Casos legais e judiciais

Notícia : Casos legais e judiciais

Pris?o n?o resolve

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada informou recentemente que o aumento de 10% no número de presos reduziria a taxa de homicídios no Brasil em 0.5%. A hipótese do Ipea, interpretada de forma literal, é um absurdo. Usando os números apresentados chegamos à conclusão de que para reduzir a taxa de mortes intencionais no Brasil (27 por 100 mil habitantes) até chegar à média mundial (7/100 mil) deveríamos inaugurar centenas de prisões e botar na cadeia mais de dois milhões de brasileiros. Os países das Américas apresentam os maiores índices de homicídio do mundo e as maiores taxas de encarceramento. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos informa em seu Relatório de 2012 que a superpopulação carcerária em nossos países é uma consequência da falta de infraestrutura adequada, implementação de políticas repressivas e uso excessivo da prisão preventiva.

A grande maioria (85%) dos países das Américas convive com este problema. Na América Latina e no Caribe 50% dos presos estão na cadeia sem julgamento e sem pena estabelecida. Muitos estão presos por crimes não violentos, incluindo consumo e tráfico de pequenas quantidades de drogas. As prisões por crimes não violentos promovem o antagonismo entre a polícia e as comunidades. A polícia passa a ser vista como responsável por separar as famílias, enquanto os pequenos criminosos são imediatamente substituídos nas ruas. O encarceramento atinge, principalmente, os jovens e as minorias étnicas que vão cursar a universidade do crime e serão capazes de cometer outros delitos enquanto estiverem encarcerados. Em todo o mundo, mais de 10 milhões de pessoas estão presas. Em nosso continente, onde habitam 14% da população mundial, temos 30% da população carcerária. Esses dados indicam que não existe uma relação importante entre o crescimento das taxas de encarceramento e os índices de criminalidade.

Por outro lado, frente à repressão a criminalidade foge, como as baratas quando acendemos a luz, reaparecendo onde melhor possa praticar o ilícito. Os homicídios diminuíram na cidade do Rio de Janeiro, mas aumentaram nas cidades e estados vizinhos; assim como os homicídios na Colômbia migraram para o México, a América Central e Caribe. Estes estados exerceram suas políticas de mão de ferro e tolerância zero como forma de combater o crime. Quem quer tomar decisões políticas tem a obrigação de reconhecer a importância das evidências. Até mesmo Che Guevara, quando ministro de Cuba, em 1961, afirmou que “não se pode dirigir sem analisar, e não podemos analisar sem ter dados.” A citação do Che faz ainda mais sentido nos dias de hoje, nas Américas, onde os dados sobre as tendências do crime e sistemas judiciais se encontram embaralhados, as prisões estão lotadas e o crime organizado multiplica os homicídios.

Luiz Octávio Coimbra é coordenador do Observatório Hemisférico de Segurança da OEA

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Resumo das novelas: veja o que vai acontecer nos cap?tulos desta quarta-feira

RIO — No capítulo de hoje de “Salve Jorge”, Lívia (Cláudia Raia) insiste em continuar acusando Theo (Rodrigo Lombardi) de tê-la agredido. Em “Guerra dos sexos”, Felipe (Edson Celulari) comemora a briga entre sua filha Juliana (Mariana Ximenes) e Nando (Reynaldo Gianecchini).

MALHAÇÃO

Elisa incentiva Fatinha a acreditar no caso entre Bruno e Débora. Débora anuncia a contratação de Bruno, mas é interrompida pelas acusações de Fatinha. Marcela e Lia terminam a carta de amor para Raquel. Raquel gosta de receber a carta do suposto admirador e fica curiosa para conhecê-lo. Elisa revela a Fatinha que Bruno foi demitido após a confusão provocada por ela na festa. Lia pergunta por Vitor para Rosa. Fatinha se desespera pela confusão que aprontou com Bruno. Sal chantageia Lia com notícias de Vitor. Enquanto Olavo e Vitor resolvem os problemas judiciais do rapaz, o delegado avisa que acharam o carro roubado de Bruno em Brasília. Fera demonstra mais uma vez sua melhora nos estudos. Todos fazem provas de figurino para o filme de Orelha e Morgana. Bruno pede um tempo para Fatinha.

FLOR DO CARIBE

Cassiano conta para Ester tudo o que passou durante os sete anos em que esteve preso no Caribe. Ester fica confusa e prefere se afastar de Cassiano. Juliano convida Natália para sair de barco. Donato resolve ir para o mar sozinho, sem Juliano, que fica preocupado. Duque explica a Cassiano o motivo de ter falsificado seu atestado de óbito, revelando que sua intenção era salvar o piloto. Bibiana fica apavorada com a tempestade que se forma e Donato no mar sem dar notícia. Candinho encontra Ariana. Alberto vai à casa de Cassiano.

GUERRA DOS SEXOS

Juliana chega à casa de Felipe, impedindo Dino de conversar com ele. Roberta pede para Charlô aconselhar Juliana. Felipe comemora a briga entre Juliana e Nando. Carolina teme que Dino conte para Felipe que ela sabotou a Positano. Zenon pergunta se Ulisses sabe para onde Nando levava Otávio quando ele pintava o bigode. Lucilene combina de sair com Kiko e deixa Frô enciumada. Roberta pede para Vânia convencer Juliana a aceitar que Nando seja o modelo de sua empresa. Nando leva Dominguinhos para sair pela cidade e Charlô decide segui-los. Felipe procura Roberta. Charlô e Zenon perseguem Nando e Dominguinhos. Juliana reclama do noivo para Olívia. Roberta decide contar sobre os diamantes para Felipe. Dominguinhos e Nando voltam para a mansão e Charlô tenta descobrir aonde foram.

CARROSSEL

Ao conversar com Davi e Valéria, a dona da loja afirma que não tem tempo para brincadeiras. Valéria diz que o assunto é sério. Valéria mostra os vestidos à mulher, que afirma não trabalhar com vestidos avulsos e mal costurados. Valéria diz que foi ela mesma quem fez. Davi revela que Valéria precisa vendê-los para ajudar os pais a pagarem as dívidas. Ao sair da loja, Valéria conta aos colegas que a mulher comprou todos os vestidos. Ela tem R$ 150 reais para ajudar os pais. Ao chegar em casa, Ricardo pede para Valéria mostrar a prova que fez. Ela chama a atenção dela novamente, pois a garota tirou uma nota ruim. Davi revela a Helena e Renê que Valéria estava trabalhando duramente todas as madrugadas. Aflito para poder ajudar Valéria, Cirilo fantasia que é um cowboy e vai ao banco pedir um empréstimo. Na fantasia do menino, Jorge é o gerente do banco. Maria Joaquina entra no banco, ela é uma dama, namorada de Jorge. Jaime é o Robin Hood. Aparece um comprador para a casa de praia dos pais de Valéria. Valéria entra na sala e diz ao pai que ele não precisa vender nada e entrega o envelope com dinheiro. Ricardo fica comovido com a atitude da filha e pede desculpas. Cirilo apresenta seu trabalho sobre o meio ambiente. O garoto fala do desmatamento das florestas, da poluição e também da extinção dos animais. Helena e os alunos aplaudem o trabalho dele. Chega a vez de Jaime apresentar o seu trabalho, mas ele é salvo pelo sinal. Paulo é colocado de castigo por Helena, pois fez chacota de Jaime. No castigo, Paulo diz a Kokimoto que tem um plano contra Cirilo.

SALVE JORGE

Helô convence Morena a conversar com Theo. Almir conta para a delegada sobre a evolução de Jô na missão e avisa sobre Riva, nova integrante da quadrilha. Morena cobra uma explicação de Theo sobre a denúncia de Lívia. Érica manda um recado para o marido por Áurea. Morena arruma suas malas para voltar para a Turquia. Lívia pergunta a Élcio sobre a repercussão de seu caso no regimento. Russo e Irina conhecem Riva. Lucimar não acredita que o recibo de Pescoço seja verdadeiro. Stenio e Haroldo pedem para Deborah não incentivar Lívia a continuar com a denúncia contra Theo. Aisha faz o exame de DNA. Mustafá vê uma joia de Berna na vitrine de uma loja e desconfia. Wanda vê as fotos de Aída e Nunes. Zyah fala para Bianca que não abandonará Ayla. Lívia insiste em continuar acusando Theo. Helô recrimina o ex-marido por pensar em depor a favor de Lívia. A delegada avisa a Morena que Jéssica não irá com ela para Turquia.

BALACOBACO

Norberto finge não saber o paradeiro de Taís e Arthur enfrenta o filho. Isabel assiste a sentença da sobrinha, enquanto Mirela e Joana tentam acalmá-la. Abigail acusa o delegado de ser associado a Eduardo e acaba presa por desacato. Cremilda se afasta de Osório e sofre por ter beijado o irmão de seu marido. Catarina implora para André ficar no apartamento, mas o fotógrafo se nega e afirma que vai se mudar para a casa do pai. Arthur ameaça cortar a verba de Norberto caso seu filho machuque Taís. Eduardo conta que Abigail foi presa e Isabel fica perplexa. Dóris tenta aparecer durante a gravação de “Socorro Paquetá”, mas Zé Maria briga e diz que ela é apenas figurante. Norberto promete não matar Taís e garante a Arthur que vai se livrar da menina. O vilão desliga a transmissão de vídeo e surpreende Arnaud e Fabiana. Marlene fica irritada ao saber que André vai morar com eles. Osório insiste em ter uma “amizade colorida” com Cremilda, mas ela recusa e afirma que ama Deodoro. Isabel discute com Eduardo e os dois se espantam ao ver que o vídeo de Taís parou de ser exibido. Dóris cobra a promessa de Diva para ter seu papel de protagonista de volta. Lígia decide vasculhar a casa de Arthur, mas acaba surpreendida por ele. Os dois discutem e o dono da rede de hotéis sofre. Violeta questiona o sumiço de Cremilda e fica surpresa ao saber do beijo da trambiqueira e seu pai. Breno e Patrick fazem exame de fertilidade. Isabel consegue libertar Abigail e briga pelo comportamento egoísta da mãe. Eduardo e Álvaro propõem que a arquiteta alivie no processo contra Diva em troca da localização de Norberto. Mesmo contrariada, ela aceita. Lucas tenta consolar Catarina, que confessa se sentir sozinha e os dois trocam um beijo apaixonado. Luiza se surpreende ao ver André no momento em que Marlene apresenta Pedro Henrique para ela, deixando o fotógrafo enciumado. Diva se espanta com a visita de Eduardo. Norberto diz a Fabiana e Arnaud que pretende soltar Taís em troca de Isabel.

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Investiga??o de para?sos fiscais revela suborno a altos funcion?rios na Venezuela

MADRI — Quinze meses de árduas investigações feitas pelo Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo (ICIJ, na sigla em inglês) expõem as grandes fortunas escondidas em paraísos fiscais, com 12 mil movimentos de empresas e cerca de 13 mil pessoas envolvidas. O ICIJ teve acesso a cerca de 2,5 milhões de arquivos digitais, principalmente das Ilhas Virgens Britânicas, Cook e Cayman. O tamanho total dos arquivos é 160 vezes maior que divulgação feita pelo WikiLeaks em 2010, segundo a própria organização. E o ICIJ aponta em seu mapa de exposição das milhares de contas em paraísos fiscais três pontos no continente americano que escondiam fortunas: Canadá, Estados Unidos e Venezuela.

Um deles é Francisco Illarramendi, venezuelano de nascimento e responsável por uma empresa de investimentos no estado americano de Connecticut, que criou um esquema de bilhões de dólares junto ao financiador venezuelano Moris Beracha - próximo a Hugo Chávez - segundo os documentos. Diversas ações em tribunais federais dos Estados Unidos argumentam que os dois homens desviaram dinheiro de investidores para um labirinto de empresas em paraísos fiscais que se estende desde as Ilhas Cayman até a Suíça e o Panamá, onde subornaram funcionários do regime bolivariano.

A gigantesca fraude entrou em colapso em 2011, causando prejuízos a centenas de milhões de investidores, incluindo um membro de uma das famílias mais ricas latino-americanas do Cone Sul. De acordo com relatório do ICIJ, com base em documentos judiciais, o esquema também devorou parte do fundo de pensões da petrolífera estatal PDVSA, a joia da coroa de Chávez, e de onde vieram muitos dos recursos que alimentaram a revolução do comandante.

Illarramendi foi declarado culpado em 2011 em acusações contra ele nos EUA, mas Bechara, que não foi responsabilizado pela justiça americana, insiste que, longe de participar da fraude de seu parceiro, foi apenas mais uma vítima.

Outro envolvido nos negócios de Illarramendi é Juan Montes, o Black, diretor sênior de investimentos da PDVSA que teria embolsado mais de U$ 30 milhões, frutos de propinas em troca de transações de títulos complexos entre o fundo de pensão da petrolífera e os fundos de investimentos de Illarramendi.

