Bandas e Artistas de Kizomba

País : Cabo Verde Angola

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Notícia : Bandas e Artistas de Kizomba

RIO - Na voz de Martinho da Vila, a mulher chega em casa massacrada pelo peso do trabalho, dos problemas. A dureza da vida se expõe ali, em tintas de um realismo cotidiano: “Tô cansada, tô debilitada/ Tive que ralar depois do expediente/ Matutamos, discutimos, planejamos pra solucionar/ Uma questão pendente”. Aos poucos, o canto dolente amolece as palavras numa ducha morna, num pedido de colo, e desemboca, cheio de malícia e esperança, no verso que dá título à música: “Amanhã é sábado/ Vai ter tempo quente, amor/ Amanhã é sábado/ Serei imprudente, amor/ Amanhã é sábado/ Te farei candente, amor”. O caminho da realidade pesada à leveza da promessa de futuro, sintetizado em “Amanhã é sábado”, é a linha central que guia o novo disco do compositor de 78 anos — como expõe seu título, “De bem com a vida” (Sony).

— O Brasil tá meio baixo astral. Nosso momento político tá muito complicado — avalia o compositor. — Pensei muito nisso quando estava fazendo o disco, a gente que é de criação sempre acaba sendo influenciado pelas coisas à nossa volta. Eu quis então fazer um disco contra isso, um disco pra cima. Já tinha “De bem com a vida” (“E o porvir?/ Porvir está por vir/ E o futuro?/ O futuro se constrói hoje com muito mais verdade”).

De bem com a vida: Ouça a faixa-título

“De bem com a vida” é o primeiro disco com uma leva de inéditas de Martinho desde 2007. Sete das 14 faixas nunca foram lançadas, outras foram gravadas por artistas como Roberta Sá (“Amanhã é sábado” está no álbum mais recente da cantora, de 2015) e Simone (“Saravá! Saravá!”, em 2004, e “Danadinho danado”, em 1995) ou por ele mesmo, no passado, como “Choro, chorão” e “Muita luz”. Atravessando o disco, o sentimento sintetizado no clássico “Canta canta, minha gente”: “A vida vai melhorar”. Esse caráter “pra cima”, como descreve o compositor, aparece já no título de algumas canções, como “Saravá! Saravá!”, “Muita luz”, “Alegria, Alegria minha gente!” (feita para sua filha Alegria) e a faixa-título. E nos versos de outras. “Sou brasileiro”, por exemplo, expõe o desejo de um futuro melhor para o país (“Alô Brasil/ Quando é que vai se superar/ Da bola ser campeão/ Pra gente comemorar/ Crescer com isonomia/ Lustrar a Democracia/ Do mundo ser o celeiro/ Na ONU ter bom conceito/ Pro povo bater no peito e gritar/ Sou brasileiro”).

Musicalmente, a esperança de Martinho se sustenta sobre a crueza delicada de violão, cavaquinho e percussão. Apenas “Muita luz” foge desse formato, trazendo a participação de João Donato (teclado), Jorge Mautner (violino, com direito a citação a “Jesus alegria dos homens”, de Bach) e Arthur Maia (baixo). A ideia da sonoridade mais enxuta surgiu a partir das apresentações que Martinho fez em 2015 dentro da série Inusitado, idealizada por André Midani, que acabou se tornando o produtor de “De bem com a vida”.

— Fiz o show eu e eu mesmo — brinca Martinho. — Gostei daquilo e pensei num disco assim. Mas ao vivo é outra coisa, tem outros atrativos, não é só o som. No disco, ia ficar pobre. Então a ideia foi um disco só de violão e cavaquinho, tinha até nome: “Martinho violão e cavaquinho”. Depois, foi evoluindo e chegou no “De bem com a vida”.

A abertura guarda esse conceito original. “Escuta, cavaquinho!”, parceria de Martinho com Geraldo Carneiro, traz o violão falando para o cavaquinho (“Que somos seres que se amam tanto/ E que misturaram alegria e pranto/ Eu violão, você cavaquinho/ Eu na canção, você no chorinho”). As outras o compositor escolheu pinçando pérolas pouco lembradas de seu baú e inéditas dentre as que fez nos últimos anos, quase todas finalizadas recentemente, como “Alegria, Alegria minha gente!”:

— No Inusitado, tinha uma hora em que cantava as músicas que fiz para meus filhos, e Alegria era a única que não tinha. Midani disse: “Trata de fazer”.

Ele lembra a origem de outras:

— “Muita luz”, minha e de Donato, é uma regravação (de 1985). Ele me chamou pra tomar umas na casa dele, mas eu já tinha tomado na véspera, não ia beber mais. Cheguei e, quando ele me ofereceu algo, eu disse: “Aqui não entra mais bebida, só muita luz”. E começou a sair “Muita luz” daí. Já “Daqui, de lá e de acolá” fiz com Francis (Olivia Hime também é uma das autoras) pra abrir um show em Luanda, então cantamos essa proximidade entre Brasil e Angola.

A rota Brasil-África é feita também em “Do além” (de Arthur Maia e Martinho), como deixam claros o batuque e o coro já na sua abertura. A letra aprofunda a mestiçagem: “Então misturei coladeira com samba/ Tirando onda e dançando kizomba/ Lembrei de uma noite casa de bamba”. Além da referência à “Casa de bamba”, outro clássico de Martinho é citado no disco, de forma menos direta:

— Fiz duas músicas que partem de “Disritmia”. Uma é “Desritmou”, com Carlinhos Vergueiro, sobre um amor antigo que volta desritmado (“Marcamos um novo encontro/ Tentamos recomeçar/ Porém quando nos beijamos/ Eu não senti mais nada”). Outra é “Amanhã é sábado”, na qual imaginei como seria se quem chegasse em casa cansado fosse a mulher.

O outro convidado do disco é Criolo, que participa de “De bem com a vida” e “Alegria, Alegria minha gente!”.

— Como o disco tinha muita coisa falada, meu filho Preto sugeriu Criolo — conta Martinho.

