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Kofi Annan: ‘Eu queria mais a paz do que os protagonistas do conflito s?rio’

RIO — Na última década, um diplomata nascido em Gana passou a ter voz ativa nas soluções para praticamente todos os conflitos sociais e militares que o mundo presenciou. Como secretário-geral da Organização das Nações Unidas, cargo que manteve por dois mandatos, de 1997 a 2006, Kofi Annan ajudou a reverberar a voz de uma entidade criada em 1945, após a Segunda Guerra Mundial, e que vinha buscando se reposicionar no cenário internacional após o fim da Guerra Fria. Com Annan à frente, a ONU esteve presente em negociações nas guerras do Iraque e do Afeganistão, bem como nos conflitos em Kosovo, Bósnia, Timor Leste, Palestina e África.

Foram experiências que alteraram a política mundial e cujos detalhes surgem em “Intervenções - Uma vida de guerra e paz”, livro que Annan escreveu com a ajuda de seu ex-assessor Nader Mousavizadeh, que está sendo lançado no Brasil pela Companhia das Letras. O livro terminou de ser elaborado no primeiro semestre de 2012, quando Annan, já após ter deixado a função de secretário-geral, atuava como enviado especial da ONU à Síria, ainda hoje um país em conflito entre opositores e o governo do presidente Bashar al-Assad.

Em entrevista ao GLOBO, por telefone, Annan explicou o que motivou sua saída da Síria: a incerteza quanto aos anseios por paz dos envolvidos. Ele falou também do papel de Sérgio Vieira de Melllo, o diplomata brasileiro morto em serviço pela ONU, num atentado no Iraque em 2003, e defendeu uma reforma no Conselho de Segurança da ONU, para que novos países se tornem membros permanentes - uma aspiração do Brasil.

O GLOBO: O senhor terminou de escrever o livro alguns meses antes de renunciar como enviado especial da ONU à Síria, com o objetivo de mediar o conflito. O que aconteceu nesse período que o levou à renúncia?

Kofi Annan: Quando eu aceitei a missão na Síria, todos diziam que era uma tarefa impossível ou, pelo menos, muito difícil de realizar. Mas eu me sentia preparado, achava que poderia, se tivesse o apoio do Conselho de Segurança da ONU, ajudar no processo de paz. Nossa meta era pôr pressão em ambos os lados para que se sentassem à mesa e dialogassem. Então, nos seis meses em que eu fiquei na função, chegamos a várias propostas. A primeira foi o Plano de Seis Pontos, o qual todos os lados pareciam endossar. Mas não houve um entendimento, faltou pressão do governo para que os partidos trabalhassem com base no Plano de Seis Pontos.

Mas houve algum estopim para a decisão de renunciar?

Kofi Annan: Eu organizei um encontro em Genebra, onde juntamos os representantes dos cinco países com assento permanente no Conselho de Segurança, mais ministros de Qatar, Iraque e Kuwait. Nós tiramos dali uma estrutura que serviria como alternativa para evitar a guerra. A solução seria um acordo político, mas precisávamos aprovar um governo de transição que abrangesse os interesses de todos os grupos, inclusive as minorias. Basicamente, era um sistema que, acreditávamos, poderia ajudar a Síria a acabar com os conflitos. E todos concordaram. Mas, dias depois, nós fomos para Nova York, e achei que todos eles apoiariam a proposta, mas eles não o fizeram. Foi aí que percebi que eu queria mais a paz na Síria do que os protagonistas do conflito e até do que o Conselho de Segurança. E decidi me retirar.

E hoje? Como o senhor enxerga a situação do país?

Kofi Annan: Eu fico animado ao ouvir que existe uma possibilidade de uma reunião em Genebra, na qual representantes da Rússia e dos Estados Unidos vão discutir para tentar chegar a um acordo. Porém, honestamente, eu não vejo uma solução aparente.

O senhor viu as imagens de um rebelde sírio mordendo o coração que seria de um combatente de um grupo rival?

Kofi Annan: Eu não vi, mas li a respeito. É uma demonstração de como a situação na Síria está. É horrível o que acontece lá. Ver seres humanos chegando a esse ponto dá um gosto amargo do nível de depredação ao qual a Síria chegou.

Quando o senhor foi secretário-geral e também em períodos anteriores, não pareceu haver muitas reservas, sobretudo dos EUA, para invadir países que supostamente ameaçassem a paz mundial. Hoje, isso não tem acontecido mais. O senhor acha que a tarefa da ONU de evitar guerras, hoje, tornou-se mais simples?

Kofi Annan: Eu acredito que todos aprenderam lições com o que ocorreu no Iraque, inclusive os Estados Unidos e seus aliados. Nós vemos os resultados daquela guerra hoje. Algumas decisões fizeram, por exemplo, com que as pessoas passassem a questionar a legitimidade do Conselho de Segurança da ONU. Por isso, não só o mundo ficou mais hesitante quanto às intervenções militares, mas também o governo americano, hoje na figura do presidente Obama, teme repetir o que fizeram no Iraque.

Passados alguns anos da Guerra do Iraque, como o senhor analisa o que aconteceu?

Kofi Annan: As armas de destruição em massa foram a justificativa oficial, eles diziam querer ir para o Iraque para encontrá-las e destruí-las. Mas, no fim, eles perceberam o que todo mundo imaginava, que não havia armas de destruição em massa. Não deram tempo suficiente para os inspetores da ONU fazerem seu trabalho. Os Estados Unidos e seus aliados também não tiveram paciência para esperar que o Conselho de Segurança debatesse. Eu suspeito que eles perceberam que o Conselho não iria endossar a ação no Iraque sem uma confirmação sólida de que havia as armas. E, no fim, claro, não havia armas.

Por tudo o que ocorreu na última década, alguns líderes mundiais defendem uma reformulação no Conselho de Segurança da ONU, com a inclusão de novos membros permanentes. O senhor concorda que o Conselho precisa mudar?

Kofi Annan: Não há dúvida de que algo precisa mudar. A estrutura do Conselho de Segurança da ONU reflete a situação geopolítica de 1945. Mas o mundo mudou, a ONU precisa mudar junto com o mundo. É difícil justificar para os jovens que um Conselho de Segurança, que supostamente deveria representar o mundo, não tenha integrantes permanentes da América Latina e da África. Eu defendo uma reforma do Conselho de Segurança para que ele seja mais democrático e representativo. Quando fui secretário-geral, eu fiz propostas e me empenhei bastante para mudar o Conselho, mas não foi possível. Poderes novos de países como Brasil, Indonésia, Índia, África do Sul e outros têm todo o direito de exigir um assento permanente na mesa. A reformulação é essencial e vai ajudar a evitar novas tensões no mundo.

Como o senhor vê o papel do Brasil no mundo hoje?

Kofi Annan: O Brasil se tornou um país extremamente importante no cenário internacional. Vou dar um exemplo do que acontece no meu continente, a África. O Brasil tem políticas de cooperação com países africanos essenciais. A experiência do Brasil em cuidar de questões sociais e econômicas pode servir para o desenvolvimento dos países africanos, e espero que essa cooperação continue e seja expandida.

O senhor foi muito próximo do alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos Sérgio Vieira de Mello, que morreu quando era enviado da ONU a Bagdá, em 2003. Como a morte de Vieira de Mello afetou o senhor?

Kofi Annan: Sérgio não foi apenas um colega de ONU. Ele era um amigo. Nós estivemos juntos em muitas situações. Ele era um diplomata brilhante, e tenho certeza de que Sérgio poderia assumir qualquer cargo nas Nações Unidas. Ele estava a caminho de se tornar secretário-geral.

Que momento o senhor considera o mais difícil em sua trajetória como secretário-geral da ONU?

Kofi Annan: Foi a Guerra do Iraque. O que aconteceu ali dividiu demais a ONU, de uma forma muito negativa, ao ponto de eu não ter certeza se aquela ferida já cicatrizou completamente. Foi bastante duro tentar prevenir a guerra, discordar de amigos e acompanhar tudo o que aconteceu em seguida.

No livro, o senhor fala de como o escândalo relacionado ao programa Petróleo por Alimentos, que envolveu seu filho, Kojo, e que fez com que até mesmo o senhor fosse investigado, o afetou. O que o senhor aprendeu com aquele episódio?

Kofi Annan: Aquele foi um escândalo fabricado. Na época, faltavam muitas informações, e veio a público o fato de que meu filho trabalhava para uma das companhias que tinha contrato no Iraque. Mas o verdadeiro problema é que havia centenas de empresas de todos os países, inclusive dos cinco países com assentos permanentes no Conselho de Segurança, que fizeram acordos com Saddam Hussein para fechar contratos de petróleo. Mas é claro que não houve tanto interesse nisso quanto houve no que envolvia as Nações Unidas. A imprensa, especialmente a imprensa americana, ficou mais interessada no que dizia respeito a meu filho.

(webremix.info)


Lula recomenda que governo 'reforme manuais' para melhorar pol?tica externa

PORTO ALEGRE – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recomendou ontem em Porto Alegre que o governo faça uma reforma nos manuais de gestão pública para permitir que a política externa do país seja mais eficiente. Segundo Lula, o Brasil precisa aproveitar o bom momento econômico para investir no mercado africano.

— Tem que reformular o manual do Itamaraty, da Receita Federal, de todo mundo. Política exige mais agilidade. É preciso inovar o comportamento, as atitudes. E tem que ser ousado. É hora de financiar a África. Se não fizer, os chineses fazem — disse Lula.

O ex-presidente discursou por 45 minutos para uma plateia heterogênea, composta por membros do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo gaúcho. Foi aplaudido várias vezes e arrancou risos quando se referiu ao G-7, o grupo das economias mais fortes do mundo, comparando-a com um ônibus.

— É uma confraria. A Itália quebrou mas continua lá. Temos que fazer que nem em ônibus lotado: entrar empurrando um, chutando a canela de outro, mas com respeito. É assim que tem que fazer para ocupar lugar no mundo – afirmou.

Lula praticamente não falou de política. No começo do discurso, apenas agradeceu a Deus por ter perdido algumas eleições. Segundo ele, as derrotas foram necessárias para que se desse conta que “a real política do país é diferente da política sindical ou partidária”. Também se referiu à crise econômica de 2008 e 2009, quando foi “achincalhado” quando afirmou que seria apenas uma marola para o Brasil e quando fez “uma apologia do consumo”.

— Quando assumimos, foi preciso quebrar o complexo de vira-lata que tinha na cabeça de algumas pessoas que dominavam este país — criticou.