Estados Unidos e Canadá

No Canadá, Tony Merchant, advogado renomado e marido da senadora Pana Merchant, escondia cerca de U$ 2 milhões em um paraíso fiscal das Ilhas Cook, em 1998, enquanto estava preso em uma batalha fiscal com o ministério da Fazenda. Conhecido como o “Rei das Demandas Coletivas”, devido suas vitórias lucrativas em tribunais, Merchant transferia o dinheiro para o Pacífico e, em seguida, canalizava para uma conta no Caribe que teria sua esposa e três filhos como beneficiários.

A investigação de 15 meses de ICIJ teve a parceria exclusiva da rede de televisão CBC, do Canadá, e expôs cerca de 450 canadenses envolvidos em sonegação de impostos.

“Manter a correspondência ao mínimo”, diz a nota anexada à conta das Ilhas Cook de Merchante, que exigia comunicação com o advogado somente por meio de correio regular. “Nunca enviar um fax para o cliente ou terá um ataque cardíaco”, advertia.

Os documentos analisados pelos meios de comunicação de 35 países mostram como “o sigilo financeiro offshore se expandiu agressivamente em todo o mundo, permitindo que os ricos e os mais conectados pudessem sonegar impostos e, assim, alimentar a corrupção e os problemas econômicos nos países ricos e pobres, sem diferença”, assegura o informe.

No caso dos EUA, o jornal Washigton Post - contrapartida do ICIJ no projeto nos EUA - ainda não tornou públicas suas conclusões, mas já antecipou que mais de 30 americanos estão envolvidos em fraude, lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros.

Para analisar todas as informações disponibilizadas, o ICIJ conta com 86 jornalistas de 46 países e com a colaboração de meios como The Guardian e a BBC, o diário francês Le Monde e o americano The Washington Post. Quanto à Espanha, no decorrer da pesquisa aparece a baronesa Thyssen, “que usa uma empresa nas Ilhas Cook para comprar obras de arte em casas de leilões como Sotheby e Christie”.

Também foram mencionados Jean-Jacques Augier, que foi tesoureiro da campanha eleitoral do atual presidente francês, François Hollande, o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, e multimilionários indonésios com vínculos com o falecdo ditador Suharto. Figuram também na lista pessoas e empresas ligadas ao caso Magnitsky, escândalo de fraude fiscal que levou a uma proibição de adoção de crianças russas por famílias americanas e as relações tensas entre os dois países. Os detalhes da investigação serão publicados gradualmente até o próximo dia 15.

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Tempestades no p?s-Primavera ?rabe

Convencionou-se chamar o fenômeno de “Primavera Árabe”. Mas, desde a eclosão de levantes populares que já derrubaram três ditadores — o primeiro dele, o tunisiano Zine el-Abidine Ben Ali, há exatos dois anos —, muitas estações já se passaram sem que esses países tenham encontrado, ainda, a fórmula adequada para superar décadas de ditadura. E mais: para devolver o poder à sociedade civil; restaurar a confiança no Estado; conciliar o respeito às liberdades individuais, às crenças religiosas e às minorias; e sobretudo, criar oportunidades econômicas capazes de prover oportunidade com justiça social.

“A Primavera Árabe é um longo processo e não um resultado”, sentenciou o príncipe marroquino Moulay Hicham ben Abdallah Alaoui, cujo país — assim como a Jordânia — provou a turbulência do descontentamento popular tendo conseguido, por ora, aplacar os ânimos com reformas políticas, mas sem troca de guarda.

Cenários e prognósticos diferem de país para país. Em comum, essas nações têm o fato de estarem imersas em discussões muito mais profundas acerca de problemas como desemprego, pobreza e corrupção. Forças islamistas, religiosas, renascem nas urnas e formam um contraponto explosivo com as massas de jovens laicos, plugados nas novidades tecnológicas, que tomaram as ruas para pedir liberdade e o fim de regimes como o de Ben Ali, o do egípcio Hosni Mubarak e o do líbio Muamar Kadafi.

“Depois de dois anos, o que está mais claro do que nunca é que não existe uma coisa coesa como ‘o mundo árabe’. É a primeira vez na História que homens e mulheres comuns conduzem as mudanças políticas e revelam uma variedade de identidades, sentimentos e condições em cada país árabe”, escreveu o analista político Rami Khouri, do jornal libanês “Daily Star”.

Enquanto os países do Norte da África comandam lentos processos de democratização, analistas apontam o desfecho da sangrenta guerra civil síria como um dos mais pesados fatores da balança de poderes regional em 2013 — com potencial de mudar as alianças entre sunitas e xiitas em todo o mundo muçulmano. Muitos também ponderam se as ricas monarquias do Golfo Pérsico também conseguirão continuar comprando a tranquilidade com petrodólares transformados em programas sociais.

Os desafios se estendem por milhares de quilômetros. De um lado, os povos árabes sofrem os efeitos de revoluções e contrarrevoluções. De outro, a tempestade pós-Primavera Árabe alcança também o Ocidente — ainda incapaz de elaborar uma nova política para a região.

TUNÍSIA: VIOLÊNCIA NO RASTRO DE ISLAMISTAS

Depois de ser pioneiro no movimento de levantes populares no mundo árabe, o país norte-africano passou por eleições legislativas e democráticas das quais emergiram partidos religiosos como as forças predominantes da nova política local. O islamista al-Nahda arrebatou 41% dos votos e assegurou 90 cadeiras das 217 do Parlamento. Protestos de rua e violência esporádica, porém, são comuns.

Nas áreas rurais do país cresce a irritação com a demora em promover reformas econômicas e, nas grandes cidades, a ira advém da classe média revolucionária. Acusam o governo e as forças de segurança de “passividade excessiva” diante da ação frequente de grupos salafistas que tentam impor, à força, visões radicais à sociedade com ações violentas, como, por exemplo, a depredação de bares de hotéis que vendem bebidas alcoólicas.

A nova Constituição já está sendo escrita, e o governo do premier Hamadi Jebali tenta adotar uma postura pragmática. O turismo vem renascendo com força, mas como em todo o Norte da África, o debate mais recorrente na sociedade tunisiana é como encontrar a interseção exata entre os conceitos de democracia, Islã e liberdade.

LÍBIA: TRANSIÇÃO DESAFIADA POR ARMAS E MILÍCIAS

Até que a Constituição seja escrita, o Congresso adotou, na última quarta-feira, por unanimidade, um novo nome para o país: “Estado da Líbia”. Mas grandes questões permanecem abertas no único país que teve o apoio militar da Otan — com o respaldo do Conselho de Segurança da ONU — para derrubar uma ditadura, a de Muamar Kadafi.

No plano político, o Conselho Nacional de Transição (CNT), formado durante a guerra, conseguiu articular eleições no ano passado. A Aliança Força Nacional, do ex-premier Mahmoud Jibril, emergiu vitoriosa e controla 39 das 80 cadeiras do Parlamento que busca formar um grupo de 60 pessoas para redigir a nova Carta. A morosidade, porém, acende disputas e desconfianças.

À falta de experiência dos congressistas, somam-se outros problemas: a ação de milícias, a presença de jihadistas, as rixas tribais e o enorme fluxo de armas no país. Tiroteios, sequestros e tentativas de invasão do Legislativo ocorrem com frequência devido à ineficiência das forças de segurança. A Justiça, em reestruturação, disputa com o Tribunal Penal Internacional o direito de julgar Saif al-Islam, o filho considerado herdeiro político de Kadafi.

EGITO: SECULARISTAS AINDA BUSCAM SEU LUGAR

Com quase 80 milhões de habitantes, mas sem diferenças sectárias, as tensões no Egito emergem de um ponto central: o embate ideológico entre islamistas, religiosos, e a oposição laica que ainda não conseguiu se fazer ouvir democraticamente.

O presidente Mohamed Mursi, egresso da Irmandade Muçulmana, foi eleito por uma pequena margem de votos. Conseguiu destituir a alta cúpula do Exército e, desde então, propôs reformas polêmicas para blindar seus poderes.

O Parlamento permanece paralisado por batalhas judiciais, e novas eleições legislativas estão marcadas para abril. A nova Constituição foi escrita sob denúncias de favorecimento dos interesses religiosos em detrimento das liberdades individuais. Renasceu a desconfiança da Irmandade e, por outro lado, as pressões dos maiores parceiros da coalizão — os radicais salafistas. O diálogo nacional é lento. E à sombra de protestos e violência ocasional.

SÍRIA: SECTARISMO ACIRRADO ALIMENTA GENOCÍDIO

O número de mortos já ultrapassa 60 mil, e mais de um milhão de pessoas foram transformadas em refugiados da guerra civil. A violência que devastou as cidades da Síria não deixa mais espaço a protestos pacíficos populares, mas apenas a um ciclo de ferozes ataques e contra-ataques entre os partidários do presidente Bashar al-Assad, da minoria alauita, e uma oposição armada majoritariamente sunita, que já controla algumas partes do Norte do país, próximo à fronteira com a Turquia.

No âmbito político, os opositores vêm tentando se articular, mas foram incapazes de formar, até agora, um bloco coeso. Assad insiste em se manter no poder, e ainda tem respaldo dos setores da classe média alta, temerosa de um governo islamista em seu lugar. O regime tem, ainda, o apoio de Rússia, Irã, Iraque e do grupo xiita libanês Hezbollah. O desfecho do conflito armado é uma incógnita. E certamente provocará mudanças geopolíticas regionais.

IÊMEN: NA POBREZA, PROBLEMAS EXTERNOS E INTERNOS

Depois de 33 anos no poder, o iemenita Ali Abdullah Saleh transformou-se no quarto ditador árabe deposto, com a ajuda de um plano do Conselho de Cooperação dos Países do Golfo Pérsico. Entretanto, Saleh ganhou imunidade e continua vivendo na capital, Sanaa. Segundo ativistas, ele e seu clã, ainda infiltrado no Estado, emperram a transição. As manifestações por melhores condições de vida no país mais pobre do Oriente Médio seguem ativas.

Desde 27 de fevereiro de 2012, o presidente interino Abed Rabbo Mansour Hadi pouco avançou na tarefa de, em dois anos, reconstruir as Forças Armadas, estabelecer o diálogo nacional, traçar a Constituição e preparar eleições em 2014.

Sequestros e carros-bomba também são comuns em Sanaa. A ação da al-Qaeda impõe, ainda, outro desafio: lidar com os EUA e os constantes ataques de “drones” (aeronaves não tripuladas) na guerra ao terror. O renascimento de movimentos separatistas e a ameaça de fragmentação completam um cenário bastante instável.

GOLFO: DISSIDÊNCIA DISCRETA, CRISES À ESPREITA

As ricas monarquias do Golfo Pérsico conseguiram, por ora, conter qualquer oposição popular. Mas, analistas observam sinais do crescimento de uma dissidência ativa e articulada — embora discreta — por meio de queixas no Twitter, páginas de protesto no Facebook ou do engajamento em campanhas internacionais.

No Bahrein, os protestos da oprimida maioria xiita contra o governo sunita da monarquia al-Khalifa foram sufocados com a intervenção militar da vizinha Arábia Saudita. Sede da Quinta Frota da Marinha americana, o país assiste a uma calma relativa: houve milhares de prisões arbitrárias e denúncias de violações dos direitos humanos que, vez por outra, renovam os apelos dos indignados nas ruas.

O Kuwait vive momento delicado. Às voltas com protestos e denúncias de corrupção da família al-Sabah, o rico país viu a oposição boicotar o pleito parlamentar de dezembro. A queda de braço pressiona pela escolha de um premier independente. Os vizinhos observam apreensivos.

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Para a Vale, a ?sia n?o ? mais s? a China, diz o presidente

RIO — Há pouco mais de um ano no cargo, Murilo Ferreira está feliz da vida com a concessão da licença prévia para o projeto de expansão do S11D, na Serra Sul de Carajás, que deve garantir à companhia um minério de ferro de qualidade ainda melhor, além de ser o maior investimento da história da Vale e o maior de uma empresa brasileira hoje, no total de R$ 40 bilhões. Ferreira revela ainda, em entrevista ao GLOBO, que a Vale pretende focar em um número menor de projetos de grandes volumes de recursos. Ele rejeita a tese de que há excesso de oferta de aço e revela que, apesar de ter a China como seu principal mercado, de onde vem um terço das receitas, a Vale já enxerga outras oportunidades na Ásia, em países com altas taxas de crescimento econômico.

O GLOBO: Os 750 milhões em bônus que acabam de ser emitidos já serão em parte para financiar o projeto da Serra Sul de Carajás?

MURILO FERREIRA: Esses recursos financiam os inúmeros projetos de capital da Vale. Temos Salobo (mina de cobre em Marabá, no Pará) e muitos outros projetos que estão terminando agora. Temos o projeto de Moçambique (Moatize II e Corredor Nacala), de porto e ferrovia, que são US$ 6,5 bilhões, e vão ficar para 2014, e o projeto de potássio Rio Colorado (na província de Mendoza, na Argentina), que demanda US$ 5,9 bilhões. Então, vamos focar num menor número de projetos, mas com valor unitário de investimento muito alto, como esse do S11D (Serra Sul de Carajás).

