Desenvolvimento

Notícia : Desenvolvimento

Em visita à China, presidente francês busca parceria em clima e África

O presidente da França, Emmanuel Macron, pediu hoje a líderes chineses a formação de uma parceria em mudanças climáticas e desenvolvimento da África durante visita em que também deverá pressionar Pequim por maior abertura de seus mercados.No primeiro dia uma visita oficial à China, Macron afirmou que irá propor ao presidente chinês, Xi Jinping, um ano conjunto "de transição ecológica" para mobilizar os governos e empresas dos dois países. [Leia mais...] (webremix.info)


Macron propõe à China “relançar a batalha climática”

Presidente francês quer fazer de Xi Jinping um aliado em várias frentes, entre elas o ambiente, luta contra o terrorismo e desenvolvimento de energias renováveis em África. E promete visitar a China "pelo menos uma vez por ano". (webremix.info)


Xi Jinping defende que Brics abram suas economias

O presidente da China, Xi Jinping, defendeu neste domingo que os cinco países dos Brics abram suas economias, promovam reformas, criem cadeias de produção globais e surfem na revolução industrial tecnológica para criar novos motores de desenvolvimento. O grupo que impulsionou a expansão mundial na década passada teve performances díspares nos últimos anos, quando China e Índia mantiveram forte ritmo de crescimento, enquanto Brasil, Rússia África do Sul mergulharam na recessão. [Leia mais...] (webremix.info)


Presidente chinês defende reformas e cadeias de produção para Brics

O presidente da China, Xi Jinping, defendeu que os cinco países dos Brics abram suas economias, promovam reformas, criem cadeias de produção globais e surfem na revolução industrial tecnológica para criar novos motores de desenvolvimento. O grupo que impulsionou a expansão mundial na década passada teve performances díspares nos últimos anos, quando China e Índia mantiveram forte ritmo de crescimento, enquanto Brasil, Rússia África do Sul mergulharam na recessão. [Leia mais...] (webremix.info)


Eduardo dos Santos deixa poder após 38 anos, mas faz o sucessor em Angola

Um dos mais autoritários regimes da África chega ao fim, mas vitória do candidato governista não significa que angolanos conseguirão superar a corrupção que aumentam a desigualdade e impedem o desenvolvimento do país (webremix.info)


Comissão Nacional Eleitoral repudia alegado ataque a observadores internacionais em Angola

A Comissão Nacional Eleitoral (CNE) de Angola repudiou hoje "veementemente" o ataque, supostamente por militantes da UNITA, maior partido da oposição, a uma missão de observadores da Comunidade de Desenvolvimento de Países da África Austral (SADC). (webremix.info)


Programas da Mondel?z International Foundation impactam mais de um milhão de pessoas (webremix.info)


Fórum das Águas será realizado no Inhotim (webremix.info)


Negros são maioria entre população mais pobre no Brasil (webremix.info)


Prêmio de tecnologia social tem inscrições prorrogadas (webremix.info)


Prêmio de tecnologia social seleciona projetos do Brasil, América Latina e Caribe  (webremix.info)


ONU alerta para o importante trabalho de parteiras na América Latina e Caribe (webremix.info)


Como o G20 deve mudar a sua abordagem às migrações e ao desenvolvimento em África

Num plano para África que não inclua isto, está em falta o óbvio. (webremix.info)


Começa a corrida para a oitava edição do Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade & Amor à Natureza   (webremix.info)


O difícil recomeço de refugiados do Congo

NITERÓI — A guerra civil do Congo, que já dura mais de 20 anos, segue separando famílias. Enquanto parte da população luta, outra foge do conflito, buscando refúgio em diversos países. Alguns o encontraram no Jardim Catarina, em São Gonçalo. Um processo contínuo iniciado há quatro anos e que já trouxe 12 famílias para a cidade. Hoje há 54 pessoas, sendo que duas nascidas no município. A vida do lado de cá do Oceano Atlântico é dura. Pessoas qualificadas seguem desempregadas. É o caso da farmacêutica Mireille Minga Kiala, de 30 anos.

— Faz um ano que cheguei. Precisamos da liberação dos documentos definitivos. Assim, sem trabalho, está muito difícil. Estou procurando faxina — conta a mulher, que abriu a casa onde vive com o marido e quatro filhas para mais duas refugiadas. — Fidelli, grávida na época, estava na rua chorando. Se for para passar fome, passamos juntas.

As necessidades são amenizadas por doações da Pastoral Familiar da Paróquia de Santa Catarina Labouré.

— Trazemos legumes a cada 15 dias. Fidelli chegou grávida, e sua criança nasceu há dois meses. Estamos buscando ajuda para a alimentação de todos — explica Sérgio Pereira, que cuida da pastoral ao lado da mulher, Ademilda.

Apesar do apoio, as dificuldades ainda rondam o grupo. Há uma semana, Fidelli começou a ter crises de choro.

— Deixei meu marido e minhas filhas lá. Não sei deles. Por isso choro — lamenta.