O ex-presidente também criticou mandatários que inventam e “querem virar cientistas” no exercício do poder.

— Se fizessem o óbvio, não erravam — recomendou.

(webremix.info)


BlackBerry abre seu sistema de mensagens a outros aparelhos e lan?a mais um celular

ORLANDO - A BlackBerry anunciou planos nesta terça-feira de oferecer seu popular sistema de mensagens instantâneas em aparelhos produzidos por rivais e apresentou um novo modelo intermediário de smartphone para crescer em países nos quais sua marca permanece forte.

Buscando mercados nos quais ainda é popular fora da América do Norte, a BlackBerry disse que o novo smartphone Q5 estará disponível no começo de julho em mercados selecionados na Europa, América Latina, Ásia, Oriente Médio e África.

O Q5 terá teclado físico no padrão QWERTY, recurso que ainda diferencia os dispositivos BlackBerry da maioria dos concorrentes.

A companhia não divulgou faixa de preço do aparelho que virá em várias cores, mas ele é claramente direcionado a um público mais jovem e mais sensível a preços.

"A BlackBerry está claramente tentando replicar o sucesso de seu BlackBerry Curve em mercados emergentes", disse Adam Leach, analista da Ovum, referindo-se ao modelo que foi popular na Índia e em outros países em desenvolvimento.

A BlackBerry, antes conhecida como Research in Motion, praticamente inventou o conceito do email móvel que pode ser acessado por aparelhos com pequenos teclados operados com os polegares, mas nos últimos perdeu terreno para o iPhone da Apple e para a linha de aparelhos Galaxy da Samsung.

A perda de participação obrigou a empresa a promover grandes cortes de custos e a promover uma profunda reformulação de seus produtos e prioridades.

"Sabemos que não tem sido fácil e que ainda há muito trabalho a ser feito, mas, cara, atingimos terra firme nesta empresa", afirmou o presidente-executivo da BlackBerry, Thorsten Heins, durante conferência da companhia em Orlando, no Estado norte-americano da Flórida.

As ações da BlackBerry exibiam queda de cerca de 4% no início da tarde desta terça-feira em meio a avaliações de analistas sobre qual será o preço do Q5. Eles manifestaram dúvidas sobre se a abertura do serviço de mensagens BBM para outros aparelhos será uma ação muito pequena e virá muito tarde para a recuperação da companhia.

O antigo codiretor executivo da companhia Jim Basillie já havia proposto a oferta do BBM em iPhones e outros aparelhos rivais em uma ampla mudança na estratégia da empresa, antes de ser vencido no assunto. Ele cortou todos os laços com a BlackBerry no início do ano passado.

" (O serviço) é muito bom para o mantermos apenas conosco. Chegou a hora de levar o BBM para uma audiência mais ampla", disse Heins, citando que o serviço transmite 10 bilhões de mensagens por dia.

Antes uma maneira única de transmitir mensagens sem a necessidade de envio de SMSs pagos, o BBM agora compete com uma série de produtos de mensagens instantâneas de empresas como Facebook e Apple, entre outras.

Heins afirmou que tem confiança que a BlackBerry poderá oferecer o BBM para mais aparelhos sem perder seus próprios clientes.

Ele afirmou que a companhia vai lançar o Q10, um aparelho topo de linha com um teclado físico QWERTY nos Estados Unidos no início de junho. O Q10 já está sendo vendido em vários países, incluindo o Canadá.

"Estamos vendo pouco da BlackBerry para inspirar confiança em sua recuperação numa indústria hipercompetitiva e que tem rivais formidáveis, incluindo Samsung, Apple, Google, Microsoft e Huawei entre outros, com muito mais recursos", disse Amitabh Passi, analista do UBS, em relatório a clientes.

(webremix.info)


Disney Infinity | Conhe?a ?rea do jogo inspirada em Piratas do Caribe

A Disney liberou um novo trailer de Disney Infinity com a apresentação da área do jogo que traz cenários inspirados em Piratas do Caribe. O vídeo mostra o capitão Jack Sparrow, a tripulação pirata, navios e tesouros; assista: Disney Infinity é um jogo que permite o uso de bonecos reais para interagir com o videogame. O título está em desenvolvimento pela Avalanche Software para as plataformas Xbox 360, PlayStation 3, Wii, Wii U, PCs, tablets e celulares. O game será lançado no dia 18 de agosto. Leia mais sobre Disney Infinity (webremix.info)


Resgatar o multilateralismo ? o principal desafio

RIO e GENEBRA, Suíça - À frente da Organização Mundial do Comércio (OMC), o brasileiro Roberto Azevêdo terá uma tarefa hercúlea: resgatar o multilateralismo no comércio num mundo em que os países recorrem cada vez mais a acordos bilaterais para maximizar suas trocas. Só assim Azevêdo poderá evitar que a organização que vai comandar caia na irrelevância. Com os sucessivos fracassos das negociações da Rodada Doha, que começou em 2001 e não foi concluída, e o estouro da crise internacional em 2008, muitos países adotaram atitudes protecionistas ou optaram por firmar acordos de preferência de comércio ou buscaram respaldo em blocos regionais.

Existem hoje no mundo 213 acordos de livre comércio e 24 uniões aduaneiras, que funcionam como “cupim no porão” da OMC, afirma o diretor da Agroconsult, Marcos Jank. Ao reduzir tarifas para um ou mais países específicos, criam-se preferências, o que, para o multilateralismo, “é muito ruim”, defende Jank. A eleição de Azevêdo, o primeiro latino-americano a comandar o órgão, pode representar, no entanto, um sinal de mudanças na instituição, que tenta recuperar sua credibilidade.

— É preciso reformar o processo de governança, o órgão de soluções de controvérsias, discutir como funcionam os acordos bilaterais, mas ele não fará isso sozinho — diz Jank.

O primeiro teste de Azevêdo acontecerá pouco tempo depois de assumir o cargo: no dia 3 de dezembro, ministros de comércio dos 159 países-membros da OMC se encontram em Bali para tentar desemperrar a Rodada de Doha. Com mais um fracasso, o golpe será duro.

Para Ricardo Melendez Ortiz, ex-embaixador colombiano que dirige o International Center for Trade and Sustainable Development ou Ictsd, um centro que acompanha de perto a OMC, destaca que o desafio de Azevêdo será lidar de “forma construtiva” com uma tendência de regionalização no comércio mundial.

— Nos últimos anos, foram lançados entre 450 e 500 acordos preferenciais de comércio. A OMC criou as regras mínimas de comércio, com as quais todos os países concordaram. Já estes acordos preferenciais foram negociados a partir destas regras mínimas. Na América Latina, há uma proliferação de acordos bilaterais e plurilaterais. Só o México negociou mais de 42 — explicou Melendez.

Ao tentar resgatar o multilateralismo na OMC, Azevêdo terá que lidar com os interesses conflitantes dos grandes atores do comércio global. Os EUA, por exemplo, têm forte viés protecionista na área agrícola. Recentemente, avançaram em iniciativas de livre comércio com dez países banhados pelo Pacífico e com a União Europeia (UE), e o comércio exterior ganhou prioridade na pauta do governo americano. Mas a política voltada para a agricultura continua sendo um tema sensível, lembra Rodrigo Branco, economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex).

— A postura dos EUA em relação à OMC é de descrédito. Eles negociam por fora. Um ato simbólico foi que, quando Obama anunciou que o acordo com a UE estava em negociação, sequer citou a OMC — diz o economista.

Agenda própria dos Brics

Também a UE ainda não dá indícios de que concordará em reduzir os subsídios que oferece ao campo. Com os problemas internos que enfrenta, as negociações multilaterais se tornaram ainda mais difíceis. Seu principal interesse na OMC é liberalizar serviços.

Países emergentes, por sua vez, tradicionalmente lutam pela liberalização do setor agrícola e agem com cautela com serviços. Mas, com o aumento da complexidade do comércio mundial, novos temas entraram em pauta e aumentaram as diferenças entre os países.

— Cada um dos Brics (bloco de países formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) hoje tem sua agenda própria — exemplifica Bruno Garschagen, especialista do Instituto Millenium.

A Índia se mostra bastante protecionista, sobretudo quanto a produtos agrícolas, na contramão do comportamento de seus pares emergentes. Já a China representa uma incógnita, pela falta de transparência em suas políticas domésticas, defende Leane Naidin, professora de Relações Internacionais da PUC-Rio e coordenadora de Comércio e Desenvolvimento no Brics Policy Center. E mostra uma postura de observação dentro do órgão. O Brasil, por sua vez, tem indústria diversificada, diferentemente de países como Rússia e África do Sul.

Para o professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Alcides Costa Vaz, o “estancamento” da Rodada de Doha e a tendência de acordos de livre comércio entre blocos fizeram da OMC uma instituição “combalida”.

(webremix.info)


Escolha de brasileiro se d? num mundo menos liberal

RIO – A eleição de Roberto Azevêdo sugere uma conciliação entre uma agenda liberal e uma preocupação maior com o desenvolvimento econômico no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), apontam especialistas. Há quem acredite que o debate entre a liberalização e o desenvolvimentismo esteja por trás da escolha do nome do brasileiro. Analistas concordam que o mundo hoje está cada vez menos liberal, em consequência da crise econômica global de 2008.

— Roberto Azevêdo é alguém com sensibilidade de fazer uma mediação entre o argumento liberal e uma agenda desenvolvimentista. Ele foi eleito com discurso de um comércio mais equilibrado, que aponta para uma liberalização com distribuição e uma preocupação com desenvolvimento econômico — afirma o professor da Universidade de São Paulo e coordenador científico do Centro de Estudos das Negociações Internacionais (Caeni) Amâncio Jorge de Oliveira.

Esta característica, segundo Oliveira, tornaria o brasileiro mais aberto ao argumento de países em desenvolvimento de que deveriam ter permissão para lançar mão de condições especiais no comércio mundial — o que dá margem, por exemplo, para a formulação de uma política industrial.

— Há países que não se sentem aptos para adotar uma liberalização ampla em serviços, por exemplo. É uma agenda de países em desenvolvimento de alguma proteção, em alguma medida — diz o professor da USP.

Na avaliação do professor de Relações Internacionais da Unesp/Marília Tullo Vigevani, as políticas de desenvolvimento estão entre as preocupações do novo diretor-geral da OMC. Para ele, reequilibrar liberalização e desenvolvimento está em linha com o pensamento dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), do Mercosul, do governo Barack Obama e de uma parte da União Europeia:

— Pode não ser uma razão imediata, mas o pano de fundo da vitória de Azevêdo talvez seja que o debate sobre compatibilização do desenvolvimento com a liberalização comercial está colocado com força.