Martinho tem outros parceiros no álbum — Ivan Lins, Zé Catimba, Marcelinho Moreira, Fred Camacho e Sereno. E há mais parcerias na fila. João Bosco e ele ficaram de se encontrar pra fazer algo para o próximo disco do mineiro. Hamilton de Holanda e ele têm planos de compor juntos, e há novas com Moacyr Luz para sair. Mas a maciez com que as canções saem da boca de Martinho não reflete o quanto ele pena para escrever hoje:

— Fazer letra é uma tortura. Melodia é bem mais fácil. Na melodia você tem uma variedade enorme de caminhos com as notas, mas na letra você tem um vocabulário que não é tão vasto. Poesia é achar a palavra certa. E é cada vez mais difícil. Tem músicas minhas que não faria hoje, como “O pequeno burguês”, não gosto de umas rimas... Mas que bom que eu fiz, né? Fera foi Noel Rosa. Morreu com 26 anos, se vivesse mais dez ia ter feito tudo. Não ia precisar nem de mim, nem do Chico, de ninguém.

O DISCO NOVO, FAIXA A FAIXA

1- “Escuta, cavaquinho!” (Martinho/ Geraldo Carneiro).

Declaração do violão para o cavaquinho, pensada para a ideia inicial do álbum.

2- “Choro chorão” (Martinho).

Martinho canta que só chora “pela vitória, pela beleza e quando estou feliz da vida”, no choro de 1976.

3- “Danadinho danado” (Zé Catimba/Martinho).

Lançada por Simone em 1995, a música traz a típica sensualidade que o compositor mostra em alguns de seus clássicos.

4- “Amanhã é sábado” (Martinho).

Feita para Roberta Sá, a canção parte da ideia de “Disritmia”, mas desta vez é a mulher que chega em casa cansada.

5- “Samba sem letra” (Martinho/ Marcelinho Moreira/ Fred Camacho).

O ponto de partida foi a angústia de Martinho com a gaveta cheia de sambas sem letra.

6- “Desritmou” (Carlinhos Vergueiro/ Martinho).

Outra inspirada em “Disritmia”, fala de um amor antigo que, quando volta, se mostra um erro.

7- “Do além” (Arthur Maia/ Martinho da Vila). Música de reverência à África na letra (“continente onde eu me encontrei”, Martinho canta) e no batuque.

8-“Daqui, de lá e de acolá” (Francis Hime/ Olivia Hime/ Martinho). Composta para abrir um show em Luanda, fala da proximidade entre Brasil e Angola.

9-“Saravá! Saravá” (Ivan Lins/ Martinho). Outra lançada pro Simone (em 2004), a parceria da dupla aborda a religiosidade de uma perspectiva ecumênica.

10-“Muita luz” (João Donato/ Martinho).

A música foi lançada em 1985. Única do disco que foge do formato violão, cavaquinho e percussão.

11-“Alegria, Alegria minha gente!” (Martinho).

Homenagem de Martinho à filha Alegria, de 16 anos. Criolo está na faixa, feita para o show Inusitado.

12-“De bem com a vida” (Martinho).

Criolo também está na otimista faixa-título. Martinho a compôs como resposta ao “baixo astral” da política brasileira hoje.

13-“sou brasileiro” (Martinho).

A ufanista composição, que cobra a melhora do país, cita duas paixões de Martinho, o Vasco e a Vila Isabel.

14-“Gratidão musical” (Sereno/ Martinho).

Samba-enredo que traz uma bateria de escola de samba camerística na percussão de Gabriel Policarpo.

Source : Globo Online | 2016-08-07 10:14:21.0

RIO - Nascido e criado no Morro do Cantagalo, em Copacabana, Emilson Bernardes sempre teve uma inclinação para as artes. Em busca de oportunidades na juventude, conseguiu uma vaga num projeto social de dança que era realizado na comunidade.

- Fui me dedicando e aproveitando todas as oportunidades que grandes profissionais do mundo da dança aqui no Brasil me ofereceram. Eles contribuíram para o meu crescimento profissional e me projetaram para novos desafios - comenta Emilson.

Após muita luta, ele foi convidado a participar de um projeto de dança de salão na companhia do bailarino Antônio José Silva Gomes, o famoso “Antônio Carioca”. Ao final da empreitada, recebeu o diploma de dançarino e nunca mais parou.

- Logo recebi um convite para dar aulas e trabalhar com shows em Praga, na República Tcheca, onde vivo atualmente. Lá fundei a minha companhia de dança, Caribiana, da qual sou bailarino e coreógrafo. Mas, até chegar onde estou, passei por muita dificuldade de adaptação: língua nova, uma nova cultura, saudade da família. Tive que abdicar de ver meus filhos crescerem para ir em busca do meu sonho de viver da minha arte. Valeu a pena - garente Emilson.

O bailarino está no Rio para dar um worshop de samba, zouk, kizomba e semba, ritmos africanos. As aulas serão neste sábado e neste domingo e no próximo sábado, no estúdio de dança Marquinhos Copacabana, em Copacabana.

SERVIÇO

Workshop de samba: 25/06 (sábado), das 14h às 17h
Workshop de zouk: 26/06 (domingo), das 14h às 17h
Workshop de semba e kizomba: 02/07 (sábado), das 14h às 17h
Endereço: Avenida Nossa Senhora de Copacabana, 427, sala 301
Telefone: (21) 2548-7755/2256-1956

Source : Globo Online | 2016-06-24 17:57:13.0
Ao largo dos circuitos instituídos e do gosto dominante, construiu o seu percurso ao mesmo tempo que a kizomba se impôs. Há quatro anos actuava nas discotecas africanas, agora é uma vedeta pop em Portugal e Angola e enche o MEO Arena. Na Holanda, onde nasceu, fomos ao encontro de Nelson Freitas.
Source : publico.pt | 2016-04-23 17:42:41.0

RIO - “Tu és meu sonho, Tuiuti, tens um destino a cumprir, é brilhar no carnaval, no desfile principal, todo povo a te aplaudir”.

O forte refrão do samba “Um mouro no quilombo: isto a história registra”, da Paraíso do Tuiuti, no Grupo Especial do carnaval de 2001, dá o tom do que foi para a escola de São Cristóvão participar do “desfile principal”, algo que não ocorria desde a década de 1950. Em 2017, depois de novo intervalo — desta vez de 16 anos —, este sonho mais uma vez se tornará realidade, quando a agremiação azul e ouro estará de volta à elite da folia na Marquês de Sapucaí.