Ela, como a maioria, embarcou num navio sem saber o destino. Gastou as economias numa passagem clandestina. Ao chegar, muitos são acolhidos pela Cáritas, um braço da Igreja Católica, que paga um benefício temporário. Mas sem chances de emprego, o grupo ainda precisa de ajuda para suprir necessidades básicas.

Francine Kinzeka, de 28 anos, teve um pouco mais de sorte. Veio para o Brasil com o marido, Dominique, de 37, que trabalha como pedreiro. A família cresceu, há dois meses, com o nascimento da segunda menina. Francine mantém contato com a família, na África, pelo WhatsApp.

— Fico triste, porque a situação para eles piorou. Há poucos dias, teve conflito na vila — diz a mulher, que deixou a carreira de comerciante, e, hoje, procura emprego como faxineira.

A Secretaria municipal de Desenvolvimento Social de São Gonçalo realizou um encontro com os refugiados.

— Entre eles há profissionais de saúde, outros com nível superior, motoristas... — enumera o secretário Marlos Costa. — A maior necessidade, no momento, é encontrar trabalho.

Costa explica que os congoleses têm vistos, estão com a documentação regular e a maioria fala português. Como são refugiados, podem ser inseridos no Bolsa Família. Eles serão cadastrados no Serviço Nacional do Emprego. Acompanhamento de saúde e psicológico também estão sendo disponibilizados.

Quem quiser doar alimentos pode procurar a Pastoral Familiar da igreja na Rua Madeira de Freitas esquina com Avenida Paulo Sexto, no Jardim Catarina.

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Brasileiro Fellipe Barbosa estará na Semana da Crítica de Cannes

RIO - O filme "Gabriel e a montanha", do brasileiro Fellipe Gamarano Barbosa (diretor de "Casa grande"), foi selecionado para a Semana da Crítica do Festival de Cannes. O anúncio dos participantes (11 longas e 13 curtas) foi feito na manhã desta sexta-feira. A abertura terá "Sicilian ghost story", dos italianos Fabrio Grassadonia e Antonio Piazza — suspense sobranatural e máfia se juntam na história de uma menina que se rebela contra o silêncio de uma aldeia depois que seu amor, um garoto de 13 anos, desaparece. "Brigsby bear", estreia do americano Dave McCary, encerra a mostra — uma comédia sobre um programa de TV infantil.

"Gabriel e a montanha", segundo filme de Barbosa, é uma dramatização dos últimos dias de Gabriel Buchmann, o economista brasileiro que morreu em 2009, aos 28 anos, durante uma escalada no Malawi. Buchmann, que era amigo de infância do diretor, estava viajando pelo mundo antes de iniciar um programa de doutorado sobre desenvolvimento social. Ao subir o Monte Mulanje, no Maláui, Gabriel se perdeu e acabou morrendo de hipotermia.

"O significado de uma viagem só pode ser definido após o retorno. Gabriel não teve a oportunidade de retornar. Minha motivação para fazer esse filme foi descobrir o significado da viagem que ficou perdido e compartilhá-lo, que é exatamente o que o Gabriel teria feito", explica Fellipe Barbosa, em nota.

Produzido pela TV Zero, este é o segundo longa-metragem de ficção dirigido por Fellipe Barbosa, ganhador do prêmio do público no Festival do Rio em 2014 com “Casa Grande”.

"O filme também é resultado da minha relação com a África. Em novembro de 2011 eu fui para Uganda pela segunda vez como mentor do Maisha Film Lab, criado por Mira Nair. Depois do workshop, eu peguei a estrada e passei por parte do trajeto realizado pelo Gabriel Buchmann. Em dois meses cruzei Ruanda, Burundi, Tanzânia e Malawi, onde subi o Monte Mulanje e caminhei até o local onde o corpo de Gabriel foi encontrado", lembra o diretor, que retornou à África em 2015, quando localizou todas as pessoas que estavam nas anotações de Gabriel e as entrevistou para aprimorar o roteiro.

LEIA TAMBÉM: Apenas três filmes dirigidos por mulheres estão na competição de Cannes 2017

A Semana da Crítica, que reúne produções que são o primeiro ou o segundo filme de seus diretores, avaliou este ano 1.700 curtas e 1.250 longas. Dos longas selecionados, seis são estreias e cinco são segundos filmes.

Há uma grande variedade de nacionalidades na seleção deste ano, com dois diretores franceses em competição e a presença de diretores da América Latina, Ásia, Oriente Médio e os Estados Unidos. É também a primeira vez na história da Semana da Crítica que um documentário ("Makala", de Emmanuel Gras) e uma animação estão em competição ("Tehran taboo", de Ali Soozandeh). A Semana dos Críticos será realizada de 18 a 26 de maio.

