Bandas e Artistas de Kizomba

País : Cabo Verde Angola

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Notícia : Bandas e Artistas de Kizomba

Torcida canarinho. Angolanos que moram no Complexo da Maré, no Rio, vibram com o primeiro gol de Neymar, na partida entre Brasil e Camarões - Fabio Rossi

RIO — A Copa dos feitos inéditos alcançou também a África. Pela primeira vez na história do Mundial, duas seleções do continente vão disputar as oitavas de final. Costa do Marfim, Camarões e Gana voltaram para casa. Mas Nigéria e Argélia seguem na competição, para deleite de torcedores dos dois lados do Atlântico. Que o diga a colônia angolana no Brasil, animada com a possibilidade de torcer tanto pela seleção pentacampeã do país onde vive quanto pelos vizinhos que deixaram para trás. No Censo 2010, o IBGE contabilizou 431.319 habitantes estrangeiros. Da África, vieram 15.133 (3,5% do total). Só de Angola são 6.444, disparado o maior contingente.

— O Brasil foi o primeiro país a reconhecer a independência de Angola, em 1975. Vemos o Brasil como país irmão. Por isso, tantos angolanos migram para cá — explica Morais da Costa, vendedor de 35 anos, há 13 no Rio.

Segunda-feira passada, dia de Brasil e Camarões, um animado grupo, Costa entre eles, se reuniu para assistir à partida num bar da Vila do Pinheiro, na Maré. Por razões que ninguém sabe explicar, o conjunto de favelas aninhadas entre a Avenida Brasil e a Linha Vermelha concentra imigrantes de Angola. Há quem fale em três mil, espalhados por Vila do Pinheiro, Nova Holanda e Praia de Ramos, três das 16 comunidades.

Desde abril, a região está ocupada pelas Forças Armadas, em fase que antecede a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora do governo fluminense. O vaivém de caminhões militares e soldados armados não intimida a turma. Os angolanos torcem.

Quem organiza a kizomba é Celso Marcos Miranda, dono de um bar na esquina das ruas B3 e C11. Fidel, apelido dado ao comerciante pelos arroubos autoritários do líder cubano, arruma mesas e cadeiras em frente a um telão, em plena via. Aos poucos, vão chegando os compatriotas, moradores ou não da Maré. O ritual está se repetindo em todos os jogos do Brasil. Quando reunidos, a preferência é pelo time comandado por Luiz Felipe Scolari.

— É mais fácil torcer pelo Brasil. A gente faz festa no meio da semana, porque é feriado nos dias de jogo — diz Fidel, há 18 anos no país. Desde que chegou, ele nunca voltou a Angola. É casado com uma brasileira, Maria da Penha, tem três filhos e dois enteados.

Mas não falta empolgação pelas equipes africanas. Fernanda Fernandes, no Rio há 14 anos, torceu pelos países do continente em todos os jogos. Na partida contra Camarões, escolheu o Brasil, porque o time de Samuel Eto’o já entrou em campo eliminado.

— Torço pelo Brasil e pelas seleções africanas, inclusive a Argélia. É África branca, mas é África — dispara.

Há muito de afirmação das origens na escolha dos angolanos. As referências à Argélia sugerem que afinidades geográficas se sobrepõem às raciais. Eles deixaram a terra natal para fugir do alistamento militar ou buscar melhores condições de vida longe da instabilidade que tomou Angola durante a guerra civil. O conflito se arrastou, com poucos intervalos, de 1975 a 2002. À Maré, a maioria chegou nos anos 1990. Foi o caso do motorista João Luis, que desembarcou no Brasil em 1996:

— Vim para não ser obrigado a ir para a guerra. Agora, formei família (tem duas filhas) e me apeguei ao Brasil. Mas na Copa é bom ver os times africanos.

Naquela segunda-feira, poucos angolanos da Maré alimentavam esperança de ver um time africano nas oitavas de final. A seleção de Camarões chegava à terceira partida desclassificada. Na terça, Costa do Marfim sairia da disputa no último minuto, com gol de pênalti da Grécia. Na quarta, mesmo derrotada pela Argentina, a Nigéria avançou. Na quinta, Gana caiu, Argélia ficou.

João Paulo Bento, analista de sistemas de 35 anos, 22 deles no Brasil, torcia por Camarões no 23 de junho. Pura nostalgia pelo futebol bonito, que levou a seleção às quartas de final da Copa de 1990, pelos pés de Roger Milla, até hoje ídolo no continente. Depois disso, só Gana igualou a marca, em 2010, no Mundial da África do Sul.

— Mesmo tendo certeza que vão perder para o Brasil (o placar foi 4 a 1, com dois festejadíssimos gols de Neymar), vou torcer por Camarões. Os times não estão bem, mas a África precisa de união. Até pela Argélia eu torço. Mas quando o Brasil joga, fico com a seleção.

Hoje é dia.

Source : Globo Online | 2014-06-28 11:00:00.0

RIO - Há pouco mais de um mês, Antônio Pitanga virou-se para a mulher, Benedita da Silva, passou o braço em torno de sua cintura, deu um cheiro no cangote e fez uma proposta simples como as boas marchinhas de carnaval: neste ano, seria ele pra lá, e ela pra cá, até quarta-feira:

— Eu sou do carnaval e ela é da Igreja. Eu sou o pecado e ela é a cura. No dia em que não existir mais o pecado, qual o sentido de tanta reza? — tenta explicar Pitanga, casado com Benedita há 25 anos. — Um completa o outro, casamento bom é assim.

Antônio Pitanga agora está enfiado entre as grades da concentração das escolas de samba do grupo de acesso, sexta-feira de carnaval, meia hora antes do desfile da Paraíso do Tuiuti. Ele veste uma roupa totalmente branca, com um colar de contas marrons e um chapéu de padrão étnico que um desavisado poderia traduzir simplesmente como “de oncinha”. É uma representação de Zumbi dos Palmares para a reedição do enredo “Kizomba, a festa da raça”, com que a Vila Isabel faturou o título em 1988. Em frente à concentração, o povo do edifício Balança Mas Não Cai grita seu nome e acena. Pitanga acabou de passar pelo Sem Rival, bloco que sai (mas não sai) em frente ao Teatro Rival, na Cinelândia, antes de desembocar na Sapucaí. Está feliz da vida. O carnaval estava apenas começando e — pior para Bené — vai até o próximo dia 23.