Qual o impacto das questões políticas em países como a Argentina e Moçambique para as decisões de investimentos da companhia?

FERREIRA: Em Moçambique, tivemos a aprovação da concessão pelo Conselho de Ministros, tanto da ferrovia quanto do porto. Só faltava essa instância. Não enxergamos instabilidade política em Moçambique, muito pelo contrário. Em Rio Colorado, estamos aguardando licenças ambientais da ferrovia e do porto, assim como o regulamento fiscal. Eu ainda não estava aqui, mas sei que algumas premissas estavam desalinhadas com o que foi aprovado pelo Conselho de Administração em 2010. Meu dever é tentar fazer uma reavaliação para submeter ao Conselho de Administração baseado nos fatos correntes. Não houve da minha parte qualquer avaliação sobre o evento político na Argentina.

O projeto de gás que vai abastecer Rio Colorado, Las Lajas, é uma joint-venture com a YPF. A reestatização da YPF não teve impacto na operação?

FERREIRA: Não notamos mudança. Foi-nos garantido, pelos contatos que tivemos, que o projeto está assegurado.

Na África, além de Moçambique, há a Guiné (onde vai ser construída a mina de ferro de Zogota e a usina de Simandou), que talvez seja mais preocupante. O governo da Guiné deve votar ainda este mês o Código de Mineração?

FERREIRA: Temos informação de que uma série de procedimentos legislativos foram adiados na Guiné, mas não temos confirmação das novas datas.

As exigências do governo da Guiné podem fazer com que a Vale se retire de lá pelo que está proposto?

FERREIRA: Nós temos que ver se o projeto ainda apresenta rentabilidade, quais são as premissas que vão levar o estudo de viabilidade a ser refeito.

Quando vai ser refeito?

FERREIRA: Quando estiver tudo certo com a parte legal. Nós nunca trabalhamos com a premissa de que eles teriam 51% do sistema logístico. Os royalties já existiam, mas passaram a ser indexados ao preço do aço. Há uma série de modificações das quais não tenho elementos suficientes para fazer um julgamento neste momento. Na hora em que tiver, vamos fazer a avaliação e eu vou retornar ao Conselho de Administração.

Ainda este ano?

FERREIRA: Eu esperava que fosse a partir de julho, mas já fui informado de que isso não ocorrerá.

Com o investimento no S11D, em Carajás, há expectativa de aumento na produção do minério de ferro da companhia. Mas hoje estamos vendo no mundo um excesso de oferta de aço. Isso não significa que a demanda pelo minério, matéria-prima do aço, pode cair? Como isso se reflete hoje nas perspectivas da Vale?

FERREIRA: Primeiro, eu queria definir o que é esse excesso de aço no mundo. A China tem crescido muito na produção de aço. Em 2010, produziu 619 milhões de toneladas, em 2011, 683 milhões de toneladas, e em 2012 tem estimativa de produzir 720 e 743 milhões de toneladas. A Coreia também tem crescido de forma importante. A Hyundai, que não produzia praticamente nada em 2005, está produzindo 8,4 milhões e, no ano que vem, estará acima de 12 milhões de toneladas. Essa sobreoferta não está toda ligada e tem custo alto. A produção de 1,5 bilhão de toneladas ou de capacidade instalada de 1,8 bilhão é menos disponível para transações transoceânicas do que o minério de ferro. Precisamos analisar isso geograficamente, sob o ponto de vista da competitividade. A Vale precisa das expansões na produção, especialmente do minério do Norte do Brasil, que é de altíssima qualidade.

O principal destino desta expansão em Carajás será o mercado asiático?

FERREIRA: Estava ocorrendo uma anomalia no mundo: os G-7 serem os principais consumidores de matéria-prima. Hoje, pelo menos dois terços da população mundial estão na Ásia. Estamos vendo um deslocamento (do consumo de minério) para países da Ásia. Sempre se fala muito de China e Índia, esquecendo que a Indonésia tem 250 milhões de pessoas. É um mercado que cresce 5% desde 2005, recuperou-se brilhantemente da crise de 1998. O Vietnã vem crescendo muito bem, a Tailândia também. Acho que isso pode acontecer também na América do Sul, liderado pelo Brasil, que vem tendo um crescimento bastante positivo.

Como a Vale trabalha com a hipótese de um freio na economia chinesa?

FERREIRA: Sempre vi previsões de catástrofes sobre a China. Chamo esse movimento de PCC: Pessoas Contra a China. Alguns segmentos na economia chinesa desaceleraram, mas nos últimos oito anos, a China cresceu em média 10,6%. Hoje vai crescer 8,5%, 8%, até 7,5% sobre uma base muito maior. As previsões, desde 1998, do próprio governo chinês sempre foram inferiores, a não ser 1998. Tenho recebido (muitas pessoas dizendo): “Há uma bolha de imóveis na China”. Essa “bolha” é uma oferta bem maior, em algumas cidades. O resto do país está demandando muitos imóveis. Vimos nos últimos dois meses grande reaquecimento na construção de ferrovias, que é intensiva em aço. O sistema de logística da China, construído há tão pouco tempo, já está dando sinais de fadiga. O que enxergamos com clareza é que a China está começando um processo de mudança de investimento em ativos fixos (como em infraestrutura) para consumo das pessoas. É exatamente o contrário do que vai acontecer no Brasil em breve. O consumo vai se estabilizar e haverá cada vez mais investimentos em ativos fixos. Não devemos (a Vale) nos limitar à China, como chamei a atenção anteriormente. Diversos países estão com crescimento importante.

Qual o percentual desses outros países asiáticos nas receitas da companhia?

FERREIRA: Não é muito grande ainda. Taiwan, por exemplo, é um mercado importante e nós já temos uma planta de níquel lá. O Vietnã ainda está uns quinze anos atrasado em relação ao consumo, na comparação com a China.

Vai haver um redirecionamento da companhia para esses outros países?

FERREIRA: O crescimento da Ásia veio para ficar. Brinquedos e têxteis, você não acha hoje mais na China. Já mudaram para outros países do Sudeste Asiático. Os chineses ficar com equipamentos mais pesados e produtos mais elaborados. Os outros países vão passar pelo mesmo processo que nos primeiros dez anos deste século a China passou. Isso é muito semelhante ao que aconteceu no Japão, muita coisa passou para a Coreia, depois para a China. Queremos participar desse processo.

Isso traz à tona a questão do transporte do minério e a competição com os australianos. A Vale está construindo centro de distribuição na Malásia para chegar a esses mercados. Os grandes navios, os Valemax, ficaram desinteressantes?

FERREIRA: A Vale entrou nesse negócio (de construir grandes navios para transporte de minério) porque o mercado de frete enfrentava volatilidade excessiva nos preços. Em 2008, o preço do minério de ferro chegou a US$ 200 (a tonelada) na China, sendo US$ 80 pelo minério e US$ 120 do frete. Hoje, o frete está entre US$ 20 e US$ 25, e o minério de ferro a US$ 135 na China. Então, passou-se a dar o devido valor a quem está produzindo. O Conselho de Administração tem aprovado a venda desses navios e a contratação de frete por longo prazo.

Quantos Valemax já foram vendidos?

FERREIRA: Vendemos quatro (dos 19 próprios) e levaremos ao Conselho um número importante em breve. A nossa orientação é pegar esses recursos e investir no negócio principal, desde que haja garantia do frete.

A licença prévia de Carajás é importante, mas a questão ambiental ainda tem um impacto grande nos projeto de crescimento da companhia?

FERREIRA: Eu queria louvar o trabalho do nosso comitê de meio ambiente, que tem diretores-executivos, diretores, gerentes, técnicos. Em um ano da minha gestão, ele tem apresentado resultados ótimos. Em janeiro deste ano tivemos a licença do N5-Sul (parte da mina N5, na Serra Norte de Carajás), a primeira licença lá nos últimos dez anos. A licença prévia da Serra Sul, S11D, é um fato histórico. Não gosto de ficar reclamando de governo, gosto de saber o que a gente pode fazer melhor.

E como vai o trabalho para melhorar o capital humano da empresa?

FERREIRA: Fizemos recentemente convênio com o CNPQ com bolsas para 12,5 mil pessoas em engenharia. Naquele processo muito doloroso que nós passamos na década de 80 e 90, na profissão de engenheiro muitos migraram para o mercado financeiro, as empresas contratavam poucos engenheiros, e os estudantes ficaram desestimulados. A maior parte dessas bolsas se destina a alunos no Norte do Brasil, especialmente Pará e Maranhão. Esse é um trabalho que eu quero ver prosperar. Quando eu fui presidente da Alunorte, talvez o maior legado do time de diretores e gerentes daquela época tenha sido conseguir que todos os empregados concluíssem o ensino médio.

Dos 136 mil trabalhadores, quantos não têm ensino médio?

FERREIRA: Perto de 40 mil pessoas, somando próprios e terceirizados. Se Deus permitir, que o nosso time consiga o mesmo, que seja a maior bênção da minha estada aqui na Vale.

O senhor já disse que a Vale não vai elevar sua participação na Companhia Siderúrgica do Atlântico (a CSA), mas os alemães da ThyssenKrupp querem se desfazer do negócio. A Vale pode abandonar esse projeto que está dando prejuízo bilionário, considerando que a própria Thyssen está encontrando dificuldades para a venda?

FERREIRA: O processo, na verdade, começou na semana passada quando o Morgan Stanley e o Goldman Sachs foram escolhidos para auxiliar a Thyssen na venda. Temos cerca de 27% (na CSA). Se vamos manter... é bem provável que sim. Não colocamos à venda nossa parte. Mas se alguém chegar e quiser ter 100% do capital, é outra coisa.

O que deu errado?

FERREIRA: A premissa deles era de dólar a R$ 2,50 e, quando terminaram, o dólar estava a R$ 1,67. Só aí, é uma grande diferença. Talvez tenha faltado um pouco de “tropicalização”, examinar as diferenças entre implantar um projeto na Europa e no Brasil. Mas isso é passado, e agora estamos avaliando o futuro.

Que impacto se espera do câmbio na dívida da companhia, que está subindo?

FERREIRA: No trimestre findo em 30 de junho, é natural que haja impacto porque a desvalorização foi muito forte. Daqui a pouco, vão dizer: “O lucro caiu”, e foi só a variação cambial. Nossa dívida e nossa receita são em dólar...

A Vale tem hoje disputas judiciais em relação ao pagamento de impostos sobre lucros de subsidiárias no exterior e cobranças por exploração mineral. São cerca de R$ 30 bilhões, mas só uma pequena parte está provisionada. A Vale reclama que tem de pagar em dinheiro. A Vale está sendo discriminada?

FERREIRA: Nós queremos discutir o mérito desse assunto. Por enquanto nós discutimos de que forma somos dispensados de fazer o depósito, ou se vamos fazer o depósito em dinheiro para poder discutir o mérito da questão.

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Morre secret?rio de Direitos Humanos da Argentina

BUENOS AIRES. O governo argentino confirmou nesta terça-feira a morte do secretário de Direitos Humanos, Eduardo Luis Duhalde, funcionário designado pelo ex-presidente Néstor Kirchner em 2003 e ratificado pela presidente Cristina Kirchner em 2007 e 2010. Duhalde faleceu aos 72 anos, vítima de complicações ocorridas numa cirurgia para tratar um aneurisma abdominal, em fevereiro passado. Seu falecimento foi lamentado por importantes organizações de defesa dos direitos humanos, que lembraram a luta do funcionário na década de 70 para denunciar crimes cometidos pela última ditadura (1976-1983).

Duhalde, que era advogado, historiador e jornalista, foi peça-chave na política kirchnerista que permitiu a anulação das Leis de Obediência Devida e Ponto Final, as chamadas leis do perdão, e, posteriormente, a reabertura de dezenas de processos judiciais sobre violações dos direitos humanos cometidas pelos militares argentinos. O funcionário era autor de 24 livros e 200 trabalhos sobre direitos humanos. Um dos mais importantes e conhecidos é "O Estado terrorista argentino".

Após o golpe de 24 de março de 1976, Duhalde foi perseguido pelo governo militar e obrigado a exilar-se na Espanha, onde comandou uma campanha internacional para denunciar a prisão, a tortura e o desaparecimento de opositores da ditadura. O funcionário também participou de missões de paz na África e em vários países da América Latina, como El Salvador, Nicarágua, México e Colômbia.

A presidente recebeu a notícia de sua morte em sua residência da província de Santa Cruz, onde passará os próximos dias.

