
A begena difere da krar, alaúde menor com 5 cordas utilizado pelo povo lay, que toca música profana.
Músicos notáveis
- Mulatu Astatke — pioneiro do ethio-jazz, por vezes integra a begena em seus arranjos
- Getatchew Mekuria — saxofonista e cantor etíope que explora a música tradicional