Casos legais e judiciais
Notícia : Casos legais e judiciais
Daniel Dantas, o símbolo da privatariaNum ato inimaginável no passado, a PolÃcia Federal deteve nesta terça-feira o megaespeculador Daniel Dantas, dono do banco OPP (ex-Opportunity) e uma das figuras mais sinistras da onda de privatizações que varreu o paÃs a partir dos anos 1990. Na mesma operação, batizada de Satiagraha, a PF ainda prendeu o ex-prefeito da capital paulista Celso Pitta, o banqueiro Naji Nahas e outros envolvidos “num universo dantesco pela prática dos seguintes crimes: formação de quadrilha, gestão fraudulenta, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e sonegação fiscalâ€, segundo relato do jornalista Bob Fernandes. Dantas também foi acusado de tentar subornar um delegado da PF.
A prisão ocorre apenas três meses após o mafioso fechar um dos maiores negócios do mercado de telecomunicações do mundo: a venda de suas ações na Brasil Telecom e na Telemar (OI) por quase 1 bilhão de dólares. Além disso, ele obteve estranho acordo com os fundos de pensão pelo qual se livrou de todas as suas demandas judiciais. Durante dois anos, o megaespeculador sofreu investigação da PF, numa ação conjunta com técnicos do Banco Central e da Receita Federal. A conclusão final é de que ele e Naji Nahas, rotulados pelo relatório de capos, são chefes de uma poderosa organização criminosa no Brasil, com ramificações em vários paraÃsos fiscais.
ACM, FHC e a meteórica ascensão
A Operação Satiagraha, nome que relembra o método da não-violência idealizado por Mahatma Gandhi na resistência indiana ao domÃnio britânico, consegue finalmente levar à prisão o chefão das privatizações. Antes dela, a Operação Chacal já havia indiciado o banqueiro pela contratação da multinacional de espionagem Kroll, que bisbilhotou ilegalmente integrantes do governo Lula. Já na apuração das denúncias do chamado “mensalãoâ€, envolvendo ministros e dirigentes do PT, o nome de Daniel Dantas ressurgiu com desenvoltura em negociatas ilÃcitas, o que evidenciou a contÃnua e impressionante influência deste megaespeculador, que ultrapassa distintos governos.
O engenheiro e economista Daniel Dantas iniciou sua meteórica trajetória capitalista na Bahia, ligado ao grupo do ex-senador ACM. Ele foi conselheiro do PFL e chegou a ser cogitado para o Ministério da Fazenda por Collor de Mello. Também foi sócio de Nizan Guanaes na agência de publicidade preferida dos tucanos. Após fazer doutorado nos EUA, trabalhou no Bradesco. Seu banco, Opportunity, começou a operar em 1996, exatamente quando ganhou impulso a onda de privatizações desencadeada por FHC. Sua fortuna desabrocha com a criminosa privataria e com suas obscuras ligações com o poder. Pérsio Arida, ex-presidente do Banco Central, foi seu sócio.
Influente nos corredores de BrasÃlia
Em 1988, Daniel Dantas foi acusado por favorecimento na privatização das empresas do Sistema Telebrás. As denúncias surgiram devido aos conflitos entre os fundos públicos de pensão e várias corporações estrangeiras, como a italiana Telecom e a canadense TIM, com quem o especulador mantinha Ãntimas relações. Em 2000, os fundos de pensão acionaram a Justiça contra o Opportunity por manobras societárias. Ele também foi acusado por um ex-sócio, Luis Demarco, por desvio de dinheiro do fundo que geria no Caribe com capital do Citibank destinado à privatização. Através deste fundo, Dantas arrematou o controle da Tele Centro Sul, da Telemig e da Amazônia Celular.
Apesar de toda sujeira na construção do seu império, Dantas continuou influente nos corredores de BrasÃlia. Além do setor de telecomunicações, tem investimento em mineração e agropecuária. Ele é sócio da GME4, empresa especializada em pesquisar reservas minerais. Em sete meses de operação, ele adquiriu alvarás de pesquisa em 4 milhões de hectares de terra. Na agropecuária, participa através da poderosa empresa Santa Bárbara. Como afirma uma reportagem bajuladora da revista IstoÉ Dinheiro – Dantas tem ações na Editora 3 que administra o semanário –, “poucos empresários brasileiros conseguiram amealhar tanto dinheiro em tão pouco tempo. Seu banco de investimentos, criado há cerca de 20 anos, administra ativos de US$ 8 bilhõesâ€.