A questão, segundo Vigevani, é que a crise de 2008, que se prolonga além das previsões, levanta o debate sobre planejamento econômico nacional e internacional.

— Não tenho dúvidas de que o mundo está ficando menos liberal. Além do diagnóstico crítico dos resultados das políticas liberais, a complexidade dos modelos econômicos atuais demanda um nível de governança que só o mercado não é capaz de cumprir — aponta Alcides Costa Vaz, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (Unb).

A crise, segundo Vaz, levou a um debate sobre o reposicionamento do papel do Estado no campo econômico, que nos anos 1990 estava em vias de desaparecer.

‘Papo de campanha’

Amâncio Jorge de Oliveira defende que o melhor desempenho dos países com “boa dose de intervencionismo” acaba enfraquecendo o discurso liberal, de que as intervenções levam a disfuncionalidades.

— Os países com intervencionismo estão se saindo melhor, e os liberais estão mal das pernas. Com isso, o argumento liberal perde um pouco de terreno no debate atual, embora não se saiba como será o futuro — diz o professor da USP.

Já o advogado Luiz Olavo Baptista, que foi integrante do Órgão de Apelações da OMC, acredita que o argumento de que Roberto Azevêdo tem um viés não liberal foi usado pela campanha do mexicano Herminio Blanco:

— Isso foi papo de campanha dos mexicanos para tentar derrubar a candidatura de Azevêdo.

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Patriota destaca preparo de candidato brasileiro ? OMC

BRASÍLIA - O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, usou ontem o futebol para demonstrar que o brasileiro Roberto Azevêdo é mais bem preparado e experiente do que seu adversário, o mexicano Hermínio Blanco, na disputa pelo cargo de secretário-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC). Patriota disse que o embaixador do Brasil está no banco de reservas, treinando para assumir o cargo há bastante tempo e se encontra, agora, pronto para fazer um gol que, segundo ele, será a retomada das negociações para um acordo multilateral já no fim deste ano, em Bali.

Apesar da campanha movida por Reino Unido e França contra a candidatura de Azevêdo, atitude incômoda e surpreendente para o governo brasileiro, Patriota enfatizou que o Brasil tem recebido apoio de países de todos os continentes e de todos os níveis de desenvolvimento. Para o ministro, há grande aceitação e reconhecimento da capacidade técnica, do talento como negociador e da facilidade de Azevêdo aproximar posições.

— Ele [Roberto Azevêdo] já está se preparando para isso há muito tempo, no banco de reservas, e pode entrar chutando em gol. Na reunião ministerial de Bali, não precisará ficar se adaptando, atualizando-se sobre o que aconteceu na OMC nos últimos anos — disse.

Perguntado sobre a atitude de britânicos e franceses, que acusam o Brasil de protecionista, Patriota disse que todos os países têm o direito de emitir suas opiniões. Entretanto, em uma linguagem diplomática, lembrou que, assim como a política comercial brasileira passou por uma revisão periódica na OMC no ano passado — o que acabou levando a críticas por causa de medidas para proteger as indústrias nacionais tomadas pelo governo — Inglaterra e França também terão, em algum momento, que se submeter ao mesmo processo.

— Na OMC, todo país pode apresentar suas posições. Aliás, é uma organização muito democrática, porque cada Estado membro tem de passar por uma revisão periódica de sua política comercial — enfatizou.

Falta menos de um mês para o resultado da eleição. O voto de cada um dos 159 países associados à OMC é secreto. Segundo uma fonte da área diplomática, apesar da oposição de França e Reino Unido, entre os europeus que já declararam apoio ao Brasil estão Portugal, Espanha, Itália, Holanda, Romênia, Bulgária e Eslovênia.

Os integrantes do Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) também são favoráveis à candidatura brasileira. Os Estados Unidos disseram que têm "apreço" por Azevêdo, mas não revelaram publicamente seu preferido. Países em desenvolvimento e pobres em geral têm declarado apoio ao Brasil em encontros e conversas telefônicas com o ministro das Relações Exteriores.

Essa fonte comentou que, apesar de não querer polemizar em relação aos países europeus que são contra Azevêdo, esse tipo de campanha, justamente na reta final, em que só ficaram dois candidatos, veio em má hora e pode atrapalhar os planos do governo brasileiro. No Itamaraty, avalia-se que o Brasil será vitorioso na disputa, mas ninguém se atreve a revelar suas projeções.

— Não seria apropriado, nem aconselhável, contabilizarmos quantos votos temos nesse estágio crítico em que estamos agora. Mas constatamos que há muita aceitação — disse Patriota.

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Exposi??o na Alemanha tra?a paralelo entre apartheid e hist?ria da fotografia na ?frica do Sul

Maquiadas, de salto alto e vestidos formais, senhoras permanecem eretas e plácidas, lado a lado. Estáticas, elas seguram cartazes de caligrafia impecável: "Protestamos contra a deprivação de direitos humanos básicos“. "Legal agora mas imoral para sempre“. Seus cabelos são bem penteados, algumas usam chapéus. Todas vestem uma faixa negra cruzando o tronco. Todas têm a pele branca.

As senhoras de elite que nos anos 1950 fundaram o movimento "Black Sash“ ("Faixa Negra“) para protestar contra o apartheid na África do Sul são um entre dezenas de grupos que, a partir de 1948, deram diferentes formas à resistência contra a institucionalização da segregação racial, desde a desobediência civil até os conflitos armados. Junto com eles, uma geração de fotógrafos sul-africanos desenvolveu um olhar sobre o próprio país que antes fora atribuição de holandeses e britânicos, os colonizadores.

A história dessa luta e a história da fotografia sul-africana são inseparáveis, é o que mostra a exposição "Rise and fall of apartheid“ ("Ascenção e queda do apartheid“), em cartaz até 26 de maio na Casa de Arte, em Munique. Em dois mil metros quadrados, mais de 600 fotos, filmes e slides – a maior parte de criadores sul-africanos – percorrem o início da política de Estado do apartheid em 1948, com a eleição do Partido Nacional, até o fim, com a libertação de Nelson Mandela em 1990, quase 28 anos após sua prisão, e sua vitória nas eleições de 1994.

– Temos uma premissa: o que conhecemos hoje como fotografia sul-africana foi inventado em 1948. Antes desse período havia uma representação antropológica dos sul-africanos, dos chamados estudos nativos. A fotografia depois do apartheid teve que inventar o cidadão – diz o historiador de arte Okwui Enwezor, diretor do museu e curador da mostra junto com Rory Bester.

Para inventar o cidadão, fotógrafos sul-africanos retrataram não apenas os movimentos de resistência e protesto, mas também buscaram as rotinas instituídas por leis que usurparam a cidadania dos negros no país. Nos primeiros anos do apartheid, proibiram-se os casamentos interraciais, e a separação de brancos, negros e coulored ("de cor“, mestiços) nas cidades atribuiu à palavra seu significado literal em holandês: separado (apart) e bairro (heid). Se a discriminação racial já existia na estrutura colonial, sua institucionalização como sistema político-jurídico criou um espaço de resistência e tensão social que impulsionou o desenvolvimento de uma nova fotografia no país.

Um dos mais proeminentes fotógrafos do período, Ernest Cole, precisou reinventar a própria identidade para poder se locomover em locais onde os negros precisavam de um passe para entrar. Ele conseguiu ser classificado como "de cor“ e registrou espaços a que não teria acesso. Cole captou o que Enwezor denomina petit apartheid, as normas de segregação inscritas nos signos urbanos, que regulavam a vida em seus aspectos mais banais, determinando quem podia sentar-se num banco, usar o banheiro ou o transporte público.

Outro importante fotógrafo da rotina de segregação é Peter Magubane. É dele a foto da menina branca sentada num banco com a inscrição "Só para europeus“, enquanto sua babá negra a acaricia, porém do outro lado, reservado aos negros. São fotos que lembram o período das leis Jim Crow em estados do Sul dos Estados Unidos, do fim do século XIX aos anos 1960. Com o subtítulo de "Fotografia e a burocracia da vida cotidiana", a exposição quer mostrar o lado rotineiro do apartheid, pouco noticiado pela mídia, que se concentrou nos protestos e conflitos violentos, sobretudo a partir dos anos 1970.

– A mudança do político para o normativo precisa ser discreta, mas a mídia sempre quer algo que seja equivalente ao evento, e no caso a violência era o meio mais impactante para contar as histórias. Isso ofuscou os elementos do apartheid com mais nuances. Na exposição mostramos como algo essencialmente político se tornou normalizado. Apesar de sempre ter havido resistência, foi necessário um grau de normalização social para que o apartheid pudesse funcionar – afirma o curador.

Imagens dos diferentes movimentos de resistência também são um importante núcleo da exposição, como as manifestações cujo símbolo eram polegares levantados. O sinal discreto foi substituído por punhos erguidos à medida que os protestos se tornaram mais agressivos, após o assassinato de 69 pessoas no Massacre de Sharpeville, em 1960, durante um protesto contra a obrigatoriedade do passe para os negros; e sobretudo desde 1976, quando quatro estudantes foram mortos numa manifestação em Soweto. Outros grupos de resistência continuaram com a mesma estratégia do início até o fim do apartheid. Foi o caso da "Faixa Negra“ – que se apropriou da linguagem do sistema, usando a mesma tipografia modernia dos signos urbanos de segregação.

– Aquelas senhoras tinham uma consciência do valor da propaganda, de que sua representação tinha que funcionar para se contrapor à função comunicativa do apartheid. Tinham uma atuação coreografada, num gesto de não violência e confronto passivo – diz Enwezor, curador da documenta de Kassel de 2002 e ex-curador adjunto do Centro Internacional de Fotografia, por onde a mostra já passou.

Em seu texto no catálogo, Enwezor faz uma divisão de abordagens dos fotógrafos sul-africanos da época: havia os que usavam a fotografia como instrumento de transformação política e os que percebiam a imagem como meio de análise social. O próprio curador reconhece, porém, que a crítica do sistema é um elemento central em fotógrafos emblemáticos como David Goldblatt, cujas imagens quase abstratas simbolizam segregação e abandono. A mostra traz ainda obras de artistas que também usaram fotos relacionadas ao apartheid, seja de forma sutil, como o sul-africano William Kentridge, ou irônica, como o alemão Hans Haacke, que se apropriou de propagandas de empresas com negócios na África do Sul.