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Vale: cobran?a tribut?ria inibe investimentos

RIO — Murilo Ferreira, presidente da Vale, afirmou nesta segunda-feira, durante seminário promovido pela Fundação Getulio Vargas, com apoio do jornal O GLOBO, que não houve ainda nenhuma decisão de mérito sobre as ações judiciais que cobram até R$ 30 bilhões da empresa por lucros obtidos em operações no exterior. Ele afirmou acreditar que a decisão será “razoável” e disse que as decisões que já saíram, desfavoráveis à empresa, "foram apenas de forma e não de mérito":

— No meu entendimento o governo, o congresso e a Justiça brasileira não vão permitir que as empresas tenham qualquer situação que tragam constrangimento ao investimento brasileiro no exterior, ainda mais em países como os da África, onde o nosso investimento traz avanços sociais, os países crescem com nosso investimento e com isso há a redução de desigualdade. Esse desestímulo seria pernicioso — disse.

Perguntado sobre o fato de o Brasil depender cada vez mais da exportação de produtos básicos em detrimento dos manufaturados, ele disse não ver problema nisso.

— O Brasil, assim como ocorre com Canadá e Austrália, tem que ter orgulho de ser exportador de commodities —disse ele, que lembrou ainda que a indústria brasileira é mais focada no mercado interno. — Mas a grande virada da indústria virá com a exploração das novas fronteiras de gás do Brasil.

Ferreira também voltou a afirmar estar otimista em relação ao futuro da economia da China. Ele contou que, com os dados de janeiro, a China consumiu de forma anualizada 756 milhões de toneladas de minério de ferro, contra 729 milhões registrados há um ano. E disse que uma eventual desaceleração no crescimento chinês não impactaria na redução dos negócios.

— Nos últimos oito anos, o país teve um crescimento, em média, de 10% ao ano, o que gerou um valor adicionado em produtos e serviços de US$ 6 trilhões. Se crescer a 7% nos próximos oito anos, por causa da base maior, o valor adicionado será de US$ 25 trilhões.

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Fabricante do BlackBerry ? processada em EUA e Canad? por falhas no servi?o (webremix.info)


Deportados argentinos causam pol?mica com autoridades

A deportação de dez "barras bravas" argentinos que tinham viajado para a África do Sul para a Copa do Mundo causou uma polêmica com as autoridades portenhas, que nesta quarta-feira voltaram a negar que estejam vinculadas aos torcedores.

Os deportados, um deles usando uma máscara para não ser identificado, chegaram na terça-feira à noite ao aeroporto de Ezeiza, em Buenos Aires, após terem sido detidos no domingo passado em Johannesburgo, quando aterrissaram para assistir à Copa.

A África do Sul resolveu fazer a deportação de dez dos 80 "barras bravas" que viajaram ao país por conta de informações fornecidas pelas forças de segurança do país sul-americano.

Um dos vândalos, Sergio Flay Roldán, vinculado à torcida do San Martín de Tucumán, foi detido pela Polícia Aeroportuária ao pisar em solo argentino por ter violado sua liberdade condicional.

Uma juíza determinou a detenção de Roldán, que cumpre uma condenação de oito anos por tentativa de homicídio. A pena agora será estendida até janeiro de 2011 por ter violado a condicional.

Uma organização contra a violência no futebol apresentou esta semana um documento ao Parlamento para que "investigue o comportamento" de funcionários do Governo no suposto financiamento da viagem à África do Sul de 235 "barras bravas" que fazem parte da associação de torcidas conhecida como "Inchadas Unidas Argentinas", cuja formação é atribuída ao Governo de Cristina Fernández, que nega taxativamente.

A despesa total pelos 235 barras chegaria a 10,7 milhões de pesos (cerca de US$ 2,7 milhões), ressalta o documento que a ONG divulgou à imprensa.

A imprensa esportiva se pergunta como os "barras bravas" reuniram o dinheiro para pagar suas passagens e sua estadia, enquanto setores da oposição questionam que a Direção Argentina de Migrações não detectou irregularidades ao controlar a saída dos torcedores no aeroporto de Ezeiza antes do embarque para a África.

- Nenhum dos barras deportados tinha registrado perante a Direção de Migrações ordens de captura nem proibições para sair do país. Os únicos habilitados para disponibilizar algum tipo de proibição são as autoridades judiciais - argumentou o diretor de Migrações, Martín Arias Duval.

O funcionário disse que, no caso de Roldán, "a ordem de captura foi comunicada ao organismo em 7 de junho, mas ele saiu do país em 6 de junho", por isso, "no momento da saída do país ele tinha a documentação de viagem regulamentar".

Um dos torcedores, Andrés Bracamonte, tinha o passaporte vencido, e usou uma carteira de identidade para pegar um voo para o Brasil, já que brasileiros e argentinos podem viajar entre os dois países apenas com este documento.

- Como ele saiu do Brasil eu não sei, não é competência nossa - disse Arias Duval.

Desta forma, a viagem dos torcedores à África do Sul reavivou a polêmica pela suposta vinculação dos "barras bravas" com dirigentes políticos.

O ministro da Justiça e Segurança de Buenos Aires, Ricardo Casal, admitiu que é "muito provável" que torcedores violentos trabalhem na administração pública provincial, e disse que estes "devem ser denunciados".

- Não concordo que as torcidas se juntem, não quero que estejam perto de mim, não participei de nenhuma conversa, não quero ser amigo deles, e quando encontrarmos algum gesto que ponha em risco a segurança, é preciso tirá-los do estádio e não discutir mais - disse esta semana o chefe do gabinete argentino, Aníbal Fernández, ao reiterar que o Governo "não financia" nenhum vândalo. (webremix.info)


Torcedores argentinos detidos na ?frica do Sul ser?o deportados

Um total de dez torcedores violentos de equipes argentinas foram detidos neste domingo na África do Sul, quando aterrissaram para assistir à Copa do Mundo, e serão deportados nesta segunda-feira para Buenos Aires, indicaram fontes da polícia federal da Argentina.

Após chegar a Johannesburgo em um voo que saiu de Angola, as autoridades locais detiveram dez de oitenta membros dos "barras bravas" argentinos e lhes disseram que não poderiam entrar ao país.

Os detidos, alguns com causas judiciais pendentes, foram hospedados em um setor do aeroporto Tambo ao qual o público não tem acesso.

Oito oficiais da Polícia federal argentina colaboram em Johanesburgo e Pretória, onde está concentrada a seleção dirigida por Diego Maradona, com as forças de segurança sul-africanas.

O cônsul argentino em Johanesburgo, Carlos Rubio Reyna, disse à agência estatal de notícias da Argentina que "a África do Sul tomou uma decisão que é soberana e que só cabe apelação nos tribunais do país. Então, estas dez pessoas amanhã (segunda-feira) retornarão a Buenos Aires". (webremix.info)


Governo n?o se entende sobre mudan?as na Lei Pel?

Apesar de ter estado pessoalmente na noite da última terça-feira no Congresso Nacional para aprovar as emendas do senador Alvaro Dias (PSDB-PR), relator do Projeto de Lei da Câmara n 9/10, o ministro do Esporte, Orlando Silva Júnior, foi contrariado por outros setores do governo.

Na ocasião da votação do texto (que veio da Câmara como Projeto de Lei 5.186/2005), o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), alegou que alguns ministérios pediram para revisar as alterações do parecer. A informação causou a indignação do senador Antônio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA).

– O ministro do Esporte foi desautorizado. Veio aqui fechar o texto e outros setores do governo ainda querem rever o projeto. Isso significa que a palavra dele não vale. Se eu fosse ele, pediria demissão – desabafou.

– Fica difícil entender que o governo ainda não tenha entrado num consenso. Se o Brasil anda como está é porque Deus é brasileiro, com certeza – continuou Alvaro Dias.

O parecer propõe sete emendas. A principal é a supressão do artigo 90-G, que diz que “atos judiciais executórios de natureza constritiva não poderão inviabilizar o funcionamento das entidades desportivas”. Trocando em miúdos, prevê que os clubes não poderão sofrer penhoras que prejudiquem o seu funcionamento. Para Dias, se fosse aprovado, poderia estimular a má gestão:

– Tive de fazer essa alteração no texto que veio da Câmara para impor rigor nas penalidades em relação à inadimplência dos clubes, para não estimular a gestão temerária e o desvio de recursos – frisou.

Outra emenda que foi retirada do projeto refere-se à validação da atividade de monitoria a ex-atletas com três anos seguidos ou cinco anos alternados de experiência profissional. Sem o artigo 90-E, que estabelecia a nova regra, a Lei Pelé continua valendo, e somente profissionais de educação física poderão exercer a profissão.

Segundo Dias, a expectativa é a de que o projeto seja votado na próxima quarta-feira, dia 9 de junho. E, voltando à Câmara, que seja aprovado ainda antes do fim da Copa do Mundo da África do Sul.

VEJA TAMBÉM: AS EMENDAS QUE PODEM MUDAR A LEI PELÉ (webremix.info)


Advogado: Copa levar? "enxurrada" de processos ? ?frica do Sul

As rígidas regras que a Fifa impõe aos países que sediam uma Copa do Mundo, com relação a regulação do mercado tributário, estavam resultando em processos judiciais sobre pequenos empresários, disse neste domingo Matthew Murphy, advogado da firma Bowman Gilfillan, ao diário online Sport 24, dá África do Sul. (webremix.info)


Mato alto e barracos em Recife simbolizam atrasos para Copa 2014

Mato crescido, barracos e uma cabeça de animal espetada num poste de madeira marcam o local da Grande Recife onde dentro de quatro anos está previsto um moderno estádio para a Copa do Mundo.

Enquanto a África do Sul se prepara para começar a sua Copa em menos de um mês, o Brasil tem recebido críticas pelo ritmo lento das obras para o torneio de 2014, que inclui a construção de cinco novos estádios e profundas reformas em outros.

Dos 12 estádios previstos para a Copa de 2014, apenas 3 cumpriram o prazo dado pela Fifa, 3 de maio, para começar as obras, segundo o Portal Copa 2014, do Sindicato Nacional das Empresas da Arquitetura e Engenharia (Sinaenco).

- O país ainda está jogando na defesa, sem qualquer jogada na direção do gol -, disse o site após realizar um levantamento sobre o ritmo dos trabalhos.

- Atrasos nas licitações, disputas judiciais, indefinição dos projetos e dificuldades financeiras ainda estão paralisando as obras.

Um dos estádios atrasados é o Maracanã, provável palco da final, que deve passar por uma reforma de 600 milhões de reais. O projeto ainda não foi nem licitado.

Jerome Valcke, secretário-geral da Fifa, alertou neste mês que o Brasil "não está no caminho certo", e que o último relatório sobre os preparativos era motivo de preocupação.

O governo federal diz que a responsabilidade pelos estádios é de prefeituras e governos estaduais, e ameaçou reduzir o número de sedes se a infraestrutura for insuficiente.

A própria Fifa desejava inicialmente realizar a Copa em 10 cidades, mas acatou um pedido do comitê organizar local para expandir a 12 como uma forma de levar a competição para todas as partes do país. De acordo com o Ministério do Esporte, o número de sedes pode ser reduzido até oito.  

Mas isso seria um constrangimento para o Brasil e um golpe para cidades pobres, especialmente no Nordeste, que esperam por melhorias na infraestrutura e nos benefícios de receber centenas de milhares de visitantes estrangeiros.

A Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016 no Rio são considerados motores importantes nos próximos anos para a economia do país. Segundo um estudo encomendado pelo Ministério do Esporte, a Copa deve injetar 183 bilhões de reais na economia ao longo de dez anos, levando em conta as obras e o turismo.

- No terreno do futuro estádio em São Lourenço da Mata, a cerca de meia hora do centro do Recife, moradores dizem não ter recebido informação alguma das autoridades, embora a data oficial para o início das obras fosse em meados de maio.

- Até agora o governo não disse nada sobre quando a obra vai começar nem o que vai acontecer com o pessoal daqui -, disse o farmacêutico Vandelson Gomes de Souza, 23 anos.

Perto dali, Edmundo Severino de Lima, dono de um restaurante, era outro desinformado.

- Como vão começar a obra aqui se não informaram ninguém? A gente aqui está só esperando -, disse ele, ao lado de um cavalo que pastava tranquilamente.

Natal (RN) é outra cidade que nem licitou a obra ainda. O secretário do governo potiguar encarregado dos preparativos para a Copa, Fernando Fernandes, atribuiu a demora à burocracia e a uma mudança no projeto do Estádio das Dunas, com 45 mil lugares. Mas disse que agora os prazos serão cumpridos.

- É preciso receber aprovação do Ministério Público, da Secretária de Planejamento, ter orçamento, publicar a proclamação, esperar uns 40 dias... É um processo longo -, disse ele à Reuters durante uma conferência sobre investimentos em Natal.

Nesse evento, investidores imobiliários demonstraram um otimismo cauteloso com a Copa.

- Não acho que haja a preocupação de que não vai ficar pronto. Mas há uma preocupação de que não vai ficar pronto tão bem como poderia? Então, sim, há uma possibilidade de preocupação. Pelo que vejo, as pessoas precisam começar a se mexer rápido -, disse o britânico Martin Bellamy, executivo-chefe da Salamanca Capital, que tem sociedade com uma grande incorporadora imobiliária em Natal.  