Durante a CPI do Mensalão, a senadora petista Ideli Salvatti foi taxativa. “O senhor é diabólico. Se 10% do que dizem a seu respeito for verdade, o senhor já deveria estar presoâ€. Agora, ele está na cadeia. Mas até quando? O protagonista da privataria das telecomunicações é um homem com fortes vÃnculos nos bastidores do poder. Foi amigo de Luis Carlos Mendonça de Barros, ministro das Comunicações de FHC que acionou os fundos de pensão na venda da estatal do setor. Levou para o seu banco Pérsio Arida, Elena Landau, ex-diretora do BNDES responsável pela área de privatizações, Luis Octavio Motta Veiga, que presidiu a Petrobras no governo Collor de Mello, entre outros nomes já conhecidos. Quem mais fará parte deste conluio patrimonialista?
Altamiro Borges é jornalista, secretário de Comunicação do Comitê Central do PCdoB e editor da revista Debate Sindical.
(webremix.info)África do Sul: Português lança processos por comissões de venda de helicópteros ao regime do apartheid
Bruxelas, 26 Abr (Lusa) - Um português que serviu de intermediário na venda de material militar à África do Sul, durante o apartheid, lançou uma série de processos judiciais ao nível internacional par... (webremix.info)
Nova Oi vai partir para disputa no mercado internacional
A empresa que resultou da compra da Brasil Telecom pela Oi, em uma transação de cerca de R$ 12,3 bilhões já ambiciona ganhar o mercado internacional. A Brasil Telecom, agora Oi, controla os sites iG, BrTurbo e iBest, que figuram entre os maiores da internet brasileira. Luiz Eduardo Falco, presidente da Oi, explicou que o valor da operação inclui R$ 5,86 bilhões serão pagos aos controladores, além de R$ 3,5 bilhões para a aquisição das ordinárias que hoje pertencem aos minoritários e R$ 3 bilhões para adquirir um terço dos papéis sem direito a voto.
- A nova empresa nasce com ambição para fora do Brasil. Temos sonhos de operações internacionais - afirmou Falco, em entrevista na sede da empresa.
Entre os mercados potenciais para a atuação da companhia as Américas, Ãfrica e Europa. Segundo o executivo, as principais concorrentes da Oi, a TIM, América Móvil e Telefónica "tiveram um ganho de receita muito forte nos últimos anos por conta da atuação fora de seu paÃs de origem". Como a nova operadora quer fazer frente a essas companhias, reiterou, terá de usar da mesma estratégia.
O preço acordado no Contrato de Compra e Venda pelas ações da BrT Part, todas elas vinculadas a acordo de acionistas do grupo de controle da BrT Part é de R$ 5.863.495.791,40, equivalente a um valor por ação da BrT Part de R$ 72,3058316215, a ser pago R$ 4.982.388.785,42 pelo equivalente valor de firma (enterprise value) de Invitel, valor esse que foi baseado num valor de R$ 72,3058316215 por ação de BrT Part detida direta ou indiretamente pela Invitel, e do qual será deduzida a dÃvida lÃquida de Invitel, nos termos do Contrato de Compra e Venda, apurada no 3º dia útil anterior à Data do Fechamento e R$ 881.107.005,98, equivalente a um preço por ação de R$ 72,3058316215 pelas ações de emissão de BrT Part detidas diretamente por alguns dos Vendedores, vinculadas a acordos de acionistas que regulam o controle acionário da BrT Part.
Briga antiga
Os fundos de pensão e o Citibank, principais acionistas da BrT, com o acordo de compra e venda, cessaram todas as disputas judiciais que moviam contra o Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas. O acordo, porém, não interrompe os processos aos quais Dantas responde na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nem o caso Kroll, em andamento na 5ª Vara Federal de São Paulo, onde o executivo Dantas é acusado de comandar uma quadrilha de espionagem para bisbilhotar a vida de desafetos e concorrentes.