Apesar de se concentrar na luta antiapartheid, a exposição reúne alguns retratos da elite da sociedade sul-africana, como as fotos da americana Margaret Bourke-White, e dos movimentos nacionalistas brancos que se intensificaram nos últimos anos de aparhteid. Porém, segundo Enwezor, a maior parte das imagens do universo pró-apartheid não se destaca pela qualidade fotográfica, e sim pela informação histórica:

– Era a imagem da civilidade, do liberalismo em face de políticas não liberais.

Grande parte dessas imagens faz parte do Arquivo Nacional da África do Sul, que pertencia ao antigo Ministério da Informação. Em oito anos de pesquisa, Okwui Enwezor e Rory Bester vasculharam ainda os arquivos da revista "Drum“, do coletivo de fotógrafos Afropix, do Museu da África e da Galeria de Arte de Johanesburgo e do Mayibuyi, arquivo da Universidade do Cabo Ocidental, com mais de meio milhão de imagens sobre o período. Para além dos registros históricos, o curador quis ainda deixar uma espécie de epílogo sobre a recepção desse legado histórico e fotográfico pelas novas gerações, com imagens de 2010, 2011 e 2012.

– Fotógrafos como Thabiso Sekgala e Sabelo Mlangeni têm um estilo e formato influenciado por David Goldblatt, com uma certa distância crítica e interesse por cidades pequenas despovoadas – afirma.

Por fim, um banner sintetiza a extensa luta de resistência, reprimida e reativada, como se vê no longo percurso da exposição. Refeito pelo Centro de Reencenações Históricas, em Johanesburgo, a partir de uma fotografia de um protesto em 1985, que teve 25 mortos, ele diz: "They will never kill us all“ ("Eles nunca matarão todos nós“).

(webremix.info)


Brasileiros desenvolvem kit diagn?stico para detec??o de HTLV

Pesquisadores do Centro de Terapia Celular do Hemocentro de Ribeirão Preto criaram o primeiro kit de diagnóstico molecular para indicar a infecção por retrovírus HTLV I e II (vírus linfotrópicos de células T humanas do tipo HTLV). Segundo os cientistas, o teste está em fase de desenvolvimento e é mais sensível do que o importado utilizado atualmente.

“O teste permitirá a conclusão segura do diagnóstico, aumento da segurança em transplantes e transfusões sanguíneas e evitará a transmissão vertical (de mãe para filho), principal via de transmissão”, explicou por nota o pesquisador Mauricio Rocha, do Laboratório de Biologia Molecular do centro.

Segundo Rocha, já foram testadas 200 amostras do banco de DNA do Hemocentro, sendo 70 positivas e 130 negativas. O novo teste acertou o diagnóstico de todos os indivíduos

“Além disso, nenhuma das pessoas sadias acusou resultado positivo, o que aponta para 100% de especificidade”, complementou.

Enquanto o exame importado custa R$ 170, este nacional sairá por R$ 10. O próximo passo da pesquisa é testar amostras de sangue de Salvador, na Bahia, África do Sul e Peru.

Estima-se que no mundo haja 20 milhões de pessoas infectadas pelo HTLV, sendo aproximadamente 2,5 milhões no Brasil, o que faz com que o país tenha o maior número absoluto de infectados por este retrovírus.

Destes, entre 1% e 5% desse total irá desenvolver alguma doença relacionada ao HTLV, sendo o tipo I associado a doenças graves neurológicas degenerativas e hematológicas, como a leucemia e o linfoma de células T. Já o segundo ainda não se tem esclarecida a ligação com enfermidades.

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Estado do Rio ter? 280 guardi?es da natureza at? julho

RIO - De olho em experiências bem-sucedidas de países como Estados Unidos, África do Sul e Argentina, o Estado do Rio começa a tirar do papel uma força-tarefa em defesa de suas áreas verdes. Entre engenheiros, biólogos, geógrafos e jovens que ainda não venceram a graduação, um exército de 110 pessoas já está em campo — e com formação específica — para fortalecer a proteção da biodiversidade. A jornada semanal dessa turma, de 40 horas, rende a cada um R$ 1.500 ao fim do mês. A área de atuação do novo serviço estadual de guardas-parques é vasta em todos os sentidos: até julho, todos os 280 fiscais, 220 concursados pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e 60 cedidos pelo Corpo de Bombeiros, estarão treinados para atuar em 204 mil hectares, em ações de combate a incêndios e desmatamentos, ordenamento urbano, educação ambiental e apoio às pesquisas científicas.

Do extremo sul ao extremo norte do estado, cada uma das 12 unidades de proteção integral, aquelas que não permitem edificações, terão ao menos seis fiscais. Entre elas, os parques da Pedra Branca (Rio), dos Três Picos (Região Serrana) e da Serra da Tiririca (Niterói). Também foram destinados R$ 8 milhões para a compra de veículos, uniformes e equipamentos. De acordo com o Inea, foram adquiridos, em média, um veículo para cada dez guardas-parques. O financiamento veio de compensação ambiental do Porto Açu, do empresário Eike Batista.

Bianca Masi, de 27 anos, percorre, a pé ou dirigindo uma possante caminhonete, os trechos do Parque Estadual da Costa do Sol. Ela e outros 30 colegas são responsáveis por dar conta de uma área que corta seis cidades da Região dos Lagos — de Saquarema a Búzios — e soma quase três Florestas da Tijuca. Graduada em geografia e especializada em técnicas de segurança do trabalho, a jovem conta que decidiu fazer o concurso para proteger o “quintal de casa”: o bairro do Peró, em Cabo Frio.

— Foi para tentar ajudar a melhorar as coisas que decidi ser guarda-parque. Pretendo voltar a dar aulas de geografia, mas nos últimos meses estive focada no trabalho de guarda — afirma Bianca, contratada por três anos, com possibilidade de renovação por mais dois.

O guarda Daniel Lopes, de 32 anos, também fiscal do parque, neste sábado dedicava-se à pesquisa de capacidade de carga da Praia das Conchas, em Cabo Frio. O trabalho tem como objetivo mapear a área e cruzar informações, como quantitativo e renda média dos visitantes. A praia faz parte do Parque da Costa do Sol. Com base nesses dados, será possível padronizar o funcionamento dos 18 quiosques do local. A equipe também promete constranger a atividade dos flanelinhas, que chegam a cobrar R$ 15 por carro estacionado na vegetação de restinga.

— Estou aqui por ideologia — diz Lopes. — Já vinha de um ativismo ambiental de 16 anos. Pensei que era hora de parar de reclamar e passar para o outro lado do balcão.

A seleção dos guardas-parques incluiu provas teóricas e práticas, além de uma fase classificatória que levou em conta a formação anterior dos candidatos em itens como primeiros socorros e informações sobre animais peçonhentos, além do conhecimento de línguas estrangeiras. Entusiasta do projeto, o diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Inea, André Ilha, aposta no diálogo dos guardas com a sociedade para desenvolver uma cultura de desenvolvimento sustentável.

— Diversos países têm uma longa tradição com os seus serviços de guardas-parques, como Estados Unidos, Canadá, Quênia, Chile e Argentina. Mas, no Brasil, não tínhamos iniciativas desse tipo. Um estudo do Banco Mundial mostrou que o fator individual mais importante para a adequada gestão de uma área protegida é a presença de pessoal no campo, uniformizado e treinado. Para estimular o ingresso de moradores da região, fizemos nosso concurso por unidade de conservação, o que provou ser uma decisão acertada — comenta Ilha, prevendo uma revolução na gestão de parques e reservas estaduais.

De acordo com o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, a atuação desses profissionais será fundamental para que o estado atinja a meta de quadruplicar o número de visitantes dos parques estaduais nos próximos quatro anos:

— Não basta criar parque no papel. Precisamos ter equipamentos, segurança e orientação aos visitantes. A meta é passar de 250 mil para um milhão de visitantes em quatro anos. O guarda-parque não anda armado. A principal função dele é garantir o bom uso do parque.

Para driblar eventuais retrocessos do projeto, em função do baixo salário, o Inea aposta em gratificações por metas. Se as metas forem cumpridas, cada guarda-parque levará para casa R$ 4 mil a mais por ano.

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Cr?ticas de Mantega ao FMI t?m repercuss?o perto de zero nos EUA

As críticas do ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega aos Estados Unidos e à Europa, por manter em banho-maria a reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI), nos moldes exigidos por países em desenvolvimento, em especial os integrantes do grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, na sigla em inglês), ocuparam perto [...]

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IEA: emergentes produzem 53% da energia renov?vel do mundo

GENEBRA – O mundo praticamente parou de investir em energia limpa, isto é, em biocombustíveis, energias eólica e solar. Mas três gigantes emergentes apostaram pesado nesta fontes energéticas e agora começam a colher os frutos: Brasil, China e Índia lideram o grupo de países em desenvolvimento que é hoje responsável por 53% da produção de eletricidade renovável mundo, contra 45% em 2000. É o que diz um relatório da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), divulgado nesta quarta-feira.

— O esforço para limpar o sistema de energia do mundo está parado — disse Maria van der Hoeven, diretora executiva da IEA, ao divulgar o relatório, em Londres.

Segundo ela, apesar do discurso dos líderes mundiais à favor de energia limpa, “a unidade média de energia produzida hoje é basicamente tão suja como há 20 anos”. Por conta disso, está ficando cada vez mais difícil países cumprirem a promessa feita à ONU de limitar o aumento da tempertura do Planeta neste século a menos 2 graus centígrados, diz a IEA.

Um outro relatório, da Bloomberg New Energy Finance, confirma isso, ao revelar que que o investimento global de energia limpa no primeiro trimestre caiu para seu nível mais baixo em quatro anos, sobretudo por conta de cortes de incentivos fiscais nos países em crise ou sob políticas de austeridade.

A grande exceção são os países emergentes. O relatório destaca, específicamente, Brasil, China e Índia como os que podem dar um “salto” mundial em termos energéticos, para uma economia de baixo carbono competitivo.

— Brasil, China e Índia já estão liderando no desenvolvimento, fabricação, distribuição e exportação (inclusive para países da OCDE) tecnologias de energia limpa, como painéis solares, turbinas eólicas e tecnologias de biocombustíveis — diz o relatório.

A produção de biocombustíveis no mundo cresceu de 16 bilhões de litros em 2000 para uma estimativa de 110 bilhões de litros em 2012. Os biocombustíveis, segundo o relatório, representam cerca de 2,3% da demanda total combustível para o transporte em 2011 e o Brasil, os Estados Unidos e a União Europeia é onde a demanda é mais elevada: 20,1%, 4,4% e 4,2%, respectivamente, em 2010.