Veja a lista completa de filmes

LONGAS EM EXIBIÇÃO ESPECIAL
"Sicilian Ghost Story', de Fabio Grassadonia & Antonio Piazza (Abertura)
"Bloody Milk", d Hubert Charuel
"A Violent Life", de Thierry de Peretti

CURTAS EM EXIBIÇÃO ESPECIAL
"After School Knife Fight", de Caroline Poggie & Jonathan Vinel
"Coelho mau", de Carlos Conceição
"Islands", de Yann Gonzalez

COMPETIÇÃO
"Ava", de Lea Mysius
"La Familia", de Gustavo Rondon Cordova
Gabriel e a motanha", de Fellipe Barbosa
"Makala", de Emmanuel Gras
"Oh Lucy!", de Atsuko Hirayanagi
"Los Perros", de Marcela Said
"Tehran Taboo", de Ali Soozandeh

CURTAS EM COMPETIÇÃO
"Los Desheredados", de Laura Ferrés
"Elsa – Sketches on a Departure", de Oliver Adam Kusio
"Children Leave At Dawn", de Manon Coubia
"Jodilerks Dela Cruz, Employee of the Month", de Carlo Francisco Manatad
"Möbius", de Sam Kuhn
"Real Gods Require Blood", de Moin Hussain
"Selva", de Sofia Quiros Ubeda
"Tesla: Luxiere Mondiale", de Matthew Rankin
"Exposure", de Salvatore Lista

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BNDES instaura comissão interna para apurar supostas irregularidades em desembolsos

RIO - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) instaurou uma Comissão de Apuração Interna para apurar supostas irregularidades na liberação e ampliação de crédito para exportação de bens e serviços no exterior, informou o banco de fomento na noite de sábado.

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Em delação a investigadores da operação Lava-Jato, o patriarca do grupo Odebrecht, Emílio Odebrecht, afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva influenciou o banco na ampliação de uma linha de financiamento para obras da construtora Odebrecht, em Angola, na África.

A decisão do BNDES de instaurar a apuração foi tomada com base nas informações que constam nas petições do Supremo Tribunal Federal (STF) de relatoria do ministro Edson Fachin.

"As citações de que o BNDES tomou conhecimento até o presente momento referem-se à suposta participação de Luiz Eduardo Melin de Carvalho e Silva e de Álvaro Luiz Vereda Oliveira no processo de aprovação, pelo BNDES, de financiamentos à exportação de bens e serviços de engenharia", disse o banco de fomento em comunicado.

Luiz Melin foi diretor internacional e de comércio exterior do BNDES de janeiro de 2003 a dezembro de 2004 e de abril de 2011 a novembro de 2014, enquanto Luiz Vereda foi assessor da presidência do BNDES de outubro de 2005 a maio de 2006.

Os dois ocuparam cargos de confiança no BNDES e não são funcionários de carreira do banco.

Segundo o BNDES, a decisão de instaurar a Comissão de Apuração foi tomada pela diretoria em reunião ordinária na quarta-feira.

O banco informou que vai buscar cooperação de órgãos como Polícia Federal e Ministério Público Federal para "que eventuais ilícitos administrativos e penais possam ser apurados em conjunto".

"O BNDES vai se empenhar em adotar todas as medidas cabíveis para a proteção da instituição, hoje e no futuro, para que ela não possa ser utilizada para a prática de atos ilícitos. A apuração completa dos fatos é um passo importante nessa direção", informou o banco.

Em março deste a ano, o BNDES retomou dois financiamentos para exportação de serviços de engenharia para dois projetos das construtoras Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão no exterior. O processo de retomada dos desembolsos para a Andrade Gutierrez envolve um contrato de apoio à exportação de serviços de construção de rodovias em Gana, na África. A outra liberação, para a Queiroz Galvão, se refere a um projeto de desenvolvimento agrícola na República Dominicana.

Em maio do ano passado, 25 contratos de apoio à exportação de serviços de engenharia foram suspensos temporariamente pelo BNDES, para serem reavaliados. A maioria dos financiamentos era para empreiteiras investigadas na operação Lava Jato.

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Brasil ficará para trás na conexão por celular

RIO - O brasileiro adora acessar as redes sociais, mas usar a internet do celular para assistir a vídeos, ouvir música e navegar livremente vai exigir não só disposição, como paciência nos próximos anos. Afetado pela crise econômica, o Brasil vai chegar em 2021 entre as últimas posições na corrida pela maior conectividade móvel. A constatação faz parte de uma pesquisa da Cisco, que revela que, em cinco anos, o usuário brasileiro vai consumir 4.201 megabytes (MB) por mês, número que o coloca à frente apenas de África do Sul e Índia em uma lista de 23 países. Celular_1504

Para se ter uma ideia do abismo digital, a Coreia do Sul, a primeira do ranking, vai chegar em 2021 com consumo médio mensal por usuário de 23.892 MB. No levantamento, o Brasil fica atrás da vizinha Argentina, onde o consumo por pessoa será de 5.721 MB. Segundo especialistas, a crise no Brasil afetou a capacidade de investimento das empresas de telecomunicações e o poder de compra das famílias brasileiras. A qualidade, muito questionada pelos usuários, também aparece na lista como um dos fatores que travam o crescimento.

ALTO GRAU DE EXCLUSÃO DIGITAL

Info - consumo de dados mapaAssim, o país vai avançar menos nos próximos anos em comparação a outras nações. O Brasil, onde o consumo por pessoa hoje é de 878 MB mensal, terá alta de 37%, em média, a cada ano. No México, por exemplo, o avanço chegará a 43%, passando dos atuais 740 MB para 4.507 MB. O mesmo vai ocorrer em diversas nações da Europa, como França, Espanha e Reino Unido.