Este mês a CBF começou uma vistoria pelas 12 sedes para verificar em loco o andamento dos preparativos. A Arena da Baixada, em Curitiba, o Mineirão, em Belo Horizonte, e o Vivaldão, em Manaus, são os únicos estádios com cronograma em dia.

Uma das maiores preocupações diz respeito ao Morumbi, que deseja abrigar a abertura do Mundial mas cujo projeto recebeu críticas da Fifa.

- Nós temos absoluta confiança que nós vamos atender a todos os requisitos técnicos para ser a sede de abertura da Copa -, disse após a vistoria Francisco Manssur, representante para Copa do São Paulo, dono do estádio.

As outras arenas estão em Porto Alegre, Cuiabá, Fortaleza, Salvador e Brasília.

(webremix.info)


Anistia Internacional critica Ir? por "desprezar obriga??es"

Washington, 17 fev (EFE).- A organizacao Anistia Internacional (AI) criticou hoje o Governo iraniano e disse que Teera "desprezou suas obrigacoes internacionais" por sua recusa em aceitar uma serie de recomendacoes da ONU em materia de direitos humanos.Hassiba Hadj Sahraoui, subdiretora da AI para o Oriente Medio e o Norte da Africa, afirmou por meio de um comunicado que "ao rejeitar as recomendacoes especificas realizadas por varios paises, as autoridades iranianas mostraram desprezo a suas obrigacoes internacionais". A AI disse que o Ira se negou a aceitar as recomendacoes sobre execucoes de criminosos juvenis, garantias de julgamentos justos, investigacoes de acusacoes de tortura e a libertacao de pessoas detidas por exercer pacificamente seus direitos humanos. As criticas da AI sao feitas depois de o Conselho de Direitos Humanos da ONU solicitar hoje ao Ira que investigue as acoes policiais e judiciais apos a detencao de milhares de manifestantes desde as eleicoes passadas e que respeite plenamente os direitos humanos no pais. O Conselho adotou hoje um relatorio sobre o Ira que reune mais de 160 recomendacoes. Segundo a AI, a delegacao iraniana no Conselho aceitou 123 sugestoes, nao comentou 20 e rejeitou 45. Segundo a AI, embora o Ira tenha aceitado a recomendacao de cooperar com os especialistas em direitos humanos da ONU, o regime iraniano "rejeitou outras para permitir que o Enviado Especial sobre tortura do Conselho visite o pais". "Ao prometer levar em conta recomendacoes para eliminar a execucao de menores de idade, as autoridades iranianas estao camuflando de forma cinica suas obrigacoes sob a Convencao dos Direitos da Infancia de nao executar menores", afirmou Sahraoui. O organismo tambem afirmou que a rejeicao de investigar acusacoes de tortura e assassinatos extrajudiciais "perpetua um clima de impunidade". "Para que os direitos humanos realmente melhorem no Ira, as autoridades devem acabar com as evasivas e tomar medidas concretas como impedir as execucoes de criminosos juvenis, assegurar julgamentos justos, acabar com as torturas e dar ponto final a toda impunidade", acrescentou a AI. EFE jcr/sa (webremix.info)


Presidente da S?rvia ? multado por beber champanhe em est?dio

O presidente servio, Boris Tadic, tera que pagar uma multa por ter violado a lei ao beber champanhe em um estadio de Belgrado para comemorar a classificacao da Servia para a Copa do Mundo da Africa do Sul de 2010, informaram nesta terca-feira as autoridades judiciais servias. Tadic, a ministra de Esportes servia, Snezana Samardzic Markovic, e um alto cargo de Belgrado, Aleksandar Antic, foram multados em 40 mil dinares (R$ 1,1 mil) cada, de acordo com uma lei que tem como objetivo reprimir a violencia nas manifestacoes esportivas. A lei proibe, entre outros, o consumo de alcool nos estadios durante os jogos e 90 minutos depois. Em 10 de outubro, os tres politicos, assim como tambem o presidente da federacao servia de futebol, Tomislav Karadzic, abriram uma garrafa de champanhe no estadio do Estrela Vermelha para comemorar a vitoria da selecao de seu pais contra a Romenia, que levou a Servia para a Copa. Tadic, que nao quis se proteger em seu direito a imunidade, compareceu perante o juiz no ultimo dia 1? e declarou entao que "nao sabia que o consumo do alcool, mesmo que so fosse para brindar, estivesse proibido", e assumiu sua responsabilidade. (webremix.info)


Presidente da S?rvia ? multado por brindar com champanhe em est?dio

Belgrado, 8 dez (EFE).- O presidente servio, Boris Tadic, tera que pagar uma multa por ter violado a lei ao beber champanhe em um estadio de Belgrado para comemorar a classificacao da Servia para a Copa do Mundo da Africa do Sul de 2010, informaram hoje as autoridades judiciais servias.Tadic; a ministra de Esportes servia, Snezana Samardzic Markovic; e um alto cargo de Belgrado, Aleksandar Antic, foram multados hoje em 40 mil dinares (430 euros) cada, de acordo com uma lei que tem como objetivo reprimir a violencia nas manifestacoes esportivas. A lei proibe, entre outros, o consumo de alcool nos estadios durante os jogos e 90 minutos depois. Em 10 de outubro, os tres politicos, assim como tambem o presidente da federacao servia de futebol, Tomislav Karadzic, abriram uma garrafa de champanhe no estadio do Estrela Vermelha para comemorar a vitoria da selecao de seu pais contra a Romenia, que levou a Servia a Copa. Tadic, que nao quis se proteger em seu direito a imunidade, compareceu perante o juiz no ultimo dia 1? e declarou entao que "nao sabia que o consumo do alcool, mesmo que so fosse para brindar, estivesse proibido", e assumiu sua responsabilidade. EFE Sn/an (webremix.info)


L?der s?rvio ? multado por brindar com champanhe em est?dio

O presidente servio, Boris Tadic, tera que pagar uma multa por ter violado a lei ao beber champanhe em um estadio de Belgrado para comemorar a classificacao da Servia para a Copa do Mundo da Africa do Sul de 2010, informaram hoje as autoridades judiciais servias. (webremix.info)


EUA: fam?lias de v?timas do voo 447 processam Air France e Airbus

As familias dos americanos que morreram na queda do voo AF447 que ia do Rio de Janeiro a Paris, no dia 1? de junho, entraram com um processo contra Air France e Airbus perante um tribunal de Houston (Texas, sul dos Estados Unidos), segundo documentos judiciais divulgados nesta quinta-feira.Segundo a demanda apresentada pelas familias de Michael e Anne Harris, que viviam na regiao de Houston, o acidente foi uma consequencia de falhas no Airbus A330-200 da Air France. Os herdeiros de Michael e Anne Harris reclamam uma indenizacao por danos e interesses cujo valor nao foi especificado, em um processo que tambem aponta os fabricantes de componentes Honeywell International, Rockwell Collins e Thales. O voo AF 447 caiu na madrugada do dia 31 de maio no oceano Atlantico entre a costa do Brasil e da Africa, apos ter decolado do Rio de Janeiro. Os 228 ocupantes da aeronave morreram na tragedia. Havia pessoas de 32 nacionalidades diferentes, incluindo 59 brasileiros, 72 franceses e 26 alemaes. As causas do acidente ainda nao foram establecidas, e as caixas-pretas do Airbus nao foram encontradas. cel/ap (webremix.info)


Tail?ndia despreza alega??o da Col?mbia para extraditar Viktor Bout aos EUA

Bangcoc, 25 set (EFE).- Um tribunal penal de Bangcoc desprezou hoje a alegacao apresentada pela Colombia em favor da extradicao do suposto traficante de armas russo Viktor Bout aos Estados Unidos, por entender que se apresentou fora de prazo.A Corte aceitou por outro lado incluir um protesto de Bout junto a documentacao da apelacao dos EUA contra a recusa a deportacao do chamado "Mercador da Morte", indicaram fontes judiciais. Os EUA, atraves da Procuradoria Geral da Tailandia, apelaram dia 14 de agosto passado contra a sentenca que, tres dias antes, negou a deportacao de Bout para ser julgado perante um tribunal americano por vender armas a guerrilha das Forcas Armadas Revolucionarias da Colombia (Farc), conspirar para assassinar a funcionarios norte-americanos e comprar lanca-foguetes antiaereos. O ministro colombiano de Relacoes Exteriores, Jaime Bermudez, apresentou este mes ao recurso americano um relatorio de 300 paginas no qual se descreve ao russo como "um traficante ilegal de armas muito perigoso" e como suspeito de tentar vender as Farc cem lanca-misseis antiaereos portateis Igla, entre outras armas. Bermudez expos, alem disso, 607 razoes pelas quais as Farc tem que se consideradas na Tailandia um grupo terrorista em vez de uma organizacao politica. Em marco de 2008, Bout, ex-piloto e agente da KGB, foi detido no luxuoso hotel Sofitel de Bangcoc por membros da agencia antidroga dos EUA que se faziam passar por compradores de armas. As autoridades tailandesas se disponibilizaram em principio a processa-lo por um delito de apoio ao terrorismo, mas desistiram perante a falta de provas, pelo que Bout saira livre se a apelacao dos EUA e rejeitada. Os servicos de inteligencia britanicos e americanos dizem que Bout dirigiu durante anos uma das maiores redes privadas de contrabando de armas e teve negocios com regimes sanguinarios na Africa e Asia, com ditadores como o liberiano Charles Taylor e com o terrorista Osama bin Laden, que pagava a vista os pedidos para Al Qaeda. Sua fama inspirou o filme de Hollywood "Senhor das Armas", cujo protagonista, Nicholas Cage, relata orgulhoso no filme que aproveitou a queda da Uniao Sovietica para ganhar muito dinheiro com os arsenais que adquiriu mediante subornos a generais corruptos. EFE grc/fk (webremix.info)


Esc?ndalo de investimento envolve nome do Hezbollah e envergonha partido

TURA, Libano - O investidor, um homem vestindo uma camisa polo cinza, se acomodou na cadeira de plastico de sua loja de materiais de construcao e suspirou, incapaz de explicar como as economias que fez durante toda a vida desapareceram tao rapidamente. "E um desastre, um tsunami", ele disse. "Alguns fazendeiros hipotecaram suas terras e trouxeram dinheiro. Outros venderam as casas que herdaram e trouxeram dinheiro. Professores abriram mao de suas poupancas. Idosos perderam tudo o que tinham". O dinheiro desapareceu, segundo as autoridades judiciais, em um esquema fraudulento de bilhoes de dolares que atingiu o Libano. Seu arquiteto, um homem de negocios chamado Salah Ezzedine, foi acusado de fraude no sabado e esta sendo chamado de "Bernie Madoff libanes" pelos jornais locais. Banqueiros dizem que esta e a maior fraude deste tipo que este pais ja viu. Mas a quantidade de dolares chama menos atencao do que a ligacao entre Ezzedine e o movimento militante xiita Hezbollah. Muitos dos investidores (principalmente xiitas que moram em Beirute e aldeias no sul do pais como esta) dizem que a ligacao com o partido fez com eles optassem por arriscar a economia de toda uma vida em um homem que ofereceu entre 40% e 50% de lucros mas nunca mostrou qualquer documentacao. O escandalo envergonhou o partido, que se orgulha de ter uma reputacao como honesto e devotado. O secretario geral do Hezbollah, Hassan Nasrallah, negou em uma discurso na semana passada que o partido tivesse qualquer conexao oficial com Ezzedine. Mas dias depois, durante um jantar de Ramada com partidarios do Hezbollah no qual apareceu em uma video conferencia, Nasrallah concedeu que o partido seria em pratica responsabilizado e disse estar preparando uma "rede de crise" para lidar com as perdas dos investidores. Varios oficiais do Hezbollah perderam dinheiro e pelo menos uma pessoa moveu acao contra pessoa arquivou terno contra Ezzedine. Ainda nao esta claro o que aconteceu com o dinheiro, de acordo com um oficial judicial com conhecimento do caso que falou sob condicao de anonimato, dizendo nao estar autorizado para comentar publicamente. Ezzedine, que agora esta na cadeia a espera de julgamento, investiu em metais, petroleo e outros artigos na Africa e Oriente Medio, de acordo com diversas pessoas que o conhecem. O escandalo pode trazer problemas para a comunidade xiita, onde alguns donos de imoveis e outros negociantes se endividaram para financiar seus investimentos. A extensao da fraude permanece desconhecida, mas o oficial judicial disse que a quantia perdida pode ser de pelo menos US$ 700 milhoes, e possivelmente mais de US$ 1 bilhao. Leia mais sobre Hezbollah (webremix.info)


Poligamia complica processos judiciais na ?frica do Sul

Quando Fatima Hassan voltou a Africa do Sul, depois de uma visita a Meca, seu marido, Ebrahim, foi apanha la no aeroporto e anunciou que tinha algo importante a anunciar. Para prepara la melhor para o baque, ele acrescentou que "e nao e algo de agradavel". (webremix.info)


Lula pede a It?lia que "respeite" asilo a Battisti

O presidente Luiz In?cio Lula da Silva pediu ?s autoridades italianas que "respeitem" a decis?o do Brasil de conceder asilo ao ex-ativista de esquerda italiano Cesare Battisti. "A decis?o brasileira ? quest?o brasileira, soberana do Estado brasileiro. E tomamos decis?o de que essa pessoa (Battisti) seja asilado no Brasil", disse o presidente nesta quinta-feira, na sede do Sexto Distrito Naval, na localidade de Lad?rio, no Mato Grosso do Sul, onde ele participou de uma cerim?nia com o colega boliviano Evo Morales.