Em 2008, ainda de acordo com a IEA, Brasil, China, Índia, México, Rússia e África do Sul podem ter financiado mais pesquisa, desenvolvimento e demonstração energética do que os governos dos países da IEA (na sua maioria, ricos). Mas apesar de os emergentes estarem investindo mais, são os países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (os ricos da OCDE) que detém a maioria das patentes em todas as categorias de tecnologia de energia limpa, liderada pelo Japão, Estados Unidos e Alemanha, Coréia, Grã-Bretanha e França.

China e Brasil, por exemplo, são os que maiiores responsáveis pelo crescimento da energia hidroelétrica no mundo, que aumentou de 2700 twh (terawatt por hora) em 2000 para 3640 twh em 2011.

A AIE disse que a geração de energia a carvão – altamente poluente – cresceu 45% entre 2000 e 2010, superando em muito o crescimento de 25% na geraçãode combustíveis não-fósseis (mais limpos) no mesmo período.

A boa nova vem dos consumidores: em 2012, as vendas de carros elétricos ultrapassaram um milhão. E sistemas de energia solar estão sendo instalados “em velocidade recorde”, segundo a IEA.

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Genoma do celacanto traz pistas sobre a migra??o da vida dos oceanos para a terra

RIO – Considerados verdadeiros “fósseis vivos”, os celacantos podem ajudar a revelar como a vida emigrou dos oceanos para a terra. Em um esforço que levou mais de uma década, uma equipe internacional de cientistas realizou o sequenciamento e análise do genoma destes peixes, concluindo que eles evoluíram muito pouco nos últimos 300 milhões de anos. As informações sobre o DNA dos celacantos agora podem ser unidas ao estudo de fósseis para tentar explicar o processo evolucionário que transformou nadadeiras carnudas em membros no ancestral comum dos tetrápodes, superclasse do reino animal que abarca praticamente todos os vertebrados terrestres, incluindo todos anfíbios, répteis, aves e mamíferos vivos ou já extintos.

- A análise das mudanças no genoma durante a adaptação dos vertebrados para a vida em terra revelou genes chave que podem estar envolvidos nas transições evolucionárias – diz Chris Amemiya, diretor de genética molecular do Instituto de Pesquisas Benaroya, nos EUA, e líder da equipe de cientistas responsável pelo trabalho, publicado na edição desta semana da revista “Nature”. - Este é apenas o começo de muitas análises sobre o que o celacanto pode nos ensinar sobre o surgimento dos vertebrados terrestres, inclusive dos seres humanos, e, combinadas com abordagens empíricas modernas, pode revelar pistas dos mecanismos que contribuíram para grandes inovações evolucionárias.

Entre estas inovações estão as relativas à regulação da imunidade, o excreção de nitrogênio e o desenvolvimento de barbatanas, caudas, ouvidos, olhos e cérebro, assim como as envolvidas com o olfato.

Além do genoma do celacanto – que tem quase 3 bilhões de “letras” de DNA, número equivalente ao dos seres humanos -, os cientistas analisaram ainda seu RNA, outro tipo de molécula que guarda informações sobre a codificação de proteínas essenciais para a vida, e o compararam com o de peixes pulmonados, que também fazem parte da linhagem evolutiva do ancestral comum dos tetrápodes. E embora os resultados tenham sugerido que os vertebrados terrestres têm um parentesco mais próximo com os peixes pulmonados, o celacanto ainda é visto como melhor opção para entender a transição dos oceanos para a terra, já que o genoma dos peixes pulmonados tem cerca de 100 bilhões de “letras” de DNA e não pode ser sequenciado pela tecnologia atual.

- Para os biólogos evolucionários, o celacanto é um animal ícone, tão familiar quanto os tentilhões de Darwin em Galápagos – lembra Toby Bradshaw, chefe do Departamento de Biologia da Universidade de Washington e integrante da equipe de pesquisadores do estudo.

Já Gerald Nepom, também diretor do Instituto de Pesquisas Benaroya, destaca que o trabalho permitiu pela primeira vez posicionar o celacanto na história evolucionária do ser humano, revelando genes específicos dos vertebrados envolvidos na transição da vida na água para a em terra, que para isso tiveram que perder ou ganhar funções.

- Creio que uma das mudanças de ganho de função mais marcante é a do gene que regula o desenvolvimento dos membros, apoiada por evidências experimentais de que as nadadeiras carnudas do celacanto são semelhantes a protótipos de pernas – considera. - Fazer pernas a partir de nadadeiras é um maravilhoso exemplo da observação de François Jacob (biólogo francês ganhador do Prêmio Nobel de Medicina de 1965) de que “a evolução é uma experimentadora, e não uma engenheira”.

Um dos maiores obstáculos encontrados pelos pesquisadores para sequenciar o genoma do celacanto foi justamente obter amostras do material. Com entre 1,5 metro e 2 metros de comprimento e cerca de 90 quilos, acreditava-se que este peixe estava extinto há 70 milhões de anos quando, em 1938, um exemplar vivo foi capturado ao largo da costa da África. Nos últimos 75 anos, no entanto, foram relatados apenas 309 avistamentos do peixe, que vive em cavernas no fundo do mar e é extremamente raro.

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Nova esp?cie de porco-espinho ? descoberta no Nordeste

RIO - Restam apenas 2% da cobertura original de Mata Atlântica, na sua porção nordestina, acima do Rio São Francisco. Metade das espécies de árvores praticamente desapareceu. A floresta está dividida em pequenos fragmentos, e o porte das árvores vem diminuindo. A situação é ainda mais dramática em relação às árvores frutíferas: 2/3 foram extintos. Sem alimento suficiente, muitos animais não conseguem sobreviver. Especialistas calculam que metade das espécies de mamíferos sumiu da região, grande parte sem nenhum registro científico. Por isso, a recente descoberta de uma nova espécie de porco-espinho (Coendou speratus) é motivo de comemoração entre os pesquisadores.

O nome científico atribuído ao bicho revela sua importância simbólica. Em latim, speratus significa esperança, explica Antonio Rossano, pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) especialista em mamíferos que liderou o trabalho. A expectativa é que a descoberta marque o fim do processo de desaparecimento de espécies. Para isto, é fundamental recompor a cobertura vegetal e ligar os fragmentos de mata hoje isolados. Além disso, os pesquisadores esperam que haja um incremento das pesquisas para não apenas descrever novas espécies como também aumentar o conhecimento científico acerca do bioma.

— Estamos falando de uma das regiões mais ameaçadas da Mata Atlântica. A preocupação é que estamos perdendo inúmeras espécies que sequer são descritas pela ciência. E, ainda hoje, continuamos encontrando várias espécies novas. Esperamos, e por isso o nome científico speratus, que este porco-espinho chame a atenção do mundo para a preservação desta mata —diz Rossano.

O animal tem hábitos noturnos, e ocorre na mesma região em que há outro tipo de porco-espinho, mas um pouco maior: C. prehensilis. Ele vive dentro dos oito mil hectares de pequenos fragmentos de mata preservados da Usina Trapiche.

— O C. speratus é noturno. De dia fica dormindo em partes ocas de troncos de árvores. Ainda não temos muita informação sobre seus hábitos, mas sabemos que ele come o dendê. Muitos animais tiveram que adaptar sua dieta com frutos de árvores exóticas, introduzidas pelo homem, como é o caso do dendê, que veio da África trazido pelos escravos — explica Rossano. — Esse porco-espinho é predador de frutos. Ou seja, essas sementes que os animais comem não germinam. Na natureza, não podemos ter apenas os dispersores, é preciso de equilíbrio. O C. speratus contribui para este equilíbrio.

A descrição do porco-espinho foi publicada na última sexta-feira na revista “Zootaxa”. Além dos especialistas da UFPE, o trabalho mobilizou pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), estes responsáveis pela análise genética. Além disso, o Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan) e a Usina Trapiche, que mantém importantes fragmentos de floresta, apoiaram a iniciativa. A descoberta fez parte de um estudo de cinco anos que contou com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe) e da ONG Conservação Internacional (CI-Brasil).

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Secex prorroga investiga??o de dumping com laminados

A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) decidiu prorrogar por até seis meses, a partir de 3 de maio, o prazo para conclusão da investigação de prática de dumping nas exportações de laminados planos de baixo carbono e baixa liga feitas para o Brasil por África do Sul, Coreia, China e Ucrânia. (webremix.info)


Dengue teria quatro vezes mais casos no mundo do que o registrado

Os vetores da dengue não conhecem fronteiras. E seus pacientes tampouco têm como regra recorrer a unidades de saúde. Por isso mesmo, até hoje, nenhum estudo havia contabilizado os casos da doença subnotificados no mundo. Agora, um grupo de pesquisadores liderados pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, registrou o hiato entre os dados conhecidos e os negligenciados. Segundo o levantamento, publicada na revista “Nature”, os mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, vetores do vírus da dengue, fazem, em média, 390 milhões de vítimas por ano — quase quatro vezes mais do que estimava a Organização Mundial de Saúde (aproximadamente 100 milhões de ocorrências).

O Brasil, segundo o estudo, teria 22 milhões de casos. Atualmente o Rio vive novo surto da doença. Mais de 79.500 casos foram notificados no estado este ano até o dia 30 de março — 23.500 a mais do que no mesmo período em 2012. Quarenta e cinco municípios estão em situação de epidemia. Cinco pessoas morreram.

Para fazer o cálculo, os pesquisadores consideraram estudos recentes de fatores que facilitam a replicação do mosquito, como a temperatura (o Aedes aegypti adapta-se melhor a ambientes tropicais); a chuva (que cria a água parada, onde o inseto deposita seus ovos), a urbanização e o deslocamento de pessoas (a concentração populacional aumenta a chance de o Aedes infectar mais gente).

— Os casos que vemos nos hospitais são apenas o topo do iceberg — alerta Oliver Brady, um dos autores do estudo e zoólogo da Universidade de Oxford. — Não podemos esquecer o número muito maior de infectados que, embora não procurem um posto de saúde, precisam de licença médica de seu trabalho e sofrem uma infecção dolorosa. São fatores importantes porque ameaçam a produtividade econômica, especialmente nos países em desenvolvimento.

A dengue permanece concentrada no eixo Ásia, África e América Latina, mas já deixa marcas nos países desenvolvidos. Em 2010, ela foi notificada pela primeira vez na França e na Croácia. No ano passado, seis nações europeias sofreram surtos da doença. Somente em Portugal foram mais de 1.800 casos. No Hemisfério Norte, o principal vilão é o Aedes albopictus, capaz de adaptar-se a temperaturas abaixo de zero grau Celsius.