— Muitos desses países estão em um movimento diferente do Brasil, com a digitalização da economia e a própria internet das coisas, que permite a conexão de carros e outros produtos à internet. O Brasil, por outro lado, tem um grau de exclusão alto. A crise afeta as empresas e a capacidade de pagamento das pessoas, que buscam planos mais baratos — diz Giuseppe Marrara, diretor de Relações Governamentais da Cisco Brasil.

Dessa forma, novas tecnologias vão atrasar. A adoção da rede 4,5G, que permite velocidade maior que a 4G, prevista para 2018, deve ficar para 2020, prevê a Huawei.

— A crise adia muitos investimentos. Há uma relação entre a economia e a tecnologia. Na Europa, por exemplo, uma pessoa faz download, em média, de nove aplicativos por ano. No Brasil, assim como em outros países em desenvolvimento, essa média é de dois aplicativos — destaca Kleber Faccipieri, gerente de Marketing da Huawei.

A atriz Sill Esteves conhece bem a velocidade lenta da internet no celular. Ela já ficou na mão várias vezes:

— Pela minha profissão, sempre preciso baixar vídeos para pesquisar algum personagem, ou para compartilhar nas redes sociais algum vídeo que tenha feito, mas geralmente só consigo fazer isso quando chego em algum lugar que tenha Wi-Fi.

MAIOR PARTE DE PRÉ-PAGOS

Rafael Steinhauser, presidente da Qualcomm para a América Latina, diz que o Brasil está mal na qualidade. Ele lembra que o Brasil tem menos espectro alocado para a telefonia móvel do que recomenda a União Internacional de Telecomunicações (UIT):

— Se juntar tudo que as empresas de telefonia móvel já compraram nos leilões, chega-se a 844 megahertz. A UIT diz que o ideal é de 1.800 a 2.000 megahertz. Temos ainda um longo percurso no Brasil. Com a internet das coisas, será preciso mais rede. Apesar de termos 4G, a maior parte dos usuários é 3G e 2G. Quem mais avança no mundo hoje é a China, onde quase todos os celulares já são 4G.

Mas a rede não é o único fator que explica o baixo volume de conexão móvel no Brasil. Atualmente, diz a Anatel, órgão que regula o setor , 67% dos 243 milhões de linhas são de pré-pagos. E, lembra Steinhauser, a maior parte desse contingente não usa internet o mês inteiro.

— Ter um smartphone não significa acessar a internet, pois é preciso uma linha. Os usuários pré-pagos compram pacotes avulsos, não têm internet o mês inteiro.

Para os especialistas, não faltam desafios conjunturais. O maior deles, citam, são as incertezas em relação à Oi, dona da maior rede de infraestrutura do país e que passa por um processo de recuperação judicial com dívidas de R$ 65 bilhões. Além disso, uma instabilidade operacional afetaria todas as outras teles do país.

— Tem a crise da economia, da Oi. Enquanto isso, o resto do mundo cresce e avança — disse um consultor que não quis se identificar.

Na opinião de Eduardo Conejo, gerente de Inovação da Samsung América Latina, a indústria precisa criar novas tecnologias de forma a impulsionar a demanda por conexão e criar novas formas de acesso à internet. A empresa, em parceria com a Sigfox, vem investindo em soluções dentro de universidades para desenvolver tecnologias:

— Temos de buscar soluções mais baratas. Isso é importante, principalmente quando se fala em cidades inteligentes.

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‘Stefan Zweig’ mostra exílio de autor austríaco no Brasil

SÃO PAULO — Antes de ingerir uma dose fatal de tranquilizantes, em 22 de fevereiro de 1942, o escritor austríaco Stefan Zweig deixou uma declaração na qual agradecia ao Brasil por acolhê-lo tão bem. “Dia após dia, aprendi a amá-lo mais. Eu não gostaria de construir uma vida nova em nenhum outro lugar agora que o mundo que fala minha língua desapareceu para mim e que minha terra espiritual, a Europa, está se destruindo”, escreveu o autor. Dirigido pela atriz alemã Maria Schrader, “Stefan Zweig — Adeus, Europa”, em cartaz nos cinemas, narra os últimos anos de vida de Zweig (Josef Hader), passados entre Brasil, Argentina e Estados Unidos, ao lado de sua segunda mulher, Lotte (Aenne Schwarz). Uma das fontes de pesquisa da cineasta, que assina o roteiro em parceria com Jan Schomburg, foi “Morte no Paraíso — a Tragédia de Stefan Zweig”, do jornalista brasileiro Alberto Dines.

Leia a crítica e veja os horários do filme

— Eu queria muito fazer alguma coisa sobre exílio. Depois que li mais sobre Zweig, entendi que havia muitas questões envolvendo a saída dele de uma Europa dividida e extremamente radicalizada. Ele fugiu da guerra, mas vivia assombrado por ela. Com (o escritor) Thomas Mann, era considerado um dos mais importantes autores de língua alemã de sua época. E não podia publicar mais em seu idioma materno. Tudo isso era muito duro para ele — diz Maria, em entrevista ao GLOBO, por Skype, de sua casa em Berlim.