A partir de sexta que vem, começa o “Carnaval en San Luis”, na Argentina. Pitanga (com sua produtora, Ganga Zumba) é o organizador do evento, que já vai pra sua sexta edição. Ele é encarregado de juntar os componentes das escolas de samba cariocas e levá-los para a cidade argentina situada a 800 km de Buenos Aires, perto de Mendoza. Saindo de ônibus do Rio, são 55 horas de estrada. Mil e quinhentas pessoas, fora as bagagens, as fantasias, os instrumentos e um número incalculável de garrafas escondidas no porta-malas. A divisão dos componentes pelas escolas é democrática: o casal de mestre-sala e porta-bandeira de uma, a bateria de outra, o puxador de uma terceira, e por aí vai. Depois é alojar, alimentar e — ai, caramba — tomar conta dessa gente toda. Um trabalho do cão.

— No início, os presidentes das grandes escolas não queriam colaborar, diziam que ia dar merda — explica Pitanga, que começou a elaborar o projeto quando recebeu o sinal verde do prefeito da cidade portenha, um fã entusiasmado do carnaval carioca. — Depois eles perceberam que só têm a lucrar com o evento. A escola recebe um pagamento, que é distribuído aos componentes, e vê o nome levado para o exterior.

Do tango ao samba

O evento na Argentina — ao contrário da previsão inicial dos chefões das escolas — tem sido um sucesso. O povo da cidade adotou a ideia e, para este ano, as escolas do Rio receberão o auxílio de mil componentes treinados por lá. Eles desfilam por uma passarela que tenta reproduzir o Sambódromo carioca. Pitanga diz que a fase pré-desfile, em que são ministradas aulas de percussão, é o melhor momento do evento. Ele gosta de ver o pessoal acostumado ao ritmo do tango cair no samba. Gosta mais ainda de realizar algo em que poucos acreditavam.

— Eu nunca conjugo o verbo “não posso”. Eu posso qualquer coisa. Eu deixo o “não” para os outros usarem, se tiverem coragem — diz o ator, filho de lavadeira, que ficou chocado com a imagem do menino negro, nu, acorrentado no poste no Flamengo, no fim de janeiro. — Aquilo me deu medo, é a barbárie. Me lembrei de quando era garoto e em Salvador 90% dos negros levantavam no bonde para deixar o branco sentar. Eu nunca me levantei.

Antônio Pitanga deu as caras no cenário nacional com “Bahia de Todos os Santos”, dirigido por Trigueirinho Neto, em 1960. O filme o batizou no cinema e na identidade: Pitanga era o nome de seu personagem. Até aí, assinava como Antônio Sampaio, mesmo nome que consta também dos créditos de “Barravento”, primeiro longa de Glauber Rocha. Ali ele jogava capoeira, brincava na areia, fazia charme e se espremia entre as belezas de Helena Ignez e Luiza Maranhão. O filme o lançou direto para a fama e, de quebra, para o Rio de Janeiro.

No Rio, já era simplesmente Pitanga. Por aqui viu o Salgueiro mudar o rumo do carnaval com “Xica da Silva” em 1963, morou no Solar da Fossa, zanzou pela Mangueira (onde conheceu Cartola e Carlos Cachaça), se enfiou na passeata dos cem mil, se meteu no primeiro desfile da Banda de Ipanema, foi ver o Flamengo no Maracanã, cantou com Nara no Opinião e fez política no CPC da UNE. Namorou umas cem. Nas horas vagas, emendou um filme depois do outro. Fez “O pagador de promessas”, “Ganga Zumba”, “Os fuzis” e por aí foi. Atuou, no total, em 58 filmes. O último deles foi o belo “Receberia as piores notícias dos seus lindos lábios”, de Beto Brant. Ao seu lado, a filha Camila Pitanga.

— Meu pai é um filme sem roteiro, glauberiano, livre. Ele construiu uma narrativa mitológica própria, gosta de seduzir. Além de ser uns dez anos mais novo do que eu — ri a atriz, filha do casamento de Pitanga com a atriz Vera Manhães, e que ficou sob a guarda do pai, junto ao irmão Rocco, após a separação do casal. — Ele foi “pãe”, pai e mãe ao mesmo tempo. Cozinhava, passava roupa e ainda arrumava tempo para o trabalho de ator. Segurou uma barra pesada.

História, política e religião

A admiração da filha pelo pai resultou no projeto “Pitanga”, documentário que prepara em parceria com Beto Brant. O filme será centrado em sua carreira no cinema. O Pitanga artista inquieto, ativista, libertário, presente nos principais momentos do cinema brasileiro nos últimos 50 anos. O filme vai se juntar a outros dois tocados pela Ganga Zumba: um sobre a revolta dos malês, negros muçulmanos em Salvador no século XVI, e um roteiro sobre Dom Obá, o escravo que lutou na Guerra do Paraguai e se tornou confidente de D. Pedro II. Em qualquer das frentes, a mistura dos interesses do ator: história, política e religião.

— Em matéria de religião eu joguei nas onze. Quando era garoto, ia no terreiro de Mãe Menininha. Ela gostava muito de mim. Dizia “Entra, Antônio, vem, meu filho”. Eu entrava, comia a comida boa de lá, dormia um pouquinho e namorava à beça. Sempre teve nega bonita nos terreiros da Bahia.