A ascensão veio com a vitória na Série A este ano. A agremiação desenvolveu o enredo “A farra do boi”, do carnavalesco Jack Vasconcelos. E deixou para trás coirmãs de peso, como a Unidos de Padre Miguel, a Viradouro e o Império Serrano, que terminaram, respectivamente, em segundo, terceiro e quarto lugares.

Contando a história de um boi milagreiro do interior do Ceará, a Tuiuti chegou aos 269,9 pontos, perdendo apenas 0,1 no quesito Comissão de Frente. Resultado surpreendente? De maneira nenhuma, de acordo com os integrantes da escola.

— Trabalhamos muito para atingir este objetivo e fizemos bons carnavais nos últimos quatro anos. Para chegar no Grupo Especial, nós nos baseamos em três pilares: a escola está bastante organizada e sempre começamos a planejar o carnaval cedo, o que é primordial; tentamos fazer desfiles plásticos; e contamos com a vibração e a garra da nossa comunidade. Temos um chão muito forte — explica o diretor de carnaval, Leandro Azevedo.

As reuniões para definir qual será o enredo em 2017 já estão acontecendo na sede da Tuiuti, no Campo de São Cristóvão. De acordo com o presidente de honra da azul e ouro, Renato Thor, a ideia é divulgá-lo na data do aniversário da escola, dia 5 de abril.

— Não queremos fugir das nossas características, de enredos históricos, culturais ou de homenagens — comenta.

Aliás, a lista de pessoas reverenciadas pela Tuiuti durante o intervalo longe do Grupo Especial (a escola chegou a frequentar a Série B) tem vários nomes de peso: Arlindo Rodrigues (2002), Portinari (2003), Vinicius de Moraes (2004), Ricardo Cravo Albim (2005), Cartola (2008), Caetano Veloso (2011), Clara Nunes (2012) e Chico Anysio (2013). Teve até reedição do histórico samba da Vila Isabel “Kizomba, a festa da raça” (2014).

— Já temos alguma coisa em mente, mas também aguardamos propostas. As homenagens são características da escola, mas queremos fazer algo novo, para marcar — comenta Leandro Azevedo.

O diretor de carnaval também faz um alerta. Coincidência ou não, desde o carnaval de 2012, toda agremiação recém-promovida para o Grupo Especial acaba sendo rebaixada. Foi assim com a Renascer de Jacarepaguá (2012), a Inocentes de Belford Roxo (2013), o Império da Tijuca (2014), a Viradouro (2015) e a Estácio de Sá (2016).

— A escola que sobe não pode ter pensamento de Série A. Não dá para fazer apenas um carnaval de Grupo de Acesso, porém maior, para o Especial. Fomos campeões, e, para nós, o acesso ficou no passado — diz Azevedo.

Em 2001, a Tuiuti viveu esse efeito “ioiô”. Mesmo contando a interessante história de um mouro que saiu da Espanha com destino a Meca e foi parar no Quilombo dos Palmares, a escola acabou rebaixada. Conseguiu uma única nota 10, no quesito samba-enredo.

BATERIA É DESTAQUE NA ESCOLA

Um dos grandes trunfos da Tuiuti para chegar ao Grupo Especial foi a bateria. Comandada por Mestre Ricardinho pelo terceiro ano consecutivo, a agremiação recebeu nota 10 de todos os jurados no quesito.

— Ano passado, fizeram uma camisa em minha homenagem com o número 80, em alusão à nota máxima dada pelos quatro jurados em dois anos seguidos. Agora, vão ter que fazer blusas com 120 — brinca Mestre Ricardinho, que também é professor de matemática.

Entre idas e vindas, ele esteve à frente da bateria em nove carnavais. Na última passagem, está desde 2014.

— Meu segredo é fazer um trabalho simples, onde o menos é mais, e que não dê motivo para o jurado tirar pontos — comenta Ricardinho. — Não tentamos bossas mirabolantes, fora do tempo. São todas encaixadas na letra e na melodia, com boa afinação e distribuição dos instrumentos.

Para 2017, ele quer ver a escola no mesmo esquema da percussão.

— Em 2001, tínhamos um grande enredo e fizemos um ótimo desfile. Mas erramos em coisas bobas. Para o ano que vem, temos que fazer o feijão com arroz, mas bem temperado. O importante é não dar margem para perder pontos — opina.

Para fazer pulsar a toda velocidade o coração rítmico da escola, a Tuiuti forma seus próprios componentes.

— Mais de 60% dos nossos ritmistas são da comunidade. Eles são formados no projeto “Tamborim sensação”, que está prestes a completar 14 anos. Os alunos pagam apenas uma pequena quantia para a ajuda de custo dos instrutores — conta Ricardinho.

Se está tudo certo na azul e ouro quando o assunto é bateria, outro importante ponto para o próximo carnaval ainda é uma interrogação. O carnavalesco Jack Vasconcelos também tem contrato com a União da Ilha (este ano, a escola ficou em 11º lugar, com o enredo “Olímpico por natureza... Todo mundo se encontra no Rio”). Mas, como as duas agremiações estarão no Grupo Especial em 2017, ele terá que se decidir entre uma delas.

— Estamos aguardando a decisão do Jack para decidir que caminho tomaremos em relação ao enredo. Queremos fechar em breve toda a equipe — conta o presidente de honra, Renato Thor.

Em seu primeiro ano como mandatário da escola, em 2003, Thor foi o responsável pela contratação do carnavalesco que revolucionaria os desfiles da Marquês de Sapucaí nos anos seguintes: Paulo Barros. Ainda desconhecido do grande público, ele tinha apenas passagens pela Vizinha Faladeira e pelo Arranco do Engenho de Dentro.

Naquele ano, com o enredo “Tuiuti desfila o Brasil em telas de Portinari”, a escola ficou em quarto lugar na Série A. De quebra, o desfile deu visibilidade a Barros e o credenciou para trabalhar na Unidos da Tijuca no ano seguinte. Ali, começava a carreira de sucesso do carnavalesco no Grupo Especial, onde ele seria campeão nos anos de 2010, 2012 e 2014 pela agremiação do Morro do Borel.