Dantas não precisou desembolsar nenhum centavo para ter suas pendências judiciais encerradas e ainda vai receber uma pequena fortuna por sua participação no grupo vendido. Os acionistas da Oi aceitaram pagar 200 milhões de reais à BrT e 150 milhões de reais ao Opportunity pelo acordo de paz, conforme noticiou a revista eletrônica Teletime News.
Segundo noticiou a revista Carta Capital, neste sábado, "ninguém deve se iludir quanto à natureza dessa negociata. Ela não é simplesmente um acerto entre agentes privados em busca de eficiência e rentabilidade em seus negócios. Quem moveu a roda da fortuna nesse caso foi o BNDES, por ordens do Palácio do Planalto. O banco estatal vai financiar uma boa parte da criação da “superteleâ€, como vem sendo chamada a empresa resultante da união da Oi com a BrT. Deduz-se, portanto, que a parcela a ser paga a Dantas será deduzida da quantia repassada a juros camaradas por uma instituição oficial. Como o governo tem relacionado todo e qualquer projeto federal à idéia do Programa de Aceleração do Crescimento, nada mais justo que chamar essa triangulação de PAC do Dantas. Fica a pergunta: quem assumirá a paternidade ou a maternidade do pacote?
"O governo Lula está, assim, prestes a repetir o modelo equivocado dos tempos de Fernando Henrique Cardoso. No perÃodo que precedeu o vexame do apagão, o BNDES desembolsou 21 bilhões de reais para o setor elétrico. Desse total, apenas 7 bilhões foram injetados em projetos de expansão da oferta de energia, tão necessários naquele momento. O resultado, catastrófico, todo mundo viu em 2001. Agora estamos diante de uma tremenda perspectiva de crescimento sustentado e a demanda por financiamento industrial não pára de crescer. Mesmo assim, o BNDES prefere bancar um processo de fusão de vantagens duvidosas e bastidores nebulosos.
"Além do mais, não é que o banco de fomento esteja nadando em dinheiro. Na terça 22, a Câmara dos Deputados teve de aprovar um aporte do Tesouro de 12,5 bilhões de reais ao BNDES para que a demanda por empréstimo seja atendida neste ano. Qualquer cidadão razoavelmente informado poderá listar ao menos uma centena de projetos muito mais prioritários e fundamentais ao desenvolvimento do que a criação da BrOi.
"Lula, em sua popularidade inabalável, e seus principais assessores deveriam atentar para um fato grave dessa situação, já mencionado por CartaCapital diversas vezes. Há um claro conflito de interesses que deveria manter o Palácio do Planalto longe dessa negociação: a Oi é sócia do filho do presidente da República, Fábio da Silva, em uma produtora de conteúdo para a tevê, Gamecorp. Nada justifica que qualquer nesga de pudor e de postura republicana seja simplesmente atropelada. Nem supostos “interesses nacionais†nem a aparente certeza de que altos Ãndices de aprovação são uma licença para se praticar qualquer ato" diz a revista.
(webremix.info)O caminho obrigatório das empresas neste novo século
O sucesso da última Conferência do Ethos, que aconteceu em São Paulo entre os dias 4 e 7 de junho, não deixa dúvida sobre a crescente consciência empresarial da importância da gestão socialmente responsável. A Conferência levou Stephan Schmidheiny, da Fundação Avina, para realização da palestra de abertura oficial do evento.
Stephan começou por anunciar números de recentes estudos realizados pela ONU envolvendo cientistas multidisciplinares que desenharam cenários futuros para o planeta. O pior cenário aponta para uma situação na qual 70% da superfÃcie do planeta estará comprometida em 30 anos se permanecerem os paradigmas atuais e, o que é ainda mais grave, mesmo com muitos esforços que a humanidade realize a situação não será muito melhor: 50% da superfÃcie do planeta estará comprometida nos mesmos 30 anos.
Em função desse futuro identificado, a responsabilidade social e o conceito de sustentabilidade são temas para reflexão empresarial. Stephan destacou o momento econômico que valorizou o mercado global, mas sem ter uma visão global de desenvolvimento.