Dividido em seis partes, com um prólogo, um epílogo e quatro capítulos intermediários, “Stefan Zweig — Adeus, Europa” retrata episódios da vida do escritor entre 1936 e 1942, com especial atenção para o seu exílio sul-americano, entre Rio, Buenos Aires, Salvador e, seu destino final, Petrópolis. O filme mostra um momento que define o estado de espírito de Zweig nos primeiros anos longe de sua pátria, quando foi homenageado em um congresso de escritores na Argentina, mas se recusou a condenar publicamente a Alemanha e seu líder em ascensão, Adolf Hitler. “Não falaria publicamente contra um país, e não farei exceção”, diz ele a um jornalista.

Ele era um pacifista radical e um defensor ferrenho de uma Europa unida, não acreditava em fronteiras— Ele era um pacifista radical e um defensor ferrenho de uma Europa unida, que não acreditava na ideia de fronteiras. Defendia, talvez por gostar muito de viajar, que todas as pessoas deveriam ser cidadãs do mundo. Era um entusiasta do poder do intercâmbio cultural e da diversidade, numa época em que as discussões abertas já não eram mais possíveis e que tudo era preto ou branco. Há muitas coisas e temas combinados nesses últimos anos de vida que são importantíssimos — diz a diretora do filme.

As cenas brasileiras de “Stefan Zweig” foram filmadas em São Tomé e Príncipe, na África. No país, uma ex-colônia portuguesa, Maria encontrou cenário historicamente preservado e uma população muito parecida com a que precisava.

— É muito caro filmar no Brasil, não tínhamos orçamento para isso. Petrópolis está muito transformada, seria impossível reconstituir a época. Além do mais, em São Tomé estávamos no mesmo fuso horário da Alemanha, o que facilitou muito — explica ela.

O filme mostra o périplo de Zweig e Lotte antes de decidirem se instalar definitivamente no Brasil. Eles viajaram pelo Nordeste do país e tentaram viver nos Estados Unidos, mas acabaram voltando. Ele era fascinado não só pela beleza e pelo exotismo, mas pela ideia de um país marcado pela diversidade e pelo desenvolvimento social.

— Ainda que saibamos que isso não era verdade, aquilo parecia o paraíso para ele. Tudo parecia muito mais bonito. Ele ainda não tinha olhado a história da escravidão. Não tinha visto o contexto da época, com (Getúlio) Vargas no poder — diz Maria.

Em 1941, Zweig publicou “O mundo que eu vi”, uma espécie de testamento. O livro é rejeitado pelos críticos, em especial por Costa Rego, redator-chefe do “Correio da Manhã”, que escreveu vários textos desancando a obra.

— Com esse livro ele ficou marcado, tanto pelos imigrantes e as pessoas próximas deles, quanto pelos partidários da esquerda. Temos de lembrar que o Estado Novo estava no seu quarto ano, Vargas colaborava com o governo alemão. Mesmo assim, ele não desistiu do Brasil— diz a cineasta.

Maria, que é mais conhecida no circuito dos festivais e de cinema de autor como atriz, principalmente pelo filme “Aimée & Jaquar” (1999), diz que, se Zweig estivesse vivo hoje, talvez se surpreendesse com a realização de seu sonho de uma Europa unida. E com a perspectiva de que a região se tornou um ponto de chegada para refugiados, e não de partida. Como em sua época.

— Nossa geração teve a chance de viver o sonho de Zweig. Eu acho que ele diria para não desistirmos do sonho de manter a Europa unida — completa.

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Saneamento condominial

A série de matérias do GLOBO sobre saneamento básico expôs o enorme déficit do setor, e a exclusão de milhões de brasileiros do acesso à água potável e coleta e tratamento de esgoto. É um problema crônico a desafiar governos e agências unilaterais.

Milhões de famílias pobres, com parcos recursos políticos e econômicos para reivindicar, são privadas de um serviço vital ao seu bem-estar. São moradores de aglomerados pouco ou nada urbanizados, em territórios que sobraram da urbanização regular, em áreas populosas e carentes de serviços, especialmente na América Latina, Ásia e África.

O estudo “UN-Water” da Organização Mundial da Saúde (OMS) cita 100 milhões de pessoas na AL/Caribe sem coleta e tratamento de esgoto, e 36 milhões sem água potável — no Brasil são 35,1 milhões e 3,1 milhões, respectivamente.

A histórica falta de verbas oficiais agrava o quadro, e enseja a disseminação de vários problemas de saúde pública, como zika, chicungunha e dengue.

Contudo, há soluções alternativas sólidas em cidades como Brasília e Salvador, e que já atraem governantes, empresas de saneamento e entidades financiadoras.

A mais estruturada e eficaz delas é o Sistema de Saneamento Condominial, em implantação há 30 anos com nítida melhora na qualidade de vida de brasileiros, paraguaios e peruanos, entre outros. O êxito técnico, social e econômico do método levou o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) a recomendar seu uso na solução para o problema do saneamento na AL por reduzir, com qualidade, os custos de implantação do sistema de distribuição de água potável em cerca de 70%, e de esgotamento em 40%.