Segundo Brady, conhecer as subnotificações é importante porque incentivaria o mercado global de vacinas a desenvolver um produto que atendesse as vítimas do Aedes.

Coordenador global para dengue da OMS, entidade que não participou da pesquisa, Raman Velayudhan não se surpreendeu com as subnotificações detectadas.

— Trata-se de uma doença absurdamente subestimada, por apresentar-se tanto como uma gripe como algo muito pior, que seria a dengue hemorrágica — ressalta. — A confirmação da dengue também é difícil, podendo levar mais de três dias. Há uma necessidade urgente de melhorar as políticas de prevenção.

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Microsoft: Brasil ? mercado-chave para ind?stria de TI

RIO - A Microsoft enxerga o Brasil como um dos mais importantes mercados estratégicos no mundo em tecnologia da informação e, além dos R$ 200 milhões que já investiu este ano num centro de pesquisa e desenvolvimento e num de seus Laboratórios de Tecnologia Avançada no Rio, já empenhou aproximadamente R$ 170 milhões nos últimos anos em projetos de educação e fomento a start-ups no país — que vão continuar a acontecer. É o que afirma o presidente da empresa no Brasil, Michel Levy, em entrevista ao GLOBO.

— O Brasil é com certeza um dos dez mercados-chave no mundo para a Microsoft. — afirma Levy. — E, entre os Brics, se Índia e China contam com mercados maiores até por conta do tamanho de suas populações maiores, o Brasil compensa isso com a vitalidade de seu mercado, e por isso lidera.

Para o executivo, há na verdade dois Brasis a considerar: o maduro e o emergente. O Brasil maduro se traduziria nos indicadores do World Economic Forum quanto à pujança do mercado financeiro e à sofisticação dos grandes ambientes de negócios. Mas, diz Levy, ainda há uma miríade de pequenas e médias empresas em regiões emergentes que se encontram numa fase anterior de desenvolvimento.

— A utilização da tecnologia no país avança cada vez mais, e não por acaso estamos com um grupo desenvolvendo mais profundamente aqui os recursos de nossas ferramentas de busca Bing, bem como nossos sistemas de relacionamento com o cliente (CRM) e gestão corporativa (ERP), que compõem a plataforma Microsoft Dynamics — diz.

Levy não revela quanto a Microsoft vem crescendo no país, mas diz que é acima da média do mercado, a uma taxa anual de dois dígitos. Reconhece que o gargalo principal para as empresas é o custo de operar no Brasil, com mão de obra cara e outros fatores.

— Mas o governo vem tomando medidas para tornar o país mais competitivo. Não por acaso estamos presentes em 13 cidades brasileiras.

O executivo — que estará no Rio na semana que vem para o Fórum de Líderes Governamentais, o qual discutirá no âmbito da América Latina e Caribe temas que vão desde inovação até inclusão das mulheres no mercado de trabalho — reconhece que a Microsoft passou por uma profunda reformulação com o advento da internet móvel e da nuvem web, que se alastra mundo afora.

— Nossas plataformas agora são planejadas para funcionar da mesma forma numa ampla gama de dispositivos, de computadores a tablets e smartphones — diz.

Embora a Microsoft tenha tomado um caminho próprio ao fabricar ela mesma o tablet Surface, Levy afirma que suas relações com gigantes de hardware como Intel e afins não foi abalada e continua como antes. Aliás, por falar em Surface, o tablet continua sem data para chegar ao país.

— Mais que uma mudança tecnológica, a mobilidade representa uma grande mudança de hábitos em nossas vidas — admite ele. — É algo inexorável.

A Microsoft está reformando o antigo prédio da CEG onde funcionará seu laboratório e centro de pesquisa. Uma parte do projeto, dedicada à seleção de start-ups para incentivo, já está funcionando, enquanto o laboratório deve ser ativado no segundo semestre, após a conclusão da reforma.

— Nosso investimento no país é contínuo, com programas permanentes de estímulos a start-ups que contam 3 mil empresas, e o Partners in Learning, projeto de capacitação tecnológica de professores e alunos em escolas públicas. Mais de meio milhão de estudantes no país já participaram dessa iniciativa.

Recentemente, a empresa inscreveu em seu programa de fomento educativo e tecnológico Innovative Schools World Tour o Colégio Estadual José Leite Lopes/NAVE (Núcleo Avançado em Educação), na Tijuca, projeto da Oi e do Oi Futuro em parceria com o governo do estado e outras entidades como a PUC-Rio e o C.E.S.A.R. (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife). Mundialmente, a empresa de software desembolsa US$ 9,5 bilhões por ano em pesquisa em desenvolvimento.

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Investigador n?o acredita que deflagre uma guerra entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul

Luis Mah, investigador no Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento no Instituto Superior de Economia e Gestão em Lisboa e professor auxiliar convidado no Instituto de Estudos Orientais da Universidade Católica, indica que "apesar do comportamento parecer ser um pouco mais agressivo segue o padrão do passado", no entanto, alerta que se trata de uma situação muito delicada porque tanto a Coreia do Norte como a Coreia do Sul têm novas lideranças e a presidência Obama acaba de ser reeleita, e finaliza dizendo, "que nunca se sabe o que vai na cabeça da Coreia do Norte". (webremix.info)


Navios brasileiros amea?ados de serem barrados em portos

BRASÍLIA – Desde 1º de janeiro, navios brasileiros correm risco de não serem aceitos em portos internacionais devido ao atraso do país em aderir a regras mundiais para redução de emissão de gases de efeito estufa. A adesão às normas da Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês) tem de ser ratificada pelo Congresso, mas, um ano e meio após o acordo ser validado pela comunidade internacional, o texto sequer foi concluído pelo Executivo para ser enviado aos parlamentares.

O Ministério de Relações Exteriores, responsável pela adequação das normas nacionais aos tratados feitos em organismos multilaterais, informa que a exposição de motivos para a adesão já foi elaborada e aprovada pelo Itamaraty e pelo Ministério de Meio Ambiente, mas faltam ainda outras sete pastas que compõem o grupo interministerial sobre o tema aprovarem a adesão, para que ela possa ser encaminhada à Casa Civil, que enviará a proposta ao Congresso.

Há resistência do governo à adoção da medida, assim como ocorreu com China, Índia e África do Sul, que defendiam condições específicas para os navios de bandeira de países em desenvolvimento. Esses países são minoria no transporte de carga no mundo e temem mais restrições à concorrência no setor.

Brasileiros buscam provas

Enquanto isso, dezenas de navios brasileiros que vão ao exterior buscam formas de comprovar a portos estrangeiros que aderiram às regras internacionais para reduzir emissões, já que a autoridade local não pode emitir certificado.

Não há garantias, porém, de que essas avaliações de instituições privadas serão aceitas em todos os portos do exterior, uma vez que os portos têm autonomia para definir isso. Quando essas avaliações forem emitidas, os armadores poderão entrar em contato com os portos a serem visitados, consultando se tais declarações seriam aceitas. “Assim, só se navegaria para determinado porto com a certeza de autorização para atracação”.

Entre os navios afetados estão os da Transpetro, que prestam serviços principalmente para a Petrobras, além de uma frota de mais de 50 navios brasileiros. De acordo com a norma da Convenção Internacional para a Prevenção da Poluição por Navios da IMO, as embarcações existentes têm de se adaptar para reduzir emissões de gases e as novos deverão cumprir uma série de previsões antes de começar a operar.

Cerca de 70 países já ratificaram o acordo para redução de emissões de gases. A navegação internacional responderia por cerca de 3% da emissão de gases de efeito estufa no mundo e as novas regras da IMO reduziriam essas emissões em até 30%, a partir de 2025.

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Os Brics em Durban

Nesta semana, estive em Durban, na África do Sul, onde ocorreu a quinta cúpula dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Essa talvez tenha sido a mais importante das cúpulas realizadas até agora. Com o passar do tempo, vão se estreitando os laços entre os cinco países e aumentam as possibilidades de cooperação. Em Durban, inaugurou-se uma nova etapa: a da construção institucional.

Estou me referindo às duas iniciativas na área financeira: o Novo Banco de Desenvolvimento e o Arranjo Contingente de Reservas. Em 2012, os líderes dos Brics haviam decidido examinar a viabilidade de criar um novo banco de desenvolvimento e um fundo de reservas. Iniciou-se então um processo de discussão entre representantes dos cinco países. Criou-se um grupo de trabalho para o Banco de Desenvolvimento, coordenado pela África do Sul e a Índia, e outro para o Arranjo Contingente de Reservas, coordenado pelo Brasil.

O trabalho realizado desde meados de 2012 permitiu determinar o formato do banco e do fundo de reservas e concluir que as duas iniciatiavas são viáveis. Em Durban, após mais uma rodada de negociações entre as equipes dos cinco paises, os lideres resolveram anunciar a decisão de criar o Banco e o Arranjo Contingente.

O Banco se destinará primordialmente a financiar projetos de infraestrutura nos Brics e em outros paises em desenvolvimento. A necessidade de recursos para financiar a ampliação da infraestrutura é imensa e crescente; a capacidade do Banco Mundial e dos bancos regionais de atendê-la se mostra insuficiente. Um banco liderado pelos Brics complementará as instituições existentes e reforçará as possiblidades de atuação conjunta dos cinco países.

O Arranjo Contigente de Reservas é um mecanismo de natureza preventiva. Em Durban, estabeleceu-se que o seu tamanho inicial será de US$ 100 bilhões. O propósito é ajudar os Brics a desativar eventuais pressões cambiais de curto prazo e reforçar sua estabilidade macroeconômica. O termo “contingente” significa que, no modelo adotado, os recursos comprometidos pelos cinco países continuarão nas suas reservas internacionais e só serão acionados se algum deles precisar de apoio de balanço de pagamentos. O fundo dos Brics contribuirá para reforçar a rede de segurança financeira global e complementará o FMI e outros mecanismos internacionais existentes.

O sentido político dessas iniciativas é claro. Os Brics decidiram estabelecer instituições e mecanismos financeiros novos, administrados por eles de forma independente. Continuarão engajados no FMI, no Banco Mundial e nos bancos regionais de desenvolvimento, mas resolveram agora criar estruturas próprias. Se tudo correr bem, os líderes dos Brics talvez possam anunciar a conclusão das negociações do Novo Banco de Desenvolvimento e do Acordo Contingente de Reservas na sua próxima cúpula, no Brasil, em 2014.