Dois conceitos apresentados por ele podem nos levar a reflexões interessantes: ecoeficiência e solidariedade egoÃsta (conceito que tomou emprestado dos JesuÃtas Venezuelanos). A forma de agir da economia global leva a investimentos de 1 bilhão de dólares por dia do governo americano em subsÃdios agrÃcolas, numa ajuda que intensifica a distância entre agricultores do Primeiro Mundo e dos paÃses emergentes. Aliás, a cada vez que escuto essa expressão tendo a sentir arrepios: não são paÃses emergentes, são paÃses com suas economias controladas para impedir o desenvolvimento. Michael Bailey, da Oxfam, numa entrevista a revista Veja de 22 de maio de 2002, deixa claro o motivo de lançar a campanha de Comércio Justo: 1% de aumento nas exportações dos paÃses da Ãfrica trariam mais riqueza do que o investimento atual das organizações humanitárias do Primeiro Mundo. Como diz Stephan, estamos sofrendo ainda mais devido à miopia das nações poderosas, que insistem num sistema econômico e polÃtico que torna os ricos mais ricos e os pobres mais pobres.
“É do meu interesse criar um ambiente de SOLIDARIEDADE EGOÃSTAâ€. Com essa frase Stephan acorda os mais céticos: cuidar do planeta, prover sua vida e trazer os mais pobres para o mercado é o desafio para o empresário consciente. Ele acredita, e eu também, que vivemos um momento em que a empresa que dispõe de conhecimentos, capacidade de gestão e tecnologia deve se unir à s ONGs que conhecem a pobreza, as dificuldades educacionais e a violência para encontrar soluções inovadoras de interferência no social.
O desafio é encontrar novas formas de parcerias que profissionalizem as ONGs e tornem as empresas participantes ativos do desenvolvimento social. É necessário promover o diálogo entre essas duas culturas para que juntas elas possam pressionar a burocracia corrupta do Estado e o mundo polÃtico, que na sua opinião é o segmento mais atrasado da sociedade mundial. A exigência atual já é a transparência, regras claras e a necessidade de ter uma mÃdia ajudando a criar novas lideranças, fazendo com que os novos conceitos de sobrevivência sejam entendidos.
Gostei muito de sua firmeza ao declarar que “o mundo está mudando e temos que contagiar o maior número possÃvel de parceiros para a construção de um novo mundoâ€.
A qualidade da gestão pode ser medida pela ecoeficiência. Tornar o mundo socialmente responsável pode garantir maior sucesso para empresas. Stephan convocou as empresas a “fazer agora para não ter que imitar depoisâ€. As empresas produzem para 22% da população mundial, 78% não participam do mercado. Não basta a caridade, temos que trazer a população pobre para o mercado. Stephan registrou, ainda, o crescimento da consciência e participação da população mundial, que passa a pressionar de forma mais organizada as formas perversas da globalização, e livros como No Logo de Naomi Klein. Ele percebe esses movimentos como irreversÃveis, e que mesmo empresas que não sabem por onde começar estão sendo obrigadas a repensar seus negócios. Uma empresa pode ganhar na justiça, mas perder no social. Perde reputação, tem a marca afetada e os negócios comprometidos.
A certa altura da palestra comecei a olhar o auditório. Era a abertura da Conferência, com convite especial. Ali não estavam só os que eu encontraria nos outros três dias da Conferência. A sala estava cheia e pude reconhecer grandes executivos e muitos presidentes de empresas. O discurso que ouvi era inimaginável para aquela platéia há quatro anos. Há cerca de 12 anos convivo com empresas e ONGs, e vejo os discursos se aproximarem, misturam-se, sinergizando-se.
Nos dias seguintes cerca de 850 pessoas circulavam pelas plenárias e pelos debates que foram divididos em três eixos básicos: Ficaram e se aprofundaram profissionais de RH, das Fundações e Institutos das empresas. Contaminar, espalhar o vÃrus ficou claro como desafio. As grandes empresas estavam representadas, mas por profissionais de menor poder decisório nas organizações. Isso comprova minha experiência de encontrar nas áreas de RH, de marketing e nos chamados “braços sociais†das empresas, profissionais atualizados, preocupados com a gestão profissional da responsabilidade social das empresas, que assimilaram os novos conceitos, mas que como soldados rasos recebem pouca atenção das lideranças.