— Fomos ovacionados. Mas a quarta colocação nos desanimou muito — lembra Thor, sobre 2003.

Um dos destaques do desfile foi a coroa, símbolo da Tuiuti, feita com 7.500 latas de tinta, no carro abre-alas.

Quem também teve passagem destacada pela Tuiuti e hoje brilha na elite do carnaval é Ciganerey, atual intérprete número um da Mangueira, campeã do carnaval este ano, com um enredo em homenagem a Maria Bethânia.

Ele era o puxador da escola em 2001, ano em que todos em São Cristóvão sonhavam em se manter no Grupo Especial. Não deu. Quem sabe a partir de 2017...

Source : Globo Online | 2016-02-20 10:00:00.0

RIO — Aldir Blanc se lembra de chorar “pra burro” agarrado a um poste quando viu as burrinhas da comissão de frente do Salgueiro passando ao som de “História do carnaval carioca”, em 1965. Longe dos desfiles, Fausto Fawcett dançou muito ouvindo “Caymmi mostra ao mundo o que a Bahia e a Mangueira têm”, de1986, nas caixas de som de um “baile de carnaval que a Furacão 2000 fazia na Miguel Lemos”. Domingos Oliveira recorda ter atravessado toda a passarela “bêbado e emocionado, acompanhando a escola pelas bordas, na verdade procurando Leila (Diniz, sua mulher na época), louco de saudades”, sem encontrá-la, enquanto o Salgueiro cantava “Xica da Silva”, em 1963. Links grandes sambas-enredo

O maestro Carlos Prazeres tinha acabado de perder o pai em 1999 quando ouviu, em Berlim, “Villa-Lobos e a apoteose brasileira”, da Mocidade, que lhe bateu como “um hino para que a gente continuasse a levar a música clássica por aí” (“Sua tonalidade menor ainda me remete à tristeza que senti, encerrada numa espécie de força para lutar”, ele diz). BNegão delirou no Boulevard 28 de Setembro entoando “Kizomba, festa da raça”, para celebrar a vitória da Vila Isabel em 1988 (o câmera da Manchete captou a imagem, sua “primeira aparição na TV”).

Durante uma semana, O GLOBO ouviu 25 personalidades da área cultural para saber qual é o samba-enredo preferido de cada uma e por quê. A expectativa era que surgissem favoritos — ou um grande vencedor. As respostas, porém, foram mais reveladoras. Vieram recheadas de memórias profundamente pessoais. E não apontaram alguns favoritos, mas 23 — apenas “Xica da Silva” e “Heróis da liberdade” foram citados duas vezes. O resultado mostra um legado riquíssimo na tradição musical do desfile. Mas também dá pistas de que a vivência do carnaval e dos sambas é única. A cada um, um carnaval.

O de Elza Soares, por exemplo, é quente e intenso como a artista. Sua narrativa é cinematográfica, lisergicamente carnavalesca:

— O meu samba-enredo é “Bahia de todos os deuses” (do Salgueiro, em 1969), com o qual fomos campeões. O primeiro que puxei na avenida (Presidente Vargas, na época). Desfilamos meio-dia, aquele sol pegando fogo, as solas dos sapatos grudando no asfalto. Eram dois cavacos tocando, um arrebentou as cordas, ficou só o outro. E eu cantando sozinha, porque não queria ninguém comigo. Muito louca, dizia que outro cantor ia desafinar, me atrapalhar — lembra ela, ressaltando que a recordação não embaça seu amor pela Mocidade, sua escola do coração. — Vou ver na Sapucaí neste ano. Que horas a Mocidade desfila? 1h50m? Eu espero.

Para o cineasta pernambucano Lírio Ferreira, o mais marcante foi o carnaval nordestino que a Mangueira levou à avenida em 2002 e que lhe deu o título de campeã (“Brazil com ‘Z’ é pra cabra da peste, Brasil com ‘S’ é nação do Nordeste”). Ele estava lá, tão envolvido na festa que nem lembra o que era sua fantasia:

— Se tivesse que responder hoje, diria “pavãozinho feliz” — brinca. — O samba falava do Nordeste, do padre Cícero, da seca, das agruras e da fé do nordestino. Me identifiquei.

Ohistórico desfile e o samba “Ratos e urubus, larguem minha fantasia”, que a então Beija-Flor de Joãosinho 30 levou para a Sapucaí em 1989, com seus foliões-mendigos, são inesquecíveis para a cineasta Anna Muylaert:

— Chorei às 6h da manhã vendo a genialidade de Joãosinho 30 pela TV. No desfile das campeãs, pessoas que nem eram da escola entraram de penetra com fantasias de mendigo, e pela única vez na História o Sambódromo ficou homogêneo. Palco e plateia eram uma coisa só. Foi a transcendência do carnaval carioca. Para se ter uma ideia, o locutor era o Fernando Pamplona, que também chorava. Narrava e chorava.

CRÍTICAS À PRODUÇÃO ATUAL

Nos depoimentos, as imagens que surgem associadas aos sambas reafirmam esse componente pessoal. Adriana Calcanhotto pensa em “Yes, nós temos Braguinha” e se lembra — mais que a imponência da escola, o refrão, a melodia — do compositor no momento do desfile, ouvindo a música. Deborah Colker se visualiza aos 21 anos quando recorda “É hoje”, de 1982 (“Foi o ano em que conheci o pai dos meus filhos, fiquei grávida no ano seguinte”). Ana Cláudia Lomelino revive o fascínio juvenil que sentiu pela paradinha funk de Mestre Jorjão na Viradouro, em 1997, dando ao samba “Trevas! Luz! A explosão do universo” um suingue inédito na Sapucaí.

O resultado também indica uma era de ouro do samba-enredo. A maioria dos citados é dos anos 1960, 70 e 80. O mais novo, de 15 anos atrás (“Brazil com ‘z’...” da Mangueira). E ao menos dois sambas foram compostos pelo mestre Silas de Oliveira (1916-1972): “Os cinco bailes da História do Rio” e “Heróis da liberdade”, ambos para o Império Serrano, em 1965 e 1969.