O método se adapta a qualquer tipo de urbanização, com menos transtorno e mais diálogo entre os envolvidos — entes político-institucionais, sociedade civil, líderes locais e usuários.

A partir da década de 90, no Distrito Federal, e desde 2000, na Bahia, esse método ajuda a universalizar o acesso ao saneamento, com cerca de 1,5 milhão de beneficiados no primeiro e 1,35 milhão no segundo. Na Estrutural (comunidade pobre do DF), o método mudou as vidas de todos, e ajudou a transformar um aterro sanitário, com milhares de catadores em barracos, num bairro de residências fixas e ordenadas.

Já nos Lagos Sul e Norte, áreas nobres, o novo sistema, em lugar de fossas, foi implantado com sucesso pela Caesb (a empresa local de saneamento), provando que a tecnologia atende pobres e ricos.

Sob orientação e financiamento do BID, a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) trabalha para despoluir a bacia do Rio Ipojuca (terceiro mais poluído do país) e dar qualidade de vida à população via saneamento condominial.

Portando, é um método que está pronto para ir além, e pode mudar nosso crônico déficit de saneamento básico, desde que mais autoridades e agências unilaterais optem por adotá-lo, em prol da saúde de milhões de cidadãos e do meio ambiente. (Mais detalhes emhttp://www.diagonal.net/nosso-canal/71-a-problematica-de-saneamento).

José Carlos Melo e Deise Coelho (Consórcio Condominium/Diagonal) são engenheiros e consultores contratados pelo BID

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Nacional-populismo perde força na UE

O fim de 2016 indicava uma ruptura profunda em relação ao establishment político que predominara nas últimas décadas, caracterizado por um desenvolvimento integrado globalmente. Este modelo pareceu subitamente fadado ao infortúnio, diante da onda nacionalista que avançou pelo mundo, tendo como sinais mais conspícuos a opção dos britânicos pelo Brexit e a vitória do ultraconservador populista Donald Trump nas eleições americanas, mas também expressa no crescimento de forças políticas populistas em todo o mundo.

Na UE, as dificuldades econômicas, resquícios da crise financeira global de 2008, e os desafios políticos, agravados pelo fluxo intenso de refugiados em fuga do Oriente Médio e do Norte da África, deram voz a um descontentamento generalizado, que serviu de oxigênio à retórica nacionalista de grupos de extrema-direita. Estes defendem o fim da União Europeia, em nome de uma volta à grandeza da nação, ameaçada pela globalização.

Esse quadro mostra que, hoje, a grande disputa ideológica no campo político se dá menos entre esquerda e direita, e mais entre defensores de uma cooperação global, mediante regras comuns, e grupos em prol de um nacionalismo populista, por meio de isolamento e protecionismo. A defesa da globalização pelo presidente comunista chinês, Xi Jinping, no Fórum Econômico Mundial, é um eloquente exemplo desta nova realidade.

A série de atentados terroristas em território europeu, mediante ações espetaculares, e os efeitos da crise econômica, sobretudo no mercado de trabalho, deram combustível à desconfiança contra grupos étnicos muçulmanos e estrangeiros em geral, vistos como usurpadores de empregos dos europeus. O discurso contra imigrantes por líderes como a francesa Marine Le Pen, da Frente Nacional, ou a alemã Frauke Petry, da Alternativa para a Alemanha, estimularam um tipo de animosidade xenófoba que, não raro, culminou em agressões contra estrangeiros.

Mas, se por um lado, os eurocéticos ganharam espaço, por outro, o que parecia ser uma tendência incontornável começou a dar sinais de inversão, a favor da globalização. Exemplo disso são os recentes testes eleitorais em Holanda e Alemanha, e nas pesquisas em relação ao pleito francês, em que o candidato pró-UE Emmanuel Macron aparece bem posicionado para vencer.

A Europa vive um avanço econômico bem mais robusto do que se previa no fim de 2016. O crescimento é o maior em seis anos, o desemprego está no menor patamar em nove anos, graças a um forte avanço da demanda interna e o aumento real da renda, inclusive em países recém-saídos de crise, como Espanha, Portugal e Irlanda. Até mesmo a Grécia está prestes a fechar um acordo histórico com credores em troca de reformas.

Mas a guinada talvez tenha mais a ver com o choque de realidade sobre o cidadão comum da UE, produzido pelos exemplos do Brexit e da vitória de Trump, que empurraram britânicos e americanos para um futuro incerto.

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Parceria para o futuro

No dia 7 de abril, participarei, ao lado do Ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, da reunião ministerial dos membros fundadores do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) e dos países que integram a Aliança do Pacífico (Chile, Colômbia, Peru e México). É mais um passo que daremos no resgate dos propósitos originais do Mercosul com vistas a tornar o bloco uma plataforma para a inserção competitiva de nossos países na economia internacional.

Um dos caminhos para alcançar esse objetivo é o estabelecimento de acordos comerciais com outros países ou blocos. O Mercosul e a Aliança do Pacífico representam juntos 80% da população da América Latina e Caribe, respondendo por mais de 90% do PIB e dos fluxos de investimento direto estrangeiro na região. Estamos falando de um mercado de quase 470 milhões de pessoas.