Segundo Lula, o Brasil ? um pa?s "generoso" e que respeita o entendimento do ministro da Justi?a (Tarso Genro) de que "ele fique no Brasil".

Se a soberania de cada pa?s for respeitada, as rela??es (com a It?lia) n?o ser?o afetadas e "ficar?o cada vez melhores", acrescentou o presidente.

Quando perguntado se n?o temia uma rea??o contr?ria n?o s? da It?lia, mas do G-8, ele respondeu: "Nem do G-8, do G-9 ou do G-10. Acho que os italianos podem at? n?o concordar com a decis?o do Brasil, mas devem respeit?-la."
Lula disse que Battisti ? acusado de um crime que ocorreu em 1978. "Ou seja, h? mais de 30 anos. E o cidad?o que o acusou n?o existe mais para confirmar o que falou."
Extradi??o
O governo italiano prometeu recorrer ao Supremo Tribunal Federal brasileiro para conseguir a extradi??o do ex-ativista.

Em entrevista ? r?dio italiana Anch'io, o ministro da Justi?a da It?lia, Angelino Alfano, disse que espera que o governo brasileiro reveja a decis?o de conceder a Battisti o status de refugiado.

"N?o nos acomodaremos e iremos usar de todos os meios judiciais. Faremos tudo o que for poss?vel", disse o ministro. "Pretendemos propor um recurso junto ao Supremo Tribunal Federal do Brasil."
Mas a retalia??o italiana pode n?o ficar apenas no campo judicial. A decis?o brasileira tamb?m provocou uma forte rea??o pol?tica.

A It?lia vai ser a sede neste ano do encontro do grupo de pa?ses mais industrializados do mundo, o G8, e usa a poss?vel participa??o brasileira como arma de barganha.

"Vamos ainda fazer valer o fato pol?tico de que os pa?ses como o Brasil, que pretendem contribuir para a democracia mundial com a participa??o no G8, n?o podem pensar que a viola??o do que foi decidido pela Justi?a de outros pa?ses ir? aplainar seu caminho (para participar da reuni?o)", disse Alfano. "As democracias mundiais devem colaborar tamb?m com isso."
Battisti ? ex-integrante de um grupo de extrema-esquerda e foi condenado ? pris?o perp?tua na It?lia por quatro assassinatos. Em 2007, ele foi capturado no Rio de Janeiro. Hoje, est? detido em um pres?dio no Distrito Federal e aguarda liberta??o ap?s a decis?o do Minist?rio da Justi?a.

Obama
Na entrevista concedida em Lad?rio, Lula disse ainda que espera que a chegada do presidente eleito dos Estados Unidos, Barak Obama, ao poder - sua posse ser? no pr?ximo dia 20 - mude a rela??o do pa?s com a Am?rica Latina.

"Espero que Obama tenha outro olhar sobre a Am?rica do Sul, a Am?rica Central e a ?frica. (...). Porque antes eles viam aqui comunistas, depois terroristas e traficantes. E n?o h? nada melhor para combater traficante do que gerar empregos em cada pa?s".

Lula disse que espera que Obama admire que um "?ndio", como afirmou, e um "metal?rgico" governam Bol?via e Brasil.

Quando perguntado por um jornalista boliviano se faria a "intermedia??o" entre Obama e Evo, Lula respondeu: "N?o acho que Morales e (Hugo) Ch?vez precisam disso. Eles s?o presidentes, como eu sou presidente. Mas n?o acho que Morales e Ch?vez t?m que esperar liga??o do Obama. Mas ligar para ele, atrav?s de seus embaixadores, quando entendam que seja o momento".

Recentemente, no entanto, Morales e Ch?vez romperam rela??es diplom?ticas com o governo americano. Ao comentar a chegada de Obama ? Casa Branca, Morales afirmou: "Que seja uma rela??o sem condi??es, sem chantagens pol?ticas (...) E esperamos melhor rela??o diplom?tica com Estados Unidos." (webremix.info)


Zuma mantido como candidato presidencial na ?frica do Sul

O partido no poder na ?frica do Sul, o Congresso Nacional Africano (ANC), anunciou nesta segunda-feira que Jacob Zuma continua sendo seu candidato ? presid?ncia mesmo depois que a Suprema Corte abriu caminho para um novo processo por corrup??o contra ele."O ANC n?o aceitar? que uma decis?o tomada por seus membros numa confer?ncia nacional seja invalidada baseando-se em acusa??es n?o comprovadas", afirma o partido em um comunicado.

A Suprema Corte sul-africana anulou uma decis?o de primeira inst?ncia que arquivava as dilig?ncias judiciais contra Zuma por problemas t?cnicos.

chp/cn

(webremix.info)


Marinha alem? frustra ataque de piratas na Som?lia

A Marinha da Alemanha disse que frustrou uma tentativa de seq?estro de um cargueiro eg?pcio por piratas na costa da Som?lia. Seis piratas foram capturados por for?as ? bordo da fragata Karlsruhe, no Golfo de Aden, que tiveram apoio de um helic?ptero.Um porta-voz da Marinha da Alemanha em Djibouti, na ?frica Oriental, disse ao rep?rter da BBC, Greg Morsbach, que fuzileiros alem?es confiscaram as armas dos piratas.

"N?s tinhamos for?as ? bordo a fragata. Elas usaram pequenas lanchas e, junto com o helic?ptero, pudemos cercar os piratas e desarm?-los", afirmou.

Mas os somalianos foram liberados pouco depois, por ordem do governo alem?o.

Uni?o Europ?ia
Um porta-voz da miss?o da Uni?o Europ?ia (UE) na costa da Som?lia, comandante Achim Winkler, disse ? BBC que a Alemanha s? pode tomar medidas judiciais contra os piratas se os interesses alem?es forem diretamente afetados. Isso s? ocorreria se o navio atacado fosse alem?o ou se cidad?os do pa?s tivessem sido mortos ou feridos.

A decis?o alem? foi tomada apesar de o Conselho de Seguran?a das Na??es Unidas ter aprovado recentemente uma resolu??o dando aos pa?ses-membros da organiza??o poderes extraordin?rios para lidar com piratas. Entre estes poderes estariam autoridade para det?-los.

Mais de cem ataques de piratas foram registrados este ano no Golfo de Aden, e v?rios pa?ses enviaram navios de guerra para a regi?o.

Tr?s embarca??es da Marinha da China devem seguir para a Som?lia com o objetivo de defender embarca??es chinesas, disse o Minist?rio da Defesa do pa?s. (webremix.info)


HRW acusa Marrocos de violar direitos humanos no Saara Ocidental

Rabat, 19 dez (EFE).- A organiza??o Human Rights Watch (HRW) acusou hoje em um relat?rio ao Marrocos de violar os direitos ? liberdade de express?o, associa??o e assembl?ia no Saara Ocidental, e instou a este pa?s a tomar medidas para acabar com a impunidade policial.No mesmo / pr?prio estudo / est?dio, apresentado hoje em Rabat, HRW tamb?m denunciou o ferrenho controle que o independentista Frente Polis?rio exerce sobre os habitantes dos campos de refugiados de Tinduf, na Arg?lia, e reivindicou a liberdade de movimentos para que desejam retornar ao territ?rio controlado pelo Marrocos.

Rabat, 19 dez (EFE).- A organiza??o Human Rights Watch (HRW) acusou hoje o Marrocos de violar os direitos ? liberdade de express?o, associa??o e assembl?ia no Saara Ocidental, e pediu-o a tomar medidas para acabar com a impunidade policial.

No mesmo estudo, apresentado hoje em Rabat, a HRW denunciou o ferrenho controle que o separatista Frente Polisario exerce sobre os habitantes dos campos de refugiados de Tinduf, na Arg?lia, e reivindicou a liberdade de movimentos para os que desejam retornar ao territ?rio controlado pelo Marrocos.

O relat?rio constata que, apesar das autoridades marroquinas alcan?aram progressos, ainda utilizam "uma combina??o de leis repressivas, viol?ncia policial e processos judiciais injustos" para castigar os naturais do Saara Ocidental que defendem a independ?ncia ou a autonomia.

"A repress?o se reduziu em certo modo e atualmente os dissidentes est?o pondo a toda prova os limites", assinalou em comunicado Sarah Leah Whitson, diretora para o Oriente M?dio e Norte da ?frica da HRW.

A entidade, que n?o se posiciona sobre a disputa pol?tica sobre a ex-col?nia espanhola, denuncia que o problema vai al?m das leis repressivas e se estende a casos de maus-tratos aos detidos e, ocasionalmente, ? tortura.

Por isso, esta ONG pede a Rabat que revise ou elimine as leis que penalizam as atividades pol?ticas ou associativas que ponham em xeque a "integridade territorial" do Marrocos.

Al?m disso, tamb?m apela ?s autoridades a encerrar a impunidade dos abusos policiais e a garantir que as senten?as dos tribunais se baseiem no exame imparcial das provas.

O relat?rio, com 216 paginas e intitulado "A situa??o dos direitos humanos no Saara Ocidental e nos campos de refugiados de Tinduf", tamb?m dedica sua aten??o aos abusos da Frente Polisario na Arg?lia.

"Os refugiados de Tinduf levam mais de 30 anos exilados de sua p?tria, e governados por um movimento separatista em condi??es de dureza f?sica e isolamento", assinalou Whitson, quem pediu ? Arg?lia que tamb?m tome provid?ncias a respeito dos direitos humanos nesta afastada regi?o do sul do pa?s, em pleno deserto do Saara.

Rabat considera os refugiados dos campos de Tinduf oficialmente "seq?estrados" pelo Polisario e o Governo argelino.

O Marrocos administrou o Saara Ocidental desde que anexou a regi?o ap?s a retirada da Espanha de sua antiga col?nia em 1976, embora a ONU n?o reconhe?a a soberania marroquina. EFE er/jp (webremix.info)


Daniel Dantas, o s?mbolo da privataria

Num ato inimaginável no passado, a Polícia Federal deteve nesta terça-feira o megaespeculador Daniel Dantas, dono do banco OPP (ex-Opportunity) e uma das figuras mais sinistras da onda de privatizações que varreu o país a partir dos anos 1990. Na mesma operação, batizada de Satiagraha, a PF ainda prendeu o ex-prefeito da capital paulista Celso Pitta, o banqueiro Naji Nahas e outros envolvidos ?num universo dantesco pela prática dos seguintes crimes: formação de quadrilha, gestão fraudulenta, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal?, segundo relato do jornalista Bob Fernandes. Dantas também foi acusado de tentar subornar um delegado da PF.

A prisão ocorre apenas três meses após o mafioso fechar um dos maiores negócios do mercado de telecomunicações do mundo: a venda de suas ações na Brasil Telecom e na Telemar (OI) por quase 1 bilhão de dólares. Além disso, ele obteve estranho acordo com os fundos de pensão pelo qual se livrou de todas as suas demandas judiciais. Durante dois anos, o megaespeculador sofreu investigação da PF, numa ação conjunta com técnicos do Banco Central e da Receita Federal. A conclusão final é de que ele e Naji Nahas, rotulados pelo relatório de capos, são chefes de uma poderosa organização criminosa no Brasil, com ramificações em vários paraísos fiscais.

ACM, FHC e a meteórica ascensão

A Operação Satiagraha, nome que relembra o método da não-violência idealizado por Mahatma Gandhi na resistência indiana ao domínio britânico, consegue finalmente levar à prisão o chefão das privatizações. Antes dela, a Operação Chacal já havia indiciado o banqueiro pela contratação da multinacional de espionagem Kroll, que bisbilhotou ilegalmente integrantes do governo Lula. Já na apuração das denúncias do chamado ?mensalão?, envolvendo ministros e dirigentes do PT, o nome de Daniel Dantas ressurgiu com desenvoltura em negociatas ilícitas, o que evidenciou a contínua e impressionante influência deste megaespeculador, que ultrapassa distintos governos.