Para muitos “jurados”, o gênero está em crise. Paulo César Pinheiro lamenta que não se façam mais “sambas tristes, em tom menor” (“Os de hoje, de refrãos empolgados, são logo esquecidos”). O DJ Nepal sente saudade da irreverência sagaz dos sambas da Caprichosos de Pilares. E Ney Latorraca compara os personagens de carnavais de décadas atrás com os atuais (“Não víamos essas pin-ups de hoje, e sim Marília Pêra, Leila Diniz...”).

— Atualmente, o que determina é a empolgação — diz o compositor Nei Lopes. — Essa importância do refrão é recente. Havia um recurso, usado até os anos 1960, que eram os solfejos. Tem um samba da Portela, do Candeia, chamado “Brasil, um panteão de glórias”, em que o solfejo era quase outra melodia dentro do samba.

Grandes sambas-enredo da História

VEJA TODOS OS VOTOS

Adriana Calcanhotto, cantora: “Yes, nós temos Braguinha” (Mangueira, 1984)

Aldir Blanc, letrista: “História do carnaval carioca” (Salgueiro, 1965)

Álvaro Costa e Silva, jornalista: "Os cinco bailes da História do Rio” (Império Serrano, 1965)

Ana Cláudia Lomelino, cantora: “Trevas! Luz! A explosão do universo” (Viradouro, 1997)

Anna Muylaert, cineasta: “Ratos e urubus, larguem minha fantasia” (Beija-Flor, 1989)

Amir Haddad, diretor teatral: "O amanhã” (União da Ilha, 1978)

Arnaldo Branco, roteirista: “Heróis da liberdade” (Império Serrano, 1969)

Bia Lessa, diretora teatral: “Bumbum paticumbum prugurundum” (Império Serrano, 1982)

BNegão, rapper: “Kizomba, festa da raça” (Vila Isabel, 1988)

Cafi, fotógrafo: “O mundo encantado de Monteiro Lobato” (Mangueira, 1967)

Carlos Prazeres, maestro: "Villa-Lobos e a apoteose brasileira” (Mocidade, 1999)

Deborah Colker, coreógrafa: "É hoje” (União da Ilha, 1982)

Domingos Oliveira, cineasta: “Xica da Silva” (Salgueiro, 1963)

Elza Soares, cantora: “Bahia de todos os deuses” (Salgueiro, 1969)

Ernesto Neto, artista plástico: “Ylu Ayê (Terra da vida)” (Portela, 1972)

Fausto Fawcett, compositor: “Caymmi mostra ao mundo o que a Bahia e a Mangueira têm” (Mangueira, 1986)

Francisco Bosco, filósofo: “Chora, chorões” (Estácio, 1985)

Gal Costa, cantora: “Atrás da verde e rosa só não vai quem já morreu” (Mangueira, 1994)

Lírio Ferreira, cineasta: “Brazil com ‘z’ é pra cabra da peste, Brasil com ‘s’ é a nação do Nordeste” (Mangueira, 2002)

Nei Lopes, compositor: “Xica da Silva” (Salgueiro, 1963)

Nepal, DJ: “E por falar em saudade...” (Caprichosos, 1985)

Ney Latorraca, ator: "Alô, Alô, taí, Carmem Miranda” (Império Serrano, 1972)

Paulo César Pinheiro, compositor: “Heróis da liberdade” (Império Serrano, 1969)

Roberto DaMatta, antropólogo: "Vovó e o rei da saturnália na corte egipciana” (Beija-Flor, 1977)

Zeca Pagodinho, cantor: “Lendas e mistérios da Amazônia” (Portela, 1970)

Source : Globo Online | 2016-02-07 09:00:00.0

A crise chegou às escolas de samba. Ao ouvir isso, pensei: Oba! Menos dinheiro significa menos patrocínios esdrúxulos e menos luxo, mas, quem sabe, mais criatividade. Ou seja, mais samba e menos espetáculo.

Mas acho que me enganei. Mal me enchi de esperança e li uma nota (na coluna Gente Boa, do GLOBO) dizendo que a Liesa, por causa da falta de dinheiro, estuda reduzir o número de carros alegóricos obrigatórios, de seis para cinco (o que seria ótimo), e aí é que vem o problema o tempo dos desfiles das escolas, de 82 para 70 minutos. Ora, se as escolas já passam marchando, quase correndo, e se o ritmo alucinado dos últimos anos já vinha desfigurando completamente o gênero samba-enredo, o que será do desfile se tiver de acontecer com 12 minutos a menos?

Por ironia, no mesmo dia da nota sobre essa infeliz ideia da Liesa, li também a matéria sobre a crescente dificuldade das baianas em acompanhar o ritmo dos novos tempos. As baianas são e devem continuar um patrimônio intocável das escolas de samba. Mas elas estão sofrendo. O número mínimo das alas de baianas, antes de cem componentes, já caiu para 70. Muitas senhoras deixaram de desfilar porque se tornaram evangélicas. E as que continuam têm de se desdobrar, com roupas cada vez mais pesadas, coreografias complexas e o pior de tudo uma correria desumana.

Desfilei outro dia no alto de um caminhão de som de um bloco da Zona Sul. E fiquei observando um dos cantores do samba, um puxador (perdão, Jamelão) profissional, embora ainda muito jovem. Num dos intervalos do bloco, ele puxou alguns sambas-enredo históricos, para animar a rapaziada. Quando cantou “Aquarela brasileira”, de Silas de Oliveira, percebi que deu ao samba um andamento aceleradíssimo, como se estivesse na Sapucaí, com minutos preciosos escoando. E tudo ali era só brincadeira. Talvez ele, por ser jovem, só conheça o samba dessa forma, corrido a ponto de não se poder apreciar sua beleza.

Não sou purista em matéria de samba, nem acho que só o de antigamente é que era bom. Como acompanho os desfiles desde o fim dos anos 1960, posso dizer sem vacilar que a espetacularização fez bem às escolas. Não por acaso, os três desfiles considerados os maiores de todos os tempos o “Bum bum paticumbum”, do Império Serrano, em 1982; o “Kizomba”, da Vila Isabel, em 1988; e o “Ratos e urubus”, de Joãosinho Trinta, pela Beija-Flor, em 1989 todos aconteceram, como se vê, na década de 80. Sendo que os dois últimos já foram no Sambódromo.