A convergência entre o Mercosul e a Aliança do Pacífico pode significar o nascimento de um novo polo dinâmico da economia mundial. Queremos aproveitar a rede de acordos que já nos unem para dar um salto de qualidade. Possuímos hoje acordos de livre comércio com todos os países sul-americanos da Aliança do Pacífico. Com o Chile, já alcançamos liberalização total do comércio e, com Peru e Colômbia, estamos muito perto disso. Em 2019, graças aos acordos existentes, será concluída uma virtual área de livre comércio na América do Sul.

O Brasil procura, atualmente, completar essa rede de acordos, ampliando seu acordo comercial com o México, a segunda principal economia da América Latina. Com todos os países da Aliança, concluímos acordos de facilitação de investimentos e assinamos ou estamos negociando acordos sobre serviços e compras governamentais.

Em 2016, as exportações do Mercosul para a Aliança do Pacífico alcançaram US$ 17,6 bilhões, valor superior às exportações registradas entre os países da própria Aliança (US$ 14,6 bilhões). O Brasil figura como o principal parceiro comercial na América Latina de Chile, Peru e México e o segundo da Colômbia na região.

A agenda de cooperação entre os dois blocos ambiciona ir além dos acordos comerciais em vigor, buscando simplificar os trâmites de comércio exterior e incentivar parcerias empresariais, com atenção especial às pequenas e médias empresas. Queremos aproveitar também as complementaridades entre as economias e fomentar as cadeias produtivas regionais.

Os vínculos entre Mercosul e Aliança do Pacífico se veem hoje fortalecidos por uma coincidência de visões entre os nossos governos, que compreendem que têm muito a ganhar com a convergência entre os dois blocos.

A situação econômica brasileira e a conjuntura externa oferecem oportunidade que não deve ser desperdiçada para que o Brasil fortaleça a integração com seus vizinhos em busca de um novo ciclo de desenvolvimento nacional. Tenho certeza de que a reunião de Buenos Aires ajudará a impulsionar a integração entre esses dois blocos irmãos, abrindo um novo e auspicioso capítulo na integração latino-americana.

Aloysio Nunes é ministro das Relações Exteriores

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BID sugere área de livre comércio na América Latina e Caribe

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) sugere, em relatório publicado neste domingo, 2, um comércio regional mais integrado na América Latina e no Caribe por meio da criação de uma Área de Livre Comércio da América Latina e Caribe (LACFTA). O potencial, de acordo com o organismo que vê um "ambiente comercial global cada vez mais difícil" nessas regiões, é de um único mercado de US$ 5 trilhões, o que corresponde a 7% do Produto Interno Bruto (PIB) global. [Leia mais...] (webremix.info)


América Latina: BID propõe criação de área de livre comércio (webremix.info)


Perspectiva econômica para América Latina melhora, aponta BID

As perspectivas econômicas para a América Latina e o Caribe estão melhorando, impulsionadas por uma economia global mais forte, posições fiscais mais sólidas, redução das pressões inflacionárias e melhores perspectivas para Argentina e Brasil, de acordo com um relatório divulgado nesta sexta-feira, 31, pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Por outro lado, choques externos podem atrapalhar esta tendência. [Leia mais...] (webremix.info)


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No Porto, instituto que preserva memória da escravidão pode fechar

RIO — A primeira vez em que a carioca Merced Guimarães, de 60 anos, esteve na casa da Rua Pedro Ernesto 36, na Gamboa, foi em 1988, ano do centenário da abolição da escravatura no Brasil. Ao bater os olhos no imóvel, uma construção de 1866, com o pé-direito alto, ela e o marido ficaram encantados e acabaram comprando a propriedade dois anos depois. Mal podiam imaginar que, durante a reforma da residência, em 1996, descobririam que estavam vivendo sobre sepulturas de escravos. Era o Cemitério de Pretos Novos, onde, entre 1779 e 1830, eram enterrados os africanos mortos na chegada ou durante a viagem de navio até o Porto do Rio. Por causa de sua importância histórica, o lugar foi transformado no Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN).

O roteiro da pequena áfrica

Apesar da riqueza histórica, o instituto corre o risco de fechar as portas. Merced Guimarães contou que, no início do mês, foi comunicada pela direção da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio (CDurp), órgão da prefeitura, que o convênio que previa o repasse de cerca de R$ 6 mil mensais para o custeio da casa não será renovado. A companhia informou que “vai reposicionar seus contratos" após análise dos orçamentos de 2017 e 2018.

Segundo o arqueólogo Reinaldo Tavares, que desde 2008 faz pesquisas no Pretos Novos, é difícil estimar quantas pessoas foram enterradas naquele terreno que tinha o tamanho de um campo de futebol. O que restou de um livro de anotações da época mostra que, somente entre 1824 e 1830, aconteceram 6.122 sepultamentos de escravos, de acordo com registros do Arquivo Geral da Cidade do Rio. Não havia lápides, e os corpos eram colocados em covas coletivas.