Precisamos agora compartilhar e aumentar a massa crÃtica de contaminação nas organizações. O Instituto Ethos disponibiliza, através do seu site, indicadores e metodologias, além de pesquisas para ajudar as empresas no caminho. Cresce o consumo consciente. A mudança no público interno das organizações e nos consumidores das “marcas†está pouco a pouco mudando a visão das organizações. A tal “solidariedade egoÃsta†do Stephan é uma espiral invisÃvel que já pisca a luz de alerta.
Adrian Hodges, que em breve estará lançando seu livro no Brasil, fez em sua plenária um show de consumo. Entrou com um carrinho de supermercado de onde retirou vários produtos consumidos pelo mundo afora.
Deixou evidente que gerentes de marketing têm regularmente usado tempo de trabalho em defesas frente a ações judiciais ou denúncias da imprensa ou grupos da sociedade civil, em vez de desenvolver mercados.
Mostrou um slide com a marca do McDonald´s – que meu filho chamou de arcos dourados da civilização – e perguntou à platéia quantos conheciam. Claro, todos levantaram a mão, e em seguida colocou a foto de uma árvore e perguntou quem conhecia aquela marca? PouquÃssimas mãos se levantaram. Nesse momento ficou evidente para mim a distância que criamos das verdadeiras marcas da vida, numa substituição maluca de valores e atitudes que através do marketing e da comunicação estabeleceram nossa maneira de consumir e viver.
Pobre natureza, que nos oferece gratuitamente inúmeros signos rituais, movimentos e que conseguimos que cada vez menos eles façam parte de nossa vida. “Maquinamos†os funcionários de nossas empresas perdendo o melhor de cada um deles.
Mas o mundo mudou, está mudando. Não existe mais segurança para os negócios. Manter participação de mercado hoje exige novas capacidades dentro das organizações. Competências que não foram aprendidas nem nas escolas, nem nos treinamentos – adestramento – de muitas organizações no mundo.
O planeta não fazia parte das nossas preocupações, podÃamos inventar produtos com embalagens descartáveis sem nenhuma preocupação com o lixo que criávamos, quanto mais fumaça melhor. Isso era desenvolvimento.
Mas, hoje, há um despertar. Muitos acordamos ainda antes do pesadelo fatal. Nossas atitudes, hábitos, organizações estão em processo de mudança. No bottle line dos financeiros passa a existir uma nova preocupação: o lucro humano. Se ele não for levado em conta, o marketing vai gritar pela perda de consumidores e o departamento jurÃdico das empresas não dará conta dos processos.
É a consciência planetária que acorda exigindo das empresas mais do que imagem: caráter e reputação.
Stephan falou sobre a necessidade de estimular as lideranças. Vê como lÃderes aqueles que conseguem se comunicar, convencer outros com discursos claros e ações objetivas e eficientes. A tarefa é construir ponte de diálogo da empresa com a ONG e enfrentar a burocracia corrupta do Estado.
O Ãndice Dow Jones indica que nos últimos quatro anos as empresas com responsabilidade social obtêm melhores resultados. A qualidade da gestão pode ser cada vez mais medida pela ecoeficiência e pela responsabilidade social.
O Ethos lançou durante a Conferência seus indicadores de responsabilidade social e material de apoio à construção do sistema de gestão de responsabilidade social para as empresas: ferramentas de planejamento estratégico e plano operacional que estão disponibilizadas no seu site. O desafio do Instituto Ethos é ajudar a compartilhar experiência, construindo novas lideranças dentro das empresas e conquistando presidentes e diretores para uma participação mais ativa.
Cada vez ficam mais evidentes as perdas para os negócios com atitudes socialmente irresponsáveis: perdem talentos, vendas e imagem, e ganham custos com processos judiciais. Isso deve explicar a associação ao Ethos de 609 empresas em três anos, 28% do PIB brasileiro. Como disse Ricardo Guimarães, um rarÃssimo publicitário presente (onde estão que não percebem o novo mundo?), é hora de fazer a “gestão de valorâ€, não basta a “gestão de resultadosâ€, e isso simplesmente muda tudo.
Bem, muitas outras coisas aconteceram na Conferência, muitas outras idéias me surgiram, e certamente tudo irá impactar o trabalho da Rebouças & Associados e de todos os nossos parceiros.
Nádia Rebouças
reboucas@reboucaseassociados.com.br
Os 'poliglotas descalços'
Heinz Alfred Kissinger, o diplomata norte-americano mais influente, da segunda metade do século XX, nasceu em Fürth, na Alemanha, em 1923. Mas imigrou para os Estados Unidos, e se nacionalizou norte-americano em 1943, antes de doutorar-se na Universidade de Harvard, em 1954, onde foi professor e diretor do seu Centro de Estudos Internacionais e do seu Programa de Estudos de Defesa, até 1971. Apesar disto, Henry Kissinger não foi um acadêmico, foi sobretudo um consultor, funcionário e executivo da segurança nacional, e da polÃtica externa norte-americana. Desde 1953, no governo de Dwight Eisenhower, até o final da sua gestão como Conselheiro de Segurança da Presidência, e como Secretario de Estado das administrações de Richard Nixon e Gerald Ford, entre 1968 e 1976. Neste último perÃodo, em particular, Henry Kissinger exerceu uma diplomacia pouco convencional e extremamente ágil, como formulador e operador direto de suas próprias decisões, cioso de suas idéias e do seu poder pessoal e institucional. Foi nesta época que ele tomou algumas decisões e liderou iniciativas do governo americano, que deixaram marcas profundas na história da segunda metade do século XX.
Entre suas iniciativas com sinal “positivoâ€, destacam-se: a distensão das relações com a União Soviética e a negociação dos tratados de “não proliferação nuclearâ€, de “limitação das armas estratégicas†e de controle dos “mÃsseis balÃsticosâ€, na década de 70; as negociações de paz no Vietnã, que levaram à assinatura dos Acordos de Paris, em 1973; e, finalmente, a mais famosa de suas acrobacias diplomáticas, as viagens secretas a Pequim, e suas negociações pessoais, com Chou en Lai e Mao Tse Tung , em 1971 e 1972, que levaram à reaproximação dos Estados Unidos com a China nas décadas seguintes.
Por outro lado, entre suas decisões e iniciativas “sangrentasâ€, destacam-se: a autorização do bombardeio aéreo do Camboja e do Laos, tomada sem a autorização do Congresso Americano, em 1969; o apoio à guerra do Paquistão com a Ãndia, no território atual de Bangladesh, em 1971; o apoio e financiamento ilegal da invasão do Chipre, pela Turquia, em 1974; o apoio à invasão sul-africana de Angola, em 1975; e, finalmente, também em 1975, o apoio à invasão do Timor Leste, pela Indonésia, que se transformou numa ocupação de 24 anos, e custou 200 mil vidas.
Separadamente, a América do Sul ocupa um lugar de destaque nesta lista “negra†das grandes decisões tomadas por Henry Kissinger, entre 1968 e 1976. Basta ler os documentos oficiais americanos que já estão disponÃveis e as várias pesquisas jornalÃsticas e acadêmicas que apontam para o envolvimento direto do ex-secretário de Estado Norte-americano com a preparação e execução dos violentos golpes militares que derrubaram os governos eleitos do Uruguai e do Chile, em 1973, e da Argentina, em 1976. Além, disto, existem inúmeros processos judiciais - em vários paÃses (nota 1) – envolvendo Henry Kissinger com a Operação Condor (nota 2), que integrou os serviços de inteligência das Forças Armadas da Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, para seqüestrar, torturar e assassinar personalidades polÃticas de oposição.
Sempre causou perplexidade entre os analistas o apoio de Kissinger e da diplomacia americana a estas “intervenções militaresâ€, que se caracterizaram por sua extraordinária truculência. Mas não é difÃcil de entender o que aconteceu quando se olha para os interesses estratégicos dos Estados Unidos e sua defesa na América do Sul, da perspectiva de longo prazo, traçada por Nicholas Spkyman, em 1942. Spykman definiu o continente americano, do ponto de vista geopolÃtico, como primeira e última linha de defesa da hegemonia mundial dos Estados Unidos. Dentro deste hemisfério, ele considerava improvável que surgisse um desafio direto à supremacia dos Estados Unidos na “América Mediterrâneaâ€, onde ele incluÃa o México, a América Central e Caribe, mas também a Colômbia e a Venezuela.
No entanto, ele considerava que poderia surgir um desafio desta natureza na região do ABC, no Cone Sul da América. E, neste caso, ele considerava inevitável o recurso à guerra. A sigla ABC refere-se a Argentina, Brasil e Chile, mas a região do ABC inclui também o território do Uruguai e do Paraguai - exatamente os cinco paÃses que estiveram envolvidos na Operação Condor. Neste sentido, se pode dizer que Henry Kissinger seguiu rigorosamente as recomendações de Nicholas Spykman com relação ao controle desta região geopolÃtica. Sua única contribuição pessoal, foi a substituição da “guerra externaâ€, proposta por Spykman, pela “guerra interna†das Forças Armadas locais contra setores de suas próprias populações nacionais. Mas, mesmo neste ponto, Kissinger não foi original: recorreu ao método que havia sido utilizado pelos ingleses na Ãndia, durante 200 anos. E em todos os lugares em que a Grã Bretanha dominou Estados fracos, utilizando suas elites divididas e subalternas, para controlar as suas próprias populações locais.
Nas décadas de 80 e 90, Henry Kissinger afastou-se da diplomacia direta, mas manteve sua influencia pessoal e intelectual dentro do establishment americano e dentro das elites conservadoras sul-americanas. Em 2001, ele publicou um livro sobre o futuro geopolÃtico e sobre a defesa dos interesses americanos ao redor do mundo (nota 3). Com relação à América do Sul, o autor atenuou a forma, mas manteve o “espÃrito†de Spykman: segundo Kissinger, a América do Sul segue sendo essencial para os interesses americanos, e deve ser mantida sob a hegemonia dos Estados Unidos. Só que, hoje, a ameaça à esta hegemonia já não vem da Alemanha, nem da União Soviética, vem de dentro do próprio continente. No plano econômico: dos projetos de integração regional que excluam ou se oponham à Alca. E no plano polÃtico: dos populismos e nacionalismos que, segundo ele, estão renascendo no continente, segundo Kissinger. Por fim, mesmo que não tenha escrito de forma explÃcita, o entusiasmo demonstrado por Kissinger com as reformas liberais dos anos 90 e com os governos de Menem e Cardoso não deixa dúvidas com relação à sua preferência e sua estratégia atual para a “região do ABCâ€: depois dos militares, os “poliglotas descalçosâ€.
Notas:
(1) Na França, Henry Kissinger foi chamado a depor, pelo juiz Roger Lê Loire, no processo sobre a morte de cidadão franceses na Operação Condor, e sob a ditadura militar chilena. O mesmo ocorrendo na Espanha, com a investigação dp juiz Juan Guzman, sobre a morte do jornalista americano Charles Horman, sob a ditadura chilena. E também na Argentina, onde Kissinger está sendo investigado pelo juiz Rodolfo Canicoba, por envolvimento na Operação Condor, assim como em Washington , onde existe um processo na corte federal com acusação, contra Kissinger de haver dado a ordem para o assassinato do Gal Schneider, Comandante em Chefa das Forças Armadas Chilenas, em 1970.
(2) O interesse sobre o assunto foi reavivado recentemente, pelo livro do jornalista Chistopher Hitchens, The Trial of Henry Kissinger(2203), e pela resenha de Kenneth Maxwelll, do livro de Peter Kornbluh, The Pinochet file: a Desclassified Dossier on Atrocity and Accountability, publicado na revista Foreign Affairs, de Dezembro de 2003, sobre as relações de Kissinger com o regime de Augusto Pinochet, em particular com o assassinato do diplomata chileno Orlando Letelier, em Washington, 1976.
(3) Kissinger, H., (2001), Does America Need a Foreign Policy. Toward a Diplomacy for the 21 st Century, Simon&Schuster, New York.
José LuÃs Fiori, cientista polÃtico, é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
(webremix.info)Ex-autoridades do "apartheid" recebem penas de 10 anos de prisão
Johanesburgo, 17 ago (EFE).- Um ministro e um chefe de Polícia do regime do "apartheid" na África do Sul foram condenados hoje a 10 anos de prisão pela tentativa de assassinato do ativista Frank Chikane, segundo fontes judiciais. (webremix.info)
Ex-autoridades do 'Apartheid' recebem penas de 10 anos de prisão
Um ministro e um chefe de Polícia que atuaram durante o regime do "apartheid" na África do Sul receberam hoje uma pena de dez anos de prisão pela tentativa de assassinato do então ativista Frank Chikane, segundo fontes judiciais.
A sentença, cujo cumprimento fica em suspenso, foi di (webremix.info)
Transparência Internacional divulga corrupção judicial em África
A Transparência Internacional acaba de divulgar, em Nairobi e Londres, que o abuso de poder em África continua a fazer-se sentir pelo poder executivo, inclusive, contra órgãos judiciais. As pressões caracterizam-se, grosso modo, por ameaças, intimidação e corrupção dos juízes africanos, agravando-se ainda pelo facto de em África não haver ainda critérios objectivos na nomeação dos membros de justiça e no controlo dos salários e condições de trabalho. (webremix.info)
Blatter será reeleito em Congresso da Fifa
A reeleição do suíço Joseph Blatter para seu terceiro mandato à frente da Fifa é um dos destaques do 57º Congresso do organismo, que começa nesta terça-feira, em Zurique.
Além disso, os membros da entidade que rege o futebol mundial aprovarão as contas de 2006 e o orçamento de 2008, confirmando também o país Montenegro como novo membro.
A Fifa também aprovará mudanças em seus estatutos - entre elas, recorrer ao Tribunal de Arbitragem Esportiva (TAS, em francês) sobre as decisões de suas confederações, membros ou ligas em casos de doping, e que a Agência Mundial Antidoping (AMA) também possa recorrer das resoluções da Fifa ao organismo.
Também se submeterá a uma votação a obrigação de as federações incluírem em seus regulamentos a proibição de comparecer aos tribunais comuns ou ao TAS para resolver litígios internos, envolvendo clubes e jogadores.
Mas um dos momentos mais importantes será a reeleição de Joseph Blatter como presidente para seu terceiro mandato. A situação é muito diferente da que enfrentou dia 29 de maio de 2002 em Seul, quando iniciou seu segundo período como presidente após bater o camaronês Issa Hayatou.
Blatter superou então um dos momentos mais críticos desde que chegou à presidência, às vésperas do Mundial de 1998, já que as urnas o legitimaram para manter o poder em meio a muitas opiniões contrárias à sua permanência.
Na capital sul-coreana, Blatter fez valer a idéia de que a situação econômica da Fifa era boa e, após "limpar a casa" - segundo suas próprias palavras -, traz um terceiro projeto, agora como candidato único e com o forte apoio da nova Uefa de Michel Platini.
O ex-jogador francês, antigo assessor de Blatter, voltou a ficar ao seu lado ao encerrar nesta segunda-feira o congresso da Uefa pedindo aos clubes que formam o G-14 que desfaçam o grupo e retirem os processos judiciais em que pedem à Fifa uma compensação econômica por ceder jogadores às seleções.
O Congresso permitirá também que tomem posse os vice-presidentes e novos membros do Comitê Executivo da Fifa. Um deles será justamente Platini, por sua condição de presidente da Uefa, enquanto o alemão Franz Beckenbauer ocupará o lugar de seu compatriota Gerhard Meyer-Vorfelder.
Quem não tomará posse como vice-presidente será o escocês John McBeth, representante das federações britânicas. A Fifa anunciou que sua admissão está pendente da posição do Comitê de Ética, presidido por Sebastian Coe sobre as acusações de corrupção feitas pelo dirigente às federações da África e do Caribe. (webremix.info)