O engenheiro e economista Daniel Dantas iniciou sua meteórica trajetória capitalista na Bahia, ligado ao grupo do ex-senador ACM. Ele foi conselheiro do PFL e chegou a ser cogitado para o Ministério da Fazenda por Collor de Mello. Também foi sócio de Nizan Guanaes na agência de publicidade preferida dos tucanos. Após fazer doutorado nos EUA, trabalhou no Bradesco. Seu banco, Opportunity, começou a operar em 1996, exatamente quando ganhou impulso a onda de privatizações desencadeada por FHC. Sua fortuna desabrocha com a criminosa privataria e com suas obscuras ligações com o poder. Pérsio Arida, ex-presidente do Banco Central, foi seu sócio.

Influente nos corredores de Brasília

Em 1988, Daniel Dantas foi acusado por favorecimento na privatização das empresas do Sistema Telebrás. As denúncias surgiram devido aos conflitos entre os fundos públicos de pensão e várias corporações estrangeiras, como a italiana Telecom e a canadense TIM, com quem o especulador mantinha íntimas relações. Em 2000, os fundos de pensão acionaram a Justiça contra o Opportunity por manobras societárias. Ele também foi acusado por um ex-sócio, Luis Demarco, por desvio de dinheiro do fundo que geria no Caribe com capital do Citibank destinado à privatização. Através deste fundo, Dantas arrematou o controle da Tele Centro Sul, da Telemig e da Amazônia Celular.

Apesar de toda sujeira na construção do seu império, Dantas continuou influente nos corredores de Brasília. Além do setor de telecomunicações, tem investimento em mineração e agropecuária. Ele é sócio da GME4, empresa especializada em pesquisar reservas minerais. Em sete meses de operação, ele adquiriu alvarás de pesquisa em 4 milhões de hectares de terra. Na agropecuária, participa através da poderosa empresa Santa Bárbara. Como afirma uma reportagem bajuladora da revista IstoÉ Dinheiro ? Dantas tem ações na Editora 3 que administra o semanário ?, ?poucos empresários brasileiros conseguiram amealhar tanto dinheiro em tão pouco tempo. Seu banco de investimentos, criado há cerca de 20 anos, administra ativos de US$ 8 bilhões?.

Durante a CPI do Mensalão, a senadora petista Ideli Salvatti foi taxativa. ?O senhor é diabólico. Se 10% do que dizem a seu respeito for verdade, o senhor já deveria estar preso?. Agora, ele está na cadeia. Mas até quando? O protagonista da privataria das telecomunicações é um homem com fortes vínculos nos bastidores do poder. Foi amigo de Luis Carlos Mendonça de Barros, ministro das Comunicações de FHC que acionou os fundos de pensão na venda da estatal do setor. Levou para o seu banco Pérsio Arida, Elena Landau, ex-diretora do BNDES responsável pela área de privatizações, Luis Octavio Motta Veiga, que presidiu a Petrobras no governo Collor de Mello, entre outros nomes já conhecidos. Quem mais fará parte deste conluio patrimonialista?

Altamiro Borges é jornalista, secretário de Comunicação do Comitê Central do PCdoB e editor da revista Debate Sindical.

(webremix.info)


?frica do Sul: Portugu?s lan?a processos por comiss?es de venda de helic?pteros ao regime do apartheid

Bruxelas, 26 Abr (Lusa) - Um portugu?s que serviu de intermedi?rio na venda de material militar ? ?frica do Sul, durante o apartheid, lan?ou uma s?rie de processos judiciais ao n?vel internacional par... (webremix.info)


Nova Oi vai partir para disputa no mercado internacional

A empresa que resultou da compra da Brasil Telecom pela Oi, em uma transação de cerca de R$ 12,3 bilhões já ambiciona ganhar o mercado internacional. A Brasil Telecom, agora Oi, controla os sites iG, BrTurbo e iBest, que figuram entre os maiores da internet brasileira. Luiz Eduardo Falco, presidente da Oi, explicou que o valor da operação inclui R$ 5,86 bilhões serão pagos aos controladores, além de R$ 3,5 bilhões para a aquisição das ordinárias que hoje pertencem aos minoritários e R$ 3 bilhões para adquirir um terço dos papéis sem direito a voto.

- A nova empresa nasce com ambição para fora do Brasil. Temos sonhos de operações internacionais - afirmou Falco, em entrevista na sede da empresa.

Entre os mercados potenciais para a atuação da companhia as Américas, África e Europa. Segundo o executivo, as principais concorrentes da Oi, a TIM, América Móvil e Telefónica "tiveram um ganho de receita muito forte nos últimos anos por conta da atuação fora de seu país de origem". Como a nova operadora quer fazer frente a essas companhias, reiterou, terá de usar da mesma estratégia.

O preço acordado no Contrato de Compra e Venda pelas ações da BrT Part, todas elas vinculadas a acordo de acionistas do grupo de controle da BrT Part é de R$ 5.863.495.791,40, equivalente a um valor por ação da BrT Part de R$ 72,3058316215, a ser pago R$ 4.982.388.785,42 pelo equivalente valor de firma (enterprise value) de Invitel, valor esse que foi baseado num valor de R$ 72,3058316215 por ação de BrT Part detida direta ou indiretamente pela Invitel, e do qual será deduzida a dívida líquida de Invitel, nos termos do Contrato de Compra e Venda, apurada no 3º dia útil anterior à Data do Fechamento e R$ 881.107.005,98, equivalente a um preço por ação de R$ 72,3058316215 pelas ações de emissão de BrT Part detidas diretamente por alguns dos Vendedores, vinculadas a acordos de acionistas que regulam o controle acionário da BrT Part.

Briga antiga

Os fundos de pensão e o Citibank, principais acionistas da BrT, com o acordo de compra e venda, cessaram todas as disputas judiciais que moviam contra o Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas. O acordo, porém, não interrompe os processos aos quais Dantas responde na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nem o caso Kroll, em andamento na 5ª Vara Federal de São Paulo, onde o executivo Dantas é acusado de comandar uma quadrilha de espionagem para bisbilhotar a vida de desafetos e concorrentes.

Dantas não precisou desembolsar nenhum centavo para ter suas pendências judiciais encerradas e ainda vai receber uma pequena fortuna por sua participação no grupo vendido. Os acionistas da Oi aceitaram pagar 200 milhões de reais à BrT e 150 milhões de reais ao Opportunity pelo acordo de paz, conforme noticiou a revista eletrônica Teletime News.

Segundo noticiou a revista Carta Capital, neste sábado, "ninguém deve se iludir quanto à natureza dessa negociata. Ela não é simplesmente um acerto entre agentes privados em busca de eficiência e rentabilidade em seus negócios. Quem moveu a roda da fortuna nesse caso foi o BNDES, por ordens do Palácio do Planalto. O banco estatal vai financiar uma boa parte da criação da ?supertele?, como vem sendo chamada a empresa resultante da união da Oi com a BrT. Deduz-se, portanto, que a parcela a ser paga a Dantas será deduzida da quantia repassada a juros camaradas por uma instituição oficial. Como o governo tem relacionado todo e qualquer projeto federal à idéia do Programa de Aceleração do Crescimento, nada mais justo que chamar essa triangulação de PAC do Dantas. Fica a pergunta: quem assumirá a paternidade ou a maternidade do pacote?

"O governo Lula está, assim, prestes a repetir o modelo equivocado dos tempos de Fernando Henrique Cardoso. No período que precedeu o vexame do apagão, o BNDES desembolsou 21 bilhões de reais para o setor elétrico. Desse total, apenas 7 bilhões foram injetados em projetos de expansão da oferta de energia, tão necessários naquele momento. O resultado, catastrófico, todo mundo viu em 2001. Agora estamos diante de uma tremenda perspectiva de crescimento sustentado e a demanda por financiamento industrial não pára de crescer. Mesmo assim, o BNDES prefere bancar um processo de fusão de vantagens duvidosas e bastidores nebulosos.

"Além do mais, não é que o banco de fomento esteja nadando em dinheiro. Na terça 22, a Câmara dos Deputados teve de aprovar um aporte do Tesouro de 12,5 bilhões de reais ao BNDES para que a demanda por empréstimo seja atendida neste ano. Qualquer cidadão razoavelmente informado poderá listar ao menos uma centena de projetos muito mais prioritários e fundamentais ao desenvolvimento do que a criação da BrOi.

"Lula, em sua popularidade inabalável, e seus principais assessores deveriam atentar para um fato grave dessa situação, já mencionado por CartaCapital diversas vezes. Há um claro conflito de interesses que deveria manter o Palácio do Planalto longe dessa negociação: a Oi é sócia do filho do presidente da República, Fábio da Silva, em uma produtora de conteúdo para a tevê, Gamecorp. Nada justifica que qualquer nesga de pudor e de postura republicana seja simplesmente atropelada. Nem supostos ?interesses nacionais? nem a aparente certeza de que altos índices de aprovação são uma licença para se praticar qualquer ato" diz a revista.

(webremix.info)


O caminho obrigat?rio das empresas neste novo s?culo

O sucesso da última Conferência do Ethos, que aconteceu em São Paulo entre os dias 4 e 7 de junho, não deixa dúvida sobre a crescente consciência empresarial da importância da gestão socialmente responsável. A Conferência levou Stephan Schmidheiny, da Fundação Avina, para realização da palestra de abertura oficial do evento.

Stephan começou por anunciar números de recentes estudos realizados pela ONU envolvendo cientistas multidisciplinares que desenharam cenários futuros para o planeta. O pior cenário aponta para uma situação na qual 70% da superfície do planeta estará comprometida em 30 anos se permanecerem os paradigmas atuais e, o que é ainda mais grave, mesmo com muitos esforços que a humanidade realize a situação não será muito melhor: 50% da superfície do planeta estará comprometida nos mesmos 30 anos.

Em função desse futuro identificado, a responsabilidade social e o conceito de sustentabilidade são temas para reflexão empresarial. Stephan destacou o momento econômico que valorizou o mercado global, mas sem ter uma visão global de desenvolvimento.

Dois conceitos apresentados por ele podem nos levar a reflexões interessantes: ecoeficiência e solidariedade egoísta (conceito que tomou emprestado dos Jesuítas Venezuelanos). A forma de agir da economia global leva a investimentos de 1 bilhão de dólares por dia do governo americano em subsídios agrícolas, numa ajuda que intensifica a distância entre agricultores do Primeiro Mundo e dos países emergentes. Aliás, a cada vez que escuto essa expressão tendo a sentir arrepios: não são países emergentes, são países com suas economias controladas para impedir o desenvolvimento. Michael Bailey, da Oxfam, numa entrevista a revista Veja de 22 de maio de 2002, deixa claro o motivo de lançar a campanha de Comércio Justo: 1% de aumento nas exportações dos países da África trariam mais riqueza do que o investimento atual das organizações humanitárias do Primeiro Mundo. Como diz Stephan, estamos sofrendo ainda mais devido à miopia das nações poderosas, que insistem num sistema econômico e político que torna os ricos mais ricos e os pobres mais pobres.

?É do meu interesse criar um ambiente de SOLIDARIEDADE EGOÍSTA?. Com essa frase Stephan acorda os mais céticos: cuidar do planeta, prover sua vida e trazer os mais pobres para o mercado é o desafio para o empresário consciente. Ele acredita, e eu também, que vivemos um momento em que a empresa que dispõe de conhecimentos, capacidade de gestão e tecnologia deve se unir às ONGs que conhecem a pobreza, as dificuldades educacionais e a violência para encontrar soluções inovadoras de interferência no social.

O desafio é encontrar novas formas de parcerias que profissionalizem as ONGs e tornem as empresas participantes ativos do desenvolvimento social. É necessário promover o diálogo entre essas duas culturas para que juntas elas possam pressionar a burocracia corrupta do Estado e o mundo político, que na sua opinião é o segmento mais atrasado da sociedade mundial. A exigência atual já é a transparência, regras claras e a necessidade de ter uma mídia ajudando a criar novas lideranças, fazendo com que os novos conceitos de sobrevivência sejam entendidos.
Gostei muito de sua firmeza ao declarar que ?o mundo está mudando e temos que contagiar o maior número possível de parceiros para a construção de um novo mundo?.

A qualidade da gestão pode ser medida pela ecoeficiência. Tornar o mundo socialmente responsável pode garantir maior sucesso para empresas. Stephan convocou as empresas a ?fazer agora para não ter que imitar depois?. As empresas produzem para 22% da população mundial, 78% não participam do mercado. Não basta a caridade, temos que trazer a população pobre para o mercado. Stephan registrou, ainda, o crescimento da consciência e participação da população mundial, que passa a pressionar de forma mais organizada as formas perversas da globalização, e livros como No Logo de Naomi Klein. Ele percebe esses movimentos como irreversíveis, e que mesmo empresas que não sabem por onde começar estão sendo obrigadas a repensar seus negócios. Uma empresa pode ganhar na justiça, mas perder no social. Perde reputação, tem a marca afetada e os negócios comprometidos.