São mais ou menos 2h30m da manhã e a Tuiuti se prepara para fazer a curva e entrar na avenida. Os diretores de harmonia tentam juntar o povo que irá na parte de cima do carro que representa o Quilombo de Palmares, o último da escola. A maior parte ali é formada por atores e atrizes que estiveram no desfile da Vila Isabel, 26 anos atrás. Na parte de trás do carro, uma mulher segura uma latinha de cerveja enquanto, impaciente, tenta encaminhar a turma pra cima aos gritos de “artistas no alto, artistas no alto”. Antes de subir, Pitanga dá uma sambadinha, mexe com os amigos e emperra o andamento da fila. A mulher então põe a latinha no chão, resmunga e, com as duas mãos, empurra o ator pela bunda.

— Ah, esse Pitanga, sempre dando trabalho — brinca Milton Gonçalves.

— Deixa ele, Milton — emenda Elisa Lucinda, rindo. — Ele é desse jeito mesmo, assim é que a gente gosta. Pitanga é feito de farra.

Antônio Pitanga abraça os dois e, com um sorriso sacana, tenta definir exatamente do que é feito:

— Sou uma fruta que dá em tudo que é canto. Às vezes é azeda, às vezes é doce. Mas é sempre boa de chupar, sabe como é?

Em junho, Antônio Pitanga vai fazer 75 anos de idade.

Source : Globo Online | 2014-03-15 11:00:00.0

RIO — Mesmo passada a Quarta-Feira de Cinzas, o fim de semana ainda é de folia no Rio. Neste sábado e domingo, apesar da greve dos garis, 34 blocos passam pela cidade espalhando confete e serpentina. Além disso, a Marquês de Sapucaí recebe na noite deste sábado o Desfile das Campeãs, com a participação de Grande Rio, Imperatriz Leopoldinense, União da Ilha, Portela, Salgueiro e Unidos da Tijuca. Ainda há ingressos para as arquibancadas dos setores 2 ao 11, e os preços variam de R$ 130 a R$ 200. As vendas são realizadas no posto atrás do setor 11, com acesso pela Avenida Salvador de Sá.

Com o evento no Sambódromo, a prefeitura volta a montar um esquema especial nas ruas de acesso e no entorno, com bloqueios e interdições nas principais vias do Centro. A Secretaria de Ordem Pública (Seop) terá reboques circulando pela região, para reprimir o estacionamento irregular e garantir a fluidez do tráfego. Os veículos parados em locais proibidos serão removidos para os depósitos públicos municipais.

No primeiro minuto de deste sábado, foram fechadas as duas pistas centrais da Avenida Presidente Vargas, no trecho entre a Praça da República e a passarela do metrô da Cidade Nova, para a chegada dos carros alegóricos. Foram interditadas ainda vias no entorno do Sambódromo.

Às 13h, será fechado o acesso à Avenida Presidente Vargas a partir da Avenida Francisco Bicalho e da Praça da Bandeira, assim como a pista laterial da Presidente Vargas, no sentido Candelária, até a Praça da República. Em seguida, serão fechadas progressivamente outras ruas da região.

Para chegar de metrô, o público dos setores pares da Sapucaí devem utilizar as estações Cidade Nova, Estácio e Praça Onze; já para chegar aos setores ímpares, o melhor é descer na estação Central. Até as 22h, o acesso regular de táxis ao entorno do Sambódromo será permitido somente para desembarque de passageiros. Após este horário, haverá acesso aos bolsões de estacionamento nos pontos de embarque para a saída da Sapucaí.

Nas ruas, o destaque será o Monobloco, que deve levar 500 mil pessoas para a Avenida Rio Branco neste domingo. A concentração começa às 8h, na esquina com a Avenida Presidente Vargas. Este ano o grupo homenageia o centenário de Dorival Caymmi e, além de canções dele, vai levar para o desfile o samba da Mangueira de 1986, que homenageava o compositor. A apresentação vai contar ainda com a participação da cantora Gaby Amarantos.

— Fizemos essa parceria com a Gaby em vários eventos e deu liga com o Monobloco, vai ser a cereja do bolo — empolga-se Pedro Luís, um dos fundadores do grupo, acrescentando que, além de suas músicas, a cantora vai interpretar obras de Clara Nunes e Beth Carvalho.

Folia no Arpoador

No domingo ainda desfilam o Galinha do Meio-Dia às 10h no Arpoador e o Fofoqueiros de Plantão a partir das 11h no Jardim Botânico. Para a passagem deste último será interditada a Rua Jardim Botânico em ambos os sentidos entre a Rua Pacheco Leão e a Praça Santos Dumont. Às 16h, começa o Boka de Espuma, em Botafogo. Para a passagem do bloco ficam fechadas a Rua Marquês de Olinda, entre as Ruas Bambina e Muniz Barreto, das 14h às 16h, e de 18h às 20h. Durante o desfile ficam em meia pista as ruas Muniz Barreto, São Clemente e Bambina.

O sábado começa com o bloco Kizomba a partir das 11h, seguindo da Rua dos Arcos e passando pela Riachuelo, Teixeira de Freitas e Augusto Severo. Às 16h, são as Mulheres de Chico que invadem a Praia do Leme no seu oitavo desfile embalado, principalmente, por canções de Chico Buarque. Agentes da CET-Rio vão monitorar o local e, em caso de ocupação da Avenida Atlântica, a pista será fechada para o tráfego da Avenida Princesa Isabel a Praça Almirante Julio de Noronha. Em Ipanema, o Bafafá tem início às 15h em frente ao Posto 9, na faixa de areia. Agentes de trânsito ficarão no local para interditar a Avenida Vieira Souto, a partir da Henrique Dumont, caso haja ocupação da via pelo público.