Paulo Nogueira Batista Jr. é economista e diretor-executivo pelo Brasil e mais dez países no FMI, mas expressa os seus pontos de vista em caráter pessoal

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Aumenta d?ficit de financiamento em educa??o para pa?ses de baixa renda, segundo Unesco

BRASÍLIA – Com a queda da ajuda externa, os países de baixa renda aumentaram o déficit de financiamento em educação nos últimos três anos. Dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), revelam que é necessária ajuda externa de US$ 26 bilhões anuais para que esses países universalizem a educação fundamental, até o ano de 2015. O valor aumentou. Em 2010, os cálculos apontavam que ainda que os governo priorizassem a educação, faltariam US$ 16 bilhões anuais para que toda criança tivesse pelo menos seis anos de formação inicial.

Os números constam no relatório Tornar a Educação Acessível até 2015 e no Período Posterior (Making Education for All Affordable by 2015 and Beyond). A meta de universalização até 2015 é um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, firmados na Cúpula do Milênio, em 2000 e assinados por 189 países, entre eles o Brasil.

Segundo a Unesco, são necessários ao todo US$ 53 bilhões anuais para o ensino fundamental, mas apenas a metade disso é investida no setor. Incluindo-se o ensino médio, o financiamento necessário aumenta para US$ 77 bilhões anuais, o que aumenta o déficit de financiamento para US$ 38 bilhões anuais.

A menos de mil dias do prazo final da meta, a coordenadora de Educação da Unesco no Brasil, Rebeca Otero, disse que a meta não conseguirá ser finalizada, mas que nesse período, muitas lições foram aprendidas:

— Ainda temos muitas crianças fora das escolas, muitos jovens e adultos analfabetos, ambientes escolares inadequados, etc. Mas, aprendemos que a formação dos professores é central para o aprendizado e que o nível de conhecimento desses profissionais é fundamental para a qualidade do ensino.

No último relatório de acompanhamento das metas, de 2012, consta que 112 países teriam que formar mais 5,4 milhões de docentes para o ensino primário, destes, 2 milhões seriam postos adicionais e 3,4 milhões para substituir os professores aposentados ou que deixam a profissão. Mais de 2 milhões de vagas deficitárias se concentram nos países da África Subsariana.

O Brasil aparece nos relatórios como um país que apresenta avanços no setor educacional, embora ainda enfrente dificuldades no setor. A Unesco propõe, inclusive, que o país aumente as contribuições externas e estipule objetivos mais ambiciosos de investimento nas economias de baixa renda para depois de 2015. O Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) investem atualmente US$ 163 milhões anuais na educação básica de países com dificuldade de financiamento do setor.

A Unesco propõe também que 5% do imposto sobre as transações financeiras internacionais da União Europeia (UE) sejam destinados à educação. A medida agregaria ao setor US$ 2,4 bilhões. Além disso, o documento sugere que o setor privado poderia aumentar o repasse, uma vez que “a contribuição ao ensino fundamental em países em desenvolvimento continua sendo mínima”.

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Brit?nicos desenvolvem vacina contra febre aftosa que dispensa o v?rus

LONDRES- Cientistas britânicos desenvolveram uma nova vacina contra a febre aftosa para gado, mais segura e mais barata, um avanço que acreditam que possa aumentar significativamente a capacidade de produção e reduzir custos. A tecnologia por trás da produção pode também ser aplicada para melhorar vacinas humanas contra vírus similares, inclusive poliomielite.

A nova vacina não requer o vírus vivo durante sua produção - uma característica importante uma vez que a febre aftosa é extremamente infecciosa e os laboratórios produtores têm dificuldades na segurança da manipulação das amostras virais.

- Ela se espalha como incêndio selvagem - disse David Stuart, professor de biologia da Universidade de Oxford, que liderou a pesquisa.

Em 2007, um surto de febre aftosa no sudeste da Inglaterra por exemplo, teve seu início rastreado próximo a uma unidade de produção de vacina. A mesma fábrica, ironicamente, é a casa de alguns dos cientistas por trás da nova vacina.

Em contraste com os padrões das vacinas contra aftosa para gado, o novo produto é feito a partir de cápsulas de proteínas sintéticas vazias que não contêm o genoma viral infeccioso, disseram cientistas no jornal PLoS Pathogens, na quarta-feira. Mas não significa que a vacina pode ser produzida sem as medidas de biossegurança e ser mantida sob refrigeração.

- Uma das grandes vantagens é que, uma vez que não é derivado de vírus vivo, a instalação de produção não necessita de confinamento especial - disse Stuart. - É possível imaginar fábricas locais sendo criadas em grandes partes do mundo onde a febre aftosa é endêmica e onde ainda continua a ser um grande problema.

No mundo todo, entre 3 bilhões e 4 bilhões de doses de vacina contra a febre aftosa são administradas a cada ano, mas há escassez em muitas partes da Ásia e África, onde a doença é um problema sério.

As atuais vacinas são baseadas em tecnologia de 50 anos, embora, no ano passado, uma empresa americana de biotecnologia, a GenVec, tenha ganhado a aprovação para uma nova vacina.

A vacina britânica puramente sintética tem sido testada até agora em ensaios em pequena escala e verificou-se ser eficaz. O próximo passo seria agora realizar testes maiores, enquanto se discute o desenvolvimento comercial da vacina. Stuart acrescentou que provavelmente levaria cerca de seis anos para trazer a nova vacina para o mercado. Ele disse que era muito cedo para dar uma indicação de quanto a vacina custaria.

Stuart e seus colegas foram capazes de produzir cápsulas vazias de proteínas para imitar a cobertura de proteína que envolve o vírus da febre aftosa, através do sistema de diamante de raios-X, para visualizar imagens um bilhão de vezes menor que uma cabeça de alfinete.

A mesma abordagem poderia no futuro ser usada para fazer vacinas cartuchos vazios contra vírus relacionados como a poliomielite e a febre aftosa humana, que afeta principalmente bebês e crianças, disseram os pesquisadores.

(webremix.info)


Brics aprovam fundo de resgate e pedem reforma de ONU e FMI

DURBAN (ÁFRICA DO SUL) – Os chefes de Estado dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) anunciaram nesta quarta-feira a criação de instrumentos para tentar blindar o bloco contra crises econômicas. O presidente da África do Sul e anfitrião do encontro, Jacob Zuma, confirmou a criação de um fundo de US$ 100 bilhões para ser usado em caso de emergência e anunciou o sinal verde para a constituição de um banco de desenvolvimento do bloco, mas sem data para sair do papel.

Também foi anunciado a criação de um conselho empresarial com cinco representantes de cada país. Do Brasil, participarão Banco do Brasil, Gerdau, Vale, Marcopolo e Weg.

O bloco reforçou ontem o discurso pela reforma do FMI. A declaração também reitera a recomendação pela reforma da ONU, inclusive do Conselho de Segurança, “com a visão de torná-la mais representativa, efetiva e eficiente para responder melhor às mudanças globais”. China e Rússia reiteraram a importância de incluir o Brasil, Índia e África do Sul nos assuntos internacionais.

(webremix.info)


Novo banco e fundo de reserva fortalecem articula??o dos Brics

A cúpula dos Brics na cidade sul-africana de Durban, que terminou nesta quarta-feira, foi a primeira realizada em um clima marcado por grandes incertezas econômicas para esse clube de países emergentes, com a China desacelerando e o Brasil crescendo a um ritmo de menos de 1% ao ano.Não chega a ser uma surpresa, então, que o resultado mais relevante do encontro entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul tenha sido o avanço em dois projetos que visam aumentar as fontes de financiamento para esses cinco países.Como era esperado, os cinco países do grupo deram sinal verde para o Banco de Desenvolvimento dos Brics, cujo objetivo é financiar projetos de infraestrutura nos países do grupo."(Esse banco) é mais um elemento para expandir a nossa capacidade de obter recursos", disse a presidente Dilma Rousseff. "O grande desafio das economias dos Brics é justamente ampliar seus investimentos na área de infraestrutura."Na última reunião dos Brics, os cinco países do grupo tinham incumbido seus ministros das Finanças de avaliar a viabilidade do projeto desse banco.Antes do encontro de Durban, havia especulação sobre qual poderia ser o capital aportado por cada país, como o banco iria atuar e onde ficaria sua sede.A julgar pela falta de detalhes sobre a estrutura dessa instituição financeira no comunicado conjunto divulgado pelos cinco líderes dos Brics, porém, aparentemente eles não conseguiram chegar a um consenso sobre tais temas.Também não ficou claro quando exatamente esse banco sairá do papel - e segundo algumas fontes do governo brasileiro isso pode não ocorrer antes de 2016.Reservas de contingênciaO segundo projeto a receber aval dos Brics foi o chamado Arranjo de Reservas de Contingência - um fundo de US$ 100 bilhões que servirá para socorrer países com problemas de liquidez financeira."Trata-se de um acordo importantíssimo porque estamos assistindo a uma grande volatilidade no mundo. Tivemos a crise do Lehman Brothers em 2008, recentemente o problema em Chipre e tudo que ocorreu no ano passado com os países europeus", disse Dilma."Nenhum país dos Brics sofreu nenhuma crise, nem bancária nem financeira. E o acordo de US$ 100 bilhões é muito significativo porque é mais uma contribuição para a estabilidade da moeda (desses países)."Dilma disse ver a aprovação dos dois projetos como uma "realização do Brasil"."No encontro (dos Brics) em Los Cabos (cidade do México, em 2012), nós tivermos uma atuação no sentido de confirmar a importância tanto do Banco de Desenvolvimento dos BRICS como desse acordo sobre o Contingente de Reservas", afirmou.Outros acordosAlém das duas iniciativas, os Brics também chegaram a um acordo de cofinanciamento para projetos de desenvolvimento de energia limpa e infraestrutura na África.Outra novidade do encontro foi a criação do Conselho Empresarial dos Brics, um órgão formado por cinco empresários de cada país que vai dar sugestões e fazer avaliações sobre como ampliar a cooperação econômica e comercial no bloco.Para completar, o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou que será realizado em Moscou, em junho, o primeiro encontro sobre política antidrogas dos Brics.Na declaração conjunta, os Brics também procuraram se pronunciar sobre os mais diversos temas da agenda política global - desde o conflito na Síria e na República Centro Africana até a admissão da Palestina como membro observador da ONU e o programa nuclear iraniano.Alguns dos textos das declarações, porém, são bastante vagos. Eles permitem aos cinco países acomodar (ou esconder) as diferenças em seus posicionamentos, segundo analistas."Se por um lado os países do grupo vocalizaram objetivos etéreos como 'conclamar a comunidade internacional a uma maior estabilidade dos mercados globais', por outro houve avanços concretos no estabelecimento do Banco de Desenvolvimento dos Brics", avaliou, em entrevista à BBC Brasil Marcos Troyjo, diretor do BRICLab da Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos.HistóriaO acrônimo Bric (sem o S de África do Sul) foi criado pelo economista Jim O'Neill como um instrumento de análise financeira e originalmente se referia aos quatro países que, segundo ele, teriam mais peso econômico que as nações desenvolvidas por volta de 2040.Em 2009, os países dos Bric resolveram transformar o acrônimo em uma entidade política e, em 2011, incluíram no grupo a África no Sul - transformando-o em Brics.Entre as principais reivindicações do grupo está uma reforma que dê mais voz aos emergentes nas instituições de governança política e econômica globais, como o FMI e o Banco Mundial.Mas, apesar de a função desse novo Banco de Desenvolvimento dos Brics se assemelhar a do Banco Mundial, Troyjo diz não ver "qualquer tom de confrontação" no projeto."Pelo contrário, creio que há um sentido de complementaridade, derivada dessa noção de que o Banco Mundial tem frentes demais (para atuar) e, portanto, não dispõe do vigor necessário para projetos de grande porte originados a partir dos Brics", opina o... (webremix.info)