A certa altura da palestra comecei a olhar o auditório. Era a abertura da Conferência, com convite especial. Ali não estavam só os que eu encontraria nos outros três dias da Conferência. A sala estava cheia e pude reconhecer grandes executivos e muitos presidentes de empresas. O discurso que ouvi era inimaginável para aquela platéia há quatro anos. Há cerca de 12 anos convivo com empresas e ONGs, e vejo os discursos se aproximarem, misturam-se, sinergizando-se.

Nos dias seguintes cerca de 850 pessoas circulavam pelas plenárias e pelos debates que foram divididos em três eixos básicos: Ficaram e se aprofundaram profissionais de RH, das Fundações e Institutos das empresas. Contaminar, espalhar o vírus ficou claro como desafio. As grandes empresas estavam representadas, mas por profissionais de menor poder decisório nas organizações. Isso comprova minha experiência de encontrar nas áreas de RH, de marketing e nos chamados ?braços sociais? das empresas, profissionais atualizados, preocupados com a gestão profissional da responsabilidade social das empresas, que assimilaram os novos conceitos, mas que como soldados rasos recebem pouca atenção das lideranças.

Precisamos agora compartilhar e aumentar a massa crítica de contaminação nas organizações. O Instituto Ethos disponibiliza, através do seu site, indicadores e metodologias, além de pesquisas para ajudar as empresas no caminho. Cresce o consumo consciente. A mudança no público interno das organizações e nos consumidores das ?marcas? está pouco a pouco mudando a visão das organizações. A tal ?solidariedade egoísta? do Stephan é uma espiral invisível que já pisca a luz de alerta.

Adrian Hodges, que em breve estará lançando seu livro no Brasil, fez em sua plenária um show de consumo. Entrou com um carrinho de supermercado de onde retirou vários produtos consumidos pelo mundo afora.

Deixou evidente que gerentes de marketing têm regularmente usado tempo de trabalho em defesas frente a ações judiciais ou denúncias da imprensa ou grupos da sociedade civil, em vez de desenvolver mercados.

Mostrou um slide com a marca do McDonald´s ? que meu filho chamou de arcos dourados da civilização ? e perguntou à platéia quantos conheciam. Claro, todos levantaram a mão, e em seguida colocou a foto de uma árvore e perguntou quem conhecia aquela marca? Pouquíssimas mãos se levantaram. Nesse momento ficou evidente para mim a distância que criamos das verdadeiras marcas da vida, numa substituição maluca de valores e atitudes que através do marketing e da comunicação estabeleceram nossa maneira de consumir e viver.

Pobre natureza, que nos oferece gratuitamente inúmeros signos rituais, movimentos e que conseguimos que cada vez menos eles façam parte de nossa vida. ?Maquinamos? os funcionários de nossas empresas perdendo o melhor de cada um deles.

Mas o mundo mudou, está mudando. Não existe mais segurança para os negócios. Manter participação de mercado hoje exige novas capacidades dentro das organizações. Competências que não foram aprendidas nem nas escolas, nem nos treinamentos ? adestramento ? de muitas organizações no mundo.

O planeta não fazia parte das nossas preocupações, podíamos inventar produtos com embalagens descartáveis sem nenhuma preocupação com o lixo que criávamos, quanto mais fumaça melhor. Isso era desenvolvimento.

Mas, hoje, há um despertar. Muitos acordamos ainda antes do pesadelo fatal. Nossas atitudes, hábitos, organizações estão em processo de mudança. No bottle line dos financeiros passa a existir uma nova preocupação: o lucro humano. Se ele não for levado em conta, o marketing vai gritar pela perda de consumidores e o departamento jurídico das empresas não dará conta dos processos.

É a consciência planetária que acorda exigindo das empresas mais do que imagem: caráter e reputação.

Stephan falou sobre a necessidade de estimular as lideranças. Vê como líderes aqueles que conseguem se comunicar, convencer outros com discursos claros e ações objetivas e eficientes. A tarefa é construir ponte de diálogo da empresa com a ONG e enfrentar a burocracia corrupta do Estado.

O índice Dow Jones indica que nos últimos quatro anos as empresas com responsabilidade social obtêm melhores resultados. A qualidade da gestão pode ser cada vez mais medida pela ecoeficiência e pela responsabilidade social.

O Ethos lançou durante a Conferência seus indicadores de responsabilidade social e material de apoio à construção do sistema de gestão de responsabilidade social para as empresas: ferramentas de planejamento estratégico e plano operacional que estão disponibilizadas no seu site. O desafio do Instituto Ethos é ajudar a compartilhar experiência, construindo novas lideranças dentro das empresas e conquistando presidentes e diretores para uma participação mais ativa.

Cada vez ficam mais evidentes as perdas para os negócios com atitudes socialmente irresponsáveis: perdem talentos, vendas e imagem, e ganham custos com processos judiciais. Isso deve explicar a associação ao Ethos de 609 empresas em três anos, 28% do PIB brasileiro. Como disse Ricardo Guimarães, um raríssimo publicitário presente (onde estão que não percebem o novo mundo?), é hora de fazer a ?gestão de valor?, não basta a ?gestão de resultados?, e isso simplesmente muda tudo.

Bem, muitas outras coisas aconteceram na Conferência, muitas outras idéias me surgiram, e certamente tudo irá impactar o trabalho da Rebouças & Associados e de todos os nossos parceiros.
 
Nádia Rebouças
reboucas@reboucaseassociados.com.br

(webremix.info)


Os 'poliglotas descal?os'

Heinz Alfred Kissinger, o diplomata norte-americano mais influente, da segunda metade do século XX, nasceu em Fürth, na Alemanha, em 1923. Mas imigrou para os Estados Unidos, e se nacionalizou norte-americano em 1943, antes de doutorar-se na Universidade de Harvard, em 1954, onde foi professor e diretor do seu Centro de Estudos Internacionais e do seu Programa de Estudos de Defesa, até 1971. Apesar disto, Henry Kissinger não foi um acadêmico, foi sobretudo um consultor, funcionário e executivo da segurança nacional, e da política externa norte-americana. Desde 1953, no governo de Dwight Eisenhower, até o final da sua gestão como Conselheiro de Segurança da Presidência, e como Secretario de Estado das administrações de Richard Nixon e Gerald Ford, entre 1968 e 1976. Neste último período, em particular, Henry Kissinger exerceu uma diplomacia pouco convencional e extremamente ágil, como formulador e operador direto de suas próprias decisões, cioso de suas idéias e do seu poder pessoal e institucional. Foi nesta época que ele tomou algumas decisões e liderou iniciativas do governo americano, que deixaram marcas profundas na história da segunda metade do século XX.

Entre suas iniciativas com sinal ?positivo?, destacam-se: a distensão das relações com a União Soviética e a negociação dos tratados de ?não proliferação nuclear?, de ?limitação das armas estratégicas? e de controle dos ?mísseis balísticos?, na década de 70; as negociações de paz no Vietnã, que levaram à assinatura dos Acordos de Paris, em 1973; e, finalmente, a mais famosa de suas acrobacias diplomáticas, as viagens secretas a Pequim, e suas negociações pessoais, com Chou en Lai e Mao Tse Tung , em 1971 e 1972, que levaram à reaproximação dos Estados Unidos com a China nas décadas seguintes.

Por outro lado, entre suas decisões e iniciativas ?sangrentas?, destacam-se: a autorização do bombardeio aéreo do Camboja e do Laos, tomada sem a autorização do Congresso Americano, em 1969; o apoio à guerra do Paquistão com a Índia, no território atual de Bangladesh, em 1971; o apoio e financiamento ilegal da invasão do Chipre, pela Turquia, em 1974; o apoio à invasão sul-africana de Angola, em 1975; e, finalmente, também em 1975, o apoio à invasão do Timor Leste, pela Indonésia, que se transformou numa ocupação de 24 anos, e custou 200 mil vidas.

Separadamente, a América do Sul ocupa um lugar de destaque nesta lista ?negra? das grandes decisões tomadas por Henry Kissinger, entre 1968 e 1976. Basta ler os documentos oficiais americanos que já estão disponíveis e as várias pesquisas jornalísticas e acadêmicas que apontam para o envolvimento direto do ex-secretário de Estado Norte-americano com a preparação e execução dos violentos golpes militares que derrubaram os governos eleitos do Uruguai e do Chile, em 1973, e da Argentina, em 1976. Além, disto, existem inúmeros processos judiciais - em vários países (nota 1) ? envolvendo Henry Kissinger com a Operação Condor (nota 2), que integrou os serviços de inteligência das Forças Armadas da Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, para seqüestrar, torturar e assassinar personalidades políticas de oposição.

Sempre causou perplexidade entre os analistas o apoio de Kissinger e da diplomacia americana a estas ?intervenções militares?, que se caracterizaram por sua extraordinária truculência. Mas não é difícil de entender o que aconteceu quando se olha para os interesses estratégicos dos Estados Unidos e sua defesa na América do Sul, da perspectiva de longo prazo, traçada por Nicholas Spkyman, em 1942. Spykman definiu o continente americano, do ponto de vista geopolítico, como primeira e última linha de defesa da hegemonia mundial dos Estados Unidos. Dentro deste hemisfério, ele considerava improvável que surgisse um desafio direto à supremacia dos Estados Unidos na ?América Mediterrânea?, onde ele incluía o México, a América Central e Caribe, mas também a Colômbia e a Venezuela.

No entanto, ele considerava que poderia surgir um desafio desta natureza na região do ABC, no Cone Sul da América. E, neste caso, ele considerava inevitável o recurso à guerra. A sigla ABC refere-se a Argentina, Brasil e Chile, mas a região do ABC inclui também o território do Uruguai e do Paraguai - exatamente os cinco países que estiveram envolvidos na Operação Condor. Neste sentido, se pode dizer que Henry Kissinger seguiu rigorosamente as recomendações de Nicholas Spykman com relação ao controle desta região geopolítica. Sua única contribuição pessoal, foi a substituição da ?guerra externa?, proposta por Spykman, pela ?guerra interna? das Forças Armadas locais contra setores de suas próprias populações nacionais. Mas, mesmo neste ponto, Kissinger não foi original: recorreu ao método que havia sido utilizado pelos ingleses na Índia, durante 200 anos. E em todos os lugares em que a Grã Bretanha dominou Estados fracos, utilizando suas elites divididas e subalternas, para controlar as suas próprias populações locais.

Nas décadas de 80 e 90, Henry Kissinger afastou-se da diplomacia direta, mas manteve sua influencia pessoal e intelectual dentro do establishment americano e dentro das elites conservadoras sul-americanas. Em 2001, ele publicou um livro sobre o futuro geopolítico e sobre a defesa dos interesses americanos ao redor do mundo (nota 3). Com relação à América do Sul, o autor atenuou a forma, mas manteve o ?espírito? de Spykman: segundo Kissinger, a América do Sul segue sendo essencial para os interesses americanos, e deve ser mantida sob a hegemonia dos Estados Unidos. Só que, hoje, a ameaça à esta hegemonia já não vem da Alemanha, nem da União Soviética, vem de dentro do próprio continente. No plano econômico: dos projetos de integração regional que excluam ou se oponham à Alca. E no plano político: dos populismos e nacionalismos que, segundo ele, estão renascendo no continente, segundo Kissinger. Por fim, mesmo que não tenha escrito de forma explícita, o entusiasmo demonstrado por Kissinger com as reformas liberais dos anos 90 e com os governos de Menem e Cardoso não deixa dúvidas com relação à sua preferência e sua estratégia atual para a ?região do ABC?: depois dos militares, os ?poliglotas descalços?.

Notas:
(1) Na França, Henry Kissinger foi chamado a depor, pelo juiz Roger Lê Loire, no processo sobre a morte de cidadão franceses na Operação Condor, e sob a ditadura militar chilena. O mesmo ocorrendo na Espanha, com a investigação dp juiz Juan Guzman, sobre a morte do jornalista americano Charles Horman, sob a ditadura chilena. E também na Argentina, onde Kissinger está sendo investigado pelo juiz Rodolfo Canicoba, por envolvimento na Operação Condor, assim como em Washington , onde existe um processo na corte federal com acusação, contra Kissinger de haver dado a ordem para o assassinato do Gal Schneider, Comandante em Chefa das Forças Armadas Chilenas, em 1970.

(2) O interesse sobre o assunto foi reavivado recentemente, pelo livro do jornalista Chistopher Hitchens,
The Trial of Henry Kissinger(2203), e pela resenha de Kenneth Maxwelll, do livro de Peter Kornbluh, The Pinochet file: a Desclassified Dossier on Atrocity and Accountability, publicado na revista Foreign Affairs, de Dezembro de 2003, sobre as relações de Kissinger com o regime de Augusto Pinochet, em particular com o assassinato do diplomata chileno Orlando Letelier, em Washington, 1976.

(3) Kissinger, H., (2001),
Does America Need a Foreign Policy. Toward a Diplomacy for the 21 st Century, Simon&Schuster, New York.

José Luís Fiori, cientista político, é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

(webremix.info)


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