Mas o terreno pisado pelas escolas torna-se cada vez mais perigoso, distanciando-nos da essência do samba, que é, acima de tudo: ritmo, letra e melodia. Ou seja, a música, não o visual. É preciso encontrar um meio-termo entre a tradição e o espetáculo uma equação difícil, mas que pode ser alcançada. As escolas podem fazer modificações e abrir mão de muitas coisas, exceto do elemento fundamental, que é o próprio samba. E é o que ameaça acontecer: sai a beleza e entra de vez a corrida contra o relógio.

Heloisa Seixas é escritora

Source : Globo Online | 2016-02-06 03:00:00.0

O carnaval de 2016 já é chamado de “carnaval da crise”, por questões óbvias. As escolas estão de pires na mão, queixando-se da falta de patrocínios, do sumiço da subvenção do governo estadual, do cancelamento do apoio da Petrobras. Some-se a isso o fato de o carnaval ser cedo, no começo de fevereiro, prejudicando o faturamento com ensaios e vendas de CDs — o cenário é desolador. Mesmo assim, cada escola do Grupo Especial não terá menos de R$ 6 milhões para fazer seu carnaval. Mas por que será que o carnaval se tornou refém de quantias tão vultosas? Desde quando essa manifestação cultural popular se tornou tão cara?

Há algum tempo, se tornou palavra de ordem entre os mandatários da folia transformar o desfile num “espetáculo”. Essa transição foi acontecendo aos poucos e, nos últimos 15 anos, já estava consolidada. Neste período, a orientação do julgamento foi claramente privilegiar agremiações com mais dinheiro. Cansamos de ver na Sapucaí escolas com belos sambas, ótimas baterias e componentes animados sendo preteridas em favor de outras que traziam alegorias gigantes e luxuosas, mas que pouco contribuíam nos outros quesitos. Isso provocou o enfraquecimento de escolas tradicionais, porém mais pobres e desorganizadas, como Império Serrano e Estácio de Sá.

Mas é preciso perceber que esse não é o único modelo existente. As escolas hoje se veem na crise porque escolheram esse caminho: o de encarecer suas apresentações a cada ano, forçadas por um júri orientado a premiar o “investimento”. Atualmente, as alegorias e fantasias são os itens que mais têm peso no julgamento — uma simples análise estatística nos resultados das apurações comprova isso. Mas será que esse é o melhor formato?

Basta recorrermos à nossa memória para lembrar grandes desfiles do carnaval carioca. O “Explode, coração” do Salgueiro, de 1993, é considerado o samba mais empolgante que já passou pelo Sambódromo. Sabem quanto custou compor aquela obra? Zero. A “Kizomba” da Vila Isabel é o desfile mais impactante da Sapucaí, tendo custado uma mixaria. Podemos voltar mais no tempo, para lembrar que o “Bum bum paticumbum prugurundum” do Império Serrano custou quase nada. Ou vir para carnavais mais recentes, com o “Chico Buarque da Mangueira”, que saiu baratíssimo para a verde e rosa.

Esses são alguns dos casos em que o resultado premiou a emoção, e não quanto cada escola tirou do bolso. Não por acaso, são justamente os carnavais que estão mais vivos em nossa memória. Mas o modelo foi abandonado. E ser campeão do carnaval se tornou caro demais — hoje em dia, talvez “Kizomba” nem chegasse ao Desfile das Campeãs. A solução para esse momento delicado é dar um passo atrás, tirar da cabeça o que não tem no bolso e voltar a avaliar as escolas pelo que elas têm de mais genuíno.

Quanto custa fazer um belo samba? Quanto vale uma bateria de arrepiar? Um casal de mestre-sala e porta-bandeira envolvente? Um enredo criativo? Uma ala de passistas que risca o chão do início ao fim do desfile? Fazer carnaval de verdade, aquele que emociona o público, é barato. As escolas é que escolheram sofrer com a crise.

Leonardo Bruno é jornalista

Source : Globo Online | 2016-01-30 03:00:00.0
Um dos blocos com mais foliões da cidade, o Monobloco realiza um ensaio sexta, dia 22, na Fundição Progresso, e outro na sexta 29. Emanuelle Araújo será apresentada como a primeira Rainha da Bateria do Monobloco e o tarimbado DJ Marcelinho da Lua faz uma participação especial. O desfile no dia 14 de fevereiro, no Centro do Rio.

Nas vozes de Pedro Luís, Renato Biguli, Pedro Quental e João Biano, o grupo traz novidades para esse ano, além do já esperado repertório repleto de rock, funk, marchinhas e sambas: "Erva Venenosa" (Rita Lee), "Samba a Dois" (Los Hermanos), "Toda Forma de Amor" (Lulu Santos) e "Kizomba, Festa da Raça", samba de 1988 da escola de samba Vila Isabel.

SERVIÇO

Data: 22 de janeiro de 2016

Local: Fundição Progresso (Rua dos Arcos, 24 – Lapa - Rio de Janeiro)
Informações e venda de ingressos : www.fundicaoprogresso.com.br

Abertura da casa: 22hrs
Início do show: 0h



Capacidade: 4.000 pessoas


Tel para informações: (21)3212-0800
E-mail: contatofundicaoprogresso@gmail.com.br

Classificação etária: 18 anos



Preços: de R$ 40 a R$ 140, sendo:



1°Lote - meia entrada*: R$ 40 / 1o lote - inteira: R$ 80

2º lote – meia entrada*: R$ 50 / 2º lote – inteira: R$ 100

3º lote – meia entrada*: R$ 60 / 3º lote – inteira: R$ 120

4º lote e na hora – meia entrada*: R$ 70 / 4º lote e na hora – inteira R$ 140





*Meia entrada para estudantes, idosos, menores de 21 anos, funcionários da Light ou doação de 1kg de alimento não perecível


Pontos de Venda

Online: www.ingressocerto.com.br
Bilheterias da Fundição Progresso – De segunda a sexta, das 11h às 14h e das 15h às 20h ou sábados (somente em dias de show) a partir das 12h, sem taxa de conveniência/administrativa.


Acesso para pessoas portadoras de necessidades especiais e cadeirantes.