Source : Globo Online | 2014-03-08 11:00:00.0
Escola apresentou enredo 'Kizomba', da Vila Isabel, e empolgou na Sapucaí. Agremiação foi a sexta a passar pelo sambódromo no 1º dia da Série A.
Source : G1.com.br | 2014-03-01 07:26:37.0

RIO — Chegou o dia de, finalmente, ancorar a alegria na passarela. Na noite desta sexta-feira, exatamente às 21h, será dada a largada para a maratona de desfiles na Sapucaí, com oito escolas da Série A se apresentando na avenida. Quem abre a festa é a Em Cima da Hora, que promete emocionar o público com a reedição do clássico “Os Sertões”, que a própria agremiação apresentou em 1976 e, apesar do belo samba, ficou em 13º lugar. O encerramento do primeiro dia no Sambódromo, que nesta quinta-feira recebia os últimos retoques para o carnaval, será com a Império Serrano, cujo desfile homenageará Angra dos Reis. Neste sábado, tem mais nove escolas da Série A, antigo Grupo de Acesso, no Sambódromo. A primeira a pisar na avenida será a Tradição, e a última, a Cubango. Somente a grande vitoriosa das duas noites entrará, em 2015, no time das escolas do Grupo Especial.

Das 17 agremiações, três serão rebaixadas e terão de desfilar no ano que vem na Avenida Intendente Magalhães, em Campinho, onde saem os grupos B, C e D. Com todos esses ingredientes, a briga por um lugar entre as grandes escolas — ou, simplesmente, para permanecer na Sapucaí — deve empolgar as arquibancadas. No grupo, há agremiações que já foram consagradas campeãs do carnaval. São elas a Império Serrano, com uma história de nove campeonatos, a Estácio de Sá e a Unidos do Viradouro, que já ganharam um título cada. Há ainda na Série A quem aposte em sambas antigos para levantar o público e comover os jurados. Além da Em Cima da Hora, recorrem a sucessos do passado a Tradição e a Paraíso do Tuiuti: enquanto a azul e branco de Campinho reedita o polêmico “Sonhar com rei dá leão”, samba composto por Neguinho da Beija-Flor e apresentado pela escola de Nilópolis em 1976, num elogio ao jogo do bicho, a Tuiuti, de São Cristóvão, virá com o inesquecível “Kizomba, festa da raça”, que garantiu o campeonato à Vila Isabel em 1988.

O tradicional Império Serrano fechará a primeira noite com o enredo “Angra com os reis”, sobre o município de Angra, no Sul Fluminense. O carnavalesco Eduardo Gonçalves, que estreia na verde e branco, investiu no uso das cores para chamar a atenção. No último carro, que mostra a Procissão Marítima de Angra, haverá uma escultura de Iemanjá com cinco metros. A Viradouro tenta voltar às grandes com “Sou a terra de Ismael. Guanabaran eu vou cruzar, pra você tiro o chapéu, Rio, eu vim te abraçar”. O carnavalesco da escola, João Vitor Araújo, que é carioca, leu seis livros sobre Niterói para conhecer melhor a história da cidade, cuja história será contada a partir de figuras que lá nasceram ou deixaram um legado, como o seu fundador, Arariboia.

É a primeira vez que ele assina um carnaval sozinho. A Viradouro é vista como uma das favoritas, junto com a Estácio.

— Estar entre as escolas cotadas para vencer é um agente motivador — diz o carnavalesco da Estácio, Jack Vasconcelos, acrescentando que acredita na força da comunidade para conquistar o título.

Embalada pelas transformações na cidade, a Estácio desfila neste sábado, 1º de março, dia do aniversário do Rio, com o enredo “Um Rio à beira-mar: ventos do passado em direção ao futuro”, que falará da Zona Portuária. No abre-alas, o leão símbolo da escola integrará o espetáculo de um jeito totalmente diferente: com oito metros de altura, ele vai nadar no Sambódromo.

De todas que entram na Avenida nesses dois dias, apenas três nunca estiveram entre as grandes: Alegria da Zona Sul, Cubango e União do Parque Curicica. A primeira homenageia o bairro de Copacabana, berço da escola. De Niterói, a Cubango levará a África para a avenida, enquanto Curicica contará a história da cachaça.

Rocinha sem dinheiro

Com um carnaval anunciado como irreverente, a Rocinha se apresenta com o enredo “Do paraíso sonhado, um sonho realizado. Sorria, a Rocinha chegou à Barra”. A ideia de mostrar toda a beleza da Barra, no entanto, esbarra em problemas financeiros: a escola, ao contrário do que esperava, não recebeu ajuda financeira de empresários do bairro. Do outro lado da cidade, a estrela da noite carioca — a Lapa — será cantada pela Caprichosos de Pilares.

Um dos boêmios mais famosos da cidade, o cartunista Lan é o tema deste ano da Renascer de Jacarepaguá, cujo samba é assinado pelos bambas Moacyr Luz e Cláudio Russo. Com “Majestade do samba: os defensores do meu pavilhão”, a Porto da Pedra pretende reverenciar os casais de mestre-sala e porta-bandeira do carnaval. As porta-bandeiras Selminha Sorriso, Lucinha Nobre e Vilma Nascimento são alguns nomes que levarão seu brilho para o desfile da agremiação de São Gonçalo.

— O fio condutor do desfile será a emoção. A Porto da Pedra não vai sambar somente. Ela vai bailar na Sapucaí. Serão 70 casais de mestre-sala e porta-bandeira presentes, com todos do Grupo Especial, além dos que marcaram época — diz o carnavalesco da escola, Leandro Valente, contando ainda que, como no primeiro casal da história o mestre-sala era uma mulher e a porta-bandeira, um homem, o coreógrafo Carlinhos de Jesus desfilará de porta-bandeira.

A Acadêmicos de Santa Cruz tem o desafio de empolgar as arquibancadas com um enredo sobre a cidade paulista de Jundiaí. A Inocentes de Belford Roxo tem como tema “Triunfo da América — O cantor lírico de Joaquina Lapinha”. Já a Unidos de Padre Miguel, com “Decifra-me ou te devoro: enigmas da vida”, pretende envolver a avenida em enigmas e mistérios, enquanto a União de Jacarepaguá desfila com o enredo afro “Os Iorubás — A história do povo nagô”.

Os desfiles das escolas da Série A

SEXTA-FEIRA

EM CIMA DA HORA. Desfile: 21h. Enredo: “Os Sertões” (reedição do enredo de 1976).