RELÍQUIAS HISTÓRICAS

Para a historiadora Martha Abreu, além do cemitério, que ajudou a desenterrar a história da Pequena África na década de 1990, a região do Porto tem pelo menos outros 17 endereços que merecem ser visitados. Uma relíquia histórica obrigatória para saber mais sobre esse período é o Cais do Valongo, candidato a Patrimônio da Humanidade. Outro, diz ela, é o Jardim Suspenso do Valongo.

— Além da beleza do jardim, temos ali uma casa do início do século XIX, considerada a única casa de venda de africanos não demolida pelas obras de Pereira Passos. Sem contar que a vista lá de cima é incrível: dá para ver os morros do Livramento e da Providência e o relógio da Central do Brasil — comenta Martha, uma das autoras do projeto “Passados presentes: memória da escravidão no Brasil", que traça um roteiro histórico no estado sobre esse período (http://passadospresentes.com.br).

Na região da Pequena África, o “Passados Presentes” sugere um percurso de cerca de três horas, a partir do Museu de Arte do Rio (MAR), seguindo pelo Largo da Prainha e por ruas da Saúde e da Gamboa. A lista inclui a Pedra do Sal, a Praça dos Estivadores e o prédio da Docas Dom Pedro II, hoje sede da Ação da Cidadania, feito por André Rebouças, um engenheiro negro que proibiu uso de mão de obra escrava nas construções.

— Vale visitar também a Associação Chora Macumba, entidade carnavalesca que funcionou na Rua Barão de São Félix no início do século XX, e o Mercado de Escravos da Prainha, no atual Largo de São Francisco da Prainha — indica Martha Abreu.

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Pesquisadores descrevem mecanismo que neutraliza infecção do zika

RIO — Hoje, o tratamento para a zika se resume aos sintomas: medicação para reduzir a febre e a dor, mas um estudo publicado nesta quinta-feira na revista “Nature Communications” abre caminho para o desenvolvimento de um antiviral que combata a infecção. Pesquisadores da Universidade Purdue, do Centro Médico da Universidade Vanderbuilt e da Escola de Medicina da Universidade Washington, todas nos EUA, conseguiram determinar a estrutura de um anticorpo humano capaz de se ligar ao vírus, revelando detalhes sobre como as células de defesa do organismo interferem no mecanismo de infecção.

LINKS ZIKA

— Isso tem o potencial para ser um anticorpo humano neutralizador para uso terapêutico — disse Richard Kuhn, da Universidade Purdue e líder dos estudos.

O anticorpo foi isolado de uma pessoa que foi infectada pelo vírus. Em um estudo anterior, os pesquisadores relataram que esta célula de defesa era capaz de neutralizar cepas do vírus encontradas na África, na Ásia e nas Américas, e reduzir a infecção fetal e a mortalidade em camundongos.

— Entretanto, até agora era desconhecido o mecanismo de neutralização da infecção pelo zika pelo anticorpo e as bases estruturais para a neutralização — disse Michael Rossmann, também da Universidade Purdue.

No estudo atual, os pesquisadores descreveram a estrutura do vírus zika que se prende ao fragmento de união ao antígeno (molécula Fab, na sigla em inglês), a região do anticorpo que se conecta ao antígeno. É a partir desse mecanismo que o sistema imunológico sinaliza que o vírus deve ser atacado.

O genoma do vírus zika fica armazenado dentro de uma cápsula protetora, que inclui 60 unidades repetidoras, cada uma contendo três proteínas-envelope. Quando o vírus se aloja numa célula hospedeira, são essas proteínas que, por uma diferença na acidez, disparam a transferência do genoma viral, um passo crítico na infecção. O estudo mostra que o anticorpo inibe esse mecanismo, neutralizando esse trio de proteínas-envelope.

— Isso mostra que o anticorpo é capaz de inibir de forma significativa a infecção — disse Rossmann. — Essa abordagem pode fornecer proteção contra praticamente todas as linhagens do zika.

Como a superfície do zika possui 60 cópias com três proteínas-envelope, a lógica seria que fossem necessários 180 anticorpos para neutralizar cada vírus. Porém, dizem os pesquisadores, um anticorpo é capaz de se ligar a seis proteínas, então são necessários apenas 30 anticorpos.

INFORMAÇÕES PARA CRIAÇÃO DE VACINA

Segundo os pesquisadores, a descoberta vai, inicialmente, ajudar no desenvolvimento de drogas antivirais. Mas também fornece dados para que novos estudos identifiquem pontos importantes no vírus que possam ser conectados aos anticorpos, o que pode ser útil para o desenvolvimento de vacinas.

O zika pertence a uma família de vírus chamada flavivírus, que inclui os organismos causadores da dengue e da febre amarela, entre outras doenças. Ele tem sido associado a defeitos no desenvolvimento fetal, provocando a microcefalia e outros danos cerebrais a bebês de mães infectadas durante a geração.

— Dada a severidade dos sintomas causados pelas infecções pelo zika em humanos, é crucial compreender as respostas imunológicas à infecção para desenvolver terapias anti-zika — disse Rossmann. — Em contraste com outros flavivírus, que se espalham principalmente por insetos, existem evidências sugerindo que o zika pode ser transmitido sexualmente e da mãe para a criança.

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