Estacionamento próximo: Catedral – acesso pela Avenida Paraguai sentido Zona Sul.
Source : samba-choro.com.br | 2016-01-21 22:08:40.0

RIO – A abertura gradual da economia de Cuba permite avanços como a renovação da frota de automóveis do país, uma das mais antigas do mundo, o aumento do turismo e até mesmo a restauração das relações diplomáticas com os EUA, última barreira ainda visível da Guerra Fria. Se as experiências do socialismo real fizeram a doutrina perder prestígio no campo político-econômico nas últimas décadas, no carnaval, ela serve como inspiração para a Vila Isabel. No próximo ano, a tradicional escola de samba carioca vai homenagear o centenário de nascimento de Miguel Arraes, ex-governador de Pernambuco conhecido pelo empenho na valorização da cultura popular, com o samba-enredo “Memórias de Pai Arraia – Um sonho pernambucano, um legado brasileiro”.

A parceria vencedora da disputa interna de melhor samba-enredo reúne um pouco do que a azul e branco tem de melhor: André Diniz, Arlindo Cruz, Leonel, Martinho da Vila e Mart’nália. Em comum, além da amizade que vem de outros carnavais, está a preferência política do grupo: todos admitem ser socialistas. A homenagem, no entanto, transcende o perfil político do "Pai Arraia", como Arraes era conhecido pelos pernambucanos mais humildes, trabalhadores dos canaviais. Filiado ao PCdoB, Martinho que está de férias da política, mas reforça a importância do Movimento de Cultura Popular (MPC), fundado por Arraes em 1960, quando era prefeito do Recife.

— Miguel Arraes uniu universitários, artistas e intelectuais para criar uma iniciativa que estimulou a educação, com foco na cultura popular. O MPC aproximou gente como Ariano Suassuna e Paulo Freire. Através dele, Arraes adquiriu o respeito e a amizade de Dom Hélder Câmara, a quem nos referimos no samba como "futuro Santo" — afirma Martinho, presidente de honra da escola, em alusão ao processo de canonização do ex-arcebispo de Olinda e do Recife, conhecido por sua intensa militância em defesa dos direitos humanos. O enredo não tem patrocínio.

HOMENAGEM PARTIDÁRIA DESCARTADA

A carreira política de Arraes começou em 1948, quando aceitou o convite para integrar o governo de Barbosa Lima Sobrinho como secretário de Fazenda. Em seguida, teve dois mandatos de deputado estadual e foi eleito prefeito do Recife. Deixou a função em 1962 para se eleger governador pela primeira vez. Seu mandato ficou marcado pelo Acordo do Campo, que obrigou os proprietários de terras a pagarem um salário mínimo aos trabalhadores rurais, impulsionando sua popularidade no interior. Em 1964, após o golpe, os militares propuseram que ele renunciasse ao cargo para não ser preso. Ele recusou e ficou 11 meses detido em Fernando de Noronha, antes de partir para o exílio na Argélia, onde permaneceu por 14 anos.

Maior vencedor individual das disputas de samba da Vila Isabel, com 16 vitórias, o professor de História André Diniz entende que o enredo da escola é desafiador, devido ao momento político enfrentado pelo país, mas está satisfeito com o resultado.

— Falar de um político de esquerda neste momento em que temos um partido de esquerda no governo e tão mal avaliado é sempre perigoso, porque abre condições para que se confunda a homenagem com um aceno político. Mas tanto o samba quanto a sinopse deixam claro que não é homenagem partidária: trata-se de uma história de vida — avalia o professor.

A carreira de Arraes decolou após o exílio. De volta ao país em 1979, com a Lei da Anistia, Arraes foi eleito governador mais duas vezes e teve três mandatos de deputado federal, cargo que exercia quando morreu, no dia 13 de fevereiro de 2005, vítima de infecção generalizada. Na ocasião, ele era presidente nacional do PSB. O corpo foi velado no Palácio Campo das Princesas, sede do governo. No mesmo local, nove anos depois, seu neto Eduardo Campos, também ex-governador de Pernambuco e presidente da sigla, teve destino semelhante após queda do avião no qual viajava.

Ex-militante do PDT e entusiasta de Leonel Brizola, Arlindo Cruz está fora da política partidária. Há anos, ele se concentra em sua carreira musical mas, de longe, acompanha pesaroso a crise política brasileira e o momento cubano. Tristezas que não abalam sua fé em um mundo melhor que, para ele, tem o socialismo como rota obrigatória.

— Em minha carreira, procuro exaltar as favelas e as periferias, locais onde a luta e os exemplos de divisão do trabalho e solidariedade oferecem o melhor exemplo já visto de socialismo. Arraes utilizou esses valores: buscou valorizar a cultura e os elementos da terra, batalhou por reforma agrária e por uma vida menos sofrida para o povo e merece todo reconhecimento por isto — explica.

Os bambas da Vila Isabel

Vereadora do Recife, Marília Arraes é neta de Miguel e ficou surpresa com o samba, que faz referência a ritmos típicos do estado, como a ciranda e o maracatu. Ainda ofendida por uma declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que afirmou que a emenda da reeleição foi aprovada em 1998 com apoio do avô, um de seus maiores opositores, ela prefere não avaliar qual seria a reação do "Pai Arraia" ao contemplar a homenagem da Vila Isabel.

— Meu avô gostava de carnaval, mas não era exatamente um folião. O samba ficou muito bonito e é uma homenagem merecida a um homem que dedicou a vida ao seu povo. Tenho certeza que, a partir do desfile da Vila Isabel, muita gente que não o conhecia vai se dedicar a pesquisar e estudar sua obra, mas prefiro não avaliar o que ele diria. Infelizmente, há muita gente se apropriando indevidamente do nome dele para dizer o que quer, mas eu, que sou neta, não me sinto à vontade para isto — desabafa.

APROXIMAÇÃO ANTIGA

Ainda não se sabe como o público vai receber o enredo da Vila Isabel no próximo carnaval, mas a escola tem experiência para lidar com temas espinhosos. O título de 2006, o segundo dos três já conquistados até hoje pela escola do Boulevard 28 de setembro, foi o mais polêmico da história da agremiação. Com o enredo “Soy loco por ti América – A Vila canta a Latinidade” a escola recebeu patrocínio milionário do governo venezuelano, através da petrolífera PDVSA. Durante a passagem da escola pela Marquês de Sapucaí, era possível ver bandeiras do país vizinho ao lado do pavilhão azul e branco.

Único compositor da parceria que assina o samba daquele ano, André Diniz enxerga diferenças importantes no momento histórico internacional.

— Naquele momento, Hugo Chaves despontava como um líder importante e o país vivia um bom momento econômico graças, principalmente, ao petróleo. A economia brasileira também ia bem e os dois países eram parceiros importantes. Hoje a situação é diferente, e o trabalho não seria recebido com o mesmo entusiasmo — pondera.

Naquele ano, a Vila Isabel ficou empatada com a Grande Rio em número de pontos e levou o título no quesito desempate: o samba-enredo. Se daquela vez a sintonia política ajudou a escola, em 2013, ano da última conquista, esteve próximo de atrapalhar. Patrocinada por uma multinacional de produtos agroquímicos, a escola apresentou o enredo “A Vila canta o Brasil, celeiro do mundo”, que retratava a vida no campo. Tudo ia bem, até que Martinho decidiu que o samba precisava de uma alusão à reforma agrária.

— Ele percebeu que não era possível narrar a vida do campo sem citar o conflito pela terra. Nós concordamos com ele, mas havia um temor generalizado na escola de que isso desagradasse o patrocinador. Tudo precisou ser feito com cautela — revela.

Martinho reconhece que a ideia criou problemas para o grupo, mas defende que a obra estaria incompleta sem a referência.

— Eu disse que, sem isto, estaria fora. Foi uma loucura (risos). Acabamos trocando o verso alusivo à reforma agrária pela expressão “partilhar a terra”. Todo mundo ficou feliz e o patrocinador acabou adorando — lembra.

Os dois títulos mais recentes aumentaram a projeção da Vila Isabel, que se tornou a quinta maior vencedora do carnaval do Rio. Para Martinho, a mensagem passada nos desfiles é tão importante quanto os aspectos plásticos e técnicos.

— A Vila Isabel é assim: uma das poucas escolas que efetivamente se preocupam com a mensagem que passa. E vamos continuar assim, por muito tempo — promete.

Em 1988, a Vila foi campeã pela primeira vez com o enredo "Kizomba, festa da raça". No samba, o verso "O pagode é o partido popular" mais parecia um presságio do que estava por vir.

Samba da Vila Isabel em 2016

CONFIRA A LETRA DO SAMBA

Memórias de Pai Arraia – Um sonho pernambucano, um legado brasileiro

Meus olhos ficavam rasos d’água

A seca minha alma castigava

O sol queimava e rachava o chão

Os carcarás pousavam no sertão

Cresci sonhando renovar os sonhos

Revitalizar a vida

Que se equilibra sobre a palafita

Dar pra gente mais sofrida

Dignidade e amor

Pra essa gente aguerrida

Dignidade, amor

Acordei o campo para um novo dia

Com o futuro santo, lindos ideais

Acordei o campo pra haver justiça

Flora esperança nos canaviais

Carinhosamente... Pai arraia

No lugar onde arrecifes desenham a praia

Acolhi um movimento, real solução

Mais do que alento, a cura dos ais

Liberdade se conquista com educação

Juntando artistas e intelectuais

Pra fazer a cartilha no cordel

Ensinar do abc à profissão

E buscar na arte a inspiração

Tão bom cantarolar

Me emocionar, estar aqui

Pra ver na avenida

O valor da verdadeira Vila

De gente humilde que defende a tradição no seu lugar

Um movimento de cultura popular

Vem sambar no frevo e na ciranda

Silenciar jamais!!!

Até o galo da madrugada

Se entregou à batucada

Misturando carnavais

Source : Globo Online | 2015-11-12 10:00:00.0

RIO - O grupo Galocantô se apresenta neste domingo, a partir das 17h, na Lona Cultural João Bosco, em Vista Alegre, para a gravação do DVD “Galocantô canta Luiz Carlos da Vila — Kizomba, a festa da raça”. Trata-se de uma homenagem ao lendário sambista e compositor da Unidos de Vila Isabel, falecido em 2008.

O show terá 23 canções que contam a história do mestre da agremiação azul e branca, e participações especiais de Wilson das Neves, Dudu Nobre, Dorina, Bira da Vila, Gabrielzinho do Irajá, Renato da Rocinha e Mingo Silva. O evento também vai contar com uma exposição de fotos sobre o artista. O local do espetáculo não foi escolhido por acaso.

— Luiz Carlos da Vila morou muitos anos na Vila da Penha, bairro vizinho ao de Vista Alegre, onde fica a Lona Cultural. Além disso, a lona abrigou um projeto dele, o “Caldos e canjas”, de grande repercussão. Então, a gravação do DVD não poderia ser em outro local. Luiz Carlos da Vila merece todas as homenagens possíveis e que muitos ainda o gravem, pois sua obra é de uma beleza e poesia imensuráveis. O mundo inteiro tem que conhecê-la para cada vez mais levantarmos a bandeira do samba como patrimônio nacional. Viva Luiz Carlos da Vila, viva nosso grande poeta! — exalta o percussionista Lula Matos.

Luiz Carlos Baptista, mais conhecido como Luiz Carlos da Vila, nasceu no dia 21 de julho de 1949, em Ramos, e faleceu em 20 de outubro de 2008. Há controvérsias sobre a origem de seu apelido. Uns dizem ter surgido por ser morador da Vila da Penha. Porém, a versão mais conhecida é que o “da Vila” foi incorporado ao nome de batismo quando, em 1977, o sambista entrou para a ala de compositores da Vila Isabel. Na Zona Norte, ele criou o bloco Suburbanistas, que passava por Vista Alegre, Irajá, Brás de Pina e Vila da Penha.

Em 1988, Luiz Carlos da Vila se consagrou ao compor o samba-enredo “Kizomba, a festa da raça”, em parceria com Rodolpho e Jonas, levando a Vila Isabel ao primeiro título no carnaval.

Source : Globo Online | 2015-10-03 11:00:38.0

Links : Bandas e Artistas de Kizomba

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