UNIÃO DE JACAREPAGUÁ. Desfile: 22h. Enredo: “Os Iorubás — A história do povo nagô”.

ACADÊMICOS DA ROCINHA. Desfile: 23h. Enredo: “Do paraíso sonhado, um sonho realizado”.

RENASCER DE JACAREPAGUÁ. Desfile: meia-noite. Enredo: “Olhar caricato, simplesmente Lan!”.

UNIDOS DO PORTO DA PEDRA. Desfile: 1h de sábado. Enredo: “Majestades do samba: os defensores do meu pavilhão”.

PARAÍSO DO TUIUTI. Desfile: 2h de sábado. Enredo: “Kizomba, festa da raça” (reedição do enredo que deu o campeonato à Vila em 1988).

iNOCENTES DE BELFORD ROXO. Desfile: 3h de sábado. Enredo: “O triunfo da América — O canto lírico de Joaquina Lapinha”.

IMPÉRIO SERRANO. Desfile: 4h sábado. Enredo: “Angra com os reis”.

SÁBADO

TRADIÇÃO. Desfile: 21h. Enredo: “Sonhar com rei dá leão” (reedição do enredo da Beija-Flor, campeã em 1976).

ALEGRIA DA ZONA SUL. Desfile: 22h. Enredo: “Sacopenapã”.

UNIÃO DO PARQUE CURICICA. Desfile: 23h. Enredo: “Na garrafa, no barril, salve a cachaça, patrimônio cultural do Brasil”.

CAPRICHOSOS DE PILARES. Desfile: meia-noite. Enredo: “Dos malandros e das madames: Lapa, a estrela da noite carioca”.

UNIDOS DO VIRADURO. Desfile: 1h de domingo. Enredo: “Sou a terra de Ismael. Guanabaran vou cruzar, para você tiro o chapéu, Rio, eu vim te abraçar".

ESTÁCIO DE SÁ. Desfile: 2h de domingo. Enredo: “Um Rio à beira-mar: ventos do passado em direção ao futuro”.

ACADÊMICOS DE SANTA CRUZ. Desfile: 3h de domingo. Enredo: “Do toque do criador à cidade saudável do Brasil —Jundiaí, uma referência nacional”.

UNIDOS DE PADRE MIGUEL. Desfile: 4h de domingo. Tema: “Decifra-me ou te devoro: enigmas da vida”.

ACADÊMICOS DO CUBANGO. Desfile: 5h de domingo. Enredo: “Continente negro, uma epopeia africana”.

*Colaboraram Rafael Galdo e Rafaela Javoski

Source : Globo Online | 2014-02-28 09:00:00.0

RIO — Quais são os sambas-enredo mais lindos de todos os tempos? Dudu Nobre responde essa pergunta na noite desta sexta-feira, no Vivo Rio, quando lança CD e DVD com obras que marcaram a Sapucaí. O cantor afirma que este é um dos projetos mais especiais de sua vida, com uma produção caprichada.

— Gravei apenas clássicos, são obras que todo mundo conhece, que todo mundo que ama samba gosta de ouvir, e no show de lançamento vamos brindar o público com muitas surpresas – promete Dudu Nobre, que incluiu no repertório do show dois sambas-enredo de sua autoria que estarão no Sambódromo este ano: Viradouro e Mocidade. Completam o repertório clássicos como “Heróis da Liberdade” ( Império Serrano 1969), “Os Sertões” (Em Cima da Hora 1976), “Contos de Areia” (Portela 1984) e “Kizomba, festa da raça” (Vila Isabel 1988). O show foi gravado na Cidade do Samba.

O show vai contar com participações especiais de intérpretes das escolas de samba como Zé Paulo Sierra (Viradouro) e Bruno Ribas (Mocidade), além da bateria de mestre Paulinho Botelho. A direção artística é de Milton Cunha, que também assina o cenário.

SERVIÇO:

Local: Vivo Rio: Avenida Infante Dom Henrique 85, Aterro do Flamengo.

Horário: 22h

Ingressos: A partir de R$ 80

Vendas por telefone (Ingresso Rápido): 4003 -1212 ou pela internet: vivorio.com.br/www.ingressorapido.com.br

Source : Globo Online | 2014-01-30 20:50:47.0

RIO - O Nirvana sacudiu a Praça da Apoteose, na noite quente de 23 de janeiro de 1993, como atração principal do Hollywood Rock. Dois dias depois, Roberto Dinamite encerraria sua carreira de muitos gols (sem saber o que o futuro lhe reservava como cartola). Mas o acontecimento daquele verão cruzaria a Passarela do Samba em fevereiro, no início da madrugada do dia 22, quando o Salgueiro arrebatou a plateia foliã e levou o carnaval, graças ao incendiário samba-enredo “Peguei um Ita no Norte” — aquele, do refrão “Explode, coração”.

Mais de um par de décadas depois, a composição (de Demá Chagas, Arizão, Celso Trindade, Bala, Guaracy e Quinho) permanece viva e saudável, como o último hino carnavalesco a cair na boca do povo. Desde então, sambas bonitos, medianos e ruins ditaram o ritmo da maior festa carioca — mas o sucesso jamais se repetiu. A ponto de um DVD de celebração ao gênero — afinal, carioca como a bossa nova — ter a obra salgueirense como a caçula de seu roteiro.

O trabalho, do sambista Dudu Nobre, gravado no fim de 2012 na Cidade do Samba, contou com a participação de craques como Monarco, Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, Neguinho da Beija-Flor e Arlindo Cruz, além dos bambas da Velha Guarda do Império Serrano. Estão lá pérolas obrigatórias, como “Heróis da liberdade” (de Silas de Oliveira, Mano Décio e Manoel Ferreira, no Império em 1969), “Os sertões” (de Edeor de Paula, na Em Cima da Hora em 1976), “Contos de areia” (de Dedé da Portela e Norival Reis, na Portela em 1984) e “Kizomba, festa da raça” (de Rodolpho, Jonas e Luiz Carlos da Vila, na Vila Isabel em 1988). Tudo lindo — e antigo.