Novo banco e fundo de reserva fortalecem articula??o dos Brics

A cúpula dos Brics na cidade sul-africana de Durban, que terminou nesta quarta-feira, foi a primeira realizada em um clima marcado por grandes incertezas econômicas para esse clube de países emergentes, com a China desacelerando e o Brasil crescendo a um ritmo de menos de 1% ao ano.Não chega a ser uma surpresa, então, que o resultado mais relevante do encontro entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul tenha sido o avanço em dois projetos que visam aumentar as fontes de financiamento para esses cinco países.Como era esperado, os cinco países do grupo deram sinal verde para o Banco de Desenvolvimento dos Brics, cujo objetivo é financiar projetos de infraestrutura nos países do grupo."(Esse banco) é mais um elemento para expandir a nossa capacidade de obter recursos", disse a presidente Dilma Rousseff. "O grande desafio das economias dos Brics é justamente ampliar seus investimentos na área de infraestrutura."Na última reunião dos Brics, os cinco países do grupo tinham incumbido seus ministros das Finanças de avaliar a viabilidade do projeto desse banco.Antes do encontro de Durban, havia especulação sobre qual poderia ser o capital aportado por cada país, como o banco iria atuar e onde ficaria sua sede.A julgar pela falta de detalhes sobre a estrutura dessa instituição financeira no comunicado conjunto divulgado pelos cinco líderes dos Brics, porém, aparentemente eles não conseguiram chegar a um consenso sobre tais temas.Também não ficou claro quando exatamente esse banco sairá do papel - e segundo algumas fontes do governo brasileiro isso pode não ocorrer antes de 2016.Reservas de contingênciaO segundo projeto a receber aval dos Brics foi o chamado Arranjo de Reservas de Contingência - um fundo de US$ 100 bilhões que servirá para socorrer países com problemas de liquidez financeira."Trata-se de um acordo importantíssimo porque estamos assistindo a uma grande volatilidade no mundo. Tivemos a crise do Lehman Brothers em 2008, recentemente o problema em Chipre e tudo que ocorreu no ano passado com os países europeus", disse Dilma."Nenhum país dos Brics sofreu nenhuma crise, nem bancária nem financeira. E o acordo de US$ 100 bilhões é muito significativo porque é mais uma contribuição para a estabilidade da moeda (desses países)."Dilma disse ver a aprovação dos dois projetos como uma "realização do Brasil"."No encontro (dos Brics) em Los Cabos (cidade do México, em 2012), nós tivermos uma atuação no sentido de confirmar a importância tanto do Banco de Desenvolvimento dos BRICS como desse acordo sobre o Contingente de Reservas", afirmou.Outros acordosAlém das duas iniciativas, os Brics também chegaram a um acordo de cofinanciamento para projetos de desenvolvimento de energia limpa e infraestrutura na África.Outra novidade do encontro foi a criação do Conselho Empresarial dos Brics, um órgão formado por cinco empresários de cada país que vai dar sugestões e fazer avaliações sobre como ampliar a cooperação econômica e comercial no bloco.Para completar, o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou que será realizado em Moscou, em junho, o primeiro encontro sobre política antidrogas dos Brics.Na declaração conjunta, os Brics também procuraram se pronunciar sobre os mais diversos temas da agenda política global - desde o conflito na Síria e na República Centro Africana até a admissão da Palestina como membro observador da ONU e o programa nuclear iraniano.Alguns dos textos das declarações, porém, são bastante vagos. Eles permitem aos cinco países acomodar (ou esconder) as diferenças em seus posicionamentos, segundo analistas."Se por um lado os países do grupo vocalizaram objetivos etéreos como 'conclamar a comunidade internacional a uma maior estabilidade dos mercados globais', por outro houve avanços concretos no estabelecimento do Banco de Desenvolvimento dos Brics", avaliou, em entrevista à BBC Brasil Marcos Troyjo, diretor do BRICLab da Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos.HistóriaO acrônimo Bric (sem o S de África do Sul) foi criado pelo economista Jim O'Neill como um instrumento de análise financeira e originalmente se referia aos quatro países que, segundo ele, teriam mais peso econômico que as nações desenvolvidas por volta de 2040.Em 2009, os países dos Bric resolveram transformar o acrônimo em uma entidade política e, em 2011, incluíram no grupo a África no Sul - transformando-o em Brics.Entre as principais reivindicações do grupo está uma reforma que dê mais voz aos emergentes nas instituições de governança política e econômica globais, como o FMI e o Banco Mundial.Mas, apesar de a função desse novo Banco de Desenvolvimento dos Brics se assemelhar a do Banco Mundial, Troyjo diz não ver "qualquer tom de confrontação" no projeto."Pelo contrário, creio que há um sentido de complementaridade, derivada dessa noção de que o Banco Mundial tem frentes demais (para atuar) e, portanto, não dispõe do vigor necessário para projetos de grande porte originados a partir dos Brics", opina o... 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BNDES assina dois acordos com bancos dos Brics

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, assinou nesta quarta-feira dois acordos com bancos de desenvolvimento dos países que integram os Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul, além do Brasil). (webremix.info)


BRICS decidem criar banco de desenvolvimento pr?prio

Cinco países emergentes decidiram criar um banco de desenvolvimento destinado a financiar infraestruturas. O banco deverá ter um capital inicial de 50 mil milhões de dólares dividido em partes iguais pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. (webremix.info)


BRICS ter? ajuda de conselho formado por empres?rios

A presidente Dilma Rousseff anunciou nesta quarta-feira em Durban a criação do chamado Conselho Empresarial dos BRICS, que será formado por empresários dos cinco países do grupo (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). O conselho vai dar sugestões sobre como melhorar a integração comercial e econômica dos BRICS.Segundo Brasília, os representantes brasileiros serão Murilo Ferreira, da Vale, José Rubens de la Rosa, da Marcopolo, Jorge Gerdau, da Gerdau, Aldemir Guendini, do Banco do Brasil e Harry Schmeizer, da Weg."O Brasil saúda com grande satisfação o lançamento do conselho empresarial dos BRICS, que complementa os nossos esforços de governos para empreender a discussão sobre os principais temas globais", disse Dilma."O Conselho é sem dúvida um mecanismo inovador que vai contribuir para a consolidação da comunidade de negócios entre nossos países. Essas relações já vem sendo criadas de forma expontânea, mas o conselho vai permitir que extrapolem esse padrão inicial."Dilma ressaltou algumas mudanças que, segundo ela tornariam os países BRICS fundamentais para o futuro da economia mundial."Pela primeira vez em 2012 os países em desenvolvimento atraíram mais investimentos externos diretos do que os países desenvolvidos. Sómente os países BRICS receberam US$ 263 bilhões em ivnestimentos, o equivalente a 20% dos investimetnos externos diretos (no mundo)", afirmou."Somos detentores de consideráveis reservas internacionais, na faixa dos US$ 4,5 trilhões. E resistimos à crise global que afeta os mercados países desenvolvidos com políticas que reforçam nossa capacidade e habilidade econômica."Segundo a presidente, a crescente importância dos países dos BRICS como destino de investimentos mostraria "a importância de conselho como forma de ampliar e acelerar a integração estratégica dos países" dos BRICS.Ela mencionou que o Brasil pretende investir US$250 bilhões em obras de infra-estrutura e quer atrair parceiros para tocar esses projetos e citou o caso da sul-africana Airport Company South Africa que estaria atuando na modernização do aeroporto de São Paulo.Agenda em Durban Dilma chegou a Durban ontem e se encontrou, depois do almoço, com primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh.Ela também tinha marcado uma reunião com o anfitrião da cúpula, o presidente sul-africano Jacob Zuma, mas depois de esperar cerca de uma hora para que Zuma terminasse uma conversa com o russo Vladimir Putin, parece ter adiado ou desistido do encontro.Na manhã desta terça-feira, o discurso da presidente brasileira foi feito durante um café da manhã com os outros quatro líderes dos BRICS.Dilma defendeu que os países dos BRICS se distinguiriam por "aplicar modelos de desenvolvimento econômico com inclusão social." Ela lembrou os avanços do Brasil no combate à pobreza extrema e disse que o país teria "no horizonte próximo a superação da miséria", prometendo que isso seria "só o começo".Dilma disse ainda que o combate à pobreza seria não só uma questão étiica, mas também econômica, por ajudar a ampliar os mercados dos países dos BRICS.Os líderes do BRICS devem fazer uma declaração conjunta nesta tarde. Espera-se que anunciem a criação do que vem sendo chamado de Banco dos BRICS e a criação de um fundo de reserva de US$ 100 bilhões para socorrer países com problemas de liquidez... (webremix.info)


Dilma participa de cerim?nia de abertura da 5? C?pula dos Brics


Países emergentes vão discutir criação de banco de desenvolvimento. 5ª cúpula será realizada hoje em Durban, na África do Sul. (webremix.info)


Brics t?m impasse visando acordo sobre banco de desenvolvimento

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que formam os Brics, não conseguiram resolver as diferenças envolvendo o financiamento e a localização d

(webremix.info)


Mantega prop?e criar banco do Brics em 2014

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta terça-feira, no intervalo da reunião dos ministros de Finanças e presidentes de banco central dos países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), em Durban, na África do Sul, que a proposta brasileira é que o banco de desenvolvimento do grupo seja constituído em 2014. (webremix.info)