— O “Explode, coração” foi o último hit que passou na Sapucaí. É uma pena, mas é verdade — atesta Dudu, que decidiu fazer o DVD como uma homenagem ao gênero musical pelo qual começou. — Sonho com uma volta aos tempos de sucesso. Mas sei que é difícil.

Enredo, sinopse e estrutura

Mas a tese dele não passa por uma eventual queda de qualidade dos compositores, e sim pela forma como os sambas são produzidos hoje, no novo cenário das disputas nas escolas.

— Precisa ter bom enredo, boa sinopse e estrutura industrial para a competição — lista o sambista, autor (com parceiros) do hino da Mocidade Independente para 2014, dentro do enredo “Pernambucópolis”, escolhido pelos críticos como um dos melhores da safra.

Dudu, 40 anos, começou na estrada dos bambas ainda criança. Aos 10, consagrou-se autor do samba da Alegria da Passarela (escola mirim que viraria a Aprendizes do Salgueiro), sob o tema “Mundo encantado da turma da Mônica”. Venceu disputas em outras escolas mirins e cresceu frequentando o Império Serrano, onde conviveu com lendas como Beto Sem Braço. Aos 17 anos, ganhou a primeira disputa “adulta”, na Mocidade, para o carnaval de 1993, o do enredo “Marraio feridô sou rei”:

— Aquele samba “Bumbum paticumbum prugurundum” (último título do Império, em 1982) virou uma profecia, porque fala nas “Superescolas de samba S.A.”. É o que temos hoje.

Um dos maiores compositores de samba-enredo da atualidade, André Diniz, ganhador de 15 disputas na Vila Isabel, defende que há composições de qualidade nos dias de hoje. E apresenta argumento interessante sobre a constante celebração ao passado:

— Os sambas que ficaram foram os melhores. Mas havia muita bomba nos anos de “Aquarela brasileira” e “Lendas e mistérios da Amazônia”, por exemplo. Basta pesquisar. Só que os ruins caíram no esquecimento, como agora.

Felipe Ferreira, professor do departamento de Artes da Uerj e coordenador do Centro de Referência do Carnaval, concorda na celebração a criações atuais:

— Discordo veementemente que tenha havido uma queda de qualidade nos sambas-enredo. O samba campeão da Vila Isabel de 2013 é belíssimo, assim como o da Portela de 2012 e muitos outros. Só não são clássicos porque os clássicos têm o tempo a seu favor, já ficaram na nossa cabeça, mas são tão bons quanto eles.

Mas ele admite a decadência no mercado:

— Realmente os sambas-enredo não fazem mais tanto sucesso, mas acho que se deve à mudança na divulgação e no consumo do disco. Antigamente era uma explosão, os sambas tocavam nas rádios, em todo lugar, hoje em dia não é mais assim.

O mercado inóspito a música em geral — e ao sazonal samba-enredo, em particular — ganha o Estandarte de Ouro de adversário maior dos hinos carnavalescos. O disco das escolas vendeu, um dia no passado, mais de um milhão de cópias. Hoje, mal atinge 10% disso. Os sambas praticamente desapareceram das rádios. Seguem como hits no oceano da pirataria on-line. Mas Marcelo Castello Branco, ex-presidente das gravadoras Universal e EMI, enxerga uma queda de qualidade nas composições como a grande vilã:

— O nível autoral é muito ruim, artificial, corporativista, aspirante a jingle de patrocinador, que está mais preocupado com a ativação de seu produto do que em contribuir para um samba-enredo que emocione e seja verdadeiro. As escolas perderam o critério da qualidade e da interação com o público em geral.

Source : Globo Online | 2013-12-01 10:00:00.0
"Cinco Anos sem Luiz Carlos da Vila" é o nome do evento que acontece sexta, dia 18, no Centro Cultural Bola Preta. No comando, a ótima roda de samba do Grupo Candongueiro - casa que o poeta sempre visitava - com Wanderley Monteiro. Na ocasião, a cantora Dorina, sua amiga pessoal, fará o pré-lançamento do CD "Sambas de Luiz". Várias outras canjas pintarão por lá. Eu vou e considero imperdível passar a noite ouvindo as letras maravilhosas desse saudoso baixinho! Vamos todos "ter à mão fruta do pé do Fundo de Quintal"?


O Grupo Candongueiro é formado por:

Alfredo Del Penho – violão

Daniel Scisinio – cavaquinho e voz

Ivan Mendes – clarinete e congas

Bico Doce – cavaquinho e voz

Ilton Mendes – pandeiro e voz

Marquinhos Basílio – tantã

Dinho - surdo

Produção: Trio de Janeiro Produções Artísticas

Serviço

Ingressos: R$ 20,00 inteira R$ 10,00 meia

Promoção: os 100 primeiros pagam R$ 10,00

Abertura da casa: 21h. Início da roda: 22h

End.: Rua da Relação, 3 - esquina com rua do Lavradio

Infos: 2240-8099

Mais sobre o compositor:

"Luiz Carlos da Vila (21 de julho de 1949 - 20 de outubro de 2008)

Carioca nascido no bairro de Ramos, morou na Vila da Penha, de onde tirou o sobrenome artístico, além de ser frequentador de Vila Isabel. Estudou acordeom e violão, e na década de 70 ia aos ensaios do bloco Cacique de Ramos, onde tocava e apresentava seus sambas. É um dos compositores do samba-enredo "Kizomba - A Festa da Raça", que deu à escola de samba Unidos de Vila Isabel seu primeiro campeonato no carnaval de 1988. Considerado um dos sambistas mais sofisticados em atividade, teve um CD produzido por Martinho da Vila e lançou em 1997 "Uma Festa no Samba". Suas músicas mais conhecidas são "O Sonho Não Acabou", em homenagem a Candeia, "Nas Veias do Brasil", "Herança" e "Além da Razão". Sua admiração por Candeia rendeu em 1998 um disco, "A Luz do Vencedor", pela CPC-Umes, dedicado exclusivamente à obra do compositor.


Discografia

• (2006) Matrizes • CD

• (2006) Um cantar à vontade - Ao vivo • CD

• (2004) Samba, saúde & simpatia • CD

• (2004) Benza, Deus • CD

• (2001) Coisa de chefe • CD

• (2000) Pirajá esquina carioca - uma noite com a raiz do samba • CD

• (1999) A luz do vencedor • CD

• (1999) Natal de samba • CD

• (1997) Uma festa no samba • CD

• (1995) Raças Brasil • CD(1985) Luiz Carlos da Vila • LP

• (1985) Pra Esfriar a Cabeça • LP

• (1983) Luiz Carlos da Vila • LP"
(release)
Source : samba-choro.com.br | 2013-10-17 18:31:20.0

RIO — A Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) tem presidente e diretores, mas apenas um “comandante”: Aílton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães. É assim que se referem a ele; mantendo-se nas sombras, Guimarães determina como se dá o desfile das escolas de samba. Nenhuma decisão importante é tomada sem que seja consultado. Ele também é procurado (“pede-se uma audiência”) por dirigentes de escolas para “aconselhamento”.

— Em reuniões, é chamado de “o nosso comandante” — diz uma fonte.

A decisão de não ficar diretamente à frente da Liesa veio depois de seguidas ações policiais e judiciais contra a máfia do jogo do bicho e dos caça-níqueis, como a Operação Furacão. Além de ser o todo-poderoso “comandante” do carnaval na Sapucaí, Guimarães manteve, ao longo dos anos, influência sobre agremiações como a Unidos de Vila Isabel, da qual foi presidente, sendo ouvido até sobre escolha de enredos.

“Tirar da escuridão as escolas”

O site da Liesa descreve, de modo engalanado, a fundação da entidade: “De uma conversa entre o então presidente da Unidos de Vila Isabel, Ailton Guimarães Jorge, com o amigo Castor de Andrade, presidente da Mocidade Independente de Padre Miguel, surgiu a luz que tiraria da escuridão as maiores escolas de samba da cidade”.

Os anos que viram a aliança íntima entre militares e a contravenção, com a guerra e redistribuição de poder no jogo do bicho, coincidem com a ascensão de escolas de samba dominadas pelos capos. A Beija-Flor de Anísio, até então uma pequena agremiação, contratou Joãosinho Trinta (que dera ao Salgueiro um bicampeonato, em 1974 e 1975). Com ele, a escola de Nilópolis abandonou os enredos de explícita exaltação ao regime militar (como “Educação para o Desenvolvimento” e “O Grande Decênio”), passou a desfiles luxuosos e foi tricampeã em 1976, 1977 e 1978.

A Mocidade Independente de Castor conquistou seu primeiro campeonato em 1979 (contratara, em meados da década, outro artista cuja origem era o revolucionário Salgueiro dos anos 1960, Arlindo Rodrigues). Em 1980 e 1981, a Imperatriz Leopoldinense, do bicheiro Luizinho Drummond, entrou para a galeria de escolas campeãs (em desfiles também assinados por Arlindo). Os bicheiros usaram as agremiações para estender suas redes de influências e cooptação.

Guimarães, fora dos quartéis a partir de 1981 e escalando o poder na cúpula do bicho, tomou para si a Unidos de Vila Isabel e foi seu presidente entre 1983 e 1987. Ao chegar à escola, dividiu o espaço controlado, havia anos, pelo bicheiro Waldemiro Garcia, o Miro. Mas, nos preparativos para o carnaval de 1985, surgiu uma divergência em torno da escolha do samba-enredo. Miro defendia a escolha da composição de Pedrinho da Flor; Guimarães, a de David Corrêa. Ganhou o samba de Corrêa, calando quem ainda duvidava da força do novo chefão. Miro deixou a Vila e virou patrono do Salgueiro, levado por Elizabeth Nunes, presidente da vermelho-e-branco. A Vila Isabel ficou nas mãos do ex-militar do DOI.

Ironicamente, foi uma militante do PCB, a Ruça, então mulher de Martinho da Vila, que, eleita presidente em 1987 sem apoio de Guimarães e do jogo do bicho, deu à Vila seu primeiro campeonato, com o desfile “Kizomba, a Festa da Raça”, em 1988. Uma derrota para o capitão.

Source : Globo Online | 2013-10-06 13:00:00.0

No fim dos anos 1950, a identidade africana era um assunto em destaque no mundo. As colônias lutavam para se libertar das metrópoles europeias e, apenas em 1960 e 1961, 19 conquistaram suas independências. Intelectuais e artistas dos quatro cantos do planeta eram sensíveis à questão e apoiavam incondicionalmente os dominados. Um deles, em especial, se incomodou com o colonialismo das escolas de samba, já que a maioria dos componentes era negra, enquanto os enredos exaltavam heróis brancos da história oficial. Era o professor (e mais tarde diretor) da Escola de Belas Artes da UFRJ Fernando Pamplona, defensor da cultura brasileira e cosmopolita, que estudou na Alemanha e frequentou terreiros de candomblé.

Já no primeiro carnaval que assinou no Salgueiro, em 1960, ele marcou posição. "Quilombo dos Palmares" exaltava Zumbi, em vez de Duque de Caxias, almirante Tamandaré ou dom Pedro I. Os figurinos de cabeleira branca, capa e espada deram lugar a escudos, lanças e palha das fantasias de guerreiros africanos. A vermelho e branco conquistou assim o seu primeiro titulo (dividido com quatro escolas) e mostrou que o continente negro ganhava carnaval. Inaugurou um estilo que seria adotado pelas adversárias e venceria muitos outros campeonatos. Uma verdadeira revolução carioca que o pesquisador Luiz Antonio Simas, autor de “Samba de enredo, história e arte” (em parceria com Alberto Mussa), associa às mudanças no mundo naquela época:

- As escolas de samba exercem influência, mas também são influenciadas. Um intelectual com a sólida formação do Pamplona, certamente, não ficou indiferente ao que acontecia no mundo e foi seduzido pelo clima de africanidade daquela época. Acho importante destacar isso porque a revolução salgueirense liderada por ele costuma aparecer nas narrativas sem uma contextualização.

Mais de 50 anos se passaram, mas a marca do pai dos carnavalescos permanece nos enredos afros vitoriosos que desfilam na Sapucaí. E estará por muito tempo. Em 2014, a Império da Tijuca vai abrir o desfile do Grupo Especial com “Batuk”, sobre a percussão. Aluna de Pamplona, Rosa Magalhães encantou a passarela em 2012 com a variedade de tecidos estampados do enredo "Você semba lá... Que eu sambo cá! O canto livre de Angola", na Unidos de Vila Isabel. A azul e branco ganhou o Estandarte de Ouro de melhor escola e emocionou a estilista Isabela Capeto, jurada do prêmio, que achou a alegoria do imbondeiro (árvore sagrada), feita de retalhos, uma obra de arte digna de ser preservada em museu. O talento foi da carnavalesca, mas o conceito de aproveitar material barato é de seu professor, que criou argolas de guerreiros africanos com caixas de madeira redondas de Catupiry em 1960. "Tem que se tirar da cabeça aquilo que não se tem no bolso", era o slogan do mestre, que virou o título enredo do Salgueiro em sua homenagem em 1986.

Em 2009, outro discípulo brilhou exaltando as raízes negras. Com “Tambor”, Renato Lage levou a vermelho e branco ao seu nono campeonato. Uma vitória incontestável. Além do título oficial, a agremiação tijucana conquistou os Estandartes de Ouro de melhor escola e enredo. A história do instrumento musical tinha a cara do Salgueiro e a cara de Pamplona, que, na verdade, são uma só.

O vitorioso "Áfricas, do berço real à corte brasiliana", da comissão de carnaval da Beija-Flor, em 2007, não teve a assinatura de nenhum herdeiro direto do professor, mas sua influência estava lá. Sob o comando de Joãosinho Trinta (este sim, outro craque que trabalhou com o mestre), a escola de Nilópolis desenvolveu um gosto por temas africanos tão intenso quanto o Salgueiro porque fez sucesso assim. Em 1978, Joãosinho entrou fundo na mitologia com “A criação do mundo na tradição nagô”. A azul e branco ganhou o tricampeonato, o Estandarte de Ouro de melhor escola e se consagrou de tal forma que aquele desfile ficaria para sempre na lembrança dos componentes como o melhor dos mundos.

Rosa Magalhães, Renato Lage e Joãosinho Trinta não ficaram à sombra do mestre. Desenvolveram estilos próprios, foram campeões em outras escolas e se orgulharam do aprendizado com Pamplona da mesma forma que ele vibrava ao ver o sucesso deles. Mas a herança do professor era clara. Primeiro no tipo de material usado nas fantasias e alegorias. Se, no passado, os sambistas se orgulhavam de dizer que, com muito sacrifício, pagavam caro por cortes de veludo, brocado ou lamê de primeira, Rosa usou papel dourado de embalagem de bombom nas saias das baianas da Imperatriz em 1994. Foi campeã. Renato reciclou copos plástico de café várias vezes e, em 1996, fez alegorias com garrafas PET na Mocidade. Foi campeão. E Joãosinho Trinta aproveitou boias de isopor (daquelas que banhistas levavam à Praia de Ramos antes do Piscinão) na Beija-Flor em 1978. Foi tricampeão. Simples a lição: a matéria-prima não é um fim em si, mas um meio, e o importante é o efeito visual que causa.

Da mesma forma que Rosa, Renato e Joaõsinho se consagraram dispensando o veludo, eles evitaram temas que, depois da revolução salgueirense, soariam ingênuos demais. Em vez das homenagens acríticas a figurões históricos, numa abordagem semelhante à dos livros da escola primária, os três levaram à Sapucaí assuntos capazes de surpreender, marcar posição ou despertar a identificação do grande público: curiosidades históricas que quase ninguém sabia, o protesto na figura do Cristo Mendigo ou mesmo a água, cotidiana e épica na mesma proporção.

A herança do continente que, na mídia, é sinônimo de fome, epidemias e desigualdade mostrou-se uma potência no Salgueiro depois de “Quilombo dos Palmares”. A escola venceu em 1963 com "Xica da Silva”, de Arlindo Rodrigues. O professor só não assinou o enredo sobre a ex-escrava que enriqueceu porque estava na Alemanha estudando. Mas, de volta ao Brasil para passar o Natal em casa, escolheu o samba que foi para a avenida. Além disso, Arlindo era quase um irmão para ele.

Já no campeonato de 1969, os dois amigos criaram juntos “Bahia de todos os deuses”. Em 1971, a vermelho e branco voltou a vencer, com “Festa para um rei negro”, que a dupla assinou com Maria Augusta e Joãosinho Trinta. Dos nove títulos conquistados pelo Salgueiro, cinco tiveram o pé na África e, direta ou indiretamente, a mão de Pamplona.

No ano do Centenário da Abolição, no entanto, a agremiação tijucana decepcionou a torcida porque escolheu outro enredo, “Em busca do ouro”. Coube à vizinha Unidos de Vila Isabel vencer com “Kizomba, a festa da raça”, enredo sugerido por Martinho. Mas houve influência do pai do carnaval moderno. O grande compositor ouviu falar pela primeira vez do líder do Quilombo dos Palmares por meio do enredo de Pamplona de 1960. E o samba da campeã de 1988 (de Rodolpho, Jonas e Luiz Carlos da Vila) deixava claro que a Lei Áurea não foi uma concessão dos brancos e que os negros lutaram contra a escravidão. O verso mais marcante era “Valeu, Zumbi!”. Hoje, a azul e branco e escolas de todas as cores só têm a dizer ao professor o seguinte: “Valeu, Pamplona!”

Source : Globo Online | 2013-09-29 16:28:45